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Foto: Fernando SouzaENTREVISTA I Rafael Galliez, professor da Faculdade de Medicina e infectologista
“Precisamos de políticas baseadas em evidências para mitigar a ideologia da hesitação vacinal”
A suspensão temporária da vacina contra o dengue do Instituto Butantan, anunciada esta semana pelo Ministério da Saúde, demonstra a robustez e maturidade do Programa Nacional de Imunizações. É o que afirma o professor Rafael Galliez, vice-diretor do Núcleo de Enfrentamento e Estudos de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes da UFRJ e integrante dos Grupos de Trabalho de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Esse é o funcionamento da nossa rede de vigilância: reconhecer sinais de alarme, notificar, adicionar vigilância focal e gerar uma ação, quando necessário. É assim que protegemos a população “. A medida foi tomada após a identificação de apenas 0,008% de casos graves — com dois óbitos— entre os mais de 500 mil imunizados.
O episódio, no entanto, reforça o receio do docente com uma outra “doença” dos nossos tempos: o negacionismo científico. “A grande preocupação é a instrumentalização de um evento correto, do ponto de vista da vigilância, pelos grupos antivacinais”, diz Galliez.
A seguir, a entrevista concedida ao Jornal da AdUFRJ.
Jornal da AdUFRJ — Foi correta a decisão do Ministério da Saúde de suspender a vacina do Butantan?
Rafael Galliez - É uma decisão por precaução para investigar esses casos, em função da gravidade. Esse é o funcionamento na nossa rede de vigilância: reconhecer sinais de alarme, reconhecer casos graves, notificar, adicionar vigilância focal e gerar uma ação, quando necessário. É assim que a gente protege a população. Isso mostra um programa robusto e maduro.
No monitoramento pós-vacinal, identificamos uma taxa esperada de eventos leves, mas o rigor do nosso sistema capturou subgrupos que exigiam investigação mais profunda. Isso foi analisado pelo comitê de especialistas do Ministério e foi anunciada uma pausa estratégica para averiguação de segurança.
No momento que há uma dúvida, precisamos esclarecer os mecanismos associados ao evento. Da mesma forma que estão sendo estudadas as formas graves de febre amarela vacinal.
Os grupos de BioManguinhos conseguiram avançar na pesquisa das mutações específicas das pessoas que desenvolveram as formas gravíssimas com a própria vacina.
Mas a vacina contra a febre amarela chegou a ser suspensa?
Não, pelo tempo de uso e pela quantidade de eventos. A vacina da febre amarela está aí há muitos anos e esta do dengue foi recém-introduzida. O quantitativo de doses já aplicadas de febre amarela é de outra escala. Lembro ainda que a vacina do dengue registrou eficácia contra infecção de 65% e de 80% para a dengue grave, nos estudos. Já a da febre amarela possui uma eficácia maior.
Há receio que esta suspensão seja utilizada por grupos antivacina?
A grande preocupação é a instrumentalização de um evento correto, do ponto de vista da vigilância, pelos grupos antivacinais. Vemos hoje o cenário da epidemia de sarampo nos EUA que se expande para o México, Canadá e agora Bolívia. E que será nossa grande preocupação durante a Copa do Mundo, com o aumento de casos de tétano e outras doenças imunopreveníveis a partir desse processo de ideologização da questão vacinal.
Precisamos desenvolver estratégias para enfrentar esse fenômeno ideológico. Devemos fazer um pacto na sociedade entre Academia, profissionais de saúde e comunicadores sociais. Precisamos da comunicação para abordar as questões relacionadas à educação em saúde.
Como está a situação do dengue no Rio de Janeiro?
O dengue é uma doença infecciosa com quatro sorotipos: 1, 2, 3 e 4. Hoje, estão circulando no país os quatro sorotipos. Nas últimas epidemias, em alguns municípios, tivemos prevalência maior do sorotipo 1 e 2. No Rio de Janeiro, tivemos os dois circulando na última epidemia, em 2024. E vivemos possibilidade de entrada do sorotipo 3, que passou a ser detectado em maior escala aqui no estado.
De forma geral, no entanto, houve menos casos de dengue no Rio, confirmando a nossa expectativa baseada na alta imunidade populacional pós-epidemia de 2024. Mas tivemos a chikungunya. Determinados bairros, como Santa Teresa, apresentaram incidências altíssimas.
No Brasil, em cidades como Dourados (MS), tivemos uma grande epidemia de chikungunya associada à vulnerabilidade social da população indígena local, em péssimas condições de moradia. Dos dez óbitos da região, nove eram desses grupamentos indígenas, com três deles de crianças abaixo de um ano de idade. Uma catástrofe.
Fotos: Alessandro CostaO terceiro andar da Escola de Educação Física e Desportos foi o local de encontro da diretoria da AdUFRJ com professores da unidade na última segunda (8). Na pauta, temas ligados principalmente às condições de trabalho que impactam o dia a dia de 111 docentes, cerca de dois mil alunos e 75 técnicos. O prédio, castigado por dois desabamentos, em 2023 e 2024, resiste com estruturas desgastadas pelo tempo, pelos cupins e pelo orçamento insuficiente.
Os desabamentos ocorreram nos blocos B e A, respectivamente, o que limitou severamente o acesso a espaços da Escola. Uma ala foi inteiramente interditada para escoramento das marquises e ainda oferece risco para os usuários, por isso segue com acesso restrito. De acordo com o vice-diretor, professor Frank Wilson, a obra para recuperar o telhado da ala interditada custará R$ 6 milhões e deve começar em setembro deste ano. A previsão é que ainda demore cerca de um ano e meio para ser concluída. Os recursos já estão disponíveis para a obra e são oriundos da verba CIP (Custo Indireto de Projetos), administrada pela fundação Coppetec.
Os setores interditados têm inúmeras salas de aula, vestiários e laboratórios, o que deslocou professores e estudantes para outros prédios da UFRJ, como o Centro de Ciências da Saúde, a Faculdade de Letras e o Centro de Tecnologia. “Estamos hoje muito fragmentados em diferentes locais, o que dificulta inclusive que nos reunamos”, lamentou o professor Frank.
Um dos laboratórios impactados pelas interdições é o de Fisiologia do Exercício, fundado em 1970 e reconhecido internacionalmente. Foi o primeiro do Brasil na área. “É uma lástima que isso tenha acontecido, esse laboratório tem uma enorme importância para a ciência”, destacou a presidenta da AdUFRJ, professora Ligia Bahia, durante o encontro.
Outro efeito das interdições foi a suspensão das atividades por um longo período, até a realocação das turmas em outros prédios da universidade, o que aumentou a retenção de estudantes e resultou na suspensão do ingresso de novos estudantes no primeiro período de 2025. “Infelizmente tivemos que fechar as vagas naquele momento porque precisávamos formar os alunos que tínhamos, nos espaços que tínhamos”, relembrou o vice-diretor.
A ala interditada também permitia mais acessibilidade ao prédio. Hoje, para chegar às salas e a boa parte dos ginásios, é preciso utilizar escadas, muitas escadas. “Isso nos exige mudar o mapa de salas, se temos alunos usuários de cadeiras de rodas ou com problemas de locomoção, porque não tem como uma cadeira de rodas subir esses três andares, por exemplo”, contou o vice-diretor. “Para circular entre blocos, precisamos ir pela parte de trás, para acessar por outros ginásios as outras alas”, ilustrou.
De modo emergencial, foram instalados módulos de vestiários entre os blocos C e D e próximos à piscina, para atender aos estudantes que realizam as aulas práticas das diversas modalidades esportivas e artísticas oferecidas pela escola. São mais de 20, entre esportes de quadra, água, lutas e danças que são oferecidas de modo intermitente, a depender dos espaços disponíveis para as práticas (veja quadro na página seguinte).
“Trabalho no CCS. Sou vizinho de vocês e não sabia que a estrutura era tão grande”, disse o diretor da AdUFRJ, Pedro Lagerblad, professor da Bioquímica Médica.
“Nosso prédio é dos anos 70. Era tudo muito moderno quando foi feito. Mas a falta de manutenção ao longo dos anos nos prejudicou demais”, lamenta o vice-diretor da Educação Física.
O lamento do vice-diretor Frank se concretiza em cada área da unidade acadêmica. Aparelhos de ginástica artística amontoados sem condições de uso; academias com aparelhos desatualizados; quadras com piso danificado; ginásios com o chão quebrado; vestiários interditados com teto desabado. Do lado de fora, o cenário não é melhor: a quadra de hóquei sobre a grama – construída no período das Olimpíadas de 2016 para treinamento de equipes – teve todos os refletores roubados; a quadra de rúgbi está com mato alto; a pista de atletismo deixou de existir. “A quadra de tênis está cercada de mato alto. Já pedimos para passarem uma roçadeira, porque estamos perdendo nossas poucas bolinhas de tênis. É material de trabalho que cai no mato e não conseguimos encontrar mais”, ilustrou a professora Luciana Peil.
Além da infraestrutura, a professora Luciana abordou outro tema que tem preocupado os professores: a atuação no Corpo de Professores Orientadores, fruto de uma resolução da UFRJ de 2016, para apoio acadêmico aos discentes.
“Os alunos precisam ter acompanhamento, mas como vou dar conta de 40 estudantes, mais as minhas 40 horas de atividades, com ensino, pesquisa, extensão. Se colocar tudo no cálculo, são muito mais de 40 horas dedicadas ao trabalho, inclusive realizando funções que não são da docência”, afirmou. “Que atividades deixarei de cumprir para encaixar 40 orientações?”, questionou.
A diretoria da AdUFRJ afirmou que o tema será discutido com a PR-4. “Esta questão da atribuição de funções e divisão do trabalho também apareceu muito fortemente no nosso encontro de Caxias. Vamos levar esses temas para esta reunião”, afirmou a presidenta Ligia Bahia.
A diretoria da AdUFRJ se reuniu com professores da Escola de Educação Física nesta segunda-feira, dia 8. Na pauta, temas ligados principalmente às condições de trabalho que impactam o dia a dia de 111 docentes, cerca de dois mil alunos e 75 técnicos. O prédio, castigado por dois desabamentos, em 2023 e 2024, resiste com estruturas desgastadas pelo tempo e pelo orçamento insuficiente.
De acordo com o vice-diretor, professor Frank Wilson, a obra para recuperar completamente o telhado da ala interditada custará R$ 6 milhões e deve começar em setembro deste ano. A previsão é que demore cerca de um ano e meio para ser concluída. Os recursos já estão disponíveis para a obra.
A ala interditada tem inúmeras salas de aula e laboratórios, o que deslocou professores e estudantes para outros prédios da UFRJ, como CCS, Letras e CT. "Estamos hoje muito fragmentados em diferentes locais, o que dificulta inclusive que nos reunamos", disse o professor Frank.
A professora Luciana Peil abordou outro tema que tem preocupado os professores: a atuação no Corpo de Professores Orientadores, fruto de uma resolução da UFRJ de 2016, para apoio acadêmico aos discentes.
"Os alunos precisam ter acompanhamento, mas como vou dar conta de 40 estudantes, mais as minhas 40 horas de atividades, com ensino, pesquisa, extensão. Se colocar tudo no cálculo, são muito mais de 40 horas dedicadas ao trabalho, inclusive realizando funções que não são da docência", afirmou. "Que atividades deixarei de cumprir para encaixar 40 orientações?", questionou.
A diretoria da AdUFRJ afirmou que o tema será discutido com a PR-4. "Esta questão da atribuição de funções e divisão do trabalho também apareceu muito fortemente no nosso encontro de Caxias. Vamos levar esses temas para esta reunião", afirmou a presidenta Ligia Bahia.
A matéria completa você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.
Alessandro Costa
Luiz Eurico Nasciutti é o mais novo emérito da UFRJ. Bastante emocionado, o professor Titular do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) recebeu o título esta tarde, no auditório Quinhentão do Centro de Ciências da Saúde.
"Esta cerimônia simboliza o reconhecimento de uma trajetória em que ensinar e aprender foram atividades inseparáveis e que o conhecimento foi colocado a serviço da sociedade", disse o professor com mais de cinco décadas de UFRJ, entre muito soluços. "Procurei aplicar a pedagogia dialógica, proposta por Paulo Freire, na qual estudantes e educadores constroem conhecimento coletivamente relacionando aprendizagem e consciência política", completou.
O discurso foi recheado de agradecimentos a antigos mestres, colegas do presente, alunos de todos os tempos, à família e à própria UFRJ. "Muito obrigado à Universidade Federal do Rio de Janeiro por tudo que me proporcionou. Aqui construí minha vida acadêmica, aqui sei que ainda posso continuar contribuindo", concluiu.
Ex-aluno de Nasciutti, o professor Antonio Palumbo Júnior, do ICB, ficou encarregado pelo discurso de saudação da comissão de honra da homenagem. "Você jamais será esquecido. Tenho a absoluta convicção de que não sou exceção. Somos muitos. Muitos que foram acolhidos, muitos que foram orientados, muitos que foram incentivados. Você não passou por nossas vidas. Você ajudou a transformá-las", afirmou.
Para o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho, a solenidade teve um significado especial: "Luiz Eurico foi meu professor de Histologia em 1978, quando eu ainda era estudante de Medicina. Foi uma disciplina muito marcante na minha formação", contou. "A grandeza do professor Luiz Eurico não se limita ao seu currículo por mais expressivo que seja. Mesmo com a trajetória científica reconhecida nacional e internacionalmente, nunca perdeu a simplicidade no trato, a escuta atenta e a disposição para o diálogo", elogiou Medronho.
A matéria completa estará na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.
Alessandro Costa
A assembleia realizada nos dias 2 e 3 aprovou as mudanças regimentais para reuniões e votações remotas. Foram 370 votos favoráveis, 49 contrários, 7 abstenções e 1 voto branco. Também foi aprovada a proposta que permite a associação a novos convênios, por 367 votos a favor, 34 contra e 24 abstenções.
Dez professores, entre 12 que se candidataram na assembleia, compõem a delegação eleita para o Conad do Andes (veja no quadro a votação)
