A teatralidade é essencialmente humana. Todo mundo tem dentro de si o ator e o espectador. Representar num ‘espaço estético’, seja na rua ou no palco, dá maior capacidade de auto-observação. Por isso é político e terapêutico.
Augusto Boal
(1931-2009)

WhatsApp Image 2021 12 17 at 14.18.52A reinvenção do teatro brasileiro começou na mente de um aluno de Engenharia Química da UFRJ. Era Augusto Boal, rapaz tímido que passou no vestibular em 1949. Chegou a se formar, mas nunca exerceu a profissão. “Seu interesse, desde muito pequeno, sempre foi o teatro, mas ele precisou ‘pagar um pedágio’ ao pai. Era preciso ter um ‘canudo’ na mão. Então, ele conquistou seu diploma superior e o direito de ir atrás de seu sonho”, conta a psicanalista Cecília Boal, viúva do artista, nascido em 1931 e morto em 2009. “Boal continua sendo atual. Sua proposta não foi superada”.
Criador do Teatro do Oprimido, Boal foi um ícone da arte política, engajada, questionadora, revolucionária. “Seu método oferece um formato que pode ser utilizado em qualquer lugar: na escola, numa fábrica, no campo. É uma ferramenta de luta contra a opressão”, completa Cecília, que preside o instituto que leva o nome do marido.
Cultuado, estudado e reverenciado no mundo todo, o gênio do teatro será homenageado no próximo final de semana pelo Colégio de Aplicação da UFRJ. Alunos do segundo ano vão encenar dois textos de Boal. O espetáculo, uma livre adaptação de “Torquemada” e “Revolução na América do Sul”, foi todo produzido a distância e será exibido no dia 19 de dezembro. A montagem encerra o ano de trabalho do projeto EncenaAção.
Para preparar a apresentação, os alunos recuperam a impressionante biografia do artista que escreveu, traduziu e adaptou 72 peças, dirigiu mais de 50 espetáculos e escreveu 20 livros. O acervo começou a ser criado ainda nos anos 1950, logo que Boal finalizou seu curso na então Escola Nacional de Química. Até o golpe de 1964, escreveu ou dirigiu 29 peças.WhatsApp Image 2021 12 17 at 14.16.42 1
Dali em diante, a crítica à ditadura passou a integrar o contexto de suas obras. O espetáculo ‘Opinião’ foi o primeiro criado após o início da repressão e é um dos mais importantes musicais políticos do teatro nacional. Em 1971, o dramaturgo foi preso, torturado e enviado para o exílio. No mesmo ano, escreveu ‘Torquemada’, na Argentina. “Só retornamos ao Brasil em 1986, por iniciativa minha, e viemos para o Rio de Janeiro”, relembra Cecília. “Desde então, houve uma reaproximação com a UFRJ. Boal passou a ser convidado para várias oficinas, palestras. Fez encontro no Teatro de Arena, também na área externa da Faculdade de Letras com o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra)”, conta.

ACERVO
Após sua morte, os herdeiros enfrentaram um dilema: o que fazer com seu vasto acervo? “Eu pensei que o lugar natural para a documentação que ele deixou era a UFRJ”, afirma Cecília. “Levamos tudo para a Faculdade de Letras. Devo muito à UFRJ pela digitalização de boa parte do material”, agradece Cecília. “Hoje, 90% do acervo digitalizado está disponível para consulta na internet graças à UFRJ”.
A professora Priscila Matsunaga, da Faculdade de Letras, fez parte da articulação que trouxe o material de Augusto Boal para a UFRJ, em 2011. “Foi um acontecimento. Durante o breve período em que o acervo esteve na unidade, entre 2011 e 2019, inúmeras atividades de formação e divulgação foram possíveis”, lembra. “Entre as atividades, foi concedido o título de Doutor Honoris Causa a Augusto Boal, pela Faculdade de Educação”, lembra a professora Priscila.
WhatsApp Image 2021 12 17 at 14.16.42Em dezembro de 2019, o acervo começou a ser transferido para o Museu Lasar Segall, em São Paulo, cuja biblioteca é especializada em artes do espetáculo. “Terminamos a transferência em fevereiro de 2020, imediatamente antes de estourar a pandemia. Por isso, ele não está ainda acessível fisicamente no Museu. Mas estará em breve”, explica dona Cecília Boal.

HOMENAGEM DO CAP

Celi Palacios, professora de Artes Cênicas do CAp e estudiosa de Augusto Boal, explica como surgiu a ideia de trazer textos do dramaturgo para a escola. “O setor curricular de Artes Cênicas sempre foi muito engajado nas questões contemporâneas, político-sociais. E Boal tem como princípio que o teatro é político, assim como todas as nossas ações são políticas”, analisa. “Esse ano nos vimos mais uma vez presos pela pandemia, isolados, em ensino remoto e com todos os problemas que vêm piorando por conta da pandemia, como a fome, a miséria, a ascensão de pensamentos protofascistas. Apesar de os textos serem um da década de 1970 e outro da década de 1950, Boal é contemporâneo, urgente e necessário”.
A professora Andréa Pinheiro divide a coordenação do EncenaAção e conta que o projeto foi criado em 1997. “O projeto surgiu do desejo dos alunos montarem peças de teatro. Ao longo dos anos se tornou um programa curricular do segundo ano”. Bolsistas dos cursos de Dança, Indumentária e Direção Teatral participam do projeto. “Há uma qualificação dos estudantes do ensino superior dessas áreas, bem como também dos estudantes do Ensino Médio, como atores”, afirma. Nos dois últimos anos, as professoras e os alunos precisaram aprender a fazer teatro remoto. “Fez parte de uma luta para salvar vidas”.
O espetáculo “2x Boal” será transmitido às 18h do dia 19 pelo canal do Youtube CAp na Quarentena. Dele fazem parte 25 alunos do Ensino Médio e oito bolsistas dos cursos de Indumentária, Dança e Direção Teatral.

 

FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO

TURMA 22 A
Direção
de Cena:
Aureo Müller
Direção de
Movimento:
Allessandro Ribeiro
Orientação:
Celi Palacios

ELENCO 22 A
l Arthur Vale
l Bia Gonzales
l Carol Moraes
l Fellipe Frascino
l João Gabriel Moniz
l Madu Durso
l Nina Dantas
l Vinicius Gomes
l Yanni Torquato

TURMAS 22 B e C
Direção de Cena:
Kamilla Ferreira
e Diego Santos
Orientação:
Andréa Pinheiro

ELENCO 22 B
l Camille Ximenes
l Daniel Pericin
l Davi Oliveira
l Leonardo Gabriel
de Amorim
lLorenzo Kaulino
l Luana Diniz
l Luiza Laviola
l Mari Falcão
l Renan Correia

ELENCO 22 C
l Alice Marinho
l Arthur Costa
l Beatriz Saronne
l Davi do Rosário
Sombra
l Guilherme
Esquerdo Pereira
l Júlia Cantuario
l Tatah Souza

Figurino:
Viviane Dutra
Edição:
Yasmin Viana,
Allessandro Ribeiro
e Ryan Santos
Arte de
Divulgação:
Lígia Monteiro
Produção:
Ryan Santos
Direção Artística:
Andréa Pinheiro
e Celi Palacios

savings 2789112 640A UFRJ ainda não sabe quanto terá em caixa para enfrentar 2022. A lei orçamentária anual só deverá ser aprovada no início da próxima semana. Mas, entre os rebaixados números apresentados pelo governo e uma eventual recomposição conquistada no plenário do Congresso, a tendência é que a universidade tenha mais um ano bastante difícil. Na última sessão do ano, dia 16, o Consuni aprovou, por unanimidade, a proposta da reitoria que indica um déficit de R$ 93 milhões para o próximo exercício fiscal.
A administração central trabalhou com a proposta orçamentária do governo (PLOA), enviada em agosto ao Congresso. É, até o momento, o último documento legal disponível. “Todo dia, há alterações (nos debates do Congresso). Não poderíamos nos basear nas discussões”, explicou o pró-reitor de Planejamento e Finanças, professor Eduardo Raupp.
A montanha-russa dos números pode ser demonstrada em dois momentos. Na semana passada, o relator da Comissão Mista de Orçamento, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), indicou um corte de 6% na PLOA das universidades, o que representaria menos R$ 16 milhões nos cofres da UFRJ. Já na véspera do Consuni, a presidente da comissão, senadora Rose de Freitas (MDB-ES), disse ter assegurado junto ao Ministério da Economia uma recomposição de 80% dos valores nominais de 2019 destinados às universidades, o que poderia trazer mais R$ 40 milhões para a maior federal do país. Mas, ainda assim, seriam insuficientes. As universidades reivindicam 100% dos valores de 2019, com correção pela inflação.
Pela PLOA 2022, o orçamento da UFRJ cresce 7,23% em relação a 2021 (R$ 320,8 milhões contra R$ 299,1 milhões). “Porém, o de 2021 já vem de uma redução de 20%. Na verdade, ele confirma uma redução muito brutal para a nossa gestão orçamentária”, disse Raupp. A realidade, porém, obriga a instituição a trabalhar no vermelho. “Nossa demanda de gastos em 2022 seria de R$ 413 milhões. O que consolida em relação à PLOA de R$ 320 milhões um déficit de mais de R$ 90 milhões”, completou. O pró-reitor informou que não seria possível fazer mais ajustes. “A avaliação técnica das nossas equipes é que os cortes que fizemos em 2020 nos levaram ao limite operacional”, afirmou.

COMO FICAM OS
GASTOS INTERNOS
O texto da PLOA 2022 prevê uma pequena verba para investimento (R$ 6,3 milhões), mas Raupp enfatizou que nem isso está garantido. Ano passado, havia a previsão, mas o investimento foi cortado por sanção presidencial. O único item recomposto nominalmente aos valores de 2019 é o do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), que passa de R$ 42,1 milhões para R$ 54,4 milhões. O Museu Nacional, já há dois anos, ganhou uma rubrica própria de apoio à reconstrução do prédio (prevista em R$ 1,5 milhão para 2022).WhatsApp Image 2021 12 17 at 14.20.21
Verbas que chegavam aos hospitais por transferências ao longo do ano passam a constar do orçamento. Só que com valores bastante rebaixados. O Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (REHUF) reservaria apenas R$ 10 milhões para o Complexo Hospitalar da universidade. E os recursos para enfrentamento da pandemia, também incluídos na peça orçamentária, despencaram: estão previstos R$ 15 milhões no orçamento contra R$ 64 milhões de 2020 e os R$ 34 milhões deste ano. “É positivo ser contemplado no orçamento. Permite fazer um planejamento melhor desde o início do ano, mas os valores reduzidos são preocupantes”, disse Raupp.
O dirigente também sinalizou uma preocupação com uma diminuição inédita. O orçamento de pessoal perde R$ 73.912.973,00 (-2,02%). “Não temos nenhuma explicação oficial do governo. A folha (de salários) tende ao crescimento vegetativo”, observou.
Apesar de tudo, duas boas notícias para a comunidade. A reitoria decidiu ampliar o aporte para capacitação dos servidores (de R$ 1,1 milhão para R$ 2 milhões). E, além de aumentar os recursos do chamado orçamento participativo (de R$ 7,6 milhões para R$ 18 milhões) — partilhado entre decanias e unidades —, irá liberar as verbas de uma vez só. “Estamos abandonando a tradicional divisão por cotas e trabalhando com um valor global, que está sendo incrementado em 136%. Será liberado logo no início do ano, assim que for liberado para a universidade”, disse.
A Comissão de Desenvolvimento do Consuni recomendou a aprovação da proposta da reitoria, mas apontou a necessidade de a UFRJ retomar a análise de prioridades e custos em obras paradas. “Sem dúvida, o Escritório Técnico da Universidade (ETU) poderá desempenhar um papel importante nesta tarefa”, diz um trecho do documento.

PREOCUPAÇÃO COM INCÊNDIOS
Os conselheiros também apresentaram suas preocupações. Representante dos professores titulares do CCMN, Claudio Lenz lembrou o histórico de incêndios da universidade. O docente solicitou mais cuidado com a manutenção das redes elétricas da UFRJ. “Não sou especialista, mas acho que o valor previsto para manutenção predial e obras está muito pequeno”. O pró-reitor de Planejamento informou que as verbas destinadas à manutenção, muitas vezes, estão dispersas em diferentes itens da planilha orçamentária. “Mas, claro, ainda são insuficientes”, disse.
Decano do CT, o professor Walter Suemitsu elogiou a proposta de liberar o orçamento participativo de uma só vez, mas acredita que a divisão entre unidades precisaria ser discutida. “Acho que há algumas incongruências. Houve o surgimento de novas unidades. Essa divisão precisa ser revista”.
Já a decana do CCMN, professora Cássia Turci, observou a necessidade de aumento das diárias dos estudantes, hoje de apenas R$ 42. “Há uma preocupação muito grande em relação ao retorno dos trabalhos de campo, principalmente nos cursos de Geologia e Geografia”, disse.

CRISTINA RICHE SE DESPEDE DA OUVIDORIA DA UFRJ

Debaixo de uma chuva de elogios dos representantes de diferentes centros e unidades, a professora Cristina Ayoub Riche se despediu da Ouvidoria-geral da UFRJ, na sessão do Consuni do dia 16. A docente apresentou um balanço dos 12 anos em que ocupou o posto.
No período, a ouvidoria atendeu mais de 20 mil manifestações das mais diferentes naturezas. “Dos pacientes das unidades hospitalares buscando orientação para o seu tratamento ao estudante com dificuldades para cumprir os trâmites da entrega do seu trabalho de final de curso”, disse Cristina. Foram, em média, 125 ocorrências por mês. “Cada gestor tem a possibilidade de traçar estratégias de ações a partir destas manifestações individuais”, ressaltou. É também na ouvidoria da UFRJ que se concentra, desde 2019, o atendimento da Lei de Acesso à Informação (com respostas a 1.244 solicitações, nesses três anos).
A professora enfatizou que o órgão é muito mais que um canal para receber reclamações, elogios ou sugestões. “Eu costumo dizer que as ouvidorias são verdadeiros remédios constitucionais com capacidade para prevenir, combater, tratar e enfrentar as patologias sociais. Sua existência nas instituições públicas pode garantir o fim da apatia e da descrença na prestação adequada e eficiente dos serviços”, disse. “A ouvidoria é a voz do cidadão na UFRJ e o seu propósito é o de garantir direitos. É muito gratificante olhar para trás e ver como a ouvidoria participou de tantos processos coletivos para tornar a universidade sempre mais democrática, diversa, inclusiva, aberta, acessível, comprometida com o desenvolvimento e a soberania do país”, disse, emocionada.
A reitora Denise Pires de Carvalho informou que a professora só deixou a função por conta de uma recente portaria da Controladoria-Geral da União, que limitou os mandatos nas ouvidorias dos órgãos públicos. “Você fez mais que a escuta. Fez a escuta sensível. Parabéns por ser a empatia em forma de gente”, destacou. “Nestes dois anos de pandemia, Cristina não deixou de atender a comunidade acadêmica em nenhum momento”. A dirigente revelou ter convidado a professora para a coordenação de uma estrutura, ainda em estudo, para combate às violências e discussão de direitos humanos.
Ao final da sessão, por unanimidade e aclamação, o Consuni aprovou uma moção de agradecimento ao trabalho realizado pela professora. Cristina Riche foi substituída na ouvidoria pela ex-pró-reitora de Pessoal, Luzia Araújo.

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Durou pouco mais de três meses a expectativa da UFRJ por uma mínima recomposição financeira em 2022. Em 31 de agosto, o governo enviou proposta ao Congresso reservando R$ 320,8 milhões para as despesas da maior federal do país — valor ainda insuficiente, mas com pequeno avanço em relação aos R$ 299 milhões deste ano. No último dia 6, porém, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou parecer com corte de 6% de todas as universidades. A tesourada significa, na prática, menos R$ 16 milhões para a UFRJ.
“Ainda não é definitivo. Precisa ser apreciado pelo próprio plenário do Congresso. Mas é um indicador extremamente preocupante para nós. Isso nos aponta ficar em 2022 praticamente com o mesmo orçamento de 2021”, explica o pró-reitor de Planejamento e Finanças, professor Eduardo Raupp. O problema é que as receitas atuais já não dão conta do funcionamento da UFRJ, que ainda está com a maioria das aulas em meio remoto. “É o orçamento de um ano completamente atípico que, tudo indica, será mantido para um ano que tenderia à retomada da nossa normalidade”, completa.
A estimativa da reitoria é chegar ao fim de 2021 com um déficit de aproximadamente R$ 48 milhões. Número que pode diminuir com algumas confirmações de gastos nos próximos dias, como contratos de fornecimento com valores que podem ficar abaixo do previsto. “Em função do retorno ainda não ser 100%”, explica Raupp. “Vamos conseguir pagar todas as nossas contas até o mês de novembro. Já boa parte do mês de dezembro teremos que carregar para o ano que vem”.
O pró-reitor diz que é importante mobilizar para a recuperação e ampliação do orçamento. Mas a experiência da tramitação da proposta, no ano passado, não é nada positiva. “Foi ao contrário. Os cortes só foram aumentando”, observa Raupp.

DEBATE NO CONSUNI
Todos os anos, o Conselho Universitário discute o orçamento interno do exercício seguinte. No documento que será apreciado pelo colegiado ainda este mês, a administração superior trabalha com os números da proposta original do governo. “Sem esse corte da comissão, que é uma indicação do relator (deputado Hugo Leal, do PSD-RJ). Mesmo com o valor original, nós já apontávamos um déficit na casa dos R$ 90 milhões, no exercício do ano que vem. Com mais cortes, o déficit se aprofundaria”, esclarece o dirigente. O corte do relator retira R$ 12,5 milhões para despesas do funcionamento da UFRJ e mais R$ 3,5 milhões de assistência estudantil. Apenas as verbas dirigidas ao Complexo Hospitalar da UFRJ foram poupadas.
E não existe mais possibilidade de ajuste. “Nós estamos com todos os contratos no limite. Operamos uma série de reduções a partir de análises técnicas. Tudo que era possível fazer em termos de otimização da gestão foi feito”, afirma Raupp. “Mais que isso seria reduzir serviços que são essenciais para o nosso funcionamento”.
Apesar dos sucessivos cortes nos últimos anos, a nova tesourada nas universidades não deixou de ser uma surpresa. Em um encontro do Fórum de pró-reitores de Planejamento (Forplad), na semana passada, o próprio MEC participou e também apontou expectativa de alguma recomposição para as universidades. “É uma surpresa totalmente negativa”, conclui o pró-reitor da UFRJ.

NO CONJUNTO DAS
UNIVERSIDADES,
PERDA DE R$ 300 MILHÕES
A Proposta de Lei Orçamentária (PLOA) do governo reserva R$ 5,1 bilhões para as despesas discricionárias — ou seja, sem contar gastos com pessoal — das universidades. “Do jeito que estava a PLOA, 2022 já estava comprometido. Com o corte, não tem a menor possibilidade de conseguirmos operar”, diz o presidente da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), professor Marcus David. O conjunto das universidades, calcula o reitor, perde quase R$ 300 milhões pelo corte indicado pelo relator.
O orçamento deve ser votado até o início do recesso parlamentar, em 22 de dezembro. A Andifes reivindica a recuperação do orçamento para valores de 2019, corrigidos pela inflação. Seriam aproximadamente R$ 6,9 bilhões, R$ 1,8 bilhão a mais do que o governo propõe.

NA CIÊNCIA, MAIS CORTES
O sistema federal de Ciência e Tecnologia também sofreu na caneta do relator da CMO. A SBPC registrou um corte de R$ 126,7 milhões na verba do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O CNPq perderia R$ 60,2 milhões, sendo R$ 52,7 milhões destinados ao pagamento de bolsas.
Na Capes, o corte sugerido é de R$ 33,2 milhões, sendo R$ 2,3 milhões das bolsas. O relator quer tirar ainda R$ 7,5 milhões da Fiocruz e mais R$ 8 milhões da Embrapa.
Entidades de apoio à ciência, como a própria SBPC e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), também tiveram suas contribuições reduzidas em R$ 210 mil e R$ 240 mil, respectivamente, o que prejudicaria a divulgação científica.
“Eu me senti chocado ao saber de mais um corte no orçamento da Ciência”, diz o presidente da SBPC, professor Renato Janine. “Devemos lembrar que, se tivéssemos investido na Ciência na hora certa, teríamos tido pelo menos uma, talvez duas ou três vacinas brasileiras, economizando muito dinheiro que gastamos comprando vacinas do exterior”, completa.
A SBPC, a ABC e a Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento — movimento organizado da comunidade brasileira de ciência e tecnologia para atuação permanente junto aos parlamentares — se mobilizam para reverter os cortes. “Vamos continuar lutando, mobilizando a comunidade científica”, afirma Janine.

rádioO orçamento também foi o principal tema do último programa AdUFRJ no Rádio deste ano. Convidado, o professor Eduardo Raupp, pró-reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças da UFRJ, explicou os impactos do corte aprovado na Comissão Mista de Orçamento do Congresso. O professor emérito Ricardo Medronho, diretor do sindicato, participou do programa e fez um balanço do retorno das aulas presenciais na universidade. O AdUFRJ no Rádio vai ao ar todas as sextas-feiras, às 10h, com reprise às 15h, pela Rádio UFRJ (www.radio.ufrj.br) e também está disponível em seu agregador de podcasts favorito.

WhatsApp Image 2021 12 17 at 14.00.56Diretoria da AdUFRJ

Car@ colega,

Adeus, Ano Velho; feliz Ano Novo. Jamais um surrado bordão traduziu um sentimento tão especial. Encerramos 2021 com o gosto amargo de que atravessamos uma das piores jornadas de nossas vidas pessoais e coletivas. Não foi fácil para cada um e para todos. Perdemos mais de 600 mil brasileiros na pandemia, assistimos ao presidente da República debochar da morte, boicotar a Ciência, estrangular o orçamento das universidades e transformar o governo na antessala do inferno.
Mas o balanço dos quase 365 dias terríveis que deixamos para trás pode apontar algumas boas novas. A primeira delas é que a presidência de Bolsonaro vai acabar e podemos ajudar a varrê-lo para o subsolo da História, de onde jamais deveria ter saído. E, caro coleg@, aqui queremos te garantir que a AdUFRJ estará firme nesse propósito de derrotar Bolsonaro e participar da retomada da democracia e da política como exercício civilizatório. Dentro dos parâmetros da ética e da responsabilidade, a diretoria do sindicato dos professores da UFRJ se desdobrará para colaborar com a unidade das forças progressistas nas eleições de 2022. Estamos convictos de que esse é o único caminho da esperança. Não dispersaremos nem desperdiçaremos energia com sectarismo, divisionismo e outros ismos de menor importância. O que está em jogo no ano que se avizinha é o que a docência mais preza: a valorização do conhecimento, a democratização do saber, o humanismo como princípio e meio.WhatsApp Image 2021 12 17 at 14.06.26
2022 será o ano de mudar a política e de retomar o olho no olho em nossa rotina de trabalho. A UFRJ terá o enorme desafio de construir o retorno presencial com um orçamento deficitário, aprovado por unanimidade na última sessão do Consuni, como mostramos na reportagem da página 4. De nossa parte, estaremos ao lado dos professores, estudantes e técnicos para mitigar a dificuldades, acolher cada um e cada uma da comunidade acadêmica e cobrar dos responsáveis melhores condições de trabalho.
Car@ colega, vamos juntos, conte conosco, contamos com você nessa jornada, nos procure em nossas redes, em nossa sede, em nossas atividades. Sua participação será fundamental para a construção de um 2022 em que a esperança vença o medo.

PS: Esse é o último editorial do ano. Nosso jornal entra em um rápido recesso e volta a circular na primeira semana de janeiro.

Boa leitura. Boas Festas, feliz Ano Novo!

bandeira adufrjDiretoria da AdUFRJ

O governo Bolsonaro tem uma única e velha política para a universidade e a Ciência: cortar recursos. Fazia isso nas temporadas da panaceia ideológica de Weintraub e repete a mesma toada em tempos de pandemia. Claro que tirar recursos agora é mais grave do que nunca. As universidades são espaços estratégicos para combater a covid-19 e preparar o país para evitar novas investidas do coronavírus. Mas para um governo que flertou com o vírus, foi leniente na compra de vacinas e debochou da morte de quase um milhão de cidadãos, valorizar o conhecimento jamais seria prioridade. Isso fica claro na última maldade orçamentária dos bolsonaristas. No dia 6, a Comissão Mista de Orçamento aprovou parecer com corte de 6% de todas as universidades. O relator foi o deputado Hugo Leal, do PSD-RJ. A tesourada significa, na prática, menos R$ 16 milhões para a UFRJ. Car@ colega, como podemos planejar um retorno presencial ainda mais sucateados?
Estamos nos desdobrando para voltar aos campi, mas a situação está longe de ser razoável. A Faculdade de Farmácia já tornou com atividades presenciais práticas, mas as salas do subsolo não possuem ventilação nem exaustão e, por isso mesmo, as aulas teóricas precisam seguir remotas.
Esses e outros “detalhes” que ameaçam a saúde de professores, estudantes e técnicos não aparecem nas laudas do desembargador Marcelo Pereira da Silva, que decidiu pelo retorno das atividades presenciais na UFRJ e outras instituições federais de ensino do Rio de Janeiro. Muito pelo contrário. O magistrado assinou sua sentença sem sequer ouvir a universidade. Se tivesse visitado uma única vez o edifício Jorge Machado Moreira, que abriga o gabinete da reitoria, no Fundão, perceberia a imprudência de sua sentença e, quem sabe, cerraria fileiras conosco para evitar mais cortes e pedir mais recursos.
O prédio era a casa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Escola de Belas Artes e do Instituto de Pesquisas em Planejamento Urbano e Regional. Era. Desde 2016, quando oitavo andar foi destruído por um incêndio, a situação do prédio – tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade – só se deteriorou. Em abril deste ano, um novo incêndio, desta vez no segundo andar, tornou ainda mais dramática a crise de infraestrutura do local. A administração central corre para recuperar as instalações nos andares superiores.
Mas as salas de aula, prontas para receber novos alunos, esbarram num problema: falta energia elétrica. Além disso,
há pilares de sustentação do prédio condenados pela Defesa Civil. As áreas interditadas no térreo impedem que os andares superiores sejam amplamente ocupados.
WhatsApp Image 2021 12 10 at 20.21.47CESTAS RECHEADAS DE SOLIDARIEDADE A AdUFRJ doou 100 kits de alimentação para trabalhadores terceirizados da universidade - Foto: Alessandro CostaNossas fragilidades, no entanto, não fazem os recursos chegarem mas nos fortalecem naquilo que temos de melhor: a solidariedade. Foi com empatia que a AdUFRJ doou 100 kits com 22 itens alimentícios para trabalhadores terceirizados da universidade. A entrega das cestas ocorreu na última quarta-feira, 8, no Centro de Tecnologia, no Fundão, e atendeu a pedido da ATTUFRJ, a associação de terceirizados da UFRJ.
Seguiremos assim, lutando por mais recursos e menos injustiças.
Boa leitura!

 

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