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WhatsApp Image 2026 03 30 at 19.17.31 1As propostas de reforma administrativa em circulação no Congresso desde o governo Bolsonaro trabalham com o diagnóstico rasteiro de que o Estado brasileiro é grande, caro e ineficiente. A máxima, sem nenhuma comprovação empírica, se repete todo ano, com maior força em ano eleitoral e no primeiro ano de cada governo para justificar privatizações e cortar gastos em políticas sociais. A avaliação é do secretário de gestão de pessoas do Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), José Celso Cardoso Jr., em debate organizado pela AdUFRJ na tarde de segunda-feira (30), no Salão Nobre do IFCS-IH. "O objetivo não é melhorar o desempenho do Estado, embora isso esteja na retórica", afirmou.

Em resposta, o governo prepara um documento que combina profissionalização da máquina pública e propósito da ação do Estado em favor da sociedade. "O Estado não é um fim em si mesmo. O Estado é um ator importante do processo de transformação qualitativa do desenvolvimento", defendeu José Celso. Os princípios seriam: mais democracia, mais diversidade, mais cooperação, mais equidade e mais transparência, além de atualização normativa, entre outros pontos.WhatsApp Image 2026 03 30 at 19.17.31José Celso Cardoso Jr.
Diretor da AdUFRJ, o professor Daniel Conceição destacou a importância da atividade. "Estamos inaugurando um esforço de trazer para dentro da universidade um debate de como melhorar o Estado brasileiro. O José Celso é uma grande referência para esta reflexão. Ele traz uma proposta de Estado muito mais complexa que uma caixinha burocrática", disse. "Para ele, o Estado é a grande ferramenta para produzir sociedades que funcionem bem para as pessoas", completou.

Veja a cobertura completa do evento no próximo Jornal da AdUFRJ.

Fotos: Fernando Souza

Decano do Centro de Ciências da Saúde, o professor Luiz Eurico Nasciutti receberá o título de emérito da UFRJ. A honraria foi aprovada nesta quinta (26) pelo Conselho Universitário, que reconheceu as contribuições acadêmicas e administrativas do mestre desde 1975, quando Nasciutti ingressou no Instituto de Ciências Biomédicas.
O professor ajudou a fundar o Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas, tendo sido seu primeiro coordenador; criou o Laboratório de Interações Celulares; e publicou 97 trabalhos científicos em periódicos internacionais de reconhecido impacto. Presidiu a Sociedade Brasileira de Biologia Celular (2004-2006), dirigiu o ICB (2015-2018) e exerce a função de decano do CCS desde 2019.
É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq desde 2003 e Cientista do Nosso Estado pela FAPERJ desde 2007, além de ter atuado na formação de centenas de estudantes. "Foi meu professor, inclusive", reforçou o reitor Roberto Medronho. "É um companheiro muito querido e muito importante para a nossa UFRJ", completou.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro construiu, ao longo de sua história, uma tradição de pluralismo intelectual, compromisso com o interesse público e respeito às instituições democráticas e à ética. Essa tradição sempre foi maior que as diferenças políticas, acadêmicas ou pessoais que naturalmente atravessam a vida universitária.

Há pouco menos de seis meses, a comunidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro comemorou o resultado do julgamento, na esfera cível, da ação de improbidade administrativa movida contra o ex-reitor Carlos Levi e outros quatro servidores da instituição.

Após mais de uma década de um processo longo e desgastante, a Justiça Federal reconheceu aquilo que a comunidade universitária sempre soube: que os recursos sob escrutínio judicial, oriundos de um contrato celebrado entre o Banco do Brasil e a Universidade, foram integralmente utilizados em benefício da própria UFRJ, sem qualquer enriquecimento ilícito ou desvio em proveito pessoal dos gestores acusados.

A decisão judicial destacou, inclusive, que os atos administrativos questionados foram praticados com base em pareceres jurídicos institucionais e no contexto de práticas amplamente adotadas pelas universidades públicas brasileiras na gestão de projetos acadêmicos e institucionais — entre elas, a utilização de fundações de apoio, como a Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), para a gestão financeira e administrativa de projetos complexos.

É precisamente à luz desse reconhecimento recente que ex-reitores da UFRJ — representantes de diferentes momentos e orientações na história da instituição — manifestam, conjuntamente, sua profunda preocupação com o processo criminal ainda em curso contra os mesmos gestores.

Não se trata da defesa de indivíduos por vínculos pessoais ou afinidades políticas. Trata-se da defesa da própria universidade e da integridade das decisões administrativas tomadas em seu interesse institucional.

Assim como na esfera cível, os fatos que deram origem ao processo criminal dizem respeito à gestão de recursos destinados ao fortalecimento da UFRJ, viabilizando mais de mil projetos acadêmicos, eventos científicos, obras e diversas iniciativas institucionais que beneficiaram diretamente a comunidade universitária. Foi graças a esses recursos — e à sua execução profissional pela FUJB — que a UFRJ pôde realizar investimentos estruturais importantes, entre eles a construção do Restaurante Universitário Central da Cidade Universitária, construído em apenas dois anos, além de centenas de outras obras e projetos institucionais.

Ao longo dos anos, todos os principais órgãos de controle da administração pública — Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União e Advocacia-Geral da União — reconheceram que esses recursos foram empregados em benefício da universidade, sem desvio de finalidade ou prejuízo ao erário.

Ainda assim, interpretações profundamente equivocadas de aspectos técnicos do caso acabaram resultando na condenação criminal em primeira instância de gestores que atuaram no exercício regular de suas responsabilidades institucionais.

A acusação de peculato contra o ex-reitor e outros dois gestores, por exemplo, baseia-se na suposição de que o Tribunal de Contas da União teria determinado a devolução de valores pagos pela universidade à Fundação Universitária José Bonifácio a título de taxa de administração, como se tais valores representassem um desvio de recursos.

No entanto, a leitura da própria decisão do TCU revela algo inteiramente diverso. O valor cuja devolução foi determinada correspondia apenas ao saldo remanescente existente na conta da Fundação quando o contrato foi encerrado antes da execução integral dos recursos previstos.

Em outras palavras, aquilo que foi interpretado na sentença como devolução de um valor supostamente “desviado” nada mais era do que o saldo residual — o “troco” — que permanecia na conta ao final da execução do contrato, e que, por determinação do próprio Tribunal de Contas, deveria retornar à universidade devidamente corrigido.

A confusão entre esses dois fatos distintos — o pagamento legítimo por serviços prestados e o simples saldo remanescente de um contrato interrompido — acabou transformando um procedimento administrativo regular em acusação criminal. E este está longe de ser o único equívoco presente na sentença condenatória.

Causa especial perplexidade que, diante dos mesmos fatos e documentos, duas esferas da Justiça (criminal e cível) possam chegar a conclusões opostas quanto à própria existência de desvio de recursos. Interpretações jurídicas podem divergir; os fatos, não.

A UFRJ não pode permanecer indiferente diante da possibilidade de que decisões administrativas tomadas em defesa da universidade venham a ser reinterpretadas, anos depois, como condutas criminosas, sem que haja demonstração de dolo, benefício pessoal ou prejuízo ao interesse público.

A preservação da autonomia universitária e da segurança jurídica na gestão das instituições públicas exige que situações dessa natureza sejam examinadas com o máximo rigor técnico, serenidade institucional e respeito aos fatos.

Por essa razão, os signatários desta manifestação expressam sua confiança de que o julgamento em curso na instância recursal permitirá a devida reavaliação do caso à luz das evidências documentais e das conclusões já apresentadas pelos órgãos de controle da administração pública.

Mais do que o destino individual de qualquer gestor, está em jogo a proteção da integridade institucional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o reconhecimento de que decisões administrativas tomadas em benefício da universidade não podem, anos depois, ser convertidas em injustiça judicial.

A história da UFRJ sempre foi construída pela coragem intelectual, pela pluralidade e pelo compromisso com a verdade. É em nome desses valores — que definem a própria identidade da universidade pública brasileira — que esta manifestação é apresentada.

1. Roberto Medronho
2. Carlos Frederico Leão Rocha
3. Denise Pires de Carvalho
4. Roberto Leher
5. Sergio Fracalanzza
6. Paulo Alcantara Gomes
7. Nelson Maculan Filho
8. Alexandre Pinto Cardoso

 

RELEMBRE: PROCESSO TEM CONTRADIÇÕES E INDÍCIOS DE LAWFARE

O reitor Roberto Medronho e sete ex-reitores da Universidade Federal do Rio de Janeiro divulgaram uma carta conjunta em que manifestam preocupação com o processo criminal envolvendo o ex-reitor Carlos Levi da Conceição e outros cinco ex-gestores da universidade.

O documento destaca que a própria Justiça Federal já reconheceu na esfera cível que não houve desvio de recursos no caso. O processo criminal, no entanto, ainda corre. Em decisão de primeira instância, a Justiça decidiu condenar criminalmente os ex-gestores da UFRJ.

O manifesto dos reitores chama atenção justamente para essa contradição: a decisão cível concluiu que os recursos foram utilizados em benefício da UFRJ, enquanto a condenação criminal se baseou na premissa oposta.

Segundo os signatários, parte da acusação se sustenta numa confusão entre a taxa administrativa paga à fundação de apoio e o saldo remanescente — o “troco” — existente na conta ao final do contrato.

No início de março, o Ministério Público Federal recorreu da decisão da primeira instância exigindo o aumento das penas.

Em artigo publicado no Jornal da AdUFRJ, em junho de 2025, o professor Daniel Negreiros Conceição explica que toda a investigação se baseou em denúncias genéricas ao Ministério Público Federal.

“O processo se originou de uma denúncia apresentada por um ex-professor exonerado por graves condutas — entre elas, agressão física a estudante. O docente, conhecido por seu alinhamento ideológico com o integralismo e atuações machistas e homofóbicas, acusou a gestão da UFRJ de desviar cerca de R$ 50 milhões em um contrato com o Banco do Brasil”, afirma o docente em seu artigo. Toda a investigação cível, no entanto, concluiu que não houve peculato, nem enriquecimento ilícito.

Representantes da comunidade acadêmica denunciaram ao longos dos últimos anos que os processos são uma estratégia de lawfare, quando o sistema de Justiça é utilizado politicamente para atingir grupos ou pessoas.

A carta dos ex-reitores também vai nesta linha. O documento pontua o risco de decisões da administração universitária serem reinterpretadas anos depois como condutas criminosas. O texto enfatiza a necessidade de a comunidade acadêmica se manter mobilizada em defesa da autonomia universitária.

O ex-reitor Aloisio Teixeira não sobreviveu a este processo: infartou em julho de 2012, poucos meses depois do início das investigações.

Outra vítima fatal do lawfare foi o ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, o professor Luiz Carlos Cancellier. O docente não resistiu às acusações e morreu tragicamente em outubro de 2017. Ele foi inocentado em 2023.

 

A AdUFRJ foi uma das organizadoras do evento de lançamento da Rede Universitária Segurança Para Todos Artigo 5°. A iniciativa reúne universidades públicas e privadas do Rio, além de instituições de pesquisa para formular proposições para a política de segurança pública do estado que sejam baseadas em evidências científicas e garantam direitos.

O nome "Artigo 5°" remete ao texto da Constituição Federal de 1988, que, em seu 5º artigo, reúne os princípios que norteiam os direitos básicos de todos os cidadãos brasileiros e estrangeiros residentes no país. Dentre os quais igualdade, livre manifestação do pensamento, segurança, liberdade de crença, entre outros.

O evento aconteceu na sede do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), uma das instituições parceiras da Rede. Também participaram representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC), além de dirigentes da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Município do Rio de Janeiro, Fiocruz, UERJ, UFRJ, UFF, UniRio e PUC-Rio.

O vice-presidente da AdUFRJ, professor Michel Gherman, celebrou a importância do evento. "Estamos vendo grandes nomes da reflexão acadêmica produzindo perspectivas e estratégias de combate não só à violência, mas principalmente ao discurso sobre a violência", disse. "As universidades do Rio de Janeiro estão construindo uma possibilidade, uma esperança, que o discurso acadêmico influencie efetivamente o discurso público", afirmou.

O docente também destacou o papel da AdUFRJ, de produzir reflexões acadêmicas sobre o Brasil. "Nós, da AdUFRJ, estamos acumulando já há algumas gestões essa tarefa histórica e essa tradição de produzir dentro do movimento sindical uma reflexão acadêmica sobre o que fazer com esse país".

A matéria completa você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.

Foto: Alessandro Costa

Evento faz parte de ciclo de eventos promovido pela seção sindical para construir uma plataforma progressista que será levada a candidaturas que disputarão as eleições deste ano. Encontro será realizado no Salão Nobre dos institutos de História e de Filosofia e Ciências Sociais, no Centro do Rio. Participe!

 

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