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ifcsSEDE do IFCS no Largo de São Francisco, Centro do Rio: Departamento de Ciência Política no centro da polêmicaNa reunião do Consuni desta quinta-feira (2), o reitor em exercício, Carlos Frederico Leão Rocha, anunciou uma série de medidas antirracistas que a UFRJ adotará a partir de um compromisso firmado com o Coletivo de Docentes Negras e Negros da universidade, em reunião realizada semana passada. Nesse encontro, o Coletivo e a reitoria discutiram a denúncia de discriminação sofrida pelo professor Wallace de Moraes, durante reunião virtual do Departamento de Ciência Política do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (DCP-IFCS) para escolha de uma banca, em 11 de agosto. O caso foi relatado no Consuni pelo conselheiro Jorge Felipe Marçal, representante do Coletivo. Ele leu o texto de um abaixo-assinado elaborado pelo Coletivo com o caso — e que contava com 2.220 assinaturas até o fechamento desta edição.
Antes de anunciar as medidas, o reitor de exercício listou algumas pautas relacionadas ao movimento negro já implementadas pela reitoria. “A primeira é a implantação da heteroidentificação, inclusive com o cancelamento de matrícula de alunos não aprovados. Também elaboramos uma resolução para tornar efetiva a definição de cotas nos concursos docentes. Essa pauta tem avançado. Entendemos haver racismo estrutural e institucional na história da UFRJ. É fundamental a implantação de políticas antirracistas, esse é um compromisso”, afirmou.
Segundo Leão Rocha, as medidas foram fruto de um diálogo que a reitoria quer fotalecer, no longo prazo, com os movimentos negros da UFRJ. “Assumimos compromissos com o Coletivo de Docentes Negras e Negros que vou externar aqui em nome da reitoria. O primeiro é a criação de uma comissão ampla para a construção de políticas de enfrentamento ao racismo, que ficará ligada ao gabinete da reitoria. Para isso, vamos chamar os movimentos negros da UFRJ para elaborar uma resolução que deverá passar pelo Consuni, pautada pela reitoria. O segundo é a discussão de cotas obrigatórias nos cursos de pós-graduação, fortalecendo um GT que já existe no CEPG. Vamos também fortalecer a necessidade de diversidade na composição das bancas. Elas devem ter diversidade de cor, raça e gênero, é importante nós construírmos uma universidade diversa. Finalmente, assumimos o compromisso de construção da memória negra na UFRJ. A reitoria não se pretende protagonista nessas questões, ela está assumindo compromissos políticos cujos protagonistas serão o alvo dessas políticas, os movimentos negros da UFRJ”, destacou.
O reitor em exercício também se pronunciou sobre a denúncia de discriminação contra o professor Wallace de Moraes, único docente negro do DCP-IFCS. “Já foi aberta uma sindicância para averiguação dos fatos. Isso significa que estamos dando tratamento a essa questão com as devidas formalidades jurídicas, respeitando o amplo direito de defesa e a presunção de inocência”. A sindicância foi instalada em 27 de agosto, após a formalização da denúncia pelo professor Wallace de Moraes, no dia anterior, tendo como investigados os professores Thais Aguiar, chefe do DCP-IFCS, Pedro Lima, seu substituto eventual, e Josué Medeiros. Os investigados negam as acusações e, em nota, declararam apoio integral à sindicância.

BANCA ANULADA
Reunida na quarta-feira (1º), a Congregação do IFCS decidiu, por unanimidade, anular a aprovação que concedera à formação da banca de avaliação para contratação de um professor adjunto para o instituto. A banca tinha sido aprovada na reunião virtual do DCP-IFCS do dia 11 de agosto, a mesma que foi objeto da denúncia relatada ao Consuni. Na reunião, o nome do professor Wallace de Moraes foi indicado por um grupo de docentes para integrar a banca, mas não teve seu nome aprovado por maioria. Com a decisão da Congregação, fica sem efeito a formação da banca, que era integrada somente por docentes externos, a maioria da Uerj.
Com mais de quatro horas de duração e numerosa participação de docentes, alunos e funcionários, além de público externo, a reunião da Congregação aprovou também uma moção de desagravo ao professor Wallace de Moraes. A iniciativa foi do professor Fernando Santoro, diretor eleito e ainda não empossado do IFCS. “Aqui já falo como futuro diretor. Houve um agravo a um membro dessa Congregação nas suas prerrogativas de professor associado da UFRJ, e proponho esse desagravo”, destacou Santoro.
A íntegra da moção de desagravo aprovada é a seguinte: “A Congregação do Instituto de Filosofia e Ciências Socais da UFRJ, em vista do agravo sofrido pelo professor Wallace de Moraes, membro desta Congregação, ao ter o seu nome restringido no tocante ao pleno exercício de suas funções acadêmicas de docente, e para as quais estava plenamente qualificado como professor associado da UFRJ e pesquisador do seu Departamento de Ciência Política, manifesta o desagravo por este colegiado, em consonância com os princípios básicos que regem a colegialidade da Congregação, entre os quais o respeito às diferenças de cada membro e colega e ao tratamento equânime de todos em suas funções”.

WhatsApp Image 2021 09 03 at 22.43.55A Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD), uma das instâncias da universidade mais importantes para a vida dos professores, realiza eleições virtuais para representantes de classe (um titular e um suplente) de 18 a 22 de outubro. As inscrições de candidatos estão abertas até 15 de setembro. O formulário pode ser acessado na página da CPPD. Poderão concorrer docentes que não exercem cargo de decano, direção, chefia de departamento, e os respectivos substitutos eventuais de cada cargo. Presidente da CPPD, o professor Fábio de Araujo (foto) explica nesta entrevista como será a primeira eleição remota da história da comissão.

Jornal da AdUFRJ: Por que a CPPD é tão importante no dia a dia dos professores?
Fábio de Araujo: A CPPD é uma comissão estabelecida pela legislação federal que rege a carreira docente. É a instância administrativa que trata de vagas, de homologação de concursos, avalia os estágios probatórios realizado nas unidades para elaboração da portaria de estabilidade, os processos de alteração de regime de trabalho. Por exemplo, se o docente 20 horas quer passar para 40 horas DE (Dedicação Exclusiva), é a CPPD que faz o parecer para aprovação final do reitor. E seu maior “gargalo” é a homologação final dos processos de promoção e progressão.

Muita gente critica o trabalho da comissão...
É interessante pontuar que a CPPD segue as resoluções da universidade, segue a legislação. Ela não cria normas. Mas ajuda a discutir resoluções. Um exemplo importante foi a de 2018, atualizando os procedimentos do estágio probatório. A CPPD também discutiu e encaminhou recentemente à Comissão de Legislação e Normas do Consuni uma proposta de resolução da alteração do regime de trabalho, que cuida dos procedimentos de forma mais detalhada. O texto ainda será debatido pelo conselho.

Como será a votação este ano?
Em função do panorama pandêmico, será a primeira eleição remota da CPPD. A votação utilizará o Sistema E-Voting e a TIC/UFRJ (Superintendência de Tecnologia da Informação e Comunicação) vai disponibilizar o acesso à plataforma digital por meio do e-mail institucional cadastrado na Intranet da instituição. Docentes que possuem processos de promoção em tramitação devem se atentar que votarão no representante da classe em que se encontrarem no dia 1º de outubro, no Sistema de Recursos Humanos da universidade. Em julho, havia 4.209 docentes aptos a votar: 4.105 do magistério superior, cinco Titulares Livres e 99 da educação básica, técnica e tecnológica (EBTT).

Por que é importante o professor participar deste processo?
O docente que vira candidato e, eventualmente, consegue fazer parte da CPPD poderá servir à universidade com seu trabalho e, por outro lado, vai aprender muito sobre a carreira docente: o que a legislação orienta, o que orientam as resoluções. Estar na CPPD é uma oportunidade de se abrir para este aprendizado.

A CPPD tem representantes das classes e dos centros. Por que a eleição deste ano só renova uma parte das representações?
A razão de a votação ser separada é para que o grupo que fica possa passar a experiência do trabalho para os novos: entender a carreira, aprender como se aplicam as resoluções, aprender a despachar os processos. Seria muito ruim para a comissão se as trocas de representação ocorressem ao mesmo tempo. Ano que vem, devem ocorrer as eleições para representantes de centros.

COMO ATUALIZAR O E-MAIL
Cada eleitor receberá pelo e-mail cadastrado na intranet da UFRJ as instruções, senha e o login para votar. Caso seja necessário alterar este e-mail, o procedimento deverá ser feito na própria intranet, seguindo os seguintes passos:
1 - Acesse a Intranet (https://intranet.ufrj.br/);
2 - No menu Navegação, clique em "Minha Conta";
3 - Em "Opções do usuário", clique em "Alterar e-mail";
4 - Informe a senha de acesso à Intranet, o novo e-mail e confirme o novo e-mail;
5 - Clique no botão "Atualizar";
6 - Uma mensagem de confirmação será enviada para o e-mail informado;
7 - Acesse a mensagem, no e-mail informado, e clique em "confirmar" para validar a atualização;
8 - Clique em "ok" para concluir.

As mudanças climáticas são um problema grave a ser enfrentado pela humanidade. Quem diz isso é um grupo de centenas de cientistas espalhados por todo o mundo, fireque atua em conjunto no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (da sigla em inglês IPCC) das Nações Unidas. O painel conta com a participação de professores da UFRJ, referências nas suas áreas de pesquisa, mostrando a excelência da universidade. O painel apresentou um novo relatório, no dia 9 de agosto, fruto de um enorme trabalho coletivo. O Jornal da AdUFRJ conversou com duas pesquisadoras da UFRJ que integram o IPCC para saber como é construído um trabalho dessa dimensão.

Claudine Dereczynski é professora do Departamento de Meteorologia do Instituto de Geociências da UFRJ. Foi a sua primeira colaboração para o IPCC, e para integrar o time de pesquisadores do painel a professora concorreu com 900 cientistas por 250 vagas. Em outubro de 2017, ela se candidatou a uma das vagas para produzir o sexto Relatório de Avaliação (AR6) do IPCC. “Me candidatei como lead author do capítulo sobre extremos climáticos, e em fevereiro de 2018 recebi a notícia que fui selecionada”, contou a professora.

O IPCC é dividido em três grupos de trabalho. O Grupo 1 é responsável pelas análises das bases físicas e científicas das mudanças do clima. O Grupo 2 estuda o impacto da mudança do clima na sociedade e ecossistemas, e o Grupo 3 analisa as estratégias de mitigação das mudanças climáticas. Claudine faz parte do primeiro grupo. “O que nós fazemos é uma avaliação de tudo o que foi publicado desde o último relatório, em 2013, até o presente”, explicou a professora. O primeiro relatório do IPCC foi publicado em 1990, e a cada ciclo de aproximadamente cinco anos, um novo documento é elaborado.

No papel de lead author, Claudine foi responsável pelo capítulo 11, sobre eventos extremos, como picos de temperatura, de chuvas e fenômenos climáticos como furacões, e qual é a projeção para o futuro. “Eu coordenei a seção 11.9 no meu capítulo e o time de pesquisadores da América do Sul”, contou a professora, que já pesquisava o tema desde o começo dos anos 2000.

“Eu já fazia trabalhos com mudança climática, sobre detecção das mudanças climáticas no Brasil e América do Sul. Para nós que trabalhamos com mudanças climáticas, esse relatório do IPCC é a palavra final, o que há de mais importante sobre o tema, uma referência muito forte”, avaliou Claudine. Ela concorda que a dinâmica de trabalho e pesquisa cria um ciclo virtuoso de progresso da Ciência, porque as lacunas de um relatório anterior tendem a ser preenchidas no seguinte. “A cada ano vai melhorando. Outros pesquisadores ficam interessados e vão pesquisar sobre os assuntos para os quais faltaram dados no ciclo atual de elaboração do relatório”, contou.

Embora enriquecedora do ponto de vista científico, a experiência de trabalhar em conjunto com pesquisadores de todo o mundo não é fácil, e tudo ficou mais difícil com a pandemia. O grupo chegou a fazer três encontros presenciais, mas um quarto encontro foi descartado. “As reuniões online eram muito prejudicadas pela diferença de fuso horário dos autores. O encontro que era presencial e duraria uma semana, teve que durar um mês online, para diminuir o cansaço”, relatou.

PRESENÇA BRASILEIRA

A vice-diretora da Coppe, Suzana Khan Ribeiro, também reconheceu os impedimentos impostos pela pandemia ao trabalho do IPCC. “A pandemia dificultou muito o trabalho, principalmente para os países em desenvolvimento porque é preciso um bom acesso à internet”, disse a pesquisadora, que participa do IPCC desde o terceiro relatório, publicado em 2001. “Há ainda a questão da língua. Usamos o inglês, e uma coisa é falar uma língua estrangeira pessoalmente, outra por videoconferência, onde se perde um pouco da linguagem corporal”, explicou.

Suzana está no Grupo 3 e é responsável pelo capítulo que apresenta opções de tecnologias para o setor de transportes, como a eletrificação, uso do hidrogênio como combustível, cidades inteligentes e utilização mais eficiente do solo, mas não pôde dar mais detalhes em respeito ao compromisso de confidencialidade assumido com o IPCC.

Trabalhando junto ao IPCC há mais de 20 anos, Suzana é testemunha da mudança de papel que o Brasil teve na discussão sobre o clima. “Quando participei da primeira vez, o Brasil era muito ativo nas negociações climáticas, e não tinha tanta gente trabalhando com mudanças climáticas naquela época, o país participava muito desses debates”, contou a professora. “Como eu participava muito dessas discussões, fui chamada para contribuir na questão da transferência de tecnologia, principalmente na questão do etanol e do BRT de Curitiba, casos em que o Brasil era exemplo”, complementou. Na opinião da pesquisadora, é um desastre que o Brasil tenha perdido seu protagonismo nas discussões climáticas, mas ainda é possível reverter o quadro. “É uma situação ruim. Acho que ainda é possível retomar, mas estamos perdendo muito espaço no fórum internacional”, avaliou.

A presença de pesquisadores brasileiros no painel há tanto tempo ajuda a criar uma cultura de pesquisa sobre o tema no país, mas é pouco. “Sem recursos, sem condições de as pessoas se dedicarem às suas pesquisas, é muito difícil”, disse Suzana, reconhecendo a crise pela qual passa a pesquisa brasileira, e o não reconhecimento da emergência climática por parte da esfera pública. “Ainda temos muitos pesquisadores trabalhando, quase como teimosia, mas é uma perda irreparável para a nossa pesquisa e para a nossa política”, explicou. Na sua visão, as discussões sobre mudanças climáticas não tratam apenas do planeta, mas de economia, de processo de desenvolvimento e de pensar o futuro da sociedade, mas a tarefa é inglória. “É muito frustrante ser cientista do clima, porque não tem eco na sociedade, ainda mais na atual conjuntura”, resumiu.


URGÊNCIA CLIMÁTICA

O aquecimento da temperatura do planeta é um fato, os efeitos serão catastróficos para a humanidade e o curso da sociedade deve mudar imediatamente para que haja uma redução desses impactos. Assim pode ser resumido o Relatório de Avaliação 6 do Grupo 1 do IPCC, que analisa as mudanças climáticas pelas quais passa o planeta. O físico Paulo Artaxo, professor da USP e um dos cientistas colaboradores do painel, apresentou os resultados em um colóquio virtual organizado pelo Instituto de Física da UFRJ, no último dia 19.
O pesquisador começou a sua fala apresentando a abordagem direta da comunicação que o IPCC adotou na apresentação do texto mais recente, efeito da urgência imposta pela velocidade das mudanças. O relatório apresenta algumas frases importantes, que passam o senso de urgência e que foram apresentadas pelo físico. Entre elas:
“Mudanças recentes no clima são generalizadas, rápidas e intensificadas e sem precedentes em pelo menos 6,5 mil anos”.
“É indiscutível que as atividades humanas estão causando mudanças climáticas, tornando eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, chuvas fortes e secas, mais frequentes e severas”.
“Todas as regiões do globo já são afetadas por eventos extremos como ondas de calor, chuvas fortes, secas e ciclones tropicais provocadas pelo aquecimento global”.
“Cada uma das últimas quatro décadas foi sucessivamente mais quente do que qualquer outra década que a precedeu desde 1850”.
“A menos que haja reduções imediatas rápidas e em larga escala nas emissões de gases de efeito estufa, limitar o aquecimento a 1,5ºC pode ser impossível”.
Artaxo também apresentou uma correlação entre o crescimento de tendências socioeconômicas, como a população urbana, uso da água e de fertilizantes, com fenômenos que aumentam o aquecimento do planeta, como a emissão de gases do efeito estufa e a diminuição de área de floresta tropical. “Em um planeta onde você tem recursos naturais finitos, não existe crescimento exponencial ad infinitum”, explicou o professor. “Estamos no antropoceno, a era em que os humanos se tornaram uma força geofísica planetária”, concluiu.

WhatsApp Image 2021 09 03 at 22.44.35FONTE DO JARDIM DAS PRINCESAS será aberto à visitação pública daqui a um ano - Foto: FOTOS: ANA MARIA COUTINHO/COORDCOM“O Museu Nacional Vive”. A frase, que se tornou um lema de resistência da comunidade da UFRJ, foi novamente repetida pelo diretor da unidade, professor Alexander Kellner, no último dia 2. E não à toa. Exatamente três anos após o incêndio que destruiu 80% do acervo da instituição científica mais antiga do país, o dirigente apresentou, ao lado da reitora Denise Pires de Carvalho, os ambiciosos planos de gradual reconstrução e reabertura do prédio.
Dentro de um ano, já será possível ao público acessar o Jardim das Princesas, na lateral do museu, e que não era aberto para visitação mesmo antes do incêndio. O local, onde as princesas Isabel e Leopoldina passavam o tempo livre, será finalizado em breve. Além deste presente para a população, existe a expectativa de conclusão da recuperação da fachada principal, no mesmo período. E, até 2026, todo o prédio estará apto para a reabertura.
Os custos do sonho não são baixos. A previsão orçamentária, que depende dos processos executivos e de licitações, gira em torno de R$ 385 milhões. A ideia é reconstruir as áreas internas com base no antigo palácio. Mas, para além da infraestrutura, é preciso atingir a meta de 10 mil peças para o acervo expositivo do museu. Hoje, a UFRJ conta com apenas 500 peças classificadas para exposição.
Está em curso uma campanha para ampliar o acervo. “Recebemos muitos itens nos últimos dias, algo em torno de 100 novos exemplares para o museu”, contou o diretor. Até agora, a instituição já recebeu doações valiosas, como 27 peças dos períodos clássicos grego e romano que pertenciam a um colecionador gaúcho. Da Áustria, virão peças feitas por indígenas brasileiros, recolhidas na Amazônia há mais de 100 anos por naturalistas europeus.
“Temos suporte de cerca de 30 países. Os Estados Unidos, até o momento, não nos doaram exemplares, mas ajudaram num momento crucial de levar estudantes nossos, que não tinham mais o material para pesquisar, para os seus centros de pesquisa. Quero destacar o governo da Alemanha, parceiro de primeira ordem, que doou 1 milhão de euros. Temos muito a trabalhar e agradecemos o apoio”, ressaltou Kellner.
Para a reitora Denise Pires de Carvalho, o 2 de setembro de 2021 é um dia de comemoração. “Porque o Museu Nacional vive e renasce neste momento. Não tenho dúvida de que, nestes três anos, toda a comunidade do Museu Nacional tem trabalhado com muita resiliência e capacidade de adaptação para reconstruir e também aceitar esse novo modelo de governança, que trará uma instituição ainda mais forte, com sustentabilidade”, declarou Denise. “Vamos caminhar no sentido de uma instituição mais moderna, interagindo mais com a sociedade e com o apoio internacional”, concluiu.

WhatsApp Image 2021 08 27 at 22.38.00Diretoria da AdUFRJ

 

Esse foi o título do editorial de novembro de 2019, quando, após os primeiros 30 dias de mandato à frente da diretoria da AdUFRJ, dedicamos uma edição do jornal inteiramente em homenagem ao Dia da Consciência Negra. Falávamos de um legado monstruoso, cuja dimensão não tem paralelo entre as nações modernas, tanto por sua dimensão temporal — foram mais de três séculos —, quanto por sua dimensão quantitativa, pois contam-se aos milhões as pessoas que foram arrancadas de suas vidas, trazidas à força ao Brasil e escravizadas. Nenhuma formação social pode conviver impunemente com um quadro dessa gravidade. Há apenas uma década, a universidade começou a implantar medidas que buscam alterar em profundidade um cenário que pouco havia mudado nos últimos cem anos. Hoje as expressões “lugar de fala” e “racismo estrutural” difundiram-se de tal forma que integram de modo cotidiano tantas de nossas conversas. Mas, para sairmos de fato deste imbróglio histórico, precisamos encarar de modo radical e consciente que não somos alheios a essa realidade: o racismo, filho direto dessa realidade, habita em todos nós. O que começamos a viver na semana que se encerra (veja na página 5) pode ser uma grande possibilidade para a universidade encarar a si mesma e as suas tradições e buscar uma saída que fortaleça um círculo virtuoso de enfrentamento de seu racismo estrutural. A universidade não está alheia ao mundo que a forma, mas, se quiser cumprir seu papel, deverá ser também um espaço de liberdade autêntica, projeção de uma sociedade mais justa. A primeira e fundamental lição que tiramos desses últimos dias é que não poderá haver qualquer tolerância a práticas discriminatórias, venha de quem vier.

Não é pouco significativo que um conflito entre dois professores, no Departamento de Ciência Política, coloque a nu nossas mazelas. Diversas notas circulam pela universidade, além de um relato apresentado pelo grupo de professores que esteve envolvido na denúncia. Há em tudo isso um fato incontestável: um professor negro se sentiu profundamente atingido numa discussão sobre a constituição de banca para concurso em que pleiteava a sua participação e, por isso, recorreu ao Coletivo de Docentes Negros e Negras da UFRJ. Foi imediatamente acolhido, assim como a sua reivindicação de uma rigorosa apuração do ocorrido, que está expressa numa petição pública de ampla repercussão.

Há nessa movimentação toda uma possibilidade que a UFRJ não pode perder. O desafio está lançado: precisamos ser absolutamente intolerantes com qualquer prática de discriminação racial e o processo para garantir a sua apuração e até mesmo uma eventual punição precisa também reafirmar e aprofundar a nossa experiência democrática, aprimorar o funcionamento institucional, consolidar práticas que multipliquem uma nova consciência. E para isso trabalharemos de modo incansável, e estaremos sempre, de modo incondicional e solidário, junto a todas as ações que protejam a vida, valorizem, reconheçam e expandam a participação de negros e negras na vida universitária. Desde a sua articulação e criação, acompanhamos as ações e subscrevemos as reivindicações do Coletivo de Docentes Negros e Negras da UFRJ, respeitando sua autonomia e protagonismo.

Que tudo isso nos aproxime mais, abra novos diálogos e construa a universidade plural que nos foi negada nos últimos 100 anos. Que o legado de nossa geração seja mais bem-sucedido ao romper as amarras da rede de insensibilidade tecida pelos séculos de exclusão, violência e perversidade.

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