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A Rede Universitária Segurança para Todos RJ – Artigo 5º convida para o seu quarto encontro, que terá como tema "Pacto Federativo e Políticas de Segurança Pública", no dia 4 de agosto.
A mesa contará com a participação de Daniel Hirata (Ministério da Justiça), Silvia Ramos (CESeC), Luiz Eduardo Soares (Colégio Brasileiro de Altos Estudos/UFRJ) e Marcelo Burgos (PUC-Rio), com mediação de Lenin Pires (INCT-InEAC).
Data: 4 de agosto
Horário: 18h
Local: Casa da Ciência da UFRJ
Participa desse importante espaço de diálogo entre universidade, instituições públicas e sociedade civil, fortalecendo a produção de conhecimento e o debate sobre políticas públicas de segurança para o Rio de Janeiro.
Esperamos você!
Durante a solenidade, a UFRJ anunciou que mais 26 alunos da universidade assassinados pela ditadura receberão a mesma homenagem. A diplomação coletiva acontecerá em setembro. São mais 5 alunos da Economia, 4 da Arquitetura, 3 da Física, 3 da Engenharia, 2 da Química (um deles também da Música), 2 das Ciências Sociais, 1 da Filosofia, 1 da Farmácia, 1 da Educação, 1 da Biologia, 1 do Direito, 1 da Psicologia e 1 da Medicina.
Luciana M. N. Peil
Professora da
Escola da Educação Física, UFRJ
Quando nos referimos ao esporte, vários são os discursos, as narrativas e os significados presentes. Em mais um momento de Copa do mundo de Futebol masculino, estas diversas falas se fazem presentes revelando pontos de vista diferentes e, por vezes, até mesmo antagônicos. Encontramos o discurso da razão instrumental, do romantismo, da moral e da religião. O esporte/Futebol é uma criação cultural que configura suas bases na Inglaterra do século XIX e é herdeira da tradição aristocrática. O “nobre esporte bretão”, assim como todos os outros esportes, tem uma enorme carga moral. Por seu poder atrativo, o esporte/Futebol é perfeito para o investimento de grandes grupos financeiros, para unir nações, para tirar o jovem dos vícios, para educar e daí por diante. Este poder atrativo do esporte se dá muito em função do que sustenta internamente esta manifestação. O esporte é um complexo composto pelo movimento humano, pela regra universal, pela competição e pelo jogo. Competição e jogo andam muito unidos, mas não são a mesma coisa.
A competição refere-se à disputa, à superação. O jogo refere-se, a partir da Estética de Schiller, em como nossa razão e emoção se encontram em um impulso criador e transformador, onde não conseguimos separar uma da outra. Quando jogamos, quando nos envolvemos no jogo, quando entramos em estado de jogo, somos então plenamente humanos. Não estamos cindidos. Esta sensação de inteireza, quando unida à competição, é uma mistura embriagante para o atleta, para a assistência e para a arbitragem.
É uma linguagem universal. Todos fazem parte do jogo. Todos fazem parte do Futebol. A razão instrumental e os valores de mercado precisam manter a aura romântica do Futebol para vender e lucrar. Precisam, pelo menos aparentemente, cultivar valores sensíveis e morais para ser um bom negócio. Ninguém quer comprar algo que não fale em emoção, em beleza, em devaneio. A busca pela vitória sem o sacrifício, sem a dedicação, sem o dever ser moral, não vende. Nesta tônica, a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), órgão privado, transita entre a razão instrumental e os valores românticos. Constantemente, a FIFA promove campanhas que falam em Fair-Play (literalmente “jogo limpo”, mas de significado bem mais profundo do que diz a tradução do inglês), falam em inclusão, contra a violência, pela igualdade de gênero, união pelos povos indígenas e pela paz, mas especialmente nesta FIFA World Cup 2026, os valores do respeito, da paz e da inclusão, por exemplo, somente aparentemente estão sendo cultivados. Ao permitir que equipes sejam impedidas de pernoitar nos Estados Unidos da América, ao permitir que o governo norte-americano impeça pessoas credenciadas de entrarem no país e que reviste de maneira vexatória algumas equipes, ao se cobrar valores exorbitantes por um lugar em um estádio, ao se impedir que nações explicitem sua história nos uniformes, não se pode dizer que a FIFA respeita, inclui e defenda, de fato, a paz. Por sua vez, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também se mostra contraditória. Não é uma grande ilação supor que grandes patrocinadores influenciem sobremaneira até mesmo em convocações e escalações de atletas. A CBF, afiliada da FIFA, também aparentemente defende os valores da paz, por exemplo. Mas ao se observar a campanha publicitária de marca que patrocina os uniformes brasileiros, novamente a contradição se faz presente.
Se a CBF compartilha os valores da paz em tempos de conflito, paradoxalmente acata as seguintes máximas do patrocinador: “alegria que apavora”, “o uniforme mais letal”, “o time que joga sinistro”, “a seleção mais temida”, “implacável”. Ora, mesmo a CBF não sendo uma instituição educacional, é evidente o poder pedagógico da mesma. Como justificar tal abordagem do patrocinador? O esporte não é uma reprodução da guerra. Por mais que no processo civilizatório ele possa, para alguns, estar no lugar da guerra. No esporte existe a disputa, existe a busca pela vitória, condição essencial para que uma manifestação da cultura do movimento seja definida como esporte, mas esta disputa não pode ser a qualquer preço e estimulando a violência. Em muitas ocasiões, alguns dizem que os aficionados pelo esporte querem um jogo mais duro, mas não existem pesquisas científicas que isto afirmem. E mesmo que assim fosse, o que estaríamos estimulando? O que o Futebol anunciaria à sociedade que tem os atletas como espelho? Justamente pelo poder atrativo do esporte, temos de ter muito critério para tratar do mesmo.
Será que os altos salários, prêmios e patrocínios justificam os meios para atingi-los? Temos de trabalhar na ética da responsabilidade e não na ética da convicção. De qualquer maneira, todo o aspecto financeiro sempre fica atrelado ao aspecto sensível, mesmo que seja somente para atrair e encantar para vender. Neste momento, lembro o dramaturgo Nelson Rodrigues, fanático por Futebol, quando dizia que o que todos procuramos em uma partida de Futebol é a poesia, ou seja, a possibilidade da criação, do sonho, do devaneio, da surpresa permanente. Este é o verdadeiro encantamento do Futebol, que a cada Copa do mundo procuramos.
No Laboratório de Super-Espectroscopia do Rio, professores e alunos se dividem entre experimentos de ponta com átomos e moléculas e os golaços, dribles e caneladas da Copa do Mundo. Graças a um projetor e a um computador ligado no Youtube, todos os lances do Mundial estão sendo acompanhados em uma das paredes do espaço, no prédio do Instituto de Física.
A iniciativa tem o apoio do professor Rodrigo Lage Sacramento, um dos coordenadores do laboratório, que garante: a Copa não tem atrapalhado as atividades acadêmicas. “No último jogo do Brasil da fase de grupos, alguns alunos até assistiram no laboratório. Eles que se organizaram para isso”, disse. “Fora isso, o máximo que acontece é quando tem uma pausa, quando alguém vai buscar um cafezinho, e acaba demorando um pouco mais assistindo às partidas de outras seleções”, brinca.
A Copa, na prática, trouxe trabalho extra para o docente, que assumiu este ano uma função não elencada no Currículo Lattes: a de organizador do já tradicional bolão do instituto. “Sou de Xanxerê, Santa Catarina, e fiz graduação em Minas Gerais. Quando cheguei ao Rio para fazer o mestrado, no Instituto de Física, em 2010, uma das primeiras lembranças que tenho é a do bolão”, contou.
Participante ativo desde então, Rodrigo conquistou o terceiro lugar na última Copa. Mas está penando com os resultados, em 2026. “Estou em 38º lugar entre 40 pessoas. O pós-doutorando Levi Azevedo, daqui do laboratório, está liderando”, disse, antes da fase de mata-mata. Uma curiosidade da brincadeira desta edição é que os organizadores decidiram incluir o ChatGPT para dar palpites. A IA está em 27º lugar. “Estou atrás do ChatGPT. A minha meta é, pelo menos, ultrapassá-lo”, afirma Rodrigo.
Os três primeiros lugares vão dividir a premiação de R$ 2 mil: 70% para o campeão, 20% para o vice e 10% para o terceiro colocado. “E pode colocar aí que haverá surpresas, para os vencedores e também para o último colocado”.
LEMBRANÇAS
Com 39 anos, Rodrigo conta que suas primeiras reminiscências do futebol são justamente de uma Copa do Mundo, a de 1994, nos EUA, com o Brasil campeão após 24 anos. “Como essa época lá no Sul é muito fria, então a gente assistia aos jogos dentro de casa, comendo pipoca e pinhão e eu me lembro de ficar pulando e gritando o nome do Taffarel”, diz. “Também teve um trabalho da escola que precisava pintar o cachorro que era o símbolo do Mundial. Nem lembro mais qual era o nome do cachorro” (Nota da Redação: era o Striker).
Já o primeiro álbum de figurinhas é uma recordação de 1998, da Copa da França. “Só que você não comprava figurinha naquela época, ela vinha enrolada num chiclete. Então minha mãe comprava a caixa e todo dia que chegávamos da escola, eu e meus irmãos, a gente podia ganhar um chiclete. Uma que demorou e gostei muito de tirar foi a figurinha da Torre Eiffel. Comemoramos muito”.
Agora, a brincadeira de colecionar é compartilhada com a esposa Natalia e os filhos Gustavo, de 10 anos, e Giulia, com 8. No dia desta entrevista, a família já contava com 497 figurinhas do total de 1.014. “Já conseguimos a 00, que minha filha queria muito, com o símbolo de um jogador chutando a bola. Já conseguimos o Vini Júnior e o Mbappé. Agora, estamos procurando o Messi e o Cristiano Ronaldo”. O professor explica que tem utilizado um aplicativo criado para facilitar a troca de figurinhas. “Você indica quais são as figurinhas repetidas e pode gerar um PDF com as que estão faltando. Temos 121 repetidas”.
EXPECTATIVAS
Cruzeirense de coração, o professor lamenta as ausências de Matheus Pereira, Gerson ou Kaiki entre os convocados de Ancelotti. E também lamenta a convocação de Neymar. “Há uns dois anos que ele não pratica o futebol. Não consegue decidir nem em um jogo do Santos contra os reservas do Recoleta”, critica o professor, em referência ao jogo do Santos contra o Deportivo Recoleta (Paraguai), pela Copa Sul-Americana que terminou 1 a 1, em abril deste ano. “Ele só está lá por uma nostalgia do que já foi como jogador”.
As expectativas com a seleção, no entanto, melhoraram após o último jogo. “Acho que o Ancelotti encontrou o time. Estou convicto de que chegaremos até as quartas-de-final”.
Vamos torcer, professor!
Foto: Ana Beatriz MagnoAna Beatriz Magno e Kelvin MeloA diretoria da ADUFRJ e o presidente do Andes, professor Cláudio Anselmo de Souza Mendonça, se reuniram para discutir divergências de atuação sindical. No encontro, solicitado pelo dirigente do Sindicato Nacional, o principal ponto em pauta foi o conflito sobre os métodos de eleição e deliberação dentro do movimento docente.
Enquanto a AdUFRJ defende meios eletrônicos para ampliar a participação dos professores nas decisões do sindicato, o Andes não cede em realizar assembleias presenciais e votações em papel.
A reunião, na sede da ADUFRJ, foi bem avaliada pela presidenta, professora Ligia Bahia. “Foi uma reunião muito positiva, com um diálogo respeitoso e produtivo. Conseguimos conversar sobre temas importantes para a gente”, afirmou.
Ligia ressaltou para o presidente do Andes como os meios de consulta e decisão eletrônicos são essenciais em uma universidade grande como a UFRJ, com diversos campi. Além disso, há aproximadamente 1,4 mil docentes aposentados entre os filiados da ADUFRJ. “Como esses professores, que contribuem mensalmente para a AdUFRJ, vão participar das decisões do sindicato? Temos adotado os métodos eletrônicos e vamos intensificar, porque acabamos de aprovar a mudança em nosso regimento”, disse, em referência ao resultado da última assembleia, nos dias 2 e 3 de junho.
A ADUFRJ também reivindicou que o Andes se empenhe mais na defesa do sistema nacional de Ciência e Tecnologia. “Além de focar no MEC e no orçamento do MEC, seria importante que o Andes também atuasse no Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, que inclui o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Finep, e demais instituições que financiam pesquisa e inovação”, disse.
“Temos expectativas de tudo isso ter um desdobramento positivo”, concluiu Ligia.
Já o presidente do Andes saiu confiante de que “é possível fortalecer nosso Sindicato Nacional e as seções sindicais”. O professor observou que eventuais mudanças de metodologia serão debatidas em um Conselho do Andes (Conad) Extraordinário, marcado para novembro.
Confira, a seguir, a entrevista concedida ao Jornal da ADUFRJ.
Jornal da ADUFRJ - Por que o senhor solicitou esta reunião com a diretoria da ADUFRJ?
Cláudio Mendonça - A minha ligação foi no sentido de tentar entender como a gente pode, diante dessas diferenças de entendimento que têm ocorrido, estreitar as relações do Andes com a seção sindical. O nosso Sindicato Nacional está aberto a todos os debates. Debates esses que passam por deliberações, seja nos Conads, seja nos Congressos. Saí dessa reunião muito confiante de que é possível fortalecer nosso Sindicato Nacional e as seções sindicais.
Essa é a primeira seção sindical de oposição que o senhor visita?
Eu dialogo com todas as seções. Para se ter uma ideia, quinta-feira (18) estou indo para uma seção sindical que nem está no Andes, que está num processo de “namoro” para retornar ao Andes, que é a APUBH, em Minas Gerais. Já participei, há um mês, de uma reunião virtual com a diretoria da Adufpi, da Federal do Piauí, que não votou na nossa chapa. Sou presidente do Sindicato Nacional. Não sou presidente da força A, força B ou força D. Se qualquer seção sindical demandar diálogo com o presidente do Andes, estarei integralmente à disposição.
As diretorias da ADUFRJ desde 2015 fazem uma defesa contumaz das ferramentas digitais nos processos de decisão do sindicato. Essa mudança pode acontecer?
Estamos passando por um processo muito rico no âmbito do nosso Sindicato que está tratando justamente das questões organizativas, financeiras, administrativas e que vai desaguar no Conad extraordinário em Brasília, entre os dias 14 e 16 de novembro, com o objetivo de modular mudanças no nosso Sindicato.
Sobre eleição e assembleias, esse debate está em curso. Há uma preocupação de não individualizar a luta sindical: por exemplo, cada um no seu canto entra numa sala e participa. Será que isso é produtivo? Será que não é possível encontrar uma mediação? No Congresso de Curitiba (no início do ano que vem), vamos poder deliberar as mudanças que a base achar necessárias. As ações presenciais têm prioridade na luta política, mas não vamos achar que o ambiente virtual deve ser demonizado.
Também há muitas críticas da direção da ADUFRJ à exaustiva metodologia dos Congressos e Conads realizados pelo Andes...
Temos consciência de que o Congresso e o Conad são pesados. E não são pesados somente para a base. Para a diretoria, é mais ainda. No último Congresso, houve dois dias que não consegui almoçar e são noites que a gente vira. Não é algo simples. No Conad agora, estamos indicando a formação de uma comissão para pensar essas mudanças, debater no Conad extraordinário e alterar no Congresso.
A diretoria do Andes vai defender o voto em Lula nas eleições deste ano?
A diretoria se submete ao que o Congresso ou o Conad delibera. Nós temos uma avaliação, como diretoria, que temos um desafio enorme na conjuntura atual. A única coisa que posso afirmar publicamente é que o Sindicato não pode fugir da responsabilidade de ser parte do processo para derrotar a extrema direita seja nas ruas, nas redes sociais ou nas urnas. O texto de conjuntura da diretoria ao próximo Conad, em julho, em São Luís (MA), estará apontando a necessidade de eleger Lula, no primeiro turno.
ADUFRJ NO CONAD
Responsável pela atualização do plano de lutas do movimento docente, o Conad começa sexta-feira, 3, em São Luís (MA).
O evento, que terá como sede a Universidade Federal do Maranhão, reunirá representantes das associações docentes de todo o país. A delegação da ADUFRJ, liderada pela presidenta Ligia Bahia, será composta pelos professores: Maria Tereza Leopardi, Daniel Conceição, Eleonora Ziller, Cristina Miranda, Camila Azevedo Souza e Luis Acosta.