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A UFRJ enviou na nesta sexta-feira, 8/5, um ofício ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em que recomenda o lockdown, ou seja, isolamento total no estado face à pandemia da COVID-19. O documento é assinado pela Reitoria da UFRJ, que consultou seu Grupo de Trabalho (GT) Multidisciplinar para Enfrentamento da COVID-19, do qual participam dezenas de cientistas da maior universidade federal do país.

O MPRJ solicitou informações à UFRJ, na última quarta-feira (6/5), acerca de estudos para auxiliar gestores públicos na tomada de decisão quanto a medidas mais rígidas de isolamento social.

Para a Universidade, o lockdown deve-se somar a ações que deem condições básicas de manutenção da vida e da saúde, por meio da garantia de abastecimento em geral – mas em especial de gêneros alimentícios e medicamentos –, segurança, serviços essenciais de entrega em domicílio e autorização de circulação a partir de autodeclaração, em caso de extrema necessidade e com obrigatoriedade do uso de máscaras.

Para que o lockdown seja eficiente e eficaz, a UFRJ sugere que sejam observadas as seguintes ações, 11 ao todo:

1. definir critérios explícitos, mensuráveis, e inteligíveis sobre a evolução da epidemia e as condições que garantam o término e consequente saída programada do isolamento;

2. ampliar a comunicação social, disponibilizando oportunamente à população informação atualizada e clara sobre a evolução da epidemia;

3. promover a colaboração mútua entre lideranças comunitárias e serviços públicos atuantes na distribuição de produtos de higiene e de alimentos e na disseminação das informações relacionadas à necessidade e importância do isolamento social;

4. centralizar na esfera estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) a cadeia de comando dos sistemas de saúde público e privado, promovendo uma gestão coordenada entre unidades hospitalares, de urgência, ambulatoriais e de atenção primária à saúde;

5. garantir a concretude dos planos de aparelhamento e abertura de leitos hospitalares (inclusive das ações de provisionamento de recursos humanos e insumos estratégicos) para suprir as demandas assistenciais da população afetada pela COVID-19 em todos os níveis de complexidade;

6. assegurar maiores repasses do governo federal para ampliação de recursos para áreas prioritárias e compensar queda de arrecadação de forma a manter o pleno funcionamento dos serviços públicos estaduais;

7. garantir as condições básicas de sobrevivência dos cidadãos, com medidas de transferência de renda para população e acesso às condições mínimas de segurança alimentar e aos serviços de saúde, de forma a permitir o respeito às medidas de isolamento social;

8. garantir a continuidade da provisão de serviços de utilidade pública – como água, esgoto, gás, energia elétrica –, que estão sujeitos à inadimplência por descontinuidade dos fluxos de renda;

9. garantir o auxílio a empresas na forma de crédito para capital de giro a baixo custo;

10. garantir a infraestrutura de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), a fim de manter os serviços de internet em funcionamento tanto para os gestores estaduais e municipais quanto para a população em geral;

11. garantir a troca de informações de casos entre estados e municípios do estado de Rio de Janeiro de forma a constituir uma base única de consulta e inserção da informação.

Por que a recomendação de lockdown?

Entre as justificativas que embasaram o GT estão as experiências internacionais e as projeções modeladas nos grupos científicos da UFRJ que alertam que o aumento de casos de COVID-19 provocará colapso do sistema de saúde em curto espaço de tempo, e que o mês de maio será o mais crítico em relação à incidência da doença.

Além disso, análises preliminares realizadas por grupos de estudo da UFRJ sugerem que a redução da mobilidade urbana nos transportes públicos da região metropolitana do Rio sequer atingiu 50%, patamar considerado insuficiente para o controle da curva de crescimento da COVID-19. A baixa adesão às medidas de restrição da mobilidade, somada às aglomerações observadas em diversas localidades, tem se mostrado um obstáculo para a redução da transmissão da doença no Rio.

Paralelamente a isso, a taxa de crescimento da incidência de COVID-19 na cidade e no estado do Rio, na última semana (em especial desde 1/5), conforme apresentado no portal http://dadoscovid19.cos.ufrj.br, está acima das taxas médias observadas em todo o país.

Leia o documento na íntegra.

(Fonte: UFRJ)

1enemFoto: Marco Fernandes (Coordcom/UFRJ)Na sexta-feira (8/5), a reitora da UFRJ, Denise Carvalho, assinou documento que pede ao Ministério da Educação (MEC) o adiamento da edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em função da pandemia da COVID-19.

O documento também é assinado pelos dirigentes das seguintes instituições: Universidade Federal Fluminense (UFF), Instituto Federal Fluminense (IFF), Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo), Colégio Pedro II, Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Os dirigentes signatários da nota repudiaram “qualquer tentativa de difundir uma sensação de normalidade falseada, como a manutenção do cronograma do Enem 2020, o qual, caso mantido, ampliará as desigualdades de acesso ao ensino superior.”

A UFRJ é a maior universidade federal do país e o Enem é a porta de acesso principal às 9,5 mil vagas anuais de seus 176 cursos de graduação.

Leia na íntegra abaixo ou acesse a versão PDF.

O Enem deve ser adiado

Nós, dirigentes máximos das Instituições Públicas de Ensino no Estado do Rio de Janeiro, engajados em planejar regras seguras de pós-confinamento, protocolos de convivência e de saúde dentro de um cenário de notório descontrole pandêmico e colapso das redes hospitalares que mais nos aproximam de um lockdown nas principais regiões do país, assistimos com perplexidade e desaprovação à decisão de manutenção do calendário do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, conforme publicação do edital n° 25, de 30 de março de 2020, divulgada pelo site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Neste momento o Brasil contabiliza mais de 120 mil casos de contaminação e 8 mil mortos, com a ameaça de novos e futuros ciclos pandêmicos, em virtude dos quais o tempo de isolamento social não pode, hoje, ser seguramente definido.

É crível que esses indicadores se tornarão maiores nas próximas semanas e, com eles, a desigualdade social, já tão evidente em nosso cotidiano.

Os estudantes brasileiros em vulnerabilidade social lutam pela defesa de suas vidas, pelos cuidados com a saúde, pelo cuidado de seus familiares, seguindo as orientações de isolamento social reiteradas pelas autoridades sanitárias nacionais e internacionais. Milhões desses estudantes não têm acesso à tecnologia ou à internet, o que impede ações pedagógicas similares ao cotidiano escolar com aulas presenciais.

Vários países, como China, EUA, França e Inglaterra, adiaram seus exames nacionais para acesso ao ensino superior por acreditarem ser a decisão mais legítima e democrática a ser tomada neste momento pandêmico.

Diante desse contexto, repudiamos qualquer tentativa de difundir uma sensação de normalidade falseada, como a manutenção do cronograma do Enem 2020, o qual, caso mantido, ampliará as desigualdades de acesso ao ensino superior.

Repelimos também a retórica contida na propaganda oficial do governo e difundida por diferentes mídias que foram utilizadas para divulgar o cronograma do Enem.

Finalmente, reiteramos a importância fundamental das universidades públicas, dos institutos federais, dos centros federais de educação tecnológica e do Colégio Pedro II, que, no cumprimento de sua missão social, acadêmica e científica, a despeito das adversidades, se constituem como referência educacional e científica no país, na América Latina e no mundo. É nosso compromisso que nenhum estudante tenha o seu ingresso na universidade prejudicado pela crise da COVID-19.

Assim, solicitamos ao Ministério da Educação que corrija o equívoco cometido ao não adiar o calendário do Enem 2020 e postergue as datas de inscrição e realização das provas, como recomendado, inclusive, pelo Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed).

Antonio Claudio Lucas da Nóbrega (reitor da UFF)

Denise Pires de Carvalho (reitora da UFRJ)

Jefferson Manhães de Azevedo (reitor do IFF)

Marcelo de Sousa Nogueira (diretor-geral do Cefet/RJ)

Maria Cristina de Assis (reitora da Uezo)

Oscar Halac (reitor do Colégio Pedro II)

Rafael Barreto Almada (reitor do IFRJ)

Raúl Ernesto López Palacio (reitor da Uenf)

Ricardo Luiz Berbara (reitor da UFRRJ)

Ricardo Lodi Ribeiro (reitor da Uerj)

Ricardo Silva Cardoso (reitor da Unirio)

(Fonte: UFRJ)

O poeta e o equilibrista

1127WEBABRENinguém precisa ter mais de cinquenta e cinco anos e ter participado da luta pela anistia para reconhecer e amar a canção “O bêbado e o equilibrista” como um dos mais belos hinos à liberdade composto em língua portuguesa, além de ser poesia da mais alta voltagem e poderosa interpretação da vida desigual e autoritária brasileira. Mas para quem tem mais de cinquenta e cinco anos e participou da luta pela anistia, ela se tornou uma síntese poderosa, a expressão densa e extraordinária de todas as nossas dores e esperanças. Ainda me lembro do impacto que me causou ouvir atentamente a letra, depois que já a sabia de cor! Eu tinha pouco mais de quinze anos, cantava sem perceber muito como ela começava, todo o resto era lindo demais, e deixava meio de lado o estranho verso: “Caía a tarde feito um viaduto”. Até que alguém, mais velho e experimentado nesses detalhes, me chamou a atenção para tudo que o Aldir Blanc condensara em tão poucas palavras. O cair da tarde, imagem mais do que banal e hiper explorada em tantas canções e poemas, vinha acompanhada de um viaduto. A tarde cai, mas cai como um viaduto. Viadutos caem? Não caem todos os dias, de forma natural, como o sol, que ao se pôr, naquela época, passava a receber os aplausos da juventude dourada de Ipanema. Filho do gigantismo e da concepção autoritária de urbanismo na era militar, o viaduto que caiu foi o elevado da Av. Paulo de Frontin, em 1971, matando dezenas de pessoas, quando entrava em fase de testes, depois de destruir uma das mais belas e arborizadas ruas do Rio de Janeiro. Assim como a ponte Rio-Niterói e a conclusão da Perimetral, foram obras de intervenção na cidade que se viabilizavam pela natureza autoritária e impositiva do governo. A derrocada do viaduto foi muito simbólica, em pleno milagre econômico, era um testemunho monumental da tragédia nacional, de um país submetido a um governo violento, autoritário, concentrador de renda e corrupto. Foi um acidente explícito demais para ser controlado pela imprensa e silenciado pela censura, como fizeram com os operários que atuaram na construção da ponte Rio-Niterói, mortos e concretados junto com os pilares da ponte, e que jamais tiveram seus corpos encontrados. Os números oficiais que os contabilizaram não tinham transparência nem confiabilidade. Essas tragédias estavam ali – “Caía a tarde feito um viaduto, e o bêbado trajando luto me lembrou Carlitos” – e eu só conseguia arregalar os olhos e me encher de admiração pelo trabalho de um grande poeta.
Apenas por essa canção, ele já seria um dos grandes nomes de nossa história cultural.
Mas ele foi muito mais do que isso. O encontro com João Bosco produziu um conjunto de canções que reescreveram a história do país e interpretaram a estrutura profunda de nossa sensibilidade e pensamento. Em tempos de fim de ditadura, de embates com a censura, ele jamais foi um vendedor de ilusões, mas um construtor de realidades potentes e criador imbatível de personagens inesquecíveis, sejam eles Vanderlei e Odilon, Leonor ou Dagmar, que povoam a nossa imaginação e ganham vida própria, como Esmeraldo Simpatia é Quase Amor, do livro de crônicas “Rua dos Artistas e Arredores”, que deu nome a um dos blocos mais populares da cidade. Deboche, malandragem, ironia estão nas crônicas, nas letras, nos poemas onde convivem com a delicadeza das almas de vida noturna, dos amores juvenis, da vida suburbana, atravessada também de melancolia e abandono.  
Aldir Blanc é muito maior do que as circunstâncias que o criaram. Muito mais do que alguém que embalou os melhores sonhos de uma geração, a potência de suas obras atravessará os anos, mas para nós que vivemos cada lance da história recente do país, que construímos do jeito que deu a nossa frágil democracia, ele será o nosso grande parceiro, aquele em quem confiávamos, porque afinal, amigo é pra essas coisas.
Fará muita falta, mas quando a saudade apertar, a gente vai sempre lembrar da esperança equilibrista, e que o show tem que continuar!

ELEONORA ZILLER
Presidente da AdUFRJ

WhatsApp Image 2020 05 08 at 13.07.26A AdUFRJ achou na tecnologia um jeito de integrar os professores. Usando o Zoom,  o sindicato tem organizado diversas reuniões durante a quarentena, com destaque especial para o “Sextou - Tamo Junto”, um bate-papo entre os professores.

A convidada especial da conversa desta sexta-feira (8), às 18h30, é a professora Maria Paula, do Instituto de História.

Para participar, é fácil: a partir das 17h15 você envia uma mensagem para o whatsapp da AdUFRJ (21) 99365-4514 e nós te enviamos o link de acesso à nossa sala no ZOOM. Se você ainda não conhece o aplicativo, acesse zoom.com e instale em seu computador ou celular.

WhatsApp Image 2020 05 06 at 09.38.11A AdUFRJ convida todos os professores a participar de uma manifestação em defesa da Ciência nesta quinta-feira, 7 de maio. Os pontos de encontro serão o Congresso Nacional e a Cinelândia. E ninguém vai furar as recomendações da Organização Mundial da Saúde para evitar aglomerações e, por consequência, a disseminação do coronavírus. Como? A SBPC adaptou para o Brasil o aplicativo Manif.app, ferramenta criada na França para a realização de protestos virtuais.
Os apoiadores da Marcha Virtual pela Ciência usarão o aplicativo que permite posicionar o próprio avatar em um mapa interativo. Muito simples de navegar, o Manif.app usa o serviço colaborativo Open Street Map (equivalente ao Google Maps). Qualquer pessoa pode organizar um evento online, convidando outras pessoas a irem ao mesmo lugar por meio de contatos ou redes sociais ou participar de um já organizado.

O manifestante também pode personalizar seu avatar, associando-o a uma “placa” na qual escreve um protesto. Daí, basta arrastar seu avatar vermelho (representando uma silhueta) para o mapa digital no local da demonstração e, assim, exibir seu apoio, com seu próprio cartaz. Ele é visível publicamente no mapa, junto de todos os outros avatares. “Nós utilizaremos o Manif.app para que todos possam marcar presença no dia da Marcha Virtual Pela Ciência, do sofá de suas casas, sem risco de contaminação pelo coronavírus”, comenta a diretora da SBPC, Claudia Linhares. A cientista foi a responsável pela tradução do aplicativo.

A ferramenta foi criada por Antoine Schmitt, programador e artista francês, apoiado por uma rede de artistas politicamente engajados, em particular pela sua companheira, Hortense Gauthier, artista performática. A ideia do Manif.app nasceu durante as manifestações dos Coletes Amarelos (Gillets Jaunes), em 2019, e nos protestos contra a reforma da previdência na França, “ambas fortemente reprimidas com violência pelo governo”, diz Schmitt. Segundo ele, o confinamento por conta da Covid-19 e a gestão catastrófica dessa crise sanitária pelo governo francês também influenciaram na idealização do aplicativo. “O manif.app nasceu da frustração e do desejo de dar outra forma de poder ao povo.”


MANIFESTE-SE VIRTUALMENTE EM APENAS 3 PASSOS:

    1. Acesse o aplicativo manif.app, no link https://bit.ly/3flVmsd
   2 Clique no botão “manifestar-se”. Seu avatar, de cor vermelha, aparece no mapa,
   3  Arraste o seu boneco no mapa até a manifestação em frente ao Congresso Nacional, em Brasília (DF), ou para a Cinelândia, no Centro do Rio.

DICAS:

#1: Se desejar segurar um cartaz, escreva seu recado no campo de “slogan” no topo do lado esquerdo da tela.

#2: A vida do seu avatar é de 24 horas. Se desejar prorrogá-la, mude o seu slogan ou posição antes do final das 24 horas de sua criação.

#3: Se deseja acompanhar o número de manifestantes, clique regularmente em  “atualizar” no topo da tela.
(Fonte: com informações do Portal da SBPC)

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