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Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)O professor Sérgio Eduardo Longo Fracalanzza recebeu o título de professor Emérito da UFRJ em 27 de agosto. A cerimônia, realizada no auditório Rodolpho Paulo Rocco, no Centro de Ciências da Saúde, coroou a trajetória do docente que dedicou mais de cinco décadas à docência, à pesquisa científica e à gestão universitária. “É uma grande honra ter sido lembrado pela UFRJ depois de mais de 50 anos de trabalho. Eu posso garantir que toda a minha vida foi dedicada a construir uma universidade melhor, contribuindo para o ensino público de qualidade e transformando todos os saberes aqui produzidos em benefícios para a nossa comunidade”, afirmou, ao ser diplomado.
O reitor Roberto Medronho resumiu a importância do momento. “Algumas cerimônias acadêmicas celebram uma conquista, outras seguem uma trajetória. Mas algumas, como esta, celebram algo ainda maior: uma vida que se tornou parte da própria história da universidade. A UFRJ está declarando hoje que, a partir de agora, a sua trajetória passa a integrar de forma definitiva e permanente a própria história desta instituição”, disse.
Proposta originalmente pelo Departamento de Microbiologia Médica, a homenagem obteve aprovação unânime na Congregação do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes (IMPG), no Conselho do CCS e no Conselho Universitário.
Trajetória de excelência
Graduado em Farmácia-Bioquímica pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 1973, Sérgio Fracalanzza ingressou na UFRJ em 1974. Sob a orientação de expoentes da microbiologia nacional, consolidou-se como referência no estudo da microbiologia médica. Foi pioneiro nas pesquisas sobre o Streptococcus agalactiae (Streptococcus do Grupo B de Lancefield) no Brasil.
As publicações de alto impacto e a importância de seus projetos de pesquisa ajudaram a formar gerações de pesquisadores no Programa de Pós-Graduação em Microbiologia.
Além do denso currículo científico, Fracalanzza dedicou-se à administração universitária. No IMPG, foi chefe de departamento e diretor da unidade. O trabalho comprometido o alçou ao cargo de decano do CCS e, pouco depois, à vice-reitoria da UFRJ. Fracalanzza assumiu a reitoria no lugar de Carlos Lessa, que deixou o posto para presidir o BNDES, em 2003.
*Com informações do Conexão UFRJ
Foto: Fernando Souza/Arquivo ADUFRJA reitoria lançou um edital de apoio à infraestrutura dos laboratórios, no dia 31 de agosto. Serão distribuídos R$ 8 milhões: metade para o eixo I, dos laboratórios didáticos de graduação, e metade para o eixo II, dos laboratórios de pesquisa. As propostas devem ser submetidas até 20 de setembro. As regras estão disponíveis no site da universidade.
Para o eixo I, o foco é a inovação pedagógica e ampliação da pesquisa na formação de recursos humanos. “Tem que ter um caráter de pesquisa. Não pode ser apenas uma reforma de laboratório didático. Deve ser, por exemplo, uma reforma de laboratório para apoio à pesquisa, mesmo que seja usado por alunos da graduação”, afirmou a chefe de gabinete da reitoria, professora Fabiana Fonseca, a uma plenária de decanos e diretores. A docente citou a iniciação científica ou pesquisa de práticas novas para modernização curricular como exemplos.
Neste caso, as propostas deverão ser submetidas pelo diretor de unidade, diretor adjunto de graduação ou coordenador do curso de graduação. Será admitido apenas um projeto por unidade.
Para o eixo II, dos laboratórios de pesquisa, o objetivo do edital é o fortalecimento científico e tecnológico e a capacidade de inovação. Aqui, qualquer professor vinculado a um laboratório cadastrado na pró-reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa poderá submeter proposta. Mas a chefe de gabinete chamou atenção para a necessidade de atualização cadastral de professores contratados há pouco tempo que já podem estar atuando nestes laboratórios.
O edital será financiado com receitas CIP (custos indiretos de projeto), uma contrapartida das pesquisas de empresas, majoritariamente do setor de petróleo, que utilizam infraestrutura da universidade. Esses projetos são obrigados a ressarcir a UFRJ em 15%, com o custo de água, energia, segurança, entre outros itens. Deste montante, 70% ficam com a reitoria, 25% com a unidade onde a pesquisa é desenvolvida e 5% com as decanias.
“Hoje, temos um saldo de R$ 32 milhões de custos indiretos. Claro que há outras despesas que são financiadas com estes recursos. Só de contratos de gases e biotérios, são R$ 12 milhões por ano”, explicou Fabiana.
Haverá duas faixas de propostas: uma comportará solicitações de até R$ 140 mil, para os dois eixos; outra, exclusiva para o eixo II, de R$ 140 mil até R$ 300 mil, será voltada para os laboratórios multiusuários. Com uma ressalva: espaços que já são apoiados por receitas CIP em outros contratos não poderão participar do edital.
Equipamentos científicos, softwares ou pequenas reformas para instalação de equipamento poderão ser financiados pelo edital, entre outros itens. Pagamento de pessoal ou obras de grande porte não serão permitidos (veja quadro).
O resultado preliminar do edital deve sair em 6 de novembro, com prazo de mais cinco dias para apresentação de recursos. A ideia é começar a fazer a contratação dos projetos ainda este ano, com plano de execução de até 12 meses.
Fotos: Fernando SouzaNão basta pedir mais atenção à Ciência ou reclamar dos cortes orçamentários da área. É preciso mudar o Congresso Nacional e eleger representantes ligados à pesquisa e à inovação. Com esse espírito, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência abriu espaço a candidaturas ao Legislativo comprometidas com a temática. Na ocasião, foi apresentada a publicação ‘Vozes da Ciência: o Brasil que queremos’ com diretrizes e propostas da comunidade científica para a elaboração de políticas públicas para o país. Soraya Smaili, vice-presidente da SBPC, apresentou os eixos que norteiam a publicação: “Nós temos dados e ideias frutos de um seminário que ocorreu de novembro de 2025 a maio de 2026 e que foram sintetizados neste documento”, explicou a dirigente. São sete eixos: CT&I como Projeto de Nação; Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária; Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; Democracia e Segurança Pública; Equidade, Diversidade e Justiça Social; Educação, Formação e Universidade; Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância.
Ildeu Moreira, presidente de honra da SBPC e professor Titular do Instituto de Fìsica da UFRJ, conduziu a mesa que apresentou as candidaturas. “Vamos divulgar candidatos de quaisquer partidos que se comprometam com esses valores”, garantiu. Os candidatos se apresentaram por ordem alfabética. Foram sete candidaturas federais (seis pelo Rio de Janeiro e uma por São Paulo) e uma candidatura estadual. Veja a seguir:
Celso Pansera-RJ (candidato a deputado federal PT): “Fui membro durante quatro anos da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. Sou autor do primeiro projeto de lei de reconhecimento dos direitos previdenciários dos pós-graduandos, mas ele ficou esquecido porque não fui reeleito. Felizmente, a articulação social com parlamentares permitiu que fosse criada a lei este ano. É uma vitória”, afirmou. “Meu gabinete estará sempre à disposição da ciência, da tecnologia, da inovação e da democracia.”
Jandira Feghali-RJ (candidata a deputada federal PCdoB): “Estamos sendo olhados por esse império (norte-americano) como um fornecedor de matéria-prima para que eles possam desenvolver a tecnologia deles, o capitalismo deles, a política deles. Por isso, penso que esse primeiro eixo é muito fundamental, porque não somos quintal de ninguém”, afirmou a parlamentar ao exaltar a necessidade de investimentos em C&T para defesa da soberania. “A gente também não terá soberania nacional se não tivermos soberania digital”, afirmou. “E, por fim, é fundamental reeleger Luiz Inácio Lula da Silva.”
Juliana Benício -RJ (candidata a deputada federal PSDB): “A soberania não é mais territorial ou de fronteira. Ela é tecnológica e sai de laboratório, sai da Ciência. É preciso dizer que o orçamento de C&T é sempre cortado. Quando a gente deixa o pesquisador de pires na mão, a gente está desmontando o sistema de C&T”, afirmou. Ela tocou também no tema da fuga de cérebros. “A gente precisa reter talentos e se retém talentos com médias e grandes empresas. O Rio de Janeiro é o estado que mais tem estrutura científica. A gente tem talento científico. Na economia do conhecimento, este é um bem imensurável e intangível.”
Luciana Gatti-SP (candidata a deputada federal PSOL): “Sou uma cientista de alto impacto, mas como continuar no laboratório publicando artigos, enquanto o Congresso negacionista reduz orçamento das instituições e direitos da população?”, questionou a candidata. “A gente tem que mudar como a gente produz, como consome, como gera comida. O combate número 1 é ao desmatamento. A meta é desmatamento zero. Temos 16,6% de área não destinada no Brasil. É muita terra. Se esse montante se transforma em reserva federal para vários tipos de destinação, essa seria uma maneira de parar a máquina do desmatamento.”
Nísia Trindade-RJ (candidata a deputada federal PT): “Importante que as pessoas olhem qual é o histórico de cada candidato e candidata. Precisamos é de um Congresso que efetivamente represente a população”, ressaltou a ex-ministra da Saúde. “A primeira tarefa é reeleger o presidente Lula. Isso significa a defesa da democracia nesse momento. E, ao fazer isso, precisamos de uma bancada forte. Não podemos admitir retrocessos. O segundo desafio é avançar nas políticas, colocar uma perspectiva de futuro. Minha luta será para aumentar a participação das mulheres nesse Congresso que tem apenas 18% de mulheres na Câmara Federal.”
Reimont-RJ (candidato a deputado federal PT): “Quando a gente pensa em Ciência, não podemos nos esquecer que muito recentemente tentaram destruir tudo o que conseguimos construir. O RJ tem dez instituições públicas de Ciência e Educação. Mais seis unidades de Pesquisa e Inovação. Quando pensamos e discutimos com nossos cientistas, estamos discutindo em prol de um país mais soberano. Precisamos dar condições para que todo brasileiro e brasileira tenha condições dignas. Não tem sentido fazer política, assim como não tem sentido ser cientista, se não for para melhorar o nosso país.”
Tatiana Roque-RJ (candidata a deputada federal PSB): “A democratização da universidade pública é uma das questões mais importantes do nosso país”, disse Tatiana, que lembrou a trajetória como presidenta da ADUFRJ, de 2015 a 2017. “Eu me tornei política ao perceber, naquele momento histórico, que a causa da Ciência e das universidades era tão central para o nosso país. Precisamos reeleger o presidente Lula, mas não é suficiente. Precisamos também que as nossas universidades sejam olhadas com a atenção que merecem, para que a gente possa de novo colocar no centro o projeto de uma universidade democrática. É esse projeto que vai conseguir transformar o Brasil.”
Lilian Behring-RJ (candidata a deputada estadual PCdoB): “Sou enfermeira emergencista. Na época em que o general Pazuello não queria trazer a vacina de covid para o Brasil, eu estava lá no Aeroporto Internacional para poder controlar a rede de frios para que o IFA chegasse às instituições para a produção da vacina no Brasil. Estive junto com a UERJ na luta pelas cotas. Precisamos, cada um de nós, ter posicionamento. O nosso lado é por Lula, é pela vida, pela Ciência.”