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A eleição mais importante de nossas vidas coloca dois Brasis em jogo:
O que exclui e o que inclui. O que censura e o que liberta.
O das armas e o dos livros. O que manipula e o que ensina a pensar.
O que mata e o que faz esperançar.
Com a certeza de que essa é a única e fundamental escolha a ser feita no dia
25, a ADUFRJ conclama o voto em Lula e participa dos atos da campanha pela
reeleição do presidente.
Participe, nas ruas e nas redes. Juntos, precisamos fazer o amor vencer o ódio!
Filiados poderão aderir, sem carência, entre 19 de outubro e 18 de novembro









Primeiro ecólogo formado no Brasil, cientista brilhante, dono de uma invejável capacidade de articulação política, colega generoso e fundador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade em Macaé (NUPEM), o professor Francisco de Assis Esteves recebeu o título de emérito da UFRJ, na tarde de ontem, em uma concorrida cerimônia realizada no Auditório Quinhentão do Centro de Ciências da Saúde.
Irrequieto como sempre, Chico – como é conhecido pelos mais próximos – anunciou que não vai reduzir suas atividades nesta nova fase da vida, ainda mais diante do delicado momento político do país. “Pertenço a uma comunidade chamada ‘Sonhadores Contumazes’. Quem está lá? Filósofos, poetas e pescadores. Nós amamos o que fazemos e não paramos de trabalhar até partir”, disse o agora primeiro docente emérito do Nupem.
“Principalmente nesse momento da universidade pública, que está sofrendo tantos ataques, não é a hora de tirar o corpo fora. Sou filho da Minerva e o filho da Minerva não corre da raia. O filho da Minerva vai enfrentar os desafios”, afirmou. “É a hora de me dedicar ainda mais à nossa Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vou trabalhar mais ainda para que nós possamos ajudar a sociedade no caminho de uma sociedade mais equânime economicamente, socialmente e ambientalmente”.
O reitor Roberto Medronho encerrou a cerimônia, reforçando os diversos predicados de Chico Esteves. “Estamos homenageando alguém que soube transformar conhecimento em instituição, ciência em preservação, pesquisa em desenvolvimento regional e sonho em universidade pública presente no território”, disse.
“Homenageamos também o homem simples, o amigo leal, o companheiro de Rosa, o pai de Bruna e Lívia, o avô apaixonado de Tom, Luíza, Maria Eduarda e Joaquim. O professor que continua ensinando, mesmo quando está simplesmente passeando com os seus netos”, completou.
Foto: Fernando Souza‘Mais do que nunca aquela expressão ‘a esperança venceu o medo’ é fundamental. A gente precisa fazer com que a esperança vença o medo”, afirmou a presidenta da ADUFRJ, professora Ligia Bahia, na mesa redonda do dia 8 em que debateu com o professor e também diretor do sindicato Michel Gherman sobre os resultados do primeiro turno e as estratégias para derrotar a extrema direita. “Na nossa primeira reunião de diretoria depois do primeiro turno, nós decidimos que entramos no modo de resistência. Ou seja, nós já estamos resistindo. Essa reunião de hoje é um ato de resistência”, completou.
“É preciso chamar todos para a disputa contra um retrocesso civilizatório que a gente não tem noção do que vai ser. É preciso ter o coração aberto para vencer essa eleição”, conclamou Michel Gherman, no encontro realizado no auditório Manoel Maurício de Albuquerque, no campus da Praia Vermelha. “É preciso entender que o debate é, sim, contra o fascismo. E de todas as extremas direitas no mundo hoje, quiçá com exceção da extrema direita alemã, a AfD (o partido Alternativa para a Alemanha), a que mais se parece com o nazismo é a brasileira”, completou.
Na avaliação do docente, parte do eleitorado bolsonarista é mobilizada por uma gramática fascista, que substitui o debate racional por uma lógica baseada essencialmente no medo, no ressentimento, e na ameaça constante. “Eles acreditam profundamente que há pessoas controlando o sistema e eles reagem, resistem a esse sistema. Nós temos que parar de falar de negacionismo”, afirmou Gherman. “O debate é conspiração. Eles acreditam numa conspiração. Isso está qualificando o debate da extrema direita: o Lula faz parte da conspiração, os professores de história fazem parte da conspiração, vacina tem a ver com conspiração”, disse.
Para o docente, a resposta dos setores progressistas não pode se limitar à defesa das instituições existentes. É preciso recuperar a capacidade de imaginar transformações sociais, valorizar as políticas de inclusão e apresentar um projeto de futuro que se contraponha à nostalgia de um passado idealizado pelos adversários. “É preciso falar sobre o futuro. Um elemento fundamental da gramática fascista é que o fascismo se estabelece a partir de um projeto de passado”, contou.
O professor argumentou que a democratização do acesso às universidades é um exemplo que pode ser utilizado na disputa da sociedade. “Eu estudei em uma universidade em que não havia pessoas que não morassem nos bairros que eu morava e que não tivessem a minha cor. E dou aula em uma universidade absolutamente diferente da que eu estudei. Estou falando de 25 anos de diferença”, afirmou.
“A inclusão produzida num país baseado na exclusão na sua perspectiva mais radical produziu ódio de certa elite. Esse ódio da elite pela inclusão do outro deve ser acionado. Nós temos que dizer: ‘O ódio deles é contra vocês’. Nós temos que investir na esperança, na inclusão, na possibilidade de um país colorido, livre, dentro da universidade”, observou Gherman. “O fascismo se disputa com desejo, não com ideologia”.
ESPERANÇA
O papel dos pesquisadores, argumentou a presidenta da ADUFRJ, é fundamental nessa resistência. “A nossa tarefa é compreender esse mundão que nós vivemos e, se possível, também transformar esse mundão que a gente vive para melhor”, acrescentou.
Ligia enfatizou o que está em jogo. “Nós estamos sob ataque. Vocês viram que o programa do Flávio Bolsonaro é de corte de recursos públicos. O programa do Bolsonaro é de transferência das universidades federais para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Isso está dito no programa. Isso está explicitado no programa. Há uma intenção clara de considerar que as universidades públicas produzem um conhecimento que não interessa”.
BARBÁRIE
Alguns professores da plateia também compartilharam a preocupação com o momento atual. Entre eles, Luiz Carlos Prado, do Instituto de Economia, contou que dá aula de história econômica do século XX. “Semana passada, ao falar da Grande Depressão dos anos 1930, estava revendo toda a questão da ascensão do fascismo naquele período. Gostaria de dividir com vocês uma angústia, porque há muita semelhança com o momento que nós vivemos atualmente. Claro que há elementos diferentes porque o tempo é outro, mas o fenômeno é o mesmo”.
O professor alertou que a ameaça atual alcança a própria instituição universitária. “Nós estamos sob ameaça. O governo militar que eu vivi nos perseguiu, perseguiu cursos, perseguiu pessoas, mas não perseguiu a instituição universidade. Nós estamos de frente não com um governo de direita, mas com a ameaça da barbárie”.
Vai ter festa do Dia do Professor junto da campanha de apoio à reeleição do presidente Lula. A diretoria da ADUFRJ anunciou ao Conselho de Representantes desta terça-feira que fará uma comemoração no dia 16, à noite, no Clube dos Macacos, no Jardim Botânico. Será a Festa da Esperança. “Temos que ter alegria para vencer a extrema direita”, afirmou a presidenta do sindicato, professora Ligia Bahia. “Precisamos que nos ajudem a divulgar. Não precisa ser professor filiado à ADUFRJ para participar”, completou. Em breve, serão divulgados mais detalhes em nossas redes.
Às vésperas de completar um ano de gestão, a diretoria da ADUFRJ também apresentou ao Conselho de Representantes um breve balanço das atividades realizadas até aqui. Debates com o chanceler Celso Amorim, com o historiador Omer Bartov e com Frei Betto, a inédita colônia de férias, a participação na Rede Universitária Segurança para todos e o processo de construção da sede própria foram alguns dos destaques. “Trabalhamos bastante e conseguimos levar adiante esse conjunto de atividades”, disse Ligia.
Uma das iniciativas, de visitas às unidades para ouvir as demandas dos colegas, terá continuidade. O Conselho de Representantes já aprovou as próximas datas e locais: 27 de outubro, no IFCS; 11 de novembro, no Centro Multidisciplinar de Macaé; 23 de novembro, na Escola de Serviço Social; e 14 de dezembro, no Instituto de Psicologia.
A direção falou ao CR ainda sobre a recente assinatura de contrato com a FioSaúde, um plano de assistência médica dos servidores da Fiocruz administrado no modelo de autogestão (sem fins lucrativos). Os professores poderão aderir ao novo plano, que cobra valores abaixo da média do mercado, a partir de 19 de outubro. Haverá plantões de atendimento para tirar dúvidas dos filiados também a partir do dia 19.