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As eleições da AdUFRJ estão chegando! A votação será presencial e está marcada para os dias 10 e 11 de setembro. Para ajudar na escolha dos leitores, o Jornal da AdUFRJ fez três perguntas sobre orçamento e democracia às duas chapas que disputam a diretoria do sindicato.
A Chapa 1 – UFRJ na luta pela Democracia e Conhecimento, de apoio à atual gestão, e a Chapa 2 - ADUFRJ de luta: dignidade nas condições de trabalho e defesa da universidade pública, de oposição – responderam aos temas por escrito. Confira a íntegra, abaixo.
Para o Conselho de Representantes, as inscrições seguem abertas até o dia 29. Podem se candidatar professores filiados até o dia 12 de maio. Os documentos necessários às candidaturas podem ser obtidos a seguir.
Inscrição individual CR 2025-2027
Inscrição chapa CR 2025-2027
Participe e fortaleça o sindicato!

1. Quais as estratégias da chapa para defender o orçamento da universidade?
“Nossa chapa entende que a defesa do orçamento da universidade não se limita à sua manutenção, mas exige sua recomposição e ampliação para que a UFRJ possa desenvolver plenamente seu potencial e responder às demandas sociais. Reconhecemos que o período recente de governos anteriores resultou em um achatamento orçamentário severo, e que, embora o atual governo tenha demonstrado algum avanço, os recursos ainda estão aquém das necessidades.
Para reverter esse quadro, nossa estratégia é multifacetada e essencialmente política. Internamente, promoveremos a ação conjunta e mobilização de toda a comunidade universitária – docentes, técnicos e estudantes. Externamente, atuaremos em diversas frentes:
Articulação Política Ampla: Fortaleceremos as alianças com entidades científicas como a SBPC, ABC, Clube de Engenharia e outras organizações da sociedade civil, buscando construir um amplo arco de apoio à universidade pública.
Incidência no Congresso e Poder Executivo: Intensificaremos a pressão junto ao Congresso Nacional, MEC, MCTI e demais órgãos governamentais para garantir a recomposição orçamentária e a estabilidade financeira da UFRJ.
Comunicação e Engajamento Social: Utilizaremos as redes sociais e os meios de comunicação para ampliar o reconhecimento público sobre o valor da produção universitária, ocupando também os espaços públicos e as ruas para defender a educação pública. Evitaremos o sectarismo, buscando sempre ampliar nossa base de aliados.”
2. Qual seria o modelo de financiamento ideal, na sua perspectiva?
“Nosso modelo de financiamento ideal para a UFRJ é pautado na autonomia e complementaridade. Defendemos que o custeio da ‘fisiologia básica’ da universidade – sua manutenção e funcionamento essenciais – deve ser integralmente garantido por verbas orçamentárias regulares do governo federal. Esta é uma prioridade inegociável da nossa chapa: a luta incansável pela recomposição e expansão do orçamento federal para a UFRJ.
A complementação das fontes regulares é integrada por:
Recursos de Agências de Fomento: A recomposição e ampliação dos orçamentos das agências de fomento federais e estaduais são cruciais para a pesquisa, extensão e inovação.
Parcerias Estratégicas com a Sociedade: Incentivaremos a interação da universidade com a comunidade extramuros, incluindo parcerias com públicas, filantrópicas ou privadas. Essas colaborações podem impulsionar projetos inovadores e gerar recursos adicionais.
É fundamental ressaltar que todas as parcerias deverão seguir critérios rigorosos de transparência, ética e alinhamento inquestionável com os valores de uma universidade pública, gratuita e socialmente referenciada. Nosso objetivo é gerar recursos que impulsionem o desenvolvimento da UFRJ, sem jamais comprometer sua autonomia e seu caráter público.”
3. Como o sindicato pode ampliar sua atuação na defesa da democracia do país?
“A defesa da democracia é uma pauta indissociável da luta sindical e da própria existência da universidade pública. O avanço da extrema-direita globalmente, que visa destruir instituições de pensamento crítico como as universidades, representa uma ameaça tão grave quanto as crises climáticas e sanitárias, com as quais está intrinsecamente ligada.
Nesse cenário, o sindicato tem um papel fundamental na ampliação da atuação democrática do país, e nossa chapa propõe:
Defesa da Universidade como Locus Democrático: Reforçar a universidade como espaço de produção de conhecimento crítico, ciência e cultura, essencial para o florescimento da democracia. Defenderemos a liberdade acadêmica e a autonomia universitária como pilares democráticos.
Atuação Política e Parlamentar: Intensificar a luta política e parlamentar pela democracia, reconhecendo este como um campo privilegiado de batalha. Teremos políticas expressas nesse sentido, buscando incidir em debates e decisões que afetam o regime democrático.
Engajamento Social e Alianças: Ampliar o engajamento da ADUFRJ com movimentos sociais, entidades da sociedade civil e outras organizações que defendem a democracia, o meio ambiente, as minorias e a diversidade cultural. O Observatório do Conhecimento, iniciativa da ADUFRJ, é um exemplo de contribuição importante nessa frente.
Posicionamento de Vanguarda do ANDES: Defenderemos que o ANDES-SN assuma posições de vanguarda em prol da democracia, garantindo que a defesa dos interesses corporativos não fragilize a luta por governos democráticos e progressistas. Nossa atuação será sempre em prol de uma sociedade mais justa e igualitária.”

1. Quais as estratégias da chapa para defender o orçamento da universidade?
A Chapa 2 se compromete a reorganizar a categoria docente, com autonomia, para lutar pela recomposição e ampliação orçamentária da UFRJ junto às demais Instituições Federais de Ensino Superior. Defender a Educação Pública também é denunciar as políticas de austeridade que têm ameaçado a existência das IFES brasileiras. Recompor o orçamento é condição sine qua non para a garantia de perenidade de nosso projeto universitário.
A crise orçamentária da UFRJ é uma questão absolutamente central, contudo, reconhecemos que a UFRJ não é única vítima dos efeitos do estrangulamento financeiro. Em que pese seu tamanho e tradição, ela é parte do sistema de Educação Federal e há de se reconhecer que não haverá solução individual. A única ação realista para a UFRJ é a defesa do orçamento adequado para todas as IFES, e o caminho é a organização coletiva e
nacionalizada, junto ao ANDES-SN, à FASUBRA e ao Sinasefe. Os setores oficialistas, que subordinam a ação do sindicato à razão pragmática de que a austeridade é necessária para assegurar a governabilidade, atuam de modo inconsequente e colocam a UFRJ e as demais IFES em severo risco de obsolescência de sua infraestrutura.
É necessário ampliar o debate interno com as categorias da UFRJ para romper com o senso comum de que a problemática do orçamento pode ser reduzida a uma questão de gestão.
É preciso que a Adufrj atue como ela é: uma seção de um sindicato nacional que luta organizadamente; aprender com os erros do último ciclo e reconhecer que as últimas direções adotaram uma posição isolacionista. É razoável supor que a participação da UFRJ na greve de 2024 teria promovido impacto importante no processo de negociação e a possibilidade de arrancar melhor proposta do Governo Federal, inclusive, em relação ao orçamento.
2. Qual seria o modelo de financiamento ideal, na sua perspectiva?
Foi o Andes-SN que assegurou a unidade do sistema Federal por meio da carreira nacional com dedicação exclusiva e orçamento público para as universidades. A educação pública como dever do Estado é a defesa histórica do ANDES-SN desde a Constituição Federal de 1988.
Pleiteamos financiamento público para o conjunto das universidades federais, definido em lei e vinculado a percentuais constitucionais. Os recursos públicos arrecadados pelo Estado constituem o Fundo Público e seus orçamentos. Refutamos as privatizações clássicas e não clássicas por não serem alternativas capazes de impedir o desmonte das IFES e seu radical estrangulamento financeiro; as iniciativas no ensino, na pesquisa e na extensão que refuncionalizam as universidades como organizações de serviços e interesses heterônomos, motivadas pela percepção de ganhos/fomentos individualizantes; iniciativas efêmeras e insuficientes para subsidiar instituições autônomas que apresentem soluções ao desenvolvimento do país na perspectiva da maioria de sua população. As emendas parlamentares não constituem soluções consistentes e continuadas para a universidade pública. A presença do senador Flávio Bolsonaro na UFRJ é um exemplo de particularismo eleitoreiro e o silêncio da diretoria da Adufrj está em evidente contradição com a autonomia universitária; o grupo político do parlamentar planejou o golpe de Estado e a execução de autoridades presidencial e do STF e alinha-se à extrema-direita de Trump e Netanyahu, que atentam contra a universidade, a liberdade e a soberania dos países.
Para nós, é urgente: 1º) implementar um programa emergencial de recuperação da infraestrutura das Federais para erradicar da paisagem os “esqueletos de prédios nunca concluídos” e a se deteriorar pelo caminho; 2º) definir o montante destinado às federais: no mínimo o equivalente à totalidade do custo de pessoal acrescido de 30% de recursos de custeio e capital. Para a UFRJ, tais montantes alcançariam cerca de 1,2 bilhão por ano; 3º) constituir uma nova matriz de distribuição dos recursos na qual prédios e infraestrutura tenham permanente manutenção.
3. Como o sindicato pode ampliar sua atuação na defesa da democracia do país?
A defesa da democracia é não abrir mão de seu exercício. Enfrentar os neofascismos de Trump e seus aliados, e da extrema-direita no Brasil, impedir ações golpistas/de desestabilização de um governo legítimo e opor resistência em uma grande frente popular com toda classe trabalhadora .
Na UFRJ, potencializar a livre manifestação de estudantes, docentes e técnicos nos Conselhos e no cotidiano institucional. Retomar o contato com a categoria em seus locais de trabalho e fomentar o debate para superar o isolacionismo das últimas diretorias e seus fracassados lobbies parlamentares. Alianças institucional/sindical contra os direitos da(o)s docentes (como a que tentou impedir – ilegalmente – suas progressões por diretor da adufrj no CONSUNI) não mais terão lugar. Recuperar a participação docente no sindicato é o mais básico exercício em defesa da democracia.
FOTO: STIAL (SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA ALIMENTAÇÃO DE LIMEIRA E REGIÃO)A mobilização nacional pelo Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo vai chegar com força à UFRJ a partir da próxima semana. Está marcado para o dia 18 de agosto, às 10h, no auditório do bloco A do CT, o ato de lançamento do plebiscito na UFRJ, com a participação de diversos parlamentares. Já confirmaram presença os deputados federais Glauber Braga (Psol), Lindbergh Farias (PT) e Taliria Petrone (Psol), as deputadas estaduais Dani Balbi (PCdoB) e Marina do MST (PT), e o vereador Rick Azevedo (Psol). Rick é o criador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que movimentou as redes sociais no ano passado com uma petição online pelo fim da escala 6 x 1 que teve mais de 2 milhões de adesões.
Representantes da AdUFRJ, do Sintufrj, do DCE Mário Prata e da APG debateram, no dia 6, a participação dos segmentos na reta final de mobilização para a votação do plebiscito. A AdUFRJ foi representada na reunião pela sua presidenta, a professora Mayra Goulart. Iniciada em 1º de julho, a votação do Plebiscito Popular é uma iniciativa de movimentos sociais, sindicais, estudantis e religiosos, além de partidos políticos ligados ao campo progressista, e os resultados serão entregues à Presidência da República, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. Em seu 68º Conad, realizado entre os dias 11 e 13 de julho, em Manaus, o Andes aprovou a participação do sindicato na mobilização nacional.
De acordo com Leonardo Guimarães, do Comitê Estadual do Plebiscito Popular, as próximas semanas serão decisivas na ofensiva para conquistar o maior número possível de votos. “A ideia é intensificar a mobilização até chegarmos à semana final do plebiscito, a Semana da Pátria, de 1º a 7 de setembro”, disse Guimarães, que é secretário de Movimentos Sociais do PCdoB no Rio de Janeiro. Ele informou que, além das bandeiras originais (fim da jornada 6 x 1, taxação das grandes fortunas e isenção de IR para os que ganham até R$ 5 mil), o Comitê Nacional está propondo a incorporação da soberania nacional no plebiscito, diante do tarifaço aos produtos brasileiros imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Na cédula de votação, o eleitor responde a duas perguntas: se apoia o fim da escala 6 x1, com redução da jornada sem corte de salário, e se concorda com a cobrança de mais imposto para quem recebe acima de R$ 50 mil por mês, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Pautas regionais são incorporadas ao plebiscito de acordo com necessidades locais. No Rio de Janeiro, por exemplo, a pauta regional é a garantia de acesso ao abastecimento de água e ao saneamento básico.
Confira as datas de mobilização sugeridas pelo Comitê UFRJ do Plebiscito Popular:
13 de agosto: Participação no mutirão popular de votação no Centro do Rio de Janeiro (Estação das Barcas, Central do Brasil e Largo da Carioca).
18 de agosto: Ato de lançamento do plebiscito no auditório do bloco A do CT do campus Fundão, às 10h.
20 e 21 de agosto: Instalação de pontos de coleta de votos em locais estratégicos da UFRJ (Estação do BRT do Fundão, elevadores do HU, Restaurante Universitário Central, Praia Vermelha e Macaé, entre outros).
Duas chapas concorrem à diretoria da AdUFRJ. Os grupos, de situação e oposição, se inscreveram na última sexta-feira, dia 8 de agosto. A homologação das chapas aconteceu na manhã desta terça-feira (12), pela Comissão Eleitoral presidida pelo professor Luiz Eurico Nasciutti.
A Chapa 1 “UFRJ na luta por Democracia e Conhecimento” é liderada pela professora Ligia Bahia e representa o setor de continuidade das últimas gestões da AdUFRJ. A docente do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva já foi vice-presidente da seção sindical entre 2017 e 2019, na gestão da professora Maria Lucia Teixeira Werneck Vianna. A 1ª vice-presidente é a professora Maria Tereza Leopardi, da Economia.
A Chapa 2 “ADUFRJ de luta: dignidade nas condições de trabalho e defesa da universidade pública” é conduzida pela professora Renata Flores, do Colégio de Aplicação, que integra o grupo de oposição à diretoria da AdUFRJ. Renata já fez parte do Conselho de Representantes em algumas gestões. O 1º vice-presidente é o professor Paulo Henrique Pachá, do Instituto de História.
Há previsão de dois debates entre as chapas, que devem acontecer no Fundão e na Praia Vermelha, locais de maior concentração de professores sindicalizados. As datas e horários serão definidos pela Comissão Eleitoral nos próximos dias.
Já os candidatos ao Conselho de Representantes têm até o dia 29 de agosto para se inscrever. A instância ajuda a organizar as ações do sindicato nas unidades. O número de representantes depende da quantidade de sindicalizados em cada unidade: até 60 sindicalizados, 1 representante; de 61 a 120 sindicalizados: 2 representantes, mais de 120 sindicalizados: 3 representantes. Os documentos para inscrição dos candidatos ao CR são:
Inscrição individual CR 2025-2027
Inscrição chapa CR 2025-2027
As eleições serão presenciais, nos dias 10 e 11 de setembro. A posse está prevista para 15 de outubro. Conheça as chapas que disputam a diretoria.

1) O que caracteriza sua chapa?
Nossa chapa se caracteriza pelo compromisso com a UFRJ, seu passado, mas principalmente a perspectiva de mudanças no presente e no futuro nos processos e práticas do nosso trabalho docente que permitam que a instituição ocupe e alargue sua presença no ensino, extensão e pesquisa, bem como amplie a influência na conformação de uma cidadania efetivamente democrática. Os professores que integram a Chapa 1 atuam em diferentes campos do conhecimento, são diversos sob o enfoque identitário e plurais em termos de suas concepções religiosas, filosóficas e políticas. O que nos une são princípios e valores de defesa da universidade pública, inclusiva e de qualidade, especialmente no contexto dos intensos ataques ao fazer acadêmico por governos de extrema-direita.
2) Qual sua expectativa sobre a campanha eleitoral?
Pretendemos que a campanha eleitoral revitalize o debate simultâneo sobre nossas condições de vida e trabalho e as repercussões das práticas docentes em âmbito local, nacional e internacional na formação profissional, pesquisa e atividades de extensão de alunos, movimentos sociais e pesquisadores. Temos responsabilidade pelo futuro, desde a formação de alunos do ensino fundamental até a formulação de alternativas científicas, tecnológicas e de políticas públicas para o desenvolvimento social sustentável. Nossa intenção é promover um diálogo maduro e sensível às possíveis convergências com os eleitores. Queremos uma diretoria próxima, representativa e capaz de compreender as necessidades e os potenciais de participação dos docentes.
3) Qual o principal desafio da futura gestão?
O principal desafio da próxima gestão será a luta pela UNIVERSIDADE pública, gratuita e de qualidade aberta, de pé, cumprindo seu papel de apresentar perspectivas para o País. Não estamos destinados a ser um país pobre, violento e desigual. Cortes para o ensino superior são inaceitáveis. Nos somaremos a sociedades científicas como a SBPC, ABC, entre outras, para lutar por orçamentos para as universidades e pesquisas adequados e estáveis. Estaremos juntos com entidades da sociedade civil na defesa da paz, dos direitos das mulheres, da população negra, da preservação ambiental. Nenhum direito a menos, ninguém fica para trás.
AS RESPOSTAS FORAM ENVIADAS PELAS CHAPAS E PUBLICADAS NA ÍNTEGRA.
1) O que caracteriza sua chapa?
A Chapa 2 ADUFRJ de LUTA é constituída por jovens docentes que ingressaram na universidade na última década e por docentes com décadas de experiência e dedicação à UFRJ, à Educação Pública e à defesa da democracia. No compromisso com o florescimento de uma comunidade acadêmica diversa, somos antirracistas, anticapacitistas, feministas e intransigentes na defesa da democracia no país e na universidade. Representamos professoras e professores que buscam caminhos de luta por melhores condições de trabalho por meio de um sindicato autônomo do Estado, a partidos e reitorias.
2) Qual sua expectativa sobre a campanha eleitoral?
A campanha será o momento de debater concepções diversas de sindicato e universidade. Integradas às condições de trabalho em uma universidade em ruínas, precisamos urgentemente abordar as dificuldades adicionais enfrentadas por um corpo docente formado por mães, negras/os e idosos, docentes adoecidas/os e endividadas/os. Debater também as conquistas coletivas arrancadas pela greve de 2024, ao mesmo tempo que problematizar o inédito não cumprimento do acordo para o fim do movimento paredista – em pontos que sequer envolvem aportes orçamentários. Ademais, e crucialmente, a omissão da AdUFRJ nesse movimento. Portanto, terá centralidade a questão da democracia no sindicato, considerando que temos vivenciado nos últimos anos simulacros de assembleias, destinadas apenas a referendar as posições prévias da Diretoria. Por fim, será o momento de debater que tipo de sindicato queremos para o próximo biênio: um sindicato domesticado, incapaz de propor soluções concretas e que aposta no lobby como único caminho da ação política ou um sindicato aguerrido, intransigente na defesa dos docentes e da democracia.
3) Qual o principal desafio da futura gestão?
Nossos desafios são múltiplos: restabelecer a luta por condições de trabalho dignas para os docentes da UFRJ; resgatar o debate democrático dos caminhos do sindicato autônomo, da universidade e do país; contribuir para o combate contra a extrema-direita e para a proteção da democracia.
AS RESPOSTAS FORAM ENVIADAS PELAS CHAPAS E PUBLICADAS NA ÍNTEGRA.

Foto: DivulgaçãoA obra “Existo, logo penso: histórias de um cérebro inquieto”, do professor Roberto Lent, foi a vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico na área de divulgação científica. O livro, de 2024, une o conhecimento científico publicado em crônicas no Jornal O Globo a registros da vida do pesquisador. Emérito da UFRJ desde 2019, ele se redescobre em novas linhas de pesquisa, ao mesmo tempo em que resgata uma coleção de livros infantis. O Jornal da AdUFRJ conversou com o docente, que recebeu com surpresa o resultado final da premiação. Confira.
Jornal da AdUFRJ – Como foi ganhar o prêmio?
Roberto Lent – Fiquei um pouco surpreso. Não estava acreditando muito. Havia um outro livro muito bom concorrendo, da Academia Brasileira de Ciências, chamado ‘A evolução é fato’, feito por um grupo de trabalho muito competente. Eu acreditava que ele ganharia. Foi uma boa surpresa.
Como surgiu a ideia do livro?
Eu tinha uma coluna no O Globo, chamada ‘A hora da Ciência’ e, depois, ‘Ciência’. Foram 200 crônicas publicadas em quatro anos. Depois que eu decidi parar, porque me demandava muito tempo de leitura – já que para escrever bem é preciso ler muito –, eu resolvi aproveitar para fazer uma coletânea desses textos. Achei, no entanto, que ficaria muito monótono de ler só as crônicas e resolvi dar um tempero com experiências da minha própria vida. É a divulgação científica com toque de afeto.
Pode contar algumas delas?
Eu tenho uma filha que tem uma má-formação congênita no cérebro. Então, conto esse episódio conectado à crônica que fala sobre essa má-formação (agenesia do corpo caloso, uma condição rara em que os dois hemisférios do cérebro não se comunicam de forma convencional) e as últimas descobertas. É uma homenagem à Isabel. Outro episódio que conto é que fui preso pela ditadura. Fiquei numa solitária, sem acesso a nenhum tipo de leitura e encontrei empatia em um soldado da Marinha. Ele passou a enrolar a minha comida em um jornal, para que eu tivesse algo para ler. E a crônica que vem na sequência fala sobre a empatia. Então, eu relacionei esses momentos da vida com as crônicas. As páginas da minha vida são azuis com tipologia branca. Já as crônicas têm páginas brancas com tipologia preta.
A divulgação científica sempre foi uma parte importante de sua trajetória. Qual a importância de um prêmio nessa área?
Esse prêmio é um passo importante no sentido de criar um ecossistema de divulgação científica que possa conversar com o público leigo. A divulgação científica admite vários meios, permite qualquer formato. Precisamos aproximar o público leigo da Ciência, sobretudo em tempos de desinformação e fake news. O país precisa aproveitar os talentos da divulgação científica, dar ferramentas, para que cresçam essas ações.
O livro foi publicado pela Editora Instituto Ciência Hoje, entidade que o senhor ajudou a fundar. É um início de novo ciclo para o senhor?
Sim, eu fui um dos fundadores da Revista Ciência Hoje, junto com Ennio Candotti, Alberto Passos Guimarães, Gilberto Velho. A revista, que foi crescendo, se tornou um instituto. Recentemente, o instituto criou a editora e tive a felicidade de ser o primeiro a editar um livro. A grande coincidência é que escrevi um artigo na primeira edição da Revista Ciência Hoje e o primeiro livro da editora. É um recomeço, digamos assim. O ICH é uma instituição a qual tenho muito afeto.
Quais são os próximos projetos?
Estou trabalhando na nova edição da coleção de livros infantis “As aventuras de um neurônio lembrador”. É uma série de cinco livros que foi lançada pela editora Vieira & Lent, que eu tinha com a minha mulher. A editora fechou e os livrinhos se esgotaram. Então vamos relançar com a editora ICH. Estão sendo ilustrados e devem estar nas livrarias esse ano ainda.
Há outros dois livros. O “100 bilhões de neurônios”, que é um livro didático, atualizado em 2023; e “Cérebro aprendiz”, de 2019, no qual estou trabalhando na atualização. As coisas na área científica ficam velhas numa velocidade cada vez maior.
Como o senhor vê essa crescente pressão pelo aumento de publicações científicas?
A métrica do sistema é muito baseada em números, o que é um problema, porque número não quer dizer nada. Você pode publicar muito com baixa qualidade ou pode publicar pouco com muita qualidade. Existem pesquisadores com 600 trabalhos publicados. É um valor, mas não é um valor maior do que o de alguém que tem 100 trabalhos com profunda qualidade.
As métricas ainda são pouco qualitativas. É preciso pensar em outras métricas. Ao mesmo tempo, o grau de cooperação entre os pesquisadores aumentou. As técnicas utilizadas em cada trabalho são muito variadas, o que acaba reduzindo um pouco essa pressão por publicar individualmente, já que muitos artigos são construídos por grandes grupos.
O senhor continua fazendo pesquisa, além de trabalhar nos livros?
Sim e continuo publicando artigos científicos.
