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Foto: Alessandro CostaCultura de células em laboratório, experiências com regeneração de tecidos ósseos, cultivos de células-tronco. Um gigante universo microscópico encantou pequenos e jovens estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro que participaram do ICB de Portas Abertas. O projeto de extensão literalmente abriu as portas de 19 laboratórios de pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas para 160 alunos de cinco escolas públicas das cidades do Rio de Janeiro e Volta Redonda. As atividades ocorreram na semana de comemorações dos 57 anos do instituto.
A professora Lívia Ribeiro Rosário, dá aulas de ciclo de leituras para os estudantes do GET D. Pedro I, na Barra da Tijuca. “Nosso colégio atende a crianças da Tijuquinha, Muzema e Rio das Pedras, majoritariamente. Em menor quantidade, temos alunos da Cidade de Deus e da Rocinha”, conta. “São crianças que nunca tiveram contato com a universidade. Estar aqui abre uma porta que eles nem sonham, porque não faz parte da realidade deles”, disse a professora, que acompanhava alunos do 9º ano do Ensino Fundamental. Lívia parabenizou a iniciativa. “Estar na universidade mostra para eles que eles podem e devem estudar aqui. Destrava sonhos, eles descobrem habilidades e interesses. Isso é muito importante”, avaliou.
Nataly Scarparo, do 2º período de Ciências Biomédicas, era a monitora do grupo. Ela contou que se apaixonou pelo curso justamente durante uma visita ao ICB com sua antiga escola. “Gosto muito de poder levar os estudantes a conhecerem coisas novas. Mostrar que eles podem ficar encantados, como eu fiquei”, disse. Ela era aluna da Escola Municipal São Paulo, em Brás de Pina, Zona Norte da cidade. “Vim duas vezes conhecer os laboratórios do ICB. Foi muito importante ter tido aquelas experiências para eu me identificar com a área e acreditar que poderia estudar aqui. Quando conheci a UFRJ, vi que era possível”, afirmou.
Os olhos atentos das crianças e adolescentes não perdiam uma explicação em cada laboratório descortinado. Para Mariane Callegare, aluna do 9º ano da Escola Municipal João Mendonça, no Pechincha, Zona Sudoeste do Rio, visitar as instalações do ICB foi um programa imperdível. “É a primeira vez que venho à UFRJ. Achei muito importante a visita. A gente se sente pertencente. É muito bom visitar e saber que a gente pode estar aqui um dia”.
Coordenadora do Laboratório de Biotecnologia, Bioengenharia e Biomateriais Nanoestruturados (Laben), a professora Sara Gemini Pipermi afirmou que poder mostrar a produção da universidade é uma das formas de a instituição prestar contas para a sociedade e conseguir apoio social. “É preciso entender para preservar. Aqui, neste laboratório, nós temos inúmeros projetos relacionados à medicina de precisão, nanomateriais, equipamentos de ponta. É importantíssimo e muito bom que tenhamos escolas e alunos que não têm contato próximo com esse campo”, disse. “A gente tem que devolver para a sociedade todo esse conhecimento aplicado”, defendeu.
“É extremamente importante trazer a sociedade para junto da gente e mostrar que a gente faz ciência de qualidade e que isso tem impacto na vida das pessoas”, analisou o vice-diretor do ICB, professor Leandro Miranda-Alves. “A gente ouve vários depoimentos de alunos que mudaram a perspectiva quando conheceram o ICB”, contou o docente. “Uma vez, no início da visita, ouvi de um menino que ele queria ser policial, porque era a realidade que ele conhecia. Depois da visita, ele disse que queria ser biomédico. Se a gente muda uma cabeça, a gente já tem uma grande conquista. De pouco em pouco, a gente muda a realidade.
A pequena Maria Alice, que completou dez anos um dia após a visita aos laboratórios, mostra a força e a importância de conhecer a universidade. Ela estuda na Escola Municipal Alfredo de Paula Freitas, em Irajá, Zona Norte do Rio. É aluna do 4º ano do Ensino Fundamental. “Eu gostei muito de vir aqui! É muito legal ver as células de verdade. Agora eu quero ser dentista”, disse. “E eu quero ser veterinária, cuidar dos bichinhos e do laboratório!”, completou Emanuelly Victória, de 9 anos, colega de turma de Maria Alice. Voem, meninas.
No encerramento das comemorações do ICB, a jornalista Ana Lúcia Azevedo, do Jornal O Globo, falou sobre o jornalismo científico e a importância da divulgação científica para a sociedade e para os pesquisadores. “O papel da mídia é ser o olho da sociedade, mas a gente precisa equilibrar o tempo inteiro a relevância e assuntos que chamem atenção da sociedade”, disse.
Para a jornalista, o conhecimento está mais fragmentado com o advento das mídias sociais. “Nas redes sociais, a gente segue precisando trabalhar com relevância e interesse, mas de forma muito mais intensa do que no impresso. Não temos mais o tempo para captar a atenção e o interesse do leitor. É tudo muito mais instantâneo”, avaliou. “É preciso capturar a atenção do público em geral, não especializado. Não se trata de uma publicação técnica”, ponderou a profissional, sobre a necessidade de “traduzir” temas áridos. “Construir essa ponte até o leitor é mais fácil com as ciências aplicadas do que com a ciência básica”, reconheceu.
Ana Lúcia também defendeu a importância de textos claros, que simplifiquem conceitos. “É muito importante ter objetividade e traduzir termos técnicos. Eu sei que às vezes os senhores ficam bravos, mas é importante ter em mente que o leitor não é um especialista naquela área ou naquela pesquisa”, justificou. “Se o leitor não entende, ele não lê. E aí fica aquela linda matéria que ninguém lê”. A jornalista também enfatizou a busca por histórias que humanizem o texto e que tracem paralelos com o cotidiano. “É muito mais fácil lembrar de uma história e fazer a associação com um conceito científico do que lembrar que o ‘vírus x’ pode causar problemas de memória no longo prazo”.
A profissional defendeu o rigor da apuração e falou sobre o compromisso do jornalismo e da ciência no combate a fake news. “Eu acredito que a ciência é o maior antídoto contra fake news. Você só tem como combater mentira com dados. É nosso papel enquanto jornalista corrigir desinformação. E o respaldo social se constrói com a relação entre a divulgação científica e a sociedade”.
A conferência da jornalista integrou uma vasta programação que contou também com debates sobre a formação de recursos humanos na área de ciências biomédicas, debates com especialistas, workshops e apresentações de pôsteres de pesquisas. A ideia foi mostrar o impacto do instituto na sociedade e ao mesmo tempo discutir temas que fazem parte do dia a dia e da produção do ICB. É o que explica a professora Flavia Gomes, que coordenou a comissão organizadora do evento.
“Somos um instituto que faz uma ciência básica de excelência e uma ciência básica que é utilizada, digamos assim, para a criação de diversas estratégias de resolução de problemas de saúde pública, como a criação de novas terapias e diagnósticos para diversas doenças”, ilustra a docente. “A ideia foi usar essa semana para comemorar, mas principalmente para levantar temas transversais que pudessem mostrar o impacto do ICB nas suas diversas frentes”, revela. “Tentamos fazer essa espécie de síntese da nossa atuação”.
A PARTIR da esq: Márcio Portes, José da Costa Filho, Gulnar Azevedo, Roberto Medronho, Mônica Savedra, Marly Cruz, Jackeline Farbiarz, Débora Foguel, Tatiana Roque e Michel GhermanOs gestores das universidades e instituições de pesquisa do Rio de Janeiro prestigiaram o primeiro encontro da Rede Artigo 5º e declararam total apoio a iniciativas que busquem reduzir a letalidade no estado. O reitor José da Costa Filho, da UniRio, foi um deles. Professor de teatro, o reitor defendeu a inserção de políticas culturais para pessoas em vulnerabilidade social. “Eu não tenho dúvida de que a desqualificação completa da condição cidadã e subjetiva das pessoas, a redução à realidade biológica, torna aquela vida nua, descartável, matável. É uma vida que não tem outra valia. Não é cidadã, não é científica, não é política. Não tem subjetividade. Está ali para ser aniquilada”, afirmou. “Foi isso que aconteceu em outubro passado”, disse o dirigente, ao se referir à pouca comoção popular à chacina de 28 de outubro.
Ele também aproveitou o momento para elogiar a atuação da AdUFRJ. “Parabéns por atuarem num campo político mais amplo. Nossa tarefa sindical tem também um compromisso amplo. As nossas instituições são ameaçadas pelo avanço da extrema direita”, destacou.
O reitor Roberto Medonho declarou total apoio à rede. “Essa iniciativa de reunir a inteligência para discutir esse tema tão sensível é um marco histórico. Precisamos agora dar mais visibilidade ao Artigo 5º da nossa Carta Magna. Há direitos fundamentais ali explicitados que nunca foram seguidos”, disse. “Um dos compromissos da UFRJ é fazer ampla divulgação do que está sendo produzido por essa brilhante rede”, garantiu o reitor.
Medronho também comentou o impacto das imagens que circularam em outubro passado, dos corpos na rua, no dia seguinte à megaoperação dos complexos da Penha e do Alemão. “Eu acho que as atrocidades sobre as quais esse país foi constituído, com sangue de pessoas negras escravizadas, gerou de certa forma uma naturalização da violência”, disse. “Para constituição de políticas públicas não só mais eficazes, mas mais humanas, que levem em conta a dimensão civilizatória, é fundamental a integração da academia, da ciência, da gestão pública e da sociedade”.
Reitora da UERJ, a professora Gulnar Azevedo defendeu a atuação coletiva da rede. “Se a gente não se estruturar em rede, se a gente não se proteger, não vamos conseguir avançar”, afirmou a dirigente. Ela comentou o quanto a violência degrada o dia a dia da população especialmente da cidade do Rio de Janeiro. “Acontece uma chacina dessas, num dia, mas as crianças precisam continuar indo para a escola. Os serviços precisam continuar funcionando. Então, precisamos muito atuar com todas as áreas para abraçar essas realidades. Enquanto gestora da UERJ, daremos todo apoio necessário”.
A vice-presidenta da Fiocruz, a pesquisadora Marly Marques da Cruz, falou sobre os reflexos e repercussões que a violência gera no fazer acadêmico de muitas das instituições científicas da cidade, dentre elas, a própria Fiocruz. A Fundação fica às margens da Avenida Brasil, entre a Maré e Manguinhos. “Participamos desde o princípio da rede não só porque acreditamos nela, mas porque vivemos dia a dia essa necessidade de fortalecer políticas que combatam a violência”, justificou. “Hoje, a principal causa de atendimento no nosso Serviço de Saúde do Trabalhador é por transtornos relacionados à violência”, revelou a gestora. “Nós temos unidades no campus Manguinhos que são blindadas, mas não vale de muito. Temos um sistema diário que as pessoas precisam consultar antes de sair de casa, porque tem níveis diferentes de atenção. Então, nos vemos reféns de uma situação que só se agrava”.
Para a dirigente, a única maneira de tentar mudar o curso da política de segurança pública do Rio de Janeiro é, mesmo, a atuação em rede. “Digo isto porque individualmente nós já tentamos, em contato com várias instâncias. Isto não foi suficiente para que a violência naquele território reduzisse”, atestou. “Também temos valorizado internamente a atuação nos territórios e junto aos movimentos sociais porque eles têm muito a contribuir e são diretamente interessados porque vivem essa realidade. Há várias interrupções dos serviços de saúde e das escolas nos territórios (conflagrados)”, disse.
Também participaram do evento: Márcio Portes (diretor do CBPF), a pró-reitora de pós-graduação da UFF, professora Mônica Savedra; a vice-reitora da PUC-Rio, professora Jackeline Farbiarz; a professora Débora Foguel, em nome da SBPC e da ABC; e a professora Tatiana Roque, então secretária municipal de Ciência e Tecnologia. A íntegra dos debates está no canal da TV AdUFRJ, no Youtube.
Nesta quinta-feira, 30 de abril, às 19h, o historiador Michel Gherman e o teólogo Ronilso Pacheco conversam sobre o uso de signos religiosos pela extrema direita. Haverá um bate-papo e uma noite de autógrafos de lançamento do livro "Diálogos em tempos difíceis".
O livro parte de uma premissa urgente: analisar como líderes autoritários em diversos países têm instrumentalizado a religião para mobilizar bases sociais e atacar estruturas democráticas. No texto, Gherman e Pacheco discutem o avanço do que chamam de "pedagogia do ódio" e a exploração do medo.
MICHEL GHERMAN é professor do Departamento de Sociologia do ICFS/UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em História Social (IH/UFRJ), é coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ/UFRJ).
RONILSO PACHECO é teólogo, pastor, mestre em religião e sociedade pela Universidade de Columbia e diretor do Instituto de Estudos da Religião (ISER).
ANA LUIZA ALBUQUERQUE é jornalista especializada em política, mediou os diálogos entre Gherman e Pacheco. É mestre em jornalismo pela Universidade de Columbia.
Anota na agenda para não esquecer!
30 de abril
19 horas
Livraria Janela - Rua General Glicério, 324 - Laranjeiras
ANÁLISES. Especialistas que compõem a Rede fazem diagnóstico da violência. Da esq. para a dir: Marcelo Burgos, Edinilsa Ramos de Souza, Alexandre Werneck e Ignácio CanoDeixar de lado um modelo de enfrentamento ao crime baseado em grandes operações policiais, que deixam rastros de mortes, além de entender e enfrentar a percepção de que a maioria da opinião pública apoia esse tipo de ação. Esses são desafios sobre os quais os especialistas reunidos na Rede Universitária de Segurança Pública — Artigo 5º vão se debruçar. “Nós podemos ajudar a alavancar outras direções para a política pública na área de segurança. Estamos em um processo perigoso de naturalização da barbárie”, ponderou João Trajano, professor do Instituto de Ciências Sociais da Uerj, no lançamento da Rede, no CBPF.
De acordo com Marcelo Burgos, professor do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio, que coordenou a mesa dos especialistas, o gatilho para a construção da Rede Artigo 5º foi a chacina de 28 de outubro de 2025, nos complexos do Alemão e da Penha, com 117 mortos civis — considerados suspeitos pelas forças de segurança — e mais cinco policiais. “Mais do que as cenas dramáticas, a morte, o sofrimento de todos os envolvidos, nos assustou a reação da população, ou ao menos de uma parte dela, uma certa naturalização daquilo que não temos como não chamar de barbárie. Isso foi um gatilho para que nós tomássemos esse caminho da rede”, lembrou Burgos.
O professor da PUC-Rio saudou a iniciativa da AdUFRJ. “Temos aqui vários núcleos universitários com um grande patrimônio acumulado de conhecimento e de reflexão nesse campo. E a ideia, liderada pela AdUFRJ, foi a de que era preciso construir um espaço para que a Ciência pudesse falar. É muito significativo que nós venhamos fazendo essas reuniões aqui no CBPF, que a SBPC e a ABC estejam nos apoiando, porque isso abre para nós, cientistas sociais, um lugar novo, que talvez já devesse ter sido criado há muito tempo”.
NOVOS CAMINHOS
Burgos sintetizou uma avaliação geral dos especialistas: a ineficácia das políticas de segurança praticadas não só pelo atual governo do estado do Rio de Janeiro, mas pelos últimos governos, ao longo de décadas. “Não é preciso muito esforço para convergirmos em torno desse diagnóstico. A maior evidência disso é que temos operações policiais encarniçadas, com muitas mortes, e os grupos armados não pararam de se expandir nos territórios. Não adianta repetir a mesma fórmula achando que vamos ter um resultado diferente. É preciso criar novos caminhos, e essa rede nasce com a pretensão de ser uma contribuição nessa direção”.
E são várias as contribuições, em diferentes vertentes. De início, a Rede vai atuar a partir de quatro eixos: domínio territorial dos grupos armados; o uso da força policial; o pacto federativo; e as condições de trabalho dos agentes de segurança pública. No primeiro eixo, um dos principais estudos é o do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF): o Mapa Histórico dos Grupos Armados (saiba mais sobre esse estudo na matéria da página 6).
No eixo das condições de trabalho dos agentes de segurança pública merecem destaque os estudos desenvolvidos pela Fiocruz. Um deles — “Missão Prevenir e Proteger: condições de vida, trabalho e saúde dos policiais militares do Rio de Janeiro — teve como uma das coordenadoras a pesquisadora Edinilsa Ramos de Souza, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz). “Temos estudos nesse campo para contribuir para esta Rede. Esse profissional de segurança tem jornadas de trabalho estressantes e quase não relaxa, com sérios impactos na sua saúde física e mental”, disse Edinilsa.
Pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (INCT-InEAC/UFF), Lenin Pires trouxe para a Rede a vasta experiência acumulada em pesquisas no campo da segurança. “O INCT-InEAC congrega universidades e grupos de pesquisa de oito estados brasileiros, além de nove países (África do Sul, Argentina, Canadá, Estados Unidos, França, Portugal, Peru, México e Suíça), com sede na UFF. É uma rede multidisciplinar de 300 pesquisadores nas áreas de Antropologia, Direito, Sociologia, Psicologia, Segurança Pública, História e Comunicação Social”, ressaltou Lenin.
SEGURANÇA CIDADÃ
Para Alexandre Werneck, coordenador do Núcleo de Estudos de Cidadania, Conflito e Violência Urbana (NECVU/UFRJ), a raiva tem ocupado um lugar central nas políticas de segurança pública. “Ela tem sido o mote para justificar ações de vários governos, e tem penetrado no imaginário de nossa população. A raiva não é um bom senhor para tomada de decisões. Ela tem sido mobilizada propositalmente e planejadamente como um elemento fundamental que atravessa a dinâmica das mídias sociais, e aparece cada vez mais em discursos legislativos e executivos, ou em projetos de lei”, observou o professor da UFRJ. “Sem desarmar esse aparato de raiva, a gente não conseguirá avançar no sentido de um debate de uma segurança cidadã e para todos”.
Um dos mais respeitados especialistas em Segurança Pública do país, o professor Ignacio Cano, do Instituto de Ciências Sociais da Uerj, diz que a Rede nasce como um contraponto ao modelo tradicional de combate ao crime organizado. “Em geral, as políticas públicas se baseiam em estudos, diagnósticos prévios e avaliações posteriores, como as econômicas, de Saúde e de Educação. Mas na área de Segurança Pública não é assim que acontece: as políticas são baseadas no achismo, na emoção, na raiva ou em interesse eleitoral. Nós estamos aqui porque queremos ser ouvidos na formulação dessas políticas”, defendeu Ignacio.
O professor da Uerj acredita que o Rio de Janeiro, que hoje vive sob o estigma da violência urbana desordenada, possa virar a chave: “O Rio de Janeiro não está condenado a ser sempre palco de violência e de criminalidade. Sociedades que hoje são relativamente pacíficas já foram violentas no passado. O modelo da guerra, que temos usado nos últimos 30 anos, não funciona, é falido. Não há um exército do outro lado que um dia vá se render. Se matar resolvesse o problema da segurança já teríamos resolvido o problema várias vezes e há muito tempo. Precisamos de um modelo alternativo, e essa rede quer oferecer subsídios para essa mudança”.