Accessibility Tools

facebook 19
twitter 19
andes3
 

filiados

Aqui tem Professor. Esse é o lema da nova campanha de valorização das atividades docentes que a AdUFRJ vai lançar nos próximos dias. A ideia do projeto é mostrar as várias faces do trabalho de professoras e professores da UFRJ nos campi e nas unidades isoladas da universidade. Ao todo, 2.233 mulheres e 2.319 homens dão aulas, são gestores, pesquisam, produzem conhecimento, artes, cultura, ciência, formam, orientam e fazem história. Tudo com excelência, compromisso e dedicação, em um trabalho que atravessa gerações, há mais de um século. A campanha inclui peças voltadas para o público externo e interno, com windbanners, adesivos, reportagens, outdoors, cartazes, bolsas, cadernetas e muita disposição para mostrar e enaltecer o trabalho docente — veja algumas dessas peças. A UFRJ tem docentes que mudam o futuro. 

 

WhatsApp Image 2026 03 24 at 19.55.42 WhatsApp Image 2026 03 24 at 19.55.42 1 WhatsApp Image 2026 03 24 at 19.55.41 1 WhatsApp Image 2026 03 24 at 19.55.42 2 WhatsApp Image 2026 03 24 at 19.55.42 3

WhatsApp Image 2026 03 24 at 19.55.42 4Uma pesquisa inédita feita pelo Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA/UFRJ) mostra que o isopor proveniente de quentinhas e embalagens de alimentos é hoje o principal responsável pela contaminação por microplásticos da areia da orla costeira do Rio de Janeiro. Foi constatada a presença do material em 70% das amostras de areia coletadas na Praia Vermelha, na Urca, Zona Sul do Rio, local escolhido para a pesquisa.

“Quando se descarta na areia uma embalagem de quentinha, ela vai gerar o microplástico. Infelizmente verificamos um aumento enorme da quantidade de isopor, o poliestireno expandido (EPS). Ele só tem 2% de polímero, o resto é ar. Então se quebra facilmente, pode se fracionar em pequenas partículas que o vento leva, o mar leva, a chuva leva. E isso vai parar em algum lugar. Hoje ele é onipresente. E isso é assustador”, constata a diretora do IMA, professora Maria Inês Tavares.

TRABALHO PIONEIRO
O estudo foi iniciado em dezembro de 2022 como pesquisa de mestrado da hoje doutoranda Marina Sacramento, sob orientação de Maria Inês Tavares. “Foi até uma surpresa para mim constatar que foi a primeira pesquisa de campo em microplásticos do IMA e da UFRJ. A área escolhida foi a Praia Vermelha, um local pequeno e de grande movimento, inclusive um ponto turístico. E constatamos que 70% das amostras continham o poliestireno expandido (EPS), proveniente basicamente de marmitas e embalagens descartadas na areia. Identificamos outros tipos de polímeros, em menor quantidade, como polipropileno e polietileno”, relata Marina.

Em cinco seções da praia, um total de 32 microplásticos foram identificados, sendo o poliestireno o polímero predominante. Por meio da microscopia óptica, a pesquisa revelou que a forma mais comum de microplásticos era a espuma, com diâmetros médios das amostras variando de 2 a 4 milímetros.

Segundo a doutoranda, o estudo não se resumiu a validar um protocolo de coleta e extração. “Foi também realizado in loco um trabalho de flotação (separação de misturas), que geralmente é feito em laboratório. E esse trabalho de campo está sendo expandido agora em meu doutorado. Fizemos coletas mensais em 2025. E agora em 2026 vamos fazer uma a cada estação. Já concluímos a coleta de verão, e virão mais três. Isso vai nos permitir fazer um estudo comparativo dessa poluição proveniente do descarte inadequado de produtos plásticos. É um desafio ambiental”, diz Marina.

A professora Maria Inês Tavares ficou particularmente impressionada com os resultados da coleta de abril do ano passado. “Fizemos logo depois dos feriados de Tiradentes e São Jorge. Foi uma quantidade imensa de microplástico que colhemos. Mais de 400 em apenas um ponto de coleta! É apavorante”, comenta a diretora do IMA. Além da coleta, a pesquisa cumpre mais duas etapas: a higienização, feita em laboratóirio, e a caracterização dos itens coletados, para identificar os tipos de polímeros.

Marina Sacramento destaca que o trabalho de campo atrai muita curiosidade. “Quando fazemos a coleta, muita gente se aproxima, adultos e crianças. É nosso momento ouro, quando fazemos um trabalho de conscientização ambiental, explicando a importância do descarte adequado. Essa pesquisa tem a intenção de transformar dados científicos em um chamado de ação. O que descobrimos na Praia Vermelha acaba sendo um alerta. Esse microplástico encontrado ali não é fruto só de um descarte inadequado naquele local, ele vem também carreado de outros lugares, pelo ar, pela água, pela maré. Isso nos leva a refletir sobre nossas escolhas diárias”, comenta a doutoranda.

PERIGO GLOBAL
Em agosto do ano passado, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) publicou um relatório específico sobre microplásticos, dando a dimensão do perigo que essas substâncias representam para o planeta. O estudo “Microplásticos: um problema complexo e urgente” foi organizado por um grupo de dez especialistas, coordenados pela professora Maria Inês Tavares, e pelos professores Mário Barletta (UFPE) e Adalberto Luis Val, vice-presidente da ABC. Segundo o relatório, cerca de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas todos os anos, das quais apenas 10% são recicladas.

O acúmulo de microplásticos nos seres vivos foi um dos focos do relatório. Eles já foram detectados em peixes, em diversos produtos de origem bovina e suína, em aves, anfíbios e até no mel das abelhas. Estão também em vegetais e cereais como a alface, o arroz, o milho e a soja. Há ainda evidências da presença de microplásticos em seres humanos — já foram detectados no intestino, nos pulmões, no coração, em fezes, na urina e até no leite materno. “Os microplásticos estão ultrapassando duas barreiras fundamentais do nosso corpo, a placentária e a cerebral. Já observamos microplásticos em fetos, inclusive no cérebro”, alertou no estudo o professor Adalberto Luis Val.

Para a professora Maria Inês Tavares, a legislação brasileira sobre o tratamento de resíduos sólidos é muito boa, só que precisa ser cumprida. “Ela é formidável, talvez nem precise de reparos, mas não é respeitada. Nós também queremos ajudar nisso, a implementar políticas públicas”, defende ela.

Outro ponto crucial é a educação ambiental, que deve ser estimulada desde a educação básica. Esse é um trabalho que a diretora do IMA faz espontaneamente desde 2009, em escolas municipais de todo o estado do Rio de Janeiro, em paralelo às suas atividades de professora, pesquisadora e gestora na UFRJ. “Esse trabalho me fascina, eu faço com o maior prazer, vou aonde me chamarem. As crianças entendem rápido e ensinam aos mais velhos. Elas trazem esperança”, diz a professora. Ela já visitou dezenas de estabelecimentos de ensino ao longo desses 17 anos de trabalho voluntário, levando professores e alunos do IMA às palestras.

FUTURO LABORATÓRIO SERÁ DEDICADO A MICROPLÁSTICOS

Já estão fincadas as seis bases de concreto do contêiner que vai abrigar o futuro Laboratório de Microplásticos do IMA. Da janela de sua sala, a professora Maria Inês Tavares mostra o localWhatsApp Image 2026 03 24 at 19.55.42 5 onde será instalado o laboratório, em um terreno entre o prédio do IMA e CT da Ilha do Fundão. “Se tudo der certo, ele vai começar a funcionar este ano. Será um laboratório experimental, com equipamentos de pequeno porte, e um setor voltado à reciclagem de materiais”, adianta a diretora do IMA.

O laboratório ainda não abriu as portas, mas dois de seus futuros frequentadores já estão “na fila”. O professor Paulo Rangel e o aluno de iniciação científica Kauã Becker já trabalham com os materiais oriundos da pesquisa na Praia Vermelha, transformando diversos tipos de isopor em placas que se assemelham a cerâmicas. Kauã conta que os artefatos são produzidos em uma prensa com os resíduos de isopor, ganhando tonalidades variadas de cor: “Temos mais resíduos de isopor branco e preto, mas a mistura produz cores diferentes”

RECICLAGEM
Responsável pelo Laboratório de Aplicações em Nanotecnologia e Polímeros do IMA, o professor Paulo Rangel diz que as placas podem ser utilizadas como azulejos, pastilhas de revestimento de paredes ou pisos, ou mesmo como objetos de decoração. “Esse novo laboratório vai ampliar esse trabalho, que fazemos no intuito de mostrar que esse material pode ser reaproveitado”, explica Rangel.

Alexandre Medeiros, Ana Beatriz Magno, André Hippertt e Silvana Sá

WhatsApp Image 2026 03 11 at 20.13.10Professoras e alunas foram as primeiras vítimas na guerra do Irã. Na madrugada de 28 de fevereiro, primeiro dia do conflito que amedronta Ocidente e Oriente, ataques militares destruíram a escola de Minab, no Sul iraniano, e assassinaram 168 pessoas, a maioria meninas com menos de 12 anos. A ONU pediu apuração rigorosa, imagens do desespero materno cruzaram fronteiras, protestos se multiplicaram, mas o confronto só piora dia após dia. Uma aflição que atravessa oceanos.

No campus do Fundão, uma professora da Matemática e uma aluna da Coppe, ambas iranianas, acompanham com angústia as notícias do confronto. “Era uma escola de Ensino Fundamental, com crianças entre 7 e 12 anos, localizada em uma cidade pequena e não estratégica. É muito preocupante quando civis, especialmente crianças, se tornam vítimas de um conflito”, desabafa Maral Mostafazdehfard, professora de Matemática da UFRJ desde 2019. Três anos depois, sua terra natal implodiu em conflitos detonados justamente pela revolta de mulheres com a multiplicação de perseguições pelo regime dos aiatolás. “O governo proibiu oficialmente as mulheres de ingressar em 77 diferentes áreas de estudo, incluindo Engenharia e Física Nuclear, alegando que seriam “inadequadas” para mulheres. Mesmo quando temos excelentes resultados nos exames, cotas frequentemente limitam nossa admissão em favor dos homens”, lembra Maral.

Se no Irã as escolas e as universidades são vítimas explícitas da violência, no Brasil os campi se esforçam para combater o machismo e a misoginia. O esforço ainda é pouco. Uma pesquisa inédita, cujos resultados o Jornal da AdUFRJ obteve com exclusividade, mostra que 74% dos servidores da UFRJ já foram vítimas de assédio moral, sendo a maioria (67%) de mulheres. Há ainda um agravante sintomático. Menos de 24% das vítimas denunciam o assédio, entre outros motivos por não confiar nos canais de denúncia ou descrer da punição dos algozes.

Há sofrimento, há medo, mas há também o que celebrar. Esta edição do Jornal da AdUFRJ traz uma homenagem especial às professoras, alunas e técnicas da UFRJ, que juntas transformam dor e receio em luta e esperança. No Ensino, na Pesquisa, na Extensão, na Gestão, na vida acadêmica como um todo, elas ampliam sua presença, enfrentando barreiras que parecem intransponíveis, mas, por acreditar que não são, elas persistem, aprendem, ensinam, educam. A elas, as nossas saudações.

Clique nos links abaixo para ler as matérias especiais da edição.

Elas são diversas e querem viver sem medo

'Efeito tesoura' ainda é desafio na academia

Com a palavra, a docente mais jovem da UFRJ

A força feminina para além dos muros da UFRJ

Assédio moral é barreira à ascenção na carreira

Entrevista | Leili Babashahi, 41 anos, iraniana, mestranda da COPPE

Entrevista | Maral Mostafazadehfard, 42 anos, professora I Local de nascimento: Teerã, Irã

A Universidade Federal do Rio de Janeiro construiu, ao longo de sua história, uma tradição de pluralismo intelectual, compromisso com o interesse público e respeito às instituições democráticas e à ética. Essa tradição sempre foi maior que as diferenças políticas, acadêmicas ou pessoais que naturalmente atravessam a vida universitária.

Há pouco menos de seis meses, a comunidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro comemorou o resultado do julgamento, na esfera cível, da ação de improbidade administrativa movida contra o ex-reitor Carlos Levi e outros quatro servidores da instituição.

Após mais de uma década de um processo longo e desgastante, a Justiça Federal reconheceu aquilo que a comunidade universitária sempre soube: que os recursos sob escrutínio judicial, oriundos de um contrato celebrado entre o Banco do Brasil e a Universidade, foram integralmente utilizados em benefício da própria UFRJ, sem qualquer enriquecimento ilícito ou desvio em proveito pessoal dos gestores acusados.

A decisão judicial destacou, inclusive, que os atos administrativos questionados foram praticados com base em pareceres jurídicos institucionais e no contexto de práticas amplamente adotadas pelas universidades públicas brasileiras na gestão de projetos acadêmicos e institucionais — entre elas, a utilização de fundações de apoio, como a Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), para a gestão financeira e administrativa de projetos complexos.

É precisamente à luz desse reconhecimento recente que ex-reitores da UFRJ — representantes de diferentes momentos e orientações na história da instituição — manifestam, conjuntamente, sua profunda preocupação com o processo criminal ainda em curso contra os mesmos gestores.

Não se trata da defesa de indivíduos por vínculos pessoais ou afinidades políticas. Trata-se da defesa da própria universidade e da integridade das decisões administrativas tomadas em seu interesse institucional.

Assim como na esfera cível, os fatos que deram origem ao processo criminal dizem respeito à gestão de recursos destinados ao fortalecimento da UFRJ, viabilizando mais de mil projetos acadêmicos, eventos científicos, obras e diversas iniciativas institucionais que beneficiaram diretamente a comunidade universitária. Foi graças a esses recursos — e à sua execução profissional pela FUJB — que a UFRJ pôde realizar investimentos estruturais importantes, entre eles a construção do Restaurante Universitário Central da Cidade Universitária, construído em apenas dois anos, além de centenas de outras obras e projetos institucionais.

Ao longo dos anos, todos os principais órgãos de controle da administração pública — Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União e Advocacia-Geral da União — reconheceram que esses recursos foram empregados em benefício da universidade, sem desvio de finalidade ou prejuízo ao erário.

Ainda assim, interpretações profundamente equivocadas de aspectos técnicos do caso acabaram resultando na condenação criminal em primeira instância de gestores que atuaram no exercício regular de suas responsabilidades institucionais.

A acusação de peculato contra o ex-reitor e outros dois gestores, por exemplo, baseia-se na suposição de que o Tribunal de Contas da União teria determinado a devolução de valores pagos pela universidade à Fundação Universitária José Bonifácio a título de taxa de administração, como se tais valores representassem um desvio de recursos.

No entanto, a leitura da própria decisão do TCU revela algo inteiramente diverso. O valor cuja devolução foi determinada correspondia apenas ao saldo remanescente existente na conta da Fundação quando o contrato foi encerrado antes da execução integral dos recursos previstos.

Em outras palavras, aquilo que foi interpretado na sentença como devolução de um valor supostamente “desviado” nada mais era do que o saldo residual — o “troco” — que permanecia na conta ao final da execução do contrato, e que, por determinação do próprio Tribunal de Contas, deveria retornar à universidade devidamente corrigido.

A confusão entre esses dois fatos distintos — o pagamento legítimo por serviços prestados e o simples saldo remanescente de um contrato interrompido — acabou transformando um procedimento administrativo regular em acusação criminal. E este está longe de ser o único equívoco presente na sentença condenatória.

Causa especial perplexidade que, diante dos mesmos fatos e documentos, duas esferas da Justiça (criminal e cível) possam chegar a conclusões opostas quanto à própria existência de desvio de recursos. Interpretações jurídicas podem divergir; os fatos, não.

A UFRJ não pode permanecer indiferente diante da possibilidade de que decisões administrativas tomadas em defesa da universidade venham a ser reinterpretadas, anos depois, como condutas criminosas, sem que haja demonstração de dolo, benefício pessoal ou prejuízo ao interesse público.

A preservação da autonomia universitária e da segurança jurídica na gestão das instituições públicas exige que situações dessa natureza sejam examinadas com o máximo rigor técnico, serenidade institucional e respeito aos fatos.

Por essa razão, os signatários desta manifestação expressam sua confiança de que o julgamento em curso na instância recursal permitirá a devida reavaliação do caso à luz das evidências documentais e das conclusões já apresentadas pelos órgãos de controle da administração pública.

Mais do que o destino individual de qualquer gestor, está em jogo a proteção da integridade institucional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o reconhecimento de que decisões administrativas tomadas em benefício da universidade não podem, anos depois, ser convertidas em injustiça judicial.

A história da UFRJ sempre foi construída pela coragem intelectual, pela pluralidade e pelo compromisso com a verdade. É em nome desses valores — que definem a própria identidade da universidade pública brasileira — que esta manifestação é apresentada.

1. Roberto Medronho
2. Carlos Frederico Leão Rocha
3. Denise Pires de Carvalho
4. Roberto Leher
5. Sergio Fracalanzza
6. Paulo Alcantara Gomes
7. Nelson Maculan Filho
8. Alexandre Pinto Cardoso

 

RELEMBRE: PROCESSO TEM CONTRADIÇÕES E INDÍCIOS DE LAWFARE

O reitor Roberto Medronho e sete ex-reitores da Universidade Federal do Rio de Janeiro divulgaram uma carta conjunta em que manifestam preocupação com o processo criminal envolvendo o ex-reitor Carlos Levi da Conceição e outros cinco ex-gestores da universidade.

O documento destaca que a própria Justiça Federal já reconheceu na esfera cível que não houve desvio de recursos no caso. O processo criminal, no entanto, ainda corre. Em decisão de primeira instância, a Justiça decidiu condenar criminalmente os ex-gestores da UFRJ.

O manifesto dos reitores chama atenção justamente para essa contradição: a decisão cível concluiu que os recursos foram utilizados em benefício da UFRJ, enquanto a condenação criminal se baseou na premissa oposta.

Segundo os signatários, parte da acusação se sustenta numa confusão entre a taxa administrativa paga à fundação de apoio e o saldo remanescente — o “troco” — existente na conta ao final do contrato.

No início de março, o Ministério Público Federal recorreu da decisão da primeira instância exigindo o aumento das penas.

Em artigo publicado no Jornal da AdUFRJ, em junho de 2025, o professor Daniel Negreiros Conceição explica que toda a investigação se baseou em denúncias genéricas ao Ministério Público Federal.

“O processo se originou de uma denúncia apresentada por um ex-professor exonerado por graves condutas — entre elas, agressão física a estudante. O docente, conhecido por seu alinhamento ideológico com o integralismo e atuações machistas e homofóbicas, acusou a gestão da UFRJ de desviar cerca de R$ 50 milhões em um contrato com o Banco do Brasil”, afirma o docente em seu artigo. Toda a investigação cível, no entanto, concluiu que não houve peculato, nem enriquecimento ilícito.

Representantes da comunidade acadêmica denunciaram ao longos dos últimos anos que os processos são uma estratégia de lawfare, quando o sistema de Justiça é utilizado politicamente para atingir grupos ou pessoas.

A carta dos ex-reitores também vai nesta linha. O documento pontua o risco de decisões da administração universitária serem reinterpretadas anos depois como condutas criminosas. O texto enfatiza a necessidade de a comunidade acadêmica se manter mobilizada em defesa da autonomia universitária.

O ex-reitor Aloisio Teixeira não sobreviveu a este processo: infartou em julho de 2012, poucos meses depois do início das investigações.

Outra vítima fatal do lawfare foi o ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, o professor Luiz Carlos Cancellier. O docente não resistiu às acusações e morreu tragicamente em outubro de 2017. Ele foi inocentado em 2023.

 

Da Redação

A Semana da Mulher começou com um domingo de sol, muita poesia, luta e dor. O 8 de Março carioca reuniu mulheres de todas as idades na orla de Copacabana para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência de gênero. Enquanto gritavam pela vida, a 45 quilômetros de distância, Tatiana de Carvalho Paulino era assassinada a facadas pelo ex-namorado Alessandro da Silva Carvalho, no Jardim Catarina, em São Gonçalo. Ele não aceitava o fim da relação.

“A AdUFRJ apoia integralmente a pauta do feminicídio zero”, afirma a presidenta Ligia Bahia. “Esta é uma agenda central, sobretudo neste ano eleitoral de 2026”. O Brasil é o 5º país que mais mata mulheres em todo o mundo. O feminicídio é a consequência final das violências de gênero — físicas e simbólicas — que ainda encontram eco na sociedade e reverberam até mesmo em espaços destinados à diversidade e ao conhecimento, como as universidades. “A universidade não é uma ilha”, observa a ouvidora da Mulher, professora Angela Brêtas.

Esta edição especial do Jornal da AdUFRJ convida a uma importante reflexão sobre os avanços conquistados pelas mulheres na carreira científica e os desafios que ainda insistem em permear o ambiente acadêmico. Ouvimos professoras, servidoras e pós-graduandas que carregam um sentimento em comum: a coragem de mudar suas trajetórias e impactar a vida das próximas gerações.

Dados do MCTI mostram que mulheres são maioria das matrículas ativas na pós-graduação. Elas são 57% do total de mestrandos e doutorandos do país. No entanto, no decorrer da carreira acadêmica, o número se inverte. Entre bolsistas de produtividade 1A do CNpq, elas são apenas 23%.

A baixa representatividade é sentida, sobretudo, em cargos de liderança. Um dos entraves a essa ascenção na carreira é o assédio. Pesquisa inédita revela que 74% dos servidores da UFRJ já sofreram assédio moral no ambiente de trabalho. A maioria das vítimas (67%) é de mulheres. Apenas 23% denunciaram a prática. “Elas alegaram falta de confiança nos canais ou na responsabilização do culpado”, diz a professora Alzira Guarany, responsável pela pesquisa.

Se as barreiras são grandes, a força de ultrapassá-las é ainda maior. Especialmente diante do horror da guerra. É o que demonstra a professora Maral Mostafazadehfard. Docente do Instituto de Matemática há sete anos, ela saiu do Irã em busca de liberdade acadêmica e anseia pela paz. “Precisamos continuar tentando, aprendendo e acreditando que é possível construir caminhos de paz”.

Também iraniana, a aluna de mestrado da Coppe, Leili Barbashi, traduz as dores de ser estudante e mulher no regime dos aiatolás. “No Brasil, universidade é um lugar para encontrar sua voz; no Irã, é um lugar onde você aprende a silenciá-la”.

O desejo de seguir construindo caminhos é o que inspira Annah Pinheiro. Aos 26 anos, ela é a professora mais jovem da UFRJ. “Se hoje posso estar aqui, é porque muitas professoras vieram antes e abriram caminhos. Meu desejo é que possamos seguir construindo esse espaço juntas”.

Topo