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Igor Vieira
Rio 40 graus na música, 50 graus na sensação térmica e mais ainda, dependendo do bairro.Descobrir a temperatura exata que as pessoas experimentam em diferentes bairros da capital é o objetivo do Observatório do Calor. A pesquisa inédita é liderada pela professora Núbia Beray, do Instituto de Geociências (IGEO), com apoio de alunos, voluntários e da Prefeitura do Rio.
“Temos sete estações de temperatura do ar no Rio, mas elas medem as variáveis em uma escala que não é a do pedestre, que não é do conforto térmico urbano, é apenas de superfícies de 12 a 30 metros, ou seja, dos telhados”, diz Núbia. Os dados coletados poderão ser aplicados na formulação de políticas públicas variadas, não apenas de mitigação do calor.
O sol nasce para todos, mas os pesquisadores do Observatório entendem que alguns encaram o calor de forma diferente. “O Rio é extremamente urbanizado. A população pobre mora perto de indústrias, avenidas asfaltadas e pouco arborizadas”, conta a professora. “Com dados prévios e a literatura do clima, traçamos 19 rotas marcadas por ilhas de calor, percorridas por carros com sensores acoplados, tripulados pelos voluntários e alunos membros do GeoClima, o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Geografia do Clima”, afirma a docente, destacando Irajá, Bangu e a região da Grande Leopoldina. Os itinerários foram percorridos na sexta passada, dia 28 de janeiro.
Para realizar a pesquisa, o Observatório recebeu apoio do Justice40 Initiative, um programa do governo dos Estados Unidos que faz o mesmo tipo de levantamento em bairros da periferia de grandes cidades. A Administração Atmosférica e Oceânica Nacional (NOAA) — órgão do governo norte-americano que estuda e monitora clima, oceano e meio ambiente — mantém uma parceria de quatro anos com a Capa Strategies, uma empresa de análise de dados. Agora, é a primeira vez que a iniciativa contempla cidades fora do país — Rio de Janeiro, e Freetown, capital de Serra Leoa — com apoio humano, material e técnico. No caso brasileiro, a empresa tem 90 dias para tratar os dados brutos.
A professora e os orientandos do GeoClima estão ansiosos. “Como pesquisadora e militante, vejo que a pesquisa, além de trazer dados para o governo, coloca as associações de moradores no mapa”, afirma Núbia, que acrescenta como possíveis beneficiários os movimentos que lutam contra o aquecimento global. “A universidade caminha junto desses grupos. Fomos bolsistas graças às políticas do governo Lula. Agora, podemos ajudar grupos mais frágeis e vulneráveis”, destaca a professora.
A aluna de graduação Rayza Souza, do bacharelado em geografia, mora em São Francisco Xavier, na Zona Norte. “Meu bairro não é contemplado pelas rotas. Mesmo assim, me sinto sortuda em participar do Observatório ainda na graduação. Todos os voluntários e estudantes se engajaram, pois queremos deixar um legado para o Rio de Janeiro. É impossível propor soluções em uma cidade em que você não tem dados para entender os problemas”.
A voluntária Daniela Oliveira ficou sabendo do projeto através da colega Raiza e fez a rota Curicica/Taquara. “Eu participaria novamente. Inclusive, convidei mais uma pessoa, e gostaria que mais pessoas tivessem a visão de se voluntariar em pesquisas assim. Foi uma experiência interessante e é um bom sentimento saber que estou fazendo algo pelo social”.
UMA RECEPÇÃO CALOROSA
Depois de tratados pela Capa Strategies, os dados estarão disponíveis ao público. A prefeitura é a principal interessada, especialmente a Secretaria de Saúde. “Sabemos do limiar de temperatura de reprodução dos mosquitos da dengue, mas não temos como saber se aquela determinada quadra de uma certa rua tem um clima ‘ideal’ para os mosquitos. Agora será possível”, explica Núbia. A prefeitura também quer emitir alertas de ondas de calor, assim como os de chuva, que já existem. Estes são alguns exemplos, em curto prazo, de como as autoridades e empresas poderão pensar políticas públicas a partir dos dados.
PERIGO NA ESTRADA
O clima da pesquisa esquentou com alguns obstáculos inesperados. Em uma das rotas, duas estudantes foram abordadas por criminosos armados em uma comunidade do município — o nome não pode ser divulgado para evitar retaliações aos pesquisadores. O sensor, que parece uma câmera, teria levantado suspeitas. A estudante teve que descer do carro e explicar que se tratava de um experimento científico. Felizmente, ninguém ficou ferido e o percurso foi concluído.
Divulgação/UFRJUm consórcio, que inclui as empresas Bônus Tracker e Klefer, apresentou a proposta mais vantajosa no leilão da área da Praia Vermelha onde deverá ser construído o “novo Canecão”. O lance final, de R$ 4,35 milhões, superou o do grupo WTorre Entretenimento e Participações Ltda., de R$ 4,05 milhões. A sessão ocorreu no Edifício Ventura, no Centro do Rio, no dia 2.
A disputa ainda não está definida. A Pró-Reitoria de Gestão e Governança (PR-6) avaliará os documentos de habilitação do grupo vitorioso e vai declarar o vencedor final nas próximas semanas. Em seguida, a empresa que perdeu poderá recorrer em cinco dias. Se o resultado for mantido, o consórcio Bônus-Klefer estima que as obras exigidas pela universidade — restaurante universitário e dois prédios acadêmicos na Praia Vermelha — poderão ser entregues em até 24 meses a partir da assinatura do contrato, previsto para março.
Um rio de cultura, política e ciência vai passar pela Lapa, no Rio de Janeiro, até domingo (5). A 13ª Bienal da UNE, que começou dia 2, vai reunir 10 mil
estudantes de todo o Brasil, e receber figuras da política, do ativismo ambiental, da ciência e da cultura. Com o tema “Um Rio chamado Brasil”, o evento tem uma programação com dezenas de atividades. A AdUFRJ é uma das patrocinadoras do evento.
No primeiro dia, as ministras da Saúde, Nísia Trindade, e da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, participaram de um debate sobre a importância da Ciência na reconstrução nacional. “Não é possível pensar na reconstrução nacional, sem inovação, sem ciência e tecnologia. Ele perpassa toda e qualquer perspectiva de retomada. Seja ela na política, na saúde ou no desenvolvimento econômico”, disse a ministra Luciana Santos, com exclusividade para o Jornal da AdUFRJ.
Santos também garantiu que o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), terá seu total recomposto ainda este ano, da ordem de R$ 10 bilhões.
Nísia Trindade também afirmou que a Ciência terá papel crucial na sua gestão. “Já estamos convocando os comitês técnicos do ministério com base em critérios estritamente científicos”, afirmou.
É também a bienal do reencontro, já que o evento não acontecia desde antes da pandemia, e dos novos tempos, após os quatro anos do governo Bolsonaro. A grande presença de figuras dos mais altos escalões do governo é mostra disso. Além das ministras da Ciência e Tecnologia e da Saúde, estarão na bienal a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, da Cultura, Margareth Menezes, dos Esportes, Ana Moser, e da Igualdade Racial, Anielle Franco.
“É muito simbólico que tenhamos na Bienal da UNE ministros e ministras de Estado”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “Ministras e ministros que falem a uma nova conjuntura, que falem a uma nova política e que se identifiquem com o desejo, os sonhos, e com a nova possibilidade de ter a Ciência respeitada, a Ciência como referência das políticas de governo e as universidades sendo valorizadas. É uma virada de chave muito profunda”, disse a parlamentar.
Foto: Arquivo AdUFRJA empresa Van Rosa, que presta serviços de limpeza no CT, será substituída após muitas reclamações dos trabalhadores — noticiadas em edições anteriores do Jornal da AdUFRJ. Em reunião realizada no dia 27 entre a pró-reitoria de Governança e a firma, ficou decidida a rescisão amigável entre as partes. A data prevista para encerramento dos serviços é 10 de fevereiro. Uma das preocupações é com relação aos direitos trabalhistas dos funcionários neste término de contrato, mas, até o momento, a reitoria não tem notícia de atraso nos salários ou benefícios.