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Fotos: Alessandro CostaCom o auxílio de uma máquina fotográfica de brinquedo, dessas que atira água em vez de bater fotos, o professor Paulo Alcantara Gomes conseguiu rechaçar um indesejável convênio entre a UFRJ e a Escola Superior de Guerra em plena ditadura militar. Quem lembrou a história foi o ex-reitor Nelson Maculan (1990-1994), na sessão solene do Conselho Universitário, sexta-feira passada (30), que outorgou o título de professor emérito a Paulo Alcantara Gomes. “O Paulo era diretor da Coppe (1978-1982) e não queria fazer o convênio. Então pegou aquela máquina e começou a atirar água na gente. O general deve ter nos achado um bando de loucos e nunca mais voltou ao Fundão”, recordou Maculan, arrancando risadas da plateia e um leve sorriso do homenageado.
A capacidade de negociar e dialogar foi enaltecida como uma das muitas qualidades de Paulo Alcantara Gomes na sessão solene realizada no Salão Nobre do Centro de Tecnologia. Na mesa e na plateia, professores, pesquisadores, funcionários e cinco ex-reitores prestigiaram a homenagem. Foi o último ato oficial do então reitor Carlos Frederico Leão Rocha, que se disse emocionado ao entregar a medalha ao homenageado. “Temos aqui o peso institucional da UFRJ, com a presença dos ex-reitores, ao conceder esse título ao professor Paulo, aprovado por unanimidade pelo Consuni”, disse Leão Rocha. O reitor nomeado Roberto Medronho, e sua vice Cássia Turci, também estavam na plateia.
EXEMPLO
Paulo Alcantara Gomes foi reitor da UFRJ de 1994 a 1998, sucedendo a Nelson Maculan, de quem foi vice-reitor. Em seu discurso, Maculan destacou a capacidade de negociação do amigo, ilustrada com o episódio da máquina fotográfica de brinquedo. “Paulo é meu amigo desde 1978, quando cheguei à UFRJ, e ele já estava aqui. É um exemplo de vida dedicada à educação brasileira. É impressionante a capacidade dele de agrupar as pessoas, de negociar. É um grande gestor. Como professor, deu aulas na graduação e na pós, orientou teses, fez pesquisa, se articulou internacionalmente. Ele é importante por toda a sua carreira”, disse Maculan.
O ex-reitor lembrou um fato marcante na carreira de Paulo: a contratação de pesquisadores demitidos da Finep pelo regime militar. “Ele foi diretor da Coppe na época da ditadura, e teve a coragem de contratar aqueles pesquisadores. Não é qualquer um que faz isso, não”, relembrou Maculan, muito aplaudido.
Reitor da UFRJ de 1981 a 1985, Adolpho Polillo foi professor de Paulo e falou sobre o ex-aluno. “Em todos os lugares em que eu encontro o Paulo ele sempre tem o cuidado de dizer a todos: ‘Foi meu professor’. Fico honrado com isso. Em todos os instantes em que eu acompanhei a vida do Paulo, inclusive durante minha passagem como reitor, nunca encontrei algo de que pudesse discordar. Eu me sinto agraciado pela sorte de ter conhecido Paulo Alcantara Gomes”, disse Polillo.
O médico e professor Alexandre Pinto Cardoso, reitor da UFRJ de 1989 a 1990, arrancou risadas da plateia ao elogiar a elegância do homenageado. “Muitas coisas já foram ditas aqui sobre o Paulo, o nosso Paulinho. Mas quero dizer mais. O Paulo é um conciliador por excelência, uma pessoa de grande empatia. Escuta a todos, e é capaz de docemente dizer ‘não’. E as pessoas saem agradecidas pelo fato de terem sido ouvidas e receber um ‘não’ com tamanha elegância”, descreveu Pinto Cardoso. “É um batalhador incansável pela universidade, com seu carisma e com seu cuidado no trato com as diferenças”, completou.
A diretora da Escola Politécnica, professora Cláudia Morgado, já conta com o trabalho do novo professor emérito na congregação da unidade: “A UFRJ hoje está resgatando uma dívida com ela mesma. Essa emerência já deveria ter sido outorgada há muito tempo. É uma honra ter o professor Paulo agora na nossa congregação, e ele já aceitou fazer parte de uma comissão que vai reestruturar as diretrizes pedagógicas dos cursos da Escola Politécnica”.
INVESTIMENTOS
Ao receber a medalha das mãos do reitor Carlos Frederico Leão Rocha, Paulo lembrou de sua trajetória na UFRJ. “Quero dizer o quanto me sensibiliza e enobrece esse título de professor emérito. A UFRJ foi o berço de minha formação intelectual. Recebo esse título 60 anos depois de ter iniciado meu curso de Engenharia Civil na então Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, hoje Escola Politécnica”.
Paulo se disse “em casa” no CT, por suas passagens pela Coppe e pela Escola Politécnica. “Fico feliz de voltar ao Centro de Tecnologia, onde passei muitos momentos importantes de minha vida. Minha turma foi a última do Largo de São Francisco e a segunda da Ilha do Fundão. Depois ingressei na Coppe e fiz meu mestrado orientado por Luiz Bevilacqua, meu doutorado com o professor Sidney Santos. A Coppe é uma referência. E uma de minhas maiores realizações foi a de ter sido professor dos cursos de graduação da Escola Politécnica. Aqui apreendi a dar valor à formação científica dos engenheiros e tive a chance de contribuir para a reforma dos cursos de Engenharia”.
O emérito falou também da falta de investimentos nas universidades e instituições de pesquisa. “Decorridos mais de 20 anos de meu mandato como reitor, é possível constatar grandes mudanças no cenário, mas ainda persistem muitos desafios. Os investimentos em educação, ciência e tecnologia são um problema sério e dependem essencialmente do setor público. Em 2020, para se ter uma ideia, foram investidos em ciência, tecnologia e inovação apenas 16% dos R$ 8,6 bilhões aplicados em 2014, o que equivale a 0,8% do PIB. A média mundial anda na faixa de 1,8% do PIB”.
Paulo falou sobre alguns reflexos dessa falta de investimentos. “Apenas 11,4% dos doutores formados vão para a indústria no Brasil, enquanto nos Estados Unidos esse percentual chega a 42%. Estamos perdendo profissionais e pesquisadores altamente qualificados para outros países. Há dias, a professora Cláudia Morgado me relatou que, só na Escola Politécnica, foram sete nos últimos anos”, lamentou.
Mas o mestre vê bons sinais no horizonte. “Há perspectivas melhores agora que o governo está tentando recuperar os investimentos em ciência, tecnologia e inovação, e ainda recompor o orçamento de custeio das universidades federais. Todos nós estamos vendo com esperança uma nova fase das agências públicas de fomento à pesquisa”, concluiu.
Foto: Renato Mariz (Ascom/CCS)Por Igor VieiraO público presente no auditório da Inovateca na segunda-feira (23) era único e diverso: único pela vontade de estudar, e diverso em sua sexualidade, identidade de gênero e experiência, compondo as letras do LGBTQIA+ da sua maneira, em seus sonhos e projetos de vida. No evento de abertura da terceira Turma e do primeiro Seminário do Programa de Extensão TransGarçonne, professores, alunos, extensionistas, representantes de ONGs e do poder público se reuniram para celebrar a Educação e o orgulho.
O professor Renato Monteiro, do Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC), explicou os eixos de atuação do programa, voltado para pessoas trans, travestis e não-binárias. “Qualificamos os alunes para o mercado de trabalho em Gastronomia, com foco em bebidas. No eixo da empregabilidade, temos um banco de currículos compartilhado com empresas parceiras”.
Monteiro utilizou sua experiência no mercado e sua área de atuação na universidade para a capacitação. “Como professor do Departamento de Gastronomia, eu leciono a disciplina ‘Bebidas, bares e restaurantes’. Dentro da Gastronomia, essa é a área de hospitalidade e serviço de salão, que é o atendimento de clientes em bares, restaurantes e hotéis”.
O programa é ainda mais relevante, levando em conta que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans, e que mais de 90% delas têm a prostituição como fonte de renda. “A ideia do curso veio da minha vivência, para pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades”, contou Renato, homem trans e o primeiro professor a se assumir e fazer a transição dentro da UFRJ.
Os alunes também são preparados para entrevistas de empregos, aprendendo etiqueta de trabalho e cultura das empresas, com ajuda dos oito docentes e 17 extensionistas da equipe.
A professora Cristina Vermelho, do Instituto Nutes de Educação em Ciências da Saúde, do Centro de Ciências da Saúde, atua no eixo pedagógico. “Eu trabalho nos bastidores, fazendo a preparação pedagógica dos extensionistas da UFRJ. Ensino-os a preparar e ministrar aulas”, descreveu a professora, que entrou na extensão em 2021.
Essa é uma experiência enriquecedora para os estudantes do bacharelado. “Eles respondem super bem, o grupo atual já está trabalhando com a segunda turma. Há um nervosismo por serem da graduação. No final, porém, eles têm outra visão até do seu próprio processo de formação”, relatou a professora Cristina. Ela foi orientadora do professor Renato, e acompanhou todo o processo de transição.
A professora Verônica Oliveira, vice-diretora do INJC, desejou sucesso à nova turma do TransGarçonne. “A UFRJ tem responsabilidade social de promover esse curso: essa é uma universidade pública de todes para todes. Espero que a turma seja representante de tudo o que a universidade pode oferecer”.
A inauguração da nova turma no mês do orgulho é ainda mais emblemática. Os alunos extensionistas, do curso de Gastronomia, são aliados ou fazem parte da comunidade, representados em alguma das letras do LGBTQIA+. Eles atuam nas aulas, na comunicação, na organização, e nos diferentes eixos, como o de empregabilidade.
O estudante de Gastronomia Pedro Domingos entrou na extensão em 2021, e já atuou lecionando. “Ainda não tinha conhecimento em coquetelaria. No programa, ampliei a minha percepção da Gastronomia, tanto na parte prática quanto social, pela transformação da realidade através do trabalho conjunto”, disse o estudante.
Pedro agora trabalha na comunicação, junto com a aluna de Gastronomia do terceiro semestre Karina Lassala. “Entrei porque a área de bares e bebidas é a que mais me interessa na Gastronomia. Também me sensibilizo com a proposta e com o público”, contou Karina, que conhece o programa antes mesmo de ingressar na UFRJ, em 2022.
Karina já participou de algumas aulas. “Ampliei meu contato com pessoas da comunidade, que têm histórias de vida às vezes difíceis, mas inspiradoras. É um ambiente muito acolhedor”, disse Karina.
Graças ao TransGarçonne, a ex-alune e embaixadora do programa, Rochelly Rangel, hoje tem uma carreira de sucesso: já ganhou prêmios pelos seus drinks, assina a carta de bebidas do Hilton e venceu até mesmo um reality show. “O TransGarçonne foi a oportunidade que eu sempre busquei. Eu trabalhava como cabeleireira, mas não era o que eu queria. Hoje, tenho uma carreira, carteira assinada, nome retificado, e a lei é minha aliada, como qualquer trabalhadora, porque estou na formalidade e tenho direitos”, comemorou Rochelly. “A UFRJ também me abriu um universo diverso, da Educação. Nunca pensei que estaria em uma universidade, mesmo sendo curso de extensão”.
Rochelly dividiu a apresentação da nova turma e primeiro seminário com seu colega ex-alune Ary Santos, que hoje também está empregado. “A UFRJ é uma instituição centenária, e que se atualiza”, disse ele para nova turma da diversidade.
Presente ao evento, a procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) do Rio de Janeiro, Fernanda Diniz explicou a atuação do MPT. “É um orgulho o Transgarçonne integrar nosso fundo de Destinação Substituta”, disse Fernanda. A verba do fundo é composta por meio de indenizações de empresas irregulares, e destinada a projetos e ONG’s por meio de edital.
Terminamos junho com muitas notícias. Quase todas boas. A melhor de todas nasceu de uma construção coletiva que, desde 2015, busca novas formas de luta sindical na UFRJ. Os frutos dessa articulação aparecem numa AdUFRJ mais conectada ao cotidiano dos docentes e comprometida com a universidade pública e com a valorização do trabalho dos professores. Acreditamos que o sindicalismo contemporâneo precisa dessa oxigenação que combina a luta histórica por um mundo menos desigual com ferramentas contemporâneas de construção social.
A última assembleia de docentes, realizada na manhã de quarta-feira (28), fortaleceu nossa compreensão de sindicalismo. Por 74 a 24 votos, os professores aposentaram as urnas de papel e aprovaram que as eleições da AdUFRJ passarão a ser virtuais. O novo regimento eleitoral começa a valer já no próximo pleito, em setembro. A diretoria compreende que o novo método fortalece a democracia sindical e amplia a participação.
Desde 2015, quando duas chapas passaram a disputar a direção da AdUFRJ, o número de eleitores se mantém estável. No entanto, em 2021, quando houve a primeira eleição remota, ainda em situação excepcional, por conta da pandemia, houve substantivo crescimento de votantes. Eles passaram de 1.239, em 2019, para 1.643, em 2021.
“Houve grande crescimento de votos, mas, proporcionalmente, esse crescimento foi estável entre situação e oposição. A proporção se manteve a mesma”, disse o professor João Torres, presidente da AdUFRJ, durante a assembleia. “Portanto, houve a ampliação de votantes dos dois campos, algo que consideramos muito benéfico para o nosso movimento docente”, afirmou.
A outra boa nova da semana foi a nomeação oficial do reitor eleito, professor Roberto Medronho. Ele tomará posse em Brasília na próxima segunda-feira. Os novos pró-reitores serão aprovados em reunião extraordinária do Consuni, na terça-feira. Nas páginas 4 e 5 do Jornal da AdUFRJ, apresentamos um perfil do primeiro escalão da nova reitoria.
Aqui, a notícia é boa, mas altera profundamente a rotina da diretoria.
Entre os nomeados está o professor João Torres, atual presidente da AdUFRJ. Todo a diretoria entendeu a escolha como um reconhecimento de sua competência, mas lamenta a saída. Professor titular do Instituto de Física, Torres conta que os 21 meses na presidência da AdUFRJ mudaram sua visão sobre o sindicato.
“O que eu levo de mais precioso do exercício da presidência da AdUFRJ é que agora realmente entendi a importância do sindicato. Entrei ainda no governo Bolsonaro. Ter um sindicato forte e independente, que possa representar bem os docentes e fazer uma luta política em favor dos professores, foi meu maior aprendizado. Confesso que sair da AdUFRJ agora nunca esteve nos meus planos, mas participar da administração central da UFRJ na PR-2 é uma honra e vou fazer o melhor possível”, resumiu Torres.
A substituição na diretoria da AdUFRJ será chancelada na próxima segunda-feira. Faremos duas assembleias. As duas virtuais. A segunda, extraordinária.
Na primeira, vamos discutir o edital das eleições da AdUFRJ. Na segunda, apresentaremos a indicação da professora Nedir do Espírito Santo para a presidência da AdUFRJ.
Por fim, a notícia ruim da semana vem da educação estadual. O governador do Rio, Cláudio Castro, tem se mostrado inflexível na proposta de maquiar o cumprimento da lei do piso nacional do magistério e paga o pior salário do país aos professores. Pior: acionou a Justiça contra a legítima greve da categoria. Nossa diretoria repudia essa prática antissindical e conclama o governador a estabelecer uma efetiva mesa de negociação com os educadores, em nota divulgada na página 6.
Desejamos dias melhores para os colegas do magistério estadual e cobramos responsabilidade do governador Cláudio Castro com a educação pública. Porque, afinal, como mostramos na reportagem da página 7, sobre o programa do Instituto de Nutrição para profissionais trans, a Educação é a melhor e mais potente forma de mudar destinos.
Boa leitura!
Microalga amazônica ainda não identificada. Autoria: Aldenora Vasconcelos/Centro Multiusuário para Análise de Fenômenos Biomédicos da Universidade do Estado do Amazonas/CenabioQuem frequenta a Cidade Universitária pode trocar a paisagem inóspita do Fundão pela rara beleza das imagens produzidas em pesquisas acadêmicas. Uma exposição de cartazes coloridos e surpreendentes acaba de ser inaugurada no bloco K do Centro de Ciências da Saúde. São análises microscópicas, exames de ressonância, ilustrações e pinturas que aproximam os espectadores do trabalho realizado em laboratórios e ateliês.
As reproduções — parte delas ilustra esta página — foram escolhidas a partir de uma disciplina oferecida pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE) da UFRJ. As aulas, que ocorreram em 2022, discutiram as “Imagens dos Mundos Reais e Imaginários” como ponto de convergência de diferentes saberes.
“Fomos à procura de imagens da música, da pintura, da arquitetura e das ciências sociais. Fomos atrás de imagens de explosões que ocorrem no universo”, cita o idealizador da iniciativa e diretor do Centro Nacional de Biologia Estrutural e de Bioimagem, professor Adalberto Vieyra. “Foi um encontro extremamente rico, variado, e acredito que todos nós crescemos muito a partir dessa experiência”.
Diretora do CBAE, a professora Ana Célia Castro convida toda a comunidade acadêmica a conhecer o trabalho. “Acho que todo mundo deveria ver. Ficou de uma beleza indescritível e inesperada”.
A espera/Série Melancolia - Autoria: Lícius Bossolan - Curso de Pintura - Escola de Belas Artes/UFRJ
Mas quem não puder ir ao CCS não precisa se preocupar. Após 15 dias, a exposição irá para a sede do próprio Colégio, no Flamengo. E, num futuro próximo, talvez para a Casa da Ciência. “Acho que a Casa da Ciência é o local natural para ela. Porque os alunos das escolas poderiam ver. Isso é uma grande motivação para que as pessoas venham fazer cursos. É um apelo enorme para os estudantes do ensino médio”.
Cada cartaz é acompanhado de um QR code, que conduz o internauta para a aula em que aquela imagem foi discutida. E todas elas estão disponíveis no canal do CBAE, no Youtube. “Tão importantes quanto as imagens são as aulas que falam delas”, reforçou Ana Célia.
grãos de pólen da espécie Ixora coccinea. Autoria: Aldenora Vasconcelos/Centro Multiusuário para Análise de Fenômenos Biomédicos da Universidade do Estado do Amazonas/Cenabio A professora Débora Foguel, do Instituto de Bioquímica Médica, ministrou uma das aulas da disciplina, e recomendou a exposição: “Muito bonita e interessante a iniciativa. É uma experiência única onde a ciência encontra a arte, onde a ciência encontra cor. Fiquei muito emocionada”, disse.
A professora Claudia Mermelstein, organizadora da exposição ao lado do professor Manoel Luis Costa — ambos do Instituto de Ciências Biomédicas —, convida todos a visitarem as imagens da vida mostradas nesta exposição. "São imagens lindas do ponto de vista estético e além disso ricas em conteúdo".
Foto: Fernando SouzaA manhã de 29 de junho foi intensa e festiva no Fórum de Ciência e Cultura. O histórico prédio da Avenida Rui Barbosa sediou o Primeiro Encontro Presencial de Divulgação Científica da UFRJ. O evento foi organizado pela professora Christine Ruta, coordenadora do fórum, e apoiado pelas pró-reitorias de Pesquisa e de Extensão. Cem divulgadores científicos da universidade se inscreveram no encontro e 20 projetos foram apresentados ao público.
Um deles foi o Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada, projeto coordenado pela professora Mayra Goulart, vice-presidente da AdUFRJ. “Nosso objetivo é ampliar o acesso a análises do sistema político brasileiro e suas instituições”, disse. “Política tem que ser discutida com dados”, defendeu Mayra, que é professora de Ciência Política do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). O projeto é ligado ao IFCS e à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
No início do encontro, a pró-reitora de Extensão, professora Ivana Bentes, defendeu a integração entre os saberes acadêmicos e tradicionais. E apontou a linguagem como um desafio a ser superado. “A gente precisa ainda aprimorar a comunicação numa linguagem digital que chegue na população em geral”, observou. “A cultura letrada nos formou, mas a gente descuidou da oralidade. A gente tem que aprender a linguagem digital que foi popularizada pela anticiência. Há uma linguagem das redes que precisa ser apropriada e ampliada por nós”.
Representante da Pró-reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, o professor Rafael Cavalcante observou que a cultura da divulgação científica precisa ser incentivada desde a base. Não somente por meio de atividades de extensão. “Talvez esse seja o maior desafio. Temos 132 cursos de pós-graduação, mais de 1.450 laboratórios de pesquisa, uma produção científica enorme”, elencou. “A forma de disponibilizar todo esse conhecimento faz, certamente, toda a diferença”.
Coordenadora do Fórum de ciência e Cultura, a professora Christine Ruta – que permanece no cargo na nova gestão da universidade – destacou a representatividade dos projetos apresentados no encontro. “Tivemos projetos de todos os centros da universidade, de Caxias, de Macaé”, celebrou. “Esta é uma sementinha que estamos plantando. A gente pretende ser ponto de encontro da divulgação científica da UFRJ. O fórum, de maneira geral, se sente extremamente feliz em acolher essa semente”, afirmou.
O primeiro desdobramento do encontro desta quinta-feira foi anunciado ao final do evento. Todos os docentes, técnicos e estudantes que apresentaram seus projetos de divulgação científica foram convidados a escrever artigos para a terceira edição da revista digital do FCC. “Os projetos foram tão bacanas que resolvemos fazer um terceiro volume temático com os projetos aqui apresentados”, contou Christine Ruta.Outro plano é realizar um novo encontro de divulgadores, ainda maior, e aberto a instituições externas à UFRJ.
O encontro também celebrou o aniversário de um ano de criação da Superintendência de Divulgação Científica do FCC.