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WhatsApp Image 2026 05 15 at 19.47.05 2Foto: Fernando SouzaEm 30 de outubro de 2023, a UFRJ instalou seu primeiro grupo de trabalho para avaliar o impacto da violência urbana nas atividades acadêmicas. No último dia 14, após mais de dois anos de acalorados debates, o Consuni aprovou a resolução do plano de segurança da universidade. Por unanimidade.
O documento regulamenta como a instituição deve responder, com agilidade, a situações que ofereçam risco à vida dos integrantes da comunidade acadêmica.
Dezenas de alunos acompanharam a sessão e festejaram o resultado da votação, após três horas de discussões. “Temos gente aqui que é da Maré, do Chapadão, da Baixada Fluminense, do Morro do Alemão etc. Esse protocolo visa a proteger essas vidas”, afirmou a conselheira estudantil Arthura Rocha, durante a reunião.
A administração central também celebrou o resultado. “Foi uma sessão histórica. Essa é a universidade que queremos: viva, com debate franco e fraterno para buscar o consenso em prol de todos”, afirmou o reitor, professor Roberto Medronho.

FALTAS
A redação final da resolução só saiu depois de intensa articulação entre os conselheiros. Um dos principais “gargalos” do texto era como tratar as ausências de servidores e alunos no trabalho ou nas atividades acadêmicas durante os episódios de violência urbana. Ficou decidido que não haverá qualquer abono de faltas.
“Quando for deliberado que há suspensão das atividades, não pode dar falta. Mas não existe abono de falta. A aula que não existiu tem que ser reposta. Se o funcionário não veio, ele tem que repor o trabalho de alguma forma”, afirmou o professor Celio Albano da Costa Neto, relator do processo pela Comissão de Legislação e Normas do Consuni. No entanto, explicou o docente, ainda caberá às pró-reitorias de Graduação e Pós-graduação regulamentar a reposição das atividades acadêmicas.
Já nos episódios em que servidores e alunos não puderem comparecer às atividades da universidade em função de comprometimento das condições de segurança perto de suas residências ou no percurso, poderá ser apresentada justificativa simplificada, “sendo vedada a exigência probatória excessiva incompatível com a natureza emergencial da situação”, diz o trecho votado em plenário.
O professor Carlos Frederico Leão Rocha, representante dos Titulares do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) no conselho, argumentou que, em caso de suspensão de aulas, não faz sentido o abono de faltas. “Se não há aulas, não há o que abonar”, argumentou o docente. “Aos discentes deverá ser assegurado o direito à segunda chamada de avaliações, mediante justificativa adequada. E reposição das atividades acadêmicas, quando cabível, para o cumprimento dos 75% de presença”, completou.

GABINETE DE CRISE
Quando houver episódio de risco à segurança, será formado um gabinete de crise. O gabinete será formado por dois núcleos. O executivo, responsável pela tomada de decisões e comunicação rápida à comunidade acadêmica, será constituído por representantes da reitoria, das pró-reitorias de graduação, de pós-graduação e de pessoal, da prefeitura universitária e da superintendência geral de comunicação. Já o núcleo consultivo terá representantes do Colégio de Aplicação, dos estudantes de graduação e pós, dos docentes e dos técnicos. Especialistas em segurança também poderão ser convidados.
O Conselho Universitário também aprovou que a resolução deverá ser revista daqui a doze meses. Casos omissos serão resolvidos pelo gabinete de crise.

 

COMO VAI FUNCIONAR?

 O sistema de alerta começa com uma avaliação técnica das informações disponíveis (por exemplo, de uma operação policial em andamento nas proximidades de um campus) pela Coordenação de Segurança da Prefeitura Universitária, nas primeiras horas do dia. A Superintendência-Geral de Comunicação Social (SGCOM) irá disparar informes sobre o nível de risco em cada localidade. O monitoramento será contínuo e este status pode ser alterado a qualquer momento.

 Os informes serão caracterizados por quatro cores que identificam o nível de risco de cada momento: do azul (normalidade) até o vermelho (emergencial, que levaria à suspensão das atividades, entre outras medidas)

 Se o nível de ameaça chegar ao cartão amarelo, quando há um alerta imediato sobre uma situação de risco elevado, será acionado o chamado “gabinete de crise”. O grupo pode decidir sobre suspensão preventiva de atividades.

Moção repudia política de segurança pública do estado

Na mesma sessão em que aprovaram as medidas internas para responder às situações de violência urbana, os conselheiros votaram uma moção de repúdio à política de segurança pública do estado.
No documento, proposto pela Associação de Pós-graduandos e dirigido ao governador interino do Rio, o conselho cobra a imediata revisão da estratégia de segurança pública estadual, adoção de protocolos específicos de proteção à rotina escolar e universitária e diálogo com a comunidade científica para construir uma política “que não penalize a população mais vulnerável nem transforme o território universitário em zona de risco permanente”.

WhatsApp Image 2026 05 15 at 19.47.05Foto: Fernando SouzaInvisibilidade é a palavra que pode resumir o sentimento de professoras e professores do Colégio de Aplicação que se reuniram com a diretoria da AdUFRJ para debater pautas ligadas às condições de trabalho, carreira e direitos. A precarização do dia a dia do trabalho, a ausência de espaço físico adequado para comportar alunos da educação infantil ao ensino médio, a falta de docentes efetivos e a lentidão na reposição de quadros foram alguns dos temas tratados no encontro. Foi a segunda visita de uma agenda de encontros da AdUFRJ nas unidades acadêmicas, aprovada no Conselho de Representantes. A reunião ocorreu no dia 27 de abril.
“Estamos nessa tarefa de conversar com os professores em suas unidades sobre suas condições de trabalho, sobre seus projetos, possibilidades de extensão, de pesquisa. Queremos falar, sobretudo de futuro, de sonhos”, afirmou a presidenta Ligia Bahia, durante o encontro com os professores do ensino básico.
Um dos temas mais urgentes é a infraestrutura da escola, que abriga na sede Lagoa o ensino básico e cerca de 400 alunos das licenciaturas que realizam estágios no CAp. “O espaço do colégio é muito insuficiente para as nossas demandas”, resumiu o professor Fábio Garcez de Carvalho, do Setor de História. “Hoje, com a Educação Infantil e a Educação Especial, nossas necessidades aumentaram muito. Nem sei dimensionar”, desabafou o professor.
Como parte da solução para o problema do espaço físico, o segmento da Educação Infantil voltará ao Fundão. Primeiro, será transferido provisoriamente para o ex-Clube dos Empregados da Petrobras, o CEPE. O espaço possui salas já prontas e adequadas às crianças pequenas e permitirá que o colégio convoque os candidatos sorteados no último concurso para ocupar as vagas do Infantil 4 e Infantil 3. Hoje, a escola atende apenas o Infantil 5. A mudança é provisória porque a sede definitiva da Educação Infantil será na BioRio. As obras estão atrasadas, mas com previsão de serem concluídas no final de junho.
“As obras tiveram atrasos em relação à previsão inicial, por isso vamos realizar essa mudança temporária, até que as instalações definitivas estejam prontas”, explicou a diretora do colégio, professora Cassandra Pontes, à reportagem. “O espaço do clube precisava de poucas adaptações, como a colocação de um gradil para isolar a área das piscinas e a instalação de duchas nas salas, junto às pias”, contou a diretora. “A transferência para este espaço nos permitirá manter os nossos estudantes do Infantil 5 em tempo integral e convocar os sorteados para o Infantil 4 em tempo integral e Infantil 3 em tempo parcial”, revelou.
O início das aulas no espaço provisório depende de uma reunião entre a reitoria, o CAp e o Escritório Técnico da Universidade (ETU), prevista para o dia 20 de maio. “Só após essa reunião teremos a data de início das aulas e outras informações sobre o andamento das obras da sede definitiva”, contou Cassandra.
Ainda no campo da infraestrutura, a quadra do colégio é um problema histórico. “Nossa quadra segue sem cobertura há anos. As crianças realizam atividades no sol, numa cidade quente como o Rio de Janeiro”, criticou o professor Leonardo Dangelo, do Setor de Química. “A reforma elétrica é uma novela. O ar-condicionado (da sala dos professores) ficou parado por quatro anos”, reclamou.
O colégio recebeu uma emenda parlamentar do deputado federal Chico Alencar no valor de R$ 3 milhões para custear obras na escola. A UFRJ também disponibilizará à unidade parte de uma emenda de bancada, no valor de R$ 700 mil. “Com esses valores conseguiremos fazer as obras na quadra e também na rede elétrica do colégio, o que vai nos dar mais segurança e reduzir os danos com equipamentos”, afirmou a diretora do colégio. “Aguardamos que o ETU conclua os projetos. Não queremos correr o risco de perder essas emendas”.
O diretor do ETU, professor Wagner Nahas Ribeiro, confirmou a entrega da obra na BioRio para o dia 28 de junho. “Após a conclusão, ainda há a etapa de transferência de mobiliário e organização do espaço para receber as crianças, além da chegada de novos professores”, sublinhou o docente.
Ribeiro também confirmou a execução do projeto elétrico e da reforma da quadra. “O terreno da quadra é muito ruim, há um problema de engenharia ali e isso fez a empresa anterior abandonar a obra de cobertura da quadra. Estamos atuando em parceria com a Escola Politécnica para dar uma solução para aquele solo, para que a próxima empresa contratada realize a obra com base nos nossos apontamentos técnicos. Não quero que chegue outra empresa e abandone o projeto de novo”, justificou o diretor do ETU.

Vagas docentes
“Trabalho no CAp há sete anos. Sou professora da turma 11B, que está sem professor de matemática desde fevereiro”, desabafou a professora Alessandra Nascimento, do Setor Curricular Multidisciplinar. “Estamos fechando as avaliações do primeiro trimestre agora em maio e, até agora, eles não têm professor de Matemática”, disse. “Essa é uma questão que afeta muito as nossas condições de trabalho. Sequer temos o direito de ficar doentes”, disse a professora, durante a reunião com a diretoria. Ela concedeu um depoimento exclusivo ao Jornal da AdUFRJ. Veja ao lado.
O CAp possui 102 vagas efetivas e todos os anos são pedidas cerca de 70 vagas de professores substitutos – que não são atendidas na integralidade. Há professores adoecidos, outros em licença para qualificação, mas as razões para a alta demanda são diversas. “A demanda por professores substitutos é enorme e não diz respeito apenas a licenças ou questões de saúde. O CAp expandiu, incluiu a Educação Infantil e não houve acréscimo de vagas efetivas para dar conta dessa nova realidade da expansão”, explicou a professora Renata Flores, do Setor Multidisciplinar.
No primeiro segmento do Ensino Fundamental, que vai do primeiro ao quinto ano, o colégio trabalha com dois professores regentes: um para matérias de Português, História e Geografia, outro para as disciplinas de Matemática e Ciências. Além deles, há as disciplinas de Artes, Educação Física e Língua Estrangeira. A falta de professores é uma constante, pela dificuldade de compor os tempos de todas as disciplinas.
No caso da Educação Infantil, as crianças pequenas precisam de mais professores e auxiliares em sala. Quanto menores os alunos, maiores as necessidades de profissionais capacitados. O Infantil 2, por exemplo, não poderá iniciar as aulas no espaço provisório do ex-CEPE junto com as demais turmas do segmento, porque ainda faltam professores substitutos. “Muitos dos professores aprovados na nossa última seleção já estavam indisponíveis quando foram contatados para assumir as vagas. Então, abrimos uma nova seleção. O Infantil 2 só será convocado depois que terminar esse novo processo”, explicou a diretora Cassandra Pontes. O prazo para a inscrição dos candidatos termina no dia 22 de maio.

Ponto eletrônico
Outro problema que afeta o dia a dia de trabalho e traz incertezas aos professores é a cobrança de ponto. Pela lei, os professores do Magistério Superior são liberados do controle de ponto, mas os professores do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) são submetidos ao controle. O assunto foi tema da greve federal de 2024 e do acordo de greve naquele mesmo ano, mas não houve atualização da instrução normativa até o momento. O Ministério Público Federal propôs ação civil que obriga a UFRJ a controlar o ponto dos professores do CAp, mas a universidade conseguiu postergar a aplicação da medida. “Um esforço nosso e da PR-4”, frisou a professora Renata Flores.
A diretoria da AdUFRJ organiza uma reunião com a administração central da universidade para levar as reivindicações dos professores e cobrar respostas. “Esta questão do espaço físico do CAp, por exemplo, não é uma pauta só do CAp. É uma pauta que precisa ser de toda a UFRJ”, disse a presidenta Ligia Bahia.
“Estamos subdimensionados. O CAp precisa ser visto. De muitas maneiras”, concluiu o professor Leonardo Dangelo.

Como é feita a contratação de professores do CAp

O concurso para professor efetivo do Colégio de Aplicação tem rigorosas etapas, como prova escrita, prova didática e prova de títulos. Cada fase tem seus prazos e períodos para recursos. Antes da abertura do edital, o CAp identifica a carência de docentes e solicita as vagas à reitoria, que depende da disponibilidade de códigos de vaga vindos de Brasília. São os ministérios da Educação e da Gestão que definem os limites financeiros e de cargos. A reitoria só pode abrir o concurso se tiver códigos de vagas livres no banco de professor-equivalente da carreira EBTT. Ou seja, se o CAp pedir dez vagas, mas a UFRJ possuir apenas três códigos de vaga EBTT desocupados no sistema unificado da União, o edital ficará limitado a essas três vagas. O professor da carreira EBTT não participa da distribuição de vagas promovida pela Comissão Temporária de Alocação de Vagas (Cotav).
Uma vez autorizado o concurso, cabe à Pró-reitoria de Pessoal elaborar e publicar o edital. Finalizado o concurso, o candidato ainda tem um período legal de até 30 dias para assumir o cargo, após a convocação. “Cada etapa e cada prazo legal impactam na duração do processo de seleção”, adverte a pró-reitora de Pessoal Neuza Luzia.
No caso da seleção simplificada para professores substitutos, a unidade formula o pedido e a Câmara de Corpo Docente (CCDoc) analisa o processo e as demandas da unidade acadêmica, com base em critérios técnicos e orçamentários. A resolução 03/2021 do Conselho de Ensino de Graduação (CEG) define que o número de vagas disponíveis para professores substitutos em toda a universidade é determinada pela PR-4 em conjunto com a PR-3, conforme a disponibilidade orçamentária. A mesma resolução evidencia que o número total de professores substitutos não pode ultrapassar 20% do total de efetivos.
Com essas informações, o CEG faz a análise do pedido e envia o parecer para a PR-4. Abre-se, então, o edital do processo seletivo, que conta com preenchimento de formulário, envio de documentações, prova escrita, prova didática, análise de currículo e títulos. “Nesse caso, a PR-4 participa em três momentos: a gente faz o edital e publica, o que leva em torno de uma semana. A partir disso, as etapas de avaliação dos candidatos ficam a cargo da unidade”, frisa a pró-reitora. “Nós só voltamos a atuar quando a unidade nos envia a relação dos aprovados com as respectivas documentações para conferência. Se estiver tudo correto, em mais uma semana e meia a gente libera esse professor para realizar o exame admissional. O terceiro momento é a posse”, conta a dirigente.
Neuza alerta que muitas vezes ocorrem problemas no processo seletivo. “Há processos que se iniciam errados e temos que enviar de volta às unidades. Há documentações erradas de aprovados e precisamos devolver para que a unidade providencie a documentação correta. Todos esses pontos, além de todos os prazos legais, podem atrasar a conclusão da seleção”, avalia. “Uma das variáveis fundamentais é o próprio candidato, que muitas vezes também falha nesse processo”.

DEPOIMENTO I Alessandra Nascimento
Professora do Setor Multidisciplinar
do Colégio de Aplicação

A gente vive no CAp, todos os anos, uma política de sucateamento do nosso trabalho. É claro que a gente entende que os trâmites da universidade são diferentes. As etapas de um processo de seleção para professor substituto incluem análise curricular, avaliação de aula e várias coisas que fazem o nosso colégio ser uma instituição de excelência, reconhecida pela qualidade. Mas todo ano a gente vive esse esvaziamento de professores.
Há uma demora significativa para atender às nossas demandas. A gente não recebe as vagas necessárias ao nosso funcionamento. Levantamos as especificidades dos setores, o número de turmas e de alunos, o tipo de trabalho que precisará ser desenvolvido. E sempre temos como resposta que a UFRJ não pode contratar todas as solicitações.
O meu setor precisava de oito substitutos. Fizemos o processo seletivo e só conseguimos aprovar oito professores, sem formar cadastro de reserva. O resultado saiu em dezembro, mas esses professores só foram chamados depois do Carnaval. Tivemos que iniciar as aulas sem conseguir cobrir esses tempos de aula desses oito substitutos.
Daqueles oito professores aprovados, dois não puderam mais assumir e a gente teve que fazer a ‘escolha de Sofia’ de ver qual turma ficaria sem professores. A UFRJ demorou tanto para chamar esses aprovados, que alguns professores acabaram recebendo outras propostas e iniciaram o ano letivo em outras instituições. Isso acontece com frequência.
A minha turma é a 11B, formada por crianças pequenas que estão chegando pela primeira vez à escola. Elas estão iniciando o 1º ano do Ensino Fundamental e estão sem os tempos de Matemática e de Ciências. A gente fica tentando ver quem pode cobrir, como substituir, quem vai deixar de realizar suas atividades de pesquisa e extensão, quem vai atender os bolsistas, os estagiários, mas o resultado é que a minha turma está com os três últimos tempos da semana vagos, mesmo fazendo o possível para cobrir essa defasagem.
É uma angústia enorme, porque são crianças pequenas, que estão com uma janela cognitiva imensa, totalmente aberta ao conhecimento, mas cujo aprendizado está em risco porque as necessidades básicas de ter professores em sala de aula não estão sendo atendidas. É uma vergonha. Parece que gritamos sozinhos, que ninguém nos vê ou nos ouve.
Não dá para uma turma de ensino básico ficar sem professor por três meses, sem nenhuma perspectiva de resolução. É preciso urgência para resolver esses problemas. Quando isso acontece no ensino superior, em último caso, o departamento não abre a turma, não oferece a disciplina. A gente não pode fazer isso na educação básica. Não temos como não abrir uma turma por falta de professores.
Outro grave problema é a demora para concluir os processos seletivos de contratos efetivos. Fizemos um concurso em outubro do ano passado e as turmas do 5º ano do Ensino Fundamental seguem sem professor de Português até hoje. As aulas começaram em 2 de fevereiro. Terminamos as avaliações do primeiro trimestre com as duas turmas sem professor de Português. A professora só tomou posse em 27 de abril.
Incorporamos a Escola de Educação Infantil, mas não tivemos aumento de vagas efetivas para o segmento. Temos uma defasagem que se arrasta por anos. Faltam professores por uma expansão que ocorreu, mas que não se traduziu em mais vagas docentes. O colégio todo vive muitas incertezas. Estamos muito distantes da qualidade que gostaríamos de entregar para a sociedade e essa sensação de impotência é adoecedora.”

Mais de dois anos após o início das discussões sobre o tema, o Conselho Universitário aprovour por unanimidade o protocolo de segurança da UFRJ, nesta quinta-feira (14). O resultado da reunião foi bastante comemorado por dezenas de estudantes que acompanharam a sessão. A partir de agora, o documento organizará a resposta institucional em situações de violência que afetam as atividades acadêmicas.
A redação final do texto aconteceu por consenso, após intensa articulação entre os representantes docentes, estudantis e técnicos.
Os detalhes da proposta, com a composição do gabinete de crise e questões como a reposição de aulas, estarão no próximo Jornal da AdUFRJ.
"Foi uma sessão histórica. Essa é a universidadeque queremos", disse o reitor Roberto Medronho.
 
Foto: Fernando Souza

WhatsApp Image 2026 05 15 at 19.47.05 14JOSUÉ MEDEIROS
Cientista político e professor da UFRJ e do PPGCS da UFRRJ. Coordena o Observatório Político e Eleitoral (Opel) e o Núcleo de Estudos sobre a Democracia Brasileira (Nudeb)

Áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro é o evento mais importante da eleição de 2026

Eleições são marcadas por tendências permanentes — por exemplo, a tendência das mulheres de votar em Lula e dos homens de votar em Bolsonaro —, mas também por eventos disruptivos que mexem com estas tendências. Por exemplo, em 2018, dois eventos foram decisivos para o resultado eleitoral: a prisão injusta de Lula, que retirou da disputa o candidato que liderava todas as pesquisas; e o atentado sofrido por Bolsonaro, que permitiu a ele uma super exposição na mídia e uma comoção favorável.
É neste último sentido — de eventos disruptivos — que o áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, revelado na quarta-feira (13), pelo portal de notícias Intercept, deve ser interpretado. A divulgação da troca de mensagens cai como uma bomba para o bolsonarismo. Não apenas porque traz o filho de Bolsonaro para o centro do escândalo do banco Master, consolidando a ideia de BolsoMaster já trabalhada pela esquerda. Mas também porque a pesquisa Quaest, publicada em 13 de maio, apresentou uma tendência de crescimento de Lula consistente. Tal tendência será impulsionada pelo vínculo entre Flávio e Vorcaro e vai marcar um novo momento da campanha presidencial de 2026.
Começando pela pesquisa Quaest. As boas notícias que o levantamento traz resultam de dois eixos: os movimentos concretos que o governo Lula tomou no curto prazo e aquilo que o presidente chama de “colheita” do que foi feito desde 2023, no âmbito das políticas públicas e reconstrução da democracia.
No curto prazo, dois elementos foram centrais: o lançamento do novo Desenrola e a reunião de Lula com o presidente dos EUA, Donald Trump. O novo programa de renegociação das dívidas dos brasileiros e brasileiras gera um impacto imediato no humor do eleitorado. As pessoas não apenas se sentem aliviadas por resolverem pendências financeiras, mas sentem que há um movimento concreto do governo para cuidar delas. Esse sentimento de proteção e acolhimento se conecta diretamente com a dimensão carismática do presidente Lula, que ultrapassa os recortes de direita e esquerda e de conservadores e progressistas dentro do eleitorado.
A reunião com Trump bate no mesmo lugar do carisma, só que pela chave da altivez e da negociação. Ao receber elogios públicos de Trump — percebido pela população brasileira em várias pesquisas como agressivo e contrário aos interesses nacionais —, Lula reforça e atualiza a imagem de líder capaz de posicionar o Brasil no plano internacional de modo positivo. O povo brasileiro nutre um nacionalismo popular que projeta o Brasil como um país que merece destaque na ordem global, e Lula alimenta e é alimentado por esse sentimento nacionalista.
É no sentido do reforço da capacidade de Lula em cuidar das pessoas e do Brasil que a pesquisa Quaest deve ser lida. A diferença entre desaprovação (49%) e aprovação (46%) do presidente diminuiu de 9% para apenas 3%. É a menor diferença desde fevereiro de 2026.
Outros dados da Quaest confirmam essa direção: o número de pessoas que considera que o país vai na direção errada caiu de 58% para 53%, bem acima da margem de erro. Já a quantidade de pessoas que entende que o Brasil está na direção certa subiu de 34% para 38%, também bem acima da margem de erro. O total do eleitorado que vê mais notícias negativas do que positivas sobre o governo caiu de 48% para 43%, acima da margem de erro. E as pessoas que veem mais notícias positivas do que negativas sobre o governo Lula subiram bem acima da margem de erro, de 23% para 32%, um aumento de 9 pontos percentuais.
Nas intenções de voto, Lula cresceu na espontânea de 19% para 22%. Já Flávio passou de 13% para 14%. Quanto aos números no cenário estimulado no 1º turno, Lula passou de 37% para 39%. Já Flávio oscilou de 32% para 33%. Esses dados olhados em conjunto indicam que Lula começa a recuperar eleitores que ao final de 2025 declaravam voto nele, enquanto Flávio pega votos dos outros candidatos de direita, mas não de Lula.
BOLSOMASTER
É nesse contexto positivo para o governo Lula e negativo para a oposição que surge o áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro. De acordo com a denúncia, o filho de Bolsonaro pediu R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar um filme em favor de seu pai, condenado e preso pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Na conversa, Flávio falou para Vorcaro: “Estou e estarei sempre contigo”.
A mensagem de voz é devastadora para Flávio Bolsonaro. É provável que mesmo com o áudio ele mantenha um alto percentual de votos, pois o eleitorado bolsonarista já mostrou fidelidade ao clã Bolsonaro. Porém, é virtualmente impossível que ele mantenha o atual patamar, uma vez que não tem nem a máquina do Estado — que Bolsonaro tinha em 2022 —, nem o carisma do pai, fundamental na eleição de 2018.
Haverá um crescimento da dispersão de votos da direita entre os demais candidatos deste campo, especialmente Romeu Zema, do Novo, e Ronaldo Caiado, do PSD, mas também Rennan Santos, do Missão. Além disso, haverá um aumento das disputas internas da extrema direita, como a que vem ocorrendo entre Ricardo Salles e Eduardo Bolsonaro pela vaga na chapa para o Senado de Tarcísio de Freitas, ou os conflitos entre o filho de Bolsonaro foragido nos EUA e o deputado federal Nikolas Ferreira.
Diante desse cenário, não devemos descartar nem mesmo uma substituição de Flávio na candidatura presidencial. O nome de Michelle Bolsonaro ganhará força, diante da atuação dela junto às mulheres e ao eleitorado evangélico. Porém, dificilmente a esposa de Bolsonaro conseguirá se desvincular da consolidação do BolsoMaster, com sua família envolvida até o pescoço por centenas de milhões de reais com o banqueiro Daniel Vorcaro.

A UFRJ concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao cardiologista português Fausto José da Conceição Alexandre Pinto. A cerimônia ocorreu na tarde de terça-feira (5). A honraria reconhece a trajetória profissional e a destacada contribuição do homenageado à integração acadêmica entre Brasil e Portugal.

Natural de Santarém, região central de Portugal, o mais novo Doutor Honoris Causa da UFRJ dirigiu a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, entre 2015 e 2022, e foi o primeiro português a presidir a World Heart Federation (WHF), além de ter sido presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC). Fundou, ainda, a Rede de Cooperação de Escolas Médicas de Língua Portuguesa.

"Aceitar essa distinção não é apenas acolher uma homenagem pessoal. É, sobretudo, reconhecer um esforço coletivo, construído ao longo de décadas com colegas, discípulos, mestres e instituições que moldaram o meu pensamento e minha prática", agradeceu o professor Fausto. "Recebo esse título não como um ponto de chegada, mas como um compromisso renovado: compromisso com a Medicina, compromisso com o ensino, compromisso com a investigação e compromisso com a cooperação entre nossos países", completou.

"Posso adiantar que vossa excelência há muito ultrapassou barreiras geográficas e tornou-se um médico sem fronteiras, aclamado no cenário mundial. Um autêntico embaixador da cardiologia", afirmou o diretor da Faculdade de Medicina, professor Alberto Schanaider.

"O professor Fausto visitou mais de 120 países, levando a mensagem da medicina, da cardiologia, da assistência digna, do ensino e da pesquisa", reforçou o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho.

Foto: Alessandro Costa

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