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Para discutir o necessário avanço feminino na Ciência, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) recebeu o evento “Meninas e Mulheres na Ciência:
Avanços e Perspectivas”, no dia 19. O encontro foi organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Na ocasião, foram entregues as outorgas do edital inédito lançado pela agência em 2023, o Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher com vínculo em instituições de Ciência e Tecnologia do estado. Para este edital, a Faperj destinou um total de R$ 13 milhões distribuídos para 70 pesquisadoras. Uma das vencedoras foi a professora Mayra Goulart, cientista política do IFCS e presidenta da AdUFRJ.
O termo de outorga foi assinado publicamente por Michele Gonçalves Monthé, que representou todas as contempladas. Michele é professora da Escola de Química da UFRJ e atua no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos. “É fundamental que atuem diretamente na inclusão de mulheres nas áreas de ensino, ciência e tecnologia, engenharia e matemática, uma vez que representamos um terço de todos os pesquisadores”.
Ela também falou sobre a necessidade de ampliar o acesso de jovens mulheres negras à carreira docente. “Somos apenas 0,9% de todos os professores”. A docente aproveitou o momento para fazer uma homenagem à sua mãe, a professora Cheila Gonçalves Monthé. “Mulher negra, de origem humilde, superou todas os obstáculos e se tornou a primeira docente titular negra da UFRJ”.
Mayra Goulart considera que a ação da Faperj ajuda a mudar a realidade da pesquisa brasileira. “Há uma disposição hegemônica dos recursos da pesquisa no Brasil, que são concentrados em pessoas do sexo masculino e que já têm carreiras amplamente consolidadas”, aponta a docente. “Com isso, essa iniciativa contorna um viés que desfavorece professores jovens e mulheres, sempre marginalizados por critérios supostamente meritocráticos estabelecidos pelos grupos hegemônicos que são por eles favorecidos”.
A mesa de abertura teve a participação de importantes nomes do meio científico. Um deles, a professora Tatiana Roque, secretária municipal de Ciência e Tecnologia. “Precisamos de fomentos específicos, sim, para mulheres, para mães, para a gente combater o assédio, o teto de vidro, a desigualdade nas carreiras, as injustiças do ponto de vista dos direitos”, afirmou. “A ciência que a gente pratica, sem a participação igualitária das mulheres, se torna enviesada”, disse.
Apesar dos desafios, a presidente da ABC, professora Helena Nader, trouxe dados que mostram avanços. “A gente já tem paridade na pós-graduação. Isso é um marco. Também temos paridade em publicações. Não temos paridade nas diferentes áreas. Esse incentivo precisa começar na pré-escola”, afirmou. Ela também alertou para o refluxo feminino nas chamadas ciências duras. “Nós vivíamos um aumento de meninas nas áreas exatas e agora temos visto uma diminuição. É preciso saber o motivo”.
O machismo estrutural, para o professor Jerson Lima, presidente da Faperj, está na origem da questão. Docente da UFRJ, o professor deu exemplo de dois editais da Faperj: um lançado para pesquisadores com vínculo institucional e outro para pesquisadores sem vínculo. O edital com vínculo teve maior participação de homens e só 35% de mulheres, enquanto o que não necessitava de vínculo institucional teve 62% de participação feminina. “Isso nos mostra um quadro preocupante. Mulheres estão tendo menos espaço nas universidades”, lamentou.
Para atuar na linha de apoio às mães, a Faperj lançará em maio deste ano um edital específico para esse público. A iniciativa terá a parceria do Instituto Serrapilheira e do movimento Parent in Science. Os apoios devem totalizar R$ 120 mil para cada projeto selecionado.
OUTROS EDITAIS
Há outras boas, mas ainda recentes e parcas, iniciativas espalhadas pelo país com o objetivo de ampliar o acesso de mulheres na Ciência. A Faperj é uma das pioneiras em editais voltados à equidade de gênero. Hoje, a fundação tem dois específicos: o de Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação, em segunda edição, e o edital de apoio à Jovem Cientista Mulher. Além disso, a Faperj busca garantir a equidade de gênero entre vencedores dos editais, amplia prazos para contagem de produtividade para pesquisadoras mães e aplica, desde 2018, a licença-maternidade para pesquisadoras e bolsistas.
A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo tem iniciativa semelhante: o edital Mulheres na Ciência, que seleciona projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação coordenados por pesquisadoras.
Este ano, a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia do Rio lançará o segundo edital do Prêmio Elisa Frota Pessoa, destinado aos melhores artigos escritos por mulheres sobre Ciência e Tecnologia na igualdade de gênero. A cerimônia acontece no dia 8 de Março. As universidades federais de Santa Catarina e de Alagoas também têm prêmios destinados a mulheres na Ciência. As premiações são voltadas ao público interno das duas instituições.
O CNPq e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação lançaram no ano passado a terceira chamada pública Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação, destinada a estudantes do ensino médio e de graduação. O edital distribui R$ 100 milhões às vencedoras. Outras duas chamadas aconteceram em 2013 e em 2018. O projeto prevê que pelo menos 30% das bolsas sejam destinadas a negras e indígenas.
A Universidade Federal do Mato Grosso do Sul tem um programa institucional de Mulheres na Ciência. O edital busca apoiar com auxílio financeiro docentes e técnicas da universidade que coordenem projetos de pesquisa e inovação. O exemplo é seguido pelo Instituto Federal de Sergipe.
A Universidade de Brasília tem o edital Mulheres e Meninas na Ciência: o Futuro é Agora, destinado a projetos de extensão que atuem incentivando a participação de meninas das escolas públicas do Distrito Federal nas áreas de Ciência e Tecnologia.
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) tem dois editais para estimular a igualdade de gênero na ciência. Um deles é o Programa Amazônidas – Meninas e Mulheres na Ciência. O outro é o Programa Fapeam: Mulheres na Ciência, específico para o interior do estado.
Já o Instituto Federal do Rio Grande do Norte lançou a segunda edição do edital “Projetos de Pesquisa e Inovação com Mulheres Jovens Cientistas”, voltado a projetos de pesquisa e inovação que envolvam alunas do ensino médio ou da graduação.
Servidores públicos federais que recebem auxílio para custeio de saúde suplementar devem estar atentos ao prazo para comprovação de despesas com planos de saúde. A data limite é a próxima quinta-feira, dia 29. Servidores ativos e aposentados devem renovar as informações sobre o pagamento das mensalidades. A declaração de pagamentos, dos anos de 2022 e 2023, deve ser retirada pelo site da sua operadora de saúde e encaminhada via aplicativo SouGov.br. Veja abaixo o passo a passo para a prestação de contas:


ENTREVISTA/FELIPE ROSA, pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa
A elaboração do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2024-2028 entrou em fase final. Depois de uma consulta pública encerrada em 25 de janeiro, as 1.980 contribuições recebidas agora serão avaliadas pelo Conselho Superior da Capes. Mas ainda não há uma data definida para a aprovação e divulgação do documento definitivo. Pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa em exercício, o professor Felipe Rosa falou ao Jornal da AdUFRJ sobre o PNPG — que será o sétimo da história, desde 1975.
Jornal da AdUFRJ - É possível realizar um plano nacional de pós-graduação com o atual orçamento das universidades?
Felipe Rosa - É difícil. Não só com o atual orçamento das universidades, mas com o atual orçamento da Capes. A pós-graduação brasileira é um sistema grande, com mais de 80 mil professores e mais de 400 mil alunos. A agência mantém um número enorme de bolsas, que foram aumentadas no valor, o que deve ser honrado. E isso é só um exemplo. Ainda tem que bancar o Print, o programa de internacionalização. Não tem como fazer internacionalização sem recursos. Tem que trazer pessoas, levar pessoas. Pagar passagem, estadia. Para dar conta dessa demanda toda, precisa ter orçamento. Temos hoje um governo simpático à ideia de que a pós-graduação é boa para o Brasil. Mas sabemos que governar neste momento não está fácil. E isso se reflete no tamanho da política que se quer implementar.
A UFRJ participou, institucionalmente, da construção da proposta preliminar do Plano Nacional de Pós-Graduação 2024-2028?
Fomos convidados para a oficina regional realizada na sede da Faperj, em 19 de setembro do ano passado, para apresentar as sugestões e temas prioritários da pesquisa do estado. Houve oficinas nos 27 estados e a do Rio foi a segunda mais participativa, com 35 pessoas. Ficou atrás apenas da realizada no Acre, com 64.
Nesta atividade, que durou um dia inteiro, os representantes das universidades, empresas, terceiro setor e do governo sugeriram e discutiram temas de interesse e vocação regional para a pós-graduação no Rio de Janeiro.
O que chamou sua atenção no documento preliminar do PNPG?
O destaque do documento é o diagnóstico da pós-graduação. Está muito boa a apresentação dos dados: número de ingressantes, de concluintes; evolução do número de programas por modalidade (mestrado e doutorado, acadêmico ou profissional); distribuição da oferta pelo país; corpos docente e discente; e muito mais (confira alguns números ao lado).
O PNPG está estruturado em sete eixos: do acesso à conclusão; qualidade; educação básica e pós; pesquisa, extensão e inovação; assimetrias e desenvolvimento; internacionalização; e governança estratégica. Cobrem o necessário. Mas concordo com as críticas de que ficou um pouco genérico demais.
Como assim?
Em cada eixo, pelo menos por enquanto, existem diretrizes muito bem intencionadas, mas um pouco soltas, sem metas claras, sem estratégias mais específicas. Por exemplo, o diagnóstico aponta que 53% dos programas estão nas capitais. Não há um índice “X” a ser alcançado em “Y” tempo para atacar esse desequilíbrio na oferta.
O PNPG fala em ampliar a diversidade na pós-graduação.
Isso nós estamos fazendo na UFRJ. Temos políticas de cotas, e com o belo trabalho da SGAADA (Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acesso), a UFRJ agora também faz a heteroidentificação na pós-graduação. Com os anos de da política de cotas na graduação, veremos cada vez mais pretos e pardos em condições de ingressar na pós. Esse desafio estará cada vez mais presente.
A proposta do PNPG também aponta que a extensão universitária deve ser promovida na pós-graduação. Qual sua avaliação?
Acho muito oportuno e aqui dá para falar de UFRJ também. Em colaboração com pró-reitoria de Extensão (PR-5), recentemente nós efetivamos o Proext-PG. É um edital da Capes que destinou R$ 1,5 milhão para a UFRJ premiar projetos que unissem pós-graduação e extensão. Nós premiamos 76 projetos.
Cada PNPG teve uma marca em seu tempo histórico: o primeiro focou na estruturação da pós (1975-1979); o segundo enfatizou a qualidade (1982-1985); o terceiro (1986-1989), já na redemocratização, buscou a autonomia nacional e assim por diante. Qual deverá ser a marca do atual PNPG?
Acho que são duas: a primeira, mais geral, será identificar o que a pós-graduação pode fazer pelo país; e a segunda será buscar a mitigação das desigualdades, como a da relação entre capitais e interior. Mas essa não virá sem uma política ambiciosa de interiorização da população, o que inclui levar mais universidades públicas para estes municípios.
A crise de financiamento da UFRJ chegou a patamares inimagináveis. Levantamento realizado pela pró-reitoria de Finanças (PR-3) indica que a maior federal do país pode encerrar 2024 com um déficit acumulado de R$ 380 milhões. A situação é inédita, já que o valor supera em R$ 97 milhões o orçamento de custeio da instituição, que é de R$ 283 milhões.
O problema é resultado das dívidas não pagas desde 2016 e se acentua a cada ano de receitas insuficientes repassadas pelo governo. “Nosso orçamento para despesas de custeio voltadas para o funcionamento da universidade totalizava R$ 293 milhões no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), mas na LOA sancionada pela Presidência esse valor foi reduzido a R$ 283 milhões, quando temos uma previsão de despesas apenas neste ano de R$ 477 milhões”, explica o professor Helios Malebranche, pró-reitor de Finanças.
Dos R$ 283 milhões, R$ 33,8 milhões já foram gastos. Segurança (R$ 5,4 milhões), limpeza e conservação (R$ 4,6 milhões) e energia elétrica (R$ 4,3 milhões) compõem as maiores despesas pagas do início do ano. A diferença entre o que resta a pagar e o orçamento disponível resulta numa conta de R$ 194,7 milhões no vermelho. Somando o déficit de R$ 185,9 milhões relativos a anos anteriores, a fatura da UFRJ chega a R$ 380 milhões. “Se nada for alterado, chegaremos ao final do ano com um déficit superior a nosso orçamento”, afirma Helios.
Renan FernandesA Câmara Brasileira do Livro anunciou a primeira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. A premiação é dedicada às áreas científicas, técnicas e profissionais com o objetivo de promover o trabalho de autores e editores do segmento acadêmico. Ao todo, 29 categorias divididas em dois eixos — Ciência e Cultura e Prêmios Especiais — compõem o prêmio. Os vencedores receberão uma estatueta em uma cerimônia realizada em São Paulo, prevista para agosto, além de R$ 5 mil.
O professor Marcelo Knobel, físico e ex-reitor da Unicamp, é o curador da premiação. Ele celebrou o espaço de promoção da produção literária acadêmica no Brasil. “Existe uma imensa produção de obras acadêmicas no país que estava sub-representada no Jabuti”, disse Knobel.
A premiação conta com o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Renato Janine Ribeiro, presidente da sociedade e ex-ministro da Educação, também comemorou o reconhecimento da produção acadêmica. “Muitas vezes, a produção acadêmica é prejudicada pelo caráter comercial dos livros que competem no Jabuti. Com o Jabuti Acadêmico, vamos conseguir dar mais destaque e divulgação a esses livros”.
Podem concorrer obras publicadas em 2023 por brasileiros ou estrangeiros com residência no Brasil, registradas no ISBN (ficha catalográfica padrão). Um júri será formado para selecionar os vencedores. As obras serão avaliadas com base em três critérios: relevância, inovação e potencial de impacto.
O eixo Ciência e Cultura abrange 27 categorias: Ciência de Alimentos e Nutrição; Ciências Agrárias e Ambientais; Medicina Veterinária, Zootecnia e Recursos Pesqueiros; Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia; Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional; Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social; Medicina; Odontologia; História e Arqueologia; Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais; Educação e Ensino; e Filosofia.
Completam este eixo as categorias de Ciências Religiosas e Teologia; Geografia e Geociências; Psicologia e Psicanálise; Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo; Arquitetura, Urbanismo, Design e Planejamento Urbano e Regional; Comunicação e Informação; Direito; Economia; Artes; Letras, Linguística e Estudos Literários; Astronomia e Física; Ciência da Computação; Matemática, Probabilidade e Estatística; Química e Materiais, e Engenharias.
ALÉM DOS MUROS
No eixo Prêmios Especiais serão avaliadas obras em mais duas categorias: Divulgação Científica e Ilustração. Assim como no Prêmio Jabuti Literário, o Prêmio Jabuti Acadêmico terá um momento reservado a homenagens. Serão reconhecidos a Personalidade Acadêmica e o Livro Acadêmico Clássico.
No primeiro caso, a escolha será feita pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pela curadoria. No segundo caso, do Livro Acadêmico Clássico, uma consulta pública para indicação das obras será aberta a partir de 30 de janeiro, por um prazo de 30 dias. O nome final será escolhido pela Diretoria da CBL e curadoria.
O Livro Acadêmico Clássico contempla obras atemporais, que se mantenham relevantes e que tenham lugar cativo na memória de estudantes de diferentes segmentos.
O professor Marcelo Jacques, diretor da Editora UFRJ, destaca a oportunidade de ampliar o alcance dos livros acadêmicos para além dos muros das universidades. “A gente pensa o livro acadêmico não apenas para o consumo da comunidade de pesquisa, mas também para o público em geral, para a comunicação com a sociedade”, afirmou Jacques.
O diretor prevê que a Editora UFRJ concorra com até sete livros. “Devemos inscrever dois livros voltados à divulgação científica e quatro ou cinco nas áreas específicas. Temos livros no campo da Antropologia, da Engenharia e de Relações Internacionais”, concluiu o professor.
SERVIÇO
As inscrições já podem ser realizadas por meio do site do Prêmio Jabuti (www.premiojabuti.com.br/academico) até as 18h do dia 19 de março. O valor das inscrições varia de acordo com as categorias. Veja a lista completa no site. A premiação prevê a participação de autores brasileiros natos, naturalizados ou estrangeiros com residência permanente no Brasil.
A inscrição pode ser feita pela editora, pelo autor, agente literário ou procurador devidamente constituído.
As inscrições realizadas de forma antecipada, até 28 de fevereiro, terão preço especial.