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A nossa batalha é pela vida

WEBABRE1130Enquanto fechávamos a edição passada do nosso jornal, ia ao ar a gravação da fatídica reunião ministerial de 22 de abril. O maior paradoxo da recepção daquelas imagens foi termos a sensação de que ali não havia nenhuma novidade, acompanhada de um verdadeiro horror pela confirmação indiscutível do que temos dito desde que o governo Bolsonaro tomou posse: somos nós o seu inimigo. E o ministro da Economia não hesitou nem um segundo para dizer que estava tudo bem, pois já havia colocado em nossos bolsos uma granada. A tônica da reunião ministerial seguia o líder: tiro, porrada e bomba. No decorrer da semana, a gravação foi sendo digerida e suas consequências foram sendo percebidas. O inacreditável aconteceu, porque em tempos normais não se concebe que uma decisão praticamente unânime do Senado, que confirmou a decisão do Congresso de colocar os profissionais da educação ao lado dos profissionais da saúde, excluindo-os do congelamento dos salários dos servidores públicos, fosse vetada pelo presidente da República. Não há surpresa, porque é dessa forma que temos sido tratados desde a sua posse, mas é grave sinal de desprezo pela democracia. Da balbúrdia às plantações de maconha, as universidades públicas brasileiras vêm sendo alvo dos mais torpes ataques de quem ocupa o cargo de ministro da Educação. Entretanto, os cortes de verbas orçamentárias e suspensão de benefícios não foram capazes de silenciar a pesquisa científica nem mesmo impedir a assistência à saúde da população. Junto com a Fiocruz e tantas outras instituições de pesquisa no país, foi possível construir ações, produzir dados e enfrentar uma verdadeira guerra contra o negacionismo presidencial.
Sim, durante a semana ficou evidente que a guerra não é retórica. Ela está sendo anunciada, preparada... E só há uma grande tarefa para todos nós: é preciso deter essa máquina de destruição na qual se transformou o governo federal. E se eles estão se preparando, nós também precisamos nos preparar. Se a pandemia exige o nosso distanciamento social, a defesa da democracia e da vida nos obriga a construir laços mais fortes de solidariedade e unidade política. Não fugiremos ao nosso dever histórico. A última sessão do Conselho Universitário já demonstrou que teremos energia e coesão interna para isso. Após duas semanas de intenso debate e muitas divergências, o colegiado máximo da UFRJ se debruçou de forma colaborativa e responsável sobre a Resolução que irá orientar o trabalho na universidade durante a pandemia. Seriedade, senso de justiça, equilíbrio, respeito à legislação e fortalecimento da autonomia universitária: não houve quem desafinasse ou fugisse a esse diapasão. O caminho pode ser mais difícil e demorado, mas a UFRJ mais uma vez respondeu com o aprofundamento da democracia e o fortalecimento das decisões colegiadas.
02WEB menor1130Os dias estão difíceis. O país caminha para a vergonhosa marca de 30.000 mortos e 500.000 contaminados pelo coronavírus, com ministro da Saúde interino. Não descansaremos um só dia, ainda que já comecem a ensaiar uma nova campanha contra a universidade, tirando o fantasma do Future-se, que havia sido recolhido ao armário, e voltando à carga com a farsa de um ensino à distância como panaceia para resolver a grave crise que enfrentamos, e enfrentaremos daqui para frente. Assim como não compramos a cloroquina, não cederemos a um projeto de precarização de nosso trabalho e barateamento da formação de nossos estudantes. A diretoria da AdUFRJ compreende a necessidade da construção de novos métodos e soluções que utilizem plataformas digitais, sistemas on-line, programas e aplicativos diversos. Essa nova realidade será enfrentada com a mesma dignidade e coerência que demonstramos na regulamentação do trabalho remoto: haverá divergências, embates, discussões. Construiremos uma saída ética e política, que não abandone os estudantes, que responda com criatividade, responsabilidade e firmeza, sem abrir mão da qualidade do ensino.

Diretoria da AdUFRJ

O diretor do Museu Nacional, professor Alexander Kellner, fechou a Semana Nacional de Museus com uma participação especial na TV AdUFRJ. Ele fala dos planos de reabertura da instituição, a partir de 2022, e comenta da série de comemorações pelo Dia Internacional dos Museus. Confira!

WEB menor112906Na noite de quinta-feira (21), a reitoria suspendeu a polêmica portaria nº 3.188, que regulamentava o trabalho remoto na UFRJ. A medida representa uma vitória da mobilização dos sindicatos e da comunidade acadêmica contra as normas consideradas excessivas. Mas não elimina a ameaça de que o governo corte os adicionais ocupacionais e o auxílio-transporte daqueles que estão trabalhando em suas casas. Instruções Normativas do Ministério da Economia cobram a retirada dos valores.
“Estamos revendo a portaria, ouvindo a comunidade, os diretores de unidade, chefes de DP (Departamento de Pessoal). Como havia muitas dúvidas, decidimos suspender”, afirmou a reitora Denise Pires de Carvalho.                             
 A professora não garantiu se haveria uma nova orientação interna à universidade antes do fechamento da próxima folha. Mas disse que as Instruções Normativas continuam válidas, com ou sem portaria nova. Ou seja, a universidade ainda precisa informar quem está em atividade remota.
A reitora informou que o grupo de trabalho criado no Consuni (veja matéria abaixo) para discutir o trabalho remoto na UFRJ deverá se reunir na próxima semana. O GT terá acesso a todas as sugestões para mudar a portaria — agora suspensa — que estavam sendo remetidas para pró-reitoria de Pessoal até sexta (22), data de fechamento desta edição.
A diretoria da AdUFRJ e a assessoria jurídica avaliam a nova situação. Um posicionamento da associação deve ser apresentado à plenária de decanos e diretores, na próxima semana. Em paralelo, existe a expectativa pelo trabalho no GT e pelo resultado da ação judicial conjunta entre AdUFRJ e Sintufrj contra os eventuais cortes. Uma sentença recente que protegeu o adicional de insalubridade dos servidores da Universidade Federal de Pernambuco anima as expectativas.
A medida de suspensão da portaria foi bem recebida. “Muitos diretores de unidades, conselhos de centros, decanos pediram a revisão da portaria, além dos sindicatos. Ao copiar o modelo proposto pelo governo, a norma era uma violência contra as tradições da vida universitária”, afirmou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. Também continua a orientação da AdUFRJ pelo não preenchimento dos formulários, que constam das instruções normativas do governo.

DEBATE INTENSO
O debate sobre a regulação do trabalho remoto foi intenso na UFRJ, nos últimos dias. Reuniões e debates virtuais com as entidades representativas da comunidade universitária discutiram mudanças na portaria nº 3.188, agora suspensa.
 “A portaria era extremamente excessiva no detalhamento”, criticou a presidente da AdUFRJ. “Misturava condições de um trabalho remoto a ser solicitado pelo servidor docente ou técnico com a normatização imediata de uma situação excepcional e urgente que é a pandemia”, completou. “A portaria do trabalho remoto tomou esta dimensão por conta do que é esse governo”.  
Apesar de Bolsonaro e sua equipe, a presidente da AdUFRJ acredita que a reitoria pode promover alterações nas normas internas à universidade. “Todo mundo aponta a necessária manutenção de um grau de autonomia das unidades acadêmicas. A portaria não precisa detalhar, mas dar orientações gerais”, explicou. O objetivo seria contemplar a diversidade do trabalho docente em toda a UFRJ.
AdUFRJ e Sintufrj realizaram uma reunião com a reitoria na segunda (18) à noite. De acordo com o professor Felipe Rosa, diretor da AdUFRJ, a administração central reafirmou a impossibilidade de preservar os adicionais por mais tempo diante da pressão da Economia e da Advocacia-Geral da União.  “Outras universidades já cortaram insalubridade e auxílio. E de forma retroativa”.

SINTUFRJ CRIA GT
O Sintufrj montou um grupo de trabalho para organizar as propostas dos técnicos para o trabalho remoto. Em uma live no canal do sindicato no Youtube, na tarde de terça-feira, os integrantes do GT apresentaram os argumentos que foram levados ao Consuni.
Carlos Maldonado, ex-diretor da Fasubra e do Sintufrj, apontou uma grave contradição no conjunto de normas do Executivo Federal. A lei nº 13.979, que dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública, estabelece que “será considerado falta justificada ao serviço público ou à atividade laboral privada o período de ausência decorrente das medidas previstas”, como o isolamento e a quarentena. E o Regime Jurídico Único dos servidores federais determina que “as faltas justificadas decorrentes de caso fortuito ou de força maior poderão ser compensadas a critério da chefia imediata, sendo assim consideradas como efetivo exercício”. Ou seja, sem perda de adicionais ou auxílios. “Se a pandemia não é força maior, não sei o que é”, ironizou o integrante do GT. Em último caso, Maldonado pondera que os servidores poderão acionar o dispositivo para garantir os contracheques intactos.

Consuni cria GT para propor nova portaria

A reitoria organizou um grupo de trabalho para propor mudanças na regulamentação do trabalho remoto da UFRJ. O anúncio foi feito no Consuni extraordinário realizado na quarta (20). A AdUFRJ e o Sintufrj fazem parte do GT.
A reitora Denise Pires de Carvalho afirmou que a Portaria nº 3.188 — agora suspensa — era uma prerrogativa da administração central. A professora rebateu críticas de que o documento foi publicado de forma precipitada. “Não foi de maneira açodada. Só foi publicada em maio, enquanto a maioria das universidades publicou suas portarias entre março e abril. E só após a Instrução Normativa de 29 de abril, que acabou com qualquer possibilidade de ação nossa no campo administrativo”, argumentou.
Denise informou que o envio dos códigos de trabalho remoto poderá gerar o desconto retroativo dos valores pagos de adicionais e vale-transporte. “Em outras instituições, já levou à perda desses valores de forma retroativa, a partir de março. Independentemente de quando foram enviados esses códigos”, esclareceu. A reitora disse que a medida do governo é um ataque aos servidores, que aumentaram seus gastos em casa na quarentena obrigatória.
Vânia Godinho, representante dos técnico-administrativos no Consuni, afirmou que a universidade não pode entrar na lógica do governo federal. “Tivemos um aumento de gastos em casa para garantir a manutenção de nossas atividades, a prestação dos nossos serviços. É preciso caminhar junto com o corpo social e não trazer mais sensação de insegurança”, declarou.
O vice-reitor, professor Carlos Frederico Leão Rocha, alegou não ser possível deixar de informar os códigos no sistema eletrônico de frequência. “Não enviar os códigos incorre em mentira, quando é notório que muitas unidades estão fechadas a cadeado. Quando é claro e notório que há uma nota colocando boa parte da universidade em trabalho remoto. Precisamos preservar a imagem da instituição”.
A professora Lina Zingali, do CCS, solicitou que a universidade publique uma nova portaria que espelhe as discussões e consensos da comunidade acadêmica. “Precisamos de um documento que atenda um pouco melhor as necessidades do nosso corpo social. Precisamos de mais discussão. Outras universidades possuem códigos que permitem outras possibilidades de atuação”, justificou. (Silvana Sá)

2º CineAdufrj
 


Universo do Trabalho e do Trabalhador - 27/05 e 10/06


cineadufrjA temática sobre o universo do trabalho será dividida em duas sessões de cinedebate. A primeira, com o Professor Paulo Pontes do Instituto de História da UFRJ terá olhar sobre a sociedade industrial por meio de cenas emblemáticas de quatro filmes. Temas como os processos de trabalhos fabris, a exploração do trabalhador, a insatisfação da classe trabalhadora, a organização e a luta operária e, ainda, questões concernentes à comunidade atravessarão o debate. A montagem com as cenas selecionadas será exibida durante o cinedebate. 


Lista de filmes: 

Tempos Modernos, de Charles Chaplin (1936).

A Classe Operária Vai ao Paraíso, de Leon Hirszman (1971).

Os Companheiros, de Mario Monicelli (1963).

Eles Não Usam Black Tie, de Leon Hirszman (1981).

A segunda sessão será sobre as novas configurações das relações de trabalho, como o chamado capitalismo de plataforma ou uberização. Mais detalhes serão divulgados em breve.

https://bit.ly/2LWjmEz

Problemas vão além do laptop e da banda larga

WEB tab4corrigidaOs números não mentem, mas omitem. Quem observa as tabelas do levantamento da reitoria pode concluir que a implantação de um sistema de aulas remotas na UFRJ é algo tecnicamente simples e quase consensual politicamente.  Ledo engano. Não há nada simples e muito menos consensual na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Os estudantes, por exemplo, aparecem nos gráficos com razoáveis condições de conexão.  Dos 17.690 alunos de graduação que responderam ao questionário,  16.098 têm banda larga. Nos alunos de pós, o percentual chega a 93%. Entre os docentes, a taxa é ainda mais elevada – 98%.
“Evidentemente que há um vício de origem nesse questionário. Foi enviado pela internet e pode-se supor que apenas quem tinha acesso respondeu”, pondera a professora Eleonora Ziller, presidente da AdUFRJ.  “Isso, no entanto, não  invalida os recados que o levantamento oferece”.
O principal recado, na opinião da diretoria da AdUFRJ, é que a UFRJ precisar incluir os excluídos antes de recomeçar as aulas. Significa que o retorno deve  levar em conta três grupos: 1. quem não tem banda larga em casa; 2. os que não responderam o questionário, caso de dois terços dos alunos; 3. os 18% de estudantes e 15 % de professores que disseram ser contra o ensino remoto.
WEB menor112904a“Não queremos aulas somente para os que concordam com ensino remoto ou apenas para quem têm boa conexão. Queremos aulas para todos. E isso é muito mais do que oferecer tecnologia. É  conhecer as condições subjetivas dos alunos durante a quarentena, se têm filhos, se dividem os aposentos e os equipamentos, se estão com condições de saúde mental e física”, resume Kemily Toledo Quiroga Leite, mestranda da Faculdade de Educação e diretora da Associação de  Pós-Graduandos, APG. “O questionário não mediu indicadores socioeconômicos relevantes. E mais grave, as entidades estudantis não foram chamadas para planejar as perguntas nem para participar do GT sobre o retorno das aulas”.
Em meados de abril, a reitoria criou o grupo de trabalho Formas Alternativas de Ensino, que logo encomendou à Superintendência de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) o levantamento sobre o acesso à internet. Apenas 14 professores participam do GT. As entidades representativas dos três segmentos foram convidadas há duas semanas. “Tinhamos que fazer algo rápido”, justifica o coordenador do GT, e vice-reitor, professor Carlos Frederico Leão Rocha. Ele reconhece limitações no questionário, mas acha que ele oferece um razoável ponto de partida para mapear carências que devem ser sanadas antes do recomeço do semestre.  “A  TIC preparou o questionário em 15 dias. É pouco tempo. Tem falhas, mas traça um quadro”,  explica o vice-reitor.  “A sociedade quer o retorno das aulas na UFRJ.  Isso não é da noite para o dia. Temos que oferecer um material consistente para subsidiar as decisões de colegiados superiores e  encontrar soluções para a redução das barreiras” .
As barreiras não existem apenas entre os estudantes. “Precisamos treinar os professores. Por mais que os docentes tenham acesso maior e melhor à tecnologia, a grande maioria não está acostumada a dar aulas remotas.  Uma aula pela internet não é igual a uma aula presencial”, explica o professor Bruno Souza de Paula, do Instituto de Física, integrante do GT e coordenador de ensino a distância da UFRJ.  “Não podemos fazer EaD. Podemos fazer aulas remotas e mesmo assim precisamos pensar como resolver as disciplinas práticas”.
WEB menor112904bOutra questão importante é o treinamento dos técnicos.  “Não há aulas apenas com professores e alunos. Os técnicos são fundamentais e estão sofrendo muito com a sobrecarga da pandemia”, pondera Joana de Angelis, diretora do Sintufrj.  “Temos que levar em conta os mais vulneráveis”, resume a diretora do DCE, Natália Borges. “Essa não é uma equação fácil. Os mais vulneráveis, por exemplo, são os formandos de baixa renda que precisam se formar logo”, pondera a presidente da AdUFRJ.  “Temos que enxergar essas nuances com calma”.

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