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Preocupados com a lei complementar nº 191/22, sancionada este mês pelo governo Bolsonaro, vários professores entraram em contato com a assessoria jurídica da AdUFRJ. A legislação impõe prejuízos ao funcionalismo público de estados e municípios, mas não atinge os servidores federais. O texto retira a contagem do tempo de serviço entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021, com exceção dos profissionais das áreas de saúde e segurança. A medida afeta a concessão de diversos adicionais, como anuênios e licença-prêmio, revogados para os servidores federais na década de 90. “Desde 1996, não há novos períodos computados. Quem conquistou até aquele momento continua a receber”, explica a advogada Ana Luísa Palmisciano, da AdUFRJ. A lei também não prejudica as progressões e promoções dos docentes federais.
O Conselho Universitário desta quinta-feira (24) foi o primeiro sem a presença do conselheiro Francisco de Paula Araújo, técnico-administrativo que faleceu de câncer no dia 12 de março. A reitora, professora Denise Pires de Carvalho, abriu a reunião. “Com muita tristeza, dou início a esta reunião do Conselho Universitário”, disse a professora, muito emocionada. “Peço um minuto de silêncio para relembrarmos Francisco de Paula neste momento de muito pesar. Francisco de Paula permanecerá presente entre nós por suas ideias e seus ideais”. O decano do Centro de Tecnologia, professor Walter Suemitsu, também aproveitou o momento para homenagear o servidor, que era chefe da Biblioteca Central do CT. “Realmente, uma perda irreparável”, lamentou.
A diretoria da AdUFRJ manifesta seu profundo pesar com o falecimento do professor Mário Carvalho, de 35 anos. O docente do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais desapareceu durante o temporal que atingiu Petrópolis na tarde de domingo e seu corpo foi encontrado no final da tarde de terça-feira. O Departamento de Filosofia divulgou nota em que destacou o carisma, a gentileza e o cuidado com que Mário tratava os colegas e alunos. “Deixa uma lacuna no coração de todos”.
Mário estava na mesma casa onde foram encontrados os corpos de Nelson Ricardo da Costa, de 59 anos, que também era professor, e da mãe de Nelson, Heloisa Helena Caldeira da Costa, de 86 anos. Mário ajudava o amigo a retirar a idosa de casa, quando o imóvel desabou.
O jovem professor, que era coordenador de graduação do curso de bacharelado em Filosofia, ingressou no IFCS em 2017. Mário já atuava como docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Lógica e Metafísica (PPGLM), o mesmo no qual se tornou mestre e doutor pela UFRJ.
A AdUFRJ informa que a professora Eleonora Kurtenbach terá que se licenciar da nossa diretoria. Ela foi nomeada vice-diretora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e nosso estatuto não permite o acúmulo das funções. A diretoria agradece todo o apoio da docente, sentirá a falta de sua talentosa contribuição e deseja boa sorte na nova empreitada.
Faleceu no último dia 10 de março Maria Eloisa Guimarães, professora aposentada da Faculdade de Educação. Formada em Pedagogia pela UFMG e tendo feito o mestrado e o doutorado na PUC-Rio, entrou na UFRJ em 1984 como professora do Departamento de Administração Educacional, onde ministrou disciplinas como Estrutura e Funcionamento do Ensino de 1º e 2º graus e Currículo e Programas. Eloisa foi minha professora na segunda metade da década de 1980 e convivi com ela de forma mais próxima quando fui monitora daquele departamento.
Era bastante exigente e nos ensinou muito. Fazia parte de um grupo de professoras (a maior parte do corpo docente da FE à época era composta por mulheres) que marcou a nossa geração de estudantes e com as quais algumas de nós, suas ex-alunas, mantemos contato até hoje. Numa época em que o curso de Pedagogia sofria algum preconceito justamente por ser muito “feminino”, tais professoras foram um exemplo de inteligência, autonomia, independência e, sobretudo, compromisso com o trabalho acadêmico.
Professoras como Lúcia Siano, Helena Ibiapina, Sérvula Paixão, Luciane Falcão, Maria de Lourdes Fávero, entre outras, nos mostravam que o trabalho acadêmico não era uma mera “distração” para abstraírem das responsabilidades domésticas, mas sim uma escolha de vida que elas tinham feito engajando-se na vida da universidade, lecionando, desenvolvendo pesquisas, assumindo cargos de gestão.
Eloisa liderou uma pesquisa sobre a implantação dos CIEPs financiada pelo CNPq da qual participaram duas das minhas colegas daquela época: Rosita Mattos e Anna Rosa Amâncio. Tal pesquisa ocorreu logo no primeiro ano da implantação daquele projeto e seu objetivo era trazer para a reflexão acadêmica o funcionamento da escola de ensino fundamental.
Sua tese de doutorado Escola, Galeras e Narcotráfico, defendida em 1993 e publicada em livro pela editora da UFRJ em 1998, constituiu um estudo inovador para a época sobre violência urbana no cotidiano escolar e os padrões de relacionamento entre a escola pública e o meio urbano na cidade do Rio de Janeiro. Suas pesquisas sobre o tema da violência a levaram a formular, juntamente com outros pesquisadores, em 1996, a organização de cursos para a formação de delegados da Polícia Civil do Rio de Janeiro, numa época em que se começava a falar em direitos humanos.
Ana Lúcia Fernandes
Diretora da AdUFRJ