WhatsApp Image 2021 12 03 at 18.40.05EDUARDO VALDOSKI
Assessor da AdUFRJ e secretário-executivo do Observatório do Conhecimento

Após quase dois anos de encontros exclusivamente virtuais, os representantes do Observatório do Conhecimento fizeram uma importante reunião de planejamento em Brasília, na terça-feira, 30. O evento terminou com visitas ao Congresso Nacional, onde os professores se reuniram com parlamentares. O Observatório é uma rede nacional de sindicatos e associação docentes. A AdUFRJ ocupa a secretaria-executiva.
 Nas conversas no Congresso, os docentes do Observatório fizerem uma intensa bateria de conversas com os parlamentares. A primeira delas, com o deputado Professor Israel Batista (PV/DF), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público. O deputado sinalizou que a PEC 32, da reforma administrativa, não deverá ser votada neste ano nem no próximo. Os encontros no Parlamento foram intensos – e diversos, como é característica histórica do Observatório.
Os docentes levaram suas preocupações para parlamentares de amplo espectro político. Fizeram reuniões com os deputados Bira do Pindaré (PSB/MA), Rosa Neide WhatsApp Image 2021 12 03 at 18.40.051(PT/RO), Sâmia Bomfim (PSOL/SP), Paulo Teixeira (PT/SP), Gastão Vieira (PROS/MA), Rogério Carvalho (PT/MG), General Peternelli (PSL/SP), Luísa Canziani (PTB/PR) e com o senador Marcelo Castro (MDB/PI).

ORÇAMENTO
O encontro de Brasília começou com um debate com reitora da UnB e vice-presidente da Andifes, Márcia Abrahão Moura. A professora expôs os desafios que as universidades públicas terão no próximo ano e  relatou as negociações com a Comissão Mista de Orçamento para recompor os recursos orçamentários das instituições federais de ensino.
A expectativa é que a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 destine para as universidades valores próximos aos níveis de 2019, após seis anos consecutivos de cortes. O acompanhamento do orçamento das universidades e a denúncia dos cortes são elementos constitutivos do Observatório do Conhecimento.
Para dar mais visibilidade ao tema orçamentário, o Observatório passará a publicar o Índice do Orçamento do Conhecimento. A proposta é divulgar uma análise dos recursos destinados às universidades, institutos federais, centros de pesquisa e agências de fomento realizando uma comparação com os anos anteriores e indicando o volume de recursos perdidos desde o início dos cortes.

WhatsApp Image 2021 12 03 at 18.40.061PLANEJAMENTO PARA 2022
A reunião de Brasília detalhou as prioridades do Observatório em 2022.  Logo no início do ano, serão retomados os diálogos com os parlamentares para reativar a Frente Parlamentar em Defesa e pela Valorização das Universidades Federais. Também será priorizada a convocação de audiência pública com a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia; Direitos Humanos e Minorias; e Cultura. O objetivo da audiência será apresentar a pesquisa sobre a Liberdade Acadêmica, realizada em 2021 pelo Observatório em parceria com a SBPC e o LAUT (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo, da USP).
A pesquisa reúne imenso volume de dados e já pode ser considerada o maior estudo sobre o tema no país. O questionário está aberto até 15 de dezembro de 2021.
Em 8 de março, dia Internacional da Mulher, o Observatório lançará a websérie “Mulheres fazem ciência”, que destacará a presença científica feminina.
O mês de abril será marcado pelo lançamento do relatório da pesquisa sobre liberdade acadêmica. Serão produzidos outros materiais como uma série em podcast, papers para revistas científicas, artigos para a imprensa, audiência pública no Congresso Nacional, apresentação dos resultados para grupos estratégicos, além da elaboração de peças legislativas que protejam a liberdade de cátedra.
Em maio, como forma de manter vivo o espírito das grandes mobilizações do #15M, de maio de 2019, e como forma de divulgar a produção das universidades, o Observatório realizará os eventos “Conhecimento na Praça”, com a exposição pública de trabalhos realizados nos laboratórios e salas de aula. WhatsApp Image 2021 12 03 at 18.40.062
Também no primeiro semestre de 2022, com a previsão legal de revisão da lei de cotas no próximo ano, o “Pequeno Guia em Defesa das Cotas Sociais e Raciais”, publicado pelo Observatório em 2019, será atualizado e ampliado para servir de insumo ao debate. No âmbito do Congresso Nacional, em parceria com entidades do movimento negro, o Observatório estimulará a criação de uma frente parlamentar em defesa das cotas. Outro trabalho que vem sendo realizado e continuará em 2022 é o acompanhamento das nomeações de reitores com a publicação do “Mapa das Intervenções”.

WhatsApp Image 2021 12 03 at 18.40.063A solidariedade ganhou um novo endereço, no Centro do Rio. Na sexta (26), foi inaugurada mais uma cozinha solidária do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), na Avenida Mem de Sá, 25.  A AdUFRJ apoiou o projeto junto com outras entidades. Nas primeiras semanas, o espaço vai funcionar às quartas, quintas e sextas-feiras, distribuindo 100 quentinhas por dia. Aos poucos, a ideia é estender a operação para os demais dias úteis.
“Apoiamos movimentos sociais, num leque muito amplo e progressista, que nós identificamos como politicamente bem articulados com a sociedade”, explica o presidente da AdUFRJ, professor João Torres. O sindicato doou ao MTST, até o momento, o valor total de R$ 13,9 mil, sendo R$ 7 mil para a reforma do novo espaço.
O público-alvo da nova cozinha serão os trabalhadores informais do Centro, que não possuem tempo ou espaço para se alimentarem em condições dignas, e receberão as quentinhas nas regiões da Lapa, Uruguaiana e Carioca. Não por acaso, o Movimento Único dos Camelôs (MUCA) também é um dos parceiros deste projeto. “Uma das motivações é atender essa demanda, ajudar as pessoas que ficam trabalhando o dia inteiro na rua, o que é bem complicado”, completa João Torres.
Desde 2020, a cozinha solidária é a maior frente de trabalho do MTST, que agora conta com 22 espaços espalhados pelo Brasil. “A partir da organização popular, realizamos o combate à fome num cenário gravíssimo, de 19 milhões de pessoas no Brasil passando necessidade, em situação de insegurança alimentar grave ou moderada”, explica Danilo Pereira, da coordenação nacional do movimento.
“É interessante destacar que membros da comunidade da UFRJ também colaboraram nos mutirões de limpeza e reforma do local”, lembra Ana Lúcia Fernandes, diretora da AdUFRJ e docente da Faculdade de Educação, que esteve presente à inauguração do espaço na sexta, ao lado da ex-presidente da AdUFRJ, Tatiana Roque e de Guilherme Boulos.
É possível colaborar financeiramente com o projeto pela plataforma www.cozinhasolidaria.com.

elianePor unanimidade, a UFRJ concedeu à poeta Eliane Lima dos Santos — mais conhecida como Eliane Potiguara — o Título de Doutora Honoris Causa durante a sessão do Consuni do dia 25. A escritora, professora, poeta e contadora de histórias de origem étnica Potiguara vem sendo estudada como primeira escritora indígena do Brasil. Seu poema “Identidade indígena”, escrito em torno de 1975, tornou-se um marco da escrita indígena de autoria única para a poesia brasileira contemporânea. Formada em Letras e licenciada em Educação pela UFRJ, Potiguara tem extensa trajetória acadêmica e política relacionada à denúncia de violação dos direitos humanos e indígenas no Brasil e na Organização das Nações Unidas (ONU).

Luzia deixa PR-4. Professor é novo pró-reitor

O Conselho Universitário do dia 25 aprovou a indicação do professor Alexandre Brasil Fonseca, do Instituto Nutes de Educação em Ciências e Saúde, para assumir o cargo de pró-reitor de Pessoal (PR-4). “Como servidor público, é um grande privilégio poder contribuir para nossa universidade nessa gestão, especialmente na pró-reitoria de pessoal. É um espaço central”, disse Alexandre. “Darei meus melhores esforços para que a gente possa continuar avançando para uma universidade cada vez mais pública, gratuita, laica, inclusiva, antirracista, democrática e de qualidade”, acrescentou.
Pró-reitora anterior, a técnica-administrativa Luzia de Araújo Marques vai substituir a professora Cristina Riche na Ouvidoria. O mandato está acabando e a docente não poderá mais ser reconduzida na função. Esta mudança ainda será oficializada pelo Consuni. Luzia agradeceu as palavras carinhosas dos conselheiros e aos colegas no chat da sessão. “Considerado nosso último dia 20, em que comemoramos o dia da Consciência Negra: que essa consciência aflore todos os dias para que possamos estender as mãos àqueles que estão a dois ou a muitos passos de nós e nos alinhar. Ninguém faz nada isolado, ninguém é uma ilha”, pontuou.

rádioO programa AdUFRJ no Rádio desta semana comenta a pesquisa organizada pelo Observatório do Conhecimento que vai mapear eventuais violações e ameaças ao exercício da liberdade acadêmica e de cátedra, ao longo dos últimos anos. Para conversar sobre a iniciativa, o programa recebe o professor Fernando Cássio, da Universidade Federal do ABC e diretor da associação docente local, integrante do Observatório. O AdUFRJ no Rádio também recebeu a jornalista e professora da Escola de Comunicação da UFRJ Fernanda da Escóssia. A tese da docente sobre a exclusão de brasileiros sem documentos foi citada no Enem. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 10h, com reprise às 15h, pela Rádio UFRJ (www.radio.ufrj.br) e também está disponível em seu agregador de podcasts favorito.

fachada PVA UFRJ foi avaliada como a melhor universidade federal do Brasil, a terceira melhor instituição de ensino superior do país e a quarta da América Latina. A conclusão é do Best Global Universities 2022. O estudo avaliou 1.849 instituições de 91 países. Desse conjunto, 1.750 foram classificadas como as melhores do mundo, de acordo com 13 indicadores de desempenho (veja quadro).
No cenário global, a UFRJ ocupa a 376ª posição, com 56,3 pontos, à frente de instituições renomadas, como a Universidade de Coimbra (Portugal) e Universidade de Rennes I (França). O topo da lista é ocupado pela Universidade de Harvard (com 100 pontos), seguida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts — MIT (com 97,5 pontos) e Universidade de Stanford (com 95,6 pontos), todos dos Estados Unidos.
A primeira da América Latina é a Universidade de São Paulo. Com 69,6 pontos, ela ocupa a 115ª posição do ranking global. É seguida pelas universidades de Campinas (60,4 pontos), Católica do Chile (59,1 pontos) e pela UFRJ.
Para a professora Daniela Uziel, coordenadora do escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho (GID), a posição da universidade revela a melhora de desempenho da UFRJ, mas também é resultado de um trabalho de organização dos bancos de dados científicos. “Há um ano, o GID foi criado, entre outras coisas, para organizar e sanear as bases de dados, pois existe uma variabilidade enorme de formas como a UFRJ é citada. Se a base não está saneada, a gente não tem uma avaliação de citações e publicações que reflete a realidade”, explica. “USP e Unicamp fizeram isso há alguns anos e, normalmente, elas figuram no topo das listas da América Latina e Brasil”.WhatsApp Image 2021 11 26 at 18.11.124
O GID é vinculado à Pró-reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa. Os dados gerados pelo escritório não se destinam somente a rankings, sublinha a professora Daniela. Eles também ajudam a verificar se a missão institucional está sendo cumprida. “Conseguimos medir nossa performance. Ver se a instituição está tendo um impacto social importante, se estamos conseguindo fazer pesquisa, internacionalizar”, comenta.
Mas Daniela Uziel faz uma ressalva. Os rankings internacionais não são o fiel retrato da realidade. “São baseados em indicadores que eles escolhem e aos quais eles dão peso. E eles estão muito focados nos seus próprios países e regiões. São, portanto, um retrato imperfeito da realidade”, afirma. “Somos uma universidade que tem cem anos, não somos comparáveis com uma universidade italiana de 500 anos. Em geral, são mais bem rankeadas as universidades que têm poucos alunos por professor. Aqui no Brasil, com o Reuni, definimos que queríamos mais alunos no ensino superior e alargamos o número de alunos por professor. Então, nesse quesito, nunca vamos performar bem porque ele é contrário à nossa política de expansão”, exemplifica.

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