Lamentamos informar que morreu o economista David Kupfer, da UFRJ. Um dos mais brilhantes na análise sobre a industrialização – e desindustrialização – do Brasil.

Lutava contra o câncer há alguns anos . Mesmo doente, fez questão de publicar artigos e dar entrevistas sobre a análise da economia brasileira. Por diversas vezes colaborou com o Jornal da AdUFRJ.

 

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Desde que houve a denúncia de 280 fraudes nas cotas para pretos e pardos da UFRJ, a universidade recorrentemente ganha as páginas dos jornais. A instituição se debruçou na apuração dessas denúncias e formou uma comissão de heteroidentificação, com de 54 pessoas entre docentes, estudantes e técnicos-administrativos. Até o momento, 196 casos foram elucidados. Os números são alarmantes: 55% das pessoas efetivamente mentiram em relação à sua etnia e roubaram as vagas destinada a negros.

Além de investigar as denúncias, a comissão tem por objetivo validar as aprovações por cotas raciais no Sisu. A reitora Denise Pires de Carvalho informou que mais de 85% dos estudantes foram considerados aptos pela comissão e há 15% de faltosos. “Todas as análises são filmadas, os procedimentos são claros, as pessoas estão capacitadas e foram treinadas”, afirmou. “Infelizmente, um número superior a 50% de fraudes nos mostra o quanto esta comissão é necessária”.

 

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Recebemos no momento em que fechávamos esta edição do Jornal, a notícia do falecimento da professora emérita Miriam Lemle, aos 82 anos. Docente da Faculdade de Letras desde 1982, iniciou sua vida acadêmica em 1962, ainda no Museu Nacional, junto ao professor Mattoso Câmara Jr. Depois de concluir seu mestrado em Linguística na Universidade de Pensilvânia (EUA), integrou o grupo pioneiro que organizou o primeiro curso de pós-graduação em Linguística no Brasil. Gerativista renomada, formou várias gerações de pesquisadores, além de trazer para o país outros tantos já consagrados internacionalmente, entre eles, o próprio Noam Chomsky.


Presidente da ABRALIN (Associação Brasileira de Linguística) na década de 1980, dedicou toda sua vida à universidade, onde estudou desde os primeiros anos no Colégio de Aplicação. Graduou-se na
antiga FNFi, no curso de Letras Neolatinas. Assim como seu marido, o professor Alfred Lemle, da Faculdade de Medicina, falecido em 2017, participou do movimento docente e permaneceu sindicalizada
por toda sua vida. Com ela se vai uma parte importante de nossa história, nos deixa saudades e muitos frutos de tantas sementes plantadas.WEB menorMIRIAM

 

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O bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou abriu o carnaval da Urca. Formado por docentes, alunos e pacientes do Instituto de Psiquatria da UFRJ e do Instituto Philippe Pinel, o projeto de extensão defende a saúde inclusiva e antimanicomial. Participantes fizeram críticas ao “Viva UFRJ”, projeto em parceria com o BNDES para uso de imóveis da universidade. O desfile aconteceu no dia 16.

Artigo da Diretoria

 

Estamos numa conjuntura difícil. Através da proliferação assustadora (mas concatenada) de memes nas redes sociais e de cortes (ou “contingenciamentos”) nos orçamentos das universidades e agências de fomento, o governo e alguns agentes aliados vão minando a existência da universidade pública, gratuita e de qualidade. Temos um ministro da educação que despreza a sua própria categoria, e um presidente que não apenas é ignorante, mas que se esforça brutalmente para sê-lo. Ainda assim, temos algumas razões para sorrir.

Na iminência das perdas salariais impostas pela reforma da previdência, a AdUFRJ conseguiu sustentar os famosos “26%”. Esta é uma compensação relativa a perdas do Plano Verão, que docentes mais antigos (aqueles que entraram até 2008) tem direito. Tal benefício estava ameaçado graças a uma decisão recente do STF relativa a competência da justiça do trabalho para julgar o mérito da questão, mas a decisão judicial da da 10ª Vara Federal garante nossos 26%, ao menos por ora.

Outra grande preocupação de nossos docentes surgiu na portaria 2.227 de 31 de dezembro de 2019, que, com seu texto extremamente confuso, dava a entender que as universidades só poderiam enviar dois docentes a congressos acadêmicos por vez. Tal medida é tão evidentemente absurda que gerou reação imediata das universidades, sindicatos e entidades científicas. O MEC recuou e publicou nova portaria sem essa restrição. É apenas uma pequena vitória, mas que não pode ficar no esquecimento.

Em suma: 2019 bateu a porta na nossa cara, mas 2020 se apresentou com mais educação. Temos que nos organizar para fazer uma belíssima volta as aulas (apesar dos pesares do ENEM), organizar um grande dia das mulheres e fazer com que o ato marcado para 18 de março seja tão central quanto foi o 15M no ano passado. Temos força pra isso, é só não perdermos o ânimo nem a esperança.

 

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