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A dramática situação de Cuba, agravada pelo recrudescimento do bloqueio norte-americano sob o segundo mandato de Donald Trump, e a corrente internacional de solidariedade ao regime e ao povo caribenho foram os principais temas da palestra de Frei Betto, um dos mais destacados intelectuais brasileiros, na manhã desta quinta-feira (30), no Centro de Tecnologia. O encontro foi organizado pela AdUFRJ, em parceria com o Sintufrj, o DCE Mário Prata e a APG/UFRJ.
“Cuba vive hoje uma crise terrível, e a revolução está praticamente desmontada por uma questão de sobrevivência. Não tem energia, não tem gás, muitas pessoas estão usando lenha para cozinhar”, descreveu Frei Betto. Segundo ele, o bloqueio imposto pelos Estados Unidos em 1962 foi intensificado desde que Donald Trump assumiu a presidência, em janeiro do ano passado. “Trump incluiu Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo, e isso fechou todo o sistema bancário internacional ao país, prejudicando importações e exportações”, exemplificou o escritor.
Por outro lado, Frei Betto destacou que cresce em todo o mundo um sentimento de solidariedade a Cuba: “O Brasil tem ajudado muito, com medicamentos, alimentos. Estamos introduzindo lá um sistema de captação de água das chuvas, por exemplo. A China tem sido muito solidária, está levando várias soluções tecnológicas na área de energia, de irrigação. Temos que ampliar essa corrente solidária”.
A presidenta da AdUFRJ, professora Ligia Bahia, fez coro com Frei Betto e anunciou uma iniciativa imediata: uma campanha de arrecadação de recursos para a compra de medicamentos, batizada de UFRJ 100 mil. “É importante que a gente consiga arrecadar esses R$ 100 mil, e espalhar essa campanha para trazer mais pessoas e instituições para ajudar, vamos criar uma onda”, defendeu Ligia Bahia. Frei Betto sugeriu que os recursos arrecadados sejam encaminhados ao MST, que está adquirindo medicamentos a preço de custo para enviar em grandes lotes a Cuba.
Mais informações sobre o encontro com Frei Betto você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.
Fotos: João Laet
Foto: Andrea ParenteO Brasil precisa ter uma definição própria sobre o antissemitismo, a partir de sua própria experiência no enfrentamento a outros tipos de preconceito e discriminação, como o racismo e a misoginia. Essa foi a posição defendida pelo professor Michel Gherman (IFCS/IH/UFRJ), diretor da AdUFRJ, no seminário “Enfrentamento ao Antissemitismo: reflexões sobre o cenário internacional”, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores, no último dia 16 de abril, em Brasília. O evento reuniu especialistas em três mesas de debates, e expôs visões divergentes sobre o tema.
Os debatedores abordaram as três principais definições de antissemitismo — a da Aliança Internacional pela Memória do Holocausto (IHRA), a Declaração de Jerusalém e o Projeto Nexus. Alinhados ao governo de Israel, os representantes da Confederação Israelita do Brasil (Conib) defenderam o modelo da IHRA, adotado por muitos países, como Estados Unidos, França, Itália, Alemanha e Argentina. “Essa adoção tem se mostrado muito útil, com resultados concretos no combate ao antissemitismo”, sustentou o advogado Fernando Lottenberg, ligado à Conib.
O conceito da IHRA, de 2016, é considerado controverso, pois permite identificar como antissemitismo as críticas ao sionismo ou a ações do governo de Israel — como comparar a política israelita contemporânea ao nazismo. Entidades como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch rejeitam a definição da IHRA por tentar silenciar críticas ao governo de Israel, sobretudo em relação ao sistema de apartheid imposto aos palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Em janeiro deste ano, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, revogou a definição da IHRA até então adotada nos códigos legislativos da cidade.
Para Michel Gherman, o Brasil precisa ter uma definição própria de antissemitismo. “Um dos problemas das definições, em especial a da IHRA, é que não basta colocar um quadro na parede e não se dar conta do filme que as contradições históricas têm no dia a dia. É preciso revisitá-las o tempo todo e efetivamente mudá-las. Eu reafirmo a necessidade de olhar para as três declarações e colocar mãos à obra em uma definição de antissemitismo que diga respeito ao Brasil, um país que luta contra o racismo, contra a morte de pessoas negras em seu cotidiano. Temos que sair daqui com esse compromisso”, defendeu Gherman, que coordena o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ) da UFRJ.
CRIMES DE GUERRA
O evento foi realizado no Dia Nacional da Lembrança do Holocausto (16 de abril), data instituída pelo presidente Lula em 2024, em homenagem ao
Foto: Mateus Oliveira/MRE diplomata brasileiro Luiz Martins de Souza Dantas, que atuou para a salvação de centenas de judeus perseguidos pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. A mesa de abertura contou com a presença das ministras Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania, e Maria Laura da Rocha, das Relações Exteriores (substituta).
Em uma curiosa reversão de expectativas, a fala mais protocolar foi a da ministra Janine Mello. “Enfrentar o discurso de ódio e o extremismo é um dever que se impõe. Onde o ódio é tolerado, a democracia adoece”, disse ela, que destacou nominalmente o combate ao avanço de células neonazistas no Brasil, mas não fez qualquer referência ao governo de Israel ou à Palestina.
Coube à diplomata Maria Laura da Rocha o discurso mais contundente. “Enfatizamos nossa defesa da solução de dois Estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado, em paz e em segurança, nas fronteiras de 1967, como caminho legítimo e duradouro para a estabilidade naquela região. Os crimes de guerra que vem sendo cometidos pelo governo de Israel já resultaram em morte de milhares de civis inocentes, inclusive crianças, na Palestina, no Líbano e no Irã, produzindo reações que alimentam o antissemitismo em diferentes regiões do mundo”, sustentou a ministra.
A mesa de abertura contou ainda com um emocionante relato de George Legmann, de 81 anos, judeu de origem romena que vive no Brasil desde 1961. Ele nasceu em 1944 no campo de concentração de Dachau, no sul da Alemanha, e foi um dos sete bebês (três meninos e quatro meninas) sobreviventes ao extermínio. Todos estão vivos — um mora nos Estados Unidos, um no Canadá, uma em Israel, duas na Hungria e uma na Eslováquia.
DIVERGÊNCIAS
As ações do governo de Israel em relação aos palestinos e, mais recentemente, os ataques ao sul do Líbano foram o destaque da intervenção da historiadora Arlene Clemesha, da USP. Segundo ela, não há como dissociar essas ações do aumento do antissemitismo. “O combate ao antissemitismo só será efetivo se for feito junto com combate ao racismo antiárabe e à islamofobia. Temos que debater a relação entre o genocídio palestino e o crescimento do antissemitismo no Brasil e no mundo”, pontou.
A professora da USP destacou que não se pode confundir as críticas ao governo de Israel com antissemitismo: “Não há como ignorar que o ressentimento em relação à política israelense e à ideologia sionista, que é expansionista e colonialista no Oriente Médio, não transborde, em certas ocasiões, para o antissemitismo. Isso é fato. Mas ser contra a política desse Estado não é antissemitismo”.
Em contrapartida, o médico Claudio Lottenberg, presidente da Conib, retrucou: “Há uma insistência para que nós, judeus brasileiros, respondamos por questões que envolvem o governo de Israel. Essa generalização é muito ruim, essa classificação de judeu bom, judeu mau, criando uma leitura equivocada. Por que toda vez tenta se misturar a discussão de antissemitismo com ações do governo de Israel? Essa insistência em querer vincular a condição judaica aos movimentos do Estado de Israel, esse discurso exagerado e equivocado é que alimenta o antissemitismo”.
Para além das divergências, o professor Michel Gherman propôs um olhar para o sistema que gera o antissemitismo. “A minha proposta é que a gente estabeleça uma dimensão inversa, que trabalhe não com quem é afetado, mas por quê. Qual o sistema que levou milhões de negros e judeus a perecerem a partir desse sistema? Há aqui uma gramática antissemita que pode nos ajudar a combater racismos e homofobias. O combate ao antissemitismo é o combate ao sistema que produz antissemitismo, e não a defesa somente das vítimas. O antissemitismo tem pouco a ver com o judeu, e muito a ver com quem o persegue. Nenhuma definição garantiu a redução do antissemitismo. Ao contrário, a instrumentalização garantiu o aumento dele”, refletiu.
Embora não tenha sido tema das mesas de debate, o projeto que equipara antissemitismo a crime de racismo (PL 1.424/2026), de autoria da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), sofreu críticas de especialistas convidados para o seminário do MRE, coordenado por Clara Ant, assessora especial da Presidência da República. O projeto prevê penas de dois a cinco anos de prisão e multa para os infratores, sem prescrição ou direito a fiança, e toma como base a definição de antissemitismo do IHRA.
A proposta foi apresentada na Câmara com o apoio de 45 parlamentares em 26 de março passado, mas oito deles retiraram as assinaturas quatro dias depois, sob críticas de que o PL representa uma censura a críticas ao Estado de Israel. No debate do MRE, o diretor da Casa do Povo — centro cultural judaico progressista de São Paulo —, Benjamin Seroussi, disse que a proposta é desnecessária. “A Lei Caó (7.716/1989) prevê a punição de crimes de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Por que precisamos de um PL em tramitação no Congresso se já temos essa lei?”, ponderou.
A deputada tem se defendido das críticas de que a proposta representa censura. Segundo ela, “críticas a Israel que sejam semelhantes às dirigidas contra qualquer outro país não podem ser consideradas antissemitas”. O projeto não tem data para entrar na pauta da Câmara, mas a deputada paulista não vai precisar esperar para estar no centro de mais polêmica: na sexta-feira (24), ela foi indicada pelo presidente da Casa, Hugo Motta, para presidir o grupo de trabalho que vai discutir o PL 896/2023, que trata dos crimes praticados em razão de misoginia.
Treze novos professores reforçam o quadro da UFRJ desde segunda-feira, 27 de abril: 9 do Colégio de Aplicação, 1 do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, 1 da Escola de Educação Física e Desportos, 1 do Instituto de Psicologia e 1 da Escola de Comunicação. O grupo — que recebeu materiais de boas-vindas da ADUFRJ — assinou o termo de posse em uma pequena cerimônia realizada esta tarde no gabinete da reitoria.
"É sempre um momento muito especial receber novos servidores. A UFRJ é uma potência reconhecida nacional e internacionalmente. Só que ela não é feita das suas edificações. Ela é feita de pessoas", afirmou o reitor da universidade, professor Roberto Medronho. "Temos problemas, mas nenhum deles é relacionado à qualidade, à excelência e ao compromisso com a sociedade. O que vocês vão fazer é manter e ampliar a excelência da universidade", completou.
Entre os novos colegas, Virna da Silva Bemvenuto era uma das mais emocionadas. "Amo ser professora. É uma grande realização para mim e para toda minha família", disse a docente, que vai integrar o Setor Curricular de Artes Visuais do CAp.
Foto: Fernando Souza
Peça da campanha da AdUFRJ para valorização do professor foi instalada esta semana na fachada do bloco A do Centro de Tecnologia. O outdoor, de 27,6 metros de comprimento por 7,03 metros de largura, pode ser visto das Linha Vermelha e Amarela.
A ideia da campanha é mostrar as várias faces do trabalho de professoras e professores da UFRJ nos campi e nas unidades isoladas da universidade. Ao todo, 2.233 mulheres e 2.319 homens dão aulas, são gestores, pesquisam, produzem conhecimento, artes, cultura, ciência, formam, orientam e fazem história. Tudo com excelência, compromisso e dedicação, em um trabalho que atravessa gerações, há mais de um século.
A campanha inclui peças voltadas para o público externo e interno, com windbanners, adesivos, reportagens, outdoors, cartazes, bolsas, cadernetas e muita disposição para mostrar e enaltecer o trabalho docente.
Na próxima segunda-feira, dia 27, a diretoria da AdUFRJ se encontra com os professores do Colégio de Aplicação (@cap.ufrj.oficial ) para uma reunião sobre os dia a dia de trabalho dos docentes e suas demandas.