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WhatsApp Image 2026 05 29 at 20.52.42 2Fotos: Fernando Souza/Arquivo AdUFRJUma boa notícia para todos que frequentam o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e o Instituto de História: em uma reunião com o ministro da Educação, Leonardo Barchini, no último dia 19, em Brasília, a reitoria conseguiu recursos para a reforma elétrica emergencial do histórico e castigado prédio do Largo de São Francisco.
“Foi uma reunião extremamente produtiva. O ministro determinou imediatamente alocar R$ 6,5 milhões para a reforma da parte elétrica”, disse o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho.
A direção do IFCS comemorou. “Esse é o resultado de um esforço de muito tempo. Agora temos a promessa de um valor que pode custear parte da reforma elétrica emergencial”, disse a diretora da unidade, professora Mayra Goulart — o valor da obra emergencial está estimado em R$ 7 milhões, R$ 500 mil a mais que o montante disponibilizado pelo MEC. Caberá ao Escritório Técnico da Universidade fazer a adequação orçamentária.
“Já temos o aval dos órgãos de preservação do patrimônio histórico, IPHAN e Inepac. Chegando o recurso, a gente pode implementar a reforma”, completou Mayra.
A situação do sistema elétrico está tão precária que a obra representaria o básico do básico: a ligação de lâmpadas, ventiladores, equipamentos e os aparelhos de ar-condicionado já instalados, sem risco de incêndio.
“Dada a situação do prédio, nenhum ar-condicionado pode ser ligado. Nem no refeitório nem na própria sala de direção”, afirmou a vice-diretora, professora Julia O’Donnell. “E isso em um edifício onde muitas janelas não abrem. Imagina o que é ter 80 pessoas em uma sala sem janela, sem ar-condicionado. Em turmas de calouros, temos facilmente 80 alunos dentro de sala de aula”.WhatsApp Image 2026 05 29 at 20.52.42 5
A expectativa é que a obra comece ainda este ano, mas não há previsão de quanto tempo vai durar e dos possíveis impactos nas atividades acadêmicas. Os recursos são para a troca de toda a fiação elétrica do imóvel, incluindo quadros de luz e tomadas.
“Hoje em dia, o IFCS tem fios encapados com tecido de algodão, que era uma tecnologia do século XIX, quando o prédio foi construído. Ele nunca passou por uma reforma elétrica”, explica Julia.
Não há uma estimativa para a reforma elétrica completa do prédio. Só o projeto executivo da reforma geral do prédio — incluindo parte hidráulica e outras obras de infraestrutura — está orçado em R$ 1 milhão.
“Essa reforma emergencial, por exemplo, não contempla o problema da biblioteca. A biblioteca tem um ar central que não pode ser ligado porque demanda uma carga muito grande”.

DEU NA IMPRENSA

O jornal O Globo repercutiu em sua edição de sábado o levantamento do Escritório Técnico da Universidade (ETU) que estima em R$ 1,2 bilhão o custo para reabilitação de 142 imóveis da UFRJ. O estudo saiu primeiro no Jornal da AdUFRJ, edição nº 1.391.

WhatsApp Image 2026 05 29 at 20.52.42 9Fotos: Fernando SouzaSenhores pipoqueiros, muita atenção! Há farta freguesia ao menos uma sexta-feira por mês no belo casarão da Avenida Rui Barbosa 762, no Flamengo, Zona Sul do Rio, onde funciona o Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE) da UFRJ. O movimento começa no fim da tarde, e é formado por jovens na casa dos 20 anos, alunos de vários cursos de graduação da universidade. Eles lotam rapidamente os 170 lugares do salão nobre. Às 18h em ponto começa mais uma sessão do MedCine, o cineclube de Medicina e Ciência que transforma o CBAE em uma das mais movimentadas salas de cinema da cidade.
Mas o sucesso de bilheteria não veio da noite para o dia. Nas primeiras sessões do cineclube, entre o fim de 2022 e o início de 2023, os organizadores distribuíam pipoca e refrigerante para reunir, com esforço, 15 ou 20 estudantes. “No início, a tática da pipoca de graça tinha espaço, hoje não dá mais. Nem a copa do CBAE comporta. As sessões têm até 170 pessoas”, compara a professora Cláudia Mermelstein, do ICB, uma das idealizadoras do projeto. “Cada saco de pipoca de micro-ondas demora cinco minutos para ficar pronto. Hoje nem daria tempo de fazer pipoca para todo mundo”, ri o professor Manoel Luis Costa, também do ICB e mestre de cerimônia das sessões.

A IDEIA ORIGINAL
Usar clássicos do cinema para debater temas médicos e científicos foi uma ideia surgida em uma das cátedras do CBAE, cujo nome soa sisudo: Cátedra Carlos Chagas Filho de Fronteiras da Biologia e da Medicina. “Mas de sisuda a cátedra não tinha nada. As aulas eram espetaculares, tanto que geraram um livro lançado em janeiro de 2022. E nessas aulas surgiu a ideia de exibir filmes e promover os debates. Os professores de Medicina começaram a participar. O próprio reitor já participou”, conta a professora Ana Célia Castro, diretora-geral do CBAE.
“Eu lembro bem. Em um dos encontros da cátedra discutimos o ensino de Biologia Celular na Medicina, e nesse encontro surgiu a ideia do cineclube, inicialmente voltado para alunos de Medicina, e com filmes com a temática da Ciência e da área médica. E a Ana Célia nos abriu as portas do CBAE”, confirma Cláudia Mermelstein.
A professora do ICB conta que os debates são a melhor tradução do sucesso do projeto. Os alunos fazem um círculo com as cadeiras depois do filme e começam a trocar ideias. “Houve um filme em que se mostrava um hospital do século XVIII. No debate, os alunos de Medicina puxaram para o lado da doença, do tratamento. Um aluno da FAU observou que a arquitetura do hospital pouco mudou em relação aos nossos dias. Já um aluno da Economia veio com uma reflexão sobre como as pessoas se mantinham naquela época, com que recursos. É sempre muito interessante essa troca”.
Manoel Luis Costa recorda que na primeira sessão do cineclube, em 25 de novembro de 2022, menos de duas dezenas de alunos se reuniram para assistir “Nise — O Coração da Loucura”, filme brasileiro protagonizado por Glória Pires e dirigido por Roberto Berliner, que aborda a vida e o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira. Aos poucos, com o boca a boca, a plateia foi crescendo. “Acho que o salto maior se deu quando institucionalizamos o cineclube como um projeto de extensão, e ele passou a ser divulgado para outros cursos da UFRJ. Os alunos têm que cumprir uma atividade de extensão. Participando das sessões, eles ganham os créditos”.WhatsApp Image 2026 05 29 at 20.52.42 11 REALIZAÇÃO Manoel Luis Costa, Ana Célia Castro e Cláudia Mermelstein
Há hoje 520 alunos inscritos no projeto de extensão, e não é possível abrir novas vagas. Tem até fila de espera, com 120 pessoas. “Nosso controle é feito por um aplicativo criado por um de nossos alunos, que registra a presença por celular e com a localização em que a pessoa está naquele momento. Temos um grupo de WhatsApp em que damos informes, dizemos se ainda há lugar disponível na sessão, e anunciamos os filmes que virão”, diz Manoel.

LOTAÇÃO ESGOTADA
O aplicativo do MedCine funcionou bem na 35ª sessão, no dia 22 de maio. O salão nobre ficou lotado para a exibição de “Thank you for smoking” (no Brasil, “Obrigado por fumar”), de 2006, dirigido por Jason Reitman e estrelado por Aaron Eckhart. Uma sátira que aborda o poderoso lobby da indústria de tabaco nos Estados Unidos. Pela primeira vez, a Prefeitura Universitária liberou um ônibus especial para levar alunos do Fundão para o CBAE. E o ônibus chegou lotado.
Murilo Spineli é o aluno do 6º período de Medicina que criou o aplicativo. Ele faz parte da direção do cineclube. “Eu comecei a estudar Engenharia na USP, também fiz Computação. Gosto dessa parte da tecnologia também, daí consegui criar esse aplicativo. Está sendo muito útil. O volume de pessoas tem aumentado muito”, garante Murilo.
Para o aluno, a melhor parte do MedCine são as discussões pós-filme. “Essa é a riqueza do projeto. Hoje, a maior parte dos alunos que está no projeto não é da Medicina. Tem mais gente da Economia, por exemplo. Os debates duram mais de uma hora. Um dos dias mais marcantes foi a discussão depois do Bicho de Sete Cabeças. Acho que ficamos quase duas horas no debate sobre o tratamento adotado para doenças mentais”, lembra Murilo.
Nicolas Meireles, também do 6º período de Medicina e da direção do cineclube, concorda. “A gente vê a evolução do projeto não só a nível do número de pessoas, mas na escolha dos filmes, na diversidade dos debates. É muito legal participar porque permite que a gente entre em contato com outros cursos. E também consegue ter uma visão mais multidisciplinar, porque os filmes possibilitam boas discussões sobre temáticas médicas e científicas”.
No debate que se seguiu ao filme “Obrigado por fumar” isso ficou evidente. Maria Luz, aluna do 9º período da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC), no campus Praia Vermelha, foi pela primeira vez ao cineclube e participou ativamente da discussão. “Se me dissessem que esse filme tinha sido feito este ano, eu iria acreditar. Apesar de lançado em 2006, ele é muito atual. Eu vi há um pouco um ensaio de moda em que os modelos e influenciadores sugeriam que fumar é cool. Como no filme tentam fazer com atores de Hollywood. O filme aborda como o capitalismo se reinventa para fazer a mesma coisa”.
Já a estudante Ana Carolina Torres, do 4º perído em licenciatura na Escola de Educação Física e Desportos (EEFD), trouxe ao debate lembranças de família, cujas raízes estão no pequeno município mineiro de Vargem Alegre, no Vale do Rio Doce. “Minha família é um exemplo de como o cigarro é um hábito arraigado desde a infância em muitos lugares. Lá em Minas tem um fumo preto que o povo chama de capitão. Tem um cheiro muito forte e faz muita fumaça. Minha avó materna me contou que minha bisavó começou a fumar capitão com sete anos. Fumava na roça, para espantar insetos, e pegou o hábito. Morreu de câncer de pulmão”.
Ideias e lembranças que tendem a se expandir com a continuidade do projeto e a exibição de filmes que rendem ótimos debates, como “Um estranho no ninho” (“One Flew Over the Cuckoo’s Nest”), drama norte-americano de 1975, dirigido por Milos Forman e estrelado por Jack Nicholson. Vencedor de cinco Oscar em 1976 — incluindo Melhor Filme, Ator e Diretor —, tem exibição prevista para 10 de julho. A professora Cláudia Mermelstein já prevê sala lotada e brinca: “Acho que precisamos agora de um cinema. E de um pipoqueiro”.

CLÁSSICOS EM DEBATE

O cineclube chegou à sua 35ª sessão no dia 22 de maio com a exibição de “Thank you for smoking”. Veja a seguir alguns filmes que já passaram pela tela do MedCine:

Blade Runner
(1982)
Um clássico da ficção científica dirigido por Ridley Scott e estrelado por Harrison Ford e Rutger Hauer. No Brasil, o filme ganhou o subtítulo “O caçador de androides”. Num futuro degradado pelo consumismo, Ford vive um exterminador de replicantes, seres criados em laboratório como humanos artificiais.


Young Frankenstein
(1974)
Dirigido por Mel Brooks, o filme foi rodado em preto e branco e mistura comédia, terror e ficção científica. O humor cáustico de Brooks se revela na obsessão do professor Frederick Frankenstein, vivido por Gene Wilder, em dar vida a um tecido humano em laboratório. Inspirado no romance “Frankenstein”, de Mary Shelley.

Solaris
(1972)
Considerado um filme “cabeça” por tentar se contrapor aos clássicos note-americanos de ficção científica, a produção soviética dirigida por Andrei Tarkovisk se passa em uma estação espacial que orbita em torno do planeta fictício Solaris. Os tripulantes entram em crise existencial e um psicólogo é enviado à estação para avaliar a situação.

Bicho de sete cabeças
(2001)
O filme brasileiro dirigido por Laís Bodanski trouxe reflexões para a luta antimanicomial no país, e foi lançado no mesmo ano da aprovação da Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216/2001). Em seu primeiro longa-metragem, Rodrigo Santoro vive um jovem internado pelo pai em um hospital psiquiátrico por fumar maconha, onde sofre tratamentos abusivos.

Wonder
(2017)
Com o título no Brasil de “Extraordinário”, o filme norte-americano dirigido por Stephen Chbosky acompanha a vida de um menino com uma deformidade facial conhecida como Síndrome de Treacher Collins. É um drama comovente que aborda temas como empatia, rejeição, amor e amizade. Julia Roberts e Owen Wilson vivem os pais do garoto, interpretado por Jacob Tremblay.

“SiCKO” (2007)
Escrito, dirigido e conduzido por Michael Moore, o documentário aborda o sistema de saúde dos Estados Unidos, dominado pelas grandes companhias privadas de seguro-saúde, e o compara a estruturas públicas de países como Cuba, Canadá, França e Reino Unido. No Brasil, o filme do polemista Moore ganhou o subtítulo “SOS Saúde”.

The father
(2020)
Com o título de “Meu pai” no Brasil, o drama franco-britânico rendeu o Oscar de Melhor Ator a Anthony Hopkins em 2021. Dirigido por Florian Zeller,o filme mostra a rotina de um galês idoso que sofre de demência e sua relação com a filha vivida por Olivia Colman.

Madres paralelas
(2021)
Dirigido por Pedro Almodóvar, o filme espanhol narra o encontro de duas mães solo que dão à luz no mesmo dia e no mesmo hospital — interpretadas por Penélope Cruz e Milena Smit —, e aborda questões como gravidez indesejada e maternidade.

And the band played on
(1993)
Produção norte-americana feita originalmente para a TV e dirigida por Roger Spottiswoode, o filme mostra os primeiros tempos da AIDS nos Estados Unidos, com a morte de homossexuais em San Francisco por uma doença até então desconhecida, o preconceito e a desinformação, até a identificação do vírus HIV.

WhatsApp Image 2026 05 15 at 19.47.05 4Foto: Alessandro CostaA UFRJ concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao cardiologista português Fausto José da Conceição Alexandre Pinto, no dia 5. A honraria reconhece a trajetória profissional e a destacada contribuição do homenageado à integração acadêmica entre Brasil e Portugal.
Enquanto dirigiu a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, entre 2015 e 2022, o homenageado se empenhou para a assinatura de vários acordos entre instituições dos dois países. Entre eles, o de validação automática de diplomas com a UFRJ. “Isso permitiu, entre 2019 e 2024, que formandos de todas as épocas pudessem validar seus diplomas médicos e adquirir direito ao exercício pleno da Medicina tanto no Brasil como em Portugal. Mais de 1,7 mil médicos formados pela UFRJ utilizaram o acordo”, afirmou o professor emérito Manuel Domingos da Cruz Gonçalves, na sessão solene do Consuni realizada no auditório do Hospital Universitário.
Natural de Santarém, região central de Portugal, o novo Doutor Honoris Causa da UFRJ foi o primeiro português a presidir a World Heart Federation (WHF), além de ter sido presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC). Fundou, ainda, a Rede de Cooperação de Escolas Médicas de Língua Portuguesa.
“Aceitar essa distinção não é apenas acolher uma homenagem pessoal. É, sobretudo, reconhecer um esforço coletivo, construído ao longo de décadas com colegas, discípulos, mestres e instituições que moldaram o meu pensamento e minha prática”, agradeceu o professor Fausto. “Recebo esse título não como um ponto de chegada, mas como um compromisso renovado: compromisso com a Medicina, compromisso com o ensino, compromisso com a investigação e compromisso com a cooperação entre nossos países”, completou.
“Posso adiantar que vossa excelência há muito ultrapassou barreiras geográficas e tornou-se um médico sem fronteiras, aclamado no cenário mundial. Um autêntico embaixador da cardiologia”, afirmou o diretor da Faculdade de Medicina, professor Alberto Schanaider. 

WhatsApp Image 2026 05 15 at 19.47.05 5A Academia Nacional de Educação, Ciência e Inovação homenageou o professor Silvio de Souza Lima e a professora Cláudia Morgado, na terça-feira (12). Os dois docentes da Escola Politécnica receberam medalhas e diplomas das mãos dos ex-reitores Nelson Maculan e Paulo Alcântara Gomes. “É uma honra para mim. Estou aqui desde os anos 70, quando entrei na Graduação”, lembrou Silvio. “Somos todos Poli”, completou Cláudia Morgado.

WhatsApp Image 2026 05 15 at 19.47.05 12rio das pedras Fase piloto do plano de reocupação dos territórios elaborado pelo governo estadual começa no “Cinturão de Jacarepaguá” - Foto: Agência de Notícias das FavelasO Plano Estratégico de Reocupação Territorial do Estado foi o tema do segundo debate público da Rede Universitária Segurança Para Todos RJ - Artigo 5º, no último dia 7, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), na Urca. Os pesquisadores da rede — articulada e apoiada pela AdUFRJ — produziram uma nota técnica em que apontam falhas e omissões na proposta elaborada pelo governo do Rio de Janeiro e apresentada, em 22 de dezembro do ano passado, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A principal crítica foi a indefinição sobre o papel da polícia no plano de reocupação de territórios hoje controlados por grupos armados no Rio de Janeiro. “O documento não fala como a polícia vai atuar nas comunidades”, observou Ignacio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência (LAV) da Uerj. Ele criticou a falta de um cronograma e de um plano orçamentário na proposta. “Sem cronograma e sem orçamento, não há perspectiva de que o plano vá ser implementado”, completou a professora Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI) da UFF.
Ignacio e Carolina dividiram a mesa do encontro com dois experientes ativistas comunitários, o que muito enriqueceu o debate. “O desafio agora não é reocupar territórios, mas sim reconstruir a relação entre Estado e favela. A população tem que ser ouvida. A favela não é um território vazio esperando para ser ocupado”, comparou William de Oliveira, diretor da Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj) e liderança da Rocinha.
Já Itamar Silva, ativista histórico da favela Santa Marta, demonstrou inquietude. “Não gosto da concepção de reocupação pois a lógica da guerra permanece. É como se a favela fosse um território inimigo. Tenho dificuldade de olhar para esse plano como uma conquista, tenho mais medos do que esperanças”, pontuou.

“SÓ NO PAPEL”
O plano não foi uma iniciativa espontânea do governo do Rio de Janeiro. Ele foi uma das exigências impostas pelo STF ao Executivo fluminense no âmbito da ADPF 635 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), conhecida como “ADPF das Favelas”. A ação foi ajuizada no STF pelo PSB, em 2019, com apoio de várias entidades da sociedade civil, para tentar conter a letalidade policial no Rio de Janeiro sob a gestão do então governador Cláudio Castro. Outras medidas impostas foram restrições a operações policiais e uso de câmeras corporais para agentes em serviço.
A proposta entregue ao STF estabelece diretrizes para retomar áreas controladas por facções do tráfico e milícias por meio de ações integradas de segurança pública e políticas sociais. E prevê uma fase piloto com etapas que incluem mapeamento dos territórios, operações policiais e presença permanente do Estado, com serviços públicos e investimentos urbanos em três comunidades da Zona Oeste, no chamado “Cinturão de Jacarepaguá”: Gardênia Azul, Rio das Pedras e Muzema.
Os debatedores observaram que, apesar das críticas apontadas, o documento tem avanços. “O plano é bastante razoável, ele pensa a questão da segurança pública de forma integrada e intersetorial, pensando também em políticas sociais e urbanas. Nem parece que foi feito pelo mesmo governo que prioriza as operações policiais letais no combate aos grupos armados”, pontuou a professora Carolina Grillo.
Na mesma linha, Itamar Silva registrou sua desconfiança: “O plano é muito bem escrito, muito bem elaborado, parece uma tese de doutorado. Mas não reflete em nada a atual política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro”.
Para Marcelo Burgos, professor do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio, que coordenou o debate, é preciso que as críticas sejam levadas aos candidatos ao governo do Rio nas eleições de outubro: “Foi feita uma análise criteriosa desse plano pelos especialistas da Rede, que tem entre seus objetivos estimular o debate público sobre segurança pública. Se isso não for feito, essa proposta entregue ao STF corre o risco de ficar só no papel”.
O professor Ignacio Cano fez coro: “O plano é tecnicamente bom. Tão bom que a gente se pergunta se ele foi feito para ficar no papel. Mas tem algumas lacunas”, disse. “O plano não diz como a PM vai intervir para recuperar territórios, nem como a Polícia Civil vai investigar para desarticular as redes de extorsão. Não diz como lidar com a corrupção policial. São questões centrais. Os candidatos ao governo do Rio têm que se posicionar em relação a esse plano”.

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