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311347203 475854434588317 3959515379591965877 nProfessores, estudantes e técnicos da UFRJ estarão na Quinta da Boa Vista, no sábado, dia 8, para protestar contra mais um corte no orçamento da universidade. A UFRJ perdeu R$ 18 milhões em decreto assinado às vésperas da eleição. É o momento de mostrar para a população os prejuízos gerados por um governo que despreza a educação pública. E dialogar para eleger Lula, que tem uma história de comprometimento com o conhecimento.

WhatsApp Image 2022 10 06 at 16.18.13ATUALIZAÇÃO: em função da chuva, o ato marcado para esta sexta-feira, no CCS, foi adiado. Em breve, mais informações sobre a nova data

Amanhã, na escadaria do CCS, as entidades representativas da UFRJ — AdUFRJ, APG, DCE, Sintufrj e ATTUFRJ —, que se reúnem no Fórum de Mobilização e Ação Solidária (FORMAS), realizam um ato contra o último confisco do governo Bolsonaro na verba das universidades. Somente na UFRJ, a "tesourada" foi de R$ 18 milhões.

labIQImagem da câmera de segurança do laboratório
O laboratório Central Analítica de Graduação, do departamento de Química Orgânica do Instituto de Química, pegou fogo esta noite. A sala fica no sexto andar do bloco A do Centro de Tecnologia, mas pertence ao Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza. As imagens captadas pela câmera de segurança da sala mostram que o incêndio começou à meia-noite no local onde ficava o ar-condicionado. Ninguém se feriu. O laboratório possui vedação e porta corta-chamas, o que ajudou a conter o incêndio. “Nossa preocupação com a segurança evitou uma catástrofe”, revela o professor Pierre Esteves, coordenador do laboratório.
O fogo apagou espontaneamente durante a madrugada, sem que ninguém ouvisse o alarme de incêndio. “Não houve vigilância na madrugada. Não tivemos ronda no andar. O alarme tocou a noite toda e ninguém veio conferir”, critica o docente. A decania do CT informa que está apurando o que ocorreu.
O laboratório de pesquisa é um dos mais importantes do Instituto. “Temos equipamentos muito importantes e bastante caros. Alguns novos, que acabaram de ser instalados”, conta o professor Leandro Soter, também coordenador do laboratório. Juntos, os equipamentos custam cerca de R$ 2,5 milhões.
“Estamos torcendo para conseguir resgatar ao menos alguns deles”, conta o professor Pierre. “Há muita fuligem e os equipamentos foram submetidos a um grande calor. Estamos aguardando a Defesa Civil para fazer a avaliação das estruturas. Antes disso, não podemos entrar para fazer essa avaliação”, completa.
O prejuízo material e para a pesquisa é imenso. A Coppe e unidades do Centro de Ciência da Saúde também utilizavam o laboratório para testes e análises químicas. Mas não só. Outras universidades do Rio de Janeiro também precisam de seus equipamentos. Ele é o único no estado a possuir um analisador de área superficial e porosidade (ASAP) 2060. “Temos parceria com a PUC-Rio, com a Uenf entre outras universidades do nosso estado que utilizam este equipamento”, revela o professor Pierre.
A falta de estrutura é uma queixa do professor. “Ocupamos provisoriamente esse prédio desde 1961. Nossas instalações são as mesmas, nossos laboratórios são os mesmos. Não podemos mais ter laboratórios experimentais de pesquisa junto de salas de aula e laboratórios de graduação”, critica o docente.
QUEDA DE LUZ
Na manhã desta segunda-feira, o Centro de Tecnologia ficou sem luz por aproximadamente uma hora. O administrador substituto da sede, Evanilson Nascimento, contou que um fusível queimou na subestação do prédio. O incidente não teve relação com o incêndio. Na hora em que a luz caiu, quatro pessoas ficaram presas no elevador por dez minutos. “Os bombeiros já tinham chegado para conferir o estrago no laboratório e resgataram rapidamente quem estava preso no elevador”, disse. A luz foi restabelecida às 10h30.
 
Pode ser uma imagem de texto que diz "23 2011. 06.30 2011.06.30 30 2011.09.30 2011. 30 2011.12.31 2012.03.31 2012.06.30 2012.0 201 2814 826 605 2824 345 450 501 022 20s 3 3 495 163 3858 82% 844 110 758 342 3 4 484 530 179 29 財: จ8้า 8 8 000 ၁00 7 000 000.00 00 + 3 2 NO"Na véspera das eleições, o governo Bolsonaro aplicou um novo corte nas universidades federais: 5,8%, desta vez. Na UFRJ, que já estava em situação orçamentária crítica, o percentual representa menos R$ 18 milhões para a manutenção das atividades até o fim do ano. "Se o corte não for revertido, não conseguiremos pagar as contas de setembro e parte de outubro, como tínhamos planejado", informa o pró-reitor de Finanças, professor Eduardo Raupp. O contingenciamento foi aplicado em praticamente todos os ministérios pelo Decreto nº 11.216, publicado no dia 30. A norma prevê uma limitação de empenho de recursos até novembro; no dia 1º de dezembro, os valores seriam descontingenciados. "Mas não há garantia de que não possa haver uma nova normatização que mude este quadro", alerta a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em nota. "Lamentamos, por fim, a edição deste Decreto que estabelece limitação de empenhos quase ao final do exercício financeiro, mais uma vez inviabilizando qualquer forma de planejamento institucional, quando se apregoa que a economia nacional estaria em plena recuperação. E lamentamos também que seja a área da educação, mais uma vez, a mais afetada pelos cortes ocorridos". A diretoria da Andifes está convocando uma reunião extraordinária de seu conselho pleno para discutir o assunto amanhã, dia 6.

WhatsApp Image 2022 09 30 at 20.22.54 1Por Denise Pires de Carvalho
Reitora da UFRJ

 

O ano de 2022 marca o bicentenário da independência do Brasil e uma escolha política das mais importantes desde a redemocratização do país. No próximo domingo, dia 2 de outubro, devemos escolher qual o projeto de nação que defendemos para nos tornarmos um país finalmente desenvolvido e menos desigual. Essa é a real polarização em jogo: os que lutam pela verdadeira independência e pelo desenvolvimento do Brasil e aqueles que o querem manter como um país periférico e subserviente aos interesses das potências econômicas internacionais. Essa última escolha tem como resultado a manutenção da desigualdade social, a insegurança pública, dentre outras mazelas brasileiras.

Não há exemplo de país no mundo que tenha se desenvolvido em termos socioeconômicos sem investimento em educação, ciência e tecnologia. Nenhum país que pretende se desenvolver pode prescindir de educação básica de qualidade e da educação superior associada à produção de conhecimento, que se reflete em maior capacidade de inovação.

Enquanto os países mais ricos e desenvolvidos aumentaram o investimento em pesquisa e desenvolvimento durante a pandemia, o Brasil vem assistindo ao desmonte das suas universidades e centros de pesquisa, que estão asfixiados com os sucessivos cortes nos orçamentos dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Esses ministérios são estratégicos e deveriam ser liderados por profissionais altamente qualificados e que defendam o modelo de Brasil soberano. Caso contrário, continuaremos patinando no subdesenvolvimento. Neste século, os países que não investem em inteligência artificial, novas formas de energia, inovação social e disruptiva, atenção à saúde ou na descoberta de novos fertilizantes estará escolhendo um futuro incerto como nação.

É urgente aumentarmos o acesso e a permanência no ensino superior, o número de mestres e doutores e a formação qualificada de professores para melhorar a educação básica. Devem ser essas as nossas urgências e não se pode avançar neste sentido sem investimento adequado por parte do Estado, conforme previsto na Constituição de 1988.

Nosso povo não merece continuar a ser explorado. Nossos biomas e nossas riquezas não devem ser utilizados para concentração de renda e nossas instituições de saúde, ensino e pesquisa devem parar de ser desqualificadas. Vamos escolher aquele que sempre esteve do lado da ciência, da educação de qualidade, contra o obscurantismo, a favor do desenvolvimento da nação brasileira, pois o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e das instituições de Estado é um projeto que deve ser retomado no país o mais rápido possível, para garantir mais dignidade ao nosso povo.

Apesar de sermos independentes sob o ponto de vista legal e termos uma Constituição cidadã vigente, não somos uma nação verdadeiramente independente sob vários aspectos, o que foi confirmado durante o enfrentamento da pandemia pela Covid-19. Nesses últimos anos, assistimos perplexos à demonstração inequívoca da nossa total dependência de outros países do mundo para obtermos insumos farmacêuticos diversos, equipamentos hospitalares, fertilizantes, entre outros bens de consumo que poderiam ser produzidos no próprio país. Inclusive, a nossa atual Constituição tem sido perigosamente modificada ao longo do tempo.

Nos primeiros 100 anos após a proclamação da independência, a pobreza não foi combatida, sequer havia ensino superior consolidado e a educação básica era incipiente no país. Ou seja, naquela época continuamos perpetuando o modelo de país colonizado e com enorme parte de sua população alijada de educação e renda digna.

Durante os 100 anos subsequentes, houve avanços, porém a sociedade brasileira fez algumas escolhas políticas equivocadas e não privilegiou a educação e a ciência. Este fato, associado ao fenômeno da globalização das últimas décadas, promoveu a progressiva desindustrialização da nação, o aumento da pobreza e a dependência cada vez maior da importação de bens de consumo de alta tecnologia, que têm maior valor agregado. Com enorme mercado consumidor, por que dependemos da importação de insumos básicos para a produção de vacinas e medicamentos, por que não refinamos nosso próprio petróleo, dentre outras ações que diminuiriam o custo de vida da população, além de gerar mais empregos e renda? Se ao contrário, tivéssemos perseguido o modelo de nação independente, o que depende de financiamento suficiente por parte do Estado, já poderíamos ser exportadores de alta tecnologia.

Há alguma capacidade técnico-científica que foi instalada, com muita dificuldade, no Brasil nas últimas seis décadas, o que propiciou a transformação tecnológica nacional. Cito alguns exemplos importantes desse processo e que estão profundamente enraizados na UFRJ: tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas, um projeto bem-sucedido de um dos primeiros trens de levitação do mundo e carros com motor movido a etanol e, mais recentemente, a hidrogênio. São descobertas científicas e tecnológicas que geraram riquezas, mas poderiam ter sido muito melhor aproveitadas pela nação.

Ressalto que a ciência brasileira é muito recente, pois foi estruturada há menos de um século, além de ser subfinanciada devido à escolha equivocada de alguns governantes. Sabemos que o país está polarizado e identificamos dois grupos bem diferentes.

Por um lado, há os que tentam mantê-lo a todo custo como colônia de exploração. Devemos refletir sobre os interesses velados daqueles que almejam manter o nosso país subdesenvolvido. Desta vez, a exploração da nação, de suas terras, riquezas e do seu povo, vem sendo realizada por esses mesmos grupos internos que se beneficiam financeiramente no curto prazo e não têm projeto coletivo de nação que se projete soberana no futuro.

Do outro lado, existem aqueles que sonham com o verdadeiro desenvolvimento do país. É com esse lado, soberano, altivo, emancipatório, cidadão, que sonho que a UFRJ contribua. Sem medo e com esperança.

Bom voto !

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