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WhatsApp Image 2024 05 03 at 20.01.02 3 Telhados em estado precário causam infiltrações em salas, corredores e laboratórios - Fotos: Fernando SouzaHá 16 anos, professores, técnicos e estudantes fazem o possível e o impossível para consolidar a presença da UFRJ na Baixada Fluminense. O carinho dos servidores pelos alunos e a excelência dos laboratórios do campus Caxias, alguns com equipamentos de última geração, convivem com telhados precários, falta de climatização nas salas de aula, prédios inacabados e um processo de institucionalização incompleto.
“Caxias é o improviso do improviso do improviso da universidade”, afirmou a diretora do campus, professora Juliany Rodrigues, em reunião com a AdUFRJ, no último dia 24. Durante a manhã e parte da tarde, a dirigente e um grupo de docentes relataram à presidenta do sindicato, professora Mayra Goulart, os desafios de fazer ensino, pesquisa e extensão naquela região.
A improvisada história da UFRJ Caxias começa em Xerém, no ano de 2008. A comunidade acadêmica se apertava em um conjunto de contêineres, no terreno da União próximo ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). “Lá, a gente dividia o espaço com um time de futebol da cidade, com uma creche e a Fundec (uma fundação do município)”, lembra Juliany. Os módulos eram alimentados por geradores.
Em 2018, começou a mudança para a sede atual, às margens da Rodovia Washington Luiz, em Santa Cruz da Serra.De novo, mais um improviso. Agora, a UFRJ funciona em um terreno da prefeitura onde seria instalado um campus da Uerj voltado para esportes de alto rendimento.WhatsApp Image 2024 05 03 at 20.08.21 1
É o que explica o inusitado: nos fundos do campus de 25 mil metros quadrados, o visitante se depara com um complexo de quatro piscinas nunca utilizadas — uma delas olímpica, ladeada por arquibancada e vestiários. A direção mantém cuidado permanente para que o local não vire focos de mosquitos.
O espaço começou a ser construído entre 2007 e 2009 na gestão do prefeito Washington Reis (do então PMDB), mas não chegou a ser inaugurado. Com a eleição de Zito (PSDB), o projeto do antecessor foi deixado de lado e o terreno ficou abandonado por quase uma década até ser oferecido à UFRJ.
A universidade aceitou. Mesmo sem água encanada. Até a rede ser concluída em 2022, o campus era alimentado por caminhões-pipa. “Viemos porque não dava mais para ficar lá em Xerém. Ou saía de lá ou fechava as portas”, resume Juliany.
Já a rede de energia era – e ainda é – insuficiente. No início, havia apenas uma subestação simplificada. Aparelhos de ar-condicionado foram instalados nas janelas, mas não puderam ser ligados, por falta de carga. Há dois anos, a subestação completa foi construída, mas ainda resta fazer a ligação para todas as salas e laboratórios. “Não temos climatização em todas as salas. E aqui em Caxias, quando é calor, é calor de verdade. Em várias salas, o sol bate direto”, afirmou a diretora acadêmica do campus, professora Carolina Braga. No verão, não é incomum alunos e professores passarem mal com o clima quente.
WhatsApp Image 2024 05 03 at 20.39.23Diretora do campus, a professora Juliany Rodrigues mostra a piscina olímpica jamais utilizada, nos fundos do campusFora das salas, a situação não é muito melhor. Sem árvores e bancos nos jardins, os alunos descansam entre uma aula e outra nas poucas cadeiras disponíveis nos corredores. Mas a maioria se acomoda no chão mesmo, onde há sombra e alguma chance de vento.
As chuvas também são um tormento. Com telhados jamais reformados, os três blocos sofrem com persistentes infiltrações. Em um dia de sol — e mesmo sem ter chovido na véspera —, a reportagem constatou várias goteiras. Paredes estufadas, amareladas pela umidade, estão por toda parte, assim como as poças pelos corredores. Um temporal já inviabilizou as aulas, em março deste ano.
O professor William Tavares diz que o grande desgaste da comunidade com a precária infraestrutura dificulta a fixação de profissionais e induz a evasão estudantil. “O docente que está aqui, se tem oportunidade de ir para um instituto no Fundão, ele fica um tempo e depois vai embora. O aluno, se tem chance de ir para outra unidade, se estiver dentro do orçamento dele, vai embora. Já aconteceu algumas vezes”, critica.

IMPACTO SOCIAL
Metade dos 550 alunos de graduação do campus é da própria Baixada: Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu, Mesquita, Guapimirim e Magé, principalmente. Muitos moram em repúblicas de Xerém. Quase todos vêm de famílias vulneráveis. O levantamento mais recente da Coordenação de Desenvolvimento e Suporte Acadêmico indica que 80% deles são os primeiros da família a cursar o ensino superior, 60% são negros e pardos; e 90% fizeram toda a educação básica em escola pública.
Para fazer a diferença em mais famílias da região, a vice-diretora Luisa Ketzer reivindica o adensamento do campus. “É muito triste o período de recesso. O campus fica praticamente vazio, com poucas pessoas que atuam na pós-graduação. O bandejão (que só funciona no horário de almoço) fecha por falta de demanda”. Sem o restaurante universitário, ou o aluno traz uma marmita ou é preciso apelar para alguns poucos ambulantes que circulam no local.
A demanda, no entanto, depende de investimentos em infraestrutura e contratação de pessoal. Atuam em Caxias apenas 56 professores efetivos, 13 substitutos e 58 técnicos-administrativos. Para expandir as atividades acadêmicas atuais, a direção sonha finalizar dois blocos da construção original do campus. A estimativa é que as obras — que já têm projeto — custem R$ 10 milhões. Mas não há recursos disponíveis para as reformas. “O espaço hoje é muito limitado. Os equipamentos estão amontoados”, afirma Luisa em referência aos laboratórios.
Como se não bastassem todas as demandas de infraestrutura, há o clamor por mais reconhecimento institucional. Caxias figura no estatuto da universidade desde 2018 como um campus sem nenhuma unidade acadêmica. Funciona ainda com um conselho deliberativo provisório. A diretora possui mandato de apenas dois anos, prorrogáveis por mais dois.
“Precisamos ter novos cursos de graduação. Ter mais docentes e técnicos. Melhorar a infraestrutura”, afirma Juliany. “É muito difícil consolidar a presença da UFRJ com uma estrutura tão mínima. Essa região merece uma UFRJ completa”, resume a diretora.

MELHORIAS À VISTA
Uma grande dor de cabeça da comunidade parece estar com os dias contados, pelo menos. A direção conseguiu R$ 2,8 milhões de recursos CIP (custo indireto de projeto) junto à reitoria. São verbas que resultam do ressarcimento da utilização das instalações e serviços da universidade em projetos ligados à área do petróleo. Elas ficam na Fundação Coppetec e não fazem parte do orçamento da universidade. Deste montante, R$ 1,052 milhão será aplicado na reforma dos telhados.
“Imagino que em 15 dias o edital de licitação será publicado. Como pela fundação o processo licitatório é mais simples e rápido, é possível que em cinco ou seis semanas a obra já possa estar começando”, explica Juliany.
O restante dos recursos deverá ser utilizado no projeto de reforma elétrica, recém-finalizado pelos engenheiros do Escritório Técnico da Universidade (ETU). O documento contempla a conclusão da rede elétrica dos blocos A e C (de aulas e laboratórios), além da instalação de todos os aparelhos de ar-condicionado, incluindo 56 já comprados para as salas que não têm nenhum.WhatsApp Image 2024 05 03 at 20.03.46Docentes relataram os problemas locais para a presidenta da AdUFRJ, Mayra Goulart

REITORIA RESPONDE
A reitoria diz ter todo o interesse em ampliar a oferta de cursos no campus. “No entanto, precisamos superar algumas barreiras para que isso ocorra de forma sólida e harmoniosa. Precisamos garantir infraestrutura física e de pessoal e, principalmente, ofertar cursos que atendam à demanda da sociedade”, afirma a vice-reitora, professora Cássia Turci. O principal problema é a falta de orçamento da universidade.
Durante o fechamento desta edição, a reitoria visitava Caxias para ouvir as demandas de servidores e estudantes e discutir o que esperam do campus.
Presidenta da AdUFRJ, a professora Mayra Goulart avaliou a visita ao campus. “Vimos uma direção dedicadíssima e professoras e professores que estão fazendo sacrifícios pessoais gigantescos para trabalhar”, disse. “O projeto de Caxias é lindo, mas as condições de trabalho não contemplam o ideal de excelência e inclusão que inspirou a criação do campus de Caxias”.

 

LABÓRATÓRIO MODELO

Nem tudo é problema em Caxias. O laboratório do Núcleo Multidisciplinar de Pesquisa em Biologia (NUMPEX-BIO), de 360 m², porta um conjunto deWhatsApp Image 2024 05 03 at 20.37.47 equipamentos que somam R$ 15 milhões e acaba de completar dez anos de sucesso. Mesmo localizado no conjunto de contêineres trazido de Xerém, é considerado um modelo para toda a UFRJ. “Talvez na Coppe você encontre um laboratório como o nosso, mas não com o diferencial de ser multiusuário”, orgulha-se Juliany. O espaço presta serviço para quinze programas de pós-graduação da própria UFRJ ou de outras instituições de pesquisa. Ali não existem goteiras.

 

MEDICINA EM CAXIAS?

WhatsApp Image 2024 05 03 at 20.37.28Nos fundos do campus, uma obra chama a atenção. A prefeitura de Caxias ergue um prédio de três andares e uma placa indica que o imóvel será a sede da “Escola de Medicina”. Mas, pelo menos por enquanto, a situação é mais vontade do município do que uma iniciativa da universidade.
A reitoria considera importante que qualquer novo curso seja muito discutido, ainda mais em uma situação de crise orçamentária da universidade. “Tem que ser um trabalho bem cuidadoso. Com muito critério”, afirma a vice-reitora Cássia Turci. Ex-diretora do Instituto de Química, a docente fala com a experiência de ter participado da implantação dos cursos de Licenciatura em Química e, posteriormente, do bacharelado, em Macaé.
A diretora do campus torce para a Medicina vingar, mas não descarta utilizar a construção para outros cursos. “Na minha concepção, esse curso seria muito bom. Caxias tem a maior rede municipal de saúde do estado, com diferentes especialidades. Nas proximidades do campus , um novo hospital será construído”, informa. “Mas a ideia é aproveitar a nova infraestrutura para uma futura expansão ou para outros cursos, quando ficar pronta”, diz.
Ainda há um bom tempo para a discussão do que fazer do novo prédio. A obra deve durar pelo menos mais um ano.

440446482 844801234360300 7923871565388346823 nUm novo desabamento aconteceu na noite de 1º de maio no prédio da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD). As aulas no edifício estão suspensas por tempo indeterminado. “O vigilante da noite ouviu barulhos e resolveu fazer uma ronda no prédio, quando chegou no corredor, ouviu um novo estalo, mais forte. Ele parou e a parede desabou à frente dele. Felizmente ele não se feriu”, contou o vice-diretor da unidade, professor Alexandre Palma.
O prédio estava vazio por conta do feriado do trabalhador e devido ao horário. Já passava das 22h. O corredor ficou tomado por grandes blocos de concreto. A diretora da unidade, professora Kátya Gualter, informou que o corredor atingido é muito demandado por toda a comunidade acadêmica. “Ali funcionam o Gabinete da Direção, Coordenação de Extensão, RH, Coordenação de Esportes, Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Física e Coordenação do Programa de Pós graduação em Dança”, elencou.
A professora Kátya informou que está em diálogo com a reitoria e outras unidades para redistribuir as aulas do prédio para outras unidades. Em princípio, não está em análise a suspensão do período para os cursos atingidos. “Ainda não sabemos como se dará essa reorganização. Faremos um Conselho Departamental na segunda ou na terça para esse planejamento”.
Este é o segundo incidente ocorrido no prédio da Educação Física. “A dinâmica foi a mesma do desabamento anterior. Estalou primeiro e estourou para dentro do corredor depois”, explicou Palma. O primeiro desabamento aconteceu em setembro do ano passado. O prédio estava em aulas, mas felizmente ninguém se feriu.440450070 844801667693590 3678190276877488548 n
Em vídeo publicado nas redes sociais, o reitor Roberto Medronho falou que está em diálogo direto com a prefeitura do campus, com o Escritório Técnico Universitário e com a direção da escola para as primeiras medidas para resolver emergencialmente o problema da suspensão das aulas no prédio da Educação Física. “Mas a solução definitiva virá com a suplementação orçamentária. Nós temos várias edificações sob risco e a UFRJ precisa urgentemente dos recursos necessários para manter as suas edificações seguras”, afirmou.
 
Fotos: Silvana Sá

resultado agOs professores da UFRJ decidiram, por ampla maioria, rejeitar a proposta do governo, de reajuste salarial de 9% em 2025 e 3,5% em 2026. Foram 489 votos pela rejeição, 250 pela aprovação e 18 abstenções. O resultado reflete a posição da diretoria, de que ainda é preciso mobilizar mais a categoria e negociar mais com os ministérios, já que a proposta do governo ainda é insuficiente para dar conta das perdas salariais e penaliza mais os professores mais jovens que terão, no acumulado, percentuais menores de recomposição salarial.

A assembleia aconteceu nesta sexta-feira, 26, das 14h30 às 19h. Houve presenças no auditório Quinhentão e via Zoom. A votação se deu pela plataforma Helios Votting.

Ao longo dos debates, muitos professores declararam que estavam muito preocupados com as questões estruturais e de financiamento da universidade e exigiram a realização de uma assembleia para debater este ponto de pauta. A diretoria da AdUFRJ, no entanto, informou logo no começo da reunião que agendou uma nova assembleia que tratará deste tema e de formas de mobilização no dia 10 de maio. O local ainda será definido, mas já está decidido que será uma assembleia presencial, multicampi e com voto em urna. A greve novamente será pautada.

Presidenta da AdUFRJ, a professora Mayra Goulart celebrou a posição dos professores da universidade. “Estamos satisfeitos com a avaliação da categoria que, neste momento da negociação, entende que a proposta do governo é tímida para as nossas necessidades”, diz. “O resultado da votação reflete a nossa posição, que é a de pressionar o governo por melhores salários e melhores condições de trabalho”.

 

A maioria das assembleias e consultas realizadas a professores federais em todo o país rejeitou a proposta de reajuste salarial apresentada pelo governo na mesa de carreira ocorrida no dia 19 de abril. A proposta mantém a negativa de reajuste para 2024, apresenta índice de 9% em 2025 e de 3,5% em 2026. Além disso, indica o aumento de meio por cento nos steps – os níveis da carreira em cada classe – de 4% para 4,5% nas classes C e D para o magistério superior e EBTT.
Diante do quadro, tanto o Andes quanto o Proifes - que representam docentes universitários (a AdUFRJ é filiada ao Andes) - indicam contrapropostas em resposta ao governo federal para a continuidade das negociações. Veja abaixo.
 
PROPOSTAS DO ANDES
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PROPOSTAS DO PROIFES
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Em reunião na mesa específica do setor de Educação, no último dia 19, o MGI apresentou uma nova proposta de reajuste salarial para os professores federais. No lugar dos 4,5% anteriormente oferecidos para maio de 2025 e maio de 2026, o governo sinalizou com 9% para janeiro de 2025 e 3,5% para maio de 2026.
Além disso, o governo propôs aumento de 4% para 4,5% nos steps nas classes C e D (do magistério superior) e DIII e DIV (do EBTT) a partir de janeiro de 2025. Para a carreira EBTT, o governo também aceitou o fim do ponto eletrônico. E garantiu que, atendidos os critérios estabelecidos em lei, o docente não terá prejuízo financeiro e no tempo de interstício para progressão e promoção, desde que realize o pedido em até seis meses.
Nesta página, apresentamos de forma resumida a proposta do governo, que inclui ainda um aumento nos benefícios, cujo acordo foi assinado nesta quinta-feiraWhatsApp Image 2024 04 25 at 21.01.30WhatsApp Image 2024 04 25 at 21.01.30 2WhatsApp Image 2024 04 25 at 21.01.29 1WhatsApp Image 2024 04 25 at 21.01.29WhatsApp Image 2024 04 25 at 21.01.30 1 (veja AQUI).

 

 

 

 

 

 

 

 

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