facebook 19
twitter 19
andes3
O Conselho de Ensino de Graduação adiou o início das aulas remotas para a graduação. O novo calendário do chamado Período Letivo Excepcional, aprovado em sessão desta quarta (5), começa no dia 24 de agosto, com término em 14 de novembro. Foram 16 votos favoráveis e 4 contrários.

O adiamento se deu pelo atraso na entrega dos chips de internet comprados pela Universidade para serem distribuídos aos estudantes. A empresa vencedora da licitação informou na última segunda-feira (3) que não conseguiria entregar os mais de 3 mil dispositivos nesta semana, o que inviabiliza o início das aulas remotas da graduação.

O campus de Macaé propôs alterar o calendário para 31 de agosto, por conta da maior dificuldade em distribuir os chips para estudantes que moram fora da cidade, mas a proposta teve pouca adesão.

A notícia completa você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.

O dia 27 de julho de 2020 entrou para a história da AdUFRJ. Nesta data, por força da pandemia, ocorreu a primeira Assembleia Geral virtual dos professores da universidade. A reunião, que chegou a contar com 125 docentes, aprovou a delegação ao Conselho Nacional de Associações Docentes (Conad) do Andes, de forma unânime.
O Conad, que aconteceu nos dias 30 e 31 de julho, discutiu a prorrogação do mandato da diretoria do Andes. O processo eleitoral, marcado para este ano, foi suspenso em função da crise de saúde pública.
A delegação da AdUFRJ foi eleita com o compromisso de votar a resolução proposta pela direção nacional, que estende o mandato dos atuais dirigentes por até 90 dias, com possibilidade de ampliação por até mais 90 dias. “Mesmo sendo oposição à atual diretoria do Andes, a diretoria da AdUFRJ entende que o momento é de formar uma unidade poderosa contra o governo Bolsonaro. Precisamos caminhar juntos”, destacou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. “Considero o resultado muito positivo. A votação unânime indica que temos um entendimento entre os professores de que esse deve ser um caminho a ser seguido”, completou.
Eleonora (como delegada, com direito a voz e voto) e os professores Luis Acosta e Marinalva Oliveira (como observadores, com direito a voz) foram os representantes da AdUFRJ ao evento sindical. Se algum dos observadores não pudesse mais participar das atividades, seria substituído pela professora Janete Luzia Leite.

DEBATE
Durante o debate da assembleia sobre a conjuntura, o diretor da AdUFRJ Josué Medeiros destacou que o governo continua perigoso, apesar da mudança de comportamento do presidente, agora mais contido. Mas alguns fatos recentes também dão esperança aos setores progressistas, como o surgimento dos movimentos antifascistas entre as torcidas de futebol, as paralisações dos entregadores de aplicativos e a aprovação do novo Fundeb: “Se confirmado no Senado, o primeiro direito que a gente conquista desde o golpe de 2016 veio da Educação. Temos que focar bastante nessa vitória”, afirmou.
Professora do Colégio de Aplicação, Cristina Miranda tratou do desafio da educação na pandemia. Chamou atenção para o que está sendo feito no site do CAp e convidou os docentes do ensino superior a pensar outras formas de vínculo com os alunos. “Que não sejam as que as grandes corporações defendem e tanto precarizam nosso trabalho”, ressalvou.

INTÉRPRETES
A primeira assembleia virtual também contou com a participação de duas intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Foi um primeiro teste para favorecer a participação dos professores surdos”, explicou Eleonora. A iniciativa será avaliada em futuras reuniões da seção sindical.

VOTAÇÃO
Como não se tratava de um ponto polêmico, a votação da delegação ocorreu por uma ferramenta de pesquisa do aplicativo Zoom. A diretoria estuda a melhor forma de deliberar nas próximas assembleias da AdUFRJ.

Alguns passos importantes foram dados nessa semana: começaram as inscrições dos estudantes no PLE, e com isso os problemas passam a ter contornos mais nítidos. Por isso, estamos nos preparando para montar uma efetiva rede de proteção para o desenvolvimento das atividades emergenciais de ensino remoto, para o qual estamos sendo levados por conta da política de isolamento social. Ainda não conseguimos trazê-la como notícia, mas está em gestação e ganhará corpo na próxima edição do jornal.
Também essa foi a semana em que realizamos a nossa primeira assembleia virtual e o ANDES realizou o primeiro Conad extraordinário online. Prorrogamos o mandato de nosso sindicato nacional, com a previsão de realização de um novo Conad em setembro. Embora crucial nesse momento, infelizmente, caminhamos pouco para construir uma poderosa unidade no movimento docente. Sem a possibilidade de modificar os textos das propostas enviadas para votação, durante o Conad ficamos restritos a aprovar ou rejeitar as teses apresentadas. Não houve espaço para construirmos uma nova proposta, que fosse fruto de um entendimento entre as três que estavam colocadas em pauta. Esperamos que esse entendimento possa ser construído nos próximos meses. Mais do que nunca, precisamos ajustar o passo e caminharmos juntos, pois essa é a única garantia que possuímos para barrar de forma efetiva o avanço de proposições autoritárias e de tentativas de controle sobre o pensamento e a produção de conhecimento no país.
Ao mesmo tempo, de modo tenebroso, nos aproximamos dos 100.000 mortos por Covid-19 oficialmente reconhecidos. Uma tragédia anunciada cuja dimensão poderia ter sido bastante reduzida.
O país está à deriva, não há nenhum projeto, diretriz ou proposição clara das autoridades sanitárias nacionais. Esse abandono a que estamos submetidos não tem paralelo em nenhum lugar do mundo. Não somos uma nação tão pobre ou carente de recursos que não possa dar o devido enfrentamento à pandemia. Ao contrário. Apesar da desigualdade social e do subfinanciamento que existe em relação ao sistema de saúde, temos uma rede de assistência universalizada que, recebendo recursos e orientações claras, poderia ter se tornado um exemplo mundial de eficiência por sua capilaridade em todo o território nacional. Ocupamos a vergonhosa segunda posição no pódio das nações em relação ao número de mortos e infectados pelo Coronavírus. Camuflam-se e escamoteiam-se os dados. As universidades e institutos de pesquisa continuam desempenhando um papel central, garantindo o pouco que ainda resiste de orientação no debate público. Parece, entretanto, que lutamos sozinhos contra essa enorme maré de descaso e imprevidência.
Mas é precisamente por haver uma sensação de cansaço e de isolamento que nossa participação se torna ainda mais necessária. As universidades são hoje o principal anteparo para garantir que não haverá um retorno precipitado das aulas presenciais, principalmente no ensino fundamental e médio. Uma verdadeira batalha está sendo travada nesse sentido, e não podemos abrir mão do papel social que temos a desempenhar nesse momento. É nessa direção que temos trabalhado, junto às entidades da UFRJ, junto às entidades da educação no estado do Rio de Janeiro, e em todos os fóruns nacionais que viermos a participar. Em defesa da vida e da democracia, fora Bolsonaro!

Diretoria da AdUFRJ

03WEB menor1139A UFRJ criou uma das principais ferramentas utilizadas para monitorar a pandemia de Covid-19 no Rio de Janeiro. O Covidímetro foi desenvolvido pelo GT Coronavírus e é utilizado pelo poder público e por veículos de imprensa para medir a propagação da doença no estado. Hoje com mais de 160 mil infectados, o Rio pode chegar a 492 mil casos nos próximos dois meses, se o isolamento social for afrouxado. Os números assustam, mas correspondem à previsão mais atualizada do Covidímetro da universidade.
 “Nós procuramos por modelos que nos trouxessem uma representação mais realística possível da situação de risco que estamos vivendo”, explica o professor Guilherme Horta Travassos, do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Coppe. “Elaboramos então uma maneira de calcular o ‘R’, índice que está associado à ideia de velocidade da propagação da doença”, conta o professor.
Um dos diferenciais do Covidímetro é a apresentação gráfica da velocidade do contágio e que permite uma comunicação mais direta com a sociedade. “O cálculo é muito legal do ponto de vista matemático, uma linguagem que indivíduos envolvidos com o estudo do fenômeno conseguem capturar. Mas não dá para apresentar para a sociedade. Foi onde surgiu a ideia de apresentar de uma forma lúdica”, explica o professor.
 “Nós utilizamos um modelo estatístico alinhado a uma série temporal, e que tem se mostrado muito robusto”, conta o médico infectologista Roberto Medronho, coordenador do GT Coronavírus. “O problema é que grande parte da população teria dificuldade de entender esse processo e o que ele significa. Mas quem olha o Covidímetro sabe, de imediato, se a situação está piorando ou melhorando. É uma representação que se comunica rapidamente com a população”, completa Medronho.
O Covidímetro está disponível no hotsite do coronavírus da UFRJ. Nele, o ‘R’ é mostrado como um ponteiro dentro de uma escala de risco e corresponde à quantidade de pessoas que um indivíduo contaminado pode infectar. Justamente por isso, ele reflete a aceleração do contágio. Se o valor de ‘R’ está abaixo de 1, a pandemia está sob controle e os riscos são baixos. Mas qualquer valor acima de 1 exige atenção e medidas de prevenção.
 “O grande diferencial é o modelo que está por trás da construção do Covidímetro. A base é orientada pelo conhecimento médico que se tem da infecção e pelos conhecimentos epidemiológicos, mas ele também considera uma série de dados, como a mobilidade da população, por exemplo. Ele não é só um modelo teórico, mas também traz informações do mundo real”, destaca o professor Medronho.
A “referência”, ou seja, a maneira como o índice “R” é calculado, é outro ponto de destaque do Covidímetro. “O R normalmente é inferido a partir da curva que expressa o número de casos, é o quão inclinada a tangente está”, explica o professor Guilherme Travassos. “Ao invés de fazer o desenho da curva, nós calculamos a evolução ponto a ponto na linha do tempo, calculando o R em cada ponto. Assim, temos o R mais aproximado possível. Ao invés de inferido, ele é calculado”, destaca o docente.
Este modelo permite que o sistema seja usado para prever cenários futuros da pandemia no Rio. Para isso são considerados dados como as quantidades de infecções e óbitos registrados e o índice de isolamento social do estado. “Até agora os resultados estão absolutamente coerentes, dentro da região de confiança que a gente tinha previsto”, afirma Travassos. “E se por um lado é uma alegria ver um modelo realístico o suficiente funcionando, ao mesmo tempo ele ajuda a ver o que vai acontecer, e é muito triste”.
Agora, os professores que desenvolveram o sistema trabalham para adaptá-lo para que ele possa ser a referência no planejamento de retorno gradual das atividades presenciais da UFRJ. Para isso, foi necessário alterar a área de abrangência do Covidímetro. “Usamos um conceito semelhante para compor uma região UFRJ e uma região Macaé. Com base no nosso corpo funcional e discente, foi fácil identificar de que municípios vêm as pessoas da universidade. Esta foi a primeira iniciativa, o modelo está em evolução”, ressalta Travassos.
“A intenção é ter modelos diferentes para o Fundão, para a Praia Vermelha e outros campi. E vamos tentar buscar parâmetros adicionais que dizem respeito ao funcionamento da universidade, como a disponibilidade funcional, de estrutura”, contou o professor, que fez questão de reafirmar que o Covidímetro da UFRJ não vai ser determinante para decidir se as atividades presenciais voltam ou não, mas vai ser uma das informações que poderá subsidiar a decisão.

WEBABRE1138As mulheres ocupam 57% das vagas de graduação no país, 55% das vagas de mestrado e 54% de doutorado. Mesmo assim, no estado de São Paulo, a presença de mulheres na carreira universitária não chega a 30%. O cenário piora quando se olha para os órgãos da estrutura de políticas científicas. O CNPq nunca teve uma mulher na presidência, e 85% dos presidentes da Capes eram homens. Em 2017, os homens recebiam 74% das bolsas de produtividade mais altas. Os dados integram pesquisa da socióloga e professora da Universidade Federal do ABC (UFABC), Maria Carlotto. “A desigualdade vai aumentando ao longo da carreira acadêmica. É o que chamamos de teto de vidro”, analisou, durante o Festival do Conhecimento, em debate organizado pela AdUFRJ, dia 20.03WEB menor1138
Com o tema “A pandemia e a participação das mulheres na produção acadêmica e na vida política das universidades”,  a discussão foi mediada pela presidente do sindicato, a professora Eleonora Ziller. “Essa é uma mudança estrutural de longo prazo que temos de combinar com esse alerta permanente e a luta por espaço”,  afirmou Eleonora. “Isso está ligado a uma segregação horizontal, que é o fato de as mulheres estarem concentradas em algumas áreas muito específicas do conhecimento”,  completou Maria Carlotto.
Estudos recentes mostram que a desigualdade de gênero na estrutura de poder da academia se acentuou severamente durante a pandemia. Um desses estudos é coordenado pela professora Fernanda Staniscuaski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que também integrou a mesa organizada pela AdUFRJ. Ela criou o Parent in Science, em 2016, uma iniciativa para discutir a maternidade dentro da academia. A ideia do grupo veio da experiência pessoal da pesquisadora, que começou a se sentir injustiçada no meio científico por ter que dedicar tempo para cuidar dos três filhos. “Toda decisão que eu tinha tomado na minha vida até aquele momento tinha levado em consideração apenas minha vida profissional. Quando decidi ter filhos, o sistema disse ‘você não está produzindo como a gente gosta, então a gente não quer mais você aqui’”, contou.03aWEB menor1138
Nos meses de abril e maio deste ano, o grupo entrevistou docentes, alunos e alunas de pós-graduação sobre as dificuldades de trabalhar durante o isolamento social. Segundo o levantamento, 70% dos homens estavam conseguindo manter a rotina de trabalho acadêmico durante a pandemia, contra apenas 50% das mulheres. Já do grupo de mulheres com filhos apenas 45% estavam conseguindo produzir, contra 65% dos homens com filhos. Se considerado o recorte racial, apenas 45% das mulheres negras estavam conseguindo trabalhar no período. “Se não fizermos nada, 2020 será o ano em que a desigualdade na Ciência será acentuada porque quem está produzindo, conseguindo cumprir prazos e concorrendo a editais de financiamento e bolsas é um grupo bem específico”, disse a pesquisadora.
03bWEB menor1138Para Maria Carlotto, que também é presidente da ADUFABC, uma das soluções seria a progressão automática para professores e professoras pelos próximos dois anos. “É impensável a gente seguir avaliando a nossa carreira como se 2020 fosse um ano normal”, explicou. Ela também defendeu que 2020 seja considerado uma exceção na avaliação dos pesquisadores para as agências de fomento. “É importante que haja um fator especial que suspenda os efeitos do ano de 2020 sobre a avaliação da Capes, sobre bolsas de produtividade, sobre o credenciamento em programas de pós-graduação. Vamos precisar de um processo de avaliação que leve em consideração o fator humano em 2020”, defendeu.
Professora da Universidade Federal do Ceará e vice-presidente da ADUFC, Irenísia Oliveira falou das dificuldades da vida sindical para as mulheres. “Como a mulher não é estimulada a ocupar esse lugar de poder, é uma ocupação que exige muita dedicação”, afirmou. “E por mais compreensiva que a família seja, ela cobra uma presença maior da mulher”. Irenísia salientou que os cursos de ciência dura deveriam ser repensados para abrir mais espaço para mulheres. “São cursos muito áridos, que dão continuidade a essa cultura de que matemática não é para mulher”. A professora voltou à questão da segregação horizontal para observar que as áreas consideradas como das mulheres são desvalorizadas. “Chegam a questionar se essas áreas são Ciência. Vai se criando uma hierarquização em vários níveis, com dualidades que não nos servem. O que vai ser atribuído à mulher é desvalorizado, o que vai ser atribuído ao homem é valorizado”, criticou.

Topo