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O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe) produziu um gibi sobre o novo ensino médioRevogar o Novo Ensino Médio, imposto pelo governo Temer, é a prioridade número um de milhares de educadores brasileiros. Mas a solução da crise, argumentam especialistas, não pode ser a volta ao modelo anterior, também com muitos problemas. Em meio à polêmica, um grupo de trabalho da UFRJ definiu, esta semana, os princípios que devem orientar o formato de educação mais adequado às necessidades do país. Entre os fundamentos da proposta, o destaque é para a valorização do professor.
“Não dá para pensar em uma estrutura de ensino médio, ou da educação básica, sem pensar em valorizar a profissão docente”, afirma o superintendente geral de Graduação, professor Joaquim Fernando Mendes da Silva, representante da PR-1 no GT. “Isso implica valorizar também a carreira, os salários, a formação e as condições de trabalho”.
No país em que o piso do magistério, de pouco mais de R$ 4,4 mil, não é cumprido em muitos estados e municípios, já dá para imaginar o tamanho do desafio. A infraestrutura é outro obstáculo. Das quase 168 mil instituições de educação básica municipais e estaduais do país que responderam ao Censo Escolar 2021, mais da metade (55,6%) sequer possuía uma biblioteca.
“Se o Brasil não reconhecer que Educação e Saúde são suas maiores prioridades, que precisam de um investimento maciço, vamos continuar com o mesmo problema”, reforça o superintendente. “Não temos a ilusão de que isso será resolvido de um dia para o outro. Mas precisamos de um pacto nacional pela valorização dos professores”, completa.
O novo ensino médio de Temer representa o oposto. A lei de 2017, que jamais foi discutida com os educadores, autoriza que pessoas sem formação pedagógica possam ensinar componentes curriculares nas escolas. Seriam os profissionais de “notório saber”. “O ‘notório saber’ é um problema sério. Abre espaço para a desprofissionalização docente. Nós não podemos ser a favor”, afirma a coordenadora do Complexo de Formação de Professores da UFRJ, Carmen Teresa, também integrante do GT.
O documento do GT, que será enviado aos conselhos superiores e às direções de unidades, reivindica “uma educação pública socialmente referenciada, democrática e que forme cidadãos críticos engajados nas questões de seu tempo”. O ensino deve proporcionar o letramento científico, artístico e cultural numa perspectiva interdisciplinar. A discussão sobre profissionalização e a Educação de Jovens e Adultos (EJA) também precisa ser contemplada, entre outros pontos — a íntegra do documento pode ser conferida AQUI. “O documento é um pontapé inicial”, diz Carmen. “A questão agora é como operacionalizar esses princípios em uma política”.
Para chegar lá, a ideia do grupo é organizar um seminário ainda em julho, com todos os interessados. “Ainda estamos pensando o formato”, acrescenta a coordenadora do Complexo. O certo é que serão convidados professores da rede, coordenadores das licenciaturas, colegas do ensino profissionalizante, os próprios licenciandos, movimentos sociais e sindicatos da área.
DRAMA NAS ESCOLAS
Professor de Sociologia no colégio estadual André Maurois (no Leblon) do Rio, João Paulo Cabrera ficou satisfeito ao saber da mobilização da UFRJ. Formado pelo IFCS em 2007, o docente espera que as comunidades escolares tenham voz ativa no seminário de julho. “Não como espectadores, mas como parte das mesas, como parte das discussões”, defende.
Há muito o que relatar. “A experiência com o novo ensino médio, que está no segundo ano de implementação, está sendo a pior possível”, diz João Paulo (confira abaixo o depoimento do professor). Sua matéria foi sufocada. Antes, o professor dava dois tempos de aula por semana para as três séries do ensino médio. Agora, só foram preservados os tempos do terceiro ano — que sofrerá a reforma em 2024. “Ao cortar estes tempos e os de outras matérias, a reforma está impedindo o acesso dos estudantes ao conhecimento acumulado e sistematizado”.
Para piorar, o docente foi obrigado a ministrar componentes curriculares para os quais não recebeu qualquer formação. “Estou dando estudos orientados, projetos de vida, reforço escolar e robótica sustentável para as turmas do primeiro e segundo anos”.
“Existe uma falsa noção de que os alunos podem escolher várias opções de um ‘cardápio’. Na verdade, a maior parte não escolheu esse itinerário das eletivas. O aluno não tem outra opção naquela escola ou escola próxima”, critica. “O resultado são alunos desmotivados, fazendo disciplinas que não querem. Ou nem fazem, pois não existe avaliação obrigatória para boa parte delas. Além de professores que não querem dar esses componentes curriculares”.
Depoimento
João Paulo Cabrera
Professor de Sociologia da rede estadual
Eu me formei em 2007 pelo IFCS e entrei na rede estadual em 2009, no Colégio André Maurois, no Leblon. A experiência com o novo ensino médio, no segundo ano de implementação, está sendo a pior possível.
Existe uma falsa noção de que os alunos podem escolher entre várias opções de um ‘cardápio’. Na verdade, a maior parte não escolheu esse itinerário das eletivas. O aluno não tem outra opção naquela escola ou escola próxima. O resultado são alunos desmotivados, fazendo disciplinas que não querem. Ou nem fazem, pois não existe avaliação obrigatória para boa parte delas. Além de professores que não querem dar esses componentes curriculares.
Antes, Sociologia e Filosofia tinham dois tempos por semana nas três séries; agora, Filosofia tem dois tempos por semana no primeiro ano; e Sociologia só tem dois tempos no terceiro ano.
No terceiro ano, que ainda não foi afetado pela reforma, minhas turmas de Sociologia estão cheias. Nas eletivas, no primeiro e segundo anos, estou dando aula de estudos orientados, projetos de vida, reforço escolar e robótica sustentável para uma média de oito alunos. Não tive nenhum curso de formação para elas. Só recebemos alguns manuais digitais. E não há conteúdo para um ano inteiro.
Daqui a pouco devem aparecer os cursos de formação continuada das fundações, com materiais que não virão das universidades. A formação de professores será afetada. A universidade precisa acordar para este processo.
CONSULTA PRORROGADA ATÉ 5 DE JULHO
O MEC decidiu prorrogar uma consulta pública sobre o novo ensino médio até 5 de julho. A medida atende a um pedido conjunto de entidades da área, como o Conselho Nacional de Educação e o Conselho Nacional dos Secretários de Educação, para ampliar a participação da sociedade no debate. O GT Ensino Médio da UFRJ, porém, já decidiu que não vai enviar sua proposta pelo mecanismo. O entendimento é que não há como remediar o desastrado modelo em implantação.
Divulgação COPPE/UFRJNa última semana, professores, estudantes e técnicos da Coppe definiram quem comandará o instituto pelos próximos quatro anos. A chapa 1, composta pela professora Suzana Kahn (diretora) e pelo professor Marcello Campos (vice-diretor) venceu as eleições. Foram 160 votos de docentes, 254 de técnicos e 266 de estudantes. A chapa 2, formada pelos professores Theodoro Antoun Netto, candidato a diretor, e Marcelo Savi, candidato a vice-diretor, recebeu 83 votos de docentes, 126 de técnicos e 131 de estudantes.
No dia 13, o Conselho Deliberativo da instituição homologou o resultado e formalizou as listas tríplices com os nomes de Suzana e Marcello como primeiros colocados. Compõem, ainda, as listas: Romildo Dias Toledo e Lavínia Borges, ao cargo de diretor, e Marysilvia Costa e Célio Costa, para a vice-direção. A lista será submetida ao reitor que, por tradição, escolhe os primeiros colocados. A nomeação deve ser feita após a posse do professor Roberto Medronho.
O professor Fernando Rochinha, presidente do Conselho Deliberativo, agradeceu a condução do processo e a participação dos integrantes da comissão. “Era nítido o cansaço físico das pessoas. Nós agradecemos muito o empenho, a doação nos finais de semana, nas horas-extras”, disse, durante a reunião do Conselho. “A gente sai mais forte desse processo. A instituição cresce”, avaliou o docente.
Atual diretor da Coppe, o professor Romildo Dias Toledo destacou a participação recorde da comunidade acadêmica. Compareceram às urnas 85% dos professores, 62% dos técnicos e 16% dos estudantes. As eleições foram remotas, pelo sistema Hélios da universidade. “É um número bem representativo. A comissão eleitoral, os alunos, servidores e técnicos estão de parabéns”, elogiou o dirigente, cujo mandato se encerra em julho. Toledo é do mesmo grupo político de Suzana.
SEM TEMPO A PERDER
Diretora eleita, a professora Suzana Kahn avalia que o resultado nas urnas é um reconhecimento do trabalho que vem sendo realizado há quatro anos na instituição. “Passamos por percalços muito sérios, como a pandemia. Perdemos vários colegas, mas isso nos uniu mais como equipe”, analisa. “De fato, criou-se um vínculo muito forte para ultrapassar aquele período tão complicado”, acredita a professora.
Suzana promete colocar em prática planos interrompidos pela pandemia e pela crise financeira que atingiu o país e as universidades, em especial. “Nossas linhas programáticas deverão ser atacadas simultaneamente. Uma das questões é atrair mais alunos de pós-graduação. Precisamos atuar mais também na extensão, que é um dos pilares da universidade”, destaca a docente.
Uma área que merecerá atenção especial, segundo a diretora eleita, é o empreendedorismo. “Nem todo mundo que faz mestrado ou doutorado quer ser professor. Há demanda por empreendedorismo e inovação. Queremos que nossos alunos tenham oportunidades também fora da área acadêmica”, afirma Suzana.
Outro ponto de atenção será a interseção entre as áreas. “A engenharia não é mais tão departamentalizada quanto no passado. Precisamos reforçar essa interdisciplinaridade para atuar na fronteira do conhecimento”, diz a professora. Temas como economia de baixo carbono, transição energética, engenharia de saúde, considerados eixos transversais de conhecimento, estão entre as prioridades.
A nova diretoria que acompanhará Suzana e Marcello já foi escolhida. Diversidade e incentivo a novos talentos foram critérios que pesaram na escolha dos nomes, segundo a diretora eleita. “A Coppe cresceu muito e temos que trazer pessoas mais novas para perto de nós, para conhecerem a administração da Coppe. Há pessoas com muita experiência em suas áreas, altamente qualificadas, mas que precisam se familiarizar com a gestão”, defende. “A diversidade desse time que assume a Coppe este ano é muito interessante”.
Saiba quem são os demais integrantes da nova diretoria
Professora
Marysilvia Costa
Diretora de Tecnologia
e Inovação
Professora
Amanda Xavier
Diretora de Planejamento,
Administração e
Desenvolvimento Institucional
Professor Tharcisio
Fontainha
Diretor adjunto de
Planejamento, Administração e Desenvolvimento Institucional
Thiago Aragão
Diretor-adjunto de
Empreendedorismo
Jean-David
Caprace
Diretor Acadêmico
Thiago Ritto
Diretor-adjunto Acadêmico
Glaydston Ribeiro
Diretor executivo da
Fundação Coppetec
Antonio Figueiredo
Diretor superintendente
da Fundação Coppetec
Vanda Borges
Diretora adjunta de
Gestão de Pessoas
Cleide Lima
Diretora adjunta de Extensão
Com pauta única, a assembleia da AdUFRJ, realizada nesta quarta-feira (7), aprovou a delegação que vai representar o sindicato no 66º Conselho do Andes (Conad), de 14 a 16 de julho em Campina Grande (PB). A diretoria da AdUFRJ indicou cinco docentes, e outros quatro nomes foram propostos durante a assembleia, totalizando os nove integrantes da delegação, cujos nomes foram aprovados por consenso.
A professora Mayra Goulart, vice-presidente da AdUFRJ, foi escolhida como delegada. Os oito observadores aprovados são os professores Ricardo Medronho (suplente de delegado), Ana Lúcia Fernandes, Eleonora Ziller, Josué Medeiros, Marinalva Oliveira, Jaqueline Girão, Fernanda Vieira e Nedir do Espirito Santo.
Em sua fala de encerramento da assembleia, a professora Mayra Goulart disse que as próximas ações da AdUFRJ darão especial atenção à situação dos professores jovens. “Eles se encontram em um processo de desvalorização ainda mais profunda, e precisam de um olhar atento. Esse segmento sofre tanto com as perdas inflacionárias quanto com problemas no acesso à carreira. Daí a importância de se pensar em condições para que esses professores consigam fazer suas pesquisas e progredir na carreira. Pretendemos levar a cabo essas ações em prol da nossa base”, destacou Mayra.
O 66º Conad terá como tema central “Na reorganização da classe com inspiração nas lutas e culturas populares” e será realizado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A secretaria do Andes divulgou, nesta terça-feira (6), o Caderno de Textos do 66º Conad, com 21 textos de apoio e 12 de resoluções. As contribuições estão distribuídas entre os seguintes temas: Atualização do debate sobre conjuntura e movimento docente; Atualização dos planos de lutas dos setores e Plano Geral de Lutas; Questões Organizativas e Financeiras.
Recém-eleita vice-diretora do Instituto de Ciências Médicas (ICM) do Centro Multidisciplinar UFRJ - Macaé, a professora Karine Verdoorn se afastou da diretoria da AdUFRJ para assumir a nova função. As eleições foram em 29 e 30 de maio, e a apuração dos votos em 1º de junho. O instituto ainda nem tem seu regimento aprovado, mas Karine já tem olhos para o futuro. Nesta entrevista, ela fala de seus planos, como criar novos cursos de graduação e proporcionar aos alunos mais oportunidades de estágio e internato.
Jornal da AdUFRJ - A senhora acaba de ser eleita para a primeira diretoria do ICM em Macaé, tendo o professor Joelson Tavares Rodrigues como diretor. Qual será o grande desafio de vocês?
Karine Verdoorn – Essa será a primeira gestão do instituto. Nosso desafio inicial será o de consolidar nossa estrutura, nossas bases. Já estamos trabalhando nisso. Cada instituto tem autonomia para fazer seu regimento, que deverá ser aprovado pelo Consuni. Nossa proposta é que o ICM seja dividido em departamentos. Antes da criação dos institutos, o que havia eram as coordenações de cursos. Era um só departamento, o de Ensino de Graduação. Todos os professores estavam vinculados administrativamente a esse departamento.
Essa estruturação do CM UFRJ – Macaé é bem recente e ainda está em curso. O Consuni aprovou a criação do centro em julho de 2021 e o regimento, com a criação dos seis institutos, foi aprovado em agosto do mesmo ano. É um momento de ebulição, não?
Exatamente. E assumir a direção do ICM neste momento é desafiador porque estamos montando as bases para o futuro. Agora estamos em processo de aprovação do regimento dos institutos. O Centro já tem sua decania, sob a gestão do professor Irnak Marcelo Barbosa. Hoje temos seis institutos. Além do ICM, temos os de Enfermagem, Politécnico, de Ciências Farmacêuticas, de Alimentação e Nutrição e o Multidisciplinar de Química.
Vamos olhar mais adiante. Uma vez aprovado o regimento do ICM, quais os planos lá na frente?
Mais adiante, a nossa expectativa é a de abrir novos cursos, ampliar a área de graduação. E criar novas frentes para inserção de nossos alunos no mercado.
Para isso é preciso estabelecer parcerias, não? E uma das parcerias mais antigas e consolidadas da UFRJ em Macaé é com a prefeitura. Como pretende atuar nesse campo?
Vamos contar com a parceria da Prefeitura de Macaé, que sempre esteve presente. Queremos repactuar essa parceria, em várias frentes, e ter ainda mais conexão com a prefeitura. Vou dar um exemplo. A rede hospitalar de Macaé está crescendo, tanto no campo público quanto no privado, abrindo novos leitos, e seria interessante ampliar as parcerias nessa área. Não temos aqui um hospital universitário, e podemos ter aí um caminho para nossos alunos de graduação em estágios, em internatos.
Para disputar as eleições e assumir as novas funções a senhora teve de se afastar da diretoria da AdUFRJ. Como avalia sua participação nessa gestão do sindicato?
Sempre defendi a participação dos professores no sindicato. Para ter um sindicato forte, precisamos de professores sindicalizados, ampliando nossa base. E não só com uma visão imediatista, como benefícios e convênios, mas também com a discussão política, com as questões de fundo da categoria. A experiência de ter atuado na diretoria da AdUFRJ me enriqueceu muito, principalmente por ter pensado coletivamente em projetos para a UFRJ e conhecido pessoas de outras unidades, trocando informações e vivências.
Como começou sua ligação com a UFRJ?
Fiz minha graduação em Educação Física na Uerj (2005), e minha relação com a UFRJ começou no mestrado em Ciências Biológicas (Biofísica), que concluí em 2008. Depois prosseguiu com o doutorado, concluído em 2013. No final do doutorado,surgiu a oportunidade de entrar por concurso para a UFRJ, em Macaé. Eu morava no Rio e, até então, minha relação com a UFRJ era com o Fundão.
Você já conhecia Macaé?
Só de ouvir falar. A primeira vez que pisei na cidade foi para me inscrever no concurso. A vaga era para Fisiologia e achei a minha cara, perfeita para mim. Isso foi no início de 2014. Só guardei que o então Polo de Macaé ficava em frente a um shopping. Quando vim fazer a prova fiquei hospedada no Nupem (Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade), que foi a primeira unidade da UFRJ em Macaé, e que hoje é ligado ao CCS. Passei na prova e assumi em agosto de 2014.
Como pretende conciliar suas atividades acadêmicas e administrativas?
Dou aulas de Fisiologia no ciclo básico da Saúde e estou vinculada ao Departamento de Biociências Aplicadas à Saúde, um dos cinco que estamos propondo para a estrutura do Instituto de Ciências Médicas. E ainda pretendo ministrar disciplinas em outros cursos em Macaé. Vai ser uma luta, mas vou acumular as funções acadêmicas e administrativas.
Será que vai sobrar tempo para remar, atividade física de que tanto gosta?
Uma coisa que não abro mão é de remar. Isso é muito importante até para eu conseguir dar conta das funções acadêmicas e administrativas. As remadas são importantes para manter a minha saúde física e mental. E são vitais para eu manter a puxada do dia a dia. Vou manter sim, com certeza!
DESPEDIDA No auditório do CT2, equipe da reitoria apresentou o balanço dos quatro anos de gestão - Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)Faltando um mês para o encerramento do mandato, a reitoria apresentou o balanço da gestão à última plenária de decanos e diretores. No dia 5, no auditório do CT 2, os representantes de todos os setores ligados à administração central desfilaram as várias iniciativas e números conquistados, apesar da pandemia e dos ataques sofridos pela universidade durante o governo Bolsonaro.
“A sensação é de dever cumprido”, disse o reitor, professor Carlos Frederico Leão Rocha. “Obviamente, ficaram coisas que não conseguimos fazer. Mas, no geral, tenho uma avaliação muito positiva e muito orgulho dessa gestão”.
Na graduação, o número de alunos saltou de 38.933 no segundo semestre de 2019, quando a gestão começou, para 56.564 no atual período. Também houve mais controle das cotas: desde 2020, a UFRJ passou a verificar a autodeclaração dos candidatos pretos e pardos antes da matrícula.
Na pós, destaque para a avaliação quadrienal da Capes de 2021 em que um terço dos 132 programas aumentou a nota em relação à de 2017 — 61% mantiveram o índice e apenas 6% caíram.
A extensão encerrou 2022 com 1.840 ações ativas contra 1.558 de quatro anos atrás. Na assistência estudantil, além da reabertura do bloco B do alojamento, o número de auxílios foi duplicado: de mil, em 2019, para dois mil, em 2023. As bolsas também ganharam reajuste.
E tudo isso ocorreu com um orçamento reduzido. A dotação orçamentária disponível para atender as despesas do exercício — ou seja, descontando as dívidas do ano imediatamente anterior — caiu de R$ 268,8 milhões em 2018 para R$ 184,7 milhões em 2023.
Pró-reitores, coordenadores e superintendentes relataram vários outros feitos aos decanos e diretores. Mas nem todos os destaques puderam ser divulgados. O tempo disponível para cada exposição ficou muito reduzido.
Na primeira fileira do auditório, os professores Roberto Medronho e Cássia Turci — reitor e vice-reitora eleitos — acompanharam tudo com atenção. “Com muito afinco, a UFRJ conseguiu superar todas as adversidades. Adversidades não só por conta da pandemia, mas por conta de um governo que atacou as universidades. O que essa gestão fez foi altamente positivo”, avaliou Roberto.
Hora de recredenciar
No início da plenária, um alerta para os diretores e decanos. A universidade tem até novembro deste ano para obter um novo recredenciamento junto ao MEC. “É uma espécie de licença para as universidades poderem desenvolver suas atividades”, explica a professora Maria Antonieta Couto, que ocupa a função de procuradora institucional da UFRJ. O último recredenciamento ocorreu em novembro de 2013.
Um grupo de trabalho nomeado pela reitoria e coordenado pela docente vai preparar toda a documentação para envio ao ministério. Mas os gestores precisam fornecer os dados ao GT. “O informe de hoje foi para mobilizar toda a comunidade acadêmica. A gente precisa, por exemplo, recadastrar todas as instalações físicas de toda a UFRJ e alguns setores ainda não responderam “, afirma Maria Antonieta. “Também precisamos recadastrar todo o corpo docente em atividade, tanto efetivos como substitutos, entre outros dados”.