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Presidente Interino e seu diretor administrativo  acumulam cargos da diretoria Científica e de Tecnologia

Analisando seu mandato, Roberto Leher, atual reitor da UFRJ, se considera parte de uma linhagem de esquerda

WhatsApp Image 2026 06 12 at 18.38.41 9O Conselho Universitário do dia 11 aprovou, por unanimidade e aclamação, o título de Emérito para o professor Francisco de Assis Esteves, do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem), em Macaé. Representantes dos professores, técnicos e alunos reverenciaram a trajetória acadêmica de excelência, o pioneirismo, o comprometimento com a preservação ambiental e a disposição para o diálogo do homenageado. 

Chris Ruta, professora da Biologia e  coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, lembrou que partiu do professor, conhecido carinhosamente como Chico Esteves, a ideia que deu origem à Semana de Integração Acadêmica da UFRJ.  “Ele falou: ‘professora, criemos algo novo. Não criemos semana de instituto X ou de instituto Y, criemos algo conjunto’. Fomos um exemplo para nossa universidade”, contou.

“Ele teve a influência na vida da maioria das pessoas que trabalham com Ecologia, no país. É uma trajetória acadêmica inquestionável”, disse a pró-reitora de Graduação, a professora Maria Fernanda Quintela, do Instituto de Biologia. 

Homenagem para mais quatro mestres

O último Consuni também concedeu. por unanimidade e aclamação, o título de emérito para mais quatro grandes mestres: Ana Luiza Coelho Netto, Antono Ledo, João Luís Fragoso e Julio Scharfstein. 

O mérito de cada um fica explicito em suas biografias. Fragoso  é um dos principais especialistas em História Colonial do país. Ana Luiza Coelho Netto é pioneira em estudos integrados aplicados à análise de riscos e de desastres ambientais.

 Ledo, do IPPMG, vice-reitor entre 2011 e 2015, é brilhante pediatra e epidemiologista. Já Scharfstein é reconhecido por suas contribuições pioneiras no campo da imunologia e da parasitologia. 

Solidariedade a Marcos Dantas

O Consuni manifestou solidariedade ao professor Titular Marcos Dantas, aposentado da Escola de Comunicação. Após emitir opinião crítica ao consumismo de influenciadores digitais, nas redes sociais, em julho do ano passado, o docente está sendo processado na Justiça. “A proteção constitucional à manifestação do pensamento é um pilar essencial da democracia”, afirma um trecho da moção aprovada.

Após sequestro no campus, a instituição reforça o policiamento na região

WhatsApp Image 2026 06 12 at 18.38.42 3Alexandre Palma da Silva 

Coordenador do Laboratório de Imaginário Social e Educação na Faculdade de Educação e Professor do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia para o Desenvolvimento Social da UFRJ

 

O senso comum sobre o 13 de maio de 1888 e sua significação controversa constituem uma excelente oportunidade para refletirmos a permanência de múltiplas tensões contemporâneas. Os mais de trezentos e cinquenta anos de escravização marcaram profundamente a nossa cultura, especialmente as distintas formas de reelaboração do imaginário social brasileiro nos espaços e tempos.

Para citar um exemplo, no resgate do ensaio sobre Jean-Baptiste Debret (1768 – 1848) publicado no livro “A Forma difícil” (2011) de Rodrigo Naves, é possível supor uma consonância da violenta paisagem visual de Debret com o infeliz episódio no qual funcionários do transporte ferroviário fluminense agrediram passageiros com chicotadas, uma cena amplamente repercutida há poucos anos. A problematização de um imaginário artístico decolonial, um debate com interlocução dentro e fora da Universidade, é um desafio de contorno progressista ao celebrarmos tanto o legado da pioneira Lei 10.639 de 2003 quanto o Dia Mundial da África no último 25 de maio.

WhatsApp Image 2026 06 12 at 18.38.42 2Foto: DivulgaçãoDentre as infinitas camadas de brasilidade projetadas sobre o continente africano e, dialeticamente, dos países africanos que moldaram o país, ainda é notável rever a exuberância de Gilberto Gil em “Pierre Verger: mensageiro entre dois mundos”, documentário realizado por Lula Buarque de Holanda em 1998. Rupturas e vestígios reaparecem na perspectiva da Arte Afro-Brasileira, seja na visualidade emancipatória proporcionada ao grande público pela exposição artística “Isso é Coisa de Preto: cento e trinta anos de Abolição da Escravidão” no Museu Afro Brasil em 2018 ou a recente “Pretagonismos”, iniciativa do Museu Nacional de Belas Artes durante o ano passado. Outro ângulo dessa interseção é o Terreiro de Candomblé “Oba Ogunté”, também conhecido como Sítio do Pai Adão, fundado em 1855 pela Tia Ignês Ifatinuké e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Adão, o sucessor da pioneira matriarca africana em solo nordestino, é o nome religioso de Felipe Sabino da Costa (1877 – 1936). Ele foi a Lagos, na Nigéria, para se aperfeiçoar nas tradições ancestrais e dele herdamos, no contexto familiar, esta frase ilustrativa sobre a densidade das relações afro-atlânticas: “Quem mergulha na areia da praia, não conhece o sabor da água do mar”.

Impactados por este rico universo, após um período de amadurecimento, realizamos uma viagem para a Festa da Cultura Negra do Quilombo São José da Serra, no último dia 16 de maio. A proposta, voltada prioritariamente para estudantes de graduação e pós-graduação da UFRJ, contou com a parceria amiga de Marta Simões Peres, Professora do Centro de Ciências da Matemática da Natureza (CCMN) e o apoio decisivo da Prefeitura Universitária. A centelha de articulação desse processo veio da necessidade de compartilhar o vivo testemunho do encontro do sagrado e do profano na festividade do Quilombo no Município de Valença, cuja interrupção temporária de 2019 a 2022 sugere uma incontornável fratura do governo anterior, caracterizado pelo retrocesso de políticas sociais.

 

Somado a isto, observei antes de 2018 alguns elementos da pesquisa de Ione Maria do Carmo, intitulada “O Caxambu tem dendê: o jongo e religiosidades na construção da identidade quilombola de São José da Serra”, apresentada ao Mestrado em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro em 2012.  No trabalho, a autora destaca o catolicismo popular e sua presença nos pontos de Jongo, assim como a existência de uma capela na comunidade, célula para a realização da Missa Afro na programação anual do evento. Neste cenário, os versos do líder quilombola Toninho Canecão, autor da letra de Jongo “Eu fui na Mata”, sublinham a imersão vivenciada pela passagem dos estudantes da UFRJ neste território ímpar da Serra da Beleza: “Ah eu fui na mata buscar a lenha... Eu passei na cachoeira molhei a mão... Senhor da Pedreira... Benza essa fogueira... Além da fogueira... Ajudai todos os irmãos”.

Após a viagem, os relatos dos estudantes indicam a partilha dessa experiência sob diferentes expectativas. Uma delas diz respeito ao advento da crise do capitalismo expresso no uso das tecnologias digitais para impulsionar redes de desinformação, como sugere o capítulo sobre guerras culturais do livro “Chomsky e Mujica: sobrevivendo ao século XXI” (2024). Assim, é possível indagar até que o ponto o sentido da experiência quilombola é poética e ao mesmo tempo uma forma de pensar o Brasil, sem desconsiderar a erosão do sistema parlamentar, sob o prisma da permanente defesa da democracia, contrapondo interpretações conservadoras sobre a identidade pluriétnica. Essa forma de cidadania cultural organicamente reconhece e contempla a assunção de uma identidade negra, como recomenda Ricardo Franklin Ferreira, em “Afro-descendente: identidade em construção” (2009), ao demarcar os estágios desse processo, submissão ao mundo branco, descoberta do grupo étnico-racial de referência, militância afrocentrada e abertura para a alteridade.

É neste aspecto da relação interdisciplinar cultura e democracia, que compreendemos a importância de as instituições acadêmicas renovarem ações, projetos e pesquisas nos múltiplos territórios criativos rurais e urbanos. Recentemente, os Ministérios da Cultura e Igualdade Racial estabeleceram políticas transversais para o fortalecimento de identidades regionais e, no caso do Rio de Janeiro, destacamos o incentivo da Fundação Nacional de Artes para a criação do Centro de Memória do Bloco Cacique de Ramos. Nesta mesma direção, urge, ao mesmo tempo, o empenho governamental para recompor o quadro de pesquisadores, técnicos e colaboradores em geral, responsáveis por esta rica conexão universidade-sociedade. Isto é fundamental para capilarizar o desenvolvimento de diferentes segmentos da vida social brasileira. 

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