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A AdUFRJ paga pouco mais de R$ 100 mil por mês ao Andes, sem contar os valores desembolsados compulsoriamente como rateio dos custos de cada congresso e Conad. Somadas, as quantias chegam à impressionante cifra de R$ 1,5 milhão anual e são motivo de preocupação para a diretoria da AdUFRJ, que tem a missão de tirar do papel um sonho antigo: construir a sede da Associação dos Docentes da UFRJ.
O projeto está em fase de elaboração. O custo estimado do empreendimento – apresentado em assembleia no fim do ano passado – pode chegar a R$ 4 milhões. A expectativa é de que a obra fique pronta até o final de 2026. De acordo com o contrato de cessão onerosa do espaço, assinado em dezembro com a reitoria da universidade, o aluguel do terreno terá um custo mensal de R$ 8 mil. Já os valores necessários à manutenção da sede são estimados em R$ 45 mil.
Para estudar melhor os gastos internos, compreender os impactos das contribuições da AdUFRJ ao Andes e buscar um diálogo acerca desses valores, a diretoria pediu, em ofício enviado em 16 de dezembro, informações financeiras do Sindicato Nacional.
Fizeram parte dos questionamentos ao Andes a relação de receitas e despesas dos últimos cinco anos, as contribuições de todas as seções sindicais no mesmo período, inclusive as da AdUFRJ, e as previsões orçamentárias desde 2021. “Enviamos esse ofício no ano passado solicitando informações para balizar negociações entre a AdUFRJ e o Andes”, explica a presidenta Ligia Bahia. “Acreditamos que a transparência contribui para fundamentar bases de diálogo profícuo”.
A resposta demorou dois meses. Chegou nesta sexta-feira, 13 de fevereiro. O e-mail com 24 documentos anexados apresenta a lista de receitas e despesas do Sindicato Nacional dos últimos anos, mas não atende integralmente à demanda da AdUFRJ. Faltam aos extensos anexos a evolução de pagamentos das seções sindicais ao longo dos últimos anos. O Andes só apresentou a lista referente a 2024.
Segundo o dado de 2024, a AdUFRJ é a seção sindical que mais direciona recursos ao Andes. Somente outras três Ads em todo o país têm volume de contribuição próximo ao desempenho da AdUFRJ. São elas: Adusp (R$ 1,12 milhão), Apufpr (R$ 1,11 milhão), ADUFC (R$ 953 mil). Todas, no entanto, abaixo da destinação executada pelos professores da UFRJ. Esses números dão uma dimensão da participação da AdUFRJ, mas ainda são insuficientes, na avaliação da diretoria.
A ausência de informações completas dificulta o planejamento da diretoria da AdUFRJ. “Solicitamos informações detalhadas sobre os critérios de cálculo das contribuições das seções sindicais, com discriminação por ADs. O objetivo era simples e legítimo: verificar a isonomia contributiva e afastar dúvidas historicamente existentes sobre eventuais assimetrias”, analisa o professor Daniel Negreiros Conceição, 1º Tesoureiro da AdUFRJ. “Até o momento, essas informações não foram disponibilizadas de forma satisfatória. Sem transparência ativa, torna-se impossível ao tesoureiro cumprir plenamente sua função de avaliar a adequação e a proporcionalidade dos repasses realizados”, defende.
O docente reafirma o compromisso com a responsabilidade a um patrimônio que pertence a todos os professores da UFRJ. “A prudência financeira, nessas condições, não é um gesto de confronto, mas de responsabilidade institucional”, afirma o dirigente, que ainda aguarda mais detalhamentos da diretoria nacional. “Democracia não pode ser reduzida à obediência acrítica a regras quando estas se afastam de sua finalidade maior: garantir participação, pluralidade e legitimidade. Da mesma forma, solidariedade sindical não pode prescindir de transparência e confiança mútua”, conclui.
ADUFRJ BUSCA NEGOCIAÇÃO COM O ANDES SOBRE VALORES DOS REPASSES MENSAIS
Há quatro meses a AdUFRJ busca negociar valores de seus repasses mensais ao Andes. Enquanto a negociação não acontece de fato, a cota associativa junto ao Andes foi suspensa. A dívida corresponde aos exercícios de outubro, novembro e dezembro de 2025, e janeiro de 2026. O valor total, considerando o desconto proporcional ao cálculo do 13º salário, soma R$530.830,80.
A preocupação central é a saúde financeira da associação, já que a sede da AdUFRJ mobilizará alto volume de recursos. “Nós decidimos suspender temporariamente os repasses para o Andes porque estamos muito empenhados com a construção da sede”, justifica a presidenta Ligia Bahia. A diretoria tenta abrir com a direção nacional uma via de diálogo. “Queremos conversar com a diretoria do Andes sobre a possibilidade de redução do montante durante a obra”.
Essa negociação ainda não começou. O ofício com solicitações iniciais sobre as finanças do sindicato nacional demorou dois meses para ser respondido. Enquanto isso, seguem os esforços para a revisão das contas internas. Tesoureiro da AdUFRJ, o professor Daniel Negreiros Conceição afirma que a gestão da qual faz parte busca conduzir as decisões com base nos princípios da democracia substantiva, transparência institucional e responsabilidade fiduciária. “Consideramos esses princípios indissociáveis. É nesse marco que se insere a decisão de suspender temporariamente os repasses financeiros ao Andes”, explica. “Essa decisão não é trivial, nem tomada com leviandade, tampouco motivada por razões meramente contábeis”, pondera o dirigente.
Ele afirma que a diretoria e, a tesouraria, em especial, zela pela saúde financeira da AdUFRJ. “A construção da nova sede da seção sindical representa um esforço financeiro extraordinário, planejado e amplamente debatido. Trata-se, no entanto, de um investimento estrutural, cujos benefícios extrapolam a AdUFRJ, fortalecendo a infraestrutura e a capacidade organizativa do movimento docente como um todo”, analisa. “Nesse contexto, é legítimo — e responsável — discutir a redistribuição temporária dos esforços financeiros entre instâncias do movimento sindical”, defende. Daniel reforça, no entanto, que a pausa nos repasses tem caráter provisório. “Não configura ruptura, nem negação da importância histórica e política do Andes. Trata-se de uma medida provisória, condicionada à recomposição de um ambiente mínimo de confiança, transparência e diálogo”.
A diretoria da AdUFRJ permanece aberta à negociação sobre critérios de cálculo das contribuições; reconhecimento do caráter estratégico dos investimentos realizados pela seção sindical; e formas de redistribuição temporária dos encargos financeiros durante o período de obras. “Assumimos esse caminho com serenidade, firmeza e disposição para o diálogo — certos de que fortalecer a democracia interna é condição indispensável para fortalecer o movimento docente nacional”.
LIGIA BAHIA
Presidenta da AdUFRJ
Quem é professor da UFRJ, seja quem ingressou mais recentemente, ou com carreira mais consolidada, sabe, ouviu falar ou presenciou divergências durante eleições e no dia a dia da AdUFRJ. É fato. Há docentes que disputaram em 2025 a diretoria com distintas orientações teóricas, ideológicas e pragmáticas sobre o que é uma associação docente, quais são suas prioridades, que compromissos deve assumir.
A atual diretoria, integrada por colegas que compartilham acepções sobre a garantia da participação nas decisões da entidade, as traduziram mediante a realização de duas assembleias remotas, ambas com presença expressiva dos associados da AdUFRJ.
Evidenciamos, tal como em experiências de diretorias anteriores, que, quando viável, os docentes comparecem.
Defensores do voto mal denominado presencial (porque seja como for vai existir presença) contestaram os resultados da assembleia que definiu a delegação da UFRJ para o Congresso do Andes (sindicato nacional). Corremos o risco de manter um debate raso, se ficarmos na oposição entre aparições mais ou menos corporificadas. Não é disso que se trata.
Na realidade discordamos em relação a: o que é e para quem é a AdUFRJ.
Para nós, a associação se situa em um espaço dialógico e na contemporaneidade. Pretendemos levar adiante um projeto de universidade pública inclusiva e de excelência, valorizar nossa carreira, tornar nosso trabalho menos árduo e calibrar nossa atuação aos tempos de crise climática, tensões geopolíticas e ameaças da extrema direita.
Temos intenção de dedicar parte da agenda da entidade, em 2026, ao debate para influenciar programas de governo. Teremos um ano desafiante, que exigirá respostas acertadas ao negacionismo científico.
Compreendemos que a AdUFRJ é uma associação de professores universitários críticos em relação ao mundo, ao conhecimento que produzem e difundem. Autonomia acadêmica e o compromisso inarredável com a pluralidade do pensamento, do conhecimento e saberes são essenciais para manter, ampliar e articular instituições de ensino e pesquisa com as agendas de desenvolvimento social sustentável e igualdade social.
Nesse sentido, o da irrevogável natureza contraditória das universidades, que por sua vez são inerentes aos avanços da busca por melhores experiências e evidências, a representação de seus professores perde potência, quando, equivocadamente, se confunde com doutrinas de tendências sectárias.
O não reconhecimento pelo Andes da assembleia da AdUFRJ é um desacerto grave. Não tratamos professores universitários que se alinham em torno de valores democráticos como inimigos e esperamos reciprocidade.
É hora de unidade em torno da defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.
A assembleia da AdUFRJ definiu a delegação ao 44º Congresso do Andes, que acontece em março, em Salvador (BA). Ao todo, 15 docentes foram eleitos, sendo 13 delegados e 2 observadoras suplentes de delegados. A escolha contou com a participação e voto de 387 professores da UFRJ. Veja a lista:
Delegados
Andréa Parente
Antonio Solé
Carlos Frederico Leão Rocha
Daniel Negreiros Conceição
Eleonora Ziller
Leda Castilho
Ligia Bahia
Luisa Ketzer
Maria Tereza Leopardi
Marta Castilho
Michel Gherman
Pedro Lagerblad
Ricardo Medronho
Observadoras/Suplentes
Ana Lúcia Fernandes
Claudia Pinto Figueiredo
A AdUFRJ deu um exemplo de ampliação da participação de professores na escolha da delegação ao 44º Congresso do Andes, que acontece no início de em março, na cidade de Salvador (BA). No dia 4, a seção sindical realizou a maior assembleia de sua história recente para eleição de delegados, com 387 votantes. A assembleia foi remota, com votação pelo sistema eletrônico Helios. O Andes, no entanto, não considerou a representatividade dos votos e formalizou na terça-feira, 10, o veto à delegação, impedindo a participação da maior seção sindical do Andes na intância máxima de deliberação da categoria docente.
O grupo identificado como de oposição à diretoria da AdUFRJ não indicou nomes. O argumento foi de que só indicariam representantes se a assembleia e o voto fossem presenciais. “O estatuto do Andes é uma legislação que devemos seguir. Como professora do Direito, não posso me furtar a apontar a importância de seguir as normas que regem o nosso sindicato. Se há um regimento, temos que seguir uma formalidade”, defendeu a professora Luciana Boiteux, da FND.
Na mesm linha argumentou a professora Cristina Miranda, aposentada do Colégio de Aplicação. “É muito importante que a AdUFRJ seja representada por uma delegação no congresso, sobretudo em um ano eleitoral tão importante.”, disse. “A gente pode discordar do estatuto, mas a gente não pode desrespeitá-lo”, afirmou.
Diretor do Instituto de Economia, o professor Carlos Frederico Leão Rocha argumentou que o regimento do Andes é uma norma interna, mas não está acima da lei. “Acima dele está a lei sindical, está a Constituição. O estatuto não é uma lei magna do sindicato”, afirmou. “Existe um entendimento alternativo e o estatuto não é salvo-conduto para restringir a participação de professores”.
Vice-presidenta da AdUFRJ, a professora Maria Tereza Leopardi lembrou que duas seções sindicais (Adunifesp e Adufg) realizaram assembleias e votações remotas para escolher, inclusive, as suas diretorias. “Foram processos ocorridos após a mudança do estatuto do Andes e o sindicato não contestou. Se temos autonomia, podemos escolher sobre nossos procedimentos decisórios”, argumentou. “Ao decidir sobre esse formato de assembleia, nós estamos reafirmando a nossa autonomia. O coerente é que o Andes tome a mesma decisão que tomou em relação a essas seções sindicais”.
Ex-diretor da AdUFRJ, o professor Antonio Solé apontou a contradição dos argumentos apresentados pelos professores que representam a oposição e lembrou que em sua gestão o grupo organizou um abaixo-assinado on line para exigir assembleia presencial. “É meio irônico utilizar um instrumento remoto para pedir uma atividade presencial”, apontou. “O mesmo acontece com o Andes, quando diz que não pode ter eleição remota, ‘a não ser que o meu grupo vença a eleição’, como aconteceu em São Paulo e em Goiás”.
MAIOR DOS
ÚLTIMOS ANOS
A assembleia do dia 4 foi a maior da história recente da AdUFRJ específica para aprovação de delegação para congressos do Andes. Se candidataram 23 docentes. Os 15 mais votados pelos colegas compuseram a delegação da AdUFRJ (veja lista abaixo). A listagem foi enviada ao Andes no próprio dia 5. O sindicato nacional recusou o credenciamento dos professores da UFRJ na terça-feira, 10.
Veja os eleitos
Delegados
Andréa Parente
Antonio Solé
Carlos Frederico Leão Rocha
Daniel Negreiros Conceição
Eleonora Ziller
Leda Castilho
Ligia Bahia
Luisa Ketzer
Maria Tereza Leopardi
Marta Castilho
Michel Gherman
Pedro Lagerblad
Ricardo Medronho
Observadoras/Suplentes
Ana Lúcia Fernandes
Claudia Pinto Figueiredo
Em todo o país, é flagrante a baixa presença de professores e professoras nas assembleias que definiram delegações para o congresso do Andes. A Adusp, por exemplo, representa professores da Universidade de São Paulo. Maior e mais conceituada do país, a USP possui cerca de dez mil docentes, entre ativos e aposentados. Já seção sindical tem 2.500 filiados distribuídos em oito campi universitários, mas sua delegação foi aprovada por apenas 0,4% dos sindicalizados. Apenas dez compareceram à assembleia.
O mesmo ocorreu com outras seções sindicais ouvidas pela reportagem. Das que puderam nos disponibilizar os seus dados, nenhuma obteve um número expressivo de votos. A apuração é reveladora da representatividade da assembleia da AdUFRJ, que elegeu sua delegação com 387 votos. Um número mais de oito vezes maior que a da assembleia da Asduerj, coirmã estadual que teve 47 docentes presentes na escolha de seus delegados – maior representatividade dentre as que nos informaram os dados. Essas informações foram pedidas formalmente pela diretoria da AdUFRJ à diretoria nacional, mas até o fechamento desta edição, não havia resposta à solicitação.
A exigência do Andes por assembleias presenciais afeta especialmente os aposentados e os professores que atuam em campi afastados da sede. Quanto mais interiorizada a universidade, maior o desafio da participação sindical. Problema que poderia ser resolvido com modelos que permitissem a atuação remota. É o que defende a professora Karina Lima, coordenadora-geral da Seção Sindical dos Docentes da Universidade do Estado da Bahia (Aduneb).
As assembleias presenciais se tornaram um impedimento real à participação dos 1.200 filiados distribuídos em 27 campi universitários e 31 departamentos. “Além de termos muitos aposentados, nosso estado tem uma extensão territorial imensa, que inviabiliza assembleias simultâneas em todos esses espaços”, argumenta a dirigente. “Temos campi a quase 900 quilômetros de Salvador”, exemplifica. “Para garantir a isonomia, precisaríamos ter estrutura para constituir uma assembleia em cada um desses locais que atuassem conectadas em rede. É uma logística impossível para nós”, diz.
Sem ter condições concretas de atuação, o resultado se traduz em assembleias pouco representativas. “Normalmente, nossas assembleias são muito esvaziadas, com cerca de 30 pessoas. No caso da última assembleia que definiu a delegação ao congresso, foram cerca de 20 pessoas”, conta.
A possibilidade de realização de assembleias remotas ou híbridas, para ela, permitiria a ampliação da presença dos colegas. “Nós temos por hábito abrir um link para a participação virtual de filiados e filiadas que não podem estar no local da assembleia, mas eles só têm direito a voz, não podem exercer o voto”, explica. “Já tivemos em várias ocasiões assembleias com 30 pessoas no local e mais de 300 acompanhando remotamente”, conta. “Há muitos questionamentos da nossa base sobre esse sistema que impede o voto das pessoas que acompanham on line, mas a gente tenta explicar que é uma restrição do estatuto do Andes, não nossa”.
A professora Karina é um exemplo vivo dessa dificuldade de deslocamento. Ela é professora de Literaturas no campus de Teixeira de Freitas, que fica no extremo Sul da Bahia. Para chegar a Salvador, ela precisa fazer uma viagem de 16 horas de ônibus. “Eu vou semanalmente à sede, mas fiz essa opção de atuar na coordenação da Aduneb. Muitas vezes faço bate e volta. É extremamente cansativo, mas, como disse, eu fiz essa opção. Mas a exigência da presencialidade é muito injusta para os nossos colegas que estão na multicampia”.
Ela afirma que é importante fortalecer a discussão sobre mecanismos de participação remota dos professores. “Precisamos atuar mais fortemente nessa direção de permitir assembleias híbridas. A exigência da presencialidade física impede o exercício pleno da democracia sindical”, critica.
Levantamento do Jornal da ADUFRJ sobre as assembleias que, desde 2013, escolheram delegação para o Congresso do Andes aponta maior participação dos professores em meio remoto. Na reunião dos dias 4 e 5 de fevereiro deste ano, 387 docentes definiram os delegados e observadores para o Congresso de Salvador (BA). Já em 11 de fevereiro de 2022, 82 assinaram a lista de presença via chat do encontro que escolheu os representantes do sindicato no 40º Congresso, em Porto Alegre (RS) — o primeiro após a pandemia de Covid-19.
Os números das assembleias presenciais são mais modestos. A maior delas alcançou 64 participantes em novembro de 2019. Mas a pauta, além da escolha de representantes da ADUFRJ para o 39º Congresso de São Paulo, no início do ano seguinte, contava com outros pontos que mobilizavam a categoria à época: a discussão sobre progressões múltiplas; a ação judicial dos 26,05% (Plano Verão) e o indicativo de estado de greve para março de 2020. Na menor assembleia, de 4 de fevereiro de 2015, apenas 11 professores compareceram para a escolha da delegação ao 34º Congresso do Andes, realizado poucos dias depois, em Brasília (DF).
A diretoria da ADUFRJ realizou, no dia 04/02/26, uma Assembleia especificamente convocada para escolher delegados de nossa Seção Sindical para participar do 44o Congresso do ANDES-Sindicato Nacional.
Coerentes com o programa pelo qual fomos eleitos – que incluía a defesa de procedimentos decisórios que propiciassem o aumento da participação dos associados nas decisões da ADUFRJ – a assembleia ocorreu pela plataforma ZOOM e contou com a presença de mais de 60 pessoas, conseguindo mobilizar 387 associados que votaram na escolha de delegados pelo sistema Helios.
Malgrado os questionamentos apresentados – a sistemática de reuniões com participação remota e votação eletrônica estaria em desacordo com o Estatuto do ANDES – reafirmamos que o procedimento adotado é absolutamente legítimo.
A defesa de meios remotos de participação tem feito parte dos programas das diretorias eleitas para a ADUFRJ nos últimos 10 anos. Temos apoio de nossos representados, portanto. Tal defesa não ocorre à toa nem por preguiça: a UFRJ tem uma categoria geograficamente dispersa; a viabilização da participação remota comprovadamente amplia a participação dos professores nas decisões da ADUFRJ.
Esse aumento de participação propiciado pelos meios remotos está em perfeita sintonia com um dos objetivos declarados no Estatuto do próprio ANDES:
art. 5oO ANDES-SINDICATO NACIONAL tem por objetivos precípuos:
...
IV - incentivar a participação do(a)s sindicalizado(a)s nas reuniões, assembleias e demais atividades inerentes à entidade...
...
O efeito prático de assembleias presenciais é a exclusão de parte dos associados do processo decisório. Toda vez que foram adotadas votações eletrônicas, os quóruns foram muito mais significativos.
Não há voto mais qualificado que outro... Há quem possa (ou queira) estar presente em Assembleia; há quem não possa (ou não queira):todos têm iguais direitos de voto.
O Estatuto do ANDES foi modificado em 2025, em particular para tentar proibir o voto não presencial em decisões da entidade e de suas seções sindicais e ADs-Seções Sindicais (alterações no art. 9, §§ 2o e 3o, e art. 48, §§ 3o a 5o). Mas não há justificativas objetivas para essa proibição.
De fato, o motivo que não ousa dizer seu nome parece ser um só: a tentativa de inviabilizar estratégias (bem sucedidas) de ampliação da participação docente por parte grupos de oposição à Diretoria do ANDES...
Como legitimar uma medida que evidentemente tem como resultado a diminuição da participação? E, ainda mais, em contradição com os próprios objetivos da entidade, lembre-se.
Uma incoerência importante aparece para fortalecer essa suspeita: houve, em 2025, pelo menos duas Associações de Docentes cujas eleições foram realizadas por sistemas eletrônicos de votação - a ADUNIFESP e a ADUFG e não consta que o ANDES tenha impugnado tais eleições....
Ao decidir por convocar uma assembleia remota com votação pelo sistema Helios, a Diretoria da ADUFRJ está reivindicando sua autonomia, garantida inclusive pelo próprio Estatuto do ANDES:
“Art. 44 ...
§2oA S.SIND ou a AD-S.SIND tem autonomia política, administrativa, patrimonial e financeira...”
Negar reconhecimento aos resultados da escolha dos associados da ADUFRJ de delegados para o 44o Congresso do ANDES significa, na prática, negar a autonomia política e administrativa que a Diretoria eleita deve ter no encaminhamento de seus processos decisórios.
Além de contraditaro princípio da autonomia das ADs, a vedação em questão também poderia ser vista como regra geral não necessariamente aplicável à escolha de delegados para Congresso/ANDES, que diz o seguinte:
“Art. 17. O(a)s delegado(a)s... sãoeleito(a)s em Assembleia Geral convocada expressamente para tal finalidade, nos termos do seu regimento, ou por votação direta e secreta do conjunto dos sindicalizados....”.
...
Enfim, entendemos que uma norma estatutária do ANDES não tem legitimidade para impedir o aumento da participação dos professores nas decisões. Não é admissível que uma regra casuística se sobreponha aos princípios da autonomia das ADs e da busca pela maior participação.
Não há por que ignorar a vontade de maioria que se manifesta por meio eletrônico. Não restringiremos a participação de nossos associados exigindo presença física num determinado local.
A Colônia de Férias da AdUFRJ acabou nesta sexta-feira, 30 de janeiro, mas deixou um gostinho de quero mais. Crianças, cuidadores, professores e suas famílias celebraram juntos o encerramento do evento. A festa final teve direito a desfile de fantasias, medalhas para todos os participantes, caça ao tesouro, lanche coletivo com as famílias e muita animação.
A colônia, promovida pela AdUFRJ em parceria com a Equipe Coloriê, foi um sucesso de público e de crítica. Por duas semanas, 34 crianças e adolescentes viveram experiências pedagógicas, esportivas, colaborativas, artísticas e, claro, muito, muito divertidas! Enquanto brincavam e experimentavam novas vivências, os pais podiam seguir seus compromissos de trabalho na universidade.
"Para a gente foi ótimo. Eu já estou organizando o início do semestre, estou vindo para o Fundão mesmo em janeiro. Então, poder deixá-lo num local seguro e acompanhar esse dia a dia foi incrível", afirmou o professor Filipe Correa, diretor adjunto de Pós-Graduação do IPPUR e pai do Fábio, de 9 anos. "Estávamos bastante sobrecarregados com ele em casa. Aqui ele se divertiu, encontrou outras crianças, fez uma série de atividades e isso foi fundamental para a nossa dinâmica familiar", contou.
"Eles se divertiram pra caramba. As férias das crianças são muito extensas, a gente não consegue acompanhar todo o período. Para mim, fez toda a diferença a colônia de férias ser num espaço da universidade", avalia a professora Simony Mendonça, da Faculdade de Farmácia. Ela é mãe do Caio e do Davi, de 6 e 5 anos. "Foi muito bom eles poderem passar o restinho das férias perto de mim e brincando. Tomara que tenha outras edições. Eles já querem mais".
Diretora da AdUFRJ, a professora Andréa Parente destaca o papel do sindicato como ponto de suporte para os professores da universidade. "O que esperamos é que nossos colegas encontrem na AdUFRJ essa parceria. Somos todos professores e entendemos as dificuldades de trabalhar durante as férias escolares", afirma. "O sindicato tem muitas funções importantes e uma delas é, sem dúvidas, ser apoio, gerar repercussões positivas no dia a dia de nossos colegas".
A cobertura completa você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.
Foto: Alessandro Costa