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Representantes da comunidade científica e políticas ligadas às universidades se reuniram com o governador do Rio, Ricardo Couto - oto: DivulgaçãoA Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado será recriada, garantiu o governador em exercício do Rio, Ricardo Couto. O anúncio foi feito 24 horas depois de o próprio governador extinguir a pasta. A mobilização da comunidade acadêmica e a pressão para a recriação da SECTI fizeram Couto recuar da decisão. O governador se reuniu no dia 7 com parlamentares e reitores das universidades do Rio. Uma comissão formada pelos dirigentes da UFRJ, UFF, Uenf e Uerj apresentará as novas bases para a refundação da secretaria.
Reitor da UFRJ, o professor Roberto Medronho participou do encontro. “Em dez dias, vamos apresentar, por meio desta comissão, uma proposta para a nova secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do nosso estado", contou o dirigente.
No encontro com o governador, Medronho defendeu um novo modelo de fomento à pesquisa. “Precisamos de uma política de CT&I para o nosso estado que envolva todos os setores – universidades, institutos de pesquisa, setor produtivo, governo, sociedade – para enfrentar os grandes gargalos para o desenvolvimento social e econômico do nosso estado”, disse o reitor. “O governador se colocou bastante sensível à proposta”, afirmou.
A secretaria havia sido desmontada no dia 6. No ato, o governador exonerou subsecretários e cargos de chefia da SECTI. A pasta foi unificada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico. A medida, anunciada como forma de reduzir custos e reorganizar a máquina pública, gerou forte reação da comunidade científica do estado e de parlamentares.
A ADUFRJ acompanhou o caso com preocupação. “Estamos acompanhando atentamente o processo em curso relativo à Secretaria estadual de C&T”, declarou a professora Ligia Bahia, presidenta do sindicato. “Será imprescindível obter garantias, especialmente para o pleno funcionamento da Uerj e demais instituições estratégias para o ensino e pesquisa, que integram o organograma da SECTI”, afirmou, no dia da publicação do ato do governador no Diário Oficial do estado.
Para a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a medida foi além de uma reorganização administrativa, já que resulta no enfraquecimento institucional do segundo maior sistema estadual de ciência e tecnologia do país. “A SBPC apoia sem reservas a apuração de irregularidades, a correção de procedimentos e o restabelecimento da conformidade na administração pública. Esse é um dever de qualquer gestão, e a comunidade científica é a primeira interessada em que os recursos da ciência sejam aplicados com transparência e regularidade. Mas é preciso distinguir com clareza duas coisas que o decreto confunde: falhas de gestão e a existência da política pública”, afirma trecho da nota publicada pela instituição.
A Associação Nacional de Pós-Graduandos publicou nota com duras críticas à decisão do governador em exercício. De acordo com o documento, os pós-graduandos compreendem que o Governo do Estado do Rio de Janeiro vive um “estado de calamidade política, financeira e administrativa”, mas que não justifica reduzir uma estrutura voltada a uma política pública. Para a ANPG, essa decisão também atinge diretamente milhares de mestrandos, doutorandos e jovens pesquisadores. “A pós-graduação brasileira não existe separada de uma política pública sólida de ciência e tecnologia. Bolsas, laboratórios, financiamento de pesquisas, formação científica, inovação e permanência de pesquisadores dependem de instituições estáveis e de políticas de longo prazo”, diz trecho do texto, que pediu mais diálogo. “É especialmente preocupante que uma mudança dessa dimensão tenha ocorrido sem diálogo prévio com a comunidade científica e acadêmica, com os servidores e com as instituições diretamente afetadas.
A decisão também provocou reação imediata de parlamentares ligados à comunidade científica. Ex-secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e atual vereadora do Rio, Tatiana Roque (PSB) criticou a medida. “Extinguir uma secretaria de Ciência e Tecnologia significa não ter política de Estado para a Ciência e Tecnologia, que é uma área tão fundamental para o Rio de Janeiro”.
Presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Alerj, a deputada Élika Takimoto (PT) afirmou estar preocupada com o decreto de extinção da SECTI, mas que buscaria o diálogo com o governador em exercício. “A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação desempenha um papel estratégico na estrutura administrativa do Estado”, afirmou em suas redes sociais.
Já a deputada Dani Balbi (PCdoB) anunciou que enviaria ofício ao governador pedindo explicações. A parlamentar é vice-presidente da Comissão de CT&I da Alerj. “A decisão é um ataque à produção de conhecimento no nosso estado, que tem instituições importantíssimas como a Uerj, a Uenf, a Faperj”, elencou.
Foto: Alessandro CostaEm entrevista exclusiva para o Jornal da ADUFRJ, durante a Reunião Anual da SBPC, o presidente do CNPq, professor Olival Freire Jr., abordou os desafios orçamentários da agência. Ao mesmo tempo em que enfrenta um bloqueio de R$ 310 milhões — de R$ 1,7 bilhão — neste ano, o órgão busca ampliar os recursos para 2027. O governo tem até 31 de agosto para enviar ao Congresso Nacional a proposta de receitas e despesas do próximo ano.
Qual a proposta do CNPq para o orçamento de 2027?
Nós pedimos R$ 2,5 bilhões, para manter o atual patamar das bolsas, conceder um reajuste em março, correspondente à inflação entre 2023 e 2027, e mais a previsão da contribuição da previdência dos pós-graduandos. Na hora que isso for aprovado pelo Congresso, é a agência que precisa fazer o recolhimento, o que tem que estar previsto no orçamento. E uma pequena recomposição do fomento à pesquisa. Temos algo em torno de R$ 150 milhões, o que é muito pouco. Estamos pedindo R$ 300 milhões.
E como respondeu a equipe econômica?
É uma negociação. A primeira resposta foi não e nós rebatemos. Apresentamos o que tecnicamente se chama restrição no processo de elaboração do orçamento. Daqui para dezembro é que vamos saber o desfecho dessa história. Por enquanto, na primeira resposta, só conseguimos R$ 6 milhões a mais para bolsas, que é praticamente o mesmo orçamento.
E como estão as negociações para a liberação dos recursos bloqueados do CNPq no orçamento deste ano?
Bem avançadas. À espera de que o compromisso verbal que o ministro do Planejamento assumiu com a ministra de Ciência e Tecnologia se concretize. São R$ 310 milhões, sendo R$ 290 milhões de bolsas, o que equivale a dois meses de pagamento dos nossos 105 mil bolsistas. Por enquanto, ninguém está sendo afetado.
A cota de importações do CNPq está muito restrita para atender às demandas dos cientistas. O senhor está acompanhando a iniciativa da UFRJ de importar com imunidade tributária, sem necessidade da cota?
Esse caminho da importação direta e a própria UFRJ tem consciência disso, para se consolidar, precisa de uma concertação. É preciso que saia o chamado parecer vinculante da Advocacia-Geral da União, que amarre como vai acontecer isso, como as fundações de apoio entrarão na história. Isso é que vai dar garantia a qualquer universidade de fazer importação. A gente precisa de segurança jurídica.





A Segunda Edição da Colônia de Férias da ADUFRJ terminou e já deixou saudades. Por cinco dias, 25 crianças e adolescentes participaram de atividades lúdicas e educativas, brincadeiras, exercícios físicos, fizeram amizades e criaram memórias afetuosas das férias do meio do ano.
Já no primeiro dia de colônia, elas reencontraram os amigos da edição anterior e conheceram novos colegas. “Para nós, é fundamental esse acolhimento e integração das crianças. Elas interagem muito, aprendem umas com as outras e demonstram realmente que estão felizes aqui”, celebra o professor André Coutinho, coordenador do Grupo Coloriê, que organiza e realiza as atividades.
Fabille Moreira, professora colaboradora do Programa de Pós-graduação em Educação Física Escolar na Perspectiva Inclusiva da Escola de Educação Física da UFRJ, faz parte da equipe e explica que o objetivo da colônia não é só entretenimento. “Tem a garantia do lazer como direito, claro, mas tentamos unir a perspectiva pedagógica em cada uma de nossas atividades. Todas as ações têm intencionalidades”, reforça a docente. “Nossa equipe é toda formada por professoras e professores que atuam em escolas públicas e que se conheceram na UFRJ. Então, também trazemos para a Colônia de Férias esse sentimento de ter a universidade como espaço de encontros”.
A diretora Andrea Parente, que coordenou a organização da Colônia de Férias, comemora o número de inscritos. “Foi uma surpresa positiva termos mais de 20 crianças nesta edição, pois acreditávamos que teríamos pouca procura, por ser mais curta”, diz a diretora. “Muitas crianças da edição passada voltaram e criaram um vínculo muito bacana”.
A edição de janeiro de 2027 já está confirmada, com duas semanas. “Estamos firmando uma parceria com a Escola de Educação Física. Então, teremos alunos da EEFD aqui também e a colônia se tornará uma atividade de extensão”, contou Andrea, em primeira mão.
Famílias e crianças já aguardam ansiosas as férias de janeiro. “É a primeira vez da minha filha, ela tem 7 anos. Ficamos com muito boa impressão. A equipe é incrível! Dá a sensação de que eles são capazes de fazer tudo o que se imaginar”, avalia Laura Costa, mãe da Júlia. “É tudo muito tranquilo, natural, lúdico, criativo! Pretendemos voltar em janeiro. Realmente gostamos muito. A ADUFRJ está de parabéns”.
Joana, de 8 anos, atesta a qualidade. “Amei a colônia. Eu vim da outra vez. Eu quero voltar em janeiro. Eu fiz muitos amigos”, diz. Questionada se vai ficar com saudade, Joana sinaliza que sim com a cabeça. “Na despedida da outra eu até chorei”, conta. Mais uma edição aprovadíssima!
Que venha janeiro!
Foto: Fernando Souza