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WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.42.36Tema que vem gerando muita polêmica no Serviço Público Federal, a parceria do novo aplicativo do governo SouGov.br com a multinacional de informática IBM levanta questionamentos sobre os riscos de mau uso das informações pessoais dos servidores. “A IBM terá acesso às nossas dívidas, nosso estado de saúde, nossa situação funcional, quem são nossos filhos. E poderá mesclar isso, mais à frente, com biometria, acompanhar nossas viagens ou onde estamos”, critica o professor Sérgio Amadeu, da Universidade Federal do ABC (UFABC). “Quem garante que esses dados não serão usados para novos produtos?”. O docente debateu o delicado tema da privacidade digital durante evento promovido pela Associação Docente da universidade paulistana, na quinta-feira (22).
O compartilhamento de dados pessoais do funcionalismo civil e militar brasileiro para uma empresa privada fora do país é inédito, destaca o professor da Federal do ABC. A novidade está prevista no contrato de uso do SouGov.br. “Eles dizem que os dados serão destruídos depois de trinta dias, o que não faz o menor sentido. Exceto se eles forem utilizados para treinar os algoritmos de aprendizado de máquina da IBM ou nos algoritmos que a IBM utiliza no serviço que é o Watson, um supercomputador de inteligência artificial”, argumenta Sérgio Amadeu. O objetivo final, de acordo com o docente, seria a substituição gradual do atendimento humano por um serviço de teleatendimento robotizado.
A preocupação sobre o poder que empresas e governos adquirem se apropriando de enormes volumes de dados pessoais da população não é assunto de ficção científica. “É sabido que as diferentes plataformas coletam informações, tratam dados e criam uma identidade móvel. Por exemplo, o que o Facebook sabia sobre mim há cinco anos não é o mesmo que sabe hoje”, completa o docente. “Estão aperfeiçoando o perfil porque querem me tornar vendável, me colocar em amostra, para oferecer àqueles que são seus clientes, que são as empresas que aplicam conteúdos pagos, marketing, publicidade e quem mais quiser pagar para disseminar conteúdos”.
Militante das causas pela inclusão digital e software livre, Amadeu recomenda a não instalação e até a desinstalação do aplicativo. E também defende o engajamento do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) em uma campanha para manutenção do Sigepe Mobile — sistema anterior, desativado pelo governo no início de junho. “Essa história de que as grandes empresas já têm todas as informações não é verdade”, acrescenta o docente, enfatizando a precaução em relação à autonomia universitária. “As universidades têm toda a condição de ter seus próprios sistemas de dados, não precisam entregá-los para negociatas”.

Sindicato diz que interesse público não é o foco
Para o advogado do Andes, Leandro Madureira, a alteração mira o consumo. “É bastante nítido que o principal interesse nessa transferência de dados e robotização que nos é imposta é nos condicionar naquilo que consumimos”, avalia. Nesse sentido, afirma ele, o aplicativo desvia a função do interesse público: “Temos uma modificação de gestão no acesso do servidor aos próprios dados, como informações funcionais relacionadas a contracheque, carreira etc., em que essas informações não visam a que esse servidor consiga se localizar no seu andamento laboral, mas sim a um serviço diverso com interesses privados de uma empresa”.
Por outro lado, Leandro considera que a convergência digital de serviços é uma tendência. “Aqui a gente está falando sobre a nossa vida como um todo. O SouGov.br provavelmente vai ter inclusive conexões com aplicativos que já utilizamos na vida ordinária, sobretudo nas instituições financeiras”, aponta o advogado. Ele acrescenta: “A maioria de nós hoje exerce sua vida financeira bancária de maneira totalmente automatizada pelo aplicativo de celular, com a utilização inclusive de dados biométricos para bloqueio do celular ou desbloqueio da conta corrente. Isso é o comum e realmente facilita muito a vida”.
A Associação dos Docentes da Universidade Federal do ABC quer o Andes mais atuante em relação ao SouGov.br. Vice-presidenta da entidade e mediadora do debate, a professora Luciana Palharini reforçou os argumentos favoráveis a uma alternativa pública e soberana para a proteção dos dados privados dos docentes . “É necessário que as condições e riscos fiquem explícitos e isso não está sendo feito pelo governo federal”, opina.
Luciana expressou ainda preocupações em relação ao perfil do novo aplicativo “dentro da agenda política da reforma administrativa em curso”. “Algo que nos preocupa muito é a deturpação das funções de servidores que trabalham com recursos humanos e gestão de pessoas”, afirma a docente. “Inclusive, toda a relação de atendimento desqualificado para o tratamento dos nossos dados, solicitações e trâmites”.

WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.18.21Diretoria da AdUFRJ

Ministério Público exigindo aulas presenciais no Rio de Janeiro, pronunciamento em rede nacional do ministro da Educação na TV: armam o espetáculo, mas não providenciam o palco. Esse pode ser o resumo da semana: aumenta a pressão para o retorno às atividades didáticas presenciais, mas nenhuma palavra sobre os recursos para que estas sejam planejadas com segurança. A UFRJ vem há meses enfrentando esse desafio, sabemos o custo que será adaptar e garantir as condições sanitárias para a realização das atividades presenciais. Mas a recíproca não é verdadeira: governo e Judiciário tentam jogar a responsabilidade no colo das instituições, mas não há até agora nenhum sinal do aporte de recursos necessários para que a universidade possa planejar um retorno seguro, tendo como parâmetros os indicadores científicos de biossegurança.
Até aqui, nenhuma surpresa. Um governo que tratou a compra de vacinas da forma como está sendo trazida a público pela CPI e que distribuiu “kits de tratamento da covid-19” sem comprovação científica, enquanto a população doente de Manaus morria asfixiada, não teria mesmo qualquer compromisso em garantir um retorno seguro, que respeite os protocolos sanitários. Não precisamos de nenhuma tutela. Nossos colegiados estão discutindo quais são as prioridades, e já temos o retorno de algumas disciplinas práticas. O Consuni irá se debruçar sobre a resolução 07 de 2020, que trata das atividades remotas na UFRJ. Estamos participando e acompanhando todas essas discussões, com a seriedade que o tema exige. Não aceitaremos açodamentos que coloquem a população em risco, manteremos firmes os princípios que regeram nossas ações desde março de 2020.
Ao mesmo tempo, o governo tenta emplacar sua política de destruição nacional. Desregula, não multa, não controla ações predatórias do meio ambiente, mas impõe sistemas cada vez mais eficazes para o controle e subordinação dos servidores públicos. Nessa esteira, tenta emplacar uma reforma administrativa que descaracteriza o Estado brasileiro e suas instituições. Não existe a possibilidade que uma pauta de tal forma antipopular prospere. Tanto é que também começam a surgir delírios autoritários dos militares no poder. Ameaças obscenas em plena luz do dia passam a fazer parte de nosso noticiário. Embora pouco críveis, são sempre preocupantes.
Por tudo isso, e por muito mais que não cabe nesse editorial, nos mantemos participando de forma ativa e determinante para a realização dos atos da campanha nacional #Fora Bolsonaro. Precisamos que ela se amplie ao máximo, que seja de cada um e de todos nós. Precisamos dar forma e cor à nossa insatisfação. Precisamos estar juntos e fortes, porque não temos dúvida de que o que está sendo jogado nesse momento é a nossa sobrevivência — seja como instituição pública, seja como nação democrática. Por isso, iremos às ruas mais uma vez, em 24 de julho, às 10 horas, em frente ao monumento Zumbi dos Palmares.

DUAS DESPEDIDAS
A semana também nos marcou com duas despedidas. Ildeu de Castro, professor do Instituto de Física, concluiu seu mandato à frente da SBPC. Sustentou um importante trabalho, justo quando o país se viu diante da maior crise sanitária de sua história e de uma forte campanha negacionista e com grandes ataques à Ciência e aos e às cientistas. A ele, nosso agradecimento pela parceria constante e o nosso reconhecimento pelo excelente trabalho realizado.
E, no âmbito da diretoria da AdUFRJ, nos despedimos um pouco precocemente do nosso tesoureiro, Josué Medeiros, professor do IFCS, que assumiu o cargo de assessor de Relações Parlamentares da reitoria. Dissemos um pouco precocemente porque em breve todos nós também estaremos nos despedindo desse nosso mandato, que, por força da pandemia, foi quase que integralmente virtual. Mas não poderíamos deixar de registrar aqui o quanto foi importante para nós tê-lo conosco nesses quase dois anos de trabalho. Inventar um sindicato on-line não foi fácil, e sem ele teria sido ainda mais difícil. Temos a certeza de que a sua batalha em defesa da universidade pública não esmorecerá, ao contrário, encontrará novas fronteiras de ação.

WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.38.08Celebrar e divulgar conhecimento. Com esse espírito aconteceu a 73ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre os dias 18 e 24 de julho. Foi o segundo encontro seguido inteiramente remoto. Com o tema “Todas as ciências são humanas e essenciais à sociedade”, o evento contou com uma programação que reforça o vigor científico do Brasil nos tempos de pandemia. Ao todo foram, 32 conferências, 52 mesas-redondas, 22 painéis, 4 sessões especiais, 3 oficinas de bate papo e 34 webminicursos em apenas uma semana.
A UFRJ esteve presente com 26 professores, entre palestrantes (15), conferencistas (2), coordenadores (6), apresentadores (4) e participantes (4). Aberta para toda a população, a Reunião Anual da instituição é considerada a principal mostra científica do país, e vem sendo realizada ininterruptamente desde 1949. Confira a seguir algumas das mesas do encontro, que mostram a riqueza da produção científica brasileira nas mais diversas áreas do conhecimento.
ILDEU, UM MILITANTE DA
CIÊNCIA COM DNA DA UFRJ
WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.33.14A sessão de abertura do evento, no dia 18, foi conduzida pelo então presidente da SBPC, Ildeu Moreira. Professor do Instituto de Física da UFRJ, Ildeu se despede do segundo mandato consecutivo à frente da instituição, realizado em boa parte durante a pandemia. Mesmo diante desse cenário, sua gestão articulou diversas ações em prol de ampliar os recursos destinados à Ciência brasileira, e foi marcada pelo enfrentamento direto às ameaças de corte orçamentário do setor. “Nós agradecemos muito a todos os sócios, conselheiros, secretários regionais e a todas as entidades que nos apoiaram, porque essa tarefa da SBPC depende do trabalho coletivo de muita gente”, declarou Ildeu. “A nova diretoria será presidida pelo professor Renato Janine Ribeiro, professor da USP, que muito nos honra pela sua atitude de participar, se envolver e assumir esse cargo importante para o qual foi eleito”, finalizou Ildeu.
Renato Janine, ex-ministro da Educação, e a nova diretoria tomaram posse neste dia 23, e irão dirigir a Sociedade pelos próximos dois anos.
VACINAS BRASILEIRAS
Um dos principais debates no encontro foi sobre “Vacinas Brasileiras”, realizado no dia 20. “Nós pensamos no desenvolvimento da nossa vacina já tendo em mente o contínuo aparecimento das variantes”, comentou Luciana Jesus da Costa, professora associada do Departamento de Virologia, no Instituto de Microbiologia da UFRJ. A pesquisadora integra o grupo responsável pela elaboração da “UFRJ-Vac”, vacina da universidade contra a covid-19. Ela apresentou os estudos por trás da plataforma vacinal, baseada em RNA mensageiro, que tem como foco principal o Sars-Cov-2. “Nós pensamos em uma estratégia com três combinações diferentes, para vermos qual dessas formas vai levar a uma maior resposta imune”, completou. A equipe se prepara para a próxima etapa da pesquisa, em que será verificada a resposta de animais frente a esses RNAs.WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.33.14 1
A mesa foi coordenada pela professora Lucile Winter, diretora da SBPC, e contou também com a participação do doutor Jorge Kalil, que apresentou dados de eficácia da vacinação ao redor do mundo. “Nos países com maior índice de vacinação, o número de casos confirmados de covid-19 voltou a crescer recentemente, devido às variantes”, disse. Jorge, que é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e Diretor do Laboratório de Imunologia (InCor), apontou que o número de mortos já não é tão grande quanto antes, mas ainda há muitos infectados. “É por isso que nós precisamos de mais vacinas, que sejam capazes não apenas de evitar o agravamento da doença, mas se possível evitar até mesmo a infecção. Ou seja, que o vírus não consiga permanecer no nosso corpo, para não continuar se disseminando”, explicou.
Já o professor Ricardo Gazzinelli, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Vacinas, ressaltou a necessidade de o Brasil obter autonomia no desenvolvimento de vacinas. “Essa soberania é importante para essa pandemia mas também para possíveis situações futuras”, afirmou. Gazzinelli é um dos líderes do projeto que une a UFMG, a Fiocruz, a USP e o Instituto Butantan com o objetivo de desenvolver uma vacina contra a covid-19. “Hoje nós estamos terminando de fazer o lote piloto, e já submetendo então nossa proposta para a Anvisa. Esperamos que até o fim deste ano nós comecemos a fase I/II de segurança”, descreveu.

A PANDEMIA DAS INVERDADES
WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.38.09O contexto midiático durante a pandemia fomentou diversas questões para o campo da linguística. Com base nisso, o professor Marcus Maia, do Departamento de Linguística da Faculdade de Letras da UFRJ, realizou no evento a conferência “Pandemia, infodemia e educação linguística”, no dia 19. A infodemia, tema central da sua apresentação, diz respeito à situação que se vive no mundo hoje de excesso de informações e propagação das fake news. “A OMS lançou no ano passado o seu primeiro Congresso de Infodemia, para debater essas questões. Já estamos agora na 4ª conferência, que tem a preocupação mais específica de como gerenciar e sobreviver a essa explosão de informações, muitas vezes inverídicas e manipulativas”, disse Marcus.
Ele comentou que assim como a pandemia impõe a necessidade de uma vigilância epidemiológica, a infodemia exige uma vigilância epistemológica. “Precisamos ser capazes de desenvolver raciocínio analítico e pensamento crítico que nos tornem imunes à manipulação da informação”, ressaltou. Marcus apresentou o impacto de diferentes metodologias didáticas na formação de alunos do ensino básico brasileiro. “Nos testes comparativos internacionais, a exemplo do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), o Brasil vem sempre obtendo resultados muito baixos em leitura, matemática e pensamento científico”, apontou. Segundo ele, a transformação educacional é o único caminho para se aprimorar a capacidade de discernimento da população. “A proposta que fazemos é que a linguagem seja uma ferramenta epistêmica, que possa realmente desenvolver essas capacidades mentais de conhecimento que todos alunos têm”, completou.
ECONOMIA ECOLÓGICA
Qual caminho seguir para construir uma economia ecologicamente sustentável? Esse dilema norteou a palestra “Recuperação Econômica, Meio Ambiente e Covid-19: Prospectos para o Brasil e o Mundo”, dada por Carlos Eduardo Frickmann Young, professor do Instituto de Economia da UFRJ, no dia 21. “A pandemia de covid-19 exacerbou todos os problemas que nós já tínhamos em relação à sustentabilidade: ela expôs as crises ambiental, social e econômica que o país já estava atravessando”, apontou. Coordenador do Grupo de Economia do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (GEMA), Carlos apresentou a necessidade de uma “retomada verde da economia”. “É quando a economia recupera o seu nível de atividade através da melhoria do bem estar humano e da equidade social, reduzindo riscos ambientais e ecológicos”, explicou. Segundo Carlos, o atual modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil tende a uma crise ambiental permanente. Para isso, o professor propõe uma abordagem mais eficiente dos recursos naturais, tendo em vista os grandes problemas na área ambiental, como as mudanças climáticas e a redução daWhatsApp Image 2021 07 24 at 10.34.19 biodiversidade. “Mas essa transição não vai acontecer espontaneamente pelo mercado. Para garanti-la é necessário que haja uma participação ativa do Estado”, ressaltou. Em seus estudos, o GEMA tem hoje como base teórica uma ‘Macroeconomia Pós-Keynesiana Ecológica’. “A gente tenta recolocar as questões básicas da escola Pós-Keynesiana em um contexto onde o meio ambiente importa”, completou.

CNPQ FAZ 70 ANOS
O encontro da SBPC abraçou também a comemoração dos 70 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “A SBPC tem uma relação intrínseca com o CNPq, que é a casa do pesquisador. A ciência brasileira hoje vive momentos difíceis, mas estamos todos juntos. Somos todos CNPq!”, disse Ildeu Moreira, então presidente da SBPC. Na live, realizada no dia 19, um video institucional apresentou a história da entidade, fundada em 1951 como “Conselho Nacional de Pesquisa” para ser uma estrutura central de fomento à pesquisa no país. O Presidente do Conselho, Evaldo Vilela, destacou o valor da instituição para o progresso científico e social do país. “É impossível nós termos um futuro como nação soberana e com um enfrentamento da desigualdade social, como é preciso no Brasil, sem a pesquisa e o desenvolvimento científico e tecnológico”, afirmou.

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