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Reitoria da UFRJ decidiu suspender as aulas por 15 dias, a partir da próxima segunda-feira, 16. A decisão segue orientação do grupo de infectologistas da universidade que, há três semanas, monitora a pandemia. A reitora informa que o retorno letivo será avaliado, a partir dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde.

A medida é voltada para a graduação e a pós-graduação. Também estão canceladas todas as atividades extracurriculares.

A quarentena produtiva significa trabalho em regime de home office, sem sair de casa, mesmo para quem não apresenta os sintomas da doença.

Há recomendação de que todos os estudantes permaneçam em seus domicílios, mantendo distanciamento social, "o que implica evitar aglomerações de qualquer natureza", diz trecho de nota difulgada pela administração central.

Bancas de monografia, dissertação e teses deve ocorrer, sempre que possível, de maneira remota.

Estão mantidos: o funcionamento dos hospitais e as atividades administrativas.

 

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Em assembleia, no dia 12 de março, os professores da UFRJ, aprovaram por ampla maioria a greve de 24h no dia 18 de março.

No total, 123 docentes compareceram à assembleia realizada em três campi (Fundão, Praia Vermelha e Macaé). Foram 109 votantes: 107 favoráveis e 2 contrários à paralisação.

Veja o resultado por locais.

FUNDÃO:
41 votantes
39 sim
2 não

PRAIA VERMELHA:
55 votantes
55 sim

MACAÉ
13 votantes
13 sim

assembleia

Elisa Monteiro
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Não há adversidade que tire o brilho da chegada dos calouros. A universidade se agita nos dias das matrículas. Centros Acadêmicos, Atléticas e o Diretório Central (DCE-Mário Prata) acampam nos arredores para recebê-los. Os novos rostos estampam as esperanças e as inseguranças em relação ao futuro. A ocasião é o primeiro contato de muitos jovens e suas famílias com o ensino superior.

Para o primeiro semestre de 2020, a UFRJ recebeu 4.962 novos estudantes. Foram 2.467 vagas da ampla concorrência e 2.495 destinadas às ações afirmativas. As matrículas dos cotistas foram realizadas nos dias 3 e 4. No dia 5, foi a vez dos demais estudantes.

A AdUFRJ ouviu dez estreantes de nove cursos sobre suas expectativas em relação à UFRJ e às carreiras escolhidas. A abordagem foi realizada no primeiro dia de matrículas com alunos autodeclarados afrodescendente e hipossuficientes. Alguns já fazem as contas de horas de sono a menos estudando. Ou, no transporte público para chegar à faculdade.

As notícias de vacas magras não passam despercebidas pela nova geração. Nem o atual desprestígio do conhecimento universitário. O sonho de fazer pesquisa é expresso mais de uma vez em tom de incerteza. “Nesse Brasil, não sei como fica”, diz a caloura Enaura Rangel.

Mesmo assim, o balanço geral é positivo com poucas opiniões sobre “os pontos fracos da universidade”. “Ainda não encontrei!”, encerra o assunto sorrindo, Alana Catarina, a futura assistente social, logo após finalizar sua matrícula.

 

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Adalto Lima
Enfermagem

O técnico em enfermagem deseja explorar as possibilidades da carreira acadêmica. “Pesquisa, docência”, planeja. A primeira impressão de onde
vai estudar foi positiva: “Não tem cheiro de hospital!”, brinca. A maior preocupação é o deslocamento. “No mínimo uma hora e meia para vir e uma hora e meia para voltar”.

 

Alana Catarina
Serviço Social

Formar-se bem para atuar como asssitente social é o sonho de Alana Catarina. “Espero que me identifique com o curso que escolhi”, diz. O curso noturno atende a outro desejo: conciliar trabalho e estudo. “Acredito que esse será o principal desafio para mim. Pontos fracos da UFRJ ainda não encontrei!”, acrescenta.

 

Gisella Alves
Direito

No espírito da gíria “sem tempo, irmão”, a futura advogada optou pela Faculdade Nacional de Direito mirando o mercado de trabalho. “Quero fazer concurso público o mais rápido possivel”, declara. Ex-aluna do Colégio Pedro II do Engenho de Dentro, ela teme dificuldades de “infraestrutura da educação pública”.

 

Enaura Rangel
Biofísica

Jovem com gosto pela área de saúde, Enaura Rangel conta que sonha em ser pesquisadora. “A gente fica ansiosa com o pós-faculdade, né?”, pondera a caloura. “O Brasil está desse jeito. sem investimento em educação. A tendência da governo é sucatear a universidade”, avalia a futura aluna de Biofísica.

 

João Marins e Daniele Chagas
Arquitetura e Urbanismo

Diretamente do curso técnico em edificações do Cefet, a dupla de amigos agora se prepara para ocupar a FAU. Ele destaca as políticas afirmativas da UFRJ. “As medidas de inclusão daqui são fortes”, avalia positivamente. Já Daniele cita a pesquisa da universidade como um dos fatores diferenciais em relação às demais instituições de ensino superior.

 

Gabriel Fonseca
Ciências Matemáticas e da Terra

O calouro do CCMN ingressa no curso visando uma chance para chegar à Ciência da Cumputação. O morador da Maré aponta como possível obstáculo para sua formação a falta de investimento público. “Talvez o curso não receba a verba que precisa para se manter. O governo não se preocupa com isso”.

 

Gabriel Cota
História

Embora a pesquisa tenha prestígio, o interesse de Grabriel Cota na História é “dar aula”. Ansioso, o universitário já conheceu e aprovou as instalações: “Combina muito com o curso!”. Para ele, o que deixou a desejar foi a recepção. “Tanto as informações como o acolhimento poderiam ser melhores”, acredita.

 

Alex Cícero
Engenharia da Computação

O reconhecimento do mercado de trabalho é a expectativa do futuro engenheiro da Escola Politécnica. “Eu decidi pela UFRJ porque ela é grande refrência na minha área”, justifica o calouro. Em sua visão, a maior dificuldade que enfrentará será a distância entre o Fundão e sua casa, em Realengo.

 

Beatriz Santana
Letras

“Só de dizer que entrei aqui, passei numa entrevista. O nome da UFRJ é muito forte”, diz. Como ponto fraco, elege a burocracia. “A gente já passa tanto sofrimento para ter direitos reconhecidos, a universidade poderia ser melhor”, critica. Como exemplos citou a comprovação de renda e a etapa de heteroidentificação.

 

Prefeitura lista melhorias

A Prefeitura Universitária informa como está se preparando para receber os novos e antigos alunos na universidade. Apesar dos cortes no orçamento, o prefeiro Marcos Maldonado listou uma série de melhorias no campus Fundão para o reinício das aulas. “Em primeiro lugar, a manutenção geral dos pontos de ônibus. Estão sendo todos limpos, com as telhas lavadas, pintados e em dia com a iluminação”, diz o prefeito.

O reforço na iluminação da Cidade Universitária, segundo Maldonado, faz parte de uma estratégia de segurança que reduziu em 60% o registro de ocorrências – desde o início de seu mandato, em julho passado. O posicionamento das patrulhas policiais também foi alterado: “Vamos ter uma viatura parada em cada um dos seguintes pontos: entre o CT e a Letras; entre o CCS e a Educação Física; e outro entre o CT e o CCMN. Fora as que vão ficar circulando”. A expectativa é de circulação de sete a oito viaturas, informou o prefeito da UFRJ.

Outra mudança considerada positiva foi a troca de empresa que presta o serviço de transporte universitário gratuito. “Diminuímos os intervalos e estamos atendendo com mais qualidade. Nós aumentamos a linha e a circulação está bem melhor”, afirma. “Os ônibus são melhores. Todos eles com ar-condicionado e contam com acessibilidade”, justifica Maldonado.

Segundo a Prefeitura Universitária, as sinalizações de trânsito e limpeza do campus foram reforçadas para este início de semestre letivo. Ele ainda informou sobre a manutenção de 850 aparelhos de ar-condicionado, que devem dar um refresco às unidades da UFRJ.

 

UFRJ: Nas alegrias e nas tristezas...

Cenário de filme, a Biblioteca da Faculdade Nacional de Direito é uma referência para a área. “Além de estudantes e professores da casa, temos demandas de outras instituições. Inclusive estrangeiras”, revela, orgulhosa, a chefe da Biblioteca Fátima Madruga.

O acervo conta com mais de cinquenta e cinco mil volumes, além de oferecer obras e documentos raros para pesquisa especializada. Mais de 80 mil usuários frequentaram a biblioteca somente em 2019. Dividida entre um salão de leitura de acervo e outra para estudo de material próprio, a biblioteca é um espaço especial que mescla tecnologia com aconchego. “Graças ao sistema eletrônico de segurança, os alunos podem trazer seu próprio material para estudo”, explica a bibliotecária.

No oitavo período, Luiza Mello se prepara para concurso público e para o exame da OAB, na biblioteca durante o recesso universitário. “Eu gosto muito daqui. Às vezes a gente vem só para ficar sentado nesse silêncio. É um lugar de muita paz. Durante as aulas, fica cheia”, relata.

A mesma unidade que tem uma biblioteca de referência internacional, sofre com a falta de estrutura. O teto do quarto andar desabou na madrugada do dia 11 de fevereiro. Trê salas de aula ficaram impossibilitadas para o uso. E permanecerão interditadas até que haja recursos para a reparação. A unidade aguarda auxílio financeiro da reitoria. De acordo com o diretor da FND, professor Carlos Bolonha, não haverá atraso no início das aulas. “As turmas serão transferidas para os dois auditórios”, informa o diretor.

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DIRETORIA

As águas de março fecham o verão que não houve e abrem o semestre letivo com a esperança de que a volta às aulas amplifique nossa voz. Temperaturas muito baixas para a estação, mas para a política nacional, o termômetro subiu alguns graus após as últimas movimentações do governo e do núcleo bolsonarista. Os desaforos entreouvidos do general serviram de mote para a organização de uma nova e perigosa onda de ataques à vida democrática do país. Não estamos diante de nenhuma novidade, considerando que o atual presidente já a havia afrontado brutalmente, quando teve a ousadia de homenagear um torturador diante de um congresso que não soube, não pode, não quis responder à altura. De lá para cá, de modo ainda que combalido e insuficiente, nossas instituições tentam resistir a esse projeto autoritário, que apesar de não disfarçar seus intentos, não tem conseguido fazer a cama como gostaria. Esse é o imbróglio que estamos vivendo.

Se olharmos os últimos passos desse desgoverno durante o recesso acadêmico, veremos que a intenção posta em gestos não deixa nenhuma dúvida de que estamos diante de uma ação sistemática para corroer e estrangular o princípio mais caro e precioso da vida universitária: a autonomia. Princípio esse que ganhou forma no artigo 207, e que vem sendo atacado por todas as vias disponíveis: medidas provisórias, como a 914, que trata da eleição para o reitor, ou as malfadadas portarias para controle e restrição de viagens, chegando ao limite de tentar antecipar os efeitos das propostas de emendas constitucionais que preveem a redução salarial do servidor público através de ofícios “alertando” os reitores para os riscos do não cumprimento da “regra de ouro”.

A guerra declarada à educação e aos professores só tem paralelo aos também persistentes ataques à imprensa e aos jornalistas. Mas aqui vale o destaque especial para as jornalistas, que também têm sido alvo preferencial de impropérios e ameaças. Se voltarmos à cena inicial, aquela de 2016, quando o então deputado ousou homenagear um torturador, lembraremos que esta foi motivada pelo voto durante a sessão de votação do impeachment da presidente da República, que era uma mulher que no passado havia sido ela mesmo vítima de tortura. O gesto violento e autoritário, covarde e irresponsável, já anunciava o grau de periculosidade de que um governo como esse poderia chegar. Mas nesse nosso estranho país da cordialidade, sempre é dado a gente como ele uma certa “condescendência”, que permite que esse tipo de “bravata” caia no anedotário geral da nação, desde que permita que tudo caminhe como sempre deveria caminhar.

E o que deve caminhar? O que se espera desse governo? A reforma administrativa e tributária, o desmonte da legislação e de toda a rede de proteção ao cidadão, e o que ainda sobrevive de soberania nacional. Não é pouco o que está em jogo. E se tudo isso que está acontecendo demonstra que nosso edifício institucional é frágil, que nossas conquistas democráticas foram muito superficiais, e que nosso congresso é pouco consciente de seu papel (para dizer o mínimo), só reforça a ideia de que apesar dos descréditos e cansaços, o caminho a seguir não poderá ser outro que não o de reconstruir, reorganizar, redemocratizar o país. Não se trata de defender instituições encarquilhadas e burocratizadas, mas de refazê-las com a força das ruas, da vida e da organização da sociedade.

Por tudo isso, o 8 de março se reveste uma importância cada vez maior. A velha e carcomida sociedade patriarcal, que é a mais pura expressão da velha ordem escravocrata e colonial, insiste em não morrer. Mas nós persistiremos e demonstraremos que já não há lugar para eles nesse mundo. Marcharemos pela vida, pela democracia, pela liberdade.

 

DIRETORIA

O recesso na UFRJ chega ao fim, o CONSUNI retorna às suas atividades regulares, assim como a plenária de decanos e diretores de unidade. Estivemos presente em ambos, e graças a uma nota que lemos na abertura dos trabalhos de 2020, o CONSUNI aprovou uma manifestação de repúdio aos ataques que a universidde vem sofrendo. Toda essa movimentação culminou com o documento que a Reitoria divulgou afirmando a manutenção das contratações, nomeações e progressões a que fazem direito os servidores técnicos-administrativos e docentes. Um passo importante, que não foi uma decisão isolada, mas articulada a um movimento nacional mais amplo e que tem nosso apoio integral. Trata-se de um entendimento que precisa ser consolidado em todas as instâncias da universidade, desde chefes de sessões a diretores de unidade: nós não somos uma repartição pública subordinada ao MEC. Somos uma instiuição que possui autonomia garantida em dispositivo constitucional, cujo dirigente máximo é nomeado pelo presidente da República, portanto, hierarquicamente no mesmo plano que o senhor ministro. É desta forma que devemos enfrentar ofícios e portarias que, em essência, violam direitos garantidos por lei. Em resumo, a posição da UFRJ é de defesa da legalidade e dos princípios constitucionais. A manobra do MEC, com os ofício circular 8/2020 e ofício 40/2020, é a de tentar contrabandear o corte de despesas com pessoal contido na PEC 186 e impor desde já sua austeridade seletiva, pois sabemos que são protegidos os militares e o judiciário no conjunto do plano “Mais Brasil”.

O ano letivo começará com perspectivas bastantes duras para nós. O congresso do ANDES está indicando a discussão sobre a Greve Nacional da Educação, por enquanto definida por 24 horas, no dia 18 de março. Teremos Conselho de Representantes dia 4 de março e dia 12, será o dia de nossa assembleia. Portanto, todos seremos chamados a um posicionamento. Já existem propostas de greve por tempo indeterminado, greve apenas das universidades, greve apenas se for com todo o serviço público, enfim, diversos formatos e proposições para enfrentarmos essa situação. A lista de motivos é enorme, mas ainda guardamos muita cautela quanto a eficácia do movimento. Qual seria a pauta se entrarmos em greve? Como seria construído esse movimento? Como ser efetivo em relação ao governo? Que outras formas de pressão poderemos exercer? Seja lá o que cada um de nós esteja pensando nesse momento, uma certeza nos move: estamos no limite de nossa dignidade e precisamos definir juntos, em assembleia, sobre o que faremos. Sucessivas campanhas contra o trabalho docente, a vida universitária e a produção do conhecimento, nos colocam diante de um desafio que jamais enfrentamos de forma tão explicíta: um governo que nos têm como inimigos a serem abatidos. E se não queremos nos tornar alvos fáceis, precisamos mais do que nunca encontrar modos de defesa e respostas consistentes.

Ainda não temos as respostas que necesitamos, mas há princípios que nos norteiam e não podem ser abandonados em nehuma hipótese: seja lá qual for o caminho que escolhamos trilhar, precisamos seguir juntos. O mote antigo, gasto em tantas canções do passado, ainda está de pé: a nossa unidade é a única coisa que poderá nos salvar. E a unidade pensada em sentido o mais amplo possível, porque em tempos de terra-planismo e violência não podemos prescindir de ninguém. Que venha março, e com ele a certeza de que encontraremos o caminho justo e a proposta correta, porque será construída por todos nós, ou simplesmente não será...

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