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Que carreira queremos?
A análise das propostas (e das barreiras impostas à progressão) para regulamentar a carreira docente foi tema central de atividades realizadas pelos professores no Dia Nacional de Mobilização
Elisa Monteiro. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Silvana Sá. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
No máximo 1.498 professores do Magistério Superior (para se ter uma ideia, isso significaria apenas 40% dos 3.735 efetivos de 2012) poderão chegar à categoria de Associado, pela proposta da Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PR-2) voltada para regulamentar, internamente à UFRJ, a progressão e a promoção docentes. A proposta prevê a obrigatoriedade de os docentes atuarem em programas de pós-graduação e distingue os professores do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico.
A conta foi feita pela professora do Instituto de Economia, Maria Malta. Ela levou em consideração o fato de a universidade possuir 107 programas de pós-graduação e o número ideal de professores por programa, segundo os critérios da Capes, ser de 14 (e vale lembrar que cada docente pode atuar em mais de um programa): “A proposta da PR-2 é criar uma espécie de elite na universidade. A maior parte dos professores não teria possibilidade de progredir”, destacou a professora, em apresentação feita no hall do prédio da reitoria, durante o Dia Nacional de Mobilização (19 de março). O objetivo da atividade, que se repetiu no campus da Praia Vermelha e no Colégio de Aplicação, foi debater carreira, salário e condições de trabalho.
Maria Malta, que também é integrante do Conselho Universitário, comparou as duas propostas que circulam na Comissão de Legislação e Normas (CLN) do próprio colegiado: uma da PR-2; a outra, da Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD), com contribuição da PR-4. Confira as propostas em discussão na UFRJ neste link
Barreiras para progressão
O texto apresentado pela PR-2 propõe a criação de barreiras para a progressão e a promoção dos professores, a começar pelo conjunto de pontos disputáveis. Neste documento, o total de pontos disputáveis é igual à da pontuação máxima necessária à progressão. Os pontos são modificados de acordo com a categoria na qual o professor está incluído, mas, no caso dos Adjuntos, o valor é 100. “A tabela (da PR-2 – veja quadro) não flexibiliza a atuação entre ensino, pesquisa e extensão. Muitas vezes, o professor está inserido em um programa de pós, mas sua pesquisa está no começo e ele não possui dados para publicar. Isso fará com que ele perca pontos e não progrida. Esta tabela implica que o professor realize todas as atividades ao mesmo tempo, incluindo representação e administração”, explicou Maria.
Já a proposta da CPPD, enviada para o gabinete do reitor em 15 de julho de 2013, pontua igualmente ensino, pesquisa e extensão (veja tabela) e considera outras atividades importantes realizadas por professores. Esta comissão também buscou pontuar de maneira equânime todas as categorias existentes na carreira.
Pós valeria dobro
Em contraposição, a PR-2 diferencia as “classes”. O ensino de graduação é tratado com peso menor em comparação à pós-graduação. Ao separar “ensino de pós” e “produção intelectual”, a PR-2 faz com que os professores que atuem na pós-graduação dobrem sua pontuação em comparação aos docentes da graduação. Esses, por consequência, não conseguem, nessa lógica, a progressão.
Ainda nesta proposta, a pontuação por produção intelectual varia de acordo com a categoria: vale 10 pontos para Assistente; 20 pontos para Adjunto; 30 pontos para Associado e Titular. A atuação do docente em pesquisa e extensão segue a mesma distribuição de pontos.
“Oitenta por cento da UFRJ é composta por professores Assistentes e Adjuntos. Isso significa que apenas uma pequena quantidade de docentes conseguirá ascender na carreira. Essa proposta leva premiações em consideração. Prêmio, por definição, não é para todo mundo. E mesmo assim é classificado como critério com pontuação fixa”, observou Maria Malta.
Em tenda instalada em frente ao CFCH, no campus da Praia Vermelha, professores avaliaram situação salarial da categoria, entre outros temas, dia 19 de março. Reuniões ocorreram também no Colégio de Aplicação e no hall do prédio da reitoria. Foto: Marco Fernandes - 19/03/2014Leia mais: Regulamentação interna da carreira foi tema central de reuniões docentes do dia 19
Durante o Dia Nacional de Mobilização dos Servidores Federais, o ato unificado do Rio de Janeiro, no Centro, foi marcado pelas homenagens à trabalhadora Cláudia Ferreira. Ela foi baleada em Madureira no último domingo, colocada no porta-malas de um camburão e, quando a tampa do veículo abriu, acabou arrastada por dezenas de metros na rua.
Mais cedo, na UFRJ, os professores realizaram reuniões no prédio da reitoria, no campus da Praia Vermelha e no Colégio de Aplicação. Discutiram carreira, salários e condições de trabalho.
Leia mais sobre estas atividades e a manifestação ocorrida em Brasília na próxima edição do Jornal da Adufrj.
Foto: Samuel Tosta
Leia mais: No Rio, ato unificado dos servidores homenageia a trabalhadora Cláudia Ferreira
Exigem 86,7% de reposição de perdas salariais e pagamento de 65% para remuneração da Dedicação Exclusiva
Haverá protesto no próximo dia 19, no Rio
Em assembleia que contou com a presença de mais de 120 docentes, foi aprovada por unanimidade a deflagração de greve por tempo indeterminado na Universidade Estadual do Norte Fluminense, desde o dia 13.
Os professores ratificaram a pauta de reivindicações de 2013, já encaminhada ao governo do Rio de Janeiro, que destaca dois pontos: reposição de 86,7% das perdas salariais relativas ao período entre 1999 e 2013; e pagamento de 65% pelo regime de Dedicação Exclusiva.
A decisão unânime pela deflagração da greve é resultado de grande indignação dos docentes da Uenf quanto ao tratamento desrespeitoso do governo Sérgio Cabral. Nos últimos três anos, o movimento dos professores da Uenf tentou, por diversas vezes, negociar, sem que houvesse qualquer avanço
Homenagem aos garis
A assembleia decidiu ainda adotar a cor laranja para simbolizar o movimento de greve em referência à luta dos garis da Comlurb. Afinal, eles recentemente conquistaram uma importante vitória contra a prefeitura do Rio de Janeiro, também comandada pelo mesmo partido (PMDB) do governador Sérgio Cabral.
Manifestação no Rio
Integrante do Conselho de Representantes da associação de docentes daquela universidade (Aduenf), o professor Marcos Pedlowski informa que o governo do Rio é o que menos gasta, proporcionalmente, com funcionalismo em todo o país. “Por isso, os piores salários estão aqui”. Ele adianta que a próxima atividade do movimento grevista será uma manifestação em frente à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, no Centro do Rio, no próximo dia 19. (Com informações do Andes-SN)
Todos ao ato unificado dos Servidores Públicos Federais
Atividade complementa calendário de debates da UFRJ, neste dia 19, sobre carreira docente e condições de trabalho
A Adufrj-SSind e a Regional-RJ do Andes-SN convocam os professores da UFRJ a somarem forças na manifestação dos Servidores Públicos Federais nesta quarta-feira (19), com concentração na Candelária às 16h e passeata até a Cinelândia. O ato complementará o calendário de atividades no Dia Nacional de Lutas dos SPF e contará com a participação do Fórum de Lutas do Rio de Janeiro.
Seu objetivo é dar visibilidade à luta e às reivindicações dos servidores públicos por melhores condições de trabalho, salário e qualidade dos serviços públicos. Ao mesmo tempo, visa denunciar que o estado que precariza e privatiza a saúde, a educação e o transporte público, é o mesmo que mata a juventude negra e pobre moradora das favelas e periferias.
Neste sentido:
“Somos todos Claudia, pela desmilitarização da PM, já!”
“Tem dinheiro para a COPA, mas não tem para a saúde e para a educação!”
Leia mais: Todos ao ato unificado dos SPF na Candelária, dia 19, às 16h