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A UFRJ precisou se desdobrar nos últimos dias para pagar empresas terceirizadas da limpeza e da segurança, depois que o governo federal bloqueou R$ 23,6 bilhões do orçamento da União, no fim de maio. Sem o repasse mensal, a reitoria remanejou R$ 3 milhões das receitas próprias da instituição, depositadas em uma conta da fundação Coppetec, para evitar a paralisação dos serviços.
Não foi um corte orçamentário, foi um bloqueio e o recurso pode retornar até o fim do ano. “Mas o que receberíamos este mês, o duodécimo, acabou não sendo repassado. E isso trouxe um problema grave não só para a UFRJ, mas para todas as universidades”, afirma o reitor Roberto Medronho. O duodécimo da universidade equivale a pouco mais de R$ 30 milhões.
“Pegamos a verba dos nossos recursos próprios para passar à pró-reitoria de Finanças para que ela proceda aos pagamentos dessas firmas terceirizadas e esses trabalhadores não sejam penalizados”, completou o reitor.
A mesma estratégia foi utilizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul para dar conta de seus compromissos mais urgentes. A UFRGS destinou R$ 1,1 milhão dos recursos de arrecadação própria para assegurar o pagamento da folha salarial da empresa Multiservice, que responde pelos serviços de portarias, recepções e garagistas na universidade gaúcha, informou a página da instituição.
“Paralelamente, a Administração Central mantém diálogo com o Governo Federal para obter informações sobre a regularização dos repasses e organizar o planejamento financeiro das próximas semanas”, diz nota da reitoria local.
MEC SEM R$ 1,6 BI
O Decreto nº 12.990, de 29 de maio, estabeleceu em R$ 23,6 bilhões o total de recursos bloqueados no Orçamento da União deste ano. Entre os órgãos atingidos, destaca-se o Ministério da Educação (MEC), com R$ 1,605 bilhão – terceira pasta mais afetada, atrás apenas dos ministérios da Defesa e das Cidades. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) teve R$ 490,1 milhões bloqueados.
Além do bloqueio, o governo adotou restrições temporárias para a liberação de recursos, mecanismo conhecido como “faseamento de empenho”. A medida funciona como um controle de fluxo de caixa. Se a arrecadação ficar abaixo do esperado, o governo não autoriza o gasto de recursos antes de confirmar a entrada de novas receitas.
A Associação Nacional dos Pós-graduandos manifestou preocupação com o bloqueio. “Esse cenário pode atrasar a contratação e a execução de projetos científicos estratégicos, chamadas públicas de fomento, convênios, manutenção de laboratórios e unidades de pesquisa, além de comprometer a previsibilidade necessária para universidades, institutos federais, centros de pesquisa e agências de fomento”, observou a entidade, em nota.
“Há ainda preocupação com possíveis repercussões sobre os pagamentos de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, especialmente aquelas executadas pelo CNPq. O enfraquecimento desses instrumentos significa menor capacidade nacional de produzir conhecimento, desenvolver tecnologias e responder aos desafios econômicos, sociais, sanitários, ambientais e produtivos do país”, completou a direção da ANPG.
A assessoria do MEC informou que o decreto do bloqueiomodificou o cronograma mensal de desembolso do ministério. “Em razão dessa alteração, houve necessidade de adequação dos fluxos de repasse financeiro às unidades do MEC. O Ministério informa que está ciente das demandas e tem realizado as gestões necessárias para regularizar os repasses financeiros”, respondeu, em nota à reportagem.
Foto: Alessandro CostaMineiro de Araguari e carioca de alma. Amante da vida, das pessoas e da Ciência. Pesquisador brilhante, gestor comprometido com a instituição e professor dedicado aos seus alunos. São muitos os predicados de Luiz Eurico Nasciutti, que aos 75 anos recebeu o título de Emérito no último dia 8, no auditório do Quinhentão do Centro de Ciências da Saúde, cercado do carinho de colegas e familiares.
Bastante emocionado, o decano do CCS — até o fim de julho — declinou os princípios que guiaram a carreira até aqui. “Esta cerimônia simboliza o reconhecimento de uma trajetória em que ensinar e aprender foram atividades inseparáveis e que o conhecimento foi colocado a serviço da sociedade”, afirmou, entre soluços.
“Procurei aplicar a pedagogia dialógica, proposta por Paulo Freire, na qual estudantes e educadores constroem conhecimento coletivamente, relacionando aprendizagem e consciência política”, completou.
Nasciutti, formado em Ciências Biológicas pela UnB, chegou ao Rio na década de 70 para fazer o mestrado e nunca mais saiu da UFRJ. Mas, entre várias histórias, Nasciutti compartilhou com o público uma faceta artística pouco conhecida. “Quero compartilhar com vocês uma época importante da minha vida, que não está no Lattes. Logo que eu retornei do meu doutorado em Paris, encontrei um velho amigo que me levou para o grupo de teatro Aqui e Agora”, contou.
“Comecei então a vivenciar um momento que se mostrava muito próximo da minha atuação em sala de aula. No fundo, o professor é também um ator”, comparou. “Depois, vivi experiências de ser ator, diretor e professor do Teatro Tablado por mais de dez anos. Que foram muito relevantes para o aprimoramento das minhas atividades didáticas na universidade”.
O mestre agradeceu a antigos mestres, colegas do presente, alunos de todos os tempos, à família e à própria UFRJ, onde ingressou há mais de cinco décadas. “Muito obrigado à Universidade Federal do Rio de Janeiro por tudo que me proporcionou. Aqui construí minha vida acadêmica. Aqui sei que ainda posso continuar contribuindo”, concluiu.
HOMENAGENS
Para o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho, a solenidade teve um significado especial: “Luiz Eurico foi meu professor de Histologia em 1978, quando eu ainda era estudante de Medicina. Foi uma disciplina muito marcante na minha formação”, contou.
“A grandeza do professor Luiz Eurico não se limita ao seu currículo, por mais expressivo que seja. Mesmo com a trajetória científica reconhecida nacional e internacionalmente, nunca perdeu a simplicidade no trato, a escuta atenta e a disposição para o diálogo”, elogiou.
Também ex-aluno de Nasciutti e com mais de 20 anos de convivência com o homenageado, o professor Antonio Palumbo Júnior, do ICB, ficou encarregado pelo discurso de saudação da solenidade. “Quem o conhece sabe que sua vida não é feita apenas de Ciência, gestão acadêmica e de aconselhamentos. Existe também o Luiz Eurico da alegria, da resenha, dos bares e até do carnaval. Foi responsável por transformar inúmeros congressos científicos em lembranças inesquecíveis”, afirmou.
“Você jamais será esquecido. Tenho a absoluta convicção de que não sou exceção. Somos muitos. Muitos que foram acolhidos, muitos que foram orientados, muitos que foram incentivados. Você não passou por nossas vidas. Você ajudou a transformá-las”, completou.
Diretora do ICB, a professora Patrícia Dias Fernandes reforçou: “A homenagem que hoje prestamos não se destina apenas a um pesquisador de excelência ou a um professor dedicado. Ele reconhece uma vida inteira construída dentro da universidade pública, marcada pela perserverança, competência, compromisso com a formação de pessoas e com a produção de conhecimento”.
“Tive o privilégio de compartilhar com o professor Luiz Eurico a gestão do Centro de Ciências da Saúde. Experiência que me permitiu testemunhar de perto sua extraordinária capacidade de trabalho, sua dedicação institucional, seu profundo compromisso com a UFRJ e sua alegria”, disse a companheira de decania, professora Lina Zingali. “Ele chegou aqui com 25 anos e não nos abandonou desde então. E não nos abandonará. Por isso, concedemos este título. Para que ele continue entre nós”, brincou.
LUTO: DORIS ROSENTHAL, 93 ANOS, DEIXA LEGADO DE AMOR À CIÊNCIA
Durante a solenidade de emerência, Luiz Eurico fez uma menção especial à professora Doris Rosenthal, do Instituto de Biofísica, que faleceu dois dias antes. “Agradeço a uma pessoa muito querida, muito importante na vida e que, infelizmente, nos deixou anteontem”, disse. “Nós fazíamos seminários conjuntos de histologia e fisiologia para os alunos de Medicina”.
Exemplo de compromisso com a ciência e a educação, agraciada em 2023 com a Medalha Minerva do Mérito Acadêmico, Doris foi pioneira nos estudos de fisiologia endócrina. Integrante honorária da Academia Nacional de Medicina, a docente inspirou a formação de centenas de endrocrinologistas e pesquisadores.
Foto: João LaetCantos de pássaros, cheiro de folhas e animais silvestres por todos os lados. Desde o último dia 19, basta atravessar um portão da Casa da Ciência da UFRJ, em Botafogo, para sair da selva de pedra carioca e passear por um pedacinho da Mata Atlântica. É a nova exposição “Floresta em Jogo - uma aventura pela biodiversidade”, que fica em cartaz na universidade até 20 de dezembro.
“A exposição é um jogo que estimula o aprendizado sobre o bioma da Mata Atlântica: sua fauna e sua flora. É uma experiência imersiva muito interessante que todos estão convidados a conhecer”, afirmou o diretor da Casa da Ciência, professor Ismar Carvalho, na inauguração.
“A gente percebeu que essa dinâmica de jogo atrai bastante o público e ajuda a entender o conteúdo apresentado”, reforça Lívia Mascarenhas, produtora cultural e uma das curadoras da mostra. “Tudo foi construído nessa ‘vibe’ de RPG (Role-playing Game)”, completa.
O ponto de partida da brincadeira é a “ibirá” (árvore, em tupi). Um visor no tronco cenográfico apresenta as instruções do que fazer dali em diante. Ao longo da mostra, eles passam por diversas estações, coletando informações que deverão ser transformadas em um código.
Na fase final, após um diálogo sobre a preservação da Mata Atlântica, o código encontrado será inserido em um teclado para “despertar” uma segunda árvore cenográfica – a embaúba, símbolo da recuperação ecológica. “A embaúba está dormindo e os visitantes-jogadores precisam acordá-la. Ela foi escolhida por servir a muitos animais e a outras plantas dentro do bioma”, diz Lívia.
Coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, a professora Christine Ruta destacou a importância da exposição. “É um dos biomas fundamentais para a gente conversar com a sociedade”, disse.
A AdUFRJ apoiou a realização da mostra. “Temos compromisso com a produção científica, com o ensino e também com a divulgação científica”, afirmou a presidenta do sindicato, professora Ligia Bahia. “Tive a oportunidade de visitar a exposição e fiquei absolutamente encantada. É um reino encantado. Acredito que será o maior sucesso”, completou.
Foto: Alessandro CostaDepois de quatro anos fechado para reformas, o Museu da Geodiversidade do Instituto de Geociências da UFRJ reabriu no último dia 3 de junho com um mergulho nas “Memórias da Terra”. A fascinante exposição retrata as diferentes eras do nosso planeta. Cada sala revela origens e estruturas minerais - como um supergeodo de ametista do Sul do Brasil - e conta a história da evolução dos primeiros seres vivos, até chegar aos humanos. Reconstruções de dinossauros e de grandes mamíferos, além de exposições de fósseis reais são algumas das novidades da coleção que promete encantar todas as idades.
O espaço passou por uma ampla revitalização, com obras estruturais como a reforma dos telhados e calhas, além impermeabilização de paredes, pintura, readequação das saídas de emergência e construção de nova sala de exposição, voltada a atividades educativas e oficinas. Os recursos foram disponibilizados por meio de emendas parlamentares do deputado federal Chico Alencar, que é professor licenciado da UFRJ.
Logo na entrada, o meteorito Campinorte saúda os visitantes. Incorporado ao acervo da UFRJ em agosto de 2021, o Campinorte é terceiro maior meteorito do Brasil. Pesa aproximadamente 1,5 tonelada e tem cerca de 4,5 bilhões de anos. Ele foi descoberto em uma fazenda no município de Campinorte, a 300 km de Goiânia. Estima-se que tenha caído no planeta há mais de mil anos.
“Essa exposição é uma tentativa de resgatar a história desse planeta, desde a sua formação, e de refletirmos sobre os futuros possíveis”,
Foto: Fernando Souza afirma a diretora do museu, Adriana Vicente (foto ao lado), que recebeu a reportagem da AdUFRJ para uma visita exclusiva. “É um acervo científico riquíssimo, organizado numa exposição cenográfica. Nosso principal público é formado por crianças, então é uma exposição que tem acessibilidade, ludicidade e interatividade”, conta diretora, que é produtora cultural da universidade.
A Sala dos Mares mostra formações rochosas e estruturas de ferro. Algumas, com idade estumada de 2,7 bilhões de anos. Um quartzito com marcas de ondas, que se formou há cerca de 1,5 bilhão de anos, é uma das peças mais encantadoras. “Essa sala nos mostra que o sertão já foi mar no nosso país”, ilustra a diretora.
Coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, instância à qual todos os museus da universidade são vinculados, a professora Christine Ruta comemorou a reabertura do espaço. “Os museus universitários têm uma importância ímpar no Brasil. Eles guardam parte fundamental da memória científica, cultural e educacional do país”, afirmou.
Foto: Alessandro CostaApesar da importância, ela destaca o reconhecimento e financiamento ainda aquém do necessário para a manutenção dos museus no país. “Infelizmente, ainda convivem com fomento insuficiente para que esses espaços, tão essenciais para a pesquisa, o ensino, a extensão e a formação cidadã, possam viver plenamente sua missão junto à sociedade”, disse. “Por isso, a reabertura do Museu da Geodiversidade é uma notícia tão importante. Revitalizar esse espaço significa reafirmar o compromisso da universidade pública com a preservação do patrimônio científico, com a democratização do conhecimento e com o diálogo entre ciência, educação e sociedade”.
SERVIÇO
O Museu da Geodiversidade funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e fica localizado no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN). A entrada é gratuita. Grupos podem agendar visitas guiadas pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. As visitas de grupos contam com mediação de estudantes do Instituto de Geociências.
João Saboia
Professor emérito do
Instituto de Economia da UFRJ.
E-mail:Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Tenho discutido em artigos no Valor Econômico o comportamento da produtividade do trabalho no Brasil nos últimos anos. Os dados são bastante desfavoráveis. Excetuando-se os casos da agropecuária, da indústria extrativa mineral, dos serviços industriais de utilidade pública e da intermediação financeira, a regra geral tem sido a estagnação ou queda da produtividade nos últimos trinta anos.
O período mais favorável para a evolução da produtividade agregada na economia brasileira no passado recente ocorreu entre 2003 e 2013, quando a produtividade por pessoal ocupado cresceu 20,9% e a produtividade por horas trabalhadas aumentou 25,2%. Tal diferença se deve à redução das horas trabalhadas por pessoa ocupada no período.
Analisando-se a evolução da economia como um todo, observa-se que esses anos coincidem com um crescimento excepcional do PIB, totalizando 48,3% na referida década. Em outras palavras, dependendo da medida de produtividade do trabalho utilizada, pode-se afirmar que cerca de metade do crescimento da economia foi transferido para a produtividade.
Tal associação entre crescimento do PIB e da produtividade nos remete à Lei de Kaldor-Verdoorn (LKV). Trata-se de um resultado originalmente formulado por Petrus Verdoorn e desenvolvido por Nicholas Kaldor, onde, no longo prazo, o aumento da produtividade seria induzido pelo crescimento da produção, impulsionado pelos retornos crescentes de escala. Tal resultado destaca o papel central da indústria como setor dinâmico da economia, que ao aumentar a produção geraria ganhos de eficiência. Embora originalmente a LKV tenha sido pensada para a indústria de transformação, vários estudos têm sido desenvolvidos para outros setores da economia com resultados satisfatórios.
A experiência brasileira, desde o início dos anos 1980, a partir dos dados de crescimento econômico e da evolução da produtividade do trabalho por pessoal ocupado mostra uma nítida associação positiva entre as duas variáveis. Destacamos alguns anos de alto crescimento econômico (1985, 1986 e 2010). Nos três casos, a produtividade cresceu, especialmente em 2010, quando houve um aumento de 7,5% no PIB e de pouco menos de 6% na produtividade do trabalho. Os destaques negativos em termos de crescimento econômico (1983, 2015, 2016 e 2020) representam anos de queda da produtividade, exceto 2020, por conta da Covid, que retirou importante parcela do setor informal da economia, acarretando crescimento de cerca de 5% na produtividade
A discussão da produtividade do trabalho torna-se ainda mais importante nesse momento em que estamos chegando ao fim da escala 6x1 com redução da jornada de trabalho no país. Em nosso artigo “Produtividade, Investimento e Escolaridade” publicado no Valor Econômico em 30/11/2023, discutimos a importância dos investimentos e da escolaridade dos trabalhadores na evolução do nível de produtividade do trabalho no Brasil. A falta de crescimento econômico, entretanto, dificulta que tais efeitos sejam integralmente repassados à produtividade.
A redução da jornada máxima de trabalho e a eliminação da escala 6 x 1 trazem ao centro da discussão a questão da estagnação da produtividade do trabalho nos últimos anos. Até que ponto tais mudanças serão compatíveis com o que se passa em termos de produtividade no país?
Há vários argumentos favoráveis à redução da jornada de trabalho no Brasil, que vão da melhoria das condições de trabalho, ao crescimento do tempo dedicado ao lazer e à família, à busca de aproximação ao padrão internacional dos países mais desenvolvidos e aos efeitos indiretos sobre o aumento da produtividade no futuro. As críticas estão mais voltadas para a elevação do custo do trabalho, os reflexos sobre a inflação e o risco de aumento do desemprego.
Como é usual, não há consenso entre os economistas. Em artigo publicado no Valor Econômico em 22/02/2026, por exemplo, o economista Naércio Menezes Filho mencionou a experiência da redução de 48 para 44 horas semanais determinada pela Constituição de 1988, mostrando que os custos para as empresas foram relativamente pequenos e não houve aumento do desemprego. Já Fernando de Holanda Barbosa Filho, no mesmo jornal, em 26/02/2026, chama a atenção para os riscos de substituição de trabalhadores, aumento do desemprego e da informalidade com a aprovação da atual mudança. Argumenta que “devemos buscar ganhos de produtividade para alcançar os reais avanços de bem-estar que a sociedade brasileira tanto almeja e merece”.
Concordamos com os argumentos favoráveis à redução da jornada de trabalho para o máximo de 40 horas semanais, mas simultaneamente é preciso tirar o país do atual atoleiro em que se encontra a produtividade do trabalho. Segundo o IBGE, a jornada média de trabalho no país em 2024 era de 38,4 horas semanais. Portanto, importante parcela dos trabalhadores não será atingida com a redução para 40 horas. Mas alguns setores com jornadas mais elevadas certamente serão afetados. Já a proposta de redução para 36 horas semanais poderia permanecer como uma ambição para o futuro, quando a produtividade voltar a crescer como no período 2003/2013.
Conforme os resultados sugeridos pela LKV e confirmados pela experiência brasileira das últimas décadas, o fim da escala 6 x 1 e a redução da jornada para o máximo de 40 horas semanais poderão ser absorvidos pela economia com mais facilidade se o país voltar a crescer por um longo período a taxas mais elevadas. Tal crescimento, especialmente se associado à recuperação dos investimentos e à melhoria do ensino e da escolaridade dos trabalhadores, deverá contribuir para o aumento da produtividade do trabalho, que teima em permanecer estagnada há vários anos.
Este texto está baseado no artigo do autor publicado no Valor Econômico em 31/03/2026.