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IMG 7639Foto: Elisa MonteiroAcervo AdUFRJA diretoria da AdUFRJ formalizou à reitoria a cobrança por uma solução ágil para os problemas que centenas de professores enfrentam na obtenção dos adicionais de insalubridade, periculosidade ou radiação. Em reunião realizada no último dia 10, o sindicato apresentou cinco reivindicações objetivas à administração central.
As solicitações do sindicato atacam falhas do sistema e estão concentradas em cinco pontos:
1. Não cortar os adicionais dos docentes que mudam de lotação ou assumem cargo de chefia.
2. Pagar, pelo menos, o percentual mínimo previsto em lei, para todos com reconhecida exposição aos agentes nocivos, mas sem laudo conclusivo por falta de equipamento para as aferições.
3. Implementar o percentual máximo para todos os que desenvolvem trabalhos nos hospitais e, em especial, para os que atuam no combate à covid-19.
4. Criação de uma força-tarefa na pró-reitoria de Pessoal para garantir agilidade aa análise dos processos.
5. Devida orientação aos integrantes do setor sobre as especificidades das atividades docentes.
Eleonora Ziller, presidente da AdUFRJ, disse que o tema preocupa a atual direção há bastante tempo. Há três semanas, o sindicato iniciou um levantamento que, somado a mapeamentos já feitos por professores do Instituto de Química e do campus de Macaé, indica um expressivo percentual de pessoas prejudicadas: 20% das que têm direito aos adicionais não recebem.
Com o início do diálogo com a reitoria na semana passada, o levantamento da AdUFRJ se transformou em um cadastramento, com a solicitação de novos dados, como a matrícula Siape e o número de processo, se houver. O formulário pode ser preenchido em bit.ly/cadastropeloadicional. A expectativa é que as informações possam agilizar a resposta da PR-4.
Assessora jurídica da AdUFRJ, Ana Luísa Palmisciano observou que a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) tem demonstrado as mesmas dificuldades de infraestrutura para a elaboração dos laudos.
Por outro lado, a instituição adotou uma postura mais favorável aos servidores: quando os peritos verificam que há agentes nocivos no ambiente, mas não podem medir esta exposição, a instituição concede o percentual mínimo de 10%.
Coordenadora de Políticas de Saúde do Trabalhador, Silvia Jardim afirmou que pretende “mudar a cultura” do setor. “Estamos absolutamente abertos e convocando a comunidade universitária para entrar na CPST”, disse. A dirigente sugeriu a criação de um grupo de trabalho com a CPST e a AdUFRJ para avaliar os casos.
Diretor da Divisão de Vigilância em Saúde e Segurança do Trabalho (DVSST) — responsável pela análise dos pedidos de adicional — desde outubro, Lucas Padilha justificou um dos principais cortes. “Na questão das transferências, não é a CPST a culpada. É do sistema do governo. Quando há a movimentação, o sistema corta o benefício ligado ao local anterior”, observou. Lucas argumentou, ainda, que o procedimento adotado pela Rural não seria legal, segundo lhe relatou um engenheiro de segurança do trabalho. Diretor da AdUFRJ e professor do Instituto de Bioquímica Médica, Pedro Lagerblad questionou a suposta ilegalidade do procedimento adotado na Rural. “Se existe o reconhecimento da exposição que, por dificuldade do empregador, não pode ser medida, por que não conceder? É o oposto”, argumentou.
O docente também propôs mecanismos que considera mais adequados à aferição de agentes nocivos em atividades acadêmicas, como a descrição de metodologia dos artigos científicos e os documentos que registram os descartes dos laboratórios.
Pedro sugeriu que o cancelamento do benefício por mudança de lotação ou de cargo seja evitado, com a revalidação do parecer anterior. “O perito deveria ser capaz de revalidar o laudo, se a pessoa continua fazendo o mesmo trabalho, no mesmo local. Afinal, é uma mudança sem mudança. A situação já foi objeto de perícia”, disse.
A pró-reitora de Pessoal, Luzia Araújo, se comprometeu a responder ao documento da AdUFRJ o mais rapidamente possível. “Não queria terminar a gestão com esses processos no armário”, disse.
“Sabemos das dificuldades, mas a insatisfação dos professores é generalizada. Caso a universidade não possa dar uma resposta favorável à solicitação feita oficialmente, nós iremos entrar na Justiça”, concluiu Eleonora. A reunião, para a presidente da AdUFRJ, representou um avanço. “Esclareceu o posicionamento da reitoria e apontou para uma solução, administrativa ou judicial. E não mais de um ou outro caso isolado. Mas por uma ação coletiva. Ou por ações coletivas, em blocos de problemas”, completou.

Sem equipamentos, CPST tem reduzida equipe para fazer todos os laudos da UFRJ

A asfixia financeira que o governo impõe às universidades não afeta somente as atividades acadêmicas, mas a vida funcional dos professores e técnicos-administrativos. Na UFRJ, a Divisão de Vigilância em Saúde e Segurança do Trabalho (DVSST) é um exemplo claro dos efeitos desta política. A equipe reduzida e sem equipamentos não dá conta da demanda pela emissão de laudos para a concessão dos adicionais de insalubridade, periculosidade e radiação. A direção do setor estima que mais de mil processos estejam parados. A identificação destes casos — quantos são de docentes e quantos são de técnicos — está em andamento.
“Temos cinco engenheiros do trabalho, apenas um médico do trabalho, quatro administrativos, 16 técnicos de segurança do trabalho e cinco físicos”, afirma o diretor da DVSST, Lucas Padilha, que assumiu o cargo em outubro. “Precisaríamos contratar cinco engenheiros e cinco médicos para fazer um trabalho mais confortável. E mais dois físicos para repor perdas recentes”, completou. A pandemia complicou ainda mais a situação. Os trabalhadores em grupo de risco não podem mais atuar em campo. Ou seja, há menos três engenheiros e o único médico.
A avaliação dos locais de trabalho também é prejudicada pela ausência dos mais variados equipamentos: desde medidores de ruído e detectores de gases até câmaras ionizantes (para detecção de radiação). “Já pedi, mas não há dotação orçamentária”, disse Lucas. O diretor da DVSST, que é físico e professor das Faculdades Souza Marques, usa sua própria câmara ionizante, um dispositivo que custa R$ 30 mil, para fazer as medições na UFRJ.

bandeira adufrjDiretoria da AdUFRJ

O presidente da República ainda não entendeu que ele não se elegeu imperador. As leis existem, limitam o poder do Executivo, obrigando-o ao diálogo com os outros Poderes e a sociedade civil: esses são alguns dos maiores ganhos da chamada Constituição Cidadã, a que foi promulgada em 1988. E dentre as conquistas mais importantes está o artigo 207, que confere autonomia às universidades públicas. E desde sua posse, Bolsonaro insiste em ignorar os limites de sua atuação, agindo como um bedel paranóico em delírio autoritário. Na sua ânsia incontida nomeia reitores sem voto e obriga o ministro da Educação a manter uma portaria que já nasceu morta.
Não é impossível que algumas universidades identifiquem a possibilidade de retorno gradual às atividades presenciais da graduação, ou mesmo que iniciem o planejamento para a realização de aulas práticas. Podem já ter algum projeto em andamento, testando modelos híbridos de ensino. O que não pode acontecer é acharmos que uma portaria gestada nos gabinetes de Brasília irá obrigar as instituições universitárias em todo o país ao retorno imediato de suas aulas no dia 4 de janeiro. E o que é pior, porque o presidente quis que fosse assim.
No caso particular do Rio de Janeiro, ela soa ainda mais estranha. A UFRJ possui seu grupo técnico de acompanhamento do desenvolvimento da pandemia e seu trabalho tem apoiado o município e o estado em relação aos procedimentos a serem tomados. Todos os procedimentos e resoluções da universidade foram definidos sobre fundamentos científicos. Não há razão para mudar agora. O país inteiro explicou isso para o ministro através de inúmeras notas, o ministro recuou, mas por obediência ao chefe, voltou atrás mais uma vez e anunciou que a portaria ainda será avaliada. Assim como todas as ações desse governo, essa atitude só perturba e nos ocupa indevidamente.
Se nos deixassem em paz já seria de grande ajuda, porque problemas não nos faltam nesse final de ano. Os primeiros dias da primeira semana de 2020.1 foram de muita confusão com o SIGA, ausência de pauta e lançamento de notas do PLE. E tudo isso com prazos exíguos, assim como para as inscrições para a JICTAC. E sem contar com descontos a mais, que deram a dimensão dos cortes e perdas que sofremos ao longo do ano.
Esperamos que dezembro passe rápido, que 2021 chegue logo e com ele as primeiras doses da vacina. Porque precisaremos de fôlego para encarar os dois grandes embates que teremos pela frente: a reforma administrativa e a lei do orçamento. Ambos estão no Congresso e depende de nós o tamanho da pressão a ser feita.
Vamos seguir fazendo o que sabemos, lutando para fazer bem. Não arredaremos o pé e não cederemos ao cansaço que tentam nos impor. Apesar de todas as dificuldades, conseguimos realizar uma boa reunião com a reitoria e há chances para encontrarmos soluções para a maioria dos casos pendentes de insalubridade. Não é a primeira vez que enfrentamos um quadro adverso, daremos as respostas necessárias.
Mas para isso precisamos de todos, todos juntos em defesa da universidade, da democracia e da vida.

APESAR DO CAPITÃO, DO PASTOR E DO GENERAL que desgovernam o país, a universidade resiste com conhecimento, excelência e compromisso. Um bom exemplo está na revista PLOS Biology, onde aparecem os pesquisadores mais citados do mundo. Há 63 professores da UFRJ. Seus nomes ilustram a capa do Jornal da AdUFRJ desta semana e alguns de seus depoimentos integram a reportagem abaixo. Sem dúvida, a listagem seria ainda maior se o governo valorizasse a Ciência. Mas a gestão do capitão Bolsonaro, do pastor Milton Ribeiro e do ministro Eduardo Pazuello não nutre qualquer respeito pelos valores civilizatórios. 

Em mais uma demonstração de excelência acadêmica, 63 docentes da UFRJ estão entre os pesquisadores mais influentes do mundo em suas áreas. O levantamento foi publicado em outubro pela revista norte-americana Public Library of Science (Plos) Biology e contém 161.441 cientistas divididos em dois rankings: mais citados ao longo de suas carreiras e mais citados em 2019. Entre os pesquisadores analisados, 853 são brasileiros, o que representa 0,53% do total. A relação utilizou a base de dados Scopus.
WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.28.12Dos 63 professores da universidade, 29 aparecem em ambas as listas. Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências e professor do Instituto de Física, é um dos que integram os dois rankings. Ele, porém, recomenda precaução ao analisar os dados. “Esses índices são um dos elementos para julgar o trabalho de um cientista. Têm seu valor, mas não podem ser vistos de maneira absoluta”, ele acredita. O resultado dos pesquisadores da universidade, em relação aos cientistas brasileiros – eles representam 7,5% deste conjunto –, “reflete a produção e a importância acadêmica da UFRJ”, de acordo com Davidovich.
Único paleontólogo brasileiro a figurar na lista dos mais influentes do mundo, o professor Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, também chama atenção para a relativização do ranking. “É uma lista feita por números, índices de impacto. Temos um vencedor da Medalha Fields, o Artur Avila, que não está nessa relação”, argumenta. “É claro que há métricas importantes, e é um orgulho estar nela, é muito bom para a UFRJ ter muitos nomes. É algo relevante para a universidade e para o Museu Nacional, mas expressa um retrato parcial da Ciência”.
Jerson Lima Silva, presidente da Faperj e professor do Instituto de Bioquímica Médica, é outro dos mais citados. Ele comemora o desempenho dos colegas. “Vai de encontro àquela ideia de que o Brasil não tem qualidade em suas publicações”, afirma. Ele deu exemplos recentes de atuação de cientistas brasileiros em temas como a microcefalia provocada pelo zika vírus e a covid-19. “Foi um papel muito relevante desempenhado pela Ciência brasileira e pela UFRJ”. Apesar da boa avaliação, ele considera que poderia ser feito mais. “Ciência precisa de recursos”, considera.
A crise orçamentária e as dificuldades enfrentadas na importação de insumos para a pesquisa podem estar por trás de um desempenho não tão satisfatório do Brasil em relação aos pesquisadores do restante do mundo, considera a professora Leda Castilho, da Coppe. “Muitas vezes não temos o recurso e, quando temos, pagamos mais caro pelos produtos do que os colegas no exterior e perdemos muito tempo em trâmites para conseguir os insumos”, reclama. “É claro que no plano individual é uma honra estar nesta lista. Mas o Brasil ainda tem muito a caminhar, com uma representação baixa, se comparado ao total”, comenta. “Poderíamos estar proporcionalmente mais representados, já que publicamos mais”.
A opinião é compartilhada pelo professor Sérgio Ferreira, do Instituto de Biofísica. “A Ciência brasileira contribui com 2% de todos os artigos científicos publicados no mundo, mas a quantidade de brasileiros na lista é bem inferior a isto, o que demonstra que nosso impacto no topo da Ciência mundial é menor do que nossa produção”, ele alerta. Ainda assim, “ponderadas todas as condições tão desfavoráveis que enfrentamos”, o país “faz um ótimo trabalho científico”.
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, a professora Denise Freire também está na lista dos mais influentes,. Foi uma das mais citadas ao longo de 2019. “A UFRJ está bem representada. Isso demonstra a pujança, a competitividade e a competência da nossa instituição. Nós somos uma boa universidade de pesquisa e por isso somos excelência no ensino, na pesquisa e na extensão”, diz. Docente do Instituto de Química, ela atribui seu sucesso aos seus estudantes. “São meus alunos que me fazem estar nesta lista, incansáveis nos laboratórios. Ter formado profissionais que estão na ponta do conhecimento, contribuindo para o país, é meu maior orgulho”.

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.44 1Luiz Davidovich
ABC e Instituto de Física

“Espero que os recursos para a pesquisa parem de decair, para que no futuro haja mais pesquisadores brasileiros contribuindo e sendo referência para o país e para o mundo. Muito importante que haja uma correção de rumos”

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.44 4Jerson Lima Silva
Faperj e IBqM

“O nível de citação é relevante, mas é uma espécie de retrovisor, uma consequência dos investimentos sólidos que tivemos por dez anos. Ao se abrir um hiato de financiamento, há um risco para a Ciência e, principalmente, para a carreira dos jovens cientistas”.

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.43 1Sérgio Ferreira
Instituto de Biofísica

“A gente vive de sobressalto na Ciência. São cortes de bolsas, orçamento sobe num ano e despenca no outro, são condições objetivas e subjetivas muito difíceis. Isso nos deixa a pergunta: o quanto mais a universidade poderia contribuir para a Ciência mundial se tivesse mais investimento?”

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.44 2Leda Castilho
Coppe

“Noventa e cinco por cento, ou seja, a quase totalidade da pesquisa brasileira é feita nas universidades e a maior parte dessa força de trabalho é formada por nossos pós-graduandos, que além de não terem aumento há anos, ainda vivem inseguranças sobre os programas de bolsas de estudos. Este é mais um fator que pode estar prejudicando o desempenho do Brasil”

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.44José Roberto Meyer
Instituto de Bioquímica Médica

“Ter o trabalho reconhecido é muito importante. Significa a produção de toda uma vida. Eu não consigo pensar em me aposentar, não me imagino fazendo outra coisa. Apesar de todo o sucateamento, de sermos demandados a um esforço desproporcional a outros centros de pesquisa, ainda apresentamos bons resultados”

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.45Denise Freire
Instituto de Química

“Temos docentes citados em todas as áreas do conhecimento. Ter trabalhos mais citados é uma consequência da formação que você dá aos seus alunos, dos trabalhos que são realizados coletivamente. E por isso é tão gratificante”

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.43 4Rodrigo Capaz
Instituto de Física

“A lista é feita por parâmetros universais que ajudam a posicionar a UFRJ nesse grupo de instituições que atuam fortemente em pesquisa. Sem dúvida há um impacto muito positivo para a internacionalização da universidade”

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.43Edson Watanabe
Coppe

“Entramos numa seleção que é internacional, isto é muito importante, mas como toda lista que depende de critérios, pode deixar gente de fora. Achei surpreendente estar no ranking e também é surpreendente que alguns pesquisadores de excelência reconhecida em suas áreas não estejam citados”

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.44 3Alexander Kellner
Museu Nacional

“Acredito que ser o único paleontólogo brasileiro na listagem tem relação direta com meu programa em parceria com a China. Nossa área é muito cara, demanda muitos recursos. Precisa de muito financiamento. A China custeia a parte mais cara dessa pesquisa. Aqui no Brasil, eu não conseguiria fazer todos estes estudos”

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.43 3Romildo Toledo
Coppe

“O ranking é resultado do impacto e visibilidade nacional e internacional que nossos trabalhos têm, então fiquei muito feliz. Mostra que o Brasil faz Ciência de qualidade. Temo que o declínio do investimento nos últimos anos nos leve a patamares anteriores, muito inferiores de desenvolvimento da pesquisa nacional”

WhatsApp Image 2020 12 05 at 14.10.43 2Fábio Scarano
Instituto de Biologia

“Esses resultados envolvem meus alunos do Rio, de Macaé, colaboradores brasileiros e estrangeiros. É um esforço de todos. Quando a medida do impacto científico for análoga ao impacto social, com promoção da justiça social, direito ambiental, saúde e bem-estar da população e da natureza, eu certamente ficarei muito mais feliz e tranquilo”

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Acesse a sala no google classroom em: http://gg.gg/apoiople

O ensino remoto não foi uma escolha. Ele foi, e ainda é, uma necessidade. O ano de 2020 trouxe consigo uma pandemia que impôs a todos uma única saída: se reinventar. É fato que o Período Letivo Excepcional (PLE) apresentou inúmeros desafios à comunidade acadêmica, mas proporcionou também aprendizados para a UFRJ aperfeiçoar suas práticas de ensino nessa experiência inédita. Movida pela responsabilidade com as condições de trabalho dos professores, a AdUFRJ lançou, no dia 2, a iniciativa SOS Ensino Remoto.
“A ideia é servir como um ponto de apoio que dê o suporte necessário aos professores”, comentou a presidente da AdUFRJ, Eleonora Ziller. Com o objetivo de amenizar as dificuldades da modalidade remota, e de dar à UFRJ uma posição de protagonismo no assunto, o sindicato conta com a consultoria educacional de Cristina Ávila Mendes, que apresentou caminhos para a construção de disciplinas cativantes e funcionais.
“Nossa intenção é propor um planejamento que envolva a tecnologia, para que haja uma clareza maior de como aprimorar o uso dessas novas ferramentas”, explicou Cristina, fundadora da Octopus Soluções Educacionais. Inicialmente, ela destacou a diferença do ensino remoto emergencial para o ensino a distância, que é uma modalidade padronizada, e optada por livre e espontânea vontade do estudante e do docente. “No ensino remoto, não existe uma fórmula pronta, os professores não têm o suporte de uma equipe para produzir seus conteúdos”.
WhatsApp Image 2020 12 05 at 13.53.04Cristina MendesO calendário apertado fez com que muitos docentes não conseguissem elaborar suas disciplinas com base na experiência do PLE. Diante disso, Cristina ofereceu um cardápio para o novo semestre. “São boas práticas que com certeza podem ajudar nesse desenvolvimento de forma mais coesa, sem fugir muito da estrutura do presencial”, disse. Segundo ela, o bom planejamento exige uma integração dos recursos disponíveis com as práticas pedagógicas.
Ainda assim, o diálogo com a turma é mais importante do que as ferramentas escolhidas. “A comunicação é um ponto crucial, que fica muito em evidência nesse processo, e que não precisa necessariamente ser por vídeo”, ressaltou Cristina. A consultora sugeriu o uso de arquivos de áudio, a exemplo dos podcasts, como uma boa alternativa para dar assistência aos alunos. Ao escolher as mídias, é preciso levar em conta a acessibilidade. “Dependendo do aplicativo, o consumo de dados é imenso, e pode prejudicar um aluno que esteja utilizando um chip limitado”, lembrou.
Indagada sobre como receber retornos das turmas, Cristina sugeriu, de início, um formulário de avaliação diagnóstica do perfil dos alunos. “Podem ser tanto perguntas mais gerais, como questões objetivas da disciplina”, disse. O uso de formulários ajuda o docente a entender o contexto individual, e abre espaço para uma construção colaborativa da disciplina. “É importante enviar essas perguntas com pelo menos 24 horas de antecedência, pois assim mesmo os estudantes que acessam a internet apenas pela manhã, tarde ou noite, podem ver e responder a tempo”.
Para dar assistência técnica ao longo do período, Cristina abriu uma sala do Google Classroom (http://gg.gg/apoiople) para todos os professores da UFRJ. Lá, eles poderão tirar dúvidas e trocar experiências com seus colegas. “Funcionará como um fórum, onde em até 48 horas eu irei responder às questões colocadas, mas todos poderão contribuir”, afirmou Cristina. As dúvidas mais recorrentes serão transformadas em pequenos vídeos, para sintetizar dicas e esclarecimentos pontuais. (Kim Queiroz)

Documento de dirigentes eleitos, mas não empossados pelo MEC, solicitam apoio na "batalha contra o autoritarismo, dentro e fora de nossas Instituições": A carta é assinada pelos candidatos que venceram as eleições internas de 17 universidades ou institutos federais, mas não foram nomeados pelo governo Bolsonaro.

"A democracia é um valor que, para ser materializado, precisa ser praticado, e não apenas enunciado e debatido abstratamente. Não basta proclamar-se democrático. É preciso demonstrar, com ações, o respeito à vontade da Comunidade. E é justamente a falta desse respeito que vem sendo evidenciada, cada vez mais, pelas ações tanto do Ministério da Educação (MEC) quanto pelos colegas servidores que têm aceitado, contrariamente ao resultado das urnas, atuar como interventores ou como membros das equipes de intervenção nas Instituições Federais de Ensino que, desde 2019, tiveram negada a posse de suas reitoras e dos seus reitores/diretores eleitos", diz o trecho inicial.

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