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WhatsApp Image 2026 05 15 at 19.47.05 15Seria necessário R$ 1,27 bilhão para reabilitar completamente 90,3% das edificações da UFRJ, ou 142 prédios. A impressionante cifra, que representa três vezes o orçamento discricionário (R$ 410 milhões) da instituição, é a estimativa mais recente de um levantamento realizado pelo Escritório Técnico da Universidade (ETU).
O chamado REAB, Programa de Avaliação de Reabilitação dos Bens Imóveis, está em sua quarta edição. O estudo de 2023 apontava um custo de R$ 795,7 milhões para recuperar 52% de toda área construída. Em janeiro de 2025, era de R$ 1,05 bilhão o custo da reabilitação total dos espaços avaliados até então (76%).
“O estudo liderado pelo Escritório Técnico tem sido fundamental para conhecermos a situação de nossas edificações. Infelizmente, algumas delas precisam de uma reabilitação muito grande”, afirma o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho. “E esse dinheiro é para voltar ao que era, não é para modernizar, não é para fazer nada novo. É para que possamos dar a devida dignidade das condições de trabalho e ensino para nosso corpo social”.
Além de solicitar verbas suplementares e emendas parlamentares, a administração central estuda uma iniciativa inédita para tentar resolver o drama da infraestrutura. “Temos um projeto disruptivo chamado ‘Do fundo do mar ao topo do conhecimento’. A proposta é que no próximo leilão do pré-sal, em vez de o governo receber dinheiro, haja a contrapartida de uma pequena fração para investimento em obras nas nossas edificações. São leilões de bilhões de dólares”, diz Medronho.
A justificativa para o ganho seriam as pesquisas da universidade em apoio à exploração do petróleo no Brasil. “Como pode a UFRJ, que ajudou este país a prospectar petróleo em águas profundas e ultraprofundas, estar nesta situação? Se fazemos tudo que fazemos com esses parcos recursos, imagine se tivéssemos orçamento justo para exercer a nossa missão”, afirma o reitor. “Estamos articulando para levar essa proposta a uma audiência na Presidência da República. E não tenho dúvida de que o presidente será sensível”, completa.

PRÉDIOS ANTIGOS
As demandas são muitas. Do montante estimado de R$ 1,27 bilhão, R$ 840 milhões seriam voltados para anomalias graves de infraestrutura. O estudo mostra que o subfinanciamento crônico dos últimos tempos se soma a um conjunto edificado envelhecido para criar a “tempestade perfeita”: 77% das edificações têm mais de 40 anos. Enquanto 39% dos imóveis foram construídos durante a década de 1970, 38% foram erguidos entre as décadas de 1850 e 1960.
O REAB estipula um índice de reabilitação que varia de 0 a 120, indicando o estado de conservação de cada imóvel e dando a base do cálculo para o custo da reforma.
O caso mais crítico é o prédio da universidade construído na década de 1930 na Praça da República, e que sediou a antiga Escola Eletrotécnica, hoje sem uso. Com índice de reabilitação de 95,51, ele tem problemas graves na cobertura, nos pisos, nos revestimentos e nas instalações hidráulicas e elétricas. O ETU estima o custo da reforma completa do imóvel em R$ 8,8 milhões — a reitoria conseguiu, neste ano, aprovar um projeto de captação de recursos via Programa Nacional de Cultura para a restauração.
Também destaque entre os imóveis com estado de conservação muito ruim está o edifício Jorge Machado Moreira, no Fundão, que abriga a EBA, a FAU e o IPPUR. Com índice de reabilitação de 83,7, ele tem problemas graves nas fundações e estrutura, fechamentos, revestimentos externos e instalações elétricas. Para reforma completa do imóvel, que sofreu dois incêndios — em 2016 e em 2021 — seriam necessários R$ 224,9 milhões, o maior investimento individual de toda a UFRJ.
Para o diretor da EBA, professor Daniel Aguiar, conduzir a unidade em um prédio nestas condições representa um desafio. “A Escola de Belas Artes é uma instituição altamente renomada no seu campo do saber. Temos aqui alguns dos cursos mais bem avaliados da área com um orçamento e uma infraestrutura insuficientes”, avalia.
“Entre docentes, técnicos-administrativos, estudantes e trabalhadores terceirizados somos mais de 3 mil pessoas que convivem diuturnamente com a falta de elevadores, salas sem ar-condicionado e uma sensação de que não somos valorizados à medida do que merecemos”, diz.

100% EM BREVE
“A principal novidade do atual REAB é que conseguimos incluir na análise mais alguns blocos do CCS, um dos maiores da UFRJ”, afirma o diretor do ETU, professor Wagner Ribeiro.
A expectativa da direção do Escritório Técnico é terminar a vistoria em 100% das edificações da universidade ainda neste semestre. “Faltam mais alguns prédios do CCS, o CT 2, anexos do Museu Nacional e o Instituto de Psiquiatria (IPUB), entre outros poucos locais”, diz o professor.
Para o dirigente, o REAB representa uma ferramenta de planejamento importante não só para a equipe da reitoria. “Todos os nossos relatórios são remetidos para as unidades. A manutenção é de responsabilidade de toda a comunidade”, afirma.
Por outro lado, Wagner considera que o projeto também pode ajudar a UFRJ a conseguir mais recursos de investimento junto ao governo. “A partir de agora, estamos cadastrando as obras e o planejamento delas em um sistema do Ministério da Educação, mostrando nossas necessidades”, explica.
Confira, a seguir, a situação de algumas unidades avaliadas pelo REAB, o custo estimado para sua reablitação e de manutenção preventiva anual. Em função da alta demanda das equipes do ETU, nem todas as edificações foram novamente avaliadas em 2025.

ACESSIBILIDADE

O estudo do Escritório Técnico abrirá uma nova frente para a próxima edição: a situação da acessibilidade nos prédios. “No final do ano passado, recebemos um ofício do MEC para informar sobre a situação de acessibilidade das edificações. Mas antes disso, a gente já estava conversando com a Diretoria de Acessibilidade da SGAADA (Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade). A perspectiva é incluir no próximo REAB algumas primeiras observações sobre o tema”, afirma o professor Wagner.

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WhatsApp Image 2026 05 15 at 19.47.05 16

WhatsApp Image 2026 04 30 at 13.28.05 1A dramática situação de Cuba, agravada pelo recrudescimento do bloqueio norte-americano sob o segundo mandato de Donald Trump, e a corrente internacional de solidariedade ao regime e ao povo caribenho foram os principais temas da palestra de Frei Betto, um dos mais destacados intelectuais brasileiros, na manhã desta quinta-feira (30), no Centro de Tecnologia. O encontro foi organizado pela AdUFRJ, em parceria com o Sintufrj, o DCE Mário Prata e a APG/UFRJ.

“Cuba vive hoje uma crise terrível, e a revolução está praticamente desmontada por uma questão de sobrevivência. Não tem energia, não tem gás, muitas pessoas estão usando lenha para cozinhar”, descreveu Frei Betto. Segundo ele, o bloqueio imposto pelos Estados Unidos em 1962 foi intensificado desde que Donald Trump assumiu a presidência, em janeiro do ano passado. “Trump incluiu Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo, e isso fechou todo o sistema bancário internacional ao país, prejudicando importações e exportações”, exemplificou o escritor.

Por outro lado, Frei Betto destacou que cresce em todo o mundo um sentimento de solidariedade a Cuba: “O Brasil tem ajudado muito, com medicamentos, alimentos. Estamos introduzindo lá um sistema de captação de água das chuvas, por exemplo. A China tem sido muito solidária, está levando várias soluções tecnológicas na área de energia, de irrigação. Temos que ampliar essa corrente solidária”.

A presidenta da AdUFRJ, professora Ligia Bahia, fez coro com Frei Betto e anunciou uma iniciativa imediata: uma campanha de arrecadação de recursos para a compra de medicamentos, batizada de UFRJ 100 mil. “É importante que a gente consiga arrecadar esses R$ 100 mil, e espalhar essa campanha para trazer mais pessoas e instituições para ajudar, vamos criar uma onda”, defendeu Ligia Bahia. Frei Betto sugeriu que os recursos arrecadados sejam encaminhados ao MST, que está adquirindo medicamentos a preço de custo para enviar em grandes lotes a Cuba.

Mais informações sobre o encontro com Frei Betto você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.

Fotos: João Laet

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17Foto: Fernando SouzaAdensar um espaço da universidade à beira da Rodovia Washington Luiz com novos cursos e oferecer mais assistência para um corpo estudantil muito vulnerável. Essa é a missão assumida pela professora Marisa Suarez, diretora do campus da UFRJ em Duque de Caxias desde novembro de 2024. “Há muitos desafios”, diz.
É difícil, mas nada parece impossível para o grupo de professores, técnicos e alunos que há 18 anos luta com garra para fazer ensino, pesquisa e extensão na Baixada Fluminense enfrentando cenários bastante adversos.
Bastaria dizer que a história começou em Xerém, um distrito de Caxias, em 2008, com módulos alimentados por geradores, em um terreno compartilhado com time de futebol e uma fundação do município. Mas não foi só isso.
Quando a UFRJ iniciou a transferência para o atual endereço, em 2018, o campus sequer apresentava água encanada. O sistema elétrico não comportava a instalação de aparelhos de ar-condicionado em todas as salas e laboratórios. Em dias de muito calor, aulas eram suspensas.
Os prédios, herança de um projeto abandonado da prefeitura local, nunca haviam passado por uma reforma nos telhados — cada chuva representava goteiras, infiltrações, perda de mobiliário e até de equipamentos.
A “virada de chave” aconteceu em 2025. As obras de reforma dos telhados, iniciadas em setembro de 2024, acabaram em junho do ano passado. A expansão da rede elétrica e instalação da ligação dos 103 aparelhos de ar-condicionado também foram concluídas no mesmo mês. “A reforma elétrica permitiu que a gente pudesse ligar equipamentos em laboratório de forma simultânea. Antes, ligava um, não podia ligar outro. Agora temos capacidade para fazer isso”, afirma a professora Luisa Ketzer, diretora da ADUFRJ e docente do campus.
É esse mínimo de condições de infraestrutura que permite à comunidade universitária sonhar com voos mais altos.

NOVOS CURSOS
Está prevista para janeiro de 2028 a entrega de um novo prédio (bloco F), aos fundos do campus, que está sendo construído pela Prefeitura de DuqueWhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17 8 de Caxias. A nova estrutura deve abrigar 6 laboratórios (5 didáticos e 1 anatômico), 18 salas (15 de 58 m2 e 3 de 86 m², uma biblioteca e um espaço para os docentes.
A ideia é aproveitar a futura instalação para quatro novos cursos: Medicina (com entrada de 30 alunos por semestre), Biofármacos (20/ano), Ciência de Dados (20/ano) e Licenciatura Interdisciplinar (25/semestre). Todos já fazem parte do Plano de Desenvolvimento Institucional da UFRJ até 2029.
“Estamos fazendo estudo de implementação de todos estes cursos. E de alguns, eventualmente, no período noturno”, afirma a diretora do campus. “Atenderia melhor a população da região que trabalha durante o dia”.

MAIS OBRAS
Em paralelo, a administração local realiza outras obras com apoio do Escritório Técnico da Universidade. No prédio do bloco E, onde nada foi feito desde a instalação da UFRJ no campus, ficarão todos os núcleos de pesquisa hoje espalhados e parcialmente acomodados em módulos habitacionais. “Mas não acabaremos com os módulos. Com o crescimento do corpo docente, precisaremos de mais espaço”, completa Marisa.
No bloco D, ficarão concentrados os equipamentos de pesquisa de grande porte do campus, que atendem não só à UFRJ, mas a outras instituições, com foco interdisciplinar. O projeto básico já foi finalizado. A previsão de conclusão da obra é junho de 2027.
Outra iniciativa em andamento é a instalação de placas fotovoltaicas nos telhados. A diretora está otimista e espera concluir esta etapa ainda em 2026.

APOIO AOS ESTUDANTES
Uma das grandes preocupações no campus é o cuidado com os estudantes, 80% deles os primeiros da família a cursar o ensino superior, de acordo com o levantamento mais recente disponível — o perfil socioeconômico do corpo discente será atualizado este semestre, por meio de um questionário para elaboração do Plano de Desenvolvimento da Unidade (PDU).
“A gente se depara com alunos em situação de muita vulnerabilidade. ‘Ah, professora, não posso ir todos os dias porque não tenho dinheiro para a passagem’. São questões delicadas que afetam o trabalho docente”, afirma Marisa.
Os estudantes têm direito ao Jaé Universitário com gratuidade apenas no município do Rio. “O aluno que mora em Campo Grande pega a condução com o Jaé, vai até o Fundão, pega o nosso ônibus intercampi e chega ao campus. Mas o aluno que mora em outro município não tem isso. Muitos dependem do auxílio-transporte da universidade”, explica a diretora. A pró-reitoria de Políticas Estudantis (PR-7) informa que 100 estudantes de Caxias receberam o benefício em dezembro do ano passado.
O bandejão local serve até 300 refeições no almoço e, desde março do ano passado, 100 lanches no café da manhã. “Mas já há um pedido atual dos alunos para ampliar o funcionamento para o jantar também. Eles chegam de manhã e voltam para casa de noite com fome”.
Em Caxias, mesmo o básico foi conquistado recentemente para dar um pouco mais de conforto para o segmento. Bancos de madeira foram instalados nos corredores para acomodar os estudantes fora do horário de aulas e o espaço da biblioteca passou por uma reorganização para ampliação de uma sala de estudos.
Uma preocupação recorrente do corpo docente é o atendimento a estudantes com deficiência e as adaptações pedagógicas necessárias. Segundo a professora Luisa Ketzer, que faz parte da Comissão Interna de Acessibilidade, o número de estudantes atendidos aumentou consideravelmente no pós-pandemia.
Luisa informa que há um diálogo constante com a Diretoria de Acessibilidade da universidade (DIRAC), responsável pela alocação de monitores de acessibilidade e inclusão. “Ainda assim, é imprescindível institucionalizar orientações para a condução de estágios obrigatórios práticos e experimentais e para o desenvolvimento de monografias, necessárias à conclusão do curso”, afirma.

MAIS INSTITUCIONALIZAÇÃO
O campus de Caxias aparece no estatuto da universidade desde 2018 como se não tivesse nenhuma unidade acadêmica. Ele funciona ainda com um conselho deliberativo provisório. A diretora possui mandato de apenas dois anos, prorrogáveis por mais dois.
No final do ano passado, uma comissão interna formada por docentes e técnicos-administrativos ficou encarregada de elaborar um novo regimento. “A comissão se reuniu algumas vezes em 2025 e já revisou o organograma do campus. Estamos na fase de discussão e ajustes. No entanto, o trabalho está paralisado, devido à greve dos servidores”, explicou a diretora do Campus, Marisa Suarez.

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.16 2Foto: Fernando SouzaSobrecarga de trabalho, redução de bolsas de apoio à pesquisa e falta de orientação institucional para atuação junto a alunos e servidores com deficiências. Esses foram os principais temas abordados na reunião entre a diretoria da AdUFRJ e professores do campus de Duque de Caxias, na manhã de segunda-feira (13). O encontro foi a primeira de uma série de visitas do sindicato às unidades para ouvir as demandas dos colegas.
Além das muitas horas de aula que os 64 professores do campus precisam dar conta nos três cursos de graduação e três programas de pós, há um desgaste extra com tarefas administrativas. “Tivemos alguns concursos recentemente aqui e o corpo docente reduzido teve de fazer tudo. O estresse é muito grande”, afirmou o professor William Tavares, que citou outro exemplo do dia a dia. “Adoro dar aulas, mas às vezes não conseguimos dar aula no horário certo, porque temos que correr atrás de cabo HDMI do data-show, limpar ou consertar o equipamento. Precisamos entender melhor nossas atribuições”, completou.
“E agora tudo é no SEI (Sistema Eletrônico de Informações), que tem uma facilidade, mas nos atribui conhecer muito do administrativo. Estamos sobrecarregados”, continuou William. “A gente pensa ser docente-pesquisador e, quando chega aqui, a gente passa boa parte do tempo fazendo gestão ou administração”.
Outra delicada dificuldade enfrentada pelos docentes de Caxias é o crescente número de alunos com deficiências — hoje, somam 21 —, o que temWhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17 9 impactado no trabalho docente. “Precisamos de treinamento, de outros profissionais mais qualificados que possam atuar em conjunto com psicólogos e neuropsicólogos, e mesmo de alternativas para garantir que o processo de ensino-aprendizagem seja adequado”, explicou Juliany Rodrigues, ex-diretora do campus e agora integrante do Conselho de Representantes da AdUFRJ.
Na maioria dos projetos dos professores do campus, os estudantes precisam defender um trabalho de conclusão de curso experimental, na interface entre a ciência básica e a tecnológica. “Estudantes com determinadas deficiências poderão, e até terão, muitas dificuldades para desenvolver os trabalhos, como aqueles com alguma deficiência física nos membros superiores ou com deficiência visual”, exemplificou Juliany. “Algumas neurodivergências podem causar falta de autonomia e até mesmo déficits cognitivos que impactam a formação, o que pode afetar o trabalho em um laboratório com equipamentos complexos e a manipulação de reagentes químicos perigosos”, completou.
A drástica redução das bolsas de pós-graduação é outro ponto preocupante para os docentes do campus, com programas novos e muitos estudantes de baixa renda. “Se a gente não tem recursos, é degradação de nossa condição de trabalho. Se você tratar igual os desiguais, você será desigual”, observou o professor Karim Dahmouche.

ENCAMINHAMENTOS
O sindicato pretende levar o debate sobre a atuação junto às pessoas com deficiência para a reitoria. Professora da Escola de Química e 2ª secretária da AdUFRJ, Andrea Parente considera que os pontos de sobrecarga docente e acolhimento dos alunos se conectam: “Na minha unidade, também recebemos estudantes atípicos, que pedem mais tempo de prova. E preciso ser duas para arrumar sala para eles fazerem a prova. Nós ficamos perdidos na boa vontade”, concordou. “Acho que a universidade fez um movimento que deve ser apoiado pela inclusão, mas ela exige uma capacitação”, completou o vice-presidente da ADUFRJ, Pedro Lagerblad.
A diretoria da AdUFRJ se solidarizou com os colegas quanto à escassez de bolsas. “Há uma concentração de bolsas. A pessoa que tem bolsa tem três. Outras não têm nenhuma. Não concordamos com isso”, disse a presidenta Ligia Bahia. “Existem programas nota 7 reclamando de cortes também. Essa briga é muito dura. Estamos nos preparando, reunindo informações”, completou.
Sobre os direitos e deveres dos professores, a presidenta da AdUFRJ disse que poderia ser elaborado um documento. “Temos o RJU (Regime Jurídico Único, de todos os servidores federais). Não temos nada específico para dentro da UFRJ. Nosso setor jurídico pode nos ajudar com isso”, afirmou.
Ao final, a docente avaliou de forma positiva o encontro. “Foi uma reunião produtiva para a gente ouvir e se emocionar. Estamos juntos, podemos pensar juntos e assim levar adiante a AdUFRJ”, disse.

Pró-reitor também lamenta falta de bolsas

Sobre a escassez de bolsas, a pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa respondeu que o problema é geral e não atinge apenas Caxias. “Tem poucas bolsas, sim, para todo mundo. As bolsas não vão apenas para programas consolidados”, afirmou o pró-reitor João Torres.
Com as chamadas bolsas de Demanda Social, distribuídas pela reitoria, há um esforço para contemplar programas com notas menores. De 2023 a 2025, de acordo com apresentação enviada à reportagem, programas nota 5 receberam mais bolsas de doutorado que os cursos notas 6 e 7. Programas nota 4 receberam mais bolsas de mestrado que cursos notas 5, 6 ou 7.
“Do CNPq, tivemos 41 bolsas de doutorado em março e teremos mais 41, em agosto. É muito menos que uma bolsa por programa”, completou.

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE É OUTRA PREOCUPAÇÃO

Os professores de Caxias também manifestaram indignação com a não concessão dos adicionais de insalubridade por parte da universidade. Ou com o pagamento em percentuais diferentes para colegas que trabalham no mesmo laboratório, sob as mesmas condições.
A assessora jurídica da AdUFRJ, Mariana Lindenmeyer, que também acompanhou o encontro em Caxias, afirmou que o tema é recorrente nos atendimentos oferecidos pelo sindicato. “Muitos pedidos são indeferidos pela ausência de perícia administrativa. Uma das ações coletivas que fizemos é para obrigar a UFRJ a fazer. Além disso, fazemos ações individuais”. Para quem quiser tirar dúvidas, a advogada orientou a marcação de um horário no plantão jurídico da AdUFRJ.
Durante a reunião, os docentes receberam informações sobre as ações e planos dos primeiros seis meses de mandato na AdUFRJ — com destaque para a sede do sindicato que será construída na Cidade Universitária —, e os convênios oferecidos.

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17 2A UFRJ lidera uma das 33 redes universitárias contempladas pelo novo programa de internacionalização da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Capes Global.Edu. A seleção final, divulgada em 20 de março, abriga 112 instituições de ensino e pesquisa das cinco regiões do país, reunidas em 33 redes que terão como objetivo promover a colaboração científica entre as suas integrantes, além de parceiras internacionais. Os recursos totais do programa são de R$ 1,4 bilhão para o ciclo 2026-2030.
Coordenada pela UFRJ, a rede Diálogos Globais para Cooperações Multilaterais e Equitativas conta também com a participação da Universidade Federal do Acre (UFAC), das estaduais do Rio Grande do Norte (UERN) e do Sudoeste da Bahia (UESB), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. São ao todo 105 programas de pós-graduação (PPGs) envolvidos, sendo 77 da UFRJ, nove da UESB, oito da UTFPR, cinco da UFAC, quatro da UERN e dois do Jardim Botânico.
O Capes Global substitui e amplia o antigo programa Print, que investiu na internacionalização de 35 instituições de educação superior. “O novo programa amplia para 112 instituições e busca a cooperação em torno de temas de importância global. Agradeço o empenho da comunidade acadêmica, que enviou 54 projetos, a maior parte altamente qualificada. O comitê internacional elogiou muito a Capes pelo desenho do programa e a comunidade científica pela excelência dos projetos”, comemora a presidenta da Capes, professora Denise Pires de Carvalho.

SOLIDARIEDADE
Um dos principais articuladores da rede da UFRJ, o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, professor João Torres, vê no programa um avanço não só no caminho da internacionalização, mas também da colaboração interna entre as instituições. “Nossa rede é uma das maiores em número de PPGs. Estou muito animado com a possibilidade de colaborar com os PPGs pelo Brasil, temos instituições de regiões periféricas. Nós não temos financiamento para fazer pesquisa articulada entre PPGs no Brasil. Temos recursos para ir ao exterior, mas faz falta um programa forte de articulação interna. O Capes Global vem colaborar nesse sentido”, avalia.
A rede tem quatro eixos temáticos: Ciências da Vida, Saúde e Meio Ambiente; Energia, Infraestrutura e Cidades Sustentáveis; Educação de Qualidade e Ciência Básica; e Equidade, Justiça e Sociedade. “Temos R$ 71 milhões para gastar em quatro anos (veja tabela), estimamos em 12 mil pessoas beneficiadas por essa rede. São recursos para viagens de pesquisadores e de alunos e, sobretudo, bolsas em vários níveis”, explica João Torres. O trabalho começa em 1º de junho próximo e vai até julho de 2030 — as verbas se encerram em 2029, mas as saídas podem ocorrer até 2030.
Para a professora Ethel Pinheiro (FAU/UFRJ), do Comitê Administrativo da rede, o Capes Global é um programa inovador: “Ele não nos faz pensar com a cabeça de uma só instituição, mas com uma ideia de solidariedade. As redes são formadas por uma instituição coordenadora, já com elevado estágio de internacionalização, e instituições associadas que estão em processo de desenvolvimento internacional, são de menor porte, ou afastadas dos grandes centros. É um programa que nos faz pensar em rede”.
Nesse conceito, segundo a professora da FAU, a UFRJ tem muito a trocar com as parceiras da rede. “Temos cinco instituições com PPGs cujos temas se cruzam com o que a UFRJ faz. O Jardim Botânico faz pesquisas com a Mata Atlântica que têm muita interseção com pesquisas nossas em meio ambiente. Temos mais de 450 parcerias internacionais mapeadas na rede, sendo mais de 400 da UFRJ. Nossa experiência internacional vai ser compartilhada, contribuindo para a evolução das outras instituições. Tenho 20 anos de UFRJ e nunca vivi algo assim”, diz Ethel Pinheiro.

POTENCIAL
O entusiasmo da professora da FAU é compartilhado por outras participantes da rede Diálogos Globais. Para a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFAC, professora Margarida Lima Carvalho, a participação na rede é estratégica. “A inserção em uma rede liderada por uma instituição de reconhecida excelência acadêmica possibilita o acesso a circuitos internacionais de pesquisa já estabelecidos, favorecendo a formação de consórcios e o desenvolvimento de projetos multicêntricos com outras instituições associadas”, avalia a pró-reitora.
Margarida Carvalho acredita que os PPGs da UFAC — que envolvem 75 docentes e 166 alunos — têm grande contribuição para a rede: “Há o potencial de internacionalização de temáticas estratégicas vinculadas à Amazônia nas áreas de saúde, educação, inovação e sustentabilidade, permitindo à UFAC transformar suas especificidades regionais em ativos relevantes no cenário científico global”.
A chegada do Capes Global é saudada pela pró-reitora da UFAC, mas ela aponta a necessidade de investimentos contínuos em pesquisa no país. “O programa é um avanço importante, mas é indispensável que seja acompanhado por financiamento doméstico robusto e contínuo para a pesquisa de ponta, especialmente em regiões estratégicas como a Amazônia”, diz ela.
Pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UERN, a professora Ellany Gurgel avalia que, em um cenário de restrição orçamentária, a chegada do Capes Global é estratégica: “O programa introduz uma lógica baseada em cooperação em rede, permitindo o compartilhamento de infraestrutura e conhecimento, o desenvolvimento de pesquisas colaborativas nacionais e internacionais e a ampliação de oportunidades para docentes e pós-graduandos. Para instituições localizadas fora dos grandes centros, como a UERN, isso é ainda mais relevante, pois contribui diretamente para a redução de desigualdades regionais na produção científica”.
Os PPGs da UERN participantes da rede têm atividades sediadas em cidades do interior do Rio Grande do Norte, como Mossoró, Caicó e Pau dos Ferros. “A importância da rede está na interiorização da internacionalização, na ampliação de oportunidades de cooperação internacional, mobilidade acadêmica e produção científica para além dos grandes centros. Isso fortalece a democratização do acesso à ciência”, ressalta Ellany.

Orçamento na UFRJ
71,4 milhões
(2026-2030)
. 9,2 milhões
para missões
. 3,1 milhões
para projetos e ações institucionais
. 59,1 milhões
para bolsas
2026: 17,1 mi
2027: 18 mi
2028: 18,2 mi
2029: 18,1 mi

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