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WhatsApp Image 2021 08 13 at 22.57.05“Agradeço muito poder ter estado na AdUFRJ em um momento tão difícil. Conseguimos chegar ao final do mandato com laços profundos de afeto e de amizade”, disse a presidente do sindicato, professora Eleonora Ziller, em uma edição especial do “Tamo Junto”, no dia 6.
O bate-papo virtual realizado em várias sextas-feiras, durante a pandemia, foi uma das primeiras iniciativas criadas pela diretoria para reunir os docentes. E, de forma simbólica, os diretores escolheram este “ponto de encontro” para fazer um balanço da gestão, realizada quase inteiramente em meio remoto — da posse, em outubro de 2019, até o início das medidas sanitárias de distanciamento social, em março de 2020, foram apenas cinco meses de mandato presencial. Uma nova diretoria será empossada em outubro deste ano.
Ao longo da conversa, terna e intimista, os integrantes da diretoria contaram como foi esta experiência, inédita na história da AdUFRJ, elogiando a atuação dos funcionários de todos os setores. Eleonora também destacou a rapidez com que o sindicato reagiu à pandemia. Entre outras ações, disponibilizando uma conta do aplicativo Zoom para os professores e mantendo a circulação digital do Jornal da AdUFRJ. Medidas que, segundo ela, ajudaram a preservar a coesão entre os colegas.
Todos os participantes, mesmo os que não votaram na atual diretoria, reconheceram o esforço da gestão em buscar o diálogo com todas as forças políticas do movimento docente. Especialmente nos últimos meses, quando se intensificou a unidade de toda a UFRJ contra os desmandos do governo Bolsonaro.

Há um provérbio em yorubá que diz: Èyàn kì í mo iyì ohun tó ní, àfi tó bá soó nù. Em tradução livre, quer dizer: O homem raramente aprecia aquilo que tem, até perdê-lo. WhatsApp Image 2021 08 06 at 21.50.30Para a UFRJ, foram necessárias quase quatro décadas para apreciar o brilho e a importância de uma de suas estrelas. Nesta semana, a secretaria do Conselho Universitário recebeu uma proposta para homenagear uma das pioneiras nos estudos sobre o negro na academia. Maria Beatriz Nascimento, professora, roteirista, poeta e ativista pelos Direitos Humanos pode ganhar o reconhecimento como Doutora Honoris Causa da instituição, 36 anos após ser assassinada pelo namorado de uma amiga. À época, Beatriz cursava a pós-graduação da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ.

“Reconhecer Beatriz como Doutora Honoris Causa é reconhecer seu pioneirismo e sua prática política e intelectual, que era completamente implicada na construção da sociedade, no reconhecimento da humanidade das pessoas afro-brasileiras violentadas pelo processo escravagista. Mas rompendo com a historiografia básica que sempre via a população negra restrita à escravidão”, afirma Vinicios Kabral Ribeiro, professor da Escola de Belas Artes e proponente da homenagem.

Para Vinicios, a concessão do título é um legado para futuras gerações. “É uma honra ter a Beatriz entre as pessoas que passaram pela universidade. Toda uma geração de jovens que entra agora na graduação lendo os textos dela será impulsionada por esse legado. Ela oferece as bases para a gente refundar as bases do nosso país, refundar os fundamentos e não mais a dor, a ferida do racismo. É a possibilidade de olhar de uma forma corajosa para o nosso passado”, espera o professor, para quem o Brasil se torna um pouco mais humano se o título for concedido.

O projeto parte da ECO, última casa acadêmica de Maria Beatriz Nascimento, que era natural de Aracaju e pós-graduada em História pela UFRJ. Enquanto cursava o mestrado em Comunicação, com orientação do professor Muniz Sodré, foi vítima de feminicídio, aos 52 anos. Na quarta-feira (4), o relatório final foi recebido pelo Consuni, que ainda não divulgou a data do julgamento. Além de Vinicios, a comissão que defende o título é composta pela diretora da ECO, Suzy Santos, pelo professor Vantuil Pereira e pelo biógrafo de Beatriz, Alex Ratts.

“Levantamos informações que dessem robustez à solicitação. Justificamos o título pelo racismo estrutural, que impediu que em vida ela tivesse esse reconhecimento. Colocamos o pioneirismo com que ela desenvolveu seu conceitos, principalmente em relação aos quilombos”, explica Vinicios. O professor conhece a trajetória de Beatriz desde a sua graduação, em Goiânia, quando foi aluno de Alex Ratts e teve contato com a produção acadêmica da autora. Em 2012, ao ingressar no doutorado na ECO, foi surpreendido. “Quando cheguei lá, fiquei muito curioso pela história, mas me assustei com a ausência dessa memória. Meus colegas não sabiam quem era a Beatriz, muito menos que ela tinha passado pela ECO”, relembra. Para Vinicios, nunca é tarde para reparar. “É um compromisso futuro, mostrar que a universidade está atenta às dinâmicas do presente, e se empenha em reparar essas lacunas”, acredita.

A filha de Beatriz, Bethania Nascimento, vê o título como a continuação do pensamento e do trabalho da mãe. “Se ela estivesse viva, onde estaria Beatriz neste momento? Esse título prova para mim que, de uma certa maneira, ela está viva entre nós, nos guiando. E também em outros momentos, como nos coletivos com o nome dela em outras universidades, como no reconhecimento do coletivo André Rebouças, que foi o primeiro grupo de discussão de negros na academia. É um passo para a gente se encontrar como verdadeiros cidadãos deste país”, define a dançarina profissional, que mora nos Estados Unidos desde os anos 1990. “Quando reconhecermos nossas verdadeira história, tenho certeza de que melhoramos na Educação, no crescimento de outros e em nós que estamos renascendo todo dia”, completa.

Bethania lembra que desde criança via sua mãe falando sobre a questão do negro no Brasil. “Eu ouvia isso repetidamente, e me perguntava o que estava acontecendo com o negro. Fui vendo o mundo e o Brasil como ele é a partir do olhar de minha mãe”, reflete. Beatriz não foi uma mãe convencional para os anos 1970. “Ela tinha uma missão aqui, e era mais do que ser mãe. Meu cotidiano não era de minha mãe me levar na escola. Com sete anos comecei a ir para a escola sozinha. Dez anos depois, com 17, quando vim para Nova York, não sofri. Ela me preparou para isso. Sou uma cobaia de Beatriz Nascimento”, confessa. “Apesar de não ter sido uma mãe convencional, eu e ela tínhamos uma grande amizade. Eu amava minha mãe incondicionalmente”, expressa.

MULHER TRANSATLÂNTICA
“A investigação sobre o quilombo se baseia em parte pela questão do poder. Por mais que um sistema social domine, é possível que se crie aí dentro um sistema diferenciado. É isso que o quilombo é. Só que não é um Estado de poder no sentido que entendemos: poder político, de dominação. Porque ele não tem essa perspectiva. Cada indivíduo é o poder, cada indivíduo é o quilombo”. O trecho é do documentário Ôrí, de 1989, dirigido por Raquel Gerber, com pesquisa e narração da historiadora Maria Beatriz Nascimento. O longa acompanha, entre 1977 e 1988, as atividades do movimento negro nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas, conectando as pautas políticas e culturais com as tradições de países como Senegal, Mali e Costa do Marfim, localizados na África Ocidental.

Para Beatriz, era preciso enxergar a população negra pelo modo de vida que foi trazido do continente africano para o continente americano. É uma civilização transatlântica, com a dor da diáspora, mas também com uma organização politica e cultural em busca da liberdade. “Toda a dinâmica deste nome mítico, religioso e oculto que é o Ôrí se projeta a partir das diferenças, dos rompimentos numa outra unidade. Na unidade primordial, que é a cabeça, que é o núcleo. O quilombo é o núcleo”, define Beatriz na narração do filme.

Para Alex Ratts, coordenador do Laboratório de Estudos de Gênero Étnico-Raciais e Espacialidades do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás e autor do livro “Eu sou Atlântica”, sobre a trajetória de vida de Maria Beatriz Nascimento, Ôrí foi o primeiro contato com a historiadora, e um divisor de águas. “Teve um grande impacto no que eu fazia. Eu trabalhava com comunidades negras rurais e precisava desta compreensão de quilombo. Durante o doutorado, tive contato com o conceito de quilombo de Beatriz Nascimento e com o material de pesquisa do filme”, conta.

Em 2007, quando foi lançado o livro “Eu sou Atlântica”, houve uma divulgação expressiva pela imprensa e na internet, e uma segunda edição está nos planos de Alex. “Cada vez mais sinto que a universidade tem dificuldade em reconhecer o pensamento de pessoas negras, LGBT e indígenas como propulsor de conhecimento. Você pode passar todo um curso sem ler essas pessoas”, relata. “O livro tem esse papel de mostrar a autoria dela, eu senti a importância de publicar por serem ideias que precisam fluir na sociedade”, completa.

Para o professor Vantuil Pereira, diretor do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos Suely Souza de Almeida (NEPP-DH), Beatriz Nascimento tem dupla entrada no campo acadêmico. “Ela começou a estudar num dos momentos mais difíceis da democracia no Brasil, em 1968. Mulher negra, que vem de Sergipe para o Rio, onde tem contato com alguns acadêmicos negros. Ela é uma das primeiras jovens intelectuais de uma nova geração que passa a pesquisar e discutir a questão racial dentro da universidade, numa época que era crime de lesa-pátria falar de racismo no Brasil”, discorre.

Vantuil falou da valorização da obra de Beatriz. “Estudar a Beatriz, por um lado, é recuperar o sentido histórico da própria luta racial no Brasil, que durante a ditadura foi muito reprimida. No ponto de vista presente, ela cumpre o papel de indicar o diminuto lugar dos professores negros na universidade. Ela foi professora da rede estadual de ensino, mas não foi acadêmica. Foi estudiosa, publicou, mas não ocupou espaço na universidade”, explica. “É uma luz para a universidade neste momento, para pensar o lugar dos professores negros, a importância de recontar a memória negra acadêmica”, conclui o professor.

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Atenção: O prazo para fazer o recadastramento e garantir o recebimento da cédula de votação via e-mail foi encerrado à meia-noite do dia 3 de setembro. Os dados precisavam ser informados à empresa escolhida para o processo de votação com antecedência. Mas todos os professores filiados à AdUFRJ até 13 de julho deste ano e em dia com a contribuição sindical poderão votar.
Leia mais em: https://www.adufrj.org.br/index.php/pt-br/noticias/?option=com_content&view=article&id=3974

Para participar da primeira eleição virtual da história da AdUFRJ, é essencial que os sindicalizados estejam com seus dados atualizados no cadastro do sindicato. Em função da pandemia, a divulgação dos materiais relativos ao pleito e do próprio link da votação vai ocorrer pelo e-mail. O método, defendido pela diretoria, foi aprovado em Assembleia Geral de 9 de julho.

E os professores ganharam uma nova opção para fazer esse recadastramento: a página https://cadastro.adufrj.org.br. O sistema permanecerá ativo mesmo após as eleições para facilitar este procedimento junto à secretaria da AdUFRJ. A página pode ser acessada também pelo site da AdUFRJ, na opção “Atualize seus dados”, no menu superior.

No primeiro acesso, o professor deverá clicar em “esqueci minha senha” e informar o e-mail pelo qual recebe as informações da AdUFRJ. Ele vai receber um link para definir a senha. A partir daí, é só atualizar os dados pessoais e profissionais.

Caso receba a mensagem “e-mail não encontrado”, o professor deverá entrar em contato com a secretaria pelo número de whatsapp (21) 99365-4514.

Nessa mesma página, na parte inferior, há um botão verde para facilitar o contato. Quem não tiver o aplicativo pode falar com a secretaria pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelos telefones (21) 99365-4514 ou 99808-0672.

A página de cadastro também orienta como os professores podem se filiar à AdUFRJ. Mas novos sindicalizados não poderão participar da eleição deste ano. O prazo era até 13 de julho.

WhatsApp Image 2021 08 06 at 21.44.36Para participar da primeira eleição virtual da história da AdUFRJ, é essencial que os sindicalizados estejam com seus dados atualizados no cadastro do sindicato. Em função da pandemia, a divulgação dos materiais relativos ao pleito e do próprio link da votação vai ocorrer pelo e-mail. O método, defendido pela diretoria, foi aprovado em Assembleia Geral de 9 de julho.

E, a partir desta semana, os professores ganharam uma nova opção para fazer esse recadastramento: a página https://cadastro.adufrj.org.br. O sistema permanecerá ativo mesmo após as eleições para facilitar este procedimento junto à secretaria da AdUFRJ. A página pode ser acessada também pelo site da AdUFRJ, na opção “Atualize seus dados”, no menu superior.

No primeiro acesso, o professor deverá clicar em “esqueci minha senha” e informar o e-mail pelo qual recebe as informações da AdUFRJ. Ele vai receber um link para definir a senha. A partir daí, é só atualizar os dados pessoais e profissionais.

Caso receba a mensagem “e-mail não encontrado”, o professor deverá entrar em contato com a secretaria pelo número de whatsapp (21) 99365-4514.

Nessa mesma página, na parte inferior, há um botão verde para facilitar o contato. Quem não tiver o aplicativo pode falar com a secretaria pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelos telefones (21) 99365-4514 ou 99808-0672.

A página de cadastro também orienta como os professores podem se filiar à AdUFRJ. Mas novos sindicalizados não poderão participar da eleição deste ano. O prazo era até 13 de julho.

 

Inscrição de chapas para diretoria da AdUFRJ vai até o dia 12

A reunião do Conselho de Representantes nesta sexta-feira, dia 6, por determinação do regimento, aprovou a comissão que vai conduzir as eleições da AdUFRJ, marcadas para os dias 13, 14 e 15 de setembro.

São integrantes da comissão eleitoral o professor Hélio de Mattos Alves (como presidente), da Farmácia, ex-diretor do sindicato (gestão 1985-1987) e ex-prefeito universitário; o professor Luciano Coutinho, da FACC, também ex-diretor do sindicato (gestão 2013-2015) e a professora Maria Fernanda Elbert, do Instituto de Matemática.

Presidente da AdUFRJ, a professora Eleonora Ziller elogiou os nomes da comissão. “Essas indicações são de pessoas que têm condições de tocar o trabalho com tranquilidade”. E completou: “Os próximos anos não serão dos mais fáceis. Deixo, desde já, meus parabéns e minha admiração por todos que estão envolvidos neste processo” . Eleonora disse que a diretoria deve chamar uma reunião do Conselho, depois das eleições, para avaliar a prestação de contas da atual gestão.

CRONOGRAMA
Termina em 12 de agosto o prazo de inscrição para chapas à Diretoria da AdUFRJ junto à secretaria da AdUFRJ. Já as listas de candidatos ao CR têm mais tempo: poderão se inscrever até 2 de setembro. Estão aptos a votar todos que se sindicalizaram até 13 de julho deste ano. A posse da nova gestão e do novo conselho ocorre em 15 de outubro.

No início da reunião, a diretora Christine Ruta anunciou o novo sistema de recadastramento dos docentes filiados à AdUFRJ (leia mais ao lado). “Fizemos vários testes. Pedimos que todos acessem. A pessoa gasta dois minutos para preencher. É muito rápido”, afirmou.

 

Qual é o alcance que o vírus da covid-19 pode ter no corpo humano? Para contribuir com esse conhecimento, um estudo realizado em parceria da UFRJ com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou a existência de partículas do Sars-Cov-2 na retina de pacientes mortos pela doença. Publicada no dia 29 de julho, na seção de Oftalmologia do periódico norte-americano JAMA (Journal of the American Medical Association), a pesquisa analisou os olhos de dois homens e uma mulher, vítimas fatais da covid-19 com idades que variavam de 69 a 78 anos. Segundo Wanderley da Silva, professor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF/UFRJ) e um dos coordenadores do projeto, a descoberta alerta a comunidade médica para a abrangência do dano que o vírus pode causar nos infectados.

“Hoje, a principal preocupação está nos pulmões e nos rins, por isso muitas vezes o olho nem é examinado. A partir da publicação e da ampla divulgação desse artigo, examinar os olhos desses pacientes também deve passar a ser rotina”, comenta Wanderley. Chefe do Laboratório de Ultraestrutura Celular Hertha Meyer (LUCHM), onde as amostras foram analisadas, ele acredita que os oftalmologistas poderão iniciar tratamentos que minimizem as lesões, ao perceber a presença do vírus. “Como ainda não temos nenhuma droga que mate o vírus, podemos usar anti-inflamatório, pois as lesões causadas pelo vírus têm um envolvimento com o sistema inflamatório”, completa.

MAIS CONHECIMENTO
A parceria foi proposta por pesquisadores do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), que detectaram em maio WhatsApp Image 2021 08 06 at 21.49.42de 2020 alterações na retina como consequência da covid-19. Na ocasião, o estudo foi publicado no periódico inglês The Lancet. “Eles nos perguntaram do interesse de analisarmos esse material, e rapidamente nós aceitamos”, conta Wanderley. Todas as amostras do estudo, obtidas a partir de vítimas da covid-19, foram enviadas pela Unifesp. Através da microscopia, os pesquisadores da UFRJ puderam identificar as diversas lesões apontadas pelos médicos de São Paulo, e também confirmar a presença de estruturas semelhantes ao vírus na retina.

“Primeiro a gente prepara uma solução fixadora especial, que é enviada para São Paulo. O tecido é colocado nessa solução, que mata todos os vírus, mas preserva a estrutura do tecido”, explica o professor. As soluções são preparadas no LUCHM, e as observações feitas no Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (Cenabio), ambos localizados no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ. “O tecido é enviado para cá e aqui ele é processado por alguns dias, até a obtenção dos cortes. Eles são levados para um microscópio óptico para análise do aspecto geral e, se estiverem bem, levamos para um microscópio eletrônico de transmissão, no Cenabio”, descreve Wanderley.

A dificuldade para avaliar as amostras faz dessa pesquisa uma descoberta singular. “Não é comum que partículas sejam detectadas na retina, pois as técnicas para análise e detecção das partículas são complexas”, observa a doutora Alléxya Affonso, coautora da pesquisa. Médica oftalmologista e pesquisadora pela Unifesp, Alléxya acredita que à medida que se adquire mais conhecimento sobre os mecanismos de ação do vírus, mais fácil se torna a busca por combatê-lo. “Saber que o vírus está presente nos tecidos oculares nos ajuda a entender como ocorrem as alterações oftalmológicas devido a sua ação”, afirma.

SISTEMA NERVOSO CENTRAL
Além do Sars-Cov-2, outros vírus já haviam sido identificados como causadores de danos na retina, a exemplo do herpesvírus e do citomegalovírus. “Esses vírus exigem muita atenção, pois possuem a capacidade de entrar no sistema nervoso central”, destaca Carlla Silva, doutoranda do IBCCF/UFRJ e coautora da pesquisa. Ela explica que nem todos os patógenos são identificados com essa capacidade, pois o sistema nervoso central tem barreiras de defesa. No caso da retina, existe a barreira hemato-retiniana e, no cérebro, a barreira hematoencefálica. “São barreiras especiais, com células de proteção. Devemos ter um olhar ainda mais vigilante para os vírus que são capazes de invadir esses tecidos”, ressalta.

Segundo Carlla, outros artigos já vinham indicando a presença de partículas do Sars-Cov-2 em regiões próximas à retina, tanto em lágrimas quanto no tecido da conjuntiva, que estão em torno do olho. “Essa pesquisa reforça que não é só a parte respiratória que pode ser afetada. Muitas vezes as pessoas sequer manifestam esse quadro respiratório, e sim problemas intestinais e gástricos, entre outros”, lembra. A confirmação de que o vírus pode chegar à retina desses pacientes possibilita que os médicos deem mais atenção a determinadas queixas, que podem indicar quadros oftálmicos. “Esse é mais um estudo para somar no conhecimento de como esse vírus atua, se replica, como ele invade os sistemas do corpo, e quais são as avaliações que o médico pode fazer’’, diz.

O grupo de pesquisadores em São Paulo, coordenado por Rubens Belfort Jr., professor da EPM/Unifesp e presidente da Academia Nacional de Medicina, começará a aprofundar os exames oftalmológicos em pacientes vivos, infectados pela covid-19. Wanderley, que coordena o grupo da UFRJ, observa que ainda há muita pesquisa pela frente. “Agora nós temos que estudar a questão de todas as lesões que aparecem, em pacientes de diferentes graus de infecção”, afirma o professor. No entanto, os pesquisadores do seu laboratório só poderão participar de estudos relativos às vítimas fatais. “Nós precisamos avaliar com microscópios o tecido, que só pode ser obtido de fragmentos dos olhos daqueles que já faleceram”, finaliza Wanderley.

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