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WhatsApp Image 2020 10 24 at 00.54.53Está chegando a hora. Em menos de duas semanas, os professores das instituições de ensino superior de todo o país irão às urnas (virtuais) para escolher a nova direção do Andes - Sindicato Nacional. Inicialmente previstas para maio, e adiadas por conta da pandemia do coronavírus, as eleições ocorrerão entre 3 e 6 de novembro. A atual gestão, que teve seu mandato prorrogado até novembro por conta do adiamento do pleito, cederá lugar a uma nova diretoria, que comandará a entidade nacional dos docentes no biênio 2020/2022. A posse dos eleitos está prevista para dezembro, na plenária de abertura do 10º Conad (Conselho do Andes-SN) Extraordinário.

É a primeira eleição do Andes que contempla a paridade de gênero na formação das chapas concorrentes, como foi aprovado no 38º Congresso do sindicato, em 2018. São duas chapas na disputa. Na Chapa 1 (Unidade para Lutar), as professoras Rivânia Moura (UERN) e Maria Regina Ávila (UFSC) são candidatas aos cargos de presidente e secretária-geral, respectivamente, enquanto Amauri Fragoso Junior (UFCG) concorre ao cargo de 1º tesoureiro. Na Chapa 2 (Renova Andes), a candidata a presidente é a professora Celi Taffarel (UFBA), tendo a companhia dos professores Luis Antônio Pasquetti (UnB), como secretário-geral, e Paulo Opuszka (UFPR), como 1º tesoureiro. As nominatas completas e as cartas de princípios de cada chapa podem ser acessadas AQUI.

VOTAÇÃO TELEPRESENCIAL
Em virtude da pandemia, os delegados participantes do 9º Conad Extradordinário, realizado entre os dias 28 e 30 de setembro, descartaram a votação presencial e optaram por maioria pelo formato remoto, em modo telepresencial. Ele funciona da seguinte forma: o professor sindicalizado se apresenta, via câmera, em uma sala eleitoral virtual com um documento de identificação. Só então ele recebe um link com limite de tempo para acesso e registro do voto. As salas virtuais contarão com a presença de fiscais de ambas as chapas.

PARTICIPAÇÃO É FUNDAMENTAL
Para a professora Eleonora Ziller, presidente da AdUFRJ, é fundamental a participação maciça dos docentes nas eleições do Andes-SN, sobretudo porque a nova direção vai atravessar os dois últimos anos do governo Bolsonaro, marcado pelo projeto de destruição do ensino público de qualidade no país. “Apesar de o formato da votação não ser o ideal, pois dificulta o acesso dos eleitores, a AdUFRJ ressalta a importância do voto para o fortalecimento de nossa entidade nacional, nesse momento em que as universidades públicas são alvo de vários ataques por parte do governo federal”.  

Segundo circular divulgada na terça-feira (20/10) pela Comissão Eleitoral Central do Andes-SN, estão aptos a votar 68.618 docentes em todo o país. O maior colégio eleitoral entre as universidades públicas brasileiras é o da UFRJ, com 3.847 sindicalizados.

 

Manter o funcionamento do sindicato em defesa dos interesses dos professores e da universidade num dos momentos mais difíceis da centenária história da UFRJ. Este foi o desafio que a direção da AdUFRJ abraçou durante a pandemia e sob um governo que trata a Ciência e a Educação como inimigas. Uma história que o jornal da associação conta nas 33 edições produzidas desde o início da quarentena, todas as semanas.

Um desafio até aqui enfrentado com uma ventania de ideias e ações. Não poderia ser diferente para uma diretoria que, na campanha eleitoral, batizou a chapa com o nome “Ventos de Maio: Juntos pela Universidade. Não vamos parar nem voltar atrás”. “Conseguimos dar uma resposta rápida. Enquanto a universidade ainda discutia o que fazer, a Adufrj já estava com várias atividades no ar, como o Conselho de Representantes remoto. A agilidade nessa hora ajudou muito os professores”, comemora a presidente Eleonora Ziller.

Além das tradicionais reuniões sindicais, como as assembleias, muitas iniciativas precisaram ser reinventadas ou criadas para acolher os docentes no meio remoto. Agendamento de reuniões pelo aplicativo Zoom, plantão jurídico virtual, cineclube, instalação do FORMAS — instância que congrega os sindicatos e representações estudantis da UFRJ. E muito mais. Entre todas, Eleonora elege o Sextou/Tamo Junto como a atividade que mais gosta de fazer, nesse período. “É um bate-papo. Um ponto de encontro e de relaxamento. Temos um grupo de 20 a 30 pessoas que está sempre ali”, afirma.

A presidente da AdUFRJ identifica que o ritmo das diversas reuniões e a presença das pessoas diminuiu, com o passar dos meses. Algo natural, após a universidade retomar as aulas. “Existe uma saturação com o ambiente remoto”, avalia.

Mas isso não quer dizer que o sindicato vai parar com as novidades. A direção quer fazer uma avaliação do Período Letivo Excepcional. Além de debater as progressões e promoções e as dificuldades dos docentes que cuidam de crianças pequenas ou idosos na quarentena.

Vice-presidente da AdUFRJ, o professor Felipe Rosa acrescenta que uma consultoria aos professores para o ensino remoto também está a caminho. “Achamos melhor começar a partir do início do ano que vem”.

Felipe está animado com uma das ações mais recentes da AdUFRJ: a criação de um programa do sindicato na Rádio UFRJ. “Esperamos falar não só para os professores, mas comunicar para fora. O rádio é um meio com penetração muito grande em camadas de população que não têm muita familiaridade com a universidade”, diz.

Outro orgulho do professor são as doações da AdUFRJ às unidades e a setores vulneráveis da universidade. “Foi um consenso na diretoria que a gente deveria ajudar as unidades em atividades relacionadas à pandemia, mas não só”, completa.

Confira abaixo uma síntese da atuação sindical nos 221 dias da quarentena.

JORNAIS
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Desde o primeiro dia do isolamento social, a AdUFRJ produziu os jornais semanais com a mesma regularidade de antes da pandemia. As edições online “bombaram” nas redes com muito conteúdo. Foram 33 edições, ou 280 páginas, no período. Entre elas, merece destaque a publicação comemorativa dos 100 anos da UFRJ, de 7 de setembro. As 411 pessoas que manifestaram interesse receberam em casa um exemplar impresso. As demandas para a Comunicação, que não faz só o jornal, cresceram tanto que exigiram a contratação de mais um jornalista e dois estagiários.  

RÁDIO ADUFRJ
O “AdUFRJ no Rádio” estreou no dia 16 de outubro. A atração vai ao ar todas as sextas-feiras, às 10h, com reprise às 15h, pelo site da Rádio UFRJ: www.radio.ufrj.br

REDES SOCIAIS
Os perfis da AdUFRJ na rede tiveram um salto significativo de desempenho no período.
• A página do Facebook ganhou mais de 800 seguidores e recebeu 159 mil acessos. As publicações foram vistas mais de 1,2 milhão de vezes;
• No Twitter, aumento de 29% no número de seguidores, com mais de 163 mil visualizações do conteúdo;
• O perfil no Instagram, criado em 9 de março, alcançou 805 seguidores.

TV AdUFRJ
Foram 50 vídeos veiculados, sendo seis Pílulas Antimonotonia – um programa especial produzido pela AdUFRJ com especialistas–, três mesas no Festival do Conhecimento e cinco da Marcha Virtual pela Ciência, entre outros. Houve mais de 1.200 inscritos (aumento de 143% em relação ao período pré-quarentena), com mais de 36 mil visualizações nos nossos vídeos.

REUNIÕES DO CONSELHO DE REPRESENTANTES
Foram 12 encontros, alguns com convidados especiais para subsidiar os debates entre diretores e conselheiros. Nos dois primeiros, as estratégias da UFRJ para enfrentar a pandemia do coronavírus e a defesa de direitos da comunidade acadêmica foram os temas principais: em 26 de março, com o vice-reitor Carlos Frederico Leão Rocha; em 30 de março, com a reitora Denise Pires de Carvalho. Depois, as reuniões se voltaram para pontos mais específicos: o conselho de 6 de abril discutiu as ações da Extensão com a pró-reitora Ivana Bentes; o de 13 de abril avaliou a situação econômica do país com as professoras Marta Castilho e Esther Dweck. Maio começou com duas reuniões para tratar da regulamentação do trabalho remoto na universidade: a do dia 4, com a advogada Ana Luisa, da AdUFRJ; a do dia 11, com a pró-reitora de Pessoal, Luzia Araújo. A reunião de 29 de junho contou com a apresentação do pró-reitor de Planejamento, professor Eduardo Raupp, sobre a retomada gradual das atividades e os respectivos condicionantes. E a de 16 de julho ouviu os representantes do DCE e da APG sobre o ensino remoto.

PLENÁRIA VIRTUAL
Para escutar as demandas dos professores de diversas áreas do conhecimento, a AdUFRJ organizou uma plenária virtual no dia 13 de julho. O encontro mobilizou 113 docentes.

ASSEMBLEIAS

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A diretoria convocou três assembleias no período. Uma para os professores opinarem sobre diversas questões relativas ao calendário acadêmico, em 28 de agosto. Um conjunto de 235 docentes respondeu ao questionário proposto pela direção da AdUFRJ. E mais duas — no fim de julho e no fim de setembro — para deliberar sobre a escolha da delegação da AdUFRJ aos dois Conselhos de Associações Docentes do Andes, os Conads, realizados no período. A de 27 de julho entrou para a história como a primeira assembleia virtual da entidade.

ZOOM
Ao mesmo tempo em que os docentes tiveram de se adaptar à realidade do isolamento social, foi necessário ter acesso a ferramentas para viabilizar os encontros virtuais. Foi com essa preocupação que a AdUFRJ adquiriu duas contas no aplicativo Zoom, de videoconferência, e criou um serviço de agendamento, no fim de março, que atende aos filiados do sindicato. O aplicativo disponibiliza uma versão gratuita, na qual é possível realizar reuniões de até 40 minutos. A conta só é necessária para encontros mais longos. Até 20/10, pela manhã, houve 510 pedidos de agendamento, com 292 reuniões realizadas e 114 docentes atendidos.

CINE AdUFRJ
Desenvolvido em parceria com o Grupo de Educação Multimídia (GEM) da Letras, o projeto debate, por meio de filmes, questões centrais da atualidade. Foram 12 encontros, desde 13 de maio, com os seguintes temas: “Ciência sob Perspectiva” (13/05); “O Universo do Trabalho e do Trabalhador”(27/05 e 10/06); “Racismo e Democracia” (01/07; 15/07; 29/07; 12/08; 26/08); “Direito à Cidade” (9/09; 23/09; 07/10); e “A Escola no Cinema” (21/10)

FORMAS
Durante a pandemia, foi criado o FORMAS-UFRJ (Fórum de Mobilização e Ação Solidária). Instância congrega AdUFRJ, Sintufrj, DCE, APG e ATTUFRJ. O lançamento ocorreu no dia 4 de maio. Objetivo é articular campanhas unitárias, como a revogação da Emenda Constitucional 95, do teto de gastos, e a defesa dos direitos de todos os trabalhadores. O Formas promoveu três lives musicais com o tema “Arte de Ficar em Casa”, nos dias 5 e 20 de junho e em 24 de julho. E, em 30 de agosto, o bloco carnavalesco Minerva Assanhada fez uma apresentação virtual de gala, em homenagem antecipada ao centenário da UFRJ. A live foi entrecortada pelas saudações da reitora, do prefeito universitário e de representantes do Formas.

OBSERVATÓRIO DO CONHECIMENTO
• A AdUFRJ integra a rede de associações docentes que defende a universidade. Logo no início de abril, o Observatório lançou a “descomemoração” de um ano de Weintraub à frente do MEC.
• No dia 15 de maio, rede liderou campanha nacional para celebrar um ano do 15M e mostrar que a Ciência salva vidas. Atividade também foi divulgada pelo youtuber Felipe Castanhari, que possui um perfil no Instagram com 5,3 milhões de seguidores. Além disso, houve projeções em quatro pontos da cidade.
• Observatório também enviou carta aberta ao Supremo Tribunal Federal contra as declarações do ministro Weintraub contra o STF. Documento foi publicado no jornal de 29/05.
• Mais recentemente, a rede organizou um ato virtual por orçamento justo para a Educação, em 17 de setembro.

SEXTOU/TAMO JUNTO
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O encontro docente mais descontraído da quarentena foi um sucesso. Quase sempre com um convidado especial para desenvolver um assunto. Foram 24 reuniões virtuais às sextas-feiras.


PLANO DE SAÚDE
Jornal de 10 de julho informou a atualização da tabela do plano de saúde (rede hospitalar e laboratorial e valores).

JURÍDICO
• Reuniões, análises de documentos e plantões marcaram a atuação remota do setor jurídico da Adufrj. • Os plantões começaram em 28 de abril: sempre às terças  e sextas-feiras de 15 em 15 dias, mas com algumas sextas seguidas. Já foram realizados 176 atendimentos, sem computar respostas por celular e email, que se desdobraram em ajuizamento de ações, elaboração de pareceres jurídicos e requerimentos administrativos, além das orientações jurídicas. Em julho, foi aberto um canal exclusivo para tratar de demandas relacionadas ao ensino remoto. Também houve análise e parecer da questão das férias no Período Letivo Emergencial.
• AdUFRJ e Sintufrj ingressaram na Justiça uma ação conjunta inédita contra as normas do governo de corte dos adicionais e auxílio-transporte, em 6 de maio.
• Houve acompanhamento da questão dos terceirizados junto à reitoria e apoio aos professores que sofreram cortes na parcela reembolsada pelo governo no plano de saúde. Assessoria também analisou a reforma administrativa e a Instrução Normativa nº 65, sobre a implantação de programa de gestão no serviço público.
• Mais recentemente, setor apresentou recurso ao TRF contra o corte dos 26,05%.

ENSINO REMOTO
A AdUFRJ divulgou, no fim de agosto, dois documentos para fortalecer a segurança das aulas gravadas, diante do ineditismo do ensino remoto para a maioria dos professores: um termo de confidencialidade: e um sobre como preparar os vídeos no Youtube de modo privado.

NOTAS/MANIFESTAÇÕES DA DIRETORIA
• 16/03 – em nota, criticou realização de reunião presencial do Setor das Federais do Andes nos dias 14 e 15 e ato de rua no mesmo dia 15. E questionou confirmação de um indicativo de greve por tempo indeterminado aprovado no Setor.
• 16/03 – anunciou a suspensão do atendimento presencial na sede.
• 20/03 - solicitou a prorrogação das bolsas a todas as agências de fomento.
• 24/03 - Em nota divulgada no jornal, a direção da AdUFRJ criticou a confusa edição de tantas portarias. sobre a distribuição de bolsas pela Capes. Cobrou a imediata revogação da última norma e a abertura de um canal de diálogo com as universidades para a discussão do modelo de distribuição das bolsas.
• 24/03 – na mesma edição, ressaltou a importância de se manter o vínculo com os estudantes e considerou impossível que uma instituição baseada no ensino presencial se convertesse em uma de educação a distância (EaD), mesmo que temporariamente, como proposto pelo MEC naquele momento, por portaria publicada no dia 18.
• 09/04 – Nota sobre a pandemia da Covid-19 e o pandemônio do Palácio do Planalto.
• 26/04 - divulgou nota sobre aniversário da AdUFRJ comemorado em 26 de abril.
• 30/04 - nota conjunta da Adufrj e Sintufrj em defesa da autonomia e dos direitos fundamentais de todos que trabalham e estudam na UFRJ (contra os cortes de adicionais).
• 14/05 – Em nota ao Consuni, também publicada no jornal de 14 de maio, AdUFRJ criticou portaria do trabalho remoto.
• 21/05 – Nota à comunidade universitária, informando sobre a criação de GT sobre trabalho  remoto. “Seguiremos atentos para que a nova regulamentação seja a mais simples e nítida possível”.
• 10/06 – Nota da Diretoria da AdUFRJ solicitando devolução da MP 979, dos reitores biônicos, publicada no jornal de 13/06. Matéria foi devolvida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
• 04/09 – no jornal de 4 de setembro, foi divulgado que a diretoria enviou aos conselheiros e à presidência do CEG uma carta com as preocupações sobre o calendário apontadas pelos professores presentes à assembleia ocorrida em 28 de agosto.

FÉRIAS
• Sindicato divulgou orientações aos docentes sobre as férias, nas redes sociais e no jornal de 9/10.
• AdUFRJ apresentou recurso ao Consuni sobre férias para acréscimo de uma semana no recesso entre 2020.1 e 2020.2, mas pedido foi rejeitado.

REFORMA ADMINISTRATIVA
Diretoria iniciou, no jornal de 25 de setembro, a divulgação de cards contra a reforma administrativa do governo Bolsonaro.

PARTICIPAÇÃO EM GRUPOS DE TRABALHO NA UFRJ
• Os diretores da AdUFRJ também participam de grupos de trabalho institucionais que discutem temas relacionados aos professores. O GT pós-pandemia e a Comissão de Formas Alternativas de Ensino estão ativos.
• A AdUFRJ e o Sintufrj também fizeram parte de um GT organizado pela reitoria para propor mudanças na regulamentação do trabalho remoto da UFRJ.

DOAÇÕES
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Do início da quarentena até 14 de outubro, a AdUFRJ realizou 55 doações, que somaram R$ 339,6 mil. As maiores foram direcionadas para a compra de: material hospitalar para o IPPMG (R$ 100,1 mil), materiais de informática para o Hospital Universitário (R$ 80 mil), material médico e hospitalar para o campus Macaé (R$ 40 mil) e material de exames do Laboratório de Virologia Molecular (R$ 25,7 mil).

FESTIVAL DO CONHECIMENTO
 A AdUFRJ participou do maior evento da UFRJ durante a pandemia com 3 mesas: Ciência e Tecnologia em afroperspectiva, em 15/07; A pandemia e a participação das mulheres na produção acadêmica e na vida política das universidades, em 20/07; e Aulas remotas em tempos de deepfakes e as inseguranças jurídicas, em 23/07.

OUTROS EVENTOS
• Em junho, a AdUFRJ realizou cinco lives (“Terças de Junho”) em parceria com a ADUR, associação de docentes da Federal Rural do Rio, sobre temas variados.
• Em 11/08, atividade do sindicato reuniu 48 coordenadores de graduação. Carta assinada por 20 coordenadores ao CEG foi publicada no jornal.
• Em 19/08, o Núcleo de Bioética e Ética Aplicada promoveu a mesa ‘Trabalho em tempos de pandemia e as atividades universitárias’, com os três sindicatos da UFRJ – AdUFRJ, Sintufrj e Attufrj.
• Em 25/08, vice-presidente da Adufrj, professor Felipe Rosa, participou do Parangolé da Cultura na Universidade, evento organizado pelo Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas.
• Em 26/08, AdUFRJ organizou um debate entre a Pró-reitoria de Graduação e quatro professores de diferentes cursos sobre o calendário acadêmico.
• 08/09 - AdUFRJ participou de um debate, ao lado do Sintufrj, DCE, APG e ATTUFRJ, nas comemorações oficiais do centenário da universidade.
• No fim de setembro, a direção da Adufrj reuniu-se com representantes do grupo de docentes pais e mães do campus Macaé que reivindicam uma política universitária equânime durante a pandemia. O sindicato apoiou e ajudou a expandir a campanha.

charlotte"É com enorme pesar que informarmos o falecimento da professora Charlotte Emmerich, uma das pioneiras da Linguística no Brasil. Nossa muito querida Charlotte Emmerich, professora titular aposentada do Museu Nacional/UFRJ, dedicou-se ao estudo das línguas indígenas e às questões indígenas. Também organizou amostra sobre o português de contato dos índios do Parque Nacional do Xingu, tendo como trabalho seminal sua tese de doutorado, na década de 1980, considerada o marco inicial da Sociolinguística Indígena. Participou da fundação do Grupo de Pesquisas PEUL (Programa de Estudos sobre o Uso da Língua). Incansável, publicou recentemente livro com material linguístico inédito e raro sobre a língua Yawalapiti, coletado há mais de quarenta anos." (Nota de pesar do Programa de Estudos sobre o Uso da Língua - UFRJ)


Muita coisa realizada em pouco tempo e muito mais por fazer em menos tempo. É assim que a diretoria da Adufrj avalia os primeiros 12 meses de gestão. Levantamento sobre as atividades realizadas durante a pandemia mostra que a diretoria convocou 13 vezes o Conselho de Representantes. A comunicação com os sindicalizados foi priorizada. O jornal aumentou. Foram 33 edições e 280 páginas. As ações nas redes sociais também cresceram, com quase 160 mil acessos no Facebook. No cotidiano da universidade, a AdUFRJ atuou fortemente em todos os debates sobre o calendário acadêmico e os dilemas do ensino remoto. A convicção da diretoria é de que todo esse esforço fortalece o sindicato e é a melhor forma de defender a Educação dos ataques sistemáticos do governo federal.



Muito além dos ventos de maio
Diretoria da AdUFRJ (2019-2021)

WhatsApp Image 2020 10 24 at 00.20.54Quando tomamos posse em 15 de outubro de 2019, tínhamos a clara noção de que as coisas não seriam fáceis para a nossa chapa Ventos de Maio – uma homenagem e um compromisso com a força das ruas que, em maio de 2019, foram tomadas por uma intensa mobilização contra a truculência e os cortes na Educação impostos pelo governo Bolsonaro. Após várias sequências de impropérios do pior ministro da história, que ocupava a pasta da Educação, e a apresentação do Future-se, não havia nenhuma dúvida quanto ao caráter belicoso e destrutivo de quem estava no Palácio do Planalto a nos governar. O nosso primeiro entendimento era o de que, mais do que nunca, a AdUFRJ seria necessária. Necessária em suas tradicionais funções sindicais, mas não só. Era preciso ampliar e aprofundar os laços de solidariedade entre nós, chegar até os jovens docentes recém-concursados e decifrar quais novos papéis poderíamos desempenhar. Se estávamos diante de um governo que atuava de modo sem paralelo em nossa história, seria preciso também encontrar novas respostas para enfrentá-lo.

E para isso começamos a nos preparar, retomando uma rotina de reuniões do Conselho de Representantes e preparando visitas às unidades que estavam sem representação. Também começamos a preparar um Censo que abarcaria a totalidade dos professores que estão ativos na UFRJ. Um Censo que nos trouxesse um perfil renovado e preciso de quem somos, mas principalmente, o que esperamos da universidade e de nosso sindicato. Também iniciamos uma ampla campanha em defesa da Educação Pública, integramos com os outros sindicatos da área, além de estudantes e técnicos, uma ampla frente para organizarmos nossa resposta de modo unitário, fortalecendo e buscando repetir a boa lição dos ventos de 15 maio de 2019: todos juntos em defesa da Educação, da democracia e da vida. Nossa última participação nas ruas foi no dia 9 março, na marcha unificada das mulheres. Estávamos preparados para mais uma jornada de mobilização no dia 18 de março quando, no dia 16, iniciamos esse longo período de quarentena, isolamento, e agora, distanciamento social.

Inicialmente ficaríamos em casa 15 dias, o que já parecia um longo tempo. Depois, suspenso qualquer prazo, os mais pessimistas falavam de três ou até mesmo em longuíssimos seis meses, o que parecia a todos nós algo impensável. Mas é precisamente isso que caracteriza 2020: estamos vivendo o impensável. No impacto inicial das primeiras medidas, nos preparamos o mais rápido possível para garantir uma presença real na vida da UFRJ, participar de algum modo e contribuir com o grande esforço que a universidade começava a fazer para enfrentar uma pandemia que não sabíamos ainda a extensão nem a intensidade com que ela se abateria sobre nós. Os prognósticos eram os mais preocupantes e não poderíamos nos manter à margem de todos esses acontecimentos.

De imediato, adquirimos duas assinaturas do Zoom, que em pouco tempo iria se consolidar como a plataforma mais utilizada para as reuniões de todo o tipo. Foram duas assinaturas porque disponibilizamos uma para todos os docentes que a solicitassem, seja para a manutenção de grupos de pesquisa, reunião das unidades, e até mesmo congregações e outras atividades institucionais. Não era hora de parar, nem de nos afastar. A segunda assinatura ficou disponível para as atividades da AdUFRJ.  

A primeira preocupação: ninguém solta a mão de ninguém! Como estariam os professores? Precisariam de algum apoio? E aqueles que vivem sozinhos, como estariam passando? E nós, como estamos no meio desse vendaval? Assim nasceu o “Tamo Junto”, encontro informal, happy hour de sexta-feira, para conversar fiado, ouvir histórias, manter a possibilidade do encontro e do afeto em meio a tanta dificuldade.

Dessa primeira conversa, convocamos também o nosso Conselho de Representantes. Inicialmente tivemos reuniões semanais, com a presença em vários encontros do Vice-reitor, da Reitora e Pró-reitores de diversas áreas. Desde logo, a UFRJ se posicionou como uma das instituições líderes no combate ao novo coronavírus, seja no acesso hospitalar aos doentes mais graves, seja na produção de testes diagnósticos e na pesquisa continuada em possíveis tratamentos. No entanto – como bem sabe quem vive o cotidiano da universidade – há um déficit estrutural em muitas unidades, fazendo com que o desenvolvimento dessas atividades (ainda mais em época de crise) ficasse comprometido. Nós nos propusemos então a ajudar financeiramente muitas iniciativas durante a pandemia, como a doação de vários equipamentos de TI para o Hospital Universitário, assim como a compra de equipamento essencial para o IPPMG e apoio com suprimentos a vários laboratórios. Embora o sindicato tenha algum dinheiro, ele nada mais é do que uma gota no oceano de necessidades que essas ações exigem.

Entretanto, entendemos que tínhamos uma carta na manga que poderia ser muito útil: a agilidade e rapidez nas compras emergenciais, acelerando a resolução de problemas. E foi desse modo que atuamos.

Não eram só as nossas questões que nos preocupavam. As parcelas mais vulneráveis da universidade também precisavam de ajuda, mas não daríamos conta de fazer tudo isso sozinhos. E nem estávamos sós. Todas as entidades da UFRJ se mobilizaram para dar alguma assistência emergencial aos mais vulneráveis e foi da união de nossos esforços que nasceu o FORMAS – Fórum de Mobilização e Ação Solidária – que reúne as nossas 5 entidades representativas: AdUFRJ, DCE, SINTUFRJ, APG e ATTUFRJ. Realizamos inúmeras doações de cestas básicas, apoiamos diversas campanhas de solidariedade, e ainda organizamos alguns eventos para arrecadarmos recursos, como as lives da “Arte de ficar em casa”.

Durante esses primeiros meses de pandemia, todas as atividades on-line que realizamos tiveram um número grande de participantes. O fato de termos agido com rapidez, permitiu que criássemos um importante polo de informação e debates na nossa UFRJ. Nosso jornal semanal ampliou seu conteúdo: tivemos 33 edições, com 280 páginas de conteúdo de qualidade. Tudo isso confirma o que pensávamos lá atrás, quando tomamos posse: o sindicato é mais necessário que nunca. Mas não podíamos imaginar o quanto. Não realizamos o nosso censo, embora tenhamos a esperança de que ainda possamos vê-lo de pé no próximo ano. Mas a vida nos obrigou a colocar em prática novas formas de lutas, novas possibilidades de interação e atuação sindical.

O reinício das aulas de forma remota, primeiro no PLE e em breve de modo regular, está a nos exigir um esforço ainda maior. Já sentimos o efeito disso em todos nós: menos pessoas nas reuniões, mais dificuldade de ajustarmos as agendas. Todos muito mais cansados, e poucas respostas sobre como isso tudo terminará. Completamos sete meses de suspensão das atividades presenciais na UFRJ, mas o cenário para um retorno “à normalidade” é ainda muito nebuloso. O governo também não nos deu trégua, mas tivemos algumas vitórias ainda que parciais. Fizemos o que foi possível. Sentimos que é hora de um pequeno balanço para entendermos melhor o que se passa e como poderemos caminhar daqui para frente.

LEIA TAMBÉM: Pra não parar nem voltar atrás

WhatsApp Image 2020 10 16 at 16.55.53Ensinar e reinventar o ensino nas salas de aula presenciais e virtuais. Pesquisar com excelência apesar das dificuldades orçamentárias. Compartilhar o conhecimento em projetos de extensão. Contribuir para a formulação de políticas públicas e assumir a gestão da universidade. Estas são algumas tarefas que, ao longo da carreira, em maior ou menor grau, fazem parte do cotidiano do professor universitário. Um profissional que hoje é atacado diuturnamente por um governo que despreza a educação e a ciência. Para enfrentar tantos desafios, os educadores brasileiros reiventam o tempo, e após uma jornada muito superior às 40 horas contratadas, ainda se desdobram no exercício da cidadania, lutam por direitos e por um mundo melhor.
“Nós estamos enfrentando uma situação de grande descrédito na ciência. Isso é um problema muito sério para o professor universitário”, afirma Celso Ferreira Ramos Filho, da Faculdade de Medicina. As palavras vêm carregadas da sabedoria de quem começou a lecionar há 46 anos.
Celso cita o livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro” do astrofísico americano Carl Sagan (1934-1996) como um exemplo muito atual a ser seguido. A obra apresenta o método científico como forma de combater argumentos místicos ou pseudocientíficos. Algo que o professor observa nos recentes movimentos antivacina ou na defesa do terraplanismo.  

PESQUISA
Uma das formas de fazer o bom combate científico é com trabalho duro. O professor Fernando Duda, da Coppe, atendeu à reportagem em pleno feriado de 12 de outubro. Descansando? Não, escrevendo um artigo em colaboração com um colega que mora no Japão. “Na pesquisa, é importante ficar muito ligado no que está acontecendo, mas a gente precisa fazer as coisas acontecerem”, recomenda. “Requer muita atenção, colaboração, mas não para você ficar submisso ao que vem de fora”, ensina. “A inspiração é importante, mas é muito mais transpiração”.
Integrante do programa de Engenharia Mecânica, nota 7 na avaliação da Capes, Duda deixa claro como funciona a dedicação docente: “Temos responsabilidade com o programa, com a Coppe, com a Poli, com a UFRJ. Mas essa é responsabilidade é natural. Gosto de ensinar e pesquisar”.
     
EXTENSÃO
A professora Angela Santi, da Faculdade de Educação, enxerga na extensão uma forma  efetiva de trazer a sociedade para o lado da universidade. Ela coordena o projeto Imagem, Texto e Educação Contemporânea (ITEC), com a colega Aline Monteiro. A iniciativa articula as transformações culturais com o trabalho escolar. “Nesse momento em que a universidade está sendo colocada em questão, isso se torna estratégico”.
      
POLÍTICAS PÚBLICAS
 Em alguns casos, não basta levar o conhecimento para fora dos muros da universidade: o professor também pode sacrificar a rotina acadêmica e se doar à formulação de políticas públicas. A professora Esther Dweck, do Instituto de Economia, trabalhou no extinto Ministério do Planejamento e no Senado, entre 2011 e 2016. “A relação entre Academia e a formulação de políticas públicas é superimportante porque o timing de cada coisa é muito diferente”, relata.
Na universidade, existe um tempo maior para reflexão; no governo, as demandas imediatas praticamente impedem o estudo.  
“É uma interação de mão dupla. Para a Academia, também é bom ver as demandas práticas do dia a dia. Depois que voltei, mudei bastante minha forma de dar aula, minha agenda de pesquisa”, explica Esther. Outro fator que estimulou a empreitada da docente por Brasília foram os exemplos de referências como Maria da Conceição Tavares, ex-deputada federal, e Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, que também “mantiveram um pé na UFRJ e outro na atividade pública”.

FAMÍLIA E MILITÂNCIA
Antes da pandemia, todo professor levava trabalho para casa: leitura, produção de artigos, correção de provas. Normal. Com a pandemia, quase todo o trabalho se mudou para o ambiente doméstico — experimentos em laboratórios continuaram, principalmente na área da Saúde.
José Roberto da Silva, professor do Nupem, é casado e tem dois filhos. O adolescente é portador de necessidade especial. “Em alguns momentos, temos de intermediar a aula dele. No período normal, havia uma mediadora que participava com ele das atividades. É uma tarefa prazerosa, mas dá trabalho”.
Outra tarefa trabalhosa é a militância docente. Há 41 anos, a AdUFRJ organiza a defesa da educação pública e dos direitos dos professores da UFRJ. Sem afastamento dos afazeres acadêmicos, os diretores e militantes do movimento docente dedicam grande parte do seu tempo disponível para o bem do coletivo. “Representamos docentes (todos produtores e transmissores de  conhecimento)  que votam em diferentes partidos, acatam valores comportamentais variados etc. E mais: dedicam-se a saberes heterogêneos, adotam teorias rivais. É desafiadora a construção de uma pauta comum em meio a tanta diversidade”, afirma a professora Maria Lúcia Werneck Vianna, presidente da associação entre 2017 e 2019.

ENSINO E GESTÃO
O desafio da professora Nadir Ferreira Alves e dos colegas do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação, aprovado em 2005 no Consuni, não é incomum para muitos na UFRJ: ensinar sem a devida infraestrutura. “Sabe aquele ‘esqueleto’ ao lado da Faculdade de Letras? A promessa era que em 2012 a gente iria para aquele prédio. Estamos ‘temporariamente’ na Faculdade de Letras desde então”, afirma. “Nosso sonho é ter nosso canto”, completa.
A docente ingressou na universidade em 2011 e, desde o início, assumiu a função de coordenação da expansão do curso para a Cidade Universitária. “Hoje, estou como vice do chefe de departamento. Desde que entrei na UFRJ, me vi dividida entre a docência e a gestão”.  Mas o corpo docente é um só para o Fundão e para a Praia Vermelha. “Damos aula nos dois campi. É bastante cansativo”.
Mas todo o esforço é compensado por conquistas que não ganham tanta visibilidade. Na primeira turma da expansão, havia um aluno autista. “Fizemos um trabalho diferenciado com ele. Ele realizava prova oral, pois tinha uma memória gigantesca. Mas tinha muita dificuldade de análise na escrita”. A cada renovação de semestre, era feita uma reunião com a mãe. Com um acompanhamento cuidadoso e sem forçar muitas disciplinas por período, o aluno se formou em 2016. “Esse desafio da infraestrutura de maneira nenhuma impediu o corpo docente formar bons profissionais. Tenho muito orgulho disso”.

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