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WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17 6Foto: Alessandro CostaA ligação da UFRJ com o mar é antiga. Seu principal campus está debruçado sobre a Baía de Guanabara. Um dos seus cursos mais tradicionais, o de Engenharia Naval e Oceânica, existe há mais de 50 anos. A Biologia Marinha oferecida no CCS é uma das referências da área. A descoberta e exploração do pré-sal contou com a decisiva participação da universidade.
Agora chegou a vez de ampliar esse vínculo. Em parceria com o movimento socioambiental Baía Viva e a Petrobras, o Hangar Náutico da UFRJ vai sediar um Centro de Formação em Economia do Mar, voltado para a capacitação de comunidades tradicionais da Baía de Guanabara, como indígenas, pescadores e quilombolas.
A coordenação da iniciativa, lançada no último dia 17, caberá ao Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Econômico e Social (Nides/UFRJ). “Uma das bases do Nides é o UFRJ Mar, que há mais de 20 anos articula grupos da universidade nesta temática. Da biologia marinha, dos esportes marítimos, da engenharia naval e tantos outros”, afirma o diretor da unidade, professor Felipe Addor.
Antes do apoio da Petrobras, o Nides e o movimento Baía Viva já haviam realizado cursos de carpintaria naval no mesmo hangar. O lançamento do centro de formação consolida e coroa essa trajetória. “Vimos que faltava na universidade, especialmente no Fundão, um espaço para fortalecer o intercâmbio com a sociedade. Um espaço para apoiar atividades de extensão, para receber pessoas de fora e realizar processos de formação”, diz. “A universidade pública tem sido muito atacada. Acreditamos que o fortalecimento dessa relação com a sociedade e das ações de extensão pode ajudar a valorizar o papel da universidade”.
Dez professores devem atuar diretamente no centro de formação, além de um grupo de 30 a 40 estudantes de graduação e pós-graduação. “Tudo isso será registrado como atividade de extensão”, esclarece Felipe.

DEZ CURSOS
Estão previstos dez cursos e oficinas. Entre eles, carpintaria naval artesanal, turismo de base comunitária e mecânica de motor de barco. “Estamos ressignificando este espaço que foi construído em cima de oito ilhas aterradas para receber a universidade”, disse o coordenador do Baía Viva, Sérgio Ricardo.
“Moravam aqui os pescadores artesanais e, antes deles, os povos indígenas. Mas hoje os pescadores moram nos lugares mais degradados da Baía de Guanabara ou da Baía de Sepetiba onde não têm o saneamento básico”, completou.
As atividades acontecerão em sete municípios (Itaboraí, Caxias, Cachoeiras de Macacu, Maricá, Guapimirim, Magé e São Gonçalo) e no Hangar, que está sendo reformado com os recursos da Petrobras. No local, haverá três salas para 40 pessoas e um refeitório. O alojamento local e o píer serão reformados.
O primeiro curso, de viveiristas agroflorestais começa em maio, em Maricá. “Faremos um viveiro para 50 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. São 30 vagas e já temos 100 inscritos”, informa Sérgio. “No segundo semestre, teremos a turma do estaleiro-escola. Vamos construir um catamarã movido a energia solar e elétrica para 15 tripulantes”.

INTERAÇÃO
A reitoria espera que o centro de formação renda frutos para a sociedade e para a própria UFRJ. “Será um momento de muito aprendizado. O conhecimento não está só na universidade. O conhecimento também está no povo, que cria muitas inovações no seu dia a dia. Acredito que a interação entre esses conhecimentos trará as grandes inovações tecnológicas e sociais para mudar este país”, disse o reitor Roberto Medronho.
Márcia Cristina, de 55 anos, integrante da cooperativa Manguezais da Guanabara, está ansiosa pela troca de experiências com a universidade. Mais uma. A pescadora já fez parte da segunda turma do curso de carpintaria naval promovido pelo Nides há cerca de dois anos. Antes, nunca havia entrado na universidade. “Eu amei. Aqui eu aprendi novas técnicas. Foi muito bom”.
Márcia agora pretende participar dos novos cursos que serão oferecidos, ao lado da neta Júlia, esperançosa de dias melhores para a Baía de Guanabara e para sua família. “A Baía de Guanabara representa vida, porque ela é o berço de aves migratórias e de muitos peixes. E é dali que nós tiramos nosso sustento”.

Homenagem ao professor
e geógrafo Elmo Amador

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17 5O Baía Viva surgiu na década de 1980, quando pesquisadores e ecologistas enfrentaram a ditadura para impedir os aterros dos manguezais da Guanabara. Um dos principais expoentes daquela resistência foi o professor e geógrafo Elmo Amador, ex-diretor do Instituto de Geociências (1985-1989) e ex-diretor da ADUFRJ (1993-1995), que morreu em 2010.
Durante o lançamento do centro de formação, Elmo recebeu como homenagem a exibição de um vídeo sobre sua trajetória. “O Elmo deve estar vendo essa continuidade da luta com muita alegria, de onde estiver”, disse a viúva Zulmira Bittencourt Amador, a Zuzu, que prestigiou a solenidade ao lado das netas. Uma delas, também geógrafa. “Ainda bem que os jovens estão pegando essa bandeira também”, comemorou.

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