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Diretoria da AdUFRJ
Editorial do O Globo em 14/03/2026 estabelece relação causa-efeito espúria entre a eleição e o processo de escolha de reitores e a folha de pagamento das universidades. Ao descuidar dos fatos e divulgar uma versão incorreta sobre o ensino superior público, termina por renunciar à veracidade e qualidade da notícia ao se aproximar do estilo Fake News da “lacração.” Impressiona constatar que o Globo não detenha informações sobre atribuições de dirigentes universitários: são inúmeras, no entanto, não compete aos reitores a contratação de professores e técnicos. Logo a magnitude dos gastos com pessoal de instituições que desenvolvem ensino, pesquisa e atividades de extensão não é consequência da forma ou mesmo de quem são seus reitores.
Vincular autonomia e despesas com pessoal de universidades é uma fórmula gasta, consiste na tentativa de um ataque duplo cujo alvo é o sentido de ser de organizações voltadas para o conhecimento universal e reflexivo. Uma universidade atrelada a coalizações governamentais, a interesses econômicos ou comerciais, sem docentes e alunos excelentes, sem inclusão é um engodo. O país alcançou patamares elevados em rankings científicos e a contribuição das universidades federais tem sido inequívoca.
Pesquisadores estão definitivamente comprometidos com a busca de alternativas para o desenvolvimento econômico e social sustentável. Pesquisas nacionais para a agricultura e biodiversidade, estudos sobre segurança pública, mapeamento e valorização da cultura, entre outras, possuem amplo reconhecimento internacional. Páginas do O Globo e reportagens de outros veículos de mídia registram o comparecimento voluntário do “pessoal” das universidades. Nada mais do que obrigação ou também gestos de apreço pela relevância da imprensa?
Experimentamos o negacionismo científico em sua forma brutal de menosprezo a vida durante a pandemia de covid-19. Em contraponto, demonstramos que a eficiência e eficácia da ciência, inclusive das nossas universidades, permitiram superar crise sanitária. Salários de professores com doutorado, dedicação exclusiva, que estão à frente de investigações relevantes e formam professores, são menores do que os que remuneram diversos cargos civis e militares. Os reitores não são desperdiçadores de recursos públicos, são professores, são cientistas aos quais foi confiada a árdua tarefa de manter as portas abertas do ensino superior para a juventude brasileira.
Críticas sempre serão sempre bem-vindas. Inverdades, soluções de araque, longe de impulsionarem o que está dando certo, terminam por estimular indiferença à soberania nacional. Ignorância proposital em relação ao dia a dia de universidades públicas e crenças na privatização do ensino, subjacentes ao repúdio à eleição de reitores, são ideológicas, não estão baseadas em evidências.
Andrea Parente,
Daniel Conceição,
Ligia Bahia,
Luisa Ketzer,
Maria Tereza Leopardi,
Michel Guerman
e Pedro Lagerblad
Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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Alexandre Medeiros, Ana Beatriz Magno, André Hippertt e Silvana Sá
Professoras e alunas foram as primeiras vítimas na guerra do Irã. Na madrugada de 28 de fevereiro, primeiro dia do conflito que amedronta Ocidente e Oriente, ataques militares destruíram a escola de Minab, no Sul iraniano, e assassinaram 168 pessoas, a maioria meninas com menos de 12 anos. A ONU pediu apuração rigorosa, imagens do desespero materno cruzaram fronteiras, protestos se multiplicaram, mas o confronto só piora dia após dia. Uma aflição que atravessa oceanos.
No campus do Fundão, uma professora da Matemática e uma aluna da Coppe, ambas iranianas, acompanham com angústia as notícias do confronto. “Era uma escola de Ensino Fundamental, com crianças entre 7 e 12 anos, localizada em uma cidade pequena e não estratégica. É muito preocupante quando civis, especialmente crianças, se tornam vítimas de um conflito”, desabafa Maral Mostafazdehfard, professora de Matemática da UFRJ desde 2019. Três anos depois, sua terra natal implodiu em conflitos detonados justamente pela revolta de mulheres com a multiplicação de perseguições pelo regime dos aiatolás. “O governo proibiu oficialmente as mulheres de ingressar em 77 diferentes áreas de estudo, incluindo Engenharia e Física Nuclear, alegando que seriam “inadequadas” para mulheres. Mesmo quando temos excelentes resultados nos exames, cotas frequentemente limitam nossa admissão em favor dos homens”, lembra Maral.
Se no Irã as escolas e as universidades são vítimas explícitas da violência, no Brasil os campi se esforçam para combater o machismo e a misoginia. O esforço ainda é pouco. Uma pesquisa inédita, cujos resultados o Jornal da AdUFRJ obteve com exclusividade, mostra que 74% dos servidores da UFRJ já foram vítimas de assédio moral, sendo a maioria (67%) de mulheres. Há ainda um agravante sintomático. Menos de 24% das vítimas denunciam o assédio, entre outros motivos por não confiar nos canais de denúncia ou descrer da punição dos algozes.
Há sofrimento, há medo, mas há também o que celebrar. Esta edição do Jornal da AdUFRJ traz uma homenagem especial às professoras, alunas e técnicas da UFRJ, que juntas transformam dor e receio em luta e esperança. No Ensino, na Pesquisa, na Extensão, na Gestão, na vida acadêmica como um todo, elas ampliam sua presença, enfrentando barreiras que parecem intransponíveis, mas, por acreditar que não são, elas persistem, aprendem, ensinam, educam. A elas, as nossas saudações.
Clique nos links abaixo para ler as matérias especiais da edição.
Elas são diversas e querem viver sem medo
'Efeito tesoura' ainda é desafio na academia
Com a palavra, a docente mais jovem da UFRJ
A força feminina para além dos muros da UFRJ
Assédio moral é barreira à ascenção na carreira
Entrevista | Leili Babashahi, 41 anos, iraniana, mestranda da COPPE
Entrevista | Maral Mostafazadehfard, 42 anos, professora I Local de nascimento: Teerã, Irã
Da Redação
A Semana da Mulher começou com um domingo de sol, muita poesia, luta e dor. O 8 de Março carioca reuniu mulheres de todas as idades na orla de Copacabana para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência de gênero. Enquanto gritavam pela vida, a 45 quilômetros de distância, Tatiana de Carvalho Paulino era assassinada a facadas pelo ex-namorado Alessandro da Silva Carvalho, no Jardim Catarina, em São Gonçalo. Ele não aceitava o fim da relação.
“A AdUFRJ apoia integralmente a pauta do feminicídio zero”, afirma a presidenta Ligia Bahia. “Esta é uma agenda central, sobretudo neste ano eleitoral de 2026”. O Brasil é o 5º país que mais mata mulheres em todo o mundo. O feminicídio é a consequência final das violências de gênero — físicas e simbólicas — que ainda encontram eco na sociedade e reverberam até mesmo em espaços destinados à diversidade e ao conhecimento, como as universidades. “A universidade não é uma ilha”, observa a ouvidora da Mulher, professora Angela Brêtas.
Esta edição especial do Jornal da AdUFRJ convida a uma importante reflexão sobre os avanços conquistados pelas mulheres na carreira científica e os desafios que ainda insistem em permear o ambiente acadêmico. Ouvimos professoras, servidoras e pós-graduandas que carregam um sentimento em comum: a coragem de mudar suas trajetórias e impactar a vida das próximas gerações.
Dados do MCTI mostram que mulheres são maioria das matrículas ativas na pós-graduação. Elas são 57% do total de mestrandos e doutorandos do país. No entanto, no decorrer da carreira acadêmica, o número se inverte. Entre bolsistas de produtividade 1A do CNpq, elas são apenas 23%.
A baixa representatividade é sentida, sobretudo, em cargos de liderança. Um dos entraves a essa ascenção na carreira é o assédio. Pesquisa inédita revela que 74% dos servidores da UFRJ já sofreram assédio moral no ambiente de trabalho. A maioria das vítimas (67%) é de mulheres. Apenas 23% denunciaram a prática. “Elas alegaram falta de confiança nos canais ou na responsabilização do culpado”, diz a professora Alzira Guarany, responsável pela pesquisa.
Se as barreiras são grandes, a força de ultrapassá-las é ainda maior. Especialmente diante do horror da guerra. É o que demonstra a professora Maral Mostafazadehfard. Docente do Instituto de Matemática há sete anos, ela saiu do Irã em busca de liberdade acadêmica e anseia pela paz. “Precisamos continuar tentando, aprendendo e acreditando que é possível construir caminhos de paz”.
Também iraniana, a aluna de mestrado da Coppe, Leili Barbashi, traduz as dores de ser estudante e mulher no regime dos aiatolás. “No Brasil, universidade é um lugar para encontrar sua voz; no Irã, é um lugar onde você aprende a silenciá-la”.
O desejo de seguir construindo caminhos é o que inspira Annah Pinheiro. Aos 26 anos, ela é a professora mais jovem da UFRJ. “Se hoje posso estar aqui, é porque muitas professoras vieram antes e abriram caminhos. Meu desejo é que possamos seguir construindo esse espaço juntas”.
Para ascender na carreira na UFRJ, sobretudo no campo da gestão universitária, as mulheres têm que enfrentar um obstáculo muitas vezes silencioso, mas que pode se mostrar instransponível: o assédio moral. É o que revelam os resultados da pesquisa inédita “Assédio moral e outras violências laborais na UFRJ”, aos quais o Jornal da AdUFRJ teve acesso com exclusividade. De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados declararam já terem sido vítimas de assédio moral, tendo essa prática se repetido três vezes ou mais, e 67% das vítimas são mulheres.
Iniciada em abril de 2025, com apoio da PR-4 e da Ouvidoria, a pesquisa contou com 823 participantes, sendo 61,84% de técnicos e 38,15% de docentes — percentuais compatíveis com o total de servidores ativos da UFRJ, onde os docentes representam 39,21%, e os técnicos, 60,79%. Para a professora Alzira Guarany, responsável pela pesquisa e coordenadora do Laboratório de Estudos em Políticas Públicas, Trabalho e Sociabilidade (LEPPTraS) da Escola de Serviço Social (ESS/UFRJ), há outro dado alarmante: apenas 23,65% das vítimas de assédio denunciaram a prática. “Elas alegaram falta de confiança nos canais ou na responsabilização do culpado. Isso é muito grave”, diz Alzira.
REFLEXOS NA SAÚDE
Entre as vítimas do assédio, 54,12% declararam que o assediador foi o superior hierárquico. As práticas mais corriqueiras são humilhação na frente dos outros ou em particular, respostas rudes, violência verbal ou ter seus resultados positivos atribuídos a outras pessoas. E mais um dado impressionante: 84,40% afirmaram que ter passado por essa experiência afetou sua saúde física e mental, com o desenvolvimento de ansiedade, depressão, insônia e outros distúrbios. De acordo com um estudo de 2018 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as vítimas de assédio moral apresentam quatro vezes mais probabilidades de desenvolverem depressão, e o dobro de chances de ficarem estressadas.
Segundo a professora Alzira Guarany, a OIT está revendo a necessidade de reiteração para qualificar o assédio moral. “Como pesquisadora e estudiosa do tema, eu avalio que a violência laboral é gravíssima, independentemente da reiteração. Mas as consequências de ser vítima reiteradamente me parecem muito mais graves no médio e no longo prazos, inclusive com atentados contra a própria vida, temos relatos de situações assim”, pondera Alzira. Ela defende uma política única de enfrentamento ao assédio em toda a universidade. “Isso se reflete no baixo percentual de vítimas que fazem a denúncia. Além da falta de confiança, há um desconhecimento dos canais. Se a Escola de Serviço Social tem uma política, o CFCH tem uma, o CCS outra, isso deixa o servidor inseguro. Acho que isso é sintomático”.
CULTURA DE RESPEITO
Para a mulher que ocupa o mais alto posto na administração central da UFRJ, o enfrentamento ao assédio é urgente. Vice-reitora, a professora Cássia Turci recorre à sua própria experiência para tratar do tema. “Falar sobre a presença feminina na gestão não é apenas falar de representatividade, mas de uma mudança necessária na cultura institucional. Minha trajetória na gestão, como diretora do Instituto de Química, decana do CCMN e, agora, como vice-reitora, permitiu-me observar de perto que os desafios vão muito além do acesso ao cargo. Ocupar esses espaços exige uma resiliência dobrada”, diz Cássia.
Para a professora, as mulheres gestoras ainda enfrentam “formas severas de assédio moral e tentativas de esvaziamento de suas funções”. “Ser uma exceção, como no caso da minha gestão no IQ/CCMN, evidencia que o sistema ainda é desenhado por e para homens. A cultura de respeito tem que ser uma política de Estado na UFRJ. Precisamos converter a paridade em uma política institucional permanente, e não apenas uma escolha circunstancial. Isso inclui mecanismos efetivos de proteção contra retaliações e o fortalecimento de redes de apoio entre gestoras. A presença feminina humaniza a gestão e prioriza os direitos humanos. Nossa meta não é apenas chegar ao topo, mas exigir condições plenas, respeito e autonomia em cada passo do caminho”.
Para a professora Fabiana Valéria da Fonseca, chefe de gabinete da reitoria, a presença feminina na gestão da universidade ainda é desproporcional. Embora ela aponte que as mulheres ocupem 14 dos 24 principais cargos da alta administração, a vivência da “dupla jornada” para a mulher ainda é a realidade a ser enfrentada. “A mulher sempre precisou trabalhar, seja em casa ou fora. Somos poucas nos cargos de poder em relação à nossa presença na base da universidade. Há alguns entraves para aumentar essa presença, um deles é o tempo. Nós acumulamos responsabilidades familiares, domésticas, e isso impacta a nossa vida no trabalho. Já me peguei fazendo três ou quatro atividades ao mesmo tempo, hoje tento evitar isso. E a mulher ainda tem que lidar com a culpa. Sempre quis estar com meu filho, acompanhar de perto as atividades dele. E quando não conseguia fazer isso, vinha aquela culpa e a vontade de fazer em dobro”, reflete Fabiana.
Ex-diretora da Escola de Química, Fabiana destaca que as mulheres vêm avançando na presença em espaços de poder até então reservados ao universo feminino. “Como na direção da Petrobras, por exemplo. Na UFRJ vamos tentar ampliar mais, fortalecer nossas políticas institucionais de participação. A Denise (Pires de Carvalho) ter sido a primeira reitora de nossa história foi emblemático. Assim como a Claudia (Morgado) como a primeira diretora da Escola Politécnica. São mulheres que romperam essa barreira, mostraram sua capacidade de gestão. Não gosto da palavra empoderamento. Estamos ocupando os lugares que temos que ocupar”.
A QUESTÃO RACIAL
Para a superintendente-geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade da UFRJ, Denise Góes, não é possível tratar da presença feminina na gestão universitária sem abordar a questão racial. Militante do Movimento Negro Unificado há três décadas, Denise diz que a estrutura da universidade reflete a realidade brasileira. “Existe um modus operandi da sociedade brasileira secular em relação ao papel da mulher. Mas a mulher negra está numa estratificação bem menor do que a mulher branca, bem menor do que o homem branco, principalmente dentro das universidades públicas federais”, aponta.
Para Denise, a população negra, em especial a mulher negra, sofreram durante muito tempo um processo de invisibilização na vida acadêmica. “A universidade sempre viveu num mundo branco, num mundo não inclusivo, num mundo elitista. A partir do advento das políticas públicas, temos outra UFRJ que começa a se movimentar. Mas essa movimentação só acontece com pessoas de carne e osso. Não adianta que as leis sejam promulgadas se a gente não tiver pessoas dispostas a enfrentar essa batalha cotidiana. Somos nós que temos que contar a nossa história”.
A titular da SGAADA afirma que há avanços concretos, mas há ainda muito a avançar. “Tenho 36 anos de universidade e lembro perfeitamente da administração central somente formada só por homens, do reitor aos superintendentes. A posse de Denise Pires de Carvalho como a primeira reitora em 100 anos de UFRJ nos colocou em outro patamar. Hoje nós temos mais mulheres do que homens na administração central. Mas apenas quatro mulheres negras. Temos que ter mais equidade. Acho que não tem mais como invisibilizar o gênero feminino dentro da universidade, mas a gente precisa de representatividade de todos os segmentos. Representatividade trans, homossexual, de mulheres negras, de quilombolas e de indígenas”.
Denise acredita que a SGAADA terá um papel fundamental nessa virada de chave. “O movimento que a SGAADA vem fazendo é para ampliar a discussão sobre o racismo na universidade e na sociedade. Avançamos muito com as políticas públicas de inclusão e hoje temos um perfil étnico-racial mais abrangente, pelo menos entre o corpo discente. Mas precisamos caminhar muito em relação aos servidores. Acho que a UFRJ tem que pensar com celeridade em transformar essa superintendência em uma pró-reitoria, e nem precisa estar sob meu comando, porque a gente se aposenta. Nós não cabemos mais numa estrutura de superintendência, temos aí exemplos em várias universidades federais que instituíram pró-reitorias nesse campo”.

LIGIA BAHIA
Presidenta da AdUFRJ
Quem é professor da UFRJ, seja quem ingressou mais recentemente, ou com carreira mais consolidada, sabe, ouviu falar ou presenciou divergências durante eleições e no dia a dia da AdUFRJ. É fato. Há docentes que disputaram em 2025 a diretoria com distintas orientações teóricas, ideológicas e pragmáticas sobre o que é uma associação docente, quais são suas prioridades, que compromissos deve assumir.
A atual diretoria, integrada por colegas que compartilham acepções sobre a garantia da participação nas decisões da entidade, as traduziram mediante a realização de duas assembleias remotas, ambas com presença expressiva dos associados da AdUFRJ.
Evidenciamos, tal como em experiências de diretorias anteriores, que, quando viável, os docentes comparecem.
Defensores do voto mal denominado presencial (porque seja como for vai existir presença) contestaram os resultados da assembleia que definiu a delegação da UFRJ para o Congresso do Andes (sindicato nacional). Corremos o risco de manter um debate raso, se ficarmos na oposição entre aparições mais ou menos corporificadas. Não é disso que se trata.
Na realidade discordamos em relação a: o que é e para quem é a AdUFRJ.
Para nós, a associação se situa em um espaço dialógico e na contemporaneidade. Pretendemos levar adiante um projeto de universidade pública inclusiva e de excelência, valorizar nossa carreira, tornar nosso trabalho menos árduo e calibrar nossa atuação aos tempos de crise climática, tensões geopolíticas e ameaças da extrema direita.
Temos intenção de dedicar parte da agenda da entidade, em 2026, ao debate para influenciar programas de governo. Teremos um ano desafiante, que exigirá respostas acertadas ao negacionismo científico.
Compreendemos que a AdUFRJ é uma associação de professores universitários críticos em relação ao mundo, ao conhecimento que produzem e difundem. Autonomia acadêmica e o compromisso inarredável com a pluralidade do pensamento, do conhecimento e saberes são essenciais para manter, ampliar e articular instituições de ensino e pesquisa com as agendas de desenvolvimento social sustentável e igualdade social.
Nesse sentido, o da irrevogável natureza contraditória das universidades, que por sua vez são inerentes aos avanços da busca por melhores experiências e evidências, a representação de seus professores perde potência, quando, equivocadamente, se confunde com doutrinas de tendências sectárias.
O não reconhecimento pelo Andes da assembleia da AdUFRJ é um desacerto grave. Não tratamos professores universitários que se alinham em torno de valores democráticos como inimigos e esperamos reciprocidade.
É hora de unidade em torno da defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.