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A AdUFRJ acaba de lançar um edital simplificado para concessão de apoio institucional e financeiro a iniciativas de professores, servidores, estudantes e movimentos sociais. As ações devem estar alinhadas com os princípios e prioridades do sindicato.
Confira todos os detalhes em: https://forms.gle/uERStAM5fcasQvii7
Fotos: Alessandro CostaOs poderosos versos da ópera moçambicana “O Grito de Mueda”, cantados pelo Grupo Brasil Ensemble da Escola de Música, emolduraram o lançamento do ecossistema de divulgação científica da UFRJ, nesta quarta-feira (5), na Casa da Ciência da UFRJ, em Botafogo. O carro-chefe do projeto é a revista bimestral Minerva, de 60 páginas, cujo primeiro número foi distribuído aos convidados. A iniciativa é coordenada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2).
“A revista Minerva é um convite aos pesquisadores da UFRJ para que contem as suas histórias. Quero que com ela a UFRJ se mostre mais para o público externo e também para nós mesmos”, convocou o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, professor João Torres, na abertura do lançamento.
O editor-chefe Paulo Rossi e o editor de Arte, André Hippertt, apresentaram aos convidados não só a revista, mas toda a gama de produtos e ações do Ecossistema Minerva. Entre essas iniciativas estão uma versão infantil da revista (a Minervinha), um portal na Internet, um banco de fontes de pesquisadores da UFRJ e um podcast, entre outras. A matéria de abertura da primeira edição da revista aborda a escolha da deusa Minerva como símbolo da UFRJ, uma história que começou em 1925.
A principal atração da cerimônia de lançamento foi um bate-papo com os pesquisadores Luiz Davidovich, do Instituto de Física, e Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas, mediado pelo reitor Roberto Medronho. Ambos falaram não apenas sobre suas pesquisas, mas sobretudo sobre suas trajetórias na UFRJ e o cotidiano em laboratórios e salas de aula. A pesquisa de Tatiana sobre a polilaminina, com promissor potencial regenerativo do sistema nervoso periférico, é tema de reportagem na edição de estreia da revista Minerva.
Confira abaixo mais alguns registros do lançamento da revista.



canteiro a todo vapor Obras de adequação para as turmas da Educação Infantil do CAp acontecem em espaço localizado ao lado do CCS (antigo polo Bio-Rio), no Fundão - Foto: Silvana SáQualidade, acolhimento, compromisso social. Essas são algumas características que norteiam mães e pais na hora de escolher uma boa escola para seus filhos. O Colégio de Aplicação está entre as instituições de referência do Rio de Janeiro que atendem a esses requisitos. Fundado há 77 anos, o CAp-UFRJ é um modelo de escola que atua tanto na formação de professores, quanto na educação básica. Atende desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. “É um espaço que foi criado como campo de estágio para os cursos de Licenciatura da universidade. Trabalhamos não só com ensino, mas com pesquisa e extensão no campo da educação”, explica a diretora Cassandra Pontes. “O colégio dialoga com questões ético-políticas amplas, envolve a discussão de temas sociais e contemporâneos a partir não só do que é estudado, mas por sua produção de conhecimento”, afirma a diretora.
O CAp está com inscrições abertas para seu processo seletivo, que é feito exclusivamente por sorteio público, sem taxa de inscrição. Os interessados devem acessar www.admissaocap.ufrj.br para realizar a inscrição da criança. Há vagas para o 1º, 4º e 6º anos do Ensino Fundamental, além da 1ª série do Ensino Médio. Os sorteados estudarão na sede Lagoa. Também há inscrições na modalidade de cadastro de reserva para a Educação Infantil 2, 3 e 4, destinada a crianças de dois, três e quatro anos de idade. As inscrições vão até esta sexta-feira, 14 de novembro. A criança precisa ter CPF próprio. Os editais específicos de cada série podem ser encontrados no site da instituição: cap.ufrj.br. O sorteio público será no dia 26.
EDUCAÇÃO INFANTIL
A Educação Infantil não tem quantitativo de vagas definido porque o espaço que será destinado a essas turmas ainda está em reformas. “A previsão de conclusão das obras no Fundão é março, por isso abrimos como cadastro de reserva. Necessitamos dos espaços prontos para saber o número exato de vagas”, diz a diretora. “São crianças muito pequenas, que necessitam trocas de fraldas, banho. Não temos como recebê-las no CAp-Lagoa. O regular é termos 15 crianças por turma, mas só poderemos confirmar esse número depois que os espaços estiverem prontos”.
A antiga sede onde funcionava a Educação Infantil, no Fundão, foi interditada em 2023, após apresentar graves problemas estruturais que colocavam em risco a comunidade escolar. As crianças atendidas foram transferidas para a sede Lagoa, que não é preparado para comportar crianças tão pequenas. Desde então, o colégio parou de abrir novas vagas para a Educação Infantil, até que um novo local fosse preparado para este fim. As obras ocorrem em edificações da antiga Bio-Rio. “O contrato foi firmado para ser concluído em 210 dias. As obras começaram em 1º de setembro. Teremos reuniões nos próximos dias para ajustar o cronograma e garantir que seja entregue em março”, afirma o pró-reitor de Gestão e Governança, Fernando Peregrino. O contrato para a adequação do espaço é de R$ 2,4 milhões.
DIVERSIDADE E DEMOCRACIA
A crise orçamentária da UFRJ atinge em cheio a estrutura do colégio, na Lagoa, cujo muro caiu em junho. Isso, no entanto, não afastou as famílias. João Laet é um exemplo. Seu filho João Miguel está matriculado desde 2016, quando tinha apenas oito meses de idade, época em que a Escola de Educação Infantil ainda não era vinculada ao CAp. A integração das escolas aconteceu em 2019.
“O CAp é uma escola com problemas estruturais graves. Porém, tem um corpo docente de excelência. É um verdadeiro laboratório de aperfeiçoamento do ensino da UFRJ”, destaca o pai orgulhoso. “Além disso, meu filho estuda com alunos de diversos cantos do Rio de Janeiro. Convive com uma diversidade racial, social e cultural muito intensa”, afirma. “Nesse sentido, ele tem uma formação muito mais ampla do que teria se estivesse numa escola particular”, acredita o pai. “Sou muito feliz de meu filho estudar nessa escola”, acrescenta.
Desde que adotou o modelo de ingresso exclusivamente por sorteio público, o CAp ampliou a variedade de grupos sociais atendidos pelo colégio. “É uma oportunidade de conviver com pessoas de diferentes territórios e classes sociais. Isso traz, sobretudo, construção cidadã”, afirma a diretora Cassandra Pontes. “A diversidade constrói novos saberes. Num contexto social em que as pessoas têm ficado cada vez mais fixadas em perspectivas homogeneizadas, o diálogo com a diferença possibilita uma formação com construção de um pensamento mais flexível”.
A democracia é outra vertente importante para a organização escolar. “A gente tem um Conselho Diretor que tem representação das famílias, dos estudantes, dos técnico-administrativos em educação e dos professores”, conta a diretora. “A potência de uma escola é a democracia, que passa pelos desafios dos tensionamentos do dia a dia. Isso é formativo”, defende a diretora.
A FORÇA DA SAUDADE Goiana de Anápolis, Ana Luiza encantou a plateia lembrando o clima de sua terra - Fotos: João LaetEla começou falando da saudade que sente da mãe, da comida e do clima de sua terra natal. Passou então a descrever os males causados à atmosfera pelo gás carbônico, que qualificou como “o vilão do efeito estufa”. Mas que também pode ser um herói, desde que capturado e reintroduzido na cadeia industrial, reduzindo os efeitos das mudanças climáticas. E tudo isso em exatos 2m49s.
A dona desse feito admirável é a doutoranda Ana Luiza Ribeiro Gomes, goiana de Anápolis, de 25 anos, aluna do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos da UFRJ. Com a apresentação de sua tese sobre o desenvolvimento de materiais para captura de CO2, ela foi a vencedora da área de Engenharias, Ciências Exatas e da Terra da primeira edição do concurso “3 Minutos de Tese” na UFRJ. A final, disputada por 21 doutorandos em três grandes áreas do conhecimento, lotou o Auditório Horta Barbosa, no CT da Cidade Universitária, na tarde de quinta-feira (30).
Ao lado de Loreena Klein, primeira colocada na área de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde, e de Wanessa Machado, na área de Ciências Humanas, Ana Luiza levou um prêmio de R$ 5 mil e a certeza de que todo o esforço de sair de Anápolis com 18 anos para iniciar a graduação da UFRJ valeu a pena. “Esse prêmio representa uma luta de anos, e sei que essa pesquisa que desenvolvo vai trazer um retorno para a sociedade, não só para a academia. Sinto muita saudade da minha terra, mas fiz uma escolha e tenho o apoio da minha família”, disse Ana Luiza.
Coordenadora do FCC, professora Christine Ruta
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
Inspirado no modelo internacional criado pela Universidade de Queensland, na Austrália, o 3MT está hoje presente em mais de 85 países. Na UFRJ, o concurso foi realizado em parceria com o Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2). Foram 237 inscritos. Em apenas três minutos, os participantes tiveram de explicar no palco a sua tese de doutorado, para avaliação de um corpo de jurados e da plateia, que deu notas de 5 a 10 por meio de um sistema digital.
Emocionada diante da presença de alunos de três escolas públicas — Colégio Pedro II (Campus Realengo), CIEP Ernesto Che Guevara, de Belford Roxo (RJ) e Escola Estadual Marechal Zenobio da Costa, de Nilópolis (RJ) —, a coordenadora do FCC, professora Christine Ruta, disse que o projeto é uma
CRIATIVIDADE Loreena venceu comparando a visão a uma cozinhacelebração à Ciência e à Educação: “O concurso reafirma o papel público da UFRJ como produtora e difusora de conhecimento. Que essa juventude que está aqui hoje possa se inspirar nesses jovens cientistas e venha para a universidade”.
Integrante do corpo de jurados — assim como a vice-reitora Cássia Turci —, o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho, saudou a diversidade na produção de conhecimento da universidade. “Um antigo professor meu dizia que quem sabe explica de forma simples. E esse concurso estimula exatamente isso. Fiquei impressionado com a qualidade das apresentações e das pesquisas que desenvolvemos em várias áreas. Estamos aqui produzindo conhecimento para mudar a vida das pessoas”, pontuou o reitor.
DISPUTA ACIRRADA
Na área de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde, a doutoranda Loreena Klein venceu a disputa com sua tese sobre novas terapias para a reversão de perdas visuais graves, como a causada pelo glaucoma. Ela comparou o funcionamento da visão a uma cozinha, com chefes e ajudantes, e foi muito aplaudida pela plateia pela comparação, que tornou fácil o entendimento de um tema tão complexo.
“Achei incrível a iniciativa de passar conhecimento de uma forma didática, foi muito emocionante para mim comunicar meu trabalho dessa forma. Quero continuar comunicando a Ciência, dando aulas, palestras, levando-a a todas as pessoas”, disse Loreena, aluna do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas do IBCCF.
Já na área de Ciências Humanas, a primeira colocada foi Wanessa Machado, a última finalista a subir ao palco. Atriz e doutoranda do Programa de
TEATRAL A atriz Wanessa quer tornar lúdicas as aulas de Ciências Pós-Graduação em Educação, Gestão e Difusão de Biociências do IBqM, ela usou menos de três minutos para sua tese, que tem como objetivo elaborar um protocolo de formação de professores de Ciências para que integrem o teatro de forma simples e eficaz em suas aulas. Tudo a ver com o 3MT.
Diante da qualidade das apresentações dos 21 finalistas, a coordenação do concurso anunciou prêmios também para os segundos e terceiros colocados de cada área — respectivamente, R$ 2,5 mil e R$ 1 mil —, não previstos inicialmente. O corpo de jurados, cuja avaliação representava 70% da nota final de cada participante, contou com a participação de pesos-pesados da academia e da área da Educação, como Muniz Sodré, Paulo Baía, Nelson Maculan, Ricardo Medronho, Nedir do Espirito Santo e Eleonora Kurtenbach. Também integraram o júri a reitora do Colégio Pedro II, Ana Paula Giraux, o vice-reitor da Uerj, Bruno Deusdará, e o diretor de Programas e Bolsas da Capes, Luiz Pessan.
Para o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, professor João Torres, a participação dos técnicos da UFRJ na seleção dos finalistas foi fundamental. “Fiquei impressionado com o empenho dos técnicos, eles tiveram um papel de destaque nesse concurso”, disse o pró-reitor. Ele citou o exemplo do superintendente geral de Planejamento e Desenvolvimento da PR-3, George Pereira, que bateu um recorde: fez 121 avaliações das apresentações em vídeos dos candidatos.