Alexandre Medeiros, Ana Beatriz Magno, André Hippertt e Silvana Sá
Professoras e alunas foram as primeiras vítimas na guerra do Irã. Na madrugada de 28 de fevereiro, primeiro dia do conflito que amedronta Ocidente e Oriente, ataques militares destruíram a escola de Minab, no Sul iraniano, e assassinaram 168 pessoas, a maioria meninas com menos de 12 anos. A ONU pediu apuração rigorosa, imagens do desespero materno cruzaram fronteiras, protestos se multiplicaram, mas o confronto só piora dia após dia. Uma aflição que atravessa oceanos.
No campus do Fundão, uma professora da Matemática e uma aluna da Coppe, ambas iranianas, acompanham com angústia as notícias do confronto. “Era uma escola de Ensino Fundamental, com crianças entre 7 e 12 anos, localizada em uma cidade pequena e não estratégica. É muito preocupante quando civis, especialmente crianças, se tornam vítimas de um conflito”, desabafa Maral Mostafazdehfard, professora de Matemática da UFRJ desde 2019. Três anos depois, sua terra natal implodiu em conflitos detonados justamente pela revolta de mulheres com a multiplicação de perseguições pelo regime dos aiatolás. “O governo proibiu oficialmente as mulheres de ingressar em 77 diferentes áreas de estudo, incluindo Engenharia e Física Nuclear, alegando que seriam “inadequadas” para mulheres. Mesmo quando temos excelentes resultados nos exames, cotas frequentemente limitam nossa admissão em favor dos homens”, lembra Maral.
Se no Irã as escolas e as universidades são vítimas explícitas da violência, no Brasil os campi se esforçam para combater o machismo e a misoginia. O esforço ainda é pouco. Uma pesquisa inédita, cujos resultados o Jornal da AdUFRJ obteve com exclusividade, mostra que 74% dos servidores da UFRJ já foram vítimas de assédio moral, sendo a maioria (67%) de mulheres. Há ainda um agravante sintomático. Menos de 24% das vítimas denunciam o assédio, entre outros motivos por não confiar nos canais de denúncia ou descrer da punição dos algozes.
Há sofrimento, há medo, mas há também o que celebrar. Esta edição do Jornal da AdUFRJ traz uma homenagem especial às professoras, alunas e técnicas da UFRJ, que juntas transformam dor e receio em luta e esperança. No Ensino, na Pesquisa, na Extensão, na Gestão, na vida acadêmica como um todo, elas ampliam sua presença, enfrentando barreiras que parecem intransponíveis, mas, por acreditar que não são, elas persistem, aprendem, ensinam, educam. A elas, as nossas saudações.
Clique nos links abaixo para ler as matérias especiais da edição.
Elas são diversas e querem viver sem medo
'Efeito tesoura' ainda é desafio na academia
Com a palavra, a docente mais jovem da UFRJ
A força feminina para além dos muros da UFRJ
Assédio moral é barreira à ascenção na carreira
Entrevista | Leili Babashahi, 41 anos, iraniana, mestranda da COPPE
Entrevista | Maral Mostafazadehfard, 42 anos, professora I Local de nascimento: Teerã, Irã





