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Peça da campanha da AdUFRJ para valorização do professor foi instalada esta semana na fachada do bloco A do Centro de Tecnologia. O outdoor, de 27,6 metros de comprimento por 7,03 metros de largura, pode ser visto das Linha Vermelha e Amarela.
A ideia da campanha é mostrar as várias faces do trabalho de professoras e professores da UFRJ nos campi e nas unidades isoladas da universidade. Ao todo, 2.233 mulheres e 2.319 homens dão aulas, são gestores, pesquisam, produzem conhecimento, artes, cultura, ciência, formam, orientam e fazem história. Tudo com excelência, compromisso e dedicação, em um trabalho que atravessa gerações, há mais de um século.
A campanha inclui peças voltadas para o público externo e interno, com windbanners, adesivos, reportagens, outdoors, cartazes, bolsas, cadernetas e muita disposição para mostrar e enaltecer o trabalho docente.
Fotos: Fernando SouzaTreze novos professores reforçam o quadro da UFRJ a partir desta semana: são 9 no Colégio de Aplicação, 1 no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, 1 na Escola de Educação Física e Desportos, 1 no Instituto de Psicologia e 1 na Escola de Comunicação. O grupo — que recebeu materiais de boas-vindas da ADUFRJ — assinou o termo de posse em uma pequena cerimônia realizada no gabinete da reitoria, na segunda-feira, 27.
“É sempre um momento muito especial receber novos servidores. A UFRJ é uma potência reconhecida nacional e internacionalmente. Só que ela não é feita das suas edificações. Ela é feita de pessoas”, afirmou o reitor da universidade, professor Roberto Medronho. “Temos problemas, mas nenhum deles é relacionado à qualidade, à excelência e ao compromisso com a sociedade. O que vocês vão fazer é manter e ampliar a excelência da universidade”, completou.
Virna da Silva Bemvenuto, do Colégio de Aplicação, não escondia a emoção durante o evento. “Amo ser professora. É uma grande realização para mim e para toda minha família”, disse a docente, que vai integrar o Setor Curricular de Artes Visuais da escola.
Confira a seguir o depoimento dela e de mais três colegas ouvidos pelo Jornal da AdUFRJ.
VIRNA DA SILVA
BEMVENUTO
Setor de Artes Visuais do CAp
Sou do Jardim Novo, em Realengo, da periferia do Rio, e é uma grande realização para mim e para minha família ter passado para a UFRJ. Amo ser professora. Estou muito animada para todas as frentes de trabalho.
Espero contribuir para a construção de uma educação pública, gratuita, laica , democrática e de qualidade, que é a tradição do Colégio de Aplicação. Tive a oportunidade de fazer o estágio supervisionado lá durante meu curso na Escola de Belas Artes da UFRJ, em 2019. Depois, fui substituta no colégio entre 2022 e 2023, quando vivi uma experiência transformadora: ali eu entendi meu desejo de me engajar nesse espaço de luta e de arte na educação pública .
Presenciei quando a educação infantil recebeu o laudo de interdição e participei desse processo doloroso de ir para outro território desconhecido, e muito limitado, para as crianças pequenas. Houve muito trabalho de acolhimento e reinvenção. Mais recentemente, houve a queda do muro. Ainda são vários desafios enfrentados atualmente. São muitos pedaços de escola que a gente precisa recolher para pensar em estratégias políticas e poéticas para a construção de outros possíveis na escola diante os processos de precarização. Acredito que, com esse corpo social muito potente da UFRJ, vamos conseguir trabalhar juntos nisso.
VICTOR
CORRÊA NETO
EDUCAÇÃO FÍSICA
A ficha está caindo aos poucos. Mas a sensação é de felicidade de poder fazer parte desta instituição gigante. Assim que recebi a notícia da aprovação, ainda no ano passado, compartilhei logo com a família e minha namorada. Estou animado, realizando um grande sonho!
Conheço bem a realidade da Escola de Educação Física. Sou do Rio de Janeiro mesmo. Concluí o mestrado lá em 2013, assim como o doutorado, em 2020. Fui professor substituto de 2023 até 2025. Mas, independentemente da estrutura física do prédio, que passou por dois desabamentos no telhado, o que observo é a mudança que continua acontecendo na vida dos estudantes.
Pretendo atuar ao máximo que puder no ensino, na pesquisa, na extensão. Na pesquisa, venho trabalhando nos últimos anos com resposta da pressão arterial ao exercício físico, com marcadores genéticos de hipertensão arterial e quero continuar nessa linha.
MELINA APARECIDA
DOS SANTOS SILVA
Escola de Comunicação
Achei que não tinha passado para a UFRJ e não fui ver o resultado do concurso. Os amigos ligaram me avisando e levei um choque. Comecei a gritar no meio da rua (risos).
É uma grande responsabilidade ser professora da UFRJ. Você entra com a pressão de seguir um nível muito alto de excelência. O que é desafiador, mas estou com bastante energia para gastar.
As minhas expectativas são as melhores possíveis. Esperei muito por este momento. Nasci em Barra do Piraí, fiz a graduação em Jornalismo no Centro Universitário de Barra Mansa. Mudei para cá, em 2011, para fazer o mestrado e doutorado na UFF. Depois, fiz dois pós-doutorados: um na PUC-RS e outro, na própria UFF, no programa de Culturas e Territorialidade. Acabei me descobrindo na docência. É um lugar libertador e onde é possível fazer a diferença na sociedade.
Entrei agora na ECO, na disciplina de Teorias da Comunicação e Antropologia, do núcleo comum das habilitações. Pesquiso culturas urbanas, principalmente cenas musicais de rock e heavy metal. Comecei pesquisando bandas aqui no Brasil, mas depois passei a estudar a cena de Angola, somente com instrumentistas negros. Tento mostrar como essas bandas apresentam uma outra forma de ser negro, no contemporâneo. Aqui no Rio, por exemplo, essa identidade é muito ligada somente ao samba.
MARIANA MOLLICA
Instituto de Psicologia
É a maior conquista da minha vida. Fiz 13 concursos em todo o país. Esse é o segundo para o qual passo como professora efetiva de Universidade Federal. Passei na UniRio em 2023 para uma vaga na Educação. Mas meu maior sonho era a UFRJ. Terminei aqui o mestrado em 2005 e o doutorado em 2014, além do pós-doutorado pela CAPES e FAPERJ. Pesquiso a partir da Psicanálise intervenções de uma clínica-política na contramão da necropolítica, cujo Rio de Janeiro é o Epicentro do extermínio da população negra e periférica no país.
Sou hoje coordenadora acadêmica da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência do Estado (RAAVE), um projeto no qual 100 mães de vítimas mortas pela polícia se tornaram pesquisadoras bolsistas da UFRJ e também agentes de saúde mental, ligadas ao SUS, SUAS e instituições da Justiça.
Temos estudado também como os conceitos da psicanálise podem ser revisitados a partir de autores negros e indígenas que, normalmente, não são validados na área acadêmica. Quero dar continuidade a esse campo de construção do conhecimento e em áreas afins, ligadas às questões de gênero e outras vulnerabilidades sociais.
No ensino, vou assumir quatro disciplinas neste semestre, duas delas são conceitos fundamentais em Psicanálise. Introdução à Freud: o desafio é transmitir o inconsciente para os estudantes a partir da vivência deles...Estou animadíssima!!
Já dei essas disciplinas antes, mas agora, como docente da UFRJ, será algo completamente novo para mim.
A diretoria da AdUFRJ se reuniu com professores sindicalizados no fim da manhã desta terça-feira (14) para discutir uma alternativa de plano de saúde mais viável financeiramente e com qualidade atestada. Trata-se do FioSaúde, um plano de saúde ligado aos servidores da Fiocruz que adota um modelo de autogestão. A reunião foi coordenada pela presidenta Ligia Bahia e contou com a presença do diretor administrativo-financeiro do plano, o pesquisador Hayne Felipe da Silva.
Fernando Souza
Foto: Alessandro CostaOferecer subsídios para a formulação de modelos alternativos de combate ao crime organizado, a partir da percepção de que a tática das grandes operações policiais são ineficazes e incapazes de conter a atuação dos grupos armados — que já controlam 18% do território da região metropolitana do Rio, onde vivem 4 milhões de pessoas. Esse é o foco da Rede Universitária Segurança Para Todos Artigo 5° (https://artigo5rj.org), iniciativa inédita que reúne grupos de pesquisa de várias instituições do Rio, lançada em 26 de março passado.
O mote para a criação da rede foi a chacina de 28 de outubro do ano passado, quando 117 civis e cinco agentes de segurança morreram em decorrência de uma grande operação policial nos complexos da Penha e do Alemão. Foi da AdUFRJ a iniciativa de convocar uma reunião emergencial de pesquisadores em segurança pública logo após a operação. “Articulamos a primeira reunião num sábado pela manhã, em 1º de novembro, poucos dias após a chacina”, conta a presidenta da AdUFRJ, professora Ligia Bahia. “Essa velocidade de reação demonstra que a academia está articulada e pronta a responder aos desafios sociais”, defende ela.
ESFORÇO COLETIVO
O evento de lançamento da Rede reuniu gestores e especialistas de universidades públicas e privadas do Rio, além de instituições de pesquisa, no auditório do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), que é um parceiro da articulação, ao lado de entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Representantes da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Município do Rio de Janeiro, Fiocruz, Uerj, UFRJ, UFF, Unirio, PUC-Rio, além da AdUFRJ, também estiveram presentes.
O nome “Artigo 5°” remete ao texto da Constituição Federal de 1988, que, em seu 5º artigo, reúne os princípios que norteiam os direitos básicos de todos os cidadãos brasileiros e estrangeiros residentes no país. Dentre os quais igualdade, segurança, livre manifestação do pensamento e liberdade de crença.
A professora Ligia Bahia acredita que os cientistas têm muito a contribuir para a formulação de políticas públicas na área de Segurança Pública. “Uma das vocações da Academia é buscar soluções baseadas em evidências científicas para problemas sociais. A rede emerge dessa necessidade. Não dá mais para matar, matar, matar, morrer, morrer, morrer, num ciclo vicioso que não gera nenhum resultado além de mais violência”, afirma a professora. “A ciência é capaz de nos mostrar caminhos, com princípios que garantam a dignidade e protejam a vida das pessoas. Todas as pessoas importam”, pontua.
Especialista em saúde coletiva, a docente destaca o impacto da violência na saúde da população. “Também do ponto de vista da saúde, há enormes repercussões para a população que vive em áreas de conflito armado”, afirma. “Isso se traduz em quadros de adoecimento e há impactos também na prestação dos serviços. A cada confronto, a população deixa de receber atendimento de saúde. As UPAs fecham, as clínicas da família fecham”, lembra. “Ou seja, o problema da violência no estado do Rio de Janeiro não é uma questão isolada, mas sistêmica, que afeta outras áreas do conhecimento e impacta a vida das pessoas de forma global”.
O vice-presidente da AdUFRJ, professor Michel Gherman, saudou a articulação. “Estamos vendo grandes nomes da reflexão acadêmica produzindo perspectivas e estratégias de combate não só à violência, mas principalmente ao discurso sobre a violência. As universidades do Rio de Janeiro estão construindo uma esperança, a de que o discurso acadêmico influencie efetivamente o discurso público”, afirmou.
O docente também destacou o papel da AdUFRJ. “Nós estamos acumulando já há algumas gestões essa tarefa histórica e essa tradição de produzir dentro do movimento sindical uma reflexão acadêmica sobre o que fazer com esse país”.
Nas páginas 4 e 5, você acompanha as reflexões dos gestores e dos especialistas que participaram do encontro. Na página 6, um estudo da UFF e do Instituto Fogo Cruzado mostra a evolução do domínio territorial do estado do Rio de Janeiro por grupos armados. O diagnóstico é que o modelo das megaoperações policiais não conteve a expansão do Comando Vermelho, principal facção do tráfico do estado. Além disso, a pesquisa registra o avanço das milícias, sobretudo da Zona Oeste e da Baixada Fluminense.
Leia mais sobre o encontro da Rede em:
Especialistas alertam para modelo ineficaz