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A comunidade universitária recebeu com consternação a notícia do falecimento precoce do servidor Francisco de Paula Araújo. Ele era representante da bancada dos técnico-administrativos no Conselho Universitário e chefe da Biblioteca Central do Centro de Tecnologia. Francisco foi vítima de um câncer, descoberto já em fase terminal no mês passado. Ele morreu aos 42 anos em 12 de março, Dia do Bibliotecário. Francisco era um profissional altamente qualificado: doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em Políticas Públicas (Uerj), bacharel em Direito (Uerj) e em Biblioteconomia (Unirio). Advogado com atuação na área trabalhista, era editor-chefe da Agência Biblioo Publicações e Comunicação. O servidor deixou esposa e filha. A AdUFRJ lamenta esta irreparável perda e deseja força aos amigos e familiares neste momento de dor.
foto: Arquivo AdUFRJA UFRJ concedeu o título de Doutora Honoris Causa à professora Helena Nader, titular da Unifesp. A cerimônia de outorga ocorreu em 16 de março. “Recebo esse título como mulher, professora, cientista, mãe, avó e, principalmente, cidadã. O cenário da pandemia nos revelou pelo menos dois Brasis: um solidário, voltado para buscar minimizar os impactos da covid-19. O outro Brasil, das fake news, dos anticiência, do desrespeito ao outro. Graças à luta diuturna, prevaleceu o Brasil solidário. Precisamos riscar do mapa esse Brasil homofóbico, que não se preocupa com a fome, com a educação, que destrói o meio ambiente, que ataca os nossos irmãos”, afirmou. Nader foi presidente da SBPC entre 2011 e 2017. E, desde então, é presidente de honra da entidade. A pesquisadora também ocupa por dois mandatos a vice-presidência da Academia Brasileira de Ciências desde 2016.
UFRJ TERÁ SISTEMA DE INFORMAÇÕES VACINAIS DE PROFESSORES E TÉCNICO-ADMINISTRATIVOS
A comunidade acadêmica da UFRJ terá um reforço na luta contra a covid-19. Um novo sistema, batizado de Passaporte Minerva, vai centralizar as informações vacinais de professores e técnico-administrativos. O sistema já está pronto e será lançado nos próximos dias. Foi desenvolvido pela Superintendência de Tecnologia, Informação e Comunicação (TIC), com parceria da Pró-reitoria de Pessoal. “O funcionamento é muito fácil. Cada unidade terá os gestores indicados e eles vão cadastrar os números de matrícula dos servidores vacinados. Estes servidores vão receber por e-mail um link para salvar o comprovante de vacinação”, explica Maria Tereza Ramos, superintendente administrativa da PR-4. Na ausência do comprovante de vacinação, será necessário apresentar o Certificado de Isenção Temporária de Apresentação de Comprovante de Vacinação para a covid-19, emitido pelo Centro de Triagem e Diagnóstico (CTD) da UFRJ.
Renato Janine profere
aula inaugural da Coppe
Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e ex-ministro da Educação (2015), o professor Renato Janine Ribeiro profere a aula inaugural de 2022 da Coppe, em 21 de março, às 11h, com o tema “Ética no mundo atual”. Antes, às 10h, haverá uma cerimônia de recepção aos novos alunos, com abertura feita pelo diretor da unidade, professor Romildo Toledo. Os eventos serão realizados no auditório da Coppe, no Centro de Tecnologia 2 (CT2), e serão transmitidos pelo canal da instituição no Youtube. Renato Janine Ribeiro é professor titular da USP desde 1994, onde leciona Ética e Filosofia Política, além de ser pesquisador sênior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e acadêmico emérito da Academia Paulista de Direito.
Nelson Braga é o novo diretor
do Instituto de Física
No último dia 10 de março, o professor Nelson Braga foi oficialmente nomeado no Diário Oficial da União como novo diretor do Instituto de Física da UFRJ. A consulta aconteceu em dezembro. Nelson assume a direção com a professora Simone Coutinho. Dentre os principais desafios de sua gestão, ele destaca o retorno às aulas presenciais e a transferência da unidade para o novo prédio, ao lado do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN). “Estamos há dois anos sem dar aulas na universidade, devemos receber todos com muita segurança”, afirma. “Outra questão é a mudança para o prédio novo. Ainda precisamos de recursos para instalação de ar-condicionado, cercamento do prédio e estacionamento”, lista. O professor Nelson Braga vai conduzir o instituto pelos próximos quatro anos.
A Faculdade Nacional de Direito reparou o erro cometido em julho do ano passado quando negou a indicação do advogado, escritor e artista Nei Lopes ao título de Doutor Honoris Causa. A Congregação da unidade voltou a se reunir e aprovou a indicação do ex-aluno da FND. Lopes tem vasta produção na área de culturas africanas, é também compositor, cantor e ativista do movimento negro. Desta vez, o pedido chegou ao Conselho Universitário, que aprovou a indicação por unanimidade e sob forte aplauso. Decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, o professor Flávio Martins comemorou a aprovação. “Entra aqui em discussão qual modelo do Direito e de universidade que queremos. Se é um modelo extremamente formalista, tecnicista, ou se é um modelo mais abrangente”, disse. “Nei Lopes é um ex-aluno nosso, um advogado e destaca-se em outras áreas culturais e políticas, inclusive na defesa da ancestralidade da cultura de matriz africana no nosso país”, afirmou o decano. Nei Lopes também foi condecorado pelas federais do Rio Grande do Sul e Rural do Rio de Janeiro, além da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Foto: Fernando Souza/AdUFRJForam inauguradas nesta sexta-feira (18) as instalações do Centro Nacional para a Identificação Molecular do Pescado (Cenimp), que fazem parte do Instituto de Biologia da UFRJ. Construído com recursos dos ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Agricultura e Pecuária (MAPA), do CNPq e da Faperj, o Cenimp tem entre seus objetivos a pesquisa e o desenvolvimento em metodologias para análises genéticas de pescado e em aquicultura. O novo centro de pesquisa ocupa um espaço próprio de 400 metros quadrados e já conta com o maior banco de sequências de DNA de pescado da América Latina. Esse banco permite a identificação precisa de amostras de pescado mesmo quando processadas — na forma de filés — ou altamente processadas, como em bolinhos.
Para quem estuda o desenvolvimento urbano brasileiro, não basta pensar em medidas pontuais para evitar tragédias como a que aconteceu em Petrópolis. É preciso retomar uma política de planejamento das cidades. Quem defende esta posição é o professor Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, do IPPUR/UFRJ. “A Constituição de 1988 estabelece os princípios de planejamento e de reforma urbana, obrigando que a cidade pratique uma gestão baseada nesses princípios, traduzidos nos planos diretores e nas leis de planejamento urbano. Mas esse projeto acabou sendo derrotado na sociedade brasileira”, explicou o professor.
A derrota do projeto de planejamento urbano proposto pela Constituição de 1988, na avaliação do professor, levou a um modelo que privilegia os interesses econômicos de grandes agentes. “As cidades são também os lugares onde se organizam os blocos de poder que dirigem o nosso desenvolvimento capitalista. Os interesses econômicos e políticos têm uma importância muito grande na gestão do planejamento urbano como negócio e como moeda política”, avaliou.
Luiz Cesar é também coordenador do Observatório das Metrópoles, que reúne pesquisadores de 16 capitais do Brasil pensando os desafios do planejamento urbano no contexto social, econômico e político do país. “Estamos preparando um trabalho, para ficar pronto este ano, com um diagnóstico com as 16 metrópoles onde estamos, com propostas que retomem esses princípios e instrumentos da reforma urbana”, contou o professor. Algumas ações que ele citou como exemplo são um maior controle do uso e ocupação do solo, restrição do uso das áreas de encostas e de preservação ambiental, além de políticas de ampliação do acesso à moradia. “Precisamos de uma política habitacional de massa, para dar alternativa àqueles que não têm acesso à habitação pelo mercado”. (Lucas Abreu)
Artigo
LUIZ CESAR DE QUEIROZ RIBEIRO
Professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da UFRJ
e coordenador do Observatório das Metrópoles
Devemos, na medida do possível, procurar atuar na desconstrução da narrativa do senso comum presente na mídia baseada na suposição da “desordem urbana” como a causa dos tantos desastres urbanos que têm ocorrido: Petrópolis (RJ), Franco da Rocha (SP), Belo Horizonte, sul da Bahia.
Estamos assistindo às consequências trágicas de uma ordem urbana fundada no laissez-faire do mercado, do mandonismo urbano e da estrutural desinstitucionalização e desestatização dos governos municipais. A gramática do governo das emergências substituiu a gramática do planejamento, dos planos diretores e das leis de desenvolvimento urbano. A burocracia profissional na gestão das cidades foi desprestigiada e deslocada para abrir espaço para o governo direto pelas forças e interesses do mercado e patronagem urbana.
A adoção do governo das emergências é mais rentável eleitoralmente que o pouco visível governo do planejamento e da norma. Gera votos, alimenta clientelas eleitorais e incentiva financiamento de campanha, além de legitimar narrativas salvacionistas. Imaginem o rendimento político alcançado pelos donos do poder, prefeitos, governadores e até o presidente, ao aparecerem na grande imprensa e nas telas dos jornais nacionais com o colete das “defesas civis” e apresentando as “soluções salvadoras”!
Enquanto isto, vemos o que não foi feito para preparar antecipadamente as cidades para atravessarem estes eventos extremos do clima. A evidência deste padrão de governo das emergências como prática consciente dos donos do poder: a gestão de Cláudio Castro (PL), governador do Rio, gastou apenas metade do previsto em prevenção de tragédias no Rio de Janeiro. Segundo matéria da Folha de São Paulo com dados do Portal da Transparência, apenas 47% do valor previsto em orçamento para ser gasto em 2021 no programa de prevenção e resposta a desastres foi de fato empenhado. Em 2013, o então governador Sergio Cabral (PMDB) investiu apenas 37% da verba destinada a obras na Serra e na Baixada — dos R$ 4 bilhões disponíveis, apenas R$ 1,5 bilhão foi efetivamente usado em obras, segundo a Revista Veja. Isso tudo mesmo com o conhecimento das tragédias anteriores ocorridas na Região Serrana, como a que ocorreu em 2011 e afetou os municípios de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto, resultando em mais de 900 mortos e 100 desaparecidos, além das 35 mil pessoas que perderam suas casas ou tiveram que sair por conta do risco de desabamento.
Estes são desfechos esperados da nossa ordem urbana.