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WhatsApp Image 2022 08 22 at 12.27.07Associações docentes das universidades federais filiadas ao Andes deverão realizar assembleias até o final de agosto para discutir as eleições de 2022. Os professores vão avaliar, por exemplo, se o Sindicato Nacional deve ou não apoiar a candidatura de Lula à presidência. A decisão aconteceu na reunião do setor das federais, nos dias 6 e 7 de agosto, a contragosto do grupo que dirige o Andes. A AdUFRJ realizará sua assembleia no dia 31 e foi uma das principais articuladoras da reação contra a diretoria nacional. A capa do Jornal, de 22 de julho - que denunciou a dificuldade de o Andes enfrentar o debate eleitoral – ajudou a agregar os críticos contra a isenção do Andes. “Aquela capa rompeu a bolha sindicalista”, resume a professora Elisa Guaraná, presidente da Adur-RJ, a associação dos docentes da Rural do Rio.

A tese defendida pela oposição à direção nacional é que os docentes têm autonomia para indicar ao sindicato as ações necessárias à derrota de Bolsonaro já no primeiro turno. “Não se trata de uma postura político-partidária. É uma posição em defesa da democracia”, esclarece a professora Elisa Guaraná.

A professora Mayra Goulart, vice-presidente da AdUFRJ, também participou da reunião e foi uma das defensoras de que as assembleias debatessem as eleições. Para ela, a direção nacional não contribui para a derrota de Bolsonaro. O Andes defende a máxima “Fora, Bolsonaro”, mas mantém isenção sobre qual candidatura fortalecer. “O ‘Fora, Bolsonaro’ é etéreo, porque não existe essa opção na urna”, explica Mayra. “A ação ‘Fora, Bolsonaro’ deve ser apoiar o candidato com maior viabilidade política, que é Lula”, afirma. “É fulcral para quem defende a universidade e o Estado Democrático de Direito”.

O placar foi apertado: 11x10, mas se traduziu num marco importante. Foi a primeira vez que o setor conseguiu aprovar uma posição contrária à da direção nacional. “Não é fácil vencer uma eleição sobre a qual a diretoria tem uma posição contra, porque ela tem a mesa que conduz a discussão e a máquina burocrática nas mãos. Então, ela se utiliza de subterfúgios regimentais para obstruir, esvaziar o debate”, analisa o professor Paulo Vieira Neto, presidente da Associação da Universidade Federal do Paraná (Apufpr).

O tema só foi levado à votação no segundo dia de encontro, à tarde. “A reunião já estava esvaziada, muitas pessoas tinham ido embora”, conta o professor Vieira Neto. Para ele, uma forma de a diretoria ganhar tempo e equilibrar o número de votos para a decisão. “Se a diretoria tivesse segurança sobre o apoio dos colegas que lá estavam, teria feito o debate já no primeiro dia”, considera.

A discussão foi apresentada pelo grupo que organiza o Renova Andes, principal núcleo de oposição à diretoria, mas teve apoio de associações que não se organizam pelo Renova. “O momento marca uma mobilização importante de oposição à diretoria nacional”, sublinha a professora Elisa Guaraná. “É uma oposição a essa linha sistemática e persistente de fragmentação”, continua.

Para os críticos, falta comando na atuação do Andes. “Precisamos envidar esforços para derrotar Bolsonaro nas ruas e nas urnas. Mas nós perguntamos: como?”, questiona Elisa. “Acreditamos que este é o momento de o sindicato apresentar uma posição clara sobre o pleito. O único candidato com condições de derrotar Bolsonaro é Lula”, afirma. “Quando houve o ‘fora todos’ (durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016), a posição do Andes estava muito clara. Agora, o discurso é de isenção, mas esta é uma postura despolitizante”, critica.

BONDE DA HISTÓRIA
O professor Sidiney Ruocco Junior, presidente da Adufu, seção sindical da Federal de Uberlândia, também votou a favor da consulta. Ele é um dos que não se organizam pelo Renova Andes. “A diretoria e outras instâncias não podem ter luz própria. Elas devem ser reflexo do que dizem os professores nas assembleias pelo país”, acredita.

Para ele, as ações de 11 de agosto explicitaram uma mensagem importante para a sociedade, principalmente para o Andes: de que é necessária uma frente verdadeiramente ampla para rechaçar qualquer tentativa de golpe. “Na hora de operacionalizar essa frente ampla, muitas pessoas não abrem mão de certas posições político-partidárias. Precisamos ter coerência entre discurso e prática”, critica. “O Congresso do Andes já tinha aprovado ações para derrotar Bolsonaro e isso envolve estratégia eleitoral”, argumenta.

O bonde da história não esperará pelo Andes, segundo o professor Fernando Cunha, diretor da Adufpb, Associação da Federal da Paraíba. “Para além das deliberações de assembleia, várias seções sindicais e docentes estão assinando manifestos de apoio a Lula. Esse movimento está acontecendo, não há como barrar”, constata o dirigente. “O Andes tem uma grande responsabilidade. Não pode ficar aguardando o que vai acontecer. Deve ter protagonismo político”, defende.

OUTRO LADO: A VERSÃO DA DIRETORIA DO ANDES

A professora Regina Moreira, secretária-geral do Andes, afirma que, mesmo que as assembleias de professores das universidades federais decidam pelo apoio a Lula, não há perspectiva de a diretoria do Andes seguir a decisão. “Não há deliberação congressual para isso”. De acordo com ela, o setor das federais não pode aprovar ações que dependam do aval das universidades estaduais, municipais e particulares “que também compõem o Andes”, diz a secretária-geral.

“As federais vão ter o mês de agosto para pautar isso nas assembleias e a autonomia de cada local vai indicar a estratégia a ser adotada. Não há previsão formal para que um setor delibere sobre todo o conjunto de professores representados”, completa.

A professora Regina também afirma que não há prazo para convocar um Conselho extraordinário do Andes para debater amplamente o assunto. “Já temos um Conad extraordinário agendado, não temos tempo para convocar outro, antes desse, pra debater apoio a qualquer candidatura. Regimentalmente precisamos de tempo para organizar um cronograma, abrir período para inscrições de textos que serão base para o debate”, explica.

Sobre ter uma estratégia eleitoral para combater Bolsonaro nas urnas, a diretora diz que o comando do Andes não tem aprovação para atuar eleitoralmente, mesmo em pleitos ocorridos em momentos delicados como o atual, em que a democracia está sob risco.

“Estratégico é ocupar as ruas, fazendo trabalho de base. Precisamos ir para a rua dizer para a população que passa fome que o auxílio emergencial vai até dezembro, que o auxílio gás no valor do botijão é eleitoreiro, que essas ações são uma enganação”, defende. “Se as ruas não estiverem fortes, as urnas não estarão garantidas. O bolsonarismo não está vencido”.

DERROTA
A docente não reconhece o resultado da reunião do setor das federais, dos dias 6 e 7 de agosto, como uma derrota política da diretoria nacional do Andes. Ao contrário, acredita que é salutar que se ouça a base. “O que ficou decidido foi que o setor das IFES pautasse as eleições deste ano nas suas assembleias. Só isso foi aprovado, nada além”, afirma.

A dirigente argumenta que nenhuma seção sindical ou corrente política apresentou proposta de apoio a Lula ou a qualquer outro candidato à presidência nas instâncias de decisão do sindicato. “A posição da diretoria é aquela definida nas instâncias, de que não haverá apoio formal a nenhum candidato, porque não houve deliberação nessa direção nem no Congresso deste ano, nem no Conad (realizado em julho)”, diz.

WhatsApp Image 2022 08 15 at 11.50.38Foto: Fernando SouzaEstela Magalhães

Sob a chuva na Candelária, Clara Davidovich, de 83 anos, e Júlia Brant, de 81, empunhavam o cartaz “Democracia é Liberdade” e uma bandeira do Brasil que dizia “Fora Bolsonaro”. “Nossa mensagem para os estudantes da UFRJ: estamos nas ruas e na chuva hoje para que vocês possam continuar na luta pela democracia”, ensinou Clara. Para elas, que lutaram pela redemocratização durante a ditadura, é muito importante ocupar as ruas neste 11 de agosto. “Eu já era adulta na ditadura, meu marido foi cassado e daí em diante foi só luta. O mal dessa época não pode se repetir, temos que ir para as ruas garantir a democracia!”, conclamou Júlia.

Quase três mil pessoas caminharam da Candelária até a Cinelândia em defesa de eleições democráticas e contra o governo Bolsonaro. A professora Nedir do Espirito Santo, diretora da AdUFRJ, conduziu a faixa da associação. “Jamais imaginei que, num espaço de tempo tão curto, já teríamos uma situação de risco à nossa democracia. Estamos regredindo ao invés de progredir”, ponderou. Ela destacou a preocupação da juventude em ser representada por pessoas eleitas democraticamente. “Caminhamos, jovens, adolescentes e idosos, carregando nossos estandartes sob a chuva. Esperamos que o número de pessoas indo às ruas aumente, porque é isso que retrata o desejo de um povo”, completou.

WhatsApp Image 2022 08 15 at 11.46.49Fotos: Fernando SouzaCom coragem e unidade, a UFRJ atendeu ao chamado nacional em defesa da democracia. Na quinta-feira, 11, professores, técnicos e estudantes leram a Carta pela Democracia e cobraram eleições livres em outubro. O movimento encheu o pilotis do CT e foi organizado pela AdUFRJ, Sintufrj, APG e DCE, em sintonia com as manifestações de todo o país.
A Carta foi lida por estudantes, docentes e técnicos. O revezamento entre os leitores se repetiu em todo o país, sob a liderança da Faculdade de Direito da USP, grande idealizadora do movimento. O documento já ultrapassou um milhão de assinaturas.
“Que a leitura da carta da democracia impulsione as forças democráticas no Brasil a fazer mais. Que impulsione todos nós a fazer mais, a colocar a nossa ação e reação à altura do momento histórico que vivemos, afirmou o presidente da AdUFRJ, professor João Torres, na reunião do Consuni que antecedeu a leitura da Carta. “E quem sabe assim teremos nossas universidades florescendo de novo”, completou.
As universidades conhecem bem o valor da democracia, diante do desrespeito sofrido no governo Bolsonaro. “Neste momento, há cerca de 20 universidades onde o reitor eleito não foi empossado”, disse a reitora Denise Pires de Carvalho. “Sabemos que somente através do Estado democrático de direito conseguiremos a nação soberana para as futuras gerações”.WhatsApp Image 2022 08 15 at 11.47.52
São jovens como Natália Trindade, da Associação de Pós-graduandos, que desejam esta nação soberana. “As eleições de outubro serão plebiscitárias. Quem hoje dirige o país acredita que a universidade deva acabar”, avaliou.
Coordenador geral do Sintufrj, Esteban Crescente pediu mobilização. “Não há outro caminho até 2 de outubro que não seja ir para a rua e resistir”.

PRINCÍPIO FUNDAMENTAL
A Faculdade Nacional de Direito, com longo currículo de resistência em defesa das liberdades democráticas, não poderia faltar ao ato da UFRJ. Diretor da unidade, o professor Carlos Bolonha enfatizou que o Estado democrático de direito sequer deveria estar em discussão. “É um princípio fundamental absoluto”.
O dirigente leu uma moção da Congregação da FND com integral apoio à Justiça Eleitoral. “Nesta encruzilhada histórica, esta Faculdade convoca a todas e todos que defendem o Estado Democrático de Direito a lutar pela soberania popular, inibindo, assim, qualquer tentativa de dilapidação das conquistas democráticas do povo brasileiro”, diz o documento.
No 11 de agosto, que é o Dia Nacional dos Estudantes, o DCE da UFRJ também prometeu resistir. “Bolsonaro dá declarações de que não aceitará o resultado das urnas. Ataca o Supremo Tribunal Federal. Articula com militares sua permanência por meio de um golpe. Essa história nós já conhecemos. E nós já conhecemos o que não permitirá que a democracia seja apunhalada: mobilização popular nas ruas para barrar o fascismo”, disse Lucas Peruzzi, coordenador-geral do DCE. “Nossa bandeira carrega o nome de Mário Prata, que decidiu ser resistência nos momentos mais sombrios da nossa história. Hoje honraremos este legado para dizer que não aceitamos o governo da fome e da miséria. Não permitiremos que os golpistas assassinem a nossa democracia”, concluiu.

VICE-REITOR: “NÃO VAMOS FECHAR. DEVEMOS ISSO AO POVO BRASILEIRO”

WhatsApp Image 2022 08 15 at 11.48.14“Nós não vamos fechar, porque devemos isso ao povo brasileiro. Somos uma das luzes que existem na sociedade”, disse o vice-reitor, professor Carlos Frederico Leão Rocha, na reunião especial do Conselho Universitário que antecedeu o ato político de leitura da carta pela democracia. A sessão tinha como ponto único a discussão da grave situação financeira da UFRJ. “Hoje temos cerca de 40% do orçamento que tínhamos em 2012. Estamos no limite do limite”, completou.
O dirigente, docente do Instituto de Economia, criticou o teto de gastos públicos. O dispositivo limita as despesas do Estado, mesmo com o governo batendo recordes de arrecadação. “Nenhum país do mundo em nenhuma situação adotou uma prática como o teto de gastos. É a coisa mais danosa que pode ser feita na história da humanidade. E só foi possível num momento de suspensão da democracia, com um presidente que não foi eleito”, disse em referência ao ex-presidente Michel Temer.
O pró-reitor de Finanças, professor Eduardo Raupp, expôs o caráter inédito da crise atual. “É a primeira vez que temos um corte com o orçamento já em aplicação. Não tivemos como planejar, reduzir contratos. No momento do corte, a UFRJ já tinha 90% do seu orçamento comprometido com fornecedores”, informou. “Só temos cobertura orçamentária até meados do mês que vem”, disse.
O Consuni aprovou uma carta ao MEC, proposta pelas entidades representativas da UFRJ, por unanimidade. O documento reivindica a reconstrução do orçamento da universidade.

FSOU9368Presidente da AdUFRJ, professor João Torres fala ao Consuni de 11 de agosto - Foto: Fernando SouzaJoão Torres
Presidente da AdUFRJ

A cidade de Leiden estava em ruínas após a longa guerra dos oitenta anos entre os Países Baixos e a Espanha. Um terço da cidade morreu de fome ou de doenças. O príncipe Guilherme de Orange precisava abrir negociações com a Espanha e se legitimar diante das províncias separatistas. E, em dezembro de 1574, numa visita à cidade arrasada, anunciou que criaria o que hoje é a Universidade de Leiden. A comunidade levou o projeto a sério e, seis semanas depois, a universidade foi inaugurada.
Esse espírito criativo, comprometido com a Ciência e a Educação, tornou a Holanda uma grande potência na Ciência e na Arte. Ainda no século XVI, há inovações espetaculares na indústria náutica holandesa. No século XVII, as artes floresceram, com Rembrandt e Van Dycke. A luneta e o microscópio foram inventados na Holanda. Leeuwenhoek lançou as bases da Microbiologia. Isso para não falar de Espinosa e outros. Retomo aqui essa história para lembrar que a criação de uma universidade provocou o renascimento de uma cidade devastada.
E isso é deveras auspicioso se olharmos para o Brasil de hoje. Vivemos a antítese da Holanda de 1574: para destruir o país, para desmontar o que já foi motivo de orgulho para os brasileiros — a nossa tradição em vacinas, o nosso sistema eleitoral, o SUS, a floresta amazônica e vários outros — o atual governo sufoca a universidade. A penúria das instituições federais de ensino é um projeto do governo, e se mostra como a antítese do projeto de Guilherme de Orange.
Desde o início da gestão Bolsonaro, em 2018, há um embate com as universidades públicas. O bolsonarismo defende a tese de que as universidades são a ponta de lança da chamada guerra cultural. Seus ideólogos — se é que podemos chamá-los assim — acreditam que as universidades são lugares de disseminação do comunismo, do “gayzismo”, que plantamos maconha em grande escala e outras bobagens que insuflam a base da extrema-direita.
Devemos lembrar que estudantes e professores protagonizaram grandes embates contra o governo. Por exemplo, o 15M de 2019 contra os cortes na educação mobilizou centenas de milhares de jovens.
No entanto, estamos observando que a Física não vale para a política. Se para cada ação corresponde uma reação, não há como entender as reações no Brasil de hoje. Em 2014, sem entrar no mérito dos erros e acertos do governo Dilma, uma parte considerável das forças progressistas foi para a rua protestar contra o governo. Eu sei que a política não é a terceira lei de Newton, mas não consigo me conformar com o que está acontecendo hoje, com as reações que articulamos, quando penso em 2014!
E como a universidade tem sido uma das instituições mais atacadas nesta onda conservadora, me parece que a nossa reação tem sido, sim, muito desproporcional à gravidade do momento. De forma nenhuma faço uma acusação, apenas partilho a minha perplexidade.
É óbvio que por lutar não me refiro a esvaziar a universidade por três meses numa greve confortável, gastando nosso capital simbólico diante da população. Ao contrário. O momento requer uma universidade viva, pulsante, e sua pujança precisa ser um espinho no corpo do conservadorismo.
Nossa ação tem que ser generosa, não há espaço para sectarismos. Na realidade, precisamos de uma reação e de uma ação muito consequente. Há exemplos recentes para isso bem perto de nós, no Chile, com a vitória de Gabriel Boric, e na Colômbia, com a de Gustavo Petro. É preciso alcançar algo semelhante no Brasil: a vitória de forças progressistas que pregam um reformismo social moderado contra a extrema-direita. É apenas isto que está em pauta, é o que as condições objetivas nos impõem!
E sendo apenas um rapaz latino-americano com algum dinheiro no bolso — corrigindo, um senhor latino-americano —, eu encaro as Forças Armadas dos Estados Unidos com muita desconfiança. Mas somos forçados a reconhecer que lá, nos EUA, as Forças Armadas sustentaram a democracia e não embarcaram em aventuras golpistas. Não é claro que poderemos falar o mesmo aqui em 2023. E, se nossas Forças Armadas falham no suporte aos valores republicanos, outras instituições têm que compensar! Volto a afirmar: a universidade precisa fazer mais. A Andifes precisa fazer mais, a AdUFRJ precisa fazer mais, o Andes precisa fazer mais, a APG, a UNE e a UEE precisam fazer mais, os DCEs e os CAs precisam fazer mais!
Que a leitura da Carta da Democracia impulsione todas as forças democráticas no Brasil inteiro a fazer mais, que impulsione a todos nós a fazer mais, a colocar a nossa ação e reação à altura do momento histórico que estamos vivenciando e construindo! E quem sabe assim teremos nossas universidades florescendo de novo!

WhatsApp Image 2022 08 08 at 19.20.14 1UNIDADE. João Torres, presidente da AdUFRJ, organiza ato com representantes do Sintufrj, DCE e APG - Foto: divulgaçãoA sociedade civil não tolera mais as seguidas manifestações antidemocráticas de Bolsonaro. O grito em defesa da democracia e da liberdade, a exemplo do que aconteceu em agosto de 1977, durante a ditadura militar, tem data e hora. Será no dia 11 de agosto, às 11h. As atividades vão acontecer em diferentes cidades brasileiras e a principal manifestação será em São Paulo. No Rio, a UFRJ será uma das instituições a ler a Carta da Democracia, às 11h, nos pilotis do Centro de Tecnologia e a engrossar a passeata no Centro. O documento, elaborado por juristas da Faculdade de Direito da USP, já tem mais de 800 mil adesões – leia a íntegra AQUI. Desde que foi aberto para assinatura do público, o site que hospeda a carta já sofreu mais de dois mil ataques hackers.
Presidente da AdUFRJ, o professor João Torres participou dos encontros organizativos e acredita que este é o momento de unidade máxima contra as tentativas do atual governo de colocar em xeque as instituições brasileiras. “Vivemos um momento de ameaça concreta de ruptura da democracia”, avalia. “O governo e instituições militares têm questionado as urnas e as eleições. Algo muito semelhante aconteceu recentemente nos Estados Unidos. Mas lá, diferentemente daqui, as Forças Armadas atuaram no sentido de defesa da democracia. Aqui, este movimento não é claro”, continua o professor. “A carta, portanto, tem essa ressonância grande por conta da escalada autoritária e da possibilidade de quebra da normalidade democrática”, conclui.
A atividade na UFRJ começa às 9h30, com o Conselho Universitário que discute o orçamento da universidade. A sessão será realizada no auditório do Bloco A do Centro de Tecnologia. Em seguida, às 11h, o Consuni será suspenso para a realização do ato político em defesa da democracia, contra os cortes e por eleições livres, também no CT. Neste momento, será lida a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito. A organização do movimento é da AdUFRJ e das demais entidades representativas dos técnico-administrativos, estudantes e terceirizados.
“As universidades são espaços de formação do pensamento crítico e de valorização do conhecimento social”, acredita Esteban Crescente, coordenador geral do Sintufrj. “Em especial, nos úlimos anos, o debate sobre a popularização e o acesso a esse conhecimento se intensificou, o que reforça a necessidade desse espaço ser de resistência”, justifica o dirigente. “A história nos mostra que não podemos subestimar o caráter golpista de boa parte do alto comando das Forças Armadas brasileiras. Por tudo isso, é necessária a mobilização da sociedade brasileira nos atos em defesa da democracia”.À tarde, as comunidades acadêmicas dos institutos de Filosofia e Ciências Sociais e de História se organizam para fazer também a leitura da carta e concentrar professores, estudantes e servidores da UFRJ para o ato da Candelária. A programação está prevista para começar às 14h com a leitura da carta no Largo do São Francisco de Paula, no Centro do Rio.WhatsApp Image 2022 08 08 at 19.25.51
Fernando Santoro, diretor do IFCS e um dos organizadores da atividade, ressalta a importância de atuar em defesa da democracia. “A Congregação do IFCS deliberou por estar atenta e ativa na defesa da democracia, das eleições livres e das instituições democráticas da República”, afirma. O empenho na preparação da atividade não esconde a preocupação do professor com a escalada da violência política. “Estamos preparando um protocolo de segurança como forma de proteger nossa comunidade acadêmica e os espaços da universidade contra a ação daqueles que usam da violência para desestabilizar a democracia”, disse.
O ato do dia 11, ressalta o professor, será a expressão da UFRJ para a sociedade. “Nosso prédio fica localizado no coração do Rio de Janeiro, num corredor cultural de grande importância também política”, diz. “Estaremos em praça pública, onde a universidade pensa sua cultura, para rechaçarmos qualquer tentativa de ataque à democracia”, afirma. “A universidade, por sua própria natureza, é uma das guardiãs da democracia, pois é espaço do debate, do pensamento livre. Também por isso somos atacados em todos os âmbitos, seja no corte do orçamento, seja na liberdade de cátedra, com intimidações e judicializações”, analisa. “É muito importante que estejamos juntos nesse momento”.

ATOS DEMOCRÁTICOS SE ESPALHAM POR TODAS AS REGIÕES

Além da UFRJ, a PUC-Rio será outro cenário de grande ato em defesa da democracia. No mesmo horário, às 11h, a carta será lida nos pilotis da universidade, na Gávea. A manifestação é organizada pela Associação de Docentes da PUC e conta com a adesão de mais 33 entidades. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Central Única dos Trabalhadores, Associação Brasileira de Imprensa, Instituto de Advogados Brasileiros e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro são algumas delas.
Também no Rio, às 11h, a carta será lida em outros dois pontos: ao lado das estátuas de Marielle Franco (foto), na Praça Mario Lago, e de Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas.WhatsApp Image 2022 08 08 at 19.20.54
Às 16h, começa a concentração da passeata, na Candelária. A União Nacional dos Estudantes e partidos de esquerda organizam a atividade. A AdUFRJ participará do ato.
Em São Paulo, a manifestação principal concentrará no do Largo de São Francisco. Às 11h, será lida a Carta pela Democracia na faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Também em São Paulo, às 9h e às 17h, haverá atos de massa em frente ao Masp, na Avenida Paulista.

Veja outras cidades:

Distrito Federal
Às 15h, ato no Congresso
Nacional

Manaus
Praça da Saudade, às 15h

Salvador
Praça do Campo Grande, às 9h

Fortaleza
Praça da Bandeira, às 9h;
Gentilândia, às 16h; e Casa
do Estudante, às 19h

Goiânia
Praça Universitária, às 17h

São Luiz
Praça Deodoro, às 16h
Campo Grande
Câmara Municipal, às 10h
Belo Horizonte – Praça
Afonso Arinos, às 17h

João Pessoa
Lyceu Paraibano, às 14h

Curitiba
Praça Santos Andrade, às 15h30

Recife
Rua da Aurora, às 15h

Natal
Midway Mall, às 14h30

Florianópolis
Auditório da Reitoria da
Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC), às 10h.

 

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