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Fábio Hepp
Professor Adjunto, coordenador do Laboratório de Anfíbios e Répteis do Departamento de Zoologia, Instituto de Biologia, e Pesquisador Associado do Museu Nacional
A UFRJ é a segunda casa para muitas pessoas. Muitos passam mais horas do seu dia nos campi do que em casa e passam, ou passarão, mais anos de vida ligados à universidade do que fora dela. Este é o meu caso. Neste momento tenho quase 20 anos de UFRJ. Cheguei na UFRJ em 2006 como calouro. Posteriormente, fui mestrando, doutorando, pós-doutorando, professor substituto, biólogo (Técnico Administrativo) e, mais recentemente, sou professor adjunto. Posso dizer que tenho uma longa relação com a Minerva, construída com muito suor e lágrimas (de tristeza e felicidade).
Desde os meus 18 anos, quando ingressei na UFRJ, ouço e discuto os diversos problemas da universidade. As possíveis soluções são muitas, a depender de quem vem a resposta. Variam muito de acordo com a idade do proponente, já que idade geralmente reflete o grau de pessimismo e inocência da pessoa, fatores que costumam moldar o tom das opiniões políticas e administrativas. É ponto comum que um mínimo de otimismo é essencial para manter a motivação diária, e seu gradual abandono pode levar a sérias consequências para o futuro do ensino público do país (falo mais sobre isso no artigo “Autofervura Acadêmica” deste Jornal, Nº 1.348). E, por isso, tenho refletido cada vez mais sobre o que podemos fazer para resolver problemas da universidade.
Claro que não se trata de uma questão trivial. Como dito há muitos anos pelo meu ex-professor e eterno orientador, prof. Dr. José P. Pombal Jr., do Museu Nacional: se fosse fácil, alguém certamente já teria resolvido. Ainda assim, acredito que as possíveis soluções virão do corpo social da UFRJ. Portanto, inspirado em uma recente analogia entre a administração universitária e a condução de um jogo de xadrez, considerei válida mais uma singela tentativa de contribuição.
O xadrez é um dos jogos mais antigos e certamente um dos mais populares até os tempos atuais. Provavelmente criado na Índia no século VII, o xadrez é um jogo de dois jogadores onde o principal objetivo é capturar a peça do adversário denominada “rei”. Claro que o jogador rival fará de tudo para evitar a captura do seu rei e, enquanto isso, tentará capturar a peça homônima inimiga. Para atingir o objetivo, os jogadores dispõem de uma série de tipos de peça, em diferentes quantidades, que possuem diferentes habilidades de movimentação no tabuleiro e, consequentemente, de captura de peças inimigas. Ao longo da história, o xadrez virou uma obsessão aonde foi levado, sendo amplamente conhecido na Europa por volta do ano 1000. A partir do século XVI, o jogo ficou ainda mais popular com jogadores sendo patrocinados por mecenas e reis de todo o mundo ocidental. Em tempos contemporâneos, o jogo passou a ser tema de clubes e entrou no currículo escolar de várias instituições de ensino mundo afora. O xadrez é considerado uma ferramenta lúdica para desenvolvimento de raciocínio lógico e outras habilidades cognitivas. Por se tratar de um jogo lógico, diversos livros e cursos foram, e ainda são, publicados e disponibilizados com o objetivo de, mais do que ensinar as regras básicas, instruir jogadores sobre os padrões e princípios lógicos que regem o jogo.
Um dos princípios básicos do jogo é o da peça menos ativa. Sob este princípio, o jogador deve sempre buscar mover as peças que estão menos ativas no tabuleiro. Isto é, peças que estão mais retraídas e, consequentemente, mais isoladas dos principais eventos do jogo, que frequentemente ocorrem próximos ao centro do tabuleiro. No xadrez a vitória depende do desenvolvimento coletivo das peças. E é exatamente neste ponto que a analogia com a administração universitária começa a se estabelecer. Mesmo com peças de diferentes valores e habilidades (a rainha, por exemplo, é a peça mais poderosa e de maior valor), no xadrez, o segredo está, em boa medida, no desenvolvimento coletivo de diferentes tipos de peça. Uma rainha sozinha, ou mesmo acompanhada por algumas poucas peças, dificilmente leva à vitória contra um adversário que possui muitas peças ativas e, consequentemente, controle a região central do tabuleiro com seus peões, cavalos, torres e bispos.
Assim funciona uma universidade. Ela é composta por um conjunto de peças de diferentes especialidades e habilidades, como discentes, docentes, técnicos administrativos e funcionários terceirizados. A movimentação e desenvolvimento de peças já ativas ajuda, claro, mas certamente não basta. A chave do sucesso e, ouso dizer, da resolução de muitos problemas da UFRJ, transpassa o princípio das peças menos ativas. É preciso reconhecer esse problema e criar meios de torná-las mais ativas nas suas funções. Tal tarefa não deve ser vista como um estímulo à opressão, assédio moral, ou algo similar. Não, muito pelo contrário! É preciso rever incentivos, motivações, metas, demandas e lideranças para este propósito. O jogador de xadrez joga porque quer, porque vê resultados e progresso nas suas ações.
Certamente não é algo simples de se fazer. Mas para resolver problemas, precisamos localizá-los, mapeá-los e, a partir daí, construir programas, projetos e ações que objetivem as soluções. É assim que funciona um jogo de xadrez. Observamos a distribuição das peças e remanejamos aquelas que priorizamos para concretizar um plano. Seja como for, não podemos assumir que peças menos ativas já estão fora de jogo. Não devemos usar desta justificativa para concentrar os esforços, fazer expectativas e mesmo sobrecarregar ainda mais as peças já mais ativas da universidade. Trata-se de um erro estratégico que levará à derrota no inevitável jogo comparativo entre universidades.
Silvana Sá e Alexandre Medeiros
O resultado preliminar da Avaliação Quadrienal da Capes aponta para um cenário de estatabilidade na pós-graduação da UFRJ. Foram aferidos 105 programas de pós-graduação acadêmicos. Desse total, 20 elevaram a nota, 65 mantiveram e 17 reduziram. Outros três programas são muito novos e não tiveram comparação de notas.
Entre altos e baixos, a média geral dos conceitos da universidade permaneceu em 5,4. “Diante do nosso subfinanciamento, é quase um milagre que a UFRJ tenha conseguido permanecer na mesma posição na Capes”, avalia o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, professor João Torres.
Esse ciclo avaliativo foi realizado até 2024 e as análises dos indicadores de cada programa seguiram ao longo de 2025. Por enquanto, as notas só foram disponibilizadas aos coordenadores de programas e às pró-reitorias de cada instituição de ensino. O prazo para apresentação de recursos — que ainda serão analisados — se encerrou em 11 de fevereiro, e os resultados finais devem ser publicados somente em maio.
João Torres revela que a PR-2 fará reuniões para avaliar as notas em conjunto com cada programa. “Queremos entender o que aconteceu, sobretudo com os programas que tiveram as notas reduzidas. Vamos fazer essas reuniões por Centro ou por áreas temáticas”, afirma Torres. Ele também destaca que a universidade precisa se adaptar a algumas mudanças apresentadas pela Capes, como a autoavaliação dos cursos e o planejamento estratégico. “São duas coisas que precisarão fazer parte da nossa cultura. Devemos ter mais atenção também às métricas relacionadas ao impacto social de cada programa”.
Perguntado sobre o que pode ter levado à redução de notas em 17 PPGs, Torres acredita que a questão é complexa. “Não há uma resposta única. Os programas têm realidades muito distintas. Não existe um padrão que aponte para uma única resposta. Vamos avaliar o que aconteceu caso a caso”, reforça.
O dirigente, no entanto, comemora os bons resultados. “A gente teve boas notícias em muitos cursos: cinco programas que eram conceito 3 subiram de nota. Agora, temos sete programas acadêmicos com conceito 3, não mais 12”, celebra o pró-reitor. O conceito 3 é a menor nota satisfatória para a existência de um programa. “O programa da Dança também aumentou sua nota. É um mestrado muito recente e um exemplo de trabalho que nos deixa muito felizes”, elogia o pró-reitor. A Dança subiu do conceito 3 para o 4.
EXTENSÃO DE PRAZOS
O coordenador do programa de Física, professor Felipe Pinheiro, acredita que a pandemia teve impacto negativo nesse ciclo da Quadrienal para a UFRJ. Seu programa, no entanto, manteve o conceito 7, o mais alto dentre os cursos de reconhecida excelência acadêmica. “Essa quadrienal foi muito marcada pela pandemia. Isso resultou, acho que de forma geral, numa queda de produção intelectual nos primeiros anos do quadriênio. E isso é computado na Capes”, analisa o docente. “Depois, o nosso programa se recuperou bastante em 2023 e 2024, e cumprimos todos os parâmetros que a Capes, na área de Física, estabelece para a nota 7”, comemora.
O docente aponta outro fator que pode ter contribuído para a baixa em muitos programas: a extensão de prazos para defesa de teses e dissertações
durante a pandemia. “Pelo que apurei, nenhuma universidade federal, pelo menos entre as maiores, concedeu dois anos adicionais de extensão de prazo para conclusão dos trabalhos finais de mestrado e doutorado, como foi o nosso caso na UFRJ. Esse adiamento levou, consequentemente, a um atraso na produção intelectual”, analisa. “A gente começou a receber pedidos de extensão baseados nos seis anos para as teses do doutorado. Isso resultou em atraso na publicação de artigos, por exemplo”, argumenta.
CORRIDA POR RECURSOS
Pinheiro considera a avaliação quadrienal um elemento importante de mensuração de qualidade, mas que acaba se tornando uma competição por recursos entre instituições de ensino e pesquisa. “No fundo, a avaliação da Capes é uma competição nacional por um bolo de dinheiro que tem que ser distribuído. Essa ação da UFRJ (de ampliar os prazos de defesa) nos prejudicou porque afetou nossos dados na quadrienal”, pontua. “As outras universidades concederam prazos de extensão de seis meses. E as agências, como o CNPq, concederam mais seis meses”, explica.
Ele afirma que a decisão da universidade impactou o programa da Física. “Não estou minimizando o que foi a pandemia, mas comparativamente com outros programas do Brasil, isso nos prejudicou”, aponta. “Nos últimos dois anos da avaliação nós conseguimos nos recuperar com alguns pontos fortes, como a produção intelectual e as parcerias externas. E temos todas as condições para manter essa nota para o próximo quadriênio”.
A elevação da nota na Capes impacta diretamente na visibilidade do programa, captação de recursos e de alunos, destaca o coordenador do PPG de Astronomia, professor Luan Ghezzi. Seu programa foi criado em 2003 no nível de mestrado. Em 2010, o curso ganhou o doutorado acadêmico, cuja primeira tese foi defendida há apenas 12 anos. “Passamos do conceito 4 para o 5”, comemora.
Ele explica que um dos fatores que faz parte do cálculo das cotas de bolsas e dos recursos recebidos por cada programa é a nota da avaliação Capes. “Além disso, a passagem da nota 4 para 5 nos permite participar de editais como, por exemplo, o Programa Bolsa Nota 10 da FAPERJ”, diz. “Por fim, a nota 5 aumenta a visibilidade e atratividade do ProAstro, o que nos permitirá continuar aprimorando a nossa pesquisa científica e a formação de profissionais qualificados”, analisa o professor.
O docente afirma que o resultado é fruto de um trabalho coletivo da comunidade do Observatório do Valongo, que tem se debruçado sobre os resultados anteriores e aplicado as recomendações da agência. “É uma conquista. Analisamos os relatórios das avaliações anteriores e traçamos estratégias para implementar as melhorias recomendadas”, conta. “Em particular, houve um aumento da produtividade do ProAstro através da publicação de mais artigos em revistas de grande impacto e uma maior internacionalização através do intercâmbio de alunos e de parcerias com pesquisadores, institutos e colaborações no exterior”.
Se o aumento da nota impacta em mais recursos para os PPGs, manter os resultados estáveis é uma dificuldade por conta do subfinanciamento crônico ao qual estão submetidas as universidades federais. “Dentre os principais desafios, posso citar os recursos insuficientes para investimentos em infraestrutura”, aponta. “Por exemplo, a modernização do campus e a aquisição de equipamentos de alto desempenho”, diz. Também falta dinheiro para o básico, como o pagamento de taxas de publicação de artigos. “Além disso, a defasagem nos valores das bolsas de mestrado e doutorado prejudica a atração e permanência de discentes”.
TRABALHO COLETIVO
O sonhado conceito 7 voltou a ser realidade para o programa de Química, o mais antigo do Brasil na área. A coordenadora do PGQU, professora Sabrina Baptista Ferreira, comemora a conquista. “O PGQU já foi 7, caímos para 6, mas depois de alguns anos trabalhando em cima das exigências que a Capes vinha trazendo e de avaliações sobre mudanças nos itens, conseguimos voltar ao 7”, celebra.
Ela atribui o sucesso ao trabalho coletivo. “É impossível para um coordenador conquistar uma nota sozinho. Nossa maior ferramenta de trabalho são os nossos alunos. São eles que estão na linha de frente dos laboratórios executando as pesquisas com orientação dos seus docentes”, afirma. “Por mais que o programa atenda os critérios, se não for tudo colocado no sistema, o sete não vem”.
A burocracia, no entanto, é um fator que ainda atrapalha os programas, de acordo com a professora. “Queremos melhorar a coleta de dados para que seja mais automatizada e traga menos burocracia, tanto para a gente, na coordenação, quanto para docentes e alunos”, revela. “Tudo o que a gente coloca no sistema da Capes precisa de comprovantes. Isso gera enorme demanda e acaba tomando tempo dos docentes e da coordenação. É tempo que a gente deixa de dedicar ao ensino, pesquisa, orientação”.
QUEDAS PREOCUPAM
A Coppe pode ser um foco de preocupação para a UFRJ. Isto porque a unidade teve redução de notas em quatro de seus 13 programas acadêmicos neste ciclo da Quadrienal. O diretor adjunto da unidade, professor Jean-David Caprace, minimiza as dificuldades. “Neste ciclo avaliativo, os programas seguem os procedimentos regulares, incluindo pedidos de revisão dentro do prazo estabelecido, o que é absolutamente normal no processo”, afirma.
O docente acredita que a atuação junto à indústria ainda não seja suficientemente valorizada nas avaliações. “No caso da Coppe, esse debate inclui a reflexão sobre características que ainda não são plenamente capturadas pelos instrumentos atuais de avaliação, como sua forte inserção na indústria nacional, a liderança em projetos cooperativos e a capacidade de transformar pesquisa em soluções de alto impacto — pontos que a instituição pretende aprofundar no diálogo com a Capes”.
Caprace acrescenta a necessidade de aprimorar internamente os mecanismos de acompanhamento dos PPGs. “Está em processo de criação um comitê estratégico de avaliação e acompanhamento dos programas de pós-graduação, com foco em alinhamento institucional, apoio aos coordenadores e fortalecimento contínuo da excelência acadêmica”, revela.
Coordenadora do programa de pós em Genética, a professora Claudia Russo revela que o curso baixou da nota 7 para a 6. “Éramos 7 por duas avaliações seguidas e baixamos. Fizemos o recurso e vamos esperar o resultado”, conta a docente. O programa esteve entre os mais bem avaliados na quadrienal 2017-2021. Ela está convencida de que a queda é fruto da pandemia. “Houve um momento em que a nossa testagem para covid-19 era a única disponível para todos os profissionais de saúde do Rio de Janeiro. É óbvio que esse tipo de coisa vai impactar em nossa produção”.
A docente conta que o resultado preliminar da Quadrienal deixou o programa com média baixa em produtividade até entre os cursos de nota 6. “Nosso laboratório multiusuário foi completamente dedicado ao combate à pandemia. Esse tipo de coisa até rendeu frutos de produtividade, mas que não estavam ligados aos trabalhos originais dos nossos alunos. Perdemos em produtividade docente e em produtividade docente/discente”, explica Claudia Russo. “Todas as nossas máquinas de tempo real foram desviadas para as testagens. Nós fomos um dos pontos focais do estado do Rio de Janeiro”, relembra.
Seus colegas atuaram também com capacitação em outros municípios, incluindo Macaé, para diagnóstico e testagem padrão ouro. “É claro que outros programas tiveram problemas em relação ao lockdown, mas certamente não com um papel tão intenso na linha de frente quanto a Genética. O foco total do departamento e do programa, liderados pelo saudoso professor Amilcar Tanuri, foi o combate à pandemia (que faleceu ano passado)”, justifica. “Muitos professores acabaram fazendo trabalho técnico também, rechecando resultado do teste diagnóstico, por exemplo, para garantir que nós não daríamos resultados errados para as pessoas. Isso é óbvio que fez com que nossos professores dessem menos aula, orientassem menos”.
Por outro lado, ela explica que a experiência da pandemia permitiu a publicação de artigos importantes para o Brasil e para o mundo para o entendimento da covid-19. “Publicamos menos, mas com muita qualidade. Eu acho que talvez falte bom senso. A UFRJ foi muito importante no combate à pandemia. Quem pôde ficar em casa escrevendo os artigos, obviamente teve aumento da produtividade. Nós não ficamos em casa”, defende-se. “Eu espero que a Capes entenda que essa perda de produtividade foi uma coisa transitória. Não existiu uma queda na qualidade do trabalho”.
As universidades federais retornarão às aulas em 2026 com uma conquista histórica: a Câmara dos Deputados aprovou o fim da lista tríplice para a nomeação de reitores. A notícia foi festejada por representantes da comunidade universitária e por parlamentares.
A aprovação do PL 5.874/2025 aconteceu no dia 4, no contexto da reestruturação de cargos públicos. O projeto criou 16 mil novos cargos para o Ministério da Educação, além de 1.500 para o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos. A matéria, considerada um “PL guarda-chuva”, também absorveu o texto do Projeto de Lei 2.699/2011, que previa o fim da lista tríplice para a escolha de dirigentes das instituições superiores de ensino. Esse texto chegou a ser aprovado na Câmara em 2023, mas sofreu recursos de deputados da extrema direita. Agora, o novo PL aprovado na Câmara segue para o Senado e, posteriormente, para a sanção do presidente Lula.
O peso da votação dos docentes (70% em relação aos demais segmentos) também foi extinto na lei. Pelo projeto, o peso do voto de professores, técnicos e estudantes será definido por um conselho criado especificamente para esse objetivo em cada universidade. Ainda poderão participar da votação integrantes da sociedade civil. Já para os institutos federais, o texto estabelece o critério da paridade, ou seja, o voto de todos tem peso igual. O texto mantém a exigência de que candidatos e candidatas à reitoria sejam docentes com doutorado, titulares ou associados 4.
Presidenta da AdUFRJ, a professora Ligia Bahia destaca a importância do projeto. “É o reconhecimento de um princípio constitucional. Consagra o princípio da autonomia universitária. É uma importante conquista pela qual temos lutado por décadas”, comemora a dirigente. “Agora, as universidades finalmente terão o direito de decidir sobre sua reitoria. Não é uma notícia irrelevante. Ao contrário, é algo fundamental para as instituições de ensino superior”.
O reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho, se pronunciou pelas redes sociais. “O projeto de lei assegura que o reitor ou reitora que for eleito seja empossado”, afirmou. Medronho defendeu que a comunidade acadêmica se articule para conversar com os senadores para que referendem a proposta. “É uma grande conquista em prol da autonomia e da democracia universitárias”.
Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o reitor José Geraldo Ticianeli, da UFRR, também repercutiu a notícia. “Quero agradecer a todas as lideranças que nos receberam muito bem e entenderam a importância (do projeto). Hoje demos mais um importante passo para o fortalecimento da nossa soberania, da nossa democracia e da nossa autonomia”, disse.
O movimento estudantil também comemorou a boa nova. Natália Trindade, da Associação de Pós-Graduandos da UFRJ (APG) aponta que o fim da lista tríplice é, na prática, a derrubada de uma lei da ditadura. “É uma vitória muito importante, uma luta histórica da comunidade acadêmica”. Natália, no entanto, considera que o peso dos votos deva ser igual para todos e estabelecido em lei. “Para nós do movimento estudantil, é muito importante que a paridade dos votos seja considerada nessa construção”, afirma.
Vinícius Soares, doutorando da UFRJ e presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), concorda. “É um passo importante para garantir a democracia e a autonomia universitárias. Agora, o projeto segue para o Senado. Além da aprovação, é fundamental garantir a paridade no processo eleitoral. Precisamos avançar”.
POLÍTICOS COMEMORAM
O assunto também mobilizou políticos e parlamentares. Secretária Municipal de Ciência e Tecnologia, a professora Tatiana Roque, licenciada do Instituto de Matemática da UFRJ, avaliou de forma positiva a mudança. “O fim da lista tríplice é uma grande vitória. É muito importante para a democracia das universidades federais que haja uma lei que explicite que o mais votado deve ser o nomeado pelo presidente da República”, diz Tatiana. “Bolsonaro nomeou diversos reitores que perderam as eleições e que não tinham a menor condição de serem reitores, porque a lista tríplice reunia além do nome do mais votado, outros nomes que não haviam sido escolhidos pela comunidade universitária”, lembrou.
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) divulgou nas suas redes sociais o resultado da votação assim que saiu do plenário. “Nunca mais teremos interventor, como houve no tempo do bolsonarismo”, disparou. “Eu estou lutando há muito tempo para acabar com a lista tríplice nas universidades”, disse. “Quem for eleito reitor ou reitora com o maior número de votos será o reitor, será a reitora. É uma grande vitória da democracia para as universidades”.
O deputado federal Tarcisio Motta (PSOL-RJ) também destacou a importância da conquista histórica para as instituições de ensino superior. “Universidade não pode ser tutelada, nem virar moeda de troca política. Autonomia é a condição para a pesquisa, para o ensino, para a extensão, para a liberdade de pensamento e para proteger a universidade pública de intervenções”, disse. O parlamentar, que é líder de bancada da federação PSOL-Rede, demonstrou preocupação com a tramitação do projeto no Senado. “Essa etapa é decisiva. Precisamos seguir mobilizados até que o projeto vire lei”.
Fotos: Alessandro CostaA Colônia de Férias da AdUFRJ deixou um gostinho de quero mais nas crianças, na equipe e nas famílias. A segunda edição já está programada para a semana de 20 a 24 de julho, durante o recesso escolar. A princípio, serão disponibilizadas 40 vagas, com prioridade para filhos de professores sindicalizados. Estará à frente da programação a Equipe Coloriê.
A primeira edição, que terminou em 30 de janeiro, foi sucesso de público e de crítica. Por duas semanas, 34 crianças e adolescentes viveram experiências pedagógicas, esportivas, artísticas e, claro, divertidas!
A ideia surgiu a partir de demandas de docentes com filhos pequenos. Uma delas foi a professora Leda Castilho, da Coppe. “A gente levou essa sugestão no segundo semestre do ano passado e a diretoria em pouquíssimo tempo conseguiu organizar a programação”, conta Leda. “As crianças têm férias longas, em janeiro tem edital do CNPq vencendo, enfim, a gente precisa de suporte”.
Para a docente, a realização do evento permite aos colegas de diferentes unidades estreitar laços. “Cria um espírito de união entre os professores. A minha filha conheceu a filha de um professor do IFCS. Elas já estão combinando para brincar. Vira uma grande família”.
Conselheira da Escola de Belas Artes, a professora Luiza Amaral já espera a próxima edição. Seus dois filhos participaram das atividades. “As crianças fizeram muitas amizades e ficaram apaixonadas pela colônia. Para mim, foi muito importante, porque eu estou dando aulas neste período de férias. Então, elas puderam aproveitar ao invés de ficar em casa. Foi muito profícuo”, diz.
Simony Mendonça, professora da Faculdade de Farmácia, também inscreveu seus dois filhos. “Para mim, fez toda diferença a colônia ser num espaço da universidade. Foi muito bom eles poderem passar o restinho das férias perto de mim e brincando. Eles já querem mais”, avalia.
O professor Filipe Correa, do IPPUR, destacou a segurança do espaço. “Poder deixar o meu filho num local seguro e acompanhar esse dia a dia foi incrível”, afirmou o docente, que é diretor adjunto de Pós-Graduação. “Estávamos bastante sobrecarregados com ele em casa. Aqui ele se divertiu, encontrou outras crianças, fez uma série de atividades e isso foi fundamental para a nossa dinâmica familiar”, contou.
Coordenador da colônia, o professor André Coutinho agradeceu a confiança das famílias. “Em julho estaremos de novo aqui para proporcionar dias de trocas, aprendizados e afeto”.
Diretora da AdUFRJ, a professora Andréa Parente destacou que o sindicato precisa ser também um ponto de suporte e parceria para os professores. “Poder proporcionar essa experiência para as famílias foi muito importante. A gente espera que os nossos colegas possam enxergar na AdUFRJ essa parceria cotidiana”.