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Debate analisa lutas de junho no Brasil

A explosão de massas nas ruas surgiu de uma fagulha que incendiou a pradaria e pôs a vida em movimento
 
Cidades Rebeldes, lançado pela Boitempo, expõe coletânea de textos sobre manifestações que agitaram o país
 
Da Redação
 
Carlos Vainer usou a imagem mais inspirada da noite, ao tentar traduzir as jornadas de junho: “Uma fagulha pode incendiar uma pradaria”, disse o professor do Ippur-UFRJ, citando Mao Tsé-Tung, em frase extraída de texto escrito em 1930. A analogia de Vainer serviu à argumentação de Mauro Iasi na reflexão de quinta-feira, 22, sobre a explosão das massas nas ruas do país. Iasi, professor da ESS-UFRJ, observou que o incêndio passou, mas as brasas se espalharam por aí, numa referência aos protestos que continuam acontecendo nas cidades – especialmente no Rio e São Paulo. 
 
O pretexto para a reunião que lotou o auditório do CFCH na Praia Vermelha foi o lançamento do livro Cidades Rebeldes.  Ele reúne 18 artigos de autores diversos que procuram entender o incêndio da “pradaria” Brasil.  Além de Carlos Vainer e Mauro Iasi, na mesa mediada pela professora Maria Malta, participaram os professores Felipe Brito (UFF) e Pedro Rocha (UniRio), todos com artigos incluídos na coletânea.
 
Os protestos de massa que varreram o país há dois meses estabeleceram uma ruptura com uma espécie de “apassivamento” (na definição de Mauro Iasi) presente, pelo menos nos últimos dez anos, na sociedade brasileira. A explicação para as causas que impulsionaram na direção dessa ruptura e os seus desdobramentos permanece como desafio.
 
Cidade vai às ruas
No artigo escrito para o livro da Boitempo, Carlos Vainer entrega logo no título o centro, digamos, de sua tese: “Quando a cidade vai às ruas”. Vainer procurou sintetizar o que diz o seu texto, ao estabelecer relação direta entre as transformações urbanas pelas quais o país está passando e as manifestações de junho.  “A cidade não foi só o palco, mas também objeto nessas manifestações”, defendeu. 
 
O professor destacou como outra característica “a multiplicidade” presente nos protestos e insistiu na dimensão urbana de suas motivações. “Estamos diante da cidade entregue aos megaeventos, a cidade mercantilizada, a cidade-mercadoria que se move e é planejada de acordo com os interesses dos grandes cartéis econômicos, em operações urbanas consorciadas”, disse.
 
Vainer fez um paralelo com outros momentos de manifestações na sociedade brasileira, quando descontentamentos, lutas, reivindicações e anseios se unificaram. Citou o movimento das Diretas Já, o Fora Collor, as lutas de 1968 e mobilizações antes do golpe de 64.
 
A ideologia
Mauro Iasi afirmou que as jornadas de junho quebraram a ordem nas cidades em busca de uma nova sociabilidade. Mauro Iasi reproduziu no debate o artigo “A rebelião, a cidade e a consciência”, com o qual contribuiu para a coletânea da Boitempo. No texto, o professor observa que “(...) a cidade é a forma reificada das relações capitalistas, mas também do amadurecimento das constradições que lhes são próprias”. As jornadas de junho, segundo ele, quebraram a ordem nas cidades em busca de uma nova sociabilidade.
 
Ao perguntar-se por que a “explosão da ordem” demorou tanto a ocorrer, o professor disse que ideologia dominante tem a capacidade de expor como interesse coletivo o que é interesse particular, em fazer prevalecer o interesse de classe como se fosse interesse universal. Mas, em junho, segundo Iasi, houve uma espécie de transbordamento que “o dique” da ideologia “burguesa” não foi capaz de conter.
 
Coerção
Felipe Brito (UFF) e Pedro Rocha de Oliveira (Unirio) escreveram juntos para o livro da Boitempo o texto “Territórios transversais”. O texto procura abordar “a dimensão coercitiva, policial e punitiva” com a qual a sociedade capitalista procura responder à sua crise estrutural, destacou Felipe Brito. Eles recordam, no artigo publicado na coletânea, “o matraquear dos helicópteros e das armas automáticas que sacudiu a Comunidade da Nova Holanda, no Complexo da Maré”. O fato ocorreu entre os dias 24 e 25 de julho, como desfecho da repressão a uma manifestação no dia anterior. Os autores chamam atenção para “a regulação social sob os auspícios das armas".
 
130826126Cidades Rebeldes
Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil, editado pela Boitempo (114 páginas, R$10).

A explosão de massas nas ruas surgiu de uma fagulha que incendiou a pradaria e pôs a vida em movimento
 
Cidades Rebeldes, lançado pela Boitempo, expõe coletânea de textos sobre manifestações que agitaram o país
 
Da Redação
 
Carlos Vainer usou a imagem mais inspirada da noite, ao tentar traduzir as jornadas de junho: “Uma fagulha pode incendiar uma pradaria”, disse o professor do Ippur-UFRJ, citando Mao Tsé-Tung, em frase extraída de texto escrito em 1930. A analogia de Vainer serviu à argumentação de Mauro Iasi na reflexão de quinta-feira, 22, sobre a explosão das massas nas ruas do país. Iasi, professor da ESS-UFRJ, observou que o incêndio passou, mas as brasas se espalharam por aí, numa referência aos protestos que continuam acontecendo nas cidades – especialmente no Rio e São Paulo. 
 
O pretexto para a reunião que lotou o auditório do CFCH na Praia Vermelha foi o lançamento do livro Cidades Rebeldes.  Ele reúne 18 artigos de autores diversos que procuram entender o incêndio da “pradaria” Brasil.  Além de Carlos Vainer e Mauro Iasi, na mesa mediada pela professora Maria Malta, participaram os professores Felipe Brito (UFF) e Pedro Rocha (UniRio), todos com artigos incluídos na coletânea.
 
Os protestos de massa que varreram o país há dois meses estabeleceram uma ruptura com uma espécie de “apassivamento” (na definição de Mauro Iasi) presente, pelo menos nos últimos dez anos, na sociedade brasileira. A explicação para as causas que impulsionaram na direção dessa ruptura e os seus desdobramentos permanece como desafio.
 
Cidade vai às ruas
No artigo escrito para o livro da Boitempo, Carlos Vainer entrega logo no título o centro, digamos, de sua tese: “Quando a cidade vai às ruas”. Vainer procurou sintetizar o que diz o seu texto, ao estabelecer relação direta entre as transformações urbanas pelas quais o país está passando e as manifestações de junho.  “A cidade não foi só o palco, mas também objeto nessas manifestações”, defendeu. 
 
O professor destacou como outra característica “a multiplicidade” presente nos protestos e insistiu na dimensão urbana de suas motivações. “Estamos diante da cidade entregue aos megaeventos, a cidade mercantilizada, a cidade-mercadoria que se move e é planejada de acordo com os interesses dos grandes cartéis econômicos, em operações urbanas consorciadas”, disse.
 
Vainer fez um paralelo com outros momentos de manifestações na sociedade brasileira, quando descontentamentos, lutas, reivindicações e anseios se unificaram. Citou o movimento das Diretas Já, o Fora Collor, as lutas de 1968 e mobilizações antes do golpe de 64.
 
A ideologia
Mauro Iasi afirmou que as jornadas de junho quebraram a ordem nas cidades em busca de uma nova sociabilidade. Mauro Iasi reproduziu no debate o artigo “A rebelião, a cidade e a consciência”, com o qual contribuiu para a coletânea da Boitempo. No texto, o professor observa que “(...) a cidade é a forma reificada das relações capitalistas, mas também do amadurecimento das constradições que lhes são próprias”. As jornadas de junho, segundo ele, quebraram a ordem nas cidades em busca de uma nova sociabilidade.
 
Ao perguntar-se por que a “explosão da ordem” demorou tanto a ocorrer, o professor disse que ideologia dominante tem a capacidade de expor como interesse coletivo o que é interesse particular, em fazer prevalecer o interesse de classe como se fosse interesse universal. Mas, em junho, segundo Iasi, houve uma espécie de transbordamento que “o dique” da ideologia “burguesa” não foi capaz de conter.
 
Coerção
Felipe Brito (UFF) e Pedro Rocha de Oliveira (Unirio) escreveram juntos para o livro da Boitempo o texto “Territórios transversais”. O texto procura abordar “a dimensão coercitiva, policial e punitiva” com a qual a sociedade capitalista procura responder à sua crise estrutural, destacou Felipe Brito. Eles recordam, no artigo publicado na coletânea, “o matraquear dos helicópteros e das armas automáticas que sacudiu a Comunidade da Nova Holanda, no Complexo da Maré”. O fato ocorreu entre os dias 24 e 25 de julho, como desfecho da repressão a uma manifestação no dia anterior. Os autores chamam atenção para “a regulação social sob os auspícios das armas".
 
130826126Cidades Rebeldes
Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil, editado pela Boitempo (114 páginas, R$10).

Condições ruins de trabalho e salários baixos afetam qualidade do ensino, mas Secretaria Municipal de Educação do Rio ainda cobra “produtividade”
 
Categoria desenvolve doenças em função do desgaste
 
Rodrigo Ricardo. Especial para o Jornal da Adufrj
 
Enquanto aguarda o desfecho de reunião entre o prefeito Eduardo Paes e representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), ao lado de outros dez mil colegas, sob o sol da última sexta (23), o professor André Ciraudo, de Música, compra uma garrafa de água (R$ 3) com uma nota de R$ 50. O jovem ambulante coça a cabeça, folheia as notas, olha encabulado o cliente e lhe dá um troco de R$ 67. A diferença é devolvida e Ciraudo analisa a cena para além de um erro de contas. “Nossos jovens não estão sendo educados para raciocinar. Querem que eles somente apertem botões”, acredita o docente, que trabalha há 13 anos na rede municipal e leciona na Escola Martin Luther King, na Praça da Bandeira. 
 
A crítica às condições de trabalho ruins aparece em seguida: “Estou sem sala de aula e instrumentos musicais. Venho fazendo um trabalho de ritmo com os alunos, onde usamos o corpo, com palmas e estalos de boca”, descreve André. Critica, ainda, os métodos de avaliação da Secretaria Municipal de Educação (SME) e cartilhas pedagógicas como a “Fórmula da Vitória”: “Absurdo. O aluno se tornou uma mercadoria e a avaliação se resume a números. Essa lógica empreendedora da SME coloca, no fim, professor contra professor”.
 
A competição dentro da categoria
O Plano de Metas e de Produtividade, que gera uma espécie de 14º salário aos servidores que alcançam os resultados estipulados, está longe de ser um consenso entre os educadores. “Trata-se de uma competição não saudável e desigual, porque as condições não são as mesmas”, enfatiza a professora Suelen Veloso, de Educação Física. Ela recorda que escolas dentro de comunidades, por exemplo, às vezes ficam dias fechadas por conta dos conflitos entre tráfico e polícia: “Cria-se uma guerra que contraria a finalidade do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Esse dinheiro deveria ser utilizado na qualidade global da rede”.
 
Com menos de um ano no funcionalismo, Suelen ignorou as ameaças do poder municipal de cortar o ponto dos efetivos e demitir os que ainda cumprem o estágio probatório. “Não me amedrontei. Isto foi uma tentativa de enfraquecer o movimento”, afirma a professora, de 29 anos, que trabalha na Escola Lia Braga, em Guadalupe. “As minhas condições de trabalho não são ruins, mas precisamos pensar na situação de outros colegas”. 
 
130826102Declaração do prefeito de que abriria os cofres públicos para o cineasta Woody Allen é ironizada em todos os atos. Foto: Samuel Tosta 20/08/2013Em Irajá, na Escola Barcelona, a quadra está sem cobertura; os ventiladores, quebrados; e o reboco das paredes vem caindo dentro das salas. “O material pedagógico que tenho é mínimo. Para você ter uma ideia, tenho uma bola de handebol que uso para o queimado, o basquete e o futebol....”, denuncia Rafael Silvano, recém-concursado que tomou posse no cargo há três meses. “Não é por que, na hora do concurso, sabíamos dos salários (R$ 1,4 mil) que vamos deixar de brigar para sermos mais valorizados. A gente fica com medo das ameaças, mas permanecemos na luta por entendê-la legítima”.
 
Outra experiência contestada pelos professores é a chamada Prova Rio para os estudantes do ensino fundamental, organizada em conjunto com o Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe/UnB). Muitos a definem como “um vestibularzinho”, no qual os alunos vêm sendo moldados para fazer exames. Para a professora Maria do Socorro Tabosa, de Matemática , os testes são injustos. “Eles não refletem se o aluno aprendeu ou não. Na múltipla escolha, quem não estudou pode contar com a sorte e o que se dedicou pode ficar nervoso e se dar mal”, acredita Tabosa que, aos 66 anos, ainda pode ser vista à frente das turmas da Escola Dom Pedro I, na Barra da Tijuca. “Após 25 anos me aposentei para ganhar R$ 2,7 mil. Fiz concurso novamente e voltei para essa rotina desgastante. O relacionamento professor-aluno não é nada fácil. Ao longo do tempo, muitos colegas desenvolvem doenças. Tenho um que há dois anos está afastado das salas e terá que ser readaptado por ter desenvolvido a Síndrome de Burnout (esgotamento físico e mental ligado à profissão)”. 
 
Apoio dos professores do CAp-UFRJ
Assim como os docentes da Faculdade de Educação da UFRJ já haviam feito há alguns dias, os colegas do Colégio de Aplicação da universidade também manifestaram apoio à greve dos educadores das redes municipal e estadual do Rio. Segundo nota produzida em reunião naquela Unidade (no dia 20) e divulgada no perfil da Adufrj-SSind no Facebook, “a luta pela educação nessas respectivas redes é justa, necessária e de todos nós!”.
 
“Reivindicar um plano de carreira que dê dignidade de vida aos professores e ao pessoal de apoio técnico e administrativo e atividades afins; a destinação de 1/3 da carga horária para que o professor possa dedicar-se ao planejamento de suas aulas; condições de trabalho adequadas em suas escolas, inclusive no que se refere à infraestrutura dos prédios; assim como lutar pela autonomia docente em sua atuação político-pedagógica – o que inclui dar fim às ações que tenham como princípio a feroz meritocracia –, é mais que relevante, é urgente, pois, sem ela, é o próprio direito social à educação que é negado às crianças e jovens das respectivas redes”, diz outro trecho da nota.
 
Próximos passos do movimento grevista
Neste dia 26, os professores da rede municipal voltam a se reunir em assembleia para avaliar a reunião com a Prefeitura ocorrida na sexta (23) e decidir se continuam em greve. A rede estadual promove passeata, da Cinelândia à Alerj, no dia 27

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A explosão de massas nas ruas surgiu de uma fagulha que incendiou a pradaria e pôs a vida em movimento
 
Cidades Rebeldes, lançado pela Boitempo, expõe coletânea de textos sobre manifestações que agitaram o país
 
Da Redação
 
Carlos Vainer usou a imagem mais inspirada da noite, ao tentar traduzir as jornadas de junho: “Uma fagulha pode incendiar uma pradaria”, disse o professor do Ippur-UFRJ, citando Mao Tsé-Tung, em frase extraída de texto escrito em 1930. A analogia de Vainer serviu à argumentação de Mauro Iasi na reflexão de quinta-feira, 22, sobre a explosão das massas nas ruas do país. Iasi, professor da ESS-UFRJ, observou que o incêndio passou, mas as brasas se espalharam por aí, numa referência aos protestos que continuam acontecendo nas cidades – especialmente no Rio e São Paulo. 
 
O pretexto para a reunião que lotou o auditório do CFCH na Praia Vermelha foi o lançamento do livro Cidades Rebeldes.  Ele reúne 18 artigos de autores diversos que procuram entender o incêndio da “pradaria” Brasil.  Além de Carlos Vainer e Mauro Iasi, na mesa mediada pela professora Maria Malta, participaram os professores Felipe Brito (UFF) e Pedro Rocha (UniRio), todos com artigos incluídos na coletânea.
 
Os protestos de massa que varreram o país há dois meses estabeleceram uma ruptura com uma espécie de “apassivamento” (na definição de Mauro Iasi) presente, pelo menos nos últimos dez anos, na sociedade brasileira. A explicação para as causas que impulsionaram na direção dessa ruptura e os seus desdobramentos permanece como desafio.
 
Cidade vai às ruas
No artigo escrito para o livro da Boitempo, Carlos Vainer entrega logo no título o centro, digamos, de sua tese: “Quando a cidade vai às ruas”. Vainer procurou sintetizar o que diz o seu texto, ao estabelecer relação direta entre as transformações urbanas pelas quais o país está passando e as manifestações de junho.  “A cidade não foi só o palco, mas também objeto nessas manifestações”, defendeu. 
 
O professor destacou como outra característica “a multiplicidade” presente nos protestos e insistiu na dimensão urbana de suas motivações. “Estamos diante da cidade entregue aos megaeventos, a cidade mercantilizada, a cidade-mercadoria que se move e é planejada de acordo com os interesses dos grandes cartéis econômicos, em operações urbanas consorciadas”, disse.
 
Vainer fez um paralelo com outros momentos de manifestações na sociedade brasileira, quando descontentamentos, lutas, reivindicações e anseios se unificaram. Citou o movimento das Diretas Já, o Fora Collor, as lutas de 1968 e mobilizações antes do golpe de 64.
 
A ideologia
Mauro Iasi afirmou que as jornadas de junho quebraram a ordem nas cidades em busca de uma nova sociabilidade. Mauro Iasi reproduziu no debate o artigo “A rebelião, a cidade e a consciência”, com o qual contribuiu para a coletânea da Boitempo. No texto, o professor observa que “(...) a cidade é a forma reificada das relações capitalistas, mas também do amadurecimento das constradições que lhes são próprias”. As jornadas de junho, segundo ele, quebraram a ordem nas cidades em busca de uma nova sociabilidade.
 
Ao perguntar-se por que a “explosão da ordem” demorou tanto a ocorrer, o professor disse que ideologia dominante tem a capacidade de expor como interesse coletivo o que é interesse particular, em fazer prevalecer o interesse de classe como se fosse interesse universal. Mas, em junho, segundo Iasi, houve uma espécie de transbordamento que “o dique” da ideologia “burguesa” não foi capaz de conter.
 
Coerção
Felipe Brito (UFF) e Pedro Rocha de Oliveira (Unirio) escreveram juntos para o livro da Boitempo o texto “Territórios transversais”. O texto procura abordar “a dimensão coercitiva, policial e punitiva” com a qual a sociedade capitalista procura responder à sua crise estrutural, destacou Felipe Brito. Eles recordam, no artigo publicado na coletânea, “o matraquear dos helicópteros e das armas automáticas que sacudiu a Comunidade da Nova Holanda, no Complexo da Maré”. O fato ocorreu entre os dias 24 e 25 de julho, como desfecho da repressão a uma manifestação no dia anterior. Os autores chamam atenção para “a regulação social sob os auspícios das armas".
 
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Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil, editado pela Boitempo (114 páginas, R$10).

Comunidade mobiliza-se contra pressão do Ministério da Educação para UFRJ entregar Escola de Educação Infantil à prefeitura

Elisa Monteiro. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Perto de transformar sua Escola de Educação Infantil (antiga Creche Universitária) em órgão suplementar do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), a UFRJ recebeu uma notícia nada agradável do MEC: no dia 30 de julho, um ofício do ministério indicou aos reitores das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) que a gestão desse tipo de colégio seja entregue à rede municipal: “Foi uma bomba”, explica a técnica-administrativa Rosane Cabral, diretora daquela Unidade.
 
A mensagem do MEC acelerou a tramitação do processo de modificação do caráter da escola nas instâncias superiores da universidade: foi aprovada, por unanimidade, em sessão do Consuni do dia 8. Ficou pendente somente a alteração do estatuto da UFRJ, por falta de quórum, em uma sessão especial do mesmo colegiado, no dia 15, mas uma nova reunião foi convocada para este dia 29, com o tema. “Mas o que estamos entendendo é que a institucionalização foi referendada, faltando apenas esse ajuste administrativo”, disse Rosane. De toda forma, a dirigente afirma que a comunidade está com a luz amarela acesa: “O que recebemos foi apenas um ofício. Mas estamos atentos para que não se desdobre um projeto de lei”.
  
Da assistência a laboratório de pesquisa
Atualmente, a Escola de Educação Infantil possui 120 matrículas, entre crianças de quatro meses até cinco anos e onze meses. Em média, 20 vagas são abertas por ano para livre concorrência, via sorteio, no mês de dezembro. No espaço físico, vizinho ao Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), são desenvolvidos projetos acadêmicos com estagiários da Faculdade de Educação, do Instituto de Psicologia, Faculdade de Odontologia e do curso de Terapia Ocupacional da UFRJ. Uma parceria com a Escola de Educação Física e Desportos está prevista para ser retomada em breve, segundo Rosane.
 
Com a transformação em órgão suplementar, a produção de pesquisa passa a ser obrigatória para a Unidade. Por outro lado, a escola, até então parte do organograma da Pró-reitoria de Pessoal (PR4), passa a dispor de um orçamento financeiro e de um departamento de pessoal próprios. A comunidade local pleiteia ainda uma carreira da Educação Básica, Técnica e Tecnológica (EBTT), tal como a do Colégio de Aplicação (CAp), para seus educadores.
 
Rosane Cabral observa que a antiga creche da UFRJ, como as das demais universidades federais criadas na década de 1980, surgiu a partir do movimento de redemocratização, para atender aos filhos dos trabalhadores. “No caso da UFRJ, em primeiro lugar, os das funcionárias dos Hospitais Universitários e, depois, dos servidores em geral”. Com o passar dos anos, algumas instituições ampliaram o público, atendendo ainda a filhos de estudantes.
 
13082652A escola ensina 120 crianças e abre 20 vagas por ano, em média, para livre concorrência. Foto: Elisa Monteiro - 20/08/2013Segundo Rosane, a pressão por parte da associação das antigas creches universitárias por recursos e concursos, nos anos de 2000, foi respondida em um primeiro momento pelo Executivo com um questionamento sobre o acesso: “Era a ideia de que o dinheiro público não poderia servir para algo apenas dos servidores, o que seria um privilégio”. Em 10 de março de 2011, o Conselho Nacional de Educação publicou no Diário Oficial a Resolução nº 1, determinando a universalização da oferta de vagas com “igualdade de condições para acesso e permanência de todas as crianças” (artigo 1º, item 1). A escola realizou seu primeiro sorteio de vagas ainda em 2011 para ingresso em 2012.
 
O novo obstáculo é superar o discurso das atribuições federativas. “Para quem está distante e desconhece o trabalho de formação de professores, a lógica é que educação infantil é do município; educação básica do estado; e superior é federal”, analisa Rosane. “A visão de muitos políticos é essa mesmo”.
 
“É uma pena”, lamenta a técnica em assuntos educacionais: “A diversidade precisa existir. É ela que enriquece a formação dos educadores. E experiências como estágios supervisionados são uma oportunidade para que a escola seja um laboratório onde teorias e práticas pedagógicas são testadas”. “A educação (infantil e básica) ganha muito e só se fortalece quando se relaciona com a universidade. Ainda mais em um contexto como o do Rio de Janeiro no qual os concursos não preveem nem mesmo a antiga formação de normalista. Muitos desses profissionais não chegaram a completar o ensino médio. E o certo é que fossem pedagogos”. De acordo com Rosane, um convênio para formação de profissionais da educação do município é um “desejo antigo”. 
 
Reitor defende permanência da escola na UFRJ
Procurado pela reportagem do Jornal da Adufrj, o reitor Carlos Levi respondeu, via assessoria de imprensa que “a UFRJ não pode desperdiçar todo o acúmulo de trabalho desenvolvido nessa área, que recolheu tanto reconhecimento público e contribuições bastante importantes ao longo de sua história. Defendo essa posição principalmente nos fóruns da Andifes. Há previsão no Plano Diretor da UFRJ de um espaço para educação infantil, que inclui também a construção de um novo Colégio de Aplicação na Cidade Universitária”.
 
Ação para municipalizar 
“O Ministério da Educação entende que a oferta da educação infantil nas universidades federais deve ser tratada no âmbito da política municipal de educação infantil onde o câmpus (sic) da universidade estiver localizado, sendo possível que a universidade encontre soluções conjuntas para construção de unidades por parte do município que atendam também ao público da universidade”, argumenta o ofício do MEC do final de julho. E conclui: as unidades “construídas em terrenos onde estão localizadas Instituições Federais de Educação Superior devem atender o processo de negociação com as Prefeituras Municipais e devem integrar a rede municipal de ensino, sendo totalmente geridas pelo município”.


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