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Daniel Negreiros Conceição
Professor do IPPUR e 1º tesoureiro da AdUFRJ

A Tesouraria da AdUFRJ concluiu um levantamento sobre as contribuições das seções sindicais ao Andes-SN em 2024. O estudo sistematizou dados das prestações de contas mensais do Andes-SN para todas as 109 seções filiadas e cruzou essas informações com dados financeiros publicados pelas próprias seções.

A AdUFRJ repassou R$ 1.363.857 ao ANDES-SN em 2024, entre repasses regulares, fundo único e contribuições eventuais — o maior valor entre todas as seções, correspondendo a 7,1% da receita total do sindicato nacional (R$ 19,3 milhões).

As 10 maiores seções — menos de 10% das 109 filiadas — respondem por 48,3% da receita do Andes-SN. A concentração evidencia o peso desproporcional das grandes seções no financiamento da estrutura nacional.

O estudo verificou o cumprimento do Art. 72 do Estatuto do Andes-SN, que determina repasse de 0,2% dos vencimentos ao nacional (equivalente a 20% da arrecadação com contribuições). Das seções com dados disponíveis, todas praticam taxas compatíveis, em faixa entre 17% e 21%. A análise também registrou dificuldades de acesso a dados financeiros de várias seções, que não publicam prestações de contas acessíveis ou o fazem com muito atraso (mais de um ano). Comparada à maioria das seções analisadas, a AdUFRJ se destaca pela publicação periódica e discriminação detalhada de receitas e despesas, o que permitiu uma análise substancialmente mais completa da evolução de sua situação financeira do que da maioria das outras seções.

Como próximo passo, a Tesouraria avaliará a viabilidade de redução temporária do percentual de repasse durante o período de aquisição da sede própria da AdUFRJ, a ser negociada junto às instâncias deliberativas do Andes-SN. O argumento é que o investimento em infraestrutura permanente de uma seção beneficia o movimento docente nacional, justificando condições especiais durante o esforço financeiro da obra.

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Luisa Ketzer
Professora do campus
Duque de Caxias da UFRJ
e diretora da AdUFRJ

 

A AdUFRJ manifesta preocupação com o anúncio de redução do número de bolsas de monitoria. Desde 2016, os editais previam uma cota anual de 1.400 bolsas, mas o edital mais recente não estabeleceu essa cota. O resultado preliminar, divulgado em fevereiro, indicou uma redução de cerca de 20% no total. Até o momento, a distribuição final das bolsas não foi oficializada, mas o relatório final da Comissão de Monitoria foi aprovado plenária do CEG, realizada em 11 de março.

A justificativa da medida foi devido a um redimensionamento técnico da distribuição de bolsas, com o objetivo de alinhar a oferta aos objetivos acadêmicos da monitoria, readequar bolsas conforme a atualização dos currículos, garantir a execução das atividades e adequar-se ao atual cenário orçamentário da universidade. Os critérios para a distribuição de bolsas foram o formato da disciplina (práticas, teórico-práticas e teóricas), número de alunos na disciplina (maior ou igual a 50 alunos) e disciplinas teóricas com alta demanda ou baixo desempenho (média < 5,0). E ainda houve penalidades para unidades que não enviaram relatórios de monitoria ou enviaram com atraso.

A redução do número de bolsas de monitoria contraria a busca por ensino de excelência na UFRJ, que reúne cerca de 56.000 estudantes em 175 cursos de graduação. Vale destacar que a oferta atual de bolsas está muito abaixo da demanda institucional (cerca de 2.700 bolsas solicitadas pelas unidades), o que agrava o impacto do contingenciamento. Esse corte merece avaliação crítica porque a monitoria é peça-chave para a qualidade educacional: além de apoiar diretamente estudantes em dificuldade, constitui espaço formativo para os monitores, que consolidam saberes, desenvolvem competências pedagógicas e ampliam sua atuação profissional. Quando bem estruturada, a monitoria integra ensino, aprendizagem e assistência, promovendo um ambiente mais inclusivo, participativo e sensível às necessidades da comunidade acadêmica.

Em muitas situações, pela proximidade entre monitor e estudante, a atuação do monitor vai além do domínio do conteúdo, favorecendo a identificação de necessidades específicas e o encaminhamento aos serviços de apoio. Monitores bem preparados adaptam estratégias e materiais, usam tecnologias educacionais e promovem a aprendizagem, ampliando o impacto da monitoria para além de explicações pontuais e contribuindo para a retenção estudantil.

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A atuação do monitor pode inclusive sugerir ajustes metodológicos, melhorando práticas docentes e currículos. A ausência de monitoria em disciplinas aumenta a sobrecarga docente e eleva risco de reprovação e evasão. Assim, a monitoria configura-se como investimento estratégico em qualidade, inclusão e fortalecimento institucional.

Pouco mais de 48 horas depois dos primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que culminaram com a morte do líder supremo persa, o aiatolá Ali Khamenei, o embaixador Celso Amorim advertiu que a guerra “pode ter consequências gravíssimas” e defendeu o diálogo como único caminho possível para a paz. No Salão Dourado do Palácio Universitário, no campus Praia Vermelha, que foi pequeno para abrigar tanta gente, o ex-chanceler e atual assessor especial da Presidência da República foi aplaudido de pé após a conferência “O Brasil e o cenário internacional para 2026: desafios e oportunidades”, promovida pela AdUFRJ, no dia 2 de março.

“Em 60 anos de diplomacia, nunca vivi um tempo semelhante a esse”, ponderou Amorim, referindo-se, sobretudo, às interferências militares dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. Ele voltou a usar a expressão “devemos nos preparar para o pior” para acentuar as incertezas advindas de uma guerra prolongada entre o Irã, os Estados Unidos e Israel. “Quantas pessoas estarão envolvidas nesse conflito, quantas morrerão? Vão dizer que não havia outra solução? Difícil é você brigar pelo diálogo até encontrar uma solução que não seja a guerra. Esse é que é o mérito do ser humano, é para isso que a gente vive, para o bem da humanidade, e não para a destruição”.

Na apresentação, a presidenta da AdUFRJ, professora Ligia Bahia, lembrou que foi a terceira palestra proferida por Amorim na UFRJ. “Ele esteve aqui em 2004 e em 2024. E volta hoje em um monento de tensão mundial. Quando o convidamos, pouco depois do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, nem imaginávamos que uma crise como essa do Oriente Médio estaria próxima. É um privilégio tê-lo aqui”, disse Ligia, que compôs a mesa da conferência ao lado do conferencista e do vice-presidente da AdUFRJ, professor Michel Gherman.
Na plateia, formada basicamente por professores e estudantes da UFRJ, estavam a mulher Karen Sacconi, dois filhos (João e Pedro) e três netas do diplomata. O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a vice-reitora Cássia Turci, pró-reitores, decanos e diretores de unidade também prestigiaram a conferência.

Ministro das Relações Exteriores dos governos Itamar Franco (1993-1994) e Lula (2003-2010), e ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff (2011-2014), Celso Amorim enalteceu o papel da universidade na convivência e no debate de divergências, e defendeu a soberania contras as interferências externas. Veja a seguir os destaques da conferência.

MUNDO SEM REGRAS
A maior característica dos nossos tempos é essa imprevisibilidade e a aceleração da história. Os gregos tinham duas palavras para definir o mundo: caos e cosmos. O caos era a confusão geral, uma massa disforme. E quando essa massa se organiza ela passa a ser o cosmos, algo orgânico, que tem regras. O que estamos assistindo hoje não é uma evolução do caos para o cosmos, mas uma involução do cosmos para o caos. De um mundo com regras, ainda que defeituosas, injustas e assimétricas, para um mundo absolutamente sem regras, que é o que vivemos hoje em dia. Em 60 anos de diplomacia, nunca vivi um tempo semelhante a esse.

ATAQUES AO IRÃ
É a primeira vez na história que os Estados Unidos matam o líder de um país no início do conflito. É difícil medir quais serão as consequências desse ataque. Mas uma coisa é certa: essa guerra não vai ser um passeio. Não será como foi a invasão do Iraque. O Irã é uma civilização de 3 mil anos, um país de 90 milhões de habitantes. Não se pode esperar que isso seja algo simples, rápido. É algo que vai durar muito.

DESORGANIZAÇÃO GLOBAL
Eu servi no Conselho de Segurança da ONU no período pós-Guerra Fria. Havia uma preocupação de procurar legitimar as ações militares no conselho. A primeira invasão (dos Estados Unidos) ao Iraque foi aprovada pelo Conselho de Segurança. E a segunda, já com George Bush filho, não foi aprovada, mas foi ao menos levada ao conselho. Dizia (François) de La Rochefoucauld que a hipocrisia é um tributo que o vício paga à virtude. Então havia ao menos a preocupação de mostrar que se estava fazendo as coisas de acordo com as regras. E hoje, qual é o limite? Quando a gente vê o presidente do Estado mais importante do mundo dizer que não segue o direito internacional, que segue a sua própria moralidade, o que pensar? Desordem é pouco, o que vemos é uma desorganização global.

VENEZUELA
O caso da Venezuela é gritante e aflitivo, com o sequestro de um presidente. Nós já vimos muitas interferências externas na América Latina, mas elas vinham por debaixo do pano. Quando você vê a maneira como (Nicolas) Maduro foi tirado de lá lembra mais Saddam Hussein do que (Salvador) Allende. Allende teve uma aura de heroísmo, de luta. Maduro foi levado na calada da noite para uma prisão nos Estados Unidos. Uma coisa absurda.

SOBERANIA
Hoje se confunde, de forma proposital, a ideia de multipolaridade com a de áreas de influência. Você aceita que possa haver vários centros de poder desde que cada um tenha o seu quintal. E aí entra a nossa situação. O Brasil pretende agir com independência, procurar resolver seus problemas, que são grandes, sem interferências externas. E, claro, sem o absurdo de uma intervenção como a que foi feita na Venezuela. Isso é assustador.

TERRAS RARAS
Uma questão mais atual e que gera muita confusão é a dos minerais críticos e das terras raras. Há aqueles que só querem vender rapidamente, não querem investir. Alguns falam isso do Brasil. É o mesmo que falavam do petróleo. Hoje o Brasil é o sexto ou sétimo mais produtor de petróleo do mundo. Com os minerais críticos acontece a mesma coisa. Há quem defenda abrir as concessões porque não haveria recursos para investir. E há aqueles, nos quais me incluo, que seguem a linha desenvolvimentista do saudoso Celso Furtado: vamos primeiro definir as nossas necessidades. O que precisamos de minerais críticos para produzir não só carros elétricos, mas também baterias ou armamentos modernos capazes de impedir o que aconteceu na Venezuela?

CUBA
Cuba é um caso de estrangulamento do povo. Tenho grande apreensão com o que pode acontecer lá. Mas disse uma vez a um grupo de deputados norte-americanos: vocês perderam a guerra contra Cuba. Eles resistem há mais de 60 anos debaixo desse bloqueio, eles venceram.

DIÁLOGO
O que não se pode abandonar é a busca da paz. A paz justifica a existência da democracia. É o que explica a necessidade de que várias nações coexistam com suas diferenças. Estamos num mundo em guerra. Não falei aqui de meio ambiente, de desigualdades. Um dos males da guerra é obstruir a discussão de outras questões fundamentais. Por isso fico feliz de estar aqui. A universidade é um lugar privilegiado, é um lugar plural, onde todas as pessoas convivem com suas crenças, com suas religiões, ou não religiões, e discutem. E é o diálogo que pode salvar a humanidade. O diálogo é o nome da paz.

Fotos: Fernando Souza

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FSR67908Fernando SouzaO mar de Copacabana foi o cenário de fundo de um emocionante ato do 8 de Março. Mulheres de todas as idades se mobilizaram na cidade do Rio de Janeiro e em outras capitais do país contra o feminicídio. Natália Tavares levou a filha Maya: “Estamos impressionadas com a quantidade de feminicídios. Infelizmente, eu tenho que explicar pra minha filha que esses ataques têm crescido contra mulheres, que há pessoas ensinando que isso é normal. E nós estamos aqui para lutar contra isso”.

“Eu costumo vir sempre às manifestações. É importante lutarmos por nossos direitos, mas hoje estou especialmente mobilizada para tentar parar essas violências que vemos todos os dias nos noticiários”, disse Mariane Nascimento. “Esse discurso red pill está matando a gente todo dia. Também sou mãe. Quero que minha filha cresça sem medo”.

Márcia Nascimento, mãe de Mariane, levantava um cartaz em referência ao brutal estupro coletivo que vitimou uma menina de 17 anos, no mesmo bairro. “Foram 60 minutos de maldade, de violência. Não podemos permitir. Minhas netas estão apavoradas, andam com medo”, revelou.

A AdUFRJ marcou presença. “A AdUFRJ está na luta em defesa das mulheres e contra a violência crescente contra as mulheres. Estamos especialmente entrando na pauta do feminicídio zero”, explica a presidenta Ligia Bahia. “Estamos encampando esta agenda e esperamos que essa pauta prospere muito neste importante ano eleitoral de 2026”.

Renata Gracie, pesquisadora da Fiocruz, representava o Coletivo de Mulheres da instituição. “Aqui é o momento que a gente se sente forte, que reparte nossas dores e vivências. Nosso coletivo está aqui também para mostrar que, no mundo complexo que vivemos hoje, não chegaremos a boas soluções sem diversidade na pesquisa”, afirmou.

“Nos queremos vivas e em plenitude”, declarou a deputada estadual Renata Souza (PSOL), que estava acompanhada de Luyara Franco, filha da vereadora Marielle Franco. “É essencial estamos nas ruas em busca de políticas que sejam efetivas”. Para Luyara, o ato tem um clima especial. “Está sendo um dia muito mais significativo. Estamos há uma semana da condenação dos mandantes do assassinato da minha mãe. Estar nas ruas significa que nossa mobilização realmente tem efetividade e nosso lugar é em qualquer lugar”, afirmou. “Há oito anos carregamos essa coragem, que é compartilhada e recarregada em momentos como esse”.

Garantia do pleno emprego, tarifa zero no transporte público, fim da escala 6x1, e aborto legal e seguro também estavam na pauta do ato, que reuniu algumas milhares de mulheres mesmo debaixo de sol forte.

A manifestação caminhou do Posto 3, em Copacabana, até o Posto 1, no Leme. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a deputada federal Benedita da Silva foram escolhidas as personalidades da manifestação.

WhatsApp Image 2026 02 13 at 21.15.36 7Fábio Hepp
Professor Adjunto, coordenador do Laboratório de Anfíbios e Répteis do Departamento de Zoologia, Instituto de Biologia, e Pesquisador Associado do Museu Nacional

A UFRJ é a segunda casa para muitas pessoas. Muitos passam mais horas do seu dia nos campi do que em casa e passam, ou passarão, mais anos de vida ligados à universidade do que fora dela. Este é o meu caso. Neste momento tenho quase 20 anos de UFRJ. Cheguei na UFRJ em 2006 como calouro. Posteriormente, fui mestrando, doutorando, pós-doutorando, professor substituto, biólogo (Técnico Administrativo) e, mais recentemente, sou professor adjunto. Posso dizer que tenho uma longa relação com a Minerva, construída com muito suor e lágrimas (de tristeza e felicidade).
Desde os meus 18 anos, quando ingressei na UFRJ, ouço e discuto os diversos problemas da universidade. As possíveis soluções são muitas, a depender de quem vem a resposta. Variam muito de acordo com a idade do proponente, já que idade geralmente reflete o grau de pessimismo e inocência da pessoa, fatores que costumam moldar o tom das opiniões políticas e administrativas. É ponto comum que um mínimo de otimismo é essencial para manter a motivação diária, e seu gradual abandono pode levar a sérias consequências para o futuro do ensino público do país (falo mais sobre isso no artigo “Autofervura Acadêmica” deste Jornal, Nº 1.348). E, por isso, tenho refletido cada vez mais sobre o que podemos fazer para resolver problemas da universidade.
Claro que não se trata de uma questão trivial. Como dito há muitos anos pelo meu ex-professor e eterno orientador, prof. Dr. José P. Pombal Jr., do Museu Nacional: se fosse fácil, alguém certamente já teria resolvido. Ainda assim, acredito que as possíveis soluções virão do corpo social da UFRJ. Portanto, inspirado em uma recente analogia entre a administração universitária e a condução de um jogo de xadrez, considerei válida mais uma singela tentativa de contribuição.
WhatsApp Image 2026 02 13 at 21.15.36 6O xadrez é um dos jogos mais antigos e certamente um dos mais populares até os tempos atuais. Provavelmente criado na Índia no século VII, o xadrez é um jogo de dois jogadores onde o principal objetivo é capturar a peça do adversário denominada “rei”. Claro que o jogador rival fará de tudo para evitar a captura do seu rei e, enquanto isso, tentará capturar a peça homônima inimiga. Para atingir o objetivo, os jogadores dispõem de uma série de tipos de peça, em diferentes quantidades, que possuem diferentes habilidades de movimentação no tabuleiro e, consequentemente, de captura de peças inimigas. Ao longo da história, o xadrez virou uma obsessão aonde foi levado, sendo amplamente conhecido na Europa por volta do ano 1000. A partir do século XVI, o jogo ficou ainda mais popular com jogadores sendo patrocinados por mecenas e reis de todo o mundo ocidental. Em tempos contemporâneos, o jogo passou a ser tema de clubes e entrou no currículo escolar de várias instituições de ensino mundo afora. O xadrez é considerado uma ferramenta lúdica para desenvolvimento de raciocínio lógico e outras habilidades cognitivas. Por se tratar de um jogo lógico, diversos livros e cursos foram, e ainda são, publicados e disponibilizados com o objetivo de, mais do que ensinar as regras básicas, instruir jogadores sobre os padrões e princípios lógicos que regem o jogo.
Um dos princípios básicos do jogo é o da peça menos ativa. Sob este princípio, o jogador deve sempre buscar mover as peças que estão menos ativas no tabuleiro. Isto é, peças que estão mais retraídas e, consequentemente, mais isoladas dos principais eventos do jogo, que frequentemente ocorrem próximos ao centro do tabuleiro. No xadrez a vitória depende do desenvolvimento coletivo das peças. E é exatamente neste ponto que a analogia com a administração universitária começa a se estabelecer. Mesmo com peças de diferentes valores e habilidades (a rainha, por exemplo, é a peça mais poderosa e de maior valor), no xadrez, o segredo está, em boa medida, no desenvolvimento coletivo de diferentes tipos de peça. Uma rainha sozinha, ou mesmo acompanhada por algumas poucas peças, dificilmente leva à vitória contra um adversário que possui muitas peças ativas e, consequentemente, controle a região central do tabuleiro com seus peões, cavalos, torres e bispos.
Assim funciona uma universidade. Ela é composta por um conjunto de peças de diferentes especialidades e habilidades, como discentes, docentes, técnicos administrativos e funcionários terceirizados. A movimentação e desenvolvimento de peças já ativas ajuda, claro, mas certamente não basta. A chave do sucesso e, ouso dizer, da resolução de muitos problemas da UFRJ, transpassa o princípio das peças menos ativas. É preciso reconhecer esse problema e criar meios de torná-las mais ativas nas suas funções. Tal tarefa não deve ser vista como um estímulo à opressão, assédio moral, ou algo similar. Não, muito pelo contrário! É preciso rever incentivos, motivações, metas, demandas e lideranças para este propósito. O jogador de xadrez joga porque quer, porque vê resultados e progresso nas suas ações.
Certamente não é algo simples de se fazer. Mas para resolver problemas, precisamos localizá-los, mapeá-los e, a partir daí, construir programas, projetos e ações que objetivem as soluções. É assim que funciona um jogo de xadrez. Observamos a distribuição das peças e remanejamos aquelas que priorizamos para concretizar um plano. Seja como for, não podemos assumir que peças menos ativas já estão fora de jogo. Não devemos usar desta justificativa para concentrar os esforços, fazer expectativas e mesmo sobrecarregar ainda mais as peças já mais ativas da universidade. Trata-se de um erro estratégico que levará à derrota no inevitável jogo comparativo entre universidades.

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