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Como começar esse editorial? Sim, temos uma vitória, aprovamos o FUNDEB, sem espaço para manobras ou recuos. Mas, como caminharemos com o anúncio de que também nessa mesma semana ultrapassamos os 85.000 mortos? Não é possível simplesmente ignorar o desastre nacional agora naturalizado e incorporado ao cotidiano de cada um. E para nosso espanto, começam a circular pesquisas que afirmam ser viável a reeleição do atual presidente. Soa torto e quase inacreditável que isso seja possível depois de todas as crises, denúncias e essa avalanche de mortes evitáveis. Há muito para refletir, avaliar e discutir. Como chegamos até aqui e quais caminhos poderão nos tirar disso?
     Voltemos para a nossa vitória da semana: o Fundeb. Uma proposta clara, uma forte e organizada pressão de todas as organizações, todos os sindicatos e movimentos ligados à área da educação. Somada a essa grande mobilização, uma articulação competente e ampla, reunindo parlamentares numa grande frente em defesa da educação. Não foi a nossa primeira vitória, nem isso significa que não tenhamos perdas dramáticas. Temos falado disso desde a nossa eleição: os ventos de maio, mais precisamente do 15 de maio de 2019. É preciso recuperar aquela potente energia que nos permitiu estar juntos, num mesmo compasso, apesar de tantas diferenças.
Teremos na segunda-feira, 27, a nossa primeira assembleia virtual. É um teste importante, embora a pauta seja curta e esperamos que sem muita divergência. Trata-se de indicar a delegação da AdUFRJ para o 8° Conselho Nacional de Associações de Docentes do Andes (Conad), que também deverá ser virtual. Esse é um momento da maior importância, pois precisamos contar com uma razoável articulação nacional. A pandemia atropelou o processo eleitoral que se iniciava para a renovação da diretoria do nosso sindicato nacional. Já havia duas chapas inscritas e uma previsão inicial de eleição para 12 e 13 de maio. Com todas as dificuldades que possam existir, consideramos que não há outro caminho que não seja a prorrogação do mandato da atual gestão, assim como a suspensão do processo eleitoral iniciado. Nossa posição nesse momento é a de que precisamos caminhar juntos, fortalecendo nosso sindicato nacional. Nossa expectativa é a de que a atual diretoria também compreenda a gravidade do momento em que vivemos e construa um bom diálogo com todas as suas entidades de base. E fica aqui o convite para que todos participem dessa primeira assembleia virtual da AdUFRJ.
Talvez tenhamos que fazer outras, e talvez seja necessário que questões mais graves e difíceis estejam em pauta num futuro próximo. Que seja essa nossa assembleia um exercício de esperança, que possamos opor ao isolamento e à distância física que hoje nos separa uma ação solidária e coletiva, que seja uma resposta ao isolamento e ao individualismo que pode nos corroer a alma e o ânimo. Tornemos ao bordão antigo, mas que ainda nos embala: juntos somos fortes.

Diretoria da AdUFRJ

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02WEB menor1137A semana que se encerra nesta sexta-feira guarda tantas experiências díspares e contraditórias, como em tantas outras que temos enfrentado desde o início da pandemia. Isso consome o coração de todos nós. É preciso doses cavalares de indiferença para passar incólume pelas mais de 70.000 mortes confirmadas por Covid-19. Porque, mesmo que não sejamos nós os responsáveis, a complacente imagem da nação, que parece adormecer por cima de seus mortos sem qualquer abalo, nos atormenta dia e noite. Os números falam por si. Confinados, enlutados, longe de nosso habitat natural – que são os corredores da universidade cheios de vida, repletos de jovens – enfrentamos ao nosso modo o torturante cenário de descaso, inépcia e perversidade que o atual governo nos apresenta diariamente. E para além do que cada um de nós pode estar enfrentando por esses dias, a resposta da UFRJ foi uma verdadeira explosão de vida, de vitalidade e potência crítica e criativa. O canal aberto pela PR5 com o Festival do Conhecimento permitiu que centenas de atividades viessem a público. Uma extraordinária diversidade ganhou as redes, em lives, rodas de conversas, painéis, proposições nos mais variados diapasões. Em resposta ao ódio que nos devotam, respondemos com mais vida, mais conhecimento e alguma alegria. Estivemos na mira dos grupos mais extremados, que não se pode nem mesmo acusar de conservadores, porque o que predomina ali é mesmo a brutalidade e a ignorância. Moções de ódio, tentativas de desqualificar um evento que a comunidade abraçou e fez gigante, marcaram as reações à programação da UFRJ. Por isso, temos a convicção dos acertos que ela traz. Também poderíamos nos ater às críticas e aos diversos problemas que foram sendo identificados, mas o que prevalece é a firme convicção de que a universidade possui energia e vitalidade de sobra para enfrentar esses tempos sombrios.      
Mas essa semana foi também o momento em que nos movemos em direção à oferta do ensino remoto emergencial durante o que foi batizado de Período Letivo Excepcional. Começamos a semana com reuniões por áreas, e concluímos com a realização do Conselho de Representantes. O desafio de oferecer disciplinas aos concluintes e aproveitar o momento para oferecer um leque bem maior em caráter experimental, sejam elas obrigatórias ou eletivas, tem sido a tônica na maioria das unidades. Mas isso está longe de significar consenso. Porque, mesmo muitos daqueles que estão se debruçando nessa tarefa, o fazem compelidos para mitigar prejuízos, reduzindo danos e buscando alternativas possíveis para a formação de nossos estudantes. A situação, portanto, está longe de ser a ideal, pois todas as dificuldades que encontraríamos para realizarmos essas propostas são amplificadas pela desagregação política que vive o país, e principalmente o clima de severa desconfiança e de incessantes campanhas contra a universidade e seu ambiente de liberdade e crítica. E assim chegamos também à posse do novo ministro da educação. O perfil não destoa dos interesses que regem o atual governo: ultraconservador nos costumes, privatistas até a medula. E se de fato ele for capaz de representar os interesses desse setor, teremos mais dificuldades daqui para frente, porque o pior ministro da história era também um incapaz, e isso fez com que sua capacidade de destruição fosse menor do que o seu discurso anunciava. Resta saber se agora, com esse pastor, o projeto de censura e silenciamento das universidades encontrará um interlocutor com alguma capacidade de realização. Não temos motivo nenhum para esperar que algo melhore nesse governo. Teremos um período de muitos desafios para nós, mas temos a convicção que a vida que pulsa na Universidade será capaz de conter o punitivismo retrógado e o desejo pela busca do conhecimento superará as tentativas de silenciamento. A dor educa, mas não como resultado da ação de quem deveria nos amar e proteger. A dor que educa é a que sofremos quando decidimos avançar mesmo diante do perigo. É aquela que nos impulsiona, que nos faz vivos e alertas. E será com ela que enfrentaremos os desafios que virão.

Diretoria da AdUFRJ

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A diretoria convoca Assembleia Geral virtual da AdUFRJ-SSind para o dia 27 de julho de 2020 (segunda-feira), de 10h às 12h30, que será realizada virtualmente através da plataforma Zoom.

 

Link para Assembleia Geral Virtual: https://us02web.zoom.us/j/86373719286

 

Pauta:
Informes
Avaliação de conjuntura
Escolha de delegados para o 8º CONAD Extraordinário a ser realizado nos dias 30 e 31 de julho de 2020


Roteiro:
10h – primeira convocação com quórum mínimo de docentes
10h30 – início da AG com qualquer número de docentes
10h30 às 11h – informes
11h às 12h – avaliação
12h30 – votação ponto 3 através de enquete
 
O link para entrada na plataforma Zoom será disponibilizado por email, whatsapp e redes sociais até segunda-feira, dia 27, 9h.

03WEB menor1137O pastor Milton Ribeiro tomou posse no cargo de ministro da Educação no dia 16 de julho. Ele é o quarto titular da pasta em um ano e meio de governo Bolsonaro. No discurso, Ribeiro lembrou o pedido do presidente: que olhasse “com carinho para a formação das crianças” e de professores. “Assumo publicamente o compromisso de que seguiremos esta orientação”, afirmou.
Ex-vice-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o ministro declarou que abrirá canal de diálogo com os educadores que, como ele, “estão entristecidos com o que vem acontecendo com a educação em nosso país”. E se comprometeu a fazer uma gestão baseada “nos valores constitucionais da laicidade do Estado e do ensino público”.
Ainda durante seu pronunciamento, desmentiu o vídeo em que aparece defendendo o castigo físico para crianças. “Jamais falei em violência física na educação escolar e nunca defenderei tal prática”, disse. “Entretanto, vale lembrar que devido à implementação de políticas e filosofias educacionais equivocadas, desconstruíram a autoridade do professor em sala de aula”.
A cerimônia contou com a participação remota do presidente Jair Bolsonaro, que ainda se recupera da Covid-19 e por isso está isolado no Palácio da Alvorada. No breve discurso, Bolsonaro afirmou que a experiência do ministro no Exército o ajudará a conduzir a pasta.
Diretor da AdUFRJ, o cientista político Josué Medeiros acredita que Bolsonaro achou um nome que congrega centrão, olavistas, militares e empresariado no MEC. “O discurso mostra que ele não está para briga, mas para conciliações”, avalia o professor. “Seu discurso não é de privatização, ninguém vai efetivamente vender as universidades públicas, mas há o interesse de abrir esses espaços para a lógica do mercado”.
Um dos principais riscos, para o docente, é o desmonte da frente ampla de defesa das universidades no Congresso. “Pode levar para perto do governo um setor da educação que estava agindo em oposição ao Weintraub”. Apesar do possível fortalecimento no Legislativo, Josué acredita que muitas ações não vão passar pelos parlamentares. “Há mecanismos prontos, como o Marco de Ciência e Tecnologia, que possibilitam políticas que não precisam de aprovação do Congresso. Há muita estrada já pavimentada nesse sentido”.

DEPUTADOS
QUEREM AUDIÊNCIA
As polêmicas declarações de Milton Ribeiro, que ilustram esta página, deixaram a sociedade e os parlamentares perplexos. Deputados querem saber se o novo titular do MEC levará essas controversas posições para o ministério, além dos seus planos para a área.
A deputada Margarida Salomão (PT-MG), presidente da Frente Mista Parlamentar Pela Valorização das Universidades Federais, conta que o grupo pretende realizar uma audiência virtual com Ribeiro. “Achamos que isso é importante para restabelecer as relações institucionais que devem existir entre o Parlamento e o MEC”, diz a parlamentar, que é ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora. “Temos a expectativa de que, mesmo tendo pontos de vista divergentes, possamos manter uma relação de diálogo a bem das universidades federais”.
Professor da Faculdade de Educação da USP, mesma instituição em que o ministro concluiu seu doutorado, o professor César Minto vê com desconfiança a nomeação do novo titular do MEC. “Eu acho a indicação muito preocupante, porque provavelmente ele tenha sido escolhido por ser ideológico. Alguém do time do presidente”, afirma.
Ele acredita que a sensibilidade da área é justamente o que a torna tão importante para a guerra cultural que o bolsonarismo quer promover. “É um ministério que trata da formação de pessoas, inclusive professores que formarão, por sua vez, profissionais para todas as áreas”, avalia.
Um dos principais desafios do ministro, para César Minto, será a disputa em torno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). “A Economia já deixou muito claro que não pretende investir em áreas sociais. O direcionamento que o ministro da Educação der para esta questão vai nos indicar qual será a tendência de sua gestão”.

FRASES DO MINISTRO

Castigo e disciplina
“A correção é necessária para a cura. Não vai ser obtida por meios justos e métodos suaves. Deve haver rigor e severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: deve sentir dor.”
Sermão em culto na Igreja Presbiteriana, em 2016, disponível em: https://youtu.be/fWipfiWZZLw

Pedofilia
“O que me preocupa é a erotização da criança, e a criança então com atitudes e com maneiras e trejeitos que ela vê e que ela imita provocando pessoas que entendem que a criança está querendo ter algum tipo de relacionamento com ela”.
Entrevista ao programa Ação e Reação, de 17/10/2013, disponível em https://youtu.be/fD26BdtcoSEfD26BdtcoSE

Sexo sem limites
“Se for feito com amor, tudo vale. Se você fez sexo com o seu vizinho, que é casado, com a sua vizinha, mas é feito com amor, tudo vale. É isso que eles estão ensinando aos nossos filhos na universidade”
Sermão em culto na Igreja Presbiteriana, em 2018, disponível em: https://youtu.be/fWipfiWZZLw

 Diálogo
“Queremos abrir um grande diálogo com os acadêmicos e educadores que, como eu, estão entristecidos com o que vem acontecendo com a educação do nosso país”.
Discurso de posse, dia 16/07/2020, disponível em https://youtu.be/YRIXNBOXBTA

Estado Laico
“Meu compromisso, que assumo hoje ao tomar posse, está bem firmado e bem localizado em valores constitucionais da laicidade do Estado e do ensino público. Assim, Deus me ajude”.
Discurso de posse, dia 16/07/2020, disponível em https://youtu.be/YRIXNBOXBTA

O perigoso novo Ministro da Educação

JOSUÉ MEDEIROS
Diretor da AdUFRJ

Pela Adufrj e Observatório do Conhecimento, fomos ao Congresso diversas vezes em 2019 e começo de 2020 articular contra Weintraub. Graças à força das ruas no 15 de maio de 2019, conseguimos formar uma frente ampla contra o ex-ministro.
Esquerda, centro-direita, direita liberal, Rodrigo Maia, toda a imprensa, toda a sociedade civil que atua na educação (movimentos sociais à esquerda + ONGs e institutos liberais). Eram todos contra o bolsonarismo orgânico de Weintraub. Conseguimos barrar muitos retrocessos. É justamente essa articulação que o novo ministro Milton Ribeiro tem o potencial de desfazer. Pior: seu discurso “técnico” (na posse defendeu o Estado Laico e o ensino público) pode organizar uma nova frente ampla, desta vez em torno de políticas neoliberais para a educação. Ele vai manter o olavismo no MEC e isso pode atrapalhar, mas não será o bolsonarismo que vai impedir uma efetividade neoliberal. Precisamos das ruas com o mesmo clima do 15M, para além da nossa bolha. E precisamos de muita inteligência e zero sectarismo nas articulações.

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