bandeira adufrjDiretoria da AdUFRJ

Precisamos conversar. As cenas do último Conselho Universitário colocaram uma cunha entre nós. Até aqui reconhecíamos nossas diferenças com a oposição, mas achávamos que a disputa ocorria nos limites da lealdade política. Na manhã de quinta-feira, 2, esses limites foram rompidos. A sessão virtual do Consuni foi hackeada e os nomes dos conselheiros foram duplicados. A ideia do golpe era lotar a sala e implodir a sessão agendada para debater a abertura de negociação da Ebserh. Os golpistas foram bem-sucedidos por alguns minutos e muito mal vistos nas horas seguintes.
Somos professores, defendemos a escuta e acreditamos que métodos caminham entranhados aos conteúdos. Nosso método é outro. No debate da Ebserh — e em todos os outros — somos defensores incansáveis da pluralidade, da multiplicidade de visões e do diálogo respeitoso. Diálogo respeitoso não é um oba-oba, uma Torre de Babel em que todos falam e ninguém se entende. Acreditamos, de fato, na força transformadora da prática dialógica. A prática de nossos antagonistas, no entanto, é muito barulhenta, muito agressiva, mas pouco eficaz e terrivelmente nociva porque implode pontes entre os diferentes.
Car@ colega, aqui queremos deixar claro sem meias-palavras. Não seremos reféns do sectarismo de nossa oposição. Não seremos reféns do medo, das palavras de baixo calão nem de fake news. Não seremos reféns sequer do ódio. Aliás, o ódio é a tática useira e vezeira da direita e, infelizmente, também, com raras e louvosas exceções, de nossos antagonistas na universidade.
Seguiremos nossa jornada na diretoria da AdUFRJ prezando valores antigos, mas alvissareiros de tempos melhores: a educação, o respeito, a pluralidade. Vale para tudo, desde Ebserh à polifonia de nossas reportagens, dos debates sobre calendário acadêmico às produtivas articulações realizadas pelo Observatório do Conhecimento. Aliás, a boa notícia da semana vem dele, do Observatório. Passamos parte da semana em Brasília, preparando o calendário de atividades para 2022 dessa fértil e potente rede nacional de associações docentes e sindicatos. Na capital, visitamos parlamentares. Não escolhemos os gabinetes por nossas preferências partidárias, mas sim pelo potencial de cada um em acolher e amplificar a defesa da Ciência e da universidade pública, gratuita e de qualidade. Essa sim, a nossa luta, a nossa utopia, aquela que deveria nos unir.
Boa leitura!

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