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bandeira adufrjChegada a primavera, a semana se encerra com duas ótimas notícias. No plano interno, a UFRJ anunciou a adesão a um contrato celebrado entre o MEC e a empresa Qualicorp que proporcionará a professores e técnicos da universidade mais opções de planos de saúde, com valores em geral mais baixos que os praticados no mercado. Depois de uma negativa inicial da reitoria, a AdUFRJ teve papel decisivo nas negociações de adesão ao contrato, que já tem mais de 44 mil beneficiários no país.
Para o presidente da AdUFRJ, professor João Torres, o papel do sindicato foi fundamental para essa conquista, e o plano de saúde é um tema importante para a categoria. “Quando herdamos essa discussão da gestão anterior do sindicato, nós tínhamos a informação que a reitoria não tinha se interessado por este projeto. Somos ardentes defensores do SUS, mas sem hipocrisia. É uma das questões mais prementes do conjunto dos professores. Muita gente se preocupa não só com o preço do plano de saúde na ativa, mas também na aposentadoria”, observa João Torres.
A AdUFRJ já oferece alguns convênios, mas a diretoria se esforçou em buscar opções mais baratas para os professores: “Pesquisamos bastante. As corretoras praticam valores muito próximos. Até que ficamos sabendo desse acordo feito através do MEC. Mas somente as universidades podem fazer. Convencemos a reitoria a dar andamento neste processo. O benefício é oferecido a todos os servidores, não só aos associados. O que achamos bom”, conta a professora Karine Verdoorn, 2ª secretária da AdUFRJ. Confira os detalhes em nossa matéria da página 6.
A outra ótima notícia vem do plano nacional. Faltam nove dias. E falta muito pouco para que a eleição presidencial seja definida já no primeiro turno. Duas pesquisas divulgadas esta semana — a do Ipec e a do Datafolha — mostram que é cada vez mais viável a chance de vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2 de outubro. Nos dois levantamentos, o candidato do PT está bem próximo de conseguir os 50% mais um dos votos necessários para colocar um ponto final no desgoverno Jair Bolsonaro. Nas páginas 4 e 5, os professores Mayra Goulart, Paulo Baía e Pedro Lima avaliam as últimas pesquisas e as chances de vitória de Lula no primeiro turno.
As eleições presidenciais também são o tema de nossa matéria da página 3. Nesse caso, contudo, não é uma boa notícia. De acordo com um estudo feito pelo Laboratório de Estudos de Internet e Mídias Sociais da UFRJ (NetLab), o YouTube privilegia conteúdos pró-Bolsonaro nas recomendações aos seus usuários, com destaque para as inserções do grupo Jovem Pan, alinhado ao presidente. “Muitos usuários declararam que a Jovem Pan aparecia frequentemente como recomendação, mesmo não consumindo o conteúdo de lá e até dando dislike nos vídeos”, observou a professora Marie Santini, diretora do NetLab.
Voltando às boas notícias, dois temas importantes para a UFRJ complementam esta edição. Nossa matéria da página 7 aborda a retomada de aulas na Escola de Belas Artes e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo — esta acaba de ganhar o apoio da recém-criada associação de ex-alunos AMEAFAU. Na página 8, mostramos dois projetos de despoluição e revitalização para o campus do Fundão: Parque da Orla e Orla sem Lixo. Ambos pretendem livrar as praias da ilha do lixo trazido pelas marés da Baía de Guanabara. Pode ser um sonho? Pode, mas é preciso acreditar.
Chegada a primavera, o tempo é de esperança.
Boa leitura!

WhatsApp Image 2022 09 26 at 14.37.05 1Fotos: Estela MagalhãesEstela Magalhães

Para chegar à sala de aula, em geral, é preciso se aventurar pelos corredores, escadas, containers e elevadores dos prédios da UFRJ. Já os estudantes e professores de vela, esporte ensinado na Escola de Educação Física e Desportos, devem atravessar uma praia de lixo até o píer, onde sobem nos barcos para ter as aulas. “Às vezes, a gente limpa num dia e, dependendo do fluxo da maré e do vento, já está tudo lotado no dia seguinte. É surpreendente. O volume de lixo é muito grande”, lamenta o professor Luiz Pintor, da EEFD. “Tentamos driblar esse lixo na praia, evitamos os cacos de vidro”, relata o estudante de vela Iago Eliezer.
O antigo problema foi agravado durante os dois anos de pandemia sem atividades presenciais, e desde então o controle de danos é feito por mutirões voluntários de limpeza. “Com o momento difícil de orçamento da universidade, tivemos que organizar um mutirão para limpar a praia e voltar a operar as aulas de vela”, explica o professor. “É necessária uma ação pelo menos nas áreas que a universidade utiliza. A orla é um ambiente de aula, precisamos que ela esteja limpa”, completa.
A solução para a despoluição das praias da ilha do Fundão faz parte do projeto Orla Sem Lixo, coordenado pela professora Susana Vinzon, de Engenharia Oceânica. “O projeto desenvolve barreiras para interceptar o lixo flutuante e propostas para sua coleta e reciclagem”, explica a professora. Os testes dessas barreiras começam no Mangue de Bom Jesus, e a expectativa é que elas possam ser replicadas por toda a enseada. “É uma solução de baixa complexidade tecnológica para que possa ser facilmente substituída e reparada, mas de grande complexidade logística, porque a manutenção precisa ser constante”, completa a docente.
A aplicação das barreiras flutuantes é desenvolvida pelo projeto em parceria com as comunidades pesqueiras da região. “A ideia é que eles possam retirar esse lixo que fica na barreira e transportar até um local adequado, onde vamos destiná-lo à reciclagem química para que ele desapareça enquanto resíduo”, explica a pesquisadora Carla Sabino, do Laboratório de Dinâmica de Sedimentos Coesivos. “A interceptação não deve fechar o trânsito das embarcações e vai permitir que a comunidade pesqueira complemente sua renda a partir da gestão do lixo flutuante”, completa a professora Susana.
WhatsApp Image 2022 09 26 at 14.37.43Além do lixo vindo da Baía de Guanabara, problemas de entupimento na rede de esgoto contribuem para a poluição da Prainha. “O entupimento reflete justamente na faixa de areia”, explica Sérgio Siqueira, coordenador de Infraestrutura Urbana. “É uma grande obra de infraestrutura para recuperar mais de 50 metros de rede de esgoto. O trecho em frente à reitoria está totalmente recalcado, por isso o esgoto não consegue passar em direção à estação elevatória de esgoto e começa a drenar ou pelo chão ou com um retorno na Prainha”, completa. O problema já existe há mais de 10 anos.
Aliada ao Orla Sem Lixo, a prefeitura universitária tem feito esforços para tirar do papel o projeto Parque da Orla, pensado inicialmente em 2005, que prevê a revitalização da Prainha, ponto próximo ao prédio da reitoria. “Quiosques, espaço para piquenique, um pequeno parque infantil, calçada para que as pessoas possam andar e pedalar com segurança. Uma infraestrutura mínima já pode trazer um grande potencial de uso”, imagina a professora Susana. “Quando você sente que aquilo é teu você cuida, essa é a importância das pessoas se apropriarem do espaço. Evitar que o lixo flutuante chegue a esse espaço já vai permitir que a requalificação ambiental aconteça de forma plena”, diz.
“No projeto do parque, consideramos instalações de lazer, esporte, cultura e ensino. O programa prevê salas de aula multiuso e apoio para pesquisa de campo”, esclarece Vera do Carmo, coordenadora de Operações Urbano Ambientais. “Os próprios pescadores não têm uma infraestrutura adequada para exercer a atividade”, completa.
Na segunda-feira, dia 19, a prefeitura da UFRJ organizou um mutirão de limpeza na Prainha em comemoração ao Dia da Limpeza. “Nossa ação hoje é simbólica. Queremos conscientizar e sensibilizar a comunidade universitária. Mas, enquanto a Baía estiver poluída, limpar a orla é como enxugar gelo”, disse a coordenadora. “O evento é um marco da preservação das orlas e florestas da UFRJ. Um pontapé na revitalização”, completou o prefeito Marcos Maldonado.

WhatsApp Image 2022 09 26 at 14.29.42 2Júlia Fernandes

Um estudo realizado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Mídias Sociais da Escola de Comunicação (NetLab) comprovou que o YouTube privilegia conteúdos pró-Bolsonaro nas recomendações aos usuários. Na pesquisa, em 18 acessos à plataforma com perfis sem nenhuma interação na rede, os canais do grupo Jovem Pan foram identificados 14 vezes. O vídeo mais sugerido nos testes foi a entrevista do presidente ao Programa Pânico, que apareceu em diferentes posições, mas sempre na primeira página da plataforma.
“Muitos usuários declararam que a Jovem Pan aparecia frequentemente como recomendação, mesmo não consumindo o conteúdo de lá e até dando dislike nos vídeos. A gente partiu da premissa que existia isso para fazer a pesquisa”, afirma a professora Marie Santini, diretora do NetLab. Para a realização do estudo, foram feitas 18 visitas-teste ao YouTube, de 23 a 30 de agosto. Ao todo, a página foi acessada de uma a três vezes ao dia, em horários diferentes. Na análise, que considerou apenas vídeos de conteúdo informativo, o canal da Jovem Pan apareceu 10 vezes como primeira recomendação. “A audiência da Jovem Pan fora do YouTube é muito pequena, praticamente irrelevante. Já no YouTube, ela está na frente de todas as outras fontes de informação do Brasil. Isso nos faz perguntar qual seria o verdadeiro critério de recomendação”, afirma Santini.
Para verificar se as recomendações “casavam” com assuntos que estavam em alta no momento dos acessos, o estudo utilizou o Google Trends — ferramenta que disponibiliza os temas e palavras-chave mais pesquisados pelos usuários. Mas os resultados não coincidiram. “Isso precisa ser esclarecido, porque não é o canal de informação mais consumido do Brasil. Se o critério é baseado em relevância social, não está batendo com outros dados”, acrescenta.
Para não serem influenciados pela personalização dos conteúdos, os acessos foram simulados por um usuário novo. As visitas ao YouTube ocorreram por uma aba anônima do browser, utilizando um VPN (Virtual Private Network) que estava configurado para ser um usuário brasileiro aleatório, anônimo, localizado em diferentes partes do Brasil. Bruno Mattos, jornalista assistente na pesquisa e responsável pelas buscas no YouTube, explica: “O VPN é essa ferramenta que garante uma navegação neutra pela internet, sem que o algoritmo seja influenciado pelo que você consumiu em termos de dados e conteúdo”.
Apesar da isenção de histórico, os canais do grupo Jovem Pan ainda eram os mais recomendados. Eles apareceram 25 vezes ao longo do experimento, às vezes com mais de um vídeo na página inicial. Em um dos acessos, a única fonte de canal informativo recomendada era a entrevista de Bolsonaro no Programa Pânico, também feita pela Jovem Pan.

PUBLICIDADE VELADA
“A recomendação é tão importante porque ela funciona como uma espécie de publicidade. Estudos mostram que 70% da navegação dos usuários no YouTube são baseados na recomendação. O fato de não ser declarado, de não ser explícito qual é o critério, funciona como publicidade velada, o que é perigosíssimo”, avalia Santini.
O Youtube, hoje, é a plataforma de vídeo mais utilizada pelos brasileiros, com 130 milhões de usuários. Segundo o relatório do NetLab, “a recomendação de conteúdo tem forte impacto nas escolhas dos usuários, especialmente por fazer acreditar que os vídeos recomendados são baseados em critérios de relevância, e não guiados por acordos comerciais ou outros interesses”. Esse impacto, que vai além do consumo momentâneo de conteúdo, reflete na forma de pensar de cada um, o que pode afetar, inclusive, decisões políticas.
“Os meios de comunicação e a quantidade de vezes com que as pessoas são expostas a determinado conteúdo podem fazê-las modificar o voto”, explica a professora. “Para defender a nossa democracia, esses critérios precisam ser explícitos, de forma que o algoritmo da plataforma não gere nenhum desequilíbrio entre os candidatos e não afete as eleições”, acrescenta. O estudo, que fala a respeito das recomendações tendenciosas no YouTube, é o primeiro feito no Brasil.

AÇÃO NO TSE
Com base no estudo do NetLab, a Coligação Brasil da Esperança, formada por partidos que apoiam a candidatura Lula, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No pedido, os advogados alegam que “a plataforma YouTube não trata de forma isonômica o conteúdo distribuído ao usuário a título de ‘conteúdo informativo’, dada a sua concentração em uma mesma rede de produção de conteúdo sobre a qual, de forma ainda mais grave, recai graves indícios de imparcialidade política”.
A ação destaca, ainda, que a predileção na recomendação de vídeos do grupo Jovem Pan viola o protocolo assinado entre a Justiça Eleitoral Brasileira e a Google Brasil, por não cumprir com “a parte de conceder acesso aos usuários a um contexto amplo de informações de fontes confiáveis”. Até o momento da publicação desta matéria, a Jovem Pan não se manifestou sobre a pesquisa do NetLab.

WhatsApp Image 2022 09 26 at 14.37.05Foto: Silvana SáAs aulas da Escola de Belas Artes, suspensas no dia 13, e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, suspensas no dia 15, foram retomadas na segunda-feira (19), mas os problemas ainda estão longe de uma solução. Na quarta-feira (21), a reportagem flagrou uma aluna da Escola de Belas Artes descendo as escadas após ter uma crise respiratória. “Sou alérgica. Tive uma crise muito forte e ainda estou passando muito mal”, relatou Maria Eduarda Nunes, do 10º período. “Os corredores estão muito empoeirados, os banheiros sujos e não consigo me hidratar porque os bebedouros estão sem condições de uso”, resumiu a estudante. “Infelizmente, não consigo mais assistir às aulas de hoje”.
Maria Eduarda é uma entre os cerca de cinco mil estudantes que circulam todos os dias no prédio Jorge Machado Moreira e vivenciam cotidianamente os problemas estruturais. Conforme denunciado na edição passada do Jornal da AdUFRJ, um dos impedimentos para a manutenção das aulas eram os elevadores, que continuam apresentando problemas. “Disseram para a agente que tudo estaria resolvido na segunda, só que não está. Toda hora soa o alarme do elevador com alguém preso. Isso aconteceu todos os dias antes de as aulas serem suspensas e está acontecendo muitas vezes nessa semana”, afirmou Cíntia Abel, estudante do 4º período da FAU.
A situação dos banheiros e da água também preocupa o corpo social da universidade, sobretudo os estudantes, que são os principais usuários. Há banheiros sem luz, bebedouros precários, itens de higiene em falta. “Aqui no quarto andar, apenas duas cabines do banheiro feminino estão funcionando. Só tem papel higiênico de manhã, depois acaba e ninguém repõe. Também não temos sabão para higienizar as mãos. Colocaram esses dias um álcool em gel bem ruim”, reclamou Letícia Nunes de Araújo, também do 4º período da FAU.
Os bebedouros também compõem a lista crítica, de acordo com as estudantes ouvidas pela reportagem. A maioria não funciona e os que estão em funcionamento apresentam água com coloração e sabor duvidosos. “Só conseguimos beber água uma vez por dia, quando vamos almoçar no bandejão da Faculdade de Letras. A gente enche a garrafinha lá e depois fica o restante do dia com sede”, lamentou Letícia. “É trágico que a gente esteja naturalizando toda essa falta de estrutura”, completou a estudante Helena Lamego, da FAU.
O assunto foi levado ao Consuni do dia 22. O professor Guilherme Lassance, representante dos titulares do CLA, citou o episódio de suspensão das aulas. “Reconhecemos os investimentos da reitoria, mas a crise que vivemos na semana passada gerou uma certa indignação na comunidade (usuária) do prédio”, afirmou. “As obras em andamento também acabam sendo um desafio ao uso”.
Pró-reitor de Gestão e Governança (PR-6), André Esteves afirmou que toda a área do prédio, exceto os oitavo e nono andares, está coberta pelo atual contrato de limpeza, firmado em 2019, quando o quinto e sexto patamares ainda estavam fechados. “Estamos superando essas dificuldades. O contrato precisa apenas de ajustes finos”.
Os estudantes relataram os problemas testemunhados pela reportagem ao longo da semana e pediram fala para a Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ, a ATTUFRJ. “A limpeza está ‘coberta’ às custas dos trabalhadores. Eu acho impossível que 36 trabalhadores consigam cobrir 48 mil m². É preciso dar uma atenção para essa questão”, protestou a presidente da entidade, Waldinéa Nascimento. “Os trabalhadores terceirizados precisam ser tratados com igualdade de direitos, com respeito”, defendeu.
Superintendente da PR-6,Rodrigo Gama admitiu à reportagem que estuda um aditivo ao contrato para ampliar o número de profissionais de limpeza para os banheiros. “São trabalhadores que precisam receber insalubridade”, explicou o servidor. Hoje, há apenas três banheiristas, como são chamados, para atender aos sete andares. “A fiscalização do contrato ainda enviará à PR-6 documento que atesta a necessidade do aumento de funcionários para os banheiros. Após a sinalização desse efetivo teremos uma reunião com a PR-3 (pró-reitoria de Finanças) para saber de quanto poderemos dispor e negociar o valor desse aditivo”, disse.
Ao final da sessão, os conselheiros aprovaram uma moção em solidariedade aos ocupantes do edifício da FAU e EBA. O documento também sinaliza a necessária atenção aos tercceirizados.

ADUFRJ SE SOLIDARIZA
Os professores sindicalizados à AdUFRJ receberam esta semana uma carta de solidariedade do presidente João Torres diante da situação dramática do prédio. No texto, o docente, em nome de toda a diretoria, deixa clara a importância de uma articulação sindical para solucionar os problemas relacionados às condições de trabalho dos docentes. “Sabemos que são problemas graves, complexos e que comprometem a atividade acadêmica numa das mais antigas e reconhecidas unidades da UFRJ. Também sabemos que a situação se agravou com os cortes orçamentários que sacrificam a universidade na gestão Bolsonaro. Reiteramos que as portas da AdUFRJ estão abertas para debatermos o assunto com a maior urgência possível ”, finaliza o comunicado.

Ex-alunos criam associação de apoio ao edifício JMM

Um grupo de ex-alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ fundou a AMEAFAU, uma associação que pretende cuidar do edifício Jorge Machado Moreira (JMM), onde ficam a faculdade, a Escola de Belas Artes, o IPPUR e parte da reitoria, e provocar na comunidade universitária e entre os ex-alunos da FAU uma discussão sobre a conservação não só do edifício, mas de todo o equipamento da UFRJ.
“O prédio vem se deteriorando há muitos anos, apesar do esforço de sucessivas direções. Mas quando o corte do orçamento chegou aonde chegou, e depois dos incêndios, nós tivemos que fazer alguma coisa”, explicou Carlos Fernando Andrade, presidente da AMEAFAU. Carlos fez graduação, mestrado e doutorado na FAU, e justifica o gesto como uma devolução ao prédio por tudo que ele fez para ele e seus colegas da associação.
Carlos ressaltou que a iniciativa não significa que o governo federal não deve ser cobrado pela recomposição do orçamento e pela preservação do prédio. “Não se pode abrir mão de cobrar do governo a parcela que ele deve à educação pública. Vamos colaborar, mas continuar cobrando”, observou Carlos, para quem iniciativas como a da AMEAFAU ajudam a fazer essa cobrança. “Primeiro porque mostra as lacunas, os problemas, e isso serve como denúncia. Não estamos aqui para substituir o poder público, pelo contrário. A associação vem também como cobrança”, explicou.
A associação já tem suas primeiras medidas planejadas. “Há uma série de ações de obras dispersas, e sentimos a necessidade de costurar um plano de ação plurianual, e isso pode ser feito por meio de uma consultoria”, contou Carlos. Outras ações planejadas são a elaboração de um plano de prevenção, detecção e combate a incêndios e a descupinização do prédio. “Mas pensamos até em outras coisas, como proporcionar alguma ajuda para alunos carentes, já que hoje um arquiteto trabalha muito mais com computador do que com papel e lápis”, detalhou.
Para apoiar a AMEAFAU basta entrar em benfeitoria.com/projeto/ameafau, e assinar o financiamento coletivo, que tem meta recorrente (as doações serão mensais). A associação já tem 17 membros na sua organização e em torno de 200 apoiadores, e embora seja formada por ex-alunos da FAU, os benefícios são previstos para o prédio inteiro. “Sei que alguns ex-alunos da EBA estão sendo incentivados a fazer a sua própria associação. Seria ótimo, porque poderíamos trabalhar juntos no que fosse comum”, disse. (Lucas Abreu)

WhatsApp Image 2022 09 19 at 10.11.08 2Fotos: Lucas AbreuUma velha polêmica tomou conta do Centro de Tecnologia. Desde o dia 1º, o estacionamento do prédio voltou a ser cobrado: R$ 5,50 por diária. Com a cobrança, ressurgiu a insatisfação de parte dos usuários com o serviço prestado. Só esta semana, os motoristas tiveram de lidar com terminais de pagamento fora do ar e uma das cancelas inoperante. O cabo de energia foi furtado.
“O maior problema é a absoluta falta de transparência sobre o que está acontecendo”, afirmou o professor Fernando Nicacio, do Instituto de Física. “Para mim, como frequentador do Fundão, o que aconteceu foi que uma pessoa que eu não tenho ideia de quem seja botou uma cancela e começou a me cobrar estacionamento”, disse. Outra queixa dos usuários é a impossibilidade de circular pelo Fundão sem precisar pagar novamente, ao retornar. “Se eu precisar ir ao CCS ou a outro prédio com o meu carro, eu teria que pagar para estacionar novamente”, contou. A exceção é para os mensalistas, que têm acessos diários ilimitados.
Fernando chegou a assinar um abaixo-assinado, que pedia mais esclarecimentos sobre a cobrança, organizado por um grupo de professores do Instituto de Física. O documento foi entregue à decania do CCMN, ao qual o IF é vinculado. “Eu não sei pelo que eu estou pagando. Não sei qual é a responsabilidade da empresa, se é a mesma empresa que operava o estacionamento antes da pandemia, se eles têm qualificação para fazer esse serviço”, acrescentou. Para ele, trata-se também de uma questão de princípio. Sendo uma área da universidade e, portanto, pública, deveria ser responsabilidade do Estado garantir a segurança na região.WhatsApp Image 2022 09 19 at 10.11.09‘FALTA TRANSPARÊNCIA’ Professor Fernando Nicacio, do IF, critica gestão do estacionamento
O contrato com a empresa Viamil para a concessão do estacionamento foi assinado em dezembro de 2018. A cobrança começou em abril de 2019. Segundo o superintendente do CT, Agnaldo Fernandes, a terceirização do estacionamento ocorreu por demanda da própria comunidade do centro, que pedia por mais segurança. “Houve um período de muito sequestro-relâmpago, assaltos, roubos de carro, não só aqui, mas no Fundão todo. O debate aconteceu em toda a universidade, mas aqui no CT avançou”, contou.
Com a pandemia, a pró-reitoria de Gestão e Governança (PR-6), signatária do contrato, suspendeu a forma de execução do contrato. “O efetivo diminuiu e a cobrança foi interrompida, mas não interrompeu o prazo”, disse Agnaldo. O contrato vai até 2023. Com a volta das aulas presenciais, em abril deste ano, a empresa comunicou que retornaria a cobrança e o serviço. Segundo Agnaldo, na ocasião, a superintendência não autorizou o retorno. “Foi uma decisão minha. Conversamos com a Viamil e eu mandei um e-mail para eles dizendo que eles não tinham autorização para começar a cobrança, considerando que a empresa não deu condições para a equipe de fiscalização verificar se estava tudo certo”. Depois disso, a empresa fez os ajustes necessários para retomar a cobrança: tapar os buracos do estacionamento, reinstalar as câmeras e cancelas, recuperar os terminais de pagamento e pintar as marcações das vagas. “A equipe de fiscalização viu que, do ponto de vista do contrato, estava em condições de retornar”, contou.
O contrato tem um termo de referência, elaborado pelo CT, com as obrigações da concessionária do serviço. O documento prevê que a empresa faça a instalação de 85 câmeras para monitoramento e a instalação de cancelas automatizadas. A firma deve ter uma equipe de no mínimo 31 funcionários, recuperar a sinalização horizontal e demarcações de vagas e fazer o recapeamento do estacionamento.
Agnaldo reconhece que há queixas por parte dos usuários, que são encaminhadas para a equipe de fiscalização do contrato. Segundo o superintendente, qualquer decisão sobre a concessão tem que partir da comunidade do CT. “Quem demandou esse serviço foi o CT. Se o CT acha que não que não cabe mais, ele discute nas suas unidades e vem para o Conselho de Centro. É um contrato. Ele pode ser rescindido, pode não ser renovado, pode ser feita uma nova licitação”, explicou. “O decano e eu não somos a favor do estacionamento cobrado”, afirmou o superintendente. O contrato foi elaborado na gestão anterior.
O técnico André Ferraz é chefe da administração da sede da decania e membro da comissão de fiscalização do contrato com a concessionária. A comissão faz avaliações periódicas da prestação do serviço. Além disso, a comissão também recebe as queixas dos usuários e encaminha para a Viamil. “Todo dia eu faço uma vistoria do prédio. Passo nos totens de pagamento e vejo se estão em funcionamento. Se estão apagados, eu comunico ao pessoal da Viamil imediatamente”, exemplificou André.
Segundo o superintendente, a Viamil remunera a universidade com quase 18% do seu lucro líquido: os recursos são repassados para a conta única do Tesouro. Mas a empresa emite apenas um recibo de pagamento, e não um cupom fiscal, para os usuários, o que pode criar uma fragilidade na informação da prestação de contas. Segundo André, a comissão de fiscalização faz a fiscalização logística e operacional do contrato, e a parte financeira do contrato fica sob responsabilidade da pró-reitoria de Gestão e Governança. A equipe de reportagem do Jornal da AdUFRJ enviou para a PR-6, via assessoria de imprensa da UFRJ, perguntas sobre a prestação de contas do contrato. Até o fechamento da edição, as questões não foram respondidas.
Euclides Vieira, gerente operacional da Viamil e responsável pela empresa na UFRJ, afirma que a prestação de contas é feita com relatórios do software de gestão utilizado para a cobrança do estacionamento. “O mesmo software que usamos nos nossos terminais, o Prescon, é o que faz os relatórios para a PR-6”, explicou. Também são entregues relatórios contábeis de despesas da operação. Euclides esclareceu ainda que qualquer usuário pode requisitar a emissão da nota fiscal do serviço junto à empresa.
Euclides informou que, durante o período da pandemia, o equipamento já instalado pela empresa no estacionamento foi alvo de furto e deterioração. A situação dificultou a retomada do serviço. Segundo ele, foi preciso um investimento quase próximo ao feito em 2019 para o retorno. Hoje, ele assegura que o serviço funcionaria de acordo com o que está previsto no termo de referência do contrato.

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