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A UFRJ concedeu o diploma póstumo de bacharel em Ciências Econômicas ao estudante Stuart Angel, assassinado pela ditadura em 1971. Em emocionante solenidade que lotou o Salão Dourado do Palácio Universitário no último dia 7, o documento foi recebido pela irmã do homenageado, a jornalista Hildegard Angel.
Hildegard ressaltou a coragem daqueles que, assim como seu irmão, enfrentaram a tirania e deixou um recado bastante atual. "A gente não pode se dominar pelo medo. Porque esse medo contagiante alimenta os ardis para retomarem a ditadura, a tirania, para entregarem o Brasil a outro país. Não podemos permitir isso", disse.
"Quando uma juventude é interrompida pela violência, toda a sociedade perde uma parte do seu próprio futuro", afirmou o diretor do Instituto de Economia, professor Carlos Frederico Leão Rocha. "Essa lembrança nos impõe uma responsabilidade. A melhor homenagem que podemos prestar não é apenas olhar para o passado. É perguntar o que fazemos com a juventude que chega até nós ", completou.
O reitor Roberto Medronho encerrou a cerimônia: "Esse diploma que entregamos hoje não devolve a juventude roubada de Stuart Angel. Não devolve o corpo jamais entregue. Não devolve à mãe o direito de velar pelo próprio filho. Ainda assim, esse diploma afirma com toda força simbólica da universidade pública brasileira que Stuart Angel é e sempre será filho da UFRJ", concluiu.
 
MAIS 26 HOMENAGEADOS

Durante a solenidade, a UFRJ anunciou que mais 26 alunos da universidade assassinados pela ditadura receberão a mesma homenagem. A diplomação coletiva acontecerá em setembro. São mais 5 alunos da Economia, 4 da Arquitetura, 3 da Física, 3 da Engenharia, 2 da Química (um deles também da Música), 2 das Ciências Sociais, 1 da Filosofia, 1 da Farmácia, 1 da Educação, 1 da Biologia, 1 do Direito, 1 da Psicologia e 1 da Medicina.   

A cara da AdUFRJ vai mudar. Após 26 anos em caixa baixa, o D dos docentes ganhará o destaque merecido na sigla da entidade que traduz a luta das professoras e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A partir de 3 de julho, as peças e textos da AdUFRJ começam a usar a nova identidade visual, com o D maiúsculo. Será uma transformação gradual e não é uma mudança meramente tipográfica. É simbólica. A repaginação foi pensada para dar o devido destaque à razão de existência da Associação dos Docentes da UFRJ.
Os estudiosos do design ensinam que definir uma marca é também um jeito de contar a história e identidade de uma instituição. Ela é o retrato do que simboliza. A sigla da AdUFRJ nasceu junto com a associação em 1979, no contexto de luta pelo democracia no Brasil. No começo, não existia logomarca. Era apenas uma abreviatura. Nos anos 90, após alguns ensaios, a marca surgiu em preto e branco, com o enfoque no AD. Aos poucos, vieram retoques que acompanharam as transformações políticas da entidade e do país. No ano 2000, o D ficou minúsculo e itálico. Em 2015, ele perdeu o itálico. Em 2020, a sigla ganhou um aposto - AdUFRJ: Professores da UFRJ. A intenção era traduzir a abreviação para além dos muros da universidade. Porém, mesmo com o aposto e a cor vermelha, o d minúsculo soava paradoxal com a vocação maiúscula dos docentes da UFRJ.
A nova identidade visual é assinada pelo premiado designer André Hippertt que, há quase dez anos, honra com seu traço as páginas do Jornal da AdUFRJ e as peças distribuídas pelo sindicato. “A nova marca é inspirada nas curvas e retas do modernismo, realinha e encaminha a ADUFRJ para uma nova realidade, que inclui material de papelaria e peças para a nova sede da AdUFRJ”, explica Hippertt. “A cara do Jornal também vai mudar junto com a marca. Em breve, estrearemos um novo projeto, em sintonia com a nova sede e com as aspirações da diretoria e dos professores da UFRJ”.

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As inscrições para a 2ª edição da Colônia de Férias da ADUFRJ estão abertas até 15 de julho. As vagas serão prioritárias para dependentes de professores da UFRJ, mas poderão ser admitidas inscrições de filhos de técnicos e estudantes da universidade, em caso de disponibilidade de vagas. Serão cinco dias de atividades lúdicas, jogos, oficinas artísticas, culturais e esportivas. A Colônia funcionará de 20 a 24 de julho, no Multilab, o antigo Clube dos Empregados da Petrobras (CEPE-Fundão).
Voltada para crianças e adolescentes dos 5 aos 16 anos, a Colônia de Férias é realizada em parceria com a Equipe Coloriê. O grupo – o mesmo que organizou a primeira edição do evento, em janeiro – é formado por professores vinculados e egressos da Escola de Educação Física da UFRJ. As crianças poderão ser inscritas em turno integral, das 8h30 às 17h; manhã, das 8h30 às 12h; ou tarde, das 13h30 às 17h.
A ADUFRJ vai subsidiar 70% dos custos para dependentes de sindicalizados. Neste caso, o valor da semana para o turno integral será de R$ 310,00 ou de R$ 155,00 para meio período. Para não sindicalizados, o valor é de R$ 855,00 para o turno integral, ou de R$ 442,50 para meio período. Haverá almoço em todas as opções.
Para a professora Andréa Parente, diretora da ADUFRJ, a iniciativa é uma importante contribuição do sindicato ao dia a dia dos colegas. “A gente sabe que esses meses de janeiro e julho, embora sejam de férias, também são de fechamentos de relatórios importantes, de editais, de transição de semestre e as crianças estão em casa”, diz. “Então, pensamos nessa forma de prestarmos apoio especialmente aos professores e suas famílias, mas também com possibilidade de estendermos esse apoio à comunidade universitária”, aponta. “Tanto os pais precisam de tempo e concentração para realizar suas atividades, quanto as crianças precisam de um espaço seguro para se desenvolverem de forma saudável, com a atenção que necessitam”, afirma a docente.
Andréa também acredita que é missão do sindicato atuar em questões que possam contribuir para a qualidade de vida de seus associados. “Nesta direção vai esse projeto da Colônia de Férias, os nossos convênios, o Wellhub e essa iniciativa do novo plano de saúde”, exemplifica a diretora. “Somos um sindicato e a nossa atuação prioritária é nas questões relacionadas às condições de trabalho e carreira dos nossos filiados, mas o trabalho é só uma das dimensões da vida dos professores. Tentamos oferecer outras formas complementares de atuação, para que esse professor sinta suas necessidades acolhidas”, afirma.
Para se inscrever é necessário preencher o formulário de matrícula e efetuar o pagamento do valor correspondente ao plano desejado. Acesse: https://forms.gle/CUEPpZvxPsBYt9CH6. O link também está disponível no nosso site e nas redes sociais oficiais da ADUFRJ.
Não deixe sua criança de fora desses dias de diversão e aventura!

Foto: Alessandro CostaA última visita da diretoria da ADUFRJ a unidades acadêmicas tratou de um problema sensível e muitas vezes invisível: o assédio moral. Prática que tem como característica gerar repercussões não só no ambiente de trabalho, mas na vida e na saúde da vítima. O encontro ocorreu na Escola de Química, no dia 22. A unidade, referência no Brasil no ensino e na pesquisa nas áreas de Engenharia Química, de Alimentos, Bioprocessos e Química Industrial, tem um corpo docente em renovação, mas que sofre uma rotina de pressões. Jovens docentes e mulheres são os mais afetados.
Os estudos sobre assédio moral no ambiente acadêmico são diversos e corroboram o que os professores da EQ sentem na prática. É o que apontou, por exemplo, a pesquisa “Assédio moral e outras violências laborais na UFRJ”, conduzida pela professora Alzira Guarany, da Escola de Serviço Social. Os números foram apresentados com exclusividade pelo Jornal da ADUFRJ, em março deste ano.
De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados declararam já terem vivenciado situações de assédio moral. Desses, 67% são mulheres. Segundo o estudo, o superior hierárquico encabeça a lista dos principais agressores: 54,12%. A imensa maioria das vítimas (84,4%) declarou que o assédio sofrido desencadeou problemas de saúde mental como insônia, ansiedade, depressão, e outros distúrbios.
“Estamos aqui para escutar vocês. Essas reuniões nas unidades são muito importantes para o nosso trabalho”, afirmou a presidenta da ADUFRJ, professora Ligia Bahia, na abertura do encontro. A docente também informou aos professores que a diretoria elabora – e quer a ajuda dos professores sindicalizados – uma proposta de carreira que retome, por exemplo, o ano sabático. “Queremos atuar na direção de promover o bem-estar dos professores em vários níveis e prevenir as violências simbólicas no ambiente de trabalho”, completou o vice-presidente, professor Michel Gherman.
A professora Ana Maria Rocco questionou o recebimento de uma série de documentos, nos últimos meses, com orientações que por vezes amordaçam a atuação docente e ameaçam a liberdade de cátedra e política. “Tenho recebido várias cartilhas dizendo que não posso fazer uma série de coisas e não consigo comprovar se são documentos oficiais. Mas me sinto intimidada enquanto cidadã”, relatou.
Outro relato trazido pela docente foi sobre um recente caso de assédio moral no ambiente de trabalho envolvendo um professor recém-admitido. “Ele veio conversar comigo muito abalado. Eu também fui assediada muitas vezes, durante toda a minha vida na universidade”, declarou. “Fui a várias instâncias e ouvi de alguém que eu era muito forte, porque outras pessoas, nessa situação, se suicidam”, disse. “O que a ADUFRJ pode fazer sobre isso?”, questionou a docente.
Ligia Bahia contou que a diretoria prepara um encontro com a Pró-reitoria de Pessoal para apresentar as demandas surgidas nas reuniões de unidade. Entre os temas estarão o assédio, insalubridade, condições de trabalho. O encontro está previsto para o final de agosto. “Estamos muito preocupados com essa situação, mas a gente precisa que esta seja uma solução institucional”, avaliou. Michel Gherman complementou: “A gente perdeu brilhantes professores que saíram da universidade por conta do assédio. Podemos ajudar a instituição a se atualizar, a ser mais rápida nessa resposta”.
A professora Karen Signori fez um desabafo: “O estabelecimento de hierarquias no fazer docente é uma porta para o assédio. A universidade é plural. Eu trabalho com alimentos, eu gosto de Extensão, de sala de aula. Não tem lugar para todo mundo na Pesquisa, mas eu sofro ameaça de não chegar a titular”, disse. “A pessoa que se mata no noturno, que está na sala de aula, não é valorizada. Muito do assédio vem de quem é da pesquisa e tenta inviabilizar quem não é”, revelou. “Eu não sou egressa da UFRJ e por isso demorei ainda mais para entender os caminhos aqui”, criticou.
O esforço de reunir docentes em diferentes unidades ao longo do primeiro semestre do ano foi elogiado pelo professor Ricardo Medronho, ex-diretor da ADUFRJ. Professor emérito da UFRJ, ele reconheceu que é preciso discutir o tema do assédio com seriedade. O docente também elogiou a iniciativa da diretoria de discutir o tema da carreira. “O ano sabático é muito importante para a atualização dos professores. Isso já existiu em resolução da UFRJ, na época do reitor Horácio Macedo, e se perdeu. Seria ótimo retomar esse ano sabático. Outra iniciativa interessante seria construir um intercâmbio docente, entre instituições, para que os professores enriqueçam suas práticas”, sugeriu.

O Museu Nacional celebrou 208 anos de História, de Pesquisa e de Divulgação Científica com uma grande festa para a população que visitou a Quinta da Boa Vista, no último domingo (21). As tendas montadas na Alameda das Sapucaias encantaram o público com mostras do que é produzido por uma das instituições científicas mais antigas do país. As atividades começaram às 10h e a programação seguiu até as 16h.
Na parte de dentro do Palácio, há duas exposições: "Os Bastidores da Ciência" mostra as etapas da pesquisa dos professores e cientistas que atuam no Museu Nacional. "O Museu Nacional vive porque produzimos ciência. O incêndio destruiu muita coisa, mas o trabalho da nossa instituição continuou", afirmou a museóloga Thaís Mayumi.
As cinzas do Museu viraram obras de arte nas mãos do artista plástico Vick Muniz. Na exposição "Rescaldos das Memórias", quadros feitos com as cinzas e esculturas recriam peças perdidas e outras recuperadas nos escombros do incêndio que destruiu o Palácio em setembro de 2018. As peças estão instaladas na Sala das Vigas, onde o fogo começou.
Na porta do Museu, uma réplica do Oxalaia quilombensis, o maior dinossauro carnívoro descoberto no Brasil, deslumbra crianças e adultos de todas as idades. O dinossauro foi descoberto pelo professor Alexander Kellner, ex-diretor da unidade. A peça foi doada pelo Parque dos Dinos e seguirá em exibição até 30 de novembro, junto com as demais exposições no interior do prédio.
A matéria completa você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.

? Alessandro Costa
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