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A AdUFRJ foi uma das organizadoras do evento de lançamento da Rede Universitária Segurança Para Todos Artigo 5°. A iniciativa reúne universidades públicas e privadas do Rio, além de instituições de pesquisa para formular proposições para a política de segurança pública do estado que sejam baseadas em evidências científicas e garantam direitos.
O nome "Artigo 5°" remete ao texto da Constituição Federal de 1988, que, em seu 5º artigo, reúne os princípios que norteiam os direitos básicos de todos os cidadãos brasileiros e estrangeiros residentes no país. Dentre os quais igualdade, livre manifestação do pensamento, segurança, liberdade de crença, entre outros.
O evento aconteceu na sede do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), uma das instituições parceiras da Rede. Também participaram representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC), além de dirigentes da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Município do Rio de Janeiro, Fiocruz, UERJ, UFRJ, UFF, UniRio e PUC-Rio.
O vice-presidente da AdUFRJ, professor Michel Gherman, celebrou a importância do evento. "Estamos vendo grandes nomes da reflexão acadêmica produzindo perspectivas e estratégias de combate não só à violência, mas principalmente ao discurso sobre a violência", disse. "As universidades do Rio de Janeiro estão construindo uma possibilidade, uma esperança, que o discurso acadêmico influencie efetivamente o discurso público", afirmou.
O docente também destacou o papel da AdUFRJ, de produzir reflexões acadêmicas sobre o Brasil. "Nós, da AdUFRJ, estamos acumulando já há algumas gestões essa tarefa histórica e essa tradição de produzir dentro do movimento sindical uma reflexão acadêmica sobre o que fazer com esse país".
A matéria completa você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.
Foto: Alessandro Costa
Evento faz parte de ciclo de eventos promovido pela seção sindical para construir uma plataforma progressista que será levada a candidaturas que disputarão as eleições deste ano. Encontro será realizado no Salão Nobre dos institutos de História e de Filosofia e Ciências Sociais, no Centro do Rio. Participe!

A Universidade Federal do Rio de Janeiro construiu, ao longo de sua história, uma tradição de pluralismo intelectual, compromisso com o interesse público e respeito às instituições democráticas e à ética. Essa tradição sempre foi maior que as diferenças políticas, acadêmicas ou pessoais que naturalmente atravessam a vida universitária.
Há pouco menos de seis meses, a comunidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro comemorou o resultado do julgamento, na esfera cível, da ação de improbidade administrativa movida contra o ex-reitor Carlos Levi e outros quatro servidores da instituição.
Após mais de uma década de um processo longo e desgastante, a Justiça Federal reconheceu aquilo que a comunidade universitária sempre soube: que os recursos sob escrutínio judicial, oriundos de um contrato celebrado entre o Banco do Brasil e a Universidade, foram integralmente utilizados em benefício da própria UFRJ, sem qualquer enriquecimento ilícito ou desvio em proveito pessoal dos gestores acusados.
A decisão judicial destacou, inclusive, que os atos administrativos questionados foram praticados com base em pareceres jurídicos institucionais e no contexto de práticas amplamente adotadas pelas universidades públicas brasileiras na gestão de projetos acadêmicos e institucionais — entre elas, a utilização de fundações de apoio, como a Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), para a gestão financeira e administrativa de projetos complexos.
É precisamente à luz desse reconhecimento recente que ex-reitores da UFRJ — representantes de diferentes momentos e orientações na história da instituição — manifestam, conjuntamente, sua profunda preocupação com o processo criminal ainda em curso contra os mesmos gestores.
Não se trata da defesa de indivíduos por vínculos pessoais ou afinidades políticas. Trata-se da defesa da própria universidade e da integridade das decisões administrativas tomadas em seu interesse institucional.
Assim como na esfera cível, os fatos que deram origem ao processo criminal dizem respeito à gestão de recursos destinados ao fortalecimento da UFRJ, viabilizando mais de mil projetos acadêmicos, eventos científicos, obras e diversas iniciativas institucionais que beneficiaram diretamente a comunidade universitária. Foi graças a esses recursos — e à sua execução profissional pela FUJB — que a UFRJ pôde realizar investimentos estruturais importantes, entre eles a construção do Restaurante Universitário Central da Cidade Universitária, construído em apenas dois anos, além de centenas de outras obras e projetos institucionais.
Ao longo dos anos, todos os principais órgãos de controle da administração pública — Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União e Advocacia-Geral da União — reconheceram que esses recursos foram empregados em benefício da universidade, sem desvio de finalidade ou prejuízo ao erário.
Ainda assim, interpretações profundamente equivocadas de aspectos técnicos do caso acabaram resultando na condenação criminal em primeira instância de gestores que atuaram no exercício regular de suas responsabilidades institucionais.
A acusação de peculato contra o ex-reitor e outros dois gestores, por exemplo, baseia-se na suposição de que o Tribunal de Contas da União teria determinado a devolução de valores pagos pela universidade à Fundação Universitária José Bonifácio a título de taxa de administração, como se tais valores representassem um desvio de recursos.
No entanto, a leitura da própria decisão do TCU revela algo inteiramente diverso. O valor cuja devolução foi determinada correspondia apenas ao saldo remanescente existente na conta da Fundação quando o contrato foi encerrado antes da execução integral dos recursos previstos.
Em outras palavras, aquilo que foi interpretado na sentença como devolução de um valor supostamente “desviado” nada mais era do que o saldo residual — o “troco” — que permanecia na conta ao final da execução do contrato, e que, por determinação do próprio Tribunal de Contas, deveria retornar à universidade devidamente corrigido.
A confusão entre esses dois fatos distintos — o pagamento legítimo por serviços prestados e o simples saldo remanescente de um contrato interrompido — acabou transformando um procedimento administrativo regular em acusação criminal. E este está longe de ser o único equívoco presente na sentença condenatória.
Causa especial perplexidade que, diante dos mesmos fatos e documentos, duas esferas da Justiça (criminal e cível) possam chegar a conclusões opostas quanto à própria existência de desvio de recursos. Interpretações jurídicas podem divergir; os fatos, não.
A UFRJ não pode permanecer indiferente diante da possibilidade de que decisões administrativas tomadas em defesa da universidade venham a ser reinterpretadas, anos depois, como condutas criminosas, sem que haja demonstração de dolo, benefício pessoal ou prejuízo ao interesse público.
A preservação da autonomia universitária e da segurança jurídica na gestão das instituições públicas exige que situações dessa natureza sejam examinadas com o máximo rigor técnico, serenidade institucional e respeito aos fatos.
Por essa razão, os signatários desta manifestação expressam sua confiança de que o julgamento em curso na instância recursal permitirá a devida reavaliação do caso à luz das evidências documentais e das conclusões já apresentadas pelos órgãos de controle da administração pública.
Mais do que o destino individual de qualquer gestor, está em jogo a proteção da integridade institucional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o reconhecimento de que decisões administrativas tomadas em benefício da universidade não podem, anos depois, ser convertidas em injustiça judicial.
A história da UFRJ sempre foi construída pela coragem intelectual, pela pluralidade e pelo compromisso com a verdade. É em nome desses valores — que definem a própria identidade da universidade pública brasileira — que esta manifestação é apresentada.
1. Roberto Medronho
2. Carlos Frederico Leão Rocha
3. Denise Pires de Carvalho
4. Roberto Leher
5. Sergio Fracalanzza
6. Paulo Alcantara Gomes
7. Nelson Maculan Filho
8. Alexandre Pinto Cardoso
RELEMBRE: PROCESSO TEM CONTRADIÇÕES E INDÍCIOS DE LAWFARE
O reitor Roberto Medronho e sete ex-reitores da Universidade Federal do Rio de Janeiro divulgaram uma carta conjunta em que manifestam preocupação com o processo criminal envolvendo o ex-reitor Carlos Levi da Conceição e outros cinco ex-gestores da universidade.
O documento destaca que a própria Justiça Federal já reconheceu na esfera cível que não houve desvio de recursos no caso. O processo criminal, no entanto, ainda corre. Em decisão de primeira instância, a Justiça decidiu condenar criminalmente os ex-gestores da UFRJ.
O manifesto dos reitores chama atenção justamente para essa contradição: a decisão cível concluiu que os recursos foram utilizados em benefício da UFRJ, enquanto a condenação criminal se baseou na premissa oposta.
Segundo os signatários, parte da acusação se sustenta numa confusão entre a taxa administrativa paga à fundação de apoio e o saldo remanescente — o “troco” — existente na conta ao final do contrato.
No início de março, o Ministério Público Federal recorreu da decisão da primeira instância exigindo o aumento das penas.
Em artigo publicado no Jornal da AdUFRJ, em junho de 2025, o professor Daniel Negreiros Conceição explica que toda a investigação se baseou em denúncias genéricas ao Ministério Público Federal.
“O processo se originou de uma denúncia apresentada por um ex-professor exonerado por graves condutas — entre elas, agressão física a estudante. O docente, conhecido por seu alinhamento ideológico com o integralismo e atuações machistas e homofóbicas, acusou a gestão da UFRJ de desviar cerca de R$ 50 milhões em um contrato com o Banco do Brasil”, afirma o docente em seu artigo. Toda a investigação cível, no entanto, concluiu que não houve peculato, nem enriquecimento ilícito.
Representantes da comunidade acadêmica denunciaram ao longos dos últimos anos que os processos são uma estratégia de lawfare, quando o sistema de Justiça é utilizado politicamente para atingir grupos ou pessoas.
A carta dos ex-reitores também vai nesta linha. O documento pontua o risco de decisões da administração universitária serem reinterpretadas anos depois como condutas criminosas. O texto enfatiza a necessidade de a comunidade acadêmica se manter mobilizada em defesa da autonomia universitária.
O ex-reitor Aloisio Teixeira não sobreviveu a este processo: infartou em julho de 2012, poucos meses depois do início das investigações.
Outra vítima fatal do lawfare foi o ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, o professor Luiz Carlos Cancellier. O docente não resistiu às acusações e morreu tragicamente em outubro de 2017. Ele foi inocentado em 2023.
Alexandre Medeiros, Ana Beatriz Magno, André Hippertt e Silvana Sá
Professoras e alunas foram as primeiras vítimas na guerra do Irã. Na madrugada de 28 de fevereiro, primeiro dia do conflito que amedronta Ocidente e Oriente, ataques militares destruíram a escola de Minab, no Sul iraniano, e assassinaram 168 pessoas, a maioria meninas com menos de 12 anos. A ONU pediu apuração rigorosa, imagens do desespero materno cruzaram fronteiras, protestos se multiplicaram, mas o confronto só piora dia após dia. Uma aflição que atravessa oceanos.
No campus do Fundão, uma professora da Matemática e uma aluna da Coppe, ambas iranianas, acompanham com angústia as notícias do confronto. “Era uma escola de Ensino Fundamental, com crianças entre 7 e 12 anos, localizada em uma cidade pequena e não estratégica. É muito preocupante quando civis, especialmente crianças, se tornam vítimas de um conflito”, desabafa Maral Mostafazdehfard, professora de Matemática da UFRJ desde 2019. Três anos depois, sua terra natal implodiu em conflitos detonados justamente pela revolta de mulheres com a multiplicação de perseguições pelo regime dos aiatolás. “O governo proibiu oficialmente as mulheres de ingressar em 77 diferentes áreas de estudo, incluindo Engenharia e Física Nuclear, alegando que seriam “inadequadas” para mulheres. Mesmo quando temos excelentes resultados nos exames, cotas frequentemente limitam nossa admissão em favor dos homens”, lembra Maral.
Se no Irã as escolas e as universidades são vítimas explícitas da violência, no Brasil os campi se esforçam para combater o machismo e a misoginia. O esforço ainda é pouco. Uma pesquisa inédita, cujos resultados o Jornal da AdUFRJ obteve com exclusividade, mostra que 74% dos servidores da UFRJ já foram vítimas de assédio moral, sendo a maioria (67%) de mulheres. Há ainda um agravante sintomático. Menos de 24% das vítimas denunciam o assédio, entre outros motivos por não confiar nos canais de denúncia ou descrer da punição dos algozes.
Há sofrimento, há medo, mas há também o que celebrar. Esta edição do Jornal da AdUFRJ traz uma homenagem especial às professoras, alunas e técnicas da UFRJ, que juntas transformam dor e receio em luta e esperança. No Ensino, na Pesquisa, na Extensão, na Gestão, na vida acadêmica como um todo, elas ampliam sua presença, enfrentando barreiras que parecem intransponíveis, mas, por acreditar que não são, elas persistem, aprendem, ensinam, educam. A elas, as nossas saudações.
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