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Arte para a reflexão

Docentes da EBA-UFRJ emprestaram seu talento para ilustrar novo painel da Adufrj-SSind

Silvana Sá. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

O mais novo outdoor da Adufrj-SSind na lateral do ex-Canecão faz uma referência ao Dia Internacional da Mulher. Porém, de forma bem diferente do caráter festivo e comercial que a data ganhou atualmente. “No 8 de março, nem tudo são flores. Queremos respeito o ano inteiro! A cada quatro minutos uma mulher é vítima de violência doméstica no Brasil” é o texto em destaque. O painel, que ficará exposto por todo este mês, foi uma criação do Coletivo de Mulheres da UFRJ, do DCE Mário Prata e da Seção Sindical.


Ao lado da mensagem, há a imagem de uma mulher (seu rosto não aparece) com uma postura defensiva. Ela foi resultado da adaptação de dois trabalhos anteriores (que podem ser vistos nesta página) dos professores Martha Werneck e Licius Bossolan, da Escola de Belas Artes, convidados a ilustrar o painel.

Licius explicou que a opção por utilizar a mulher sem a face coletiviza a obra: “Não queremos falar apenas de uma mulher ou de um segmento”, diz. Martha complementa: “São várias, todas as mulheres em apenas uma. A perna semi-aberta significa a mulher na defensiva. Não precisávamos da mensagem pronta, porque não se trata de propaganda, mas de pintura. A pintura leva o espectador a uma necessidade de pensar, de refletir sobre o assunto”.

Processo de criação

14031162Autoria: Martha Werneck Título: autorretrato com paisagem e Hospital Universitário ao fundo Técnica: óleo sobre painel de madeira Dimensão: 160x80cm Ano: 2014“Tivemos liberdade autoral para decidir as imagens que poderiam ser usadas. O conteúdo escrito nos foi dado e escolhemos que pinturas tinham condições de compor a mensagem final. Nós trabalhamos com a representação da mulher e ter nosso trabalho associado a uma pauta política, num espaço como aquele painel, é muito gratificante! Estamos muito felizes”, disse Martha, que é professora do curso de Pintura.


O fato de serem professores e ex-alunos da EBA enriquece ainda mais o significado do trabalho. O curso de 
Pintura data de 1886, mas não deixa de ser atual. “O curso vai se reformulando a partir das necessidades do seu tempo. É um curso autoral, para que cada pessoa desenvolva seu estilo, sua linguagem pessoal”, destaca Licius.


Autora de ilustrações infantis
Martha Werneck, além de ser professora da EBA, é também ilustradora de livros infantis. Entre os títulos estão: O dono da Lua (texto de Ronize Aline e ilustração de Martha Werneck); Frederico (texto de Helenice Ferreira e ilustração de Martha Werneck); e A menina do castelinho de joias (texto de André Takida e ilustração de Martha Werneck).

Chefe de segurança do trabalho da universidade, Raquel Maria Galdino, cobra mais comprometimento dos gestores das unidades para que sejam evitados os acidentes e as chamadas doenças profissionais

Ela alerta para subnotificação dos casos

Elisa Monteiro. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

140224101Raquel Maria Galdino. Foto: Elisa MonteiroA UFRJ ainda está longe de ser um exemplo em segurança no trabalho. Ausência de equipamentos (ou materiais inadequados) de proteção coletiva e falta de treinamento são alguns dos elementos citados pela chefe da Seção de Segurança e Saúde do Trabalhador na universidade,  Raquel Maria Galdino de Souza: “Às vezes, você chega no local e até encontra luvas, mas são inadequadas. Há liberação de calor no calor e a luva é  para procedimentos (simples). Daí acontecem as queimaduras”.

Raquel, no entanto, tem observado algumas melhorias nos últimos anos. Ela, na UFRJ desde 2004, conta que a mudança de postura da instituição em relação à segurança tornou-se mais pró-ativa a partir da obrigatoriedade de alguns procedimentos demandados pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.  O exame médico periódico de saúde para o servidor público federal, por exemplo, foi estabelecido no Regime Jurídico Único de 1990. Mas só foi regulamento por decreto e uma portaria normativa da Secretaria de Recursos Humanos do MPOG em 2009.

Desde 2005, ao menos, a universidade mantém atualizados os registros de acidentes de trabalho. A média reflete o número registrado em 2013: 50 casos. Mas são índices subestimados, sublinha Raquel: “Há uma subnotificação dos casos. Muitas vezes, o trabalhador que encontra condições de retornar ao trabalho, depois de três dias de descanso, prefere não registrar o acidente”. Os números, em geral, correspondem aos casos em que há necessidade de afastamento e licenças médicas. “O não registro, mesmo em casos que não parecem tão graves, é um perigo. Pode haver um processo inflamatório, por exemplo, e o trabalhador fica sem ter como comprovar o acidente depois”. 

Mudança de procedimento

Os laboratórios são “onde grande parte de os acidentes acontecem”, alerta a técnica de segurança do trabalho. Isso, “independentemente do Centro”, destaca. Ela ressalta que o problema não diz respeito apenas aos funcionários: “Quando você melhora para o trabalhador, você melhora consequentemente para o estudante”.

Para Raquel, emergencialmente, a mudança mais importante na universidade seria “mais comprometimento dos gestores de Unidades”: “Se você é chefe e vai fazer projeto, você precisa estimar na verba o custeio para equipamentos de segurança. Isso é comprometimento da gestão”. Ela afirma que não há como centralizar pela administração central a iniciativa.

14022412Laboratórios da universidade são os locais que mais preocupam em relação à segurança dos trabalhadores e dos estudantes. Foto: Raquel Lima/Imagem UFRJ

“Marcha da Maconha” foi uma das dez finalistas do concurso da Fundição Progresso, encerrado no dia 16

Motivação veio dos atos pela legalização da substância

Guilherme Karakida. Estagiário e Redação

Talvez poucos saibam, mas uma das dez músicas finalistas (entre 853 inscritas) do 9º Concurso Nacional de Marchinhas da Fundição Progresso, recém-encerrado, foi composta por um professor da UFRJ. Músico há 38 anos, Henrique Cazes ingressou na universidade em outubro do ano passado para lecionar na primeira habilitação em cavaquinho do mundo.

A fase decisiva do certame foi transmitida ao vivo pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no último dia 16. E a composição do docente, intitulada “Marcha da Maconha” (a letra pode ser conferida em quadro nesta página), embora não tenha ficado entre as três primeiras, ganhou um inédito prêmio especial, pela ousadia e pela irreverência.

Cazes concedeu entrevista ao Jornal da Adufrj antes do baile na Fundição que anunciou o resultado. Ele acredita que os acontecimentos ao redor do mundo pesaram na decisão do júri de levar a canção até a finalíssima: “Não pude imaginar que ocorreriam tantas coisas no cenário internacional, como a legalização no Uruguai e nos EUA (Colorado e Washington), o que deixou mais em pauta a questão”, afirmou. 

Ele escreveu a música em 2011, época das primeiras manifestações a favor da legalização da maconha no Brasil. “Falei com alguns amigos para alguém compor a marchinha, porque tinha um duplo sentido muito bom e era carnavalesco, mas como ninguém se interessou, eu mesmo resolvi escrevê-la”. No entanto, naquele ano, as inscrições do concurso já haviam sido encerradas. Em 2012, Henrique perdeu o prazo de participação. Em 2013, estava no Canadá a trabalho.

Curiosamente, como passa uma imagem séria, o professor criou o heterônimo sambista e politicamente incorreto para apresentar a “Marcha da Maconha”, o Jota Canalha. “Esse personagem foi criado a partir de uma necessidade. Quando comecei a fazer sambas de rua, em torno de 2002, eu mostrava os sambas para as pessoas e elas não acreditavam que eram de minha autoria”, explica.  

 

A favor da legalização

Não usuário, o músico se posiciona a favor da legalização da substância. “Isso já deveria ter acontecido há muito tempo no Brasil. Estamos atrasados em relação à boa parte do mundo nesta questão, o que provoca consequências sociais nefastas”, disse. Segundo Cazes, a maconha não é nenhum bicho de sete cabeças, e a sociedade precisa se conscientizar mais sobre o assunto. “No ambiente de música popular, é uma coisa completamente disseminada e olhada com naturalidade há várias gerações. Antes mesmo da bossa nova, a maconha já estava lá”, observou.

 

Senado avalia projeto de regulamentação da maconha

Em resposta a uma proposta de iniciativa popular apresentada por meio de sua página eletrônica, o Senado Federal vai discutir a possibilidade de protocolar um projeto de lei que regulamente o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha no Brasil. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) será o relator da matéria na Comissão de Direitos Humanos daquela casa.

A proposta de descriminalizar o uso da maconha foi protocolada virtualmente no dia 30 de janeiro. Em oito dias, a iniciativa obteve o apoio de mais de 20 mil pessoas, número que assegura o envio da sugestão para a análise da Comissão.

 

MarchinhaganhadoraComo foi a final do Concurso

As dez músicas finalistas foram apresentadas pelos compositores com a Banda da Fundição. Os jurados avaliaram a capacidade da música de se comunicar num evento carnavalesco, além da sua composição e empatia. As três escolhidas foram divulgadas pelo Fantástico e, a partir daí, a votação popular selecionou as melhores marchinhas do ano. O primeiro lugar coube aos compositores Cássio e Rita Tucunduva, que além de casal, foram parceiros na marchinha “Cadê a viga?”. Em segundo, ficou “Colorindo a praça”, de Edu Krieger, seguida por “É hoje!”, de Pedro Holanda.

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