No Laboratório de Super-Espectroscopia do Rio, professores e alunos se dividem entre experimentos de ponta com átomos e moléculas e os golaços, dribles e caneladas da Copa do Mundo. Graças a um projetor e a um computador ligado no Youtube, todos os lances do Mundial estão sendo acompanhados em uma das paredes do espaço, no prédio do Instituto de Física.
A iniciativa tem o apoio do professor Rodrigo Lage Sacramento, um dos coordenadores do laboratório, que garante: a Copa não tem atrapalhado as atividades acadêmicas. “No último jogo do Brasil da fase de grupos, alguns alunos até assistiram no laboratório. Eles que se organizaram para isso”, disse. “Fora isso, o máximo que acontece é quando tem uma pausa, quando alguém vai buscar um cafezinho, e acaba demorando um pouco mais assistindo às partidas de outras seleções”, brinca.
A Copa, na prática, trouxe trabalho extra para o docente, que assumiu este ano uma função não elencada no Currículo Lattes: a de organizador do já tradicional bolão do instituto. “Sou de Xanxerê, Santa Catarina, e fiz graduação em Minas Gerais. Quando cheguei ao Rio para fazer o mestrado, no Instituto de Física, em 2010, uma das primeiras lembranças que tenho é a do bolão”, contou.
Participante ativo desde então, Rodrigo conquistou o terceiro lugar na última Copa. Mas está penando com os resultados, em 2026. “Estou em 38º lugar entre 40 pessoas. O pós-doutorando Levi Azevedo, daqui do laboratório, está liderando”, disse, antes da fase de mata-mata. Uma curiosidade da brincadeira desta edição é que os organizadores decidiram incluir o ChatGPT para dar palpites. A IA está em 27º lugar. “Estou atrás do ChatGPT. A minha meta é, pelo menos, ultrapassá-lo”, afirma Rodrigo.
Os três primeiros lugares vão dividir a premiação de R$ 2 mil: 70% para o campeão, 20% para o vice e 10% para o terceiro colocado. “E pode colocar aí que haverá surpresas, para os vencedores e também para o último colocado”.
LEMBRANÇAS
Com 39 anos, Rodrigo conta que suas primeiras reminiscências do futebol são justamente de uma Copa do Mundo, a de 1994, nos EUA, com o Brasil campeão após 24 anos. “Como essa época lá no Sul é muito fria, então a gente assistia aos jogos dentro de casa, comendo pipoca e pinhão e eu me lembro de ficar pulando e gritando o nome do Taffarel”, diz. “Também teve um trabalho da escola que precisava pintar o cachorro que era o símbolo do Mundial. Nem lembro mais qual era o nome do cachorro” (Nota da Redação: era o Striker).
Já o primeiro álbum de figurinhas é uma recordação de 1998, da Copa da França. “Só que você não comprava figurinha naquela época, ela vinha enrolada num chiclete. Então minha mãe comprava a caixa e todo dia que chegávamos da escola, eu e meus irmãos, a gente podia ganhar um chiclete. Uma que demorou e gostei muito de tirar foi a figurinha da Torre Eiffel. Comemoramos muito”.
Agora, a brincadeira de colecionar é compartilhada com a esposa Natalia e os filhos Gustavo, de 10 anos, e Giulia, com 8. No dia desta entrevista, a família já contava com 497 figurinhas do total de 1.014. “Já conseguimos a 00, que minha filha queria muito, com o símbolo de um jogador chutando a bola. Já conseguimos o Vini Júnior e o Mbappé. Agora, estamos procurando o Messi e o Cristiano Ronaldo”. O professor explica que tem utilizado um aplicativo criado para facilitar a troca de figurinhas. “Você indica quais são as figurinhas repetidas e pode gerar um PDF com as que estão faltando. Temos 121 repetidas”.
EXPECTATIVAS
Cruzeirense de coração, o professor lamenta as ausências de Matheus Pereira, Gerson ou Kaiki entre os convocados de Ancelotti. E também lamenta a convocação de Neymar. “Há uns dois anos que ele não pratica o futebol. Não consegue decidir nem em um jogo do Santos contra os reservas do Recoleta”, critica o professor, em referência ao jogo do Santos contra o Deportivo Recoleta (Paraguai), pela Copa Sul-Americana que terminou 1 a 1, em abril deste ano. “Ele só está lá por uma nostalgia do que já foi como jogador”.
As expectativas com a seleção, no entanto, melhoraram após o último jogo. “Acho que o Ancelotti encontrou o time. Estou convicto de que chegaremos até as quartas-de-final”.
Vamos torcer, professor!





