Predio CT 0005 1546Foto: Fernando SouzaA universidade vai voltar com todas as aulas práticas em novembro? Servidores e estudantes que rejeitam a vacinação poderão frequentar os prédios? Há orçamento para a UFRJ continuar funcionando até o fim do ano? As incertezas com um retorno fragmentado e inseguro às atividades presenciais guiaram uma reunião virtual entre a reitoria e o Fórum de Mobilização e Ação Solidária (Formas), que congrega AdUFRJ, APG, ATTUFRJ, DCE e Sintufrj, no dia 30.
Os representantes estudantis, além de perguntarem sobre verbas de assistência para contemplar as aulas presenciais, queriam saber como orientar os colegas que voltaram para suas cidades natais, durante a pandemia. “As pessoas não sabem se voltam para o Rio, que é uma cidade muito cara. Queremos conter essas agonias com boas informações”, disse Natália Trindade, da APG.
A reitora Denise Pires de Carvalho argumentou que, mesmo com os cortes orçamentários, a universidade ampliou as ações de apoio aos alunos mais vulneráveis. Informou ainda que a obra de um dos blocos do alojamento será concluída até dezembro, duplicando as vagas no local. “Vamos lutar juntos pela recomposição orçamentária”, afirmou a dirigente.
A administração superior não “bateu o martelo” para a volta de todas as aulas práticas em 16 de novembro, data de início do próximo semestre letivo, como circula em alguns grupos de mensagens e como constou como proposta da universidade na ação movida pelo Ministério Público Federal pelo retorno presencial de todas as atividades.
Mas há indicativos importantes. “O Centro de Triagem Diagnóstica (CTD) hoje apresenta um percentual baixíssimo de positivos”, informou a reitora. Os estudantes também vão completar o esquema vacinal, nas próximas semanas. “Haverá diminuição dos casos e entraremos nos critérios de médio para baixo risco. Aí não tem nada que justifique, do ponto de vista técnico-científico, que a gente não retorne com aula prática”, afirmou.
As ressalvas também foram pontuadas: “Se os critérios epidemiológicos permitirem, se uma nova variante não surgir. É tudo cheio de ‘se’, porque a gente não tem bola de cristal. O GT coronavírus acredita que será possível em novembro. Temos o mês de outubro inteiro pela frente”. Enquanto isso, o CTD prepara um projeto para fazer testes aleatórios para detecção da covid entre os que retornarem. “Vamos rastrear. Antes, só fazíamos dos sintomáticos e contactantes. Agora a gente quer fazer uma triagem de quem retornar”, informou Denise.
“No início da pandemia, fizemos muitas reuniões. Agora, para tratar do retorno, os encontros precisarão ser mais frequentes. A volta é um processo novo, mais complexo. Não sabemos como vai ser, mas tenho certeza de que a universidade saberá escolher o melhor caminho”, observou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. Coordenadora do Sintufrj, Joana de Angelis também cobrou mais diálogo entre as diversas instâncias e grupos de trabalho que foram criados, não só pela reitoria, mas pelos Centros e unidades. “Isso vai ajudar muito a apaziguar as ansiedades”, disse
Nada do que está sendo feito, assegurou a reitora, tem relação com a pressão do MPF para a volta de todas as atividades acadêmicas aos campi. “Critérios técnico-científicos nos fizeram parar; critérios técnico-científicos nos farão voltar”, disse. “Mas não podemos perder o ‘timing’. Não podemos ser a última a voltar”, completou.
Os procuradores do Ministério Público cobram o retorno geral até 18 de outubro. “Está nas mãos da juíza. Mas se vier este 18 de outubro, a Procuradoria da universidade vai recorrer”, informou o vice-reitor da UFRJ, professor Carlos Frederico Leão Rocha.
Outro ponto que pode ser objeto de disputa na Justiça são os servidores e estudantes que rejeitam a vacinação contra a covid voltarem a frequentar os prédios da universidade. “Minha vontade é proibir, mas preciso de parecer jurídico”, explicou Denise. A Advocacia Geral da União está preparando um documento sobre o tema.
“É para ter liberdade dentro da biossegurança, sem assédio, e vamos precisar respeitar cada vez mais as ansiedades individuais. Há pessoas que, mesmo com três doses de vacina, não se sentirão seguras (para voltar)”, disse a reitora. Por outro lado, há alunos que querem muito voltar, porque só conhecem os colegas de turma pelas telinhas de computador. “O grande problema vai ser como atender todos que querem voltar”, concluiu.

Governo estabelece orientações para volta ao presencial

Uma instrução normativa do governo causou alvoroço entre os professores nesta sexta-feira, dia 1º. A IN nº 90 “estabelece orientações” para o retorno “gradual e seguro” ao trabalho presencial, a partir de 15 de outubro, quando entrará em vigor. Mas não deixou claro se todos os servidores federais são obrigados a voltar na data.
O artigo segundo diz que todos os servidores e empregados públicos “ficam elegíveis para fins de retorno”. E que deverão permanecer em trabalho remoto, mediante autodeclaração, os que apresentam condições ou fatores de risco, como os que têm idade igual ou superior a 60 anos ou gestantes. Aqueles que são cuidadores, em locais onde estejam suspensas as aulas escolares presenciais ou serviços de creche, também poderiam trabalhar a partir de suas casas.
A reitora da UFRJ, professora Denise Pires de Carvalho, disse que vai avaliar “com calma” o documento. “Não pretendo obrigar retorno presencial. Mas reitero que o trabalho presencial não está proibido. É facultativo”, pontua. Já para o vice-reitor Carlos Frederico Leão Rocha, a Instrução Normativa pode fortalecer a ação do Ministério Público Federal do Rio, que busca impor o retorno presencial obrigatório às instituições de ensino do estado. “O MEC sempre entendeu nossa autonomia em relação ao calendário e retorno gradual, mas essa não é a postura do MPF. Esse texto pode nos enfraquecer”, avalia. “Em relação à ação do MPF, nós continuaremos insistindo no nosso planejamento já apresentado à universidade”.
A presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller, entende que a norma não tem efeitos na universidade. “Não é uma lei. A resposta que a reitoria deve dar é essa: a universidade tem autonomia garantida pelo Artigo 207 da nossa Constituição”, afirma. Ela destaca o trabalho cuidadoso e responsável da UFRJ ao longo da pandemia. “A universidade tem seus critérios, tem seus parâmetros, há planejamento organizando esse retorno presencial”. A docente também cita a questão financeira como uma barreira para o retorno seguro. “Se o governo não repassa orçamento para que a universidade tenha, de fato, um retorno obedecendo todas as normas sanitárias, não há nem o que discutir”.
“Como toda instrução normativa, ela é facultativa”, esclarece a coordenadora do Sintufrj, Joana de Angelis. Na mesma linha da diretoria da AdUFRJ, a dirigente também destaca a atuação da universidade no planejamento do retorno “gradual e seguro”.  “O Sintufrj continua defendendo que esse retorno tem que acontecer considerando todas as condições estabelecidas pelos nossos especialistas que compõem o GT da UFRJ, as condições sanitárias do Rio de Janeiro e as condições estruturais da UFRJ”. (Silvana Sá e Kelvin Melo)

Unidades vão aprovar planos de atividades práticas

As unidades vão preparar e autorizar seus próprios planos de retorno gradual das atividades práticas, seguindo as diretrizes gerais da UFRJ. Até agora, ainda em caráter emergencial, era necessário que o planejamento passasse pelo crivo da pró-reitoria de Graduação e do Conselho de Ensino de Graduação (CEG). A mudança nas diretrizes da instituição foi anunciada na reunião da reitoria com as entidades sindicais e estudantis.
“Não tem como, numa universidade do tamanho da nossa, com a complexidade que temos, centralizar esses planos na administração superior”, afirmou a coordenadora do grupo de trabalho sobre o tema, professora Fátima Bruno. A nova versão do guia de retorno das atividades práticas deve ser divulgada até o dia 4. Fátima não adiantou outros detalhes do guia, que ainda dependiam de respostas dos especialistas. “Estão sempre me perguntando se o distanciamento (entre as pessoas) deverá ser de 2 metros, 1,5 metro ou 1 metro. Quem me responde isso é quem entende do assunto”.
A alteração na tramitação dos processos acompanha outra iniciativa do grupo de trabalho. Na última plenária de decanos e diretores, Fátima solicitou aos gestores o planejamento do retorno de aulas práticas, com prazo de resposta até 15 de outubro. “Porque a gente precisa orçamentar”, explicou a reitora Denise Pires de Carvalho. “Fizemos um pedido de verba suplementar ao MEC baseado em atendimento hospitalar, em testes, em EPIs (equipamentos de proteção individual), mas não ainda para a infraestrutura dessas salas. Para isso, precisamos do planejamento dos diretores. Quais salas serão utilizadas, quais precisam ser adaptadas, o que precisa fazer nos banheiros e assim por diante”, completou.

bandeira adufrjDiretoria da AdUFRJ

A semana foi de transição. Nas reuniões que tivemos, estavam conosco os integrantes da nova diretoria que tomará posse em 15 de outubro. Juntos ouvimos as representantes do Colégio de Aplicação, e também estivemos na reunião do Formas, o fórum das entidades da UFRJ que debateu com a reitoria os desafios para um retorno presencial seguro e que respeite as normas sanitárias. Nos dois encontros, um único tema de fundo: como afirmar nossa autonomia, nossos princípios e nossa cultura diante das pressões e ameaças do Ministério Público, que vem servindo (ao menos no Rio de Janeiro) de caixa de ressonância para os desmandos e a perseguição ideológica em curso desde que o atual ocupante do Palácio do Planalto tomou posse. Há ali um movimento legítimo, que expressa as reivindicações de setores da sociedade sobre o funcionamento presencial das escolas e cursos. Não é esse o problema. Como instituição pública devemos dar transparência aos nossos atos e sermos capazes de justificá-los. Mas o que está em curso nas ações que a universidade está respondendo é a flagrante violação do princípio constitucional da autonomia. A universidade possui um plano, possui um grupo de especialistas, está planejando, avaliando e executando ações que possibilitem o retorno gradativo de suas atividades. O que queremos, e o reivindicamos, é respeito pelas nossas decisões, que são emanadas pelos nossos colegiados superiores, após detalhado e cuidadoso exame. Que seja necessário produzir documentos, apresentar planos e justificativas, comparecer às audiências, enfim, não estamos acima nem fora da vida social e de seus regramentos.  
Ao mesmo tempo em que somos pressionados judicialmente, assistimos ao circo de horrores em que se transformou a CPI da Pandemia. As últimas graves denúncias envolvendo a Prevent Senior corroboram e fundamentam as nossas primeiras preocupações com o andamento da votação pela Câmara de mais um ataque direto ao Estado brasileiro e a sua frágil rede de proteção social. Saúde e Educação são importantes demais para serem submetidas à “regulação do mercado”. A PEC 32, a caminho do plenário para apreciação e votação, desfigura e desorganiza os fundamentos do Serviço Público e suas instituições, insere instabilidade e atalhos perigosos ao sistema, sem, no entanto, enfrentar nenhum dos privilégios que diz combater.
O resumo da ópera: exigências descabidas, desmonte de direitos, destruição dos instrumentos de elaboração e implementação de políticas públicas. O resultado do despreparo e da incompetência instalada no governo já nos salta aos olhos: inflação, fome, desemprego.
E o que há para fazer? Encerraremos a semana com mais um ato de rua (e nas redes), mas que dessa vez está trazendo uma nova perspectiva. O movimento #ForaBolsonaro cresceu, se ampliou, e ganhou novos atores. Cresceu o número de partidos políticos que convocam o ato, cresceu também a nossa indignação. O caminho está traçado, e mesmo diante de nosso espanto pela complacência criminosa que ainda é dominante em nosso país, vamos percorrê-lo. Com a mais ampla unidade das chamadas forças progressistas, vamos mais uma vez reafirmar nosso compromisso com a luta pela democracia, pela dignidade humana, em defesa da ciência, da cultura e da liberdade, contra a desigualdade social e a destruição nacional. Estaremos lá, sábado, 2/10, pela manhã, na Candelária. Estaremos todos e todas: a atual e a futura diretoria, e esperamos que muitos mais professores e professoras da UFRJ também!

cap ana marina coutinho 1Foto: Ana Marina Coutinho (Coordcom/UFRJ)Os professores do Colégio de Aplicação divulgaram nota de repúdio contra uma ação civil pública do Ministério Público Federal, ajuizada em maio deste ano. O MPF tenta impor controle de frequência, por ponto eletrônico, na escola. Para os docentes, amedida alteraria profundamente a natureza do trabalho na instituição e prejudicaria a realização das atividades de excelência em ensino, pesquisa e extensão que a têm caracterizado ao longo de sua história”.

Confira a nota, na íntegra, abaixo:

 

EM DEFESA DA CARREIRA DOCENTE:

nota de repúdio à implantação de ponto eletrônico para controle de frequência no Colégio de Aplicação da UFRJ 

Vimos por meio desta expressar nossa indignação e extrema preocupação com a ação civil pública do Ministério Público Federal para implantação de controle de frequência, por ponto eletrônico, dos docentes efetivos da carreira de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) no Colégio de Aplicação (CAp) da UFRJ. Essa medida alteraria profundamente a natureza do trabalho na instituição e prejudicaria a realização das atividades de excelência em ensino, pesquisa e extensão que a têm caracterizado ao longo de sua história. 

A carreira EBTT é regida pela Lei Nº 12.772/2012, que a coloca em relação de isonomia à carreira do Magistério Superior (MS), de forma que ambas se caracterizam pela indissociabilidade entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Como unidade universitária de Educação Básica voltada para a formação inicial e continuada de professores, atuamos não apenas em atividades de ensino de estudantes do ensino básico; também desempenhamos tarefas voltadas para estudantes da graduação em formação docente inicial nas mais diversas licenciaturas da UFRJ e de instituições parceiras, bem como em variados cursos de pós-graduação, ministrando disciplinas e orientando Trabalhos de Conclusão de Curso, Dissertações e Teses. 

Associadas a essas atividades, nosso corpo docente: compõe bancas de concursos públicos, de titulação e de conclusão de cursos de graduação e de pós-graduação; realiza pesquisa dentro e fora da escola, contando inclusive com um Núcleo de Iniciação Científica Jr. voltado para estudantes de Ensino Médio em parceria com diferentes instituições, para além da própria UFRJ; participa e desenvolve projetos de Pesquisa na área de educação, com resultados que têm se mostrado muito importantes para reflexões sobre a educação pública no nosso país; e compromete-se com a sociedade civil pela destacada atuação na Extensão Universitária, ofertando para o público externo ao corpo social da Universidade um expressivo número de ações e projetos de extensão ativos. Por meio desses, promovemos a realização de cursos e eventos nos quais se estabelecem trocas e elaborações conjuntas com outras escolas públicas, especialmente dentro do Complexo de Formação de Professores da UFRJ.

Além disso, orientamos um grande número de estudantes extensionistas e bolsistas nos projetos de extensão e de pesquisa, assim como professores em formação continuada. Para troca e maior produção de conhecimentos, nosso trabalho em pesquisa e extensão inclui ainda a participação em congressos, seminários e outros encontros de divulgação científica. Entre nossas atividades docentes, cumpre observar que no âmbito da administração pública desempenhamos funções de representação em órgãos colegiados da Universidade, como o Conselho de Ensino de Graduação, o Conselho de Extensão, o Conselho do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, o Conselho Universitário, dentre outros, bem como assumimos cargos de diretoria, chefia e de coordenação do próprio Colégio de Aplicação. Consequentemente, a realização de todas essas atividades exige nossa frequência em diferentes campi da UFRJ, em outras universidades públicas e em outros espaços, como escolas públicas de diversos locais do país, secretarias de educação, etc., além de transitarmos entre as duas sedes de nossa unidade, Lagoa e Ilha do Fundão.

Saliente-se ainda que professores da carreira do MS também atuam no CAp como mais um campo de trabalho, orientando estudantes de licenciatura e acompanhando a realização de atividades do estágio curricular obrigatório. A atuação de docentes de ambas as carreiras no espaço da escola é almejada e em muito enriquece o trabalho desempenhado no âmbito do Colégio de Aplicação; não obstante, o controle eletrônico de frequência aplicado exclusivamente aos docentes EBTT acirraria, de maneira ainda mais conflitante, a ausência da isonomia entre as carreiras.

Isso posto, afirmamos com toda a propriedade que nos é conferida que um controle eletrônico de ponto fixo no Colégio de Aplicação é incompatível com a natureza do trabalho desenvolvido por seu corpo docente. O Colégio de Aplicação é uma unidade da UFRJ; como tal, requer de sua gestão e organização o indispensável princípio da autonomia universitária. Portanto, submeter docentes EBTT ao controle de ponto eletrônico não só fere um princípio fundador da própria UFRJ, como também rompe com a isonomia entre as carreiras de docentes que atuam na universidade, subalternizando a carreira EBTT em relação à carreira do MS.

Como última questão, esclarecemos que a direção da escola, como parte de sua função gestora, controla e garante a realização do trabalho pelo seu corpo docente em todas as suas atividades. O Plano Individual de Trabalho Docente (PLANIND) elaborado no Colégio de Aplicação é entregue anualmente pelo seu conjunto de professores e acompanhado com cuidado pela direção. Este documento inclui não só os horários semanais dedicados às aulas na educação básica, graduação e pós, como também os horários para: planejamento, acompanhamento e avaliação das atividades de ensino; realização dos projetos de pesquisa e extensão; orientação de estudantes de licenciatura, extensionistas e bolsistas; participação em reuniões pedagógicas e em Conselhos e Órgãos de Representação. Pelo intenso trabalho desenvolvido por nosso quadro de professores, a carga horária do trabalho docente é distribuída em até três turnos. Cabe ainda mencionar que nos relatórios para progressão docente, equiparados aos da carreira do MS, descrevemos toda a nossa produção acadêmica e realizações em ensino, pesquisa e extensão. Ante o compromisso que temos com nosso trabalho, é simplesmente afrontosa a ideia de controle de nossa frequência pelo preenchimento de um ponto -- seja ele eletrônico ou de qualquer outra espécie. 

Por isso, reafirmamos: a implantação de ponto eletrônico de frequência aos docentes do Colégio de Aplicação da UFRJ significaria atingir profundamente toda a estrutura organizativa e a natureza do nosso trabalho, o qual, pela realização de Projetos de Pesquisa e Extensão, reflete-se nas atividades pedagógicas de Ensino e constroem a qualidade da nossa escola. Essa implantação abriria precedentes para uma verdadeira derrocada na construção histórica e pioneira dos Colégios de Aplicação de todo o Brasil como espaços de formação docente, bem como aprofundaria ainda mais o controle do trabalho docente que tem ferido a autonomia da profissão de professores das escolas públicas de todo o nosso país. Por todos os motivos expostos acima, e contando com amplo reconhecimento e apoio do corpo social da Universidade ao trabalho desenvolvido em nossa unidade, posicionamo-nos veementemente contrários à instalação de ponto para controle de frequência em nosso Colégio de Aplicação.

Ass: Docentes da carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico lotados no Colégio de Aplicação da UFRJ

WhatsApp Image 2021 10 02 at 10.10.05

bandeira adufrjLucas Abreu e Silvana Sá

Há dois anos, a atual diretoria da AdUFRJ era eleita para comandar o sindicato entre 2019 e 2021. Tomaram posse em 15 de outubro. Vieram as festas de dezembro, as férias de janeiro, o congresso do Andes em fevereiro. No final daquele mês, acontecia o primeiro caso confirmado de covid-19 no Brasil. Em março, cinco meses depois da posse, as aulas presenciais e diversas atividades não emergenciais foram suspensas na universidade. Desde então, foi enorme o esforço de reinventar a atuação sindical em meio remoto. “Eu tinha o sonho de recuperar essa alegria de estarmos juntos pessoalmente, de retomar eventos, de fazer da AdUFRJ um lugar de encontro para além da atuação sindical. Então, para mim, foi muito traumático fazer um mandato remoto”, lamenta a presidente do sindicato, professora Eleonora Ziller.
Diante de uma universidade privada de sua maior riqueza — a diversidade das trocas presenciais entre professores, estudantes, servidores e terceirizados — e de tantas incertezas diante do presente e do futuro, o jeito foi buscar mitigar os prejuízos desse afastamento forçado. “A gente já tinha introduzido as assembleias multicampi, reuniões por Zoom, já falávamos sobre novas formas de luta. E colocamos em prática aquilo que já vinha sendo amadurecido”, analisa Eleonora. Daí surgiram inúmeras iniciativas, como o Formas (Fórum de Mobilização e Ação Solidária), que congrega todas as entidades representativas da UFRJ, o CineAdufrj, o Sextou — Tamo Junto.
“O Tamo Junto foi uma de nossas melhores iniciativas. Foi algo gestado no início da pandemia, em uma tentativa meio improvisada de manter o sindicato funcionando, de manter as pessoas em contato, mesmo que à distância, e se mostrou esse sucesso estrondoso”, avalia o professor Felipe Rosa, 1º vice-presidente da AdUFRJ. “As pessoas esperavam para entrar no Tamo Junto, pediam para que acontecesse. As discussões foram de altíssimo nível e muito diversificadas”, orgulha-se o dirigente.
Outra importante ação foi a ampliação do plantão jurídico. Antes da pandemia, os atendimentos dos advogados aos sindicalizados aconteciam às terças e, a cada 15 dias, às sextas-feiras. Desde novembro do ano passado, os atendimentos passaram a ser todas as terças e quintas-feiras, com quatro horas de duração, em vez das tradicionais três horas. “Foi acertada a iniciativa de ampliar esse serviço. A nossa assessoria tem se mostrado bastante eficiente ao longo dos mais de 20 anos em que a AdUFRJ oferece esse atendimento”, elogia Felipe.
O fortalecimento do Jornal da AdUFRJ, a criação do programa AdUFRJ no Rádio e as lutas pelos direitos dos professores, como a campanha da insalubridade, também foram pontos importantes da atuação sindical. A associação fez uma série de reuniões com a reitoria para resolver as injustiças cometidas contra muitos docentes que tiveram seu direito ao adicional ocupacional negado ou cortado. Houve campanhas para identificar as pessoas que estavam nessa situação e ações individuais na Justiça. “Desde novembro do ano passado temos realizado reuniões com a reitoria. Houve tendência de mudança na conversa, do ponto de vista daquilo que pode ser resolvido administrativamente, mas os passos são sempre muito lentos”, critica o professor Pedro Lagerblad, 1º tesoureiro da atual gestão. “Os avanços substantivos infelizmente estão acontecendo por conta das decisões judiciais”.
Nesta edição e nas duas próximas do nosso jornal, você pode conferir em detalhes o balanço dos dois anos de mandato da atual diretoria, com ações que mantiveram a AdUFRJ viva e atuante, apesar da pandemia. (Colaborou Liz Mota Almeida)

FORMAS
“De tudo o que a gente fez e participou, o Formas (Fórum de Mobilização e Ação Solidária) foi a coisa mais bacana. Destaco a maturidade da garotada e a força das mulheres na condução da maioria das entidades. WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.49.40 Foi crucial essa unidade, principalmente no início da pandemia”, avalia a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. O fórum reúne as entidades representativas da universidade: AdUFRJ, Sintufrj, DCE, APG e ATTUFRJ. O lançamento ocorreu no dia 4 de maio do ano passado. “Estávamos num momento de perplexidade, as pessoas muito vulneráveis. Quando fizemos a proposta, todo mundo abraçou”, conta Eleonora.
Para a dirigente, a coesão do grupo foi fundamental, não só para atuar nas ações de solidariedade, como também para costurar assuntos importantes, como o início do ensino remoto e a defesa da universidade, quando chegou o anúncio de que a UFRJ precisaria fechar as portas em julho, por falta de orçamento. “Os estudantes decidiram ir para a rua, para o Largo do São Francisco, e todas as entidades estavam presentes. Ali se consolidou a construção de um ano anterior inteiro. Foi um momento de unidade muito poderosa, que impulsionou para o ato nacional de 29 de maio”.


INSALUBRIDADE
WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.51.49Em setembro do ano passado, o STF decidiu que os servidores podem converter em tempo comum o tempo especial trabalhado sob condições de risco à saúde. O fator de multiplicação varia de acordo com o adicional recebido. A partir disso, a AdUFRJ iniciou um movimento para identificar os professores que, apesar de terem direito aos adicionais, tinham seus pedidos negados. A campanha foi lançada no dia 23 de novembro. No mesmo mês, aconteceu a primeira reunião entre a diretoria e a reitoria para resolver o problema pela via administrativa.
“É errado a universidade não dar a insalubridade, sequer parcial, alegando que não há condições de medir os elementos químicos nocivos. Também não aceitam a nossa perícia técnica. Há erro de avaliação inclusive porque pessoas tiveram o direito negado mesmo trabalhando com elementos cuja medição quantitativa não é necessária”, reclama o professor Pedro Lagerblad, diretor da AdUFRJ. “Entregamos a listagem há um mês, com cerca de 60 pessoas que têm direito, mas não recebem, e ainda não tivemos retorno. Por enquanto, as ações na Justiça estão sendo encaminhadas individualmente. Mas, se essa morosidade continuar, não vejo outra alternativa a não ser a AdUFRJ entrar com uma ação coletiva”.

TAMO JUNTO
Ainda nas primeiras semanas da pandemia, como forma de manter o sindicato ativo durante o isolamento social, surgiu o “Sextou - Tamo Junto”, um bate-papo virtual entre os professores da UFRJ. Foram 28 encontros, desde março do ano passado, com temas ligados às áreas de Política, Educação, Saúde, Música e História, entre outros. A iniciativa ficou ainda mais atraente quando as conversas passaram a ter um professor como “puxador de conversa”.WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.45.20
“Acho que foi um sucesso em qualquer aspecto que possa ser mencionado. E isso graças a um investimento relativamente módico: uma certa organização, e contando com o capital humano da UFRJ, que é gigantesco”, avalia o professor Felipe Rosa, 1º vice-presidente da AdUFRJ. Para ele, o “Tamo Junto” foi uma das mais bem-sucedidas ações da gestão. “Conseguimos um resultado melhor do que esperávamos, uma iniciativa que funcionou muito bem para manter o nosso sindicato coeso e vibrante”, afirma.

PLANTÃO JURÍDICO
A oferta do atendimento jurídico remoto, pelo Zoom, foi ampliada na atual gestão, assim como o tempo mensal de atendimento, que passou de 18 para 32 horas. A medida teve bons resultados. O número de professores atendidos cresceu 45%: hoje, entre 60 e 65 professores são atendidos por mês, em média, sem contar os atendimentos feitos diretamente por e-mail.
Na avaliação da diretoria, o aumento da procura foi um reflexo da facilidade de conseguir o atendimento remoto. “Disponibilizar o serviço online durante a pandemia foi essencial”, conta Felipe Rosa. “O atendimento jurídico é um dos principais ativos que temos, uma das principais funcionalidades do sindicato que os associados procuram”, explica. Para Felipe, o acerto da medida deveria ficar de exemplo para as próximas gestões do sindicato. “Se eu puder dar uma sugestão, seria a de manter parte do atendimento online, mesmo quando houver uma volta ao presencial. Ou fazer o atendimento presencial em mais de um lugar”, propõe.


CINEADUFRJ
WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.51.49 1A primeira sessão do CineAdUFRJ aconteceu no dia 29 de abril de 2020, com a exibição do filme “Sorry we missed you”, seguido de debate. Desde então já foram realizadas 23 sessões. A próxima será no dia 30, com o tema “Infodemia, fake news e sociedade”. Os principais temas abordados foram racismo e democracia, com cinco edições reservadas à discussão; a questão do direito à cidade, abordada em duas sessões; e fascismo no cinema, também com duas sessões.
A ideia surgiu como forma de unir a atuação sindical a uma experiência cultural e política. “Há um grupo de extensão que eu coordeno, o Grupo de Educação Multimídia, então propomos uma parceria com os alunos”, conta Eleonora Ziller. A iniciativa cresceu e envolveu outros atores. “Em geral, se discute nas próprias sessões os temas das próximas, as pessoas vão propondo coisas. Deixou de ser um projeto da diretoria”. Professores de diferentes áreas e cineastas especializados em variados temas já participaram do CineAdUFRJ. No site do projeto (www.grupodeeducacaomultimidia.com.br/cine-adufrj) estão listadas todas as sessões e filmes. “Acabou se criando um curso de cinema contemporâneo. Espero que frutifique”, deseja a professora.

ANDES
A relação com o sindicato nacional se estreitou no último período. A AdUFRJ esteve presente em todos os congressos e Conads ocorridos desde o início de 2020. “A gente se comprometeu que a AdUFRJ sempre tivesse uma delegação representativa dos movimentos da UFRJ”, afirma a professora Eleonora Ziller. “É importante destacar a postura da Rivânia (Moura, presidente do Andes) e do Markos (Klemz, da Regional Rio) na busca do diálogo. Temos uma relação mais próxima, mais colaborativa”, sublinha Eleonora. “Mesmo a gente tendo apoiado uma chapa de oposição, isso não se transformou num problema. Somos uma representação que integra uma das maiores ADs do país e a relação com o Andes melhorou muito”.

JORNAL DA ADUFRJ
WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.45.21A diretoria também decidiu fortalecer o jornal nesse período. Desde a posse da atual gestão foram editados 95 jornais, sendo 78 de modo remoto, desde que a pandemia começou, com a mesma regularidade de antes e ainda mais conteúdo. “Era preciso dar mais força para nosso jornal. Nossa categoria tem mais idade e é muito marcada pelo papel do jornal na formação das pessoas”, avalia Eleonora Ziller. “A pandemia transformou o jornal numa linha que liga a UFRJ e teve papel fundamental quando até o Conselho Universitário estava sem se reunir. Esse foi um período histórico. A vida da universidade, os impasses da pandemia, há um relato bem diversificado no nosso jornal. Quando tentarem entender o que foi a pandemia na universidade, o Jornal da AdUFRJ vai ser uma fonte muito preciosa”.

 

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