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Professor Pedro Lagerblad, titular do IBQM e diretor da ADUFRJ, dá as boas-vindas aos novos colegas - Foto: Alessandro CostaChegaram reforços. Na mesma semana do recomeço das aulas, a universidade deu boas-vindas a 81 novos professores e 283 técnicos. Eles vão reforçar as atividades acadêmicas e administrativas da instituição. Na programação de acolhimento que se estenderá até o dia 14, todos serão informados sobre as carreiras, benefícios, história da UFRJ e ética no serviço público, entre outros temas.
Além disso, logo no primeiro dia, no auditório Quinhentão do Centro de Ciências da Saúde, o grupo recebeu a saudação da ADUFRJ. "Queria, antes de mais nada, dar boas-vindas aos novos colegas: docentes e técnico-administrativos. Essa cerimônia marca o início de uma convivência que, esperamos, seja longa e produtiva dentro da universidade", afirmou o diretor Pedro Lagerblad, professor titular do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM).
O dirigente chamou atenção para a natureza coletiva do trabalho docente na instituição e o papel do sindicato nessa relação. "O coletivo institucional do qual você faz parte – seu departamento, seu instituto, centro, a universidade como um todo – é algo que condiciona e influencia a trajetória da sua carreira individual. Todos os aspectos múltiplos da existência de um docente dentro dessa universidade implicam vivências que são coletivas e que devem ser pensadas coletivamente", disse.
Carreira, salário e condições de trabalho, ressaltou Pedro, fazem parte das tarefas sindicais. Mas a ADUFRJ também tem atuado em temas de interesse mais amplo da sociedade. "A ADUFRJ, por exemplo, capitaneou a organização de uma discussão sobre a questão da violência, reunindo especialistas de diferentes universidades do estado do Rio de Janeiro. Isso gerou um núcleo que vem funcionando permanentemente e que vem oferecendo elementos de programa para os diferentes candidatos das eleições".
Pedro apresentou as ações do mandato — como as visitas às unidades para ouvir os colegas, a inédita realização de uma colônia de férias e a construção da sede, em andamento – e os serviços de assessoria jurídica e convênios oferecidos pelo sindicato.
Por fim, o dirigente convidou os novos professores à filiação. "A contribuição sindical é de 0,8% do salário, mas para docentes novos, damos dois anos de taxa zero e, depois, mais dois anos de 50% da taxa. Somente após quatro anos, você passa a pagar a taxa integral", disse. "Não se cobra ressarcimento, se vocês quiserem sair ao final desses quatro anos, mas esperamos que vocês tenham uma boa experiência e queiram continuar", completou.

DEPOIMENTOS
O Jornal da ADUFRJ ouviu três dos novos professores sobre as expectativas em relação à carreira recém-iniciada.

“Fui professora substituta aqui em 2018 e 2019. Então, já tinha alguma experiência na universidade e sempre foi um sonho voltar, estar aqui e poder contribuir com a formação de novos profissionais e também me integrar às atividades de pesquisa, extensão e ensino. Semana que vem já começo uma disciplina de supervisão de estágio e estou muito animada. Venho de uma família de docentes da rede pública de ensino fundamental. Cresci vendo minha mãe sendo professora, hoje já aposentada. Ela me levava para as escolas, e eu fui me inserindo naquele mundo desde pequena e gostando. Então, vem de berço."

Núbia Martins
Departamento de Terapia Ocupacional

"Sou cria da UFRJ. Fiz graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado, tudo aqui desde 2008. O Museu Nacional sempre foi muito especial para mim. Foi onde decidi que seria bióloga. Agora me tornar docente ali é incrível. Sobre o incêndio, foram tempos muito difíceis, mas estamos nos reerguendo, reconstruindo as coleções perdidas e estou muito feliz de poder contribuir com essa reconstrução. Fui professora substituta no CCS de agosto de 2025 a março deste ano. Sempre quis dar aula, adoro dar aula desde a monitoria na graduação e estou muito feliz de estar aqui".

Beatriz Camisão
Museu Nacional

"É uma alegria imensa me tornar professor da UFRJ. Entro na universidade como substituto pela primeira vez em 2019. Fico dois anos e dois anos após retorno como substituto. E agora, no final do doutorado, volto como efetivo. Venho trabalhando com desenvolvimento de tecnologia na área da saúde em especial da enfermagem, com planos de expandir para a educação em enfermagem. O objetivo maior é continuar nessa linha de pesquisa. E amanhã (11), já estou em sala de aula. E, por mais que não seja a primeira vez que dou aula, é uma estreia como efetivo. Então a gente fica com um friozinho na barriga, com certeza".

Danilo Lima Ceccon
Instituto de Enfermagem de Macaé

Kelvin Melo e Silvana Sá

Durante uma semana, a Ciência nacional fincou bandeira na Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ). Palestras, minicursos e exposições mobilizaram um público de 50 mil pessoas para a 78ª Reunião Anual da SBPC, de acordo com a organização. O presidente Lula esteve lá, além de ministras, gestores, professores, técnicos e estudantes. Todos discutindo como as pesquisas podem contribuir para o desenvolvimento do país. A UFRJ marcou presença com dezenas de pesquisadores e um enorme estande.

 A ADUFRJ também participou ativamente. A presidenta Ligia Bahia, que é professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva e conselheira da SBPC, debateu o movimento docente, os desafios globais na área de saúde e as eleições. Além de Ligia, outros 37 nomes da UFRJ participaram de mesas-redondas, conferências ou rodas de conversa sobre temas de todas as áreas do conhecimento.

Também esteve por lá quem não entende de nada disso. Ainda. Mas que começa a trilhar o caminho de defesa da soberania, desenvolvimento e inclusão que foram o mote da Reunião: "Eu quero ser cientista!", disse o animado Lucca, de 8 anos, que visitou maravilhado a feira de ciência e tecnologia do evento acompanhado da mãe, Luciana de Paula.

Confira, nas páginas a seguir, uma amostra de como foi este encontro entre o presente e o futuro da Ciência.

NOS ESTANDES, O BRASIL DO FUTURO

Fotos: Alessandro CostaQuem caminhou pelas tendas da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) teve a nítida sensação de estar diante de uma vitrine do país do futuro. Entre experimentos, exposições, oficinas interativas e tecnologia de ponta, o público acompanhou de perto como a produção acadêmica se conecta com as transformações da sociedade.
A área dedicada às inovações tecnológicas e à robótica foi um dos pontos altos do evento. Crianças e adultos formam filas para ver de perto as tecnologias apresentadas, com destaque para os robôs desenvolvidos por pesquisadores brasileiros — incluindo um robô-cachorro adaptado para missões de mapeamento e inspeção em terrenos complexos.
A diversidade do conhecimento científico brasileiro ganhou força com a presença marcante de grandes instituições de ensino e pesquisa do país, como UFRJ, Fiocruz, INPA, MAST entre outros. Foram 69 expositores nesta edição da SBPC.
Para quem esteve na monitoria, o evento representou uma oportunidade única de formação. "É muito diferente do que estamos acostumados a ver dentro de sala de aula. É muito legal aplicar o que estamos aprendendo", disse a monitora Emilly Cruz, do curso de Pedagogia da UFF.
O sentimento é compartilhado por quem transitou entre os diferentes espaços e teve a chance de vivenciar a interdisciplinaridade do evento. "Estamos tendo contato com a ciência na prática e em diversas áreas", comemorou o também estudante da UFF Luiz Miguel Diniz, do curso de Biologia.
A magnitude da Reunião Anual também atraiu acadêmicos de diversas regiões do país. "Estou amando a experiência. É algo único que não tem na minha cidade", disse Rayssa Gabrielly da Silva, estudante da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), que participou do evento pela primeira vez.
Para incentivar o percurso pelos espaços da SBPC, a organização criou o "Passaporte da Ciência": a cada seis carimbos acumulados ao visitar os estandes, os participantes garantiam um brinde exclusivo da 78ª edição.
"Estou achando incrível. Aprendi muita coisa legal sobre pedras, sobre o Aedes aegypti", exemplificou a estudante do ensino médio Inah Gimenes, de 16 anos, enquanto percorria os estandes para completar seu passaporte.
O impacto da SBPC extrapolou os muros da universidade e alcançou em cheio as famílias que aproveitaram a programação. "Estou muito feliz que Niterói tenha sediado este evento. É uma cidade muito voltada para as artes, para a cultura, mas sempre faltou algo científico de mais fôlego", avalioua bióloga Luciana de Paula, que visitava a feira acompanhada do filho Lucca, de 8 anos, e do sobrinho Camilo, de 10. "Eu quero ser cientista!", disse o animado Lucca. Seu primo Camilo ficou fascinado ao explorar a biodiversidade exposta nas tendas e com os animais taxidermizados trazidos pelos institutos de pesquisa. "Quero ser veterinário", afirmou o garoto.
Entre inovações robóticas, projetos de preservação e a empolgação de jovens e crianças, a 78ª Reunião Anual da SBPC reafirmou que o futuro da ciência brasileira se constrói hoje e está ao alcance de todos. 

MATEMÁTICA DIVERTIDA

As atividades do Laboratório da Licenciatura em Matemática da UFRJ chamaram a atenção de quem frequentou a área da SBPC Jovem, voltada às ações de popularização da Ciência. "Estamos usando jogos para atrair o jovem para a Matemática. E aqui estamos recebendo várias crianças. Até os pais querem jogar. O estande está sempre movimentado", comemorou a professora Nedir do Espirito Santo, coordenadora da iniciativa, em sua primeira Reunião Anual da SBPC.

NA PÓS-GRADUAÇÃO, DESAFIO
É REDUZIR DESIGUALDADES

A pós-graduação brasileira cresceu em número e qualidade. Mas é preciso reduzir desigualdades regionais e aumentar o financiamento de todo o sistema. Assim pode ser resumida a apresentação da presidenta da Capes, professora Denise Pires de Carvalho, na Reunião Anual da SBPC. "Onde há pós-graduação, há ciência e sabemos que, onde há ciência, há progresso. Esse sistema precisa ser adequadamente financiado", disse.
Do primeiro Plano Nacional de Pós-graduação, em 1973, até 2024, o número de programas de pós saltou de 167 para 4.659. O número de municípios atendidos também cresceu de 23 para 323, no mesmo período.
De 2021 a 2025, a avaliação da Capes mostra que o sistema melhorou. Há uma diminuição dos programas com nota 3 (927 para 595) e um aumento dos programas em todas as faixas superiores. Os programas de excelência, de notas 6 e 7, cresceram de 667 para 827. Houve aumento do número em todas as regiões do país, mas a escala é muito diferente: são apenas 19 no Norte contra 496 do Sudeste. "Essa assimetria precisa ser enfrentada", afirmou Denise.
O número de bolsas oferecido pela agência de fomento também subiu, na comparação com 2019, ano pré-pandemia: de 87,5 mil para 101,7 mil (2025). "Mas a maioria dos pós-graduandos não é bolsista. É fato que precisamos de orçamento para aumentar não só o valor das bolsas, mas o número de bolsas", completou a dirigente.

CIENTISTAS CONTRA A MISOGINIA

Pesquisadoras e pesquisadores se reuniram na entrada da UFF
para protestar contra o crescimento do feminicídio no Brasil.
Com a presença da ministra Carmen Lúcia, do STF, e
de parlamentares, o ato mostrou que a Academia condena
a violência de gênero.

100 ANOS DA VISITA DE "MADAME CURIE" AO BRASIL

Há exatamente 100 anos, a renomada física e química franco-polonesa Marie Curie visitou o Brasil. A passagem de 44 dias — entre 15 de julho e 28 de agosto de 1926 – da vencedora de dois Prêmios Nobel foi o objeto de uma deliciosa aula do professor do Instituto de Física da UFRJ e presidente de honra da SBPC, Ildeu Moreira, no dia 30.
Entre várias atividades no Rio, São Paulo e Minas Gerais, a cientista conheceu o Museu Nacional e ministrou um curso de onze aulas sobre radioatividade na Escola Politécnica (onde hoje fica o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ). "Era algo pouco conhecido no Brasil e ela, evidentemente, estava na ponta dessas pesquisas", disse Ildeu.
"Madame Curie", como era chamada pelos jornais da época, também manteve uma forte interação com a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, então presidida pela bióloga Bertha Lutz. "Era um movimento se organizando para favorecer a presença da mulher na universidade e também na política. As mulheres não votavam", contou Ildeu. "Marie Curie acolheu aquilo muito bem. Ficou o tempo todo junto com elas e aquilo deu uma repercussão importante para a causa feminina naquele momento".
Além do intercâmbio acadêmico e político, Ildeu registrou algumas curiosidades da visita. Hospedada no Rio de Janeiro no Hotel dos Estrangeiros, que não existe mais, no Catete, a cientista gostava de nadar na Praia do Flamengo, de manhã. Mas não tinha nenhum apreço por ser fotografada. "Em várias imagens, ela ficava de lado".

INVESTIMENTO EM CIÊNCIA: CHINA CRESCE, BRASIL FAZ POUCO

O Brasil está em um patamar muito baixo de investimentos em Ciência, na comparação com as principais economias do mundo. Em 2024, os gastos nacionais com pesquisa e desenvolvimento chegaram a R$ 144,6 bilhões de reais, o que equivale a 1,2% do PIB. É um percentual superior à média da América Latina e Caribe, de 0,57% , mas inferior à média mundial de 1,92% e muito distante dos 2,7% registrados pelos países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os números foram apresentados pela presidenta da Academia Brasileira de Ciências (ABC), professora Helena Nader, em mesa que discutiu o financiamento da pesquisa no país, no dia 27. "Nosso problema central não é de ausência de capacidade, ausência de instituições. A nossa dificuldade é oferecer a elas escala, estabilidade, coordenação e continuidade. Portanto, a primeira necessidade é assegurar financiamento institucional de base", disse Helena.
A comparação com os números da China e dos EUA chega a impressionar. O investimento mundial em pesquisa e desenvolvimento (P&D) alcançou cerca de US$ 3,48 trilhões em 2024. China e EUA responderam, juntos, por quase 60% deste total: China, com US$ 1,03 trilhão; os EUA, com US$ 1,01 trilhão.
"Mas mais importante do que a fotografia é a trajetória", afirmou Helena. De 2000 e 2024, a participação chinesa passou de 5% para 30% dos investimentos em P&D. No mesmo período, a participação norte-americana caiu de 39% para 29%. Da União Europeia, de 24% para 18%; e do Japão, de 14% para 7%.
"Os números mostram que a distribuição mundial da capacidade científica pode mudar. Mas ela muda como resultado de decisões persistentes tomadas ao longo de décadas", alertou a presidenta da Academia Brasileira de Ciências.

A RETÓRICA DAS
PLATAFORMAS ELEITORAIS

As plataformas dos candidatos às eleições de 2026 só deverão ser conhecidas em setembro, prazo final para apresentação dos documentos junto aos tribunais eleitorais. Mas o rito que deveria enriquecer a democracia tem se mostrado puramente retórico. Pelo menos para a área de saúde.
Foi o que discutiu uma mesa-redonda coordenada pela presidenta da ADUFRJ, professora Ligia Bahia, no dia 28. "Todas as plataformas falam em 'mais'. Mais unidades de saúde, mais ambulâncias, mais médicos. Falam em zerar filas , em aumentar o orçamento e fortalecer o SUS, de forma vaga", afirmou Ligia, que é docente do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva. "E também não falam do que deveriam falar: menos subsídios públicos para o setor privado, regulamentação da oferta de saúde e menos preconceitos. Com drogas e o aborto, por exemplo", completou.
O epidemiologista Naomar Filho, da UFBA e integrante do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, por sua vez, entende que há dois projetos bastante antagônicos disputando os rumos da saúde no país, mesmo que os discursos sejam similares para tentar conquistar um número maior de eleitores. "Um, que gostamos de chamar de progressista, é participativo, para o bem de todos. O que se contrapõe é um projeto individual, privatista e tecnocrático", afirmou.
Já a professora Marta Arretche, do Centro de Estudos da Metrópole, da USP, ponderou que os eleitores dão pouco valor às plataformas de campanha em um ambiente político polarizado como o do Brasil. "O que mais explica a avaliação de um presidente não é o que ele faz. É se o entrevistado votou ou não nele na última eleição. Se você não votou na Dilma, você não vai aprovar o que ela fez. Isso vale para a saúde, para os programas sociais, para o Bolsa Família, para muitas políticas", afirmou.
Para Marta, isso representa um problema para a democracia. Os eleitos podem ser desestimulados a fazer política para quem não vota mais neles. "Isso aqui é um é um problema no Brasil e no mundo quando você tem a polarização afetando as escolhas eleitorais".
Ligia ressaltou que a disputa contra a extrema direita não é um debate convencional entre direita e esquerda, mas o combate a um projeto de regressão histórica e ataques diretos às instituições e às universidades. "Estamos diante da extrema direita. O projeto da extrema direita é a regressão a um passado idílico. O alvo são nossas instituições, são as universidades. Nas universidades está o futuro e, para a extrema direita, não interessa o futuro", afirmou a presidenta da ADUFRJ.
A professora convocou docentes, entidades sindicais e a comunidade universitária a perderem o medo de pautar o debate político de forma ampla e unificada.
"Esse slogan 'A esperança venceu o medo' é filosófico, é uma pauta contra a extrema direita. Vencido o medo, nós precisamos continuar vencendo o medo, porque isso não quer dizer que por um sopro essas coisas deixaram de existir", disse Ligia. "Nós e nossas entidades e instituições podemos e devemos travar esse debate.

O QUE VOCÊ ANDA
BEBENDO NO SEU
CAFEZINHO?

Com esse título, um dos mais provocativos da programação da Reunião Anual da SBPC, a professora Cláudia Moraes de Rezende atraiuFoto: Fernando Souza grande audiência para a conferência sobre uma das bebidas preferidas dos brasileiros, no dia 28.
"O café, para um químico de produtos naturais, é uma fartura. O Brasil é o primeiro exportador mundial de grão cru. Para quem trabalha com planta, é uma bênção, porque você tem muito material", brincou Cláudia.
A docente, coordenadora do Laboratório de Análise de Aromas (Laroma) do Instituto de Química da UFRJ, discorreu sobre os grãos da planta, sua composição, as mudanças provocadas pelos processos de lavagem, secagem e de torra pós-colheita, além dos efeitos no corpo humano.
A pesquisadora fez um alerta sobre uma das substâncias presentes no café, o cafestol. "Por que o cafestol é tão interessante e importante? Bom, ele é antioxidante, como vários produtos naturais, tem várias atividades antitumorais descritas, é anti-inflamatório, mas ele aumenta o colesterol. O colesterol ruim, como a gente fala", contou.
Mas não é qualquer cafezinho que produz esse efeito. "De um modo geral, o consumo de mais de seis xícaras de café não filtrado por dia tende a aumentar o nível de colesterol em humanos", afirma. "A forma mais saudável de beber café é a do café coado".
Leia mais sobre o tema em entrevista com a professora no próximo Jornal da ADUFRJ. 


DE NITERÓI PARA O UNIVERSO EXTREMO
O que é a matéria? Quais leis regem o Universo? Ele é finito ou infinito? Teve começo e terá fim?
Partindo dessas perguntas, o pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa da UFRJ,
professor João Torres, deu um minicurso sobre
as ideias básicas da física de astropartículas e cosmologia,
durante a Reunião Anual da SBPC.

MESA DISCUTIU OS DESAFIOS DO MOVIMENTO DOCENTE

Os desafios do movimento docente mobilizaram uma das mesas do primeiro dia da Reunião Anual da SBPC. Sob coordenação da presidenta da ADUFRJ, professora Ligia Bahia, o encontro refletiu sobre como as eleições de outubro podem impactar as universidades.
"O que ameaça as universidades hoje é a extrema direita, com um projeto de fechamento das universidades. Nós estamos sendo atacados por uma força que é uma força que pretende a volta ao passado, no qual não havia universidades", afirmou Ligia.
A reação, de acordo com a docente, exige um movimento sindical muito fortalecido. E é por isso que a ADUFRJ pretende organizar um ciclo de debates sobre o sindicalismo. "Estamos tentando de alguma maneira ampliar o que nós consideramos que deva ser a ação do sindicato. Os sindicatos têm uma participação importante na esfera política", disse. "Queremos fazer esse ciclo e queremos apresentar propostas para as candidaturas, tanto majoritárias, quanto proporcionais", completou.
Jailton de Souza Lira, secretário-geral da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (ADUFAL), também se mostrou preocupado com o avanço da extrema direita e criticou a falta de apoio da direção do Andes. "Nós não temos localmente conseguido um apoio nacional para que os professores e professoras possam fazer frente a estes desafios, não só em Alagoas", contou. "Nós temos o Sindicato Nacional que, nos últimos anos, na nossa avaliação, tem se descolado da realidade local, inclusive das seções sindicais que o representam localmente".
"É importante a gente deixar claro que a crítica que nós fazemos, ela é no sentido da construção de um outro modelo de sindicato, que não pode ser esse sindicato que está se afastando cada vez mais da base", completou Jailton.
Já o professor Helder Figueiredo e Paula, presidente do sindicato dos professores de Universidades Federais de Belo Horizonte e Montes Claros (APUBH), considerou que o tema da Reunião Anual da SBPC – Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão – deveria ser incorporado como prioridade pelo movimento docente. "A direção da SBPC mostra uma compreensão aguda da importância de que o Brasil supere essa condição dependente e periférica. Sem essa superação não tem valorização das universidades públicas, não tem investimento em ciências, não tem desenvolvimento, não tem inclusão e nem democracia", disse.
Presidenta da Associação dos Docentes da Universidade Federal do ABC, a professora Maria Carlotto foi direto ao ponto. "Nós temos um desafio, que é de todas as associações docentes, que é reeleger o Lula, porque isso é derrotar a extrema direita. Mas não basta eleger o Lula da mesma maneira. Nós temos que eleger o Lula com uma agenda ousada. Preservando a democratização, a interiorização, todas as conquistas e indo além".

FNDCT MAIS VISÍVEL

Quem frequenta as reuniões anuais da SBPC deve ter reparado como a sigla do Fundo Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico, diferentemente de edições anteriores, estava estampada em todos os estandes da ExpoT&C, a mostra de ciência e tecnologia do evento. "Isso foi uma decisão do Conselho do FNDCT. É comunicação com o pesquisador. O Fundo tem que ser defendido pela comunidade científica como a área de saúde defende o Fundo Nacional de Saúde; como os educadores defendem o Fundo Nacional de Educação. São patrimônios do Estado brasileiro", explicou o presidente do CNPq, professor Olival Freire Jr. 

JORNAL DA ADUFRJ CONQUISTA NOVOS LEITORES

A edição especial do Jornal da ADUFRJ foi distribuída durante a Reunião Anual da SBPC e conquistou novos leitores. A presidenta da SBPC, professora Francilene Procópio, o presidente do CNPq, Olival Freire, o presidente da Finep, Luiz Elias, e também o Zé Gotinha garantiram um exemplar. 

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A demissão do professor José Carlos Moreira da Silva Filho, da Escola de Direito da PUCRS, gerou forte onda de manifestações no meio acadêmico e jurídico. Entidades como a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e o Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito (Conpedi) reagiram publicamente ao desligamento, alertando para os riscos à liberdade de ensino e à autonomia acadêmica.

Vice-presidente da Comissão de Anistia do Brasil e bolsista de produtividade do CNPq, o professor é reconhecido por sua postura crítica. Para o jurista e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Sousa Júnior, o desligamento causa profunda preocupação. “O professor tem um percurso qualificado, reconhecido e de alta repercussão. É um professor filosoficamente interpelante, crítico, e é possível que isso seja uma razão de sua demissão, violando a liberdade de cátedra e, inclusive, fundamentos constitucionais”, afirma José Geraldo.

O ex-reitor da UnB aponta ainda que o contexto político e posicionamentos ideológicos do docente podem ter influenciado a decisão: “Em momento eleitoral, numa polarização forte do Brasil, há uma reação interna que deve ter se refletido no grupo gestor”, avalia.

O professor José Carlos afirmou à reportagem que recebeu a notificação com surpresa. “Fui desligado no primeiro dia de aula do segundo semestre de 2026, após ter elaborado todos os planejamentos de turmas que haviam sido a mim atribuídas”, disse. “Observo que no dia 10 de junho, menos de dois meses antes da minha demissão, participei de um evento para debater temas da democracia e da soberania, para o qual fui convidado, dividindo a mesa com então pré-candidatos de partidos de esquerda às eleições de 2026”. O docente afirma, ainda, não haver motivos que justificassem a medida. “Lamento essa decisão, pois, além de afetar a mim e a minha família, ela representa uma subvalorização da dedicação à vida acadêmica, da pesquisa e dos valores universitários”. Veja abaixo a íntegra da manifestação do docente:

“Recebi com surpresa a notificação de ter sido desligado da Escola de Direito da PUCRS no primeiro dia de aula do segundo semestre de 2026, após ter elaborado todos os planejamentos de turmas que haviam sido a mim atribuídas pelo chefe de departamento antes do recesso de julho. A demissão também me causou estranheza e perplexidade porque entendo não haver motivos que justificassem a medida. Atuava como professor e pesquisador da instituição há 16 anos, sempre com alta produção acadêmica, inserção nacional e internacional, atestadas pela bolsa produtividade em pesquisa do CNPQ com a qual sou contemplado desde o ano de 2010. Inclusive acabo de ter a bolsa renovada no último edital de 2026, feito pelo qual fui parabenizado formalmente pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da PUCRS. Coordenava um Grupo de Pesquisa vinculado à instituição sobre o tema da Justiça de Transição que possuía capilaridade nacional e internacional, com diversas produções acadêmicas e para a sociedade civil, com relevante inserção social. Para além da expressiva produção científica, sempre cumpri com dedicação e zelo as minhas responsabilidades acadêmicas, tendo ótimas e cordiais relações com colegas e alunos. Orientei diversas teses, dissertações e trabalhos acadêmicos de repercussão, inclusive com a menção honrosa no prêmio CAPES de Teses de 2016.

A demissão foi sem justa causa, sem que me fossem apontadas as razões da decisão. Observo que no dia 10 de junho, menos de dois meses antes da minha demissão, participei de um evento organizado pelo DCE da PUCRS para debater os temas da democracia e da soberania, para o qual fui convidado, dividindo a mesa com então pré-candidatos de partidos de esquerda às eleições de 2026. Lamento essa decisão, pois, além de afetar a mim e a minha família, ela representa uma subvalorização da dedicação à vida acadêmica, da pesquisa e dos valores universitários. Meu compromisso profissional é com a pluralidade e a diversidade na construção do conhecimento, a liberdade de cátedra, o livre e respeitoso debate de ideias, o pensamento crítico, e com um ensino que se preocupa com a democracia e os direitos humanos.”

Em nota, a PUCRS disse que não comenta casos particulares e acrescentou que a demissão se refere a uma “decisão interna administrativa”. “Como ocorre em qualquer organização, esse tipo de processo envolve aspectos trabalhistas e informações protegidas pela legislação, além do respeito à privacidade das pessoas envolvidas”.

A universidade afirmou, ainda, que respeita as manifestações da comunidade acadêmica. “A PUCRS reconhece o direito de estudantes, professores e demais integrantes da comunidade acadêmica de se manifestarem de forma legítima e respeitosa e reafirma seu compromisso permanente com a liberdade acadêmica, o pluralismo de ideias, a autonomia universitária, o diálogo e o respeito à diversidade de pensamento.”

Para quem chega aos campi da UFRJ pela primeira vez, a mudança de rotina vem acompanhada de sonhos. O início das aulas nos cursos de graduação, dia 10, representa muito mais do que o começo de uma trajetória acadêmica: é a concretização do esforço de famílias inteiras refletido no brilho dos olhos, na ansiedade e nas expectativas de mais de três mil calouros.
É o caso de Ana Carolina Souza, de 18 anos, recém-ingressa no curso de Paisagismo. “Estar numa universidade federal é um sonho meu e dos meus pais, que eu vim carregando com o tempo. Estar aqui já é um sonho, já é uma conquista muito grande”, diz a estudante que passou em seu primeiro Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “A universidade nos abre portas. A gente chega a lugares que a gente nunca imaginou”, resume.
À medida que as salas de aula e os pátios voltam a ganhar vida, histórias como a de Ana Carolina se multiplicam neste novo semestre na UFRJ. São 3.649 jovens de 133 cursos que enxergam no conhecimento a ferramenta para transformar o próprio futuro. “Muitos de nós somos os primeiros da nossa família a conquistar uma vaga na universidade pública”, conta Guilherme Chaves, também de 18 anos, do curso de Engenharia Naval. “A expectativa é grande de poder me formar, atuar no mercado de trabalho, mudar a vida. Principalmente agora que o Brasil está se reconstruindo”, afirmou o calouro, morador de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Pró-reitora de Graduação, a professora Maria Fernanda Quintela afirma que a universidade se enche de esperança ao receber os novos e antigos alunos. “Iniciar cada semestre é sempre uma grande alegria para nós. Nosso principal objetivo, ao receber essas pessoas, é fazer com que elas consigam realizar seus sonhos e tenham uma trajetória de sucesso", afirma a dirigente. "Ver as pessoas chegando, estudantes mais antigos apresentando a universidade, aqueles olhos brilhantes, sorrisos largos, nos deixa muito felizes", diz Maria Fernanda.
Cerca de dez mil estudantes ingressam todos os anos na UFRJ. "É uma demanda muito grande. A gente preenche a maioria das vagas ofertadas e estamos terminando o preenchimento deste segundo semestre", conta. Das 3.992 vagas oferecidas pela universidade para 2026.2, 91,4% foram ocupadas até o momento. "Damos as boas-vindas a todos os estudantes. Estamos aqui para recebê-los e prontos para acompanhá-los nessa jornada tão importante, que é a formação no ensino superior, e contribuir para o desenvolvimento do nosso país".


O Jornal da ADUFRJ ouviu alguns desses jovens que ingressam na maior universidade federal do Brasil. Na bagagem, sonhos, expectativas e o desejo de fazer a diferença na sociedade e para suas famílias.

Guilherme Chaves, 18 anos,
Engenharia Naval, São João de Meriti

“Entrar na universidade pública é a conquista de um sonho para mim e para muitos colegas da Naval, pois muitos vêm da periferia, Baixada Fluminense, Zonas Norte e Oeste. Muitos de nós somos os primeiros da família a conquistar uma vaga na universidade pública. A expectativa é grande de poder me formar, atuar no mercado de trabalho, mudar de vida. Principalmente agora, que o Brasil está se reconstruindo”.

Maria Luiza Lopes, 19 anos,
Ciência da Computação, Méier

“Neste meu primeiro dia de aula, as minhas expectativas são ótimas e já estou gostando bastante da experiência. Este foi o meu segundo vestibular. No ano passado, eu já tinha sido aprovada para a UFF, mas optei por não ir para escolher a UFRJ, levando em consideração os pontos positivos da instituição. A qualidade e a tradição da UFRJ me fizeram escolher vir para cá”.

Ana Carolina Souza, 18 anos,
Paisagismo, Deodoro

"Entrar em uma universidade federal é uma conquista enorme e a realização de um sonho meu e dos meus pais, que vim carregando ao longo do tempo. Para quem não vem de uma família com muitos recursos financeiros, estar aqui abre portas para lugares que nunca imaginamos alcançar. É gratificante sentir esse orgulho e ver a minha família orgulhosa por uma vitória que é minha. Para os jovens que continuam na luta do vestibular, digo que a educação sempre vale a pena. Se tiverem a oportunidade de se dedicar aos estudos, continuem focados, mesmo cansados. O estudo abre portas”.

Jéssica da Silva Araújo, 21 anos,
Arquitetura e Urbanismo, Jacarepaguá

“Minha expectativa para o curso está bem alta. Acabei de assistir à primeira aula, achei o conteúdo muito interessante e acredito que vou gostar bastante ao longo da graduação. Já sou formada em Design Gráfico e tinha conseguido aprovação no Enem anteriormente, mas, por conta de alguns imprevistos, não pude ingressar na época. Prestei o exame novamente este ano e consegui entrar. Acredito que muito do aprendizado da minha primeira formação poderá ser aplicado agora em Arquitetura”.

A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ADUFRJ) e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ (SINTUFRJ) lamentam a decisão do relator, Desembargador Wanderley Sanan Dantas, Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), de manter em ambiente virtual o julgamento do recurso interposto pelos professores e ex-gestores Carlos Levi, Luiz Martins de Melo, Raymundo de Oliveira, Geraldo Nunes e João Eduardo Fonseca no processo criminal referente ao Contrato nº 52/2007, celebrado entre a UFRJ e o Banco do Brasil.
A comunidade universitária esperava poder acompanhar presencialmente o julgamento, como forma de reafirmar seu compromisso com a transparência dos atos judiciais e com a defesa de uma apreciação rigorosa das provas constantes dos autos.
Ao longo dos últimos anos, diferentes órgãos de controle e instituições públicas examinaram os fatos relacionados a esse contrato. Os pronunciamentos do Tribunal de Contas da União, da Controladoria-Geral da União, da Advocacia-Geral da União, bem como a recente sentença proferida na esfera cível, convergem no reconhecimento de que todos os recursos do Contrato foram empregados em benefício da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sem desvio de finalidade, enriquecimento ilícito ou prejuízo ao patrimônio público.
Entre os pontos centrais do recurso está a alegação de que a sentença de primeira instância atribuiu aos acórdãos do Tribunal de Contas da União uma interpretação que não corresponde ao conteúdo dos próprios documentos, confundindo a devolução do saldo remanescente do contrato — descrito pelo próprio TCU como 'saldo livre' — com a devolução de uma remuneração que a sentença entendeu ter sido considerada irregular pelo Tribunal.
Esses elementos reforçam nossa expectativa de que o Tribunal examine o recurso à luz do conjunto das provas documentais produzidas ao longo do processo e das manifestações institucionais posteriormente consolidadas, assegurando que a decisão reflita com fidelidade os fatos efetivamente demonstrados nos autos. Quando diferentes órgãos de controle, a própria Universidade e a Justiça Federal na esfera cível convergem na reconstrução dos fatos, cresce a responsabilidade institucional de que o julgamento criminal enfrente expressamente esse conjunto de elementos.
A ausência de sessão pública dificulta que a comunidade universitária acompanhe este julgamento. Não impede, porém, que continue esperando que a verdade documental prevaleça, fortalecendo a segurança jurídica, a autonomia universitária e a confiança de todos aqueles que dedicam sua vida à administração das instituições públicas de ensino superior.

ADUFRJ e SINTUFRJ

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