Accessibility Tools
Foto: Fernando Souza/Arquivo AdUFRJTodos os professores estão convidados a participar da carreata do Dia do Trabalhador, em 1º de maio (sábado). A concentração será às 9h, em frente ao prédio da Cedae, no Centro do Rio. A saída ocorre às 10h. O ato tem como eixos: Fora Bolsonaro; Vacinação para todos/ as; por Democracia e Empregos.
Participam todas as centrais sindicais, os partidos políticos de esquerda; as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular; o movimento contra a privatização da Cedae e o Fórum por Direitos Sociais e Liberdades Democráticas.
Mais um duro golpe no já combalido orçamento da UFRJ. O MEC bloqueou R$ 41,1 milhões da maior universidade federal do país. Em teoria, o dinheiro poderá ser liberado ao longo do ano, se a situação econômica melhorar. Na prática, algo muito difícil de ocorrer.
A “tesourada” é uma das consequências das medidas anunciadas pelo governo, no fim da semana passada, para aprovar o polêmico orçamento federal de 2021. Jair Bolsonaro bloqueou R$ 2,9 bilhões no MEC. E, neste dia 29, o ministério estabeleceu o corte de 13,8% nas verbas de todas as universidades. O presidente também vetou R$ 1,1 bilhão da Educação. O que, na UFRJ, praticamente acabou com a verba de investimentos: serão menos R$ 4,5 milhões de R$ 6,7 milhões.
“A gente trabalhava já contabilizando um déficit equivalente a dois meses. Agora, com essa redução e esse bloqueio, estamos descobertos por quatro meses de funcionamento”, alerta o pró-reitor de Planejamento e Finanças da UFRJ, professor Eduardo Raupp. “Estamos estudando o que fazer. Há muito pouco espaço para reduzir custos”, completa.
O bloqueio atinge a chamada parte condicionada do orçamento — conforme já explicado em outras edições do Jornal da AdUFRJ, as receitas federais estão divididas em duas partes: uma, garantida pelo Tesouro; outra, condicionada à aprovação de créditos suplementares pelo Congresso. “Ou seja, temos uns dois meses de funcionamento tranquilo e daí precisamos que o Congresso aprove a suplementação”, diz Raupp. Dos R$ 299 milhões previstos para a UFRJ em 2021, estão garantidos apenas R$ 146 milhões.
COLAPSO À VISTA
Vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o professor Marcus David não tem dúvida sobre a gravidade da situação. “O orçamento é muito ruim. Ou o Congresso e o governo enfrentam este problema do teto de gastos ou vamos ter um colapso de vários setores do Serviço Público Federal”.
Marcus David observa que as universidades conseguiram resistir até aqui por conta do funcionamento remoto das aulas e da consequente redução dos gastos na manutenção dos prédios. Mas os sucessivos cortes tornam a situação insustentável. Ainda mais se houver a possibilidade de retorno presencial este ano, com necessidade de adaptação das instalações e distribuição de equipamentos de proteção. “Nós precisaríamos de ampliação do orçamento, não de redução”, diz.
DESASTRE NA CIÊNCIA
Presidente da SBPC, o professor Ildeu Moreira de Castro, chamou atenção que o corte e o bloqueio no MCTI, somados, superam os R$ 650 milhões. E atingem um “orçamento que já está lá embaixo”. “É o mais baixo dos últimos 15 anos. É um desastre”, critica.
Outra crítica da SBPC diz respeito ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Após muita pressão dos cientistas, o Congresso decidiu que os recursos do fundo não poderiam ser contingenciados. Mesmo assim, a contingência permaneceu. “São R$ 5,1 bilhões”, lamenta Ildeu.
O presidente da SBPC destaca que uma regra da Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovada ano passado proíbe o contingenciamento dos recursos de Ciência e Tecnologia. “Mas, antes, o governo liquidou com o orçamento. Deixou lá embaixo”.
Para marcar o segundo aniversário do Observatório do Conhecimento, a articulação de entidades sindicais e de movimentos em defesa do Ensino Superior reuniu cinco deputados federais da bancada da Educação para discutir o impacto do cenário político do país sobre a produção do conhecimento. O debate "As universidades estão em risco?" foi transmitido na segunda-feira (26). Além dos cortes, preocupam as intervenções nas reitorias e o cerceamento às pesquisas.
“Na Educação, a redução de orçamento foi de 27% em relação ao ano passado. Será a pasta com maior corte orçamentário para esse ano, junto com a Ciência e Tecnologia. O presidente vetou R$ 200 milhões para pesquisa de uma vacina da USP que estava em pleno desenvolvimento”, lamentou o presidente do Adufg-Sindicato, professor Flávio Alves da Silva, mediador do encontro.
Parlamentares de diferentes filiações e tendências partidárias apontaram para o risco de um apagão do conhecimento. “É um ensino superior que não aumenta vagas nem projetos, que não tem nenhum crescimento”, destacou a deputada Rosa Neide (PT). Segundo ela, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, revelou durante uma reunião, na semana passada, que a pasta opera com menos 60% de pesquisadores. “Das mais de três mil propostas de bolsas de pós-doutorado, avaliadas com mérito pelo próprio CNPq, menos de 400 foram aprovadas por conta de limites orçamentários”, citou ainda o deputado Alessandro Molon, do PSB.
“O que há é um conjunto de ações de quem tenta levar para dentro das universidades uma guerra ideológica. Essas ações partem do corte de recursos até uma restrição cada vez maior da autonomia político-administrativa”, afirmou o deputado do Partido Liberal, Marcelo Ramos. As intervenções nos processos eleitorais das universidades e institutos federais também foram criticadas por João Carlos Bacelar Batista (PODEMOS): “Vinte e cinco reitores foram nomeados pelo presidente da República sem que tivessem sido os mais votados ou até que estivessem na lista tríplice”.
Outra visão compartilhada pelos parlamentares é de que, apesar da redução dos recursos, a demanda social pelas universidades tende a aumentar. “O desafio que temos é dobrar a aposta na pesquisa, Ciência e Tecnologia, não apenas para combater o obscurantismo negacionista responsável pelo genocídio operado pelo Bolsonaro, mas também para criar melhores condições para o Brasil viver o pós-covid”, opinou Orlando Silva (PC do B). “A minha sensação é que o que virá depois é uma nova ordem econômica global”, justificou.
DEPOIMENTOS
Alessandro Molon (PSB): “As obsessões folclóricas do presidente, como o nióbio, já prenunciavam a sua desastrosa aposta em soluções milagrosas que, na prática, sempre se mostram erradas. A cloroquina é só a continuação trágica desse padrão de Bolsonaro”.
Rosa Neide (PT): “Nesse projeto de governo, a educação inclusiva e a pesquisa que pode chegar até a ponta com mais força para ajudar as pessoas não está no planejamento”
Marcelo Ramos (PL): “As universidades públicas brasileiras atravessaram uma ditadura militar e saíram, desse processo, fortalecidas. Tornaram-se pólos de resistência. E mais uma vez estão sendo testadas. É óbvio que o corte de recursos fere de morte a possibilidade de autonomia político-administrativa das universidades”.
Orlando Silva (PC do B): “A covid-19 desnudou a necessidade de ampliar o investimento em Ciência, Tecnologia e pesquisa. Só assim a gente vai poder enfrentar uma pandemia como essa. E também os novos desafios que a economia vai nos trazer.”
João Carlos Bacelar Batista (PODEMOS): “Eles transformaram a Educação em serviço essencial para a máquina pública, apenas e unicamente, para impedir que o professor brasileiro tenha direito à greve. Há perseguições não só administrativas, mas até processos criminais, contra professores”
Caros professores,
A AdUFRJ chega aos 42 anos com experiência e esperança. Experiência forjada nas ruas, salas de aula, praças e laboratórios da maior universidade federal do Brasil. Para dentro e para fora dos campi, o sindicato que nasceu com o nome de associação jamais se privou das grandes lutas. Ajudou a combater a ditadura, a reconstruir a democracia no país e, de forma intransigente, a defender a universidade pública, gratuita e de qualidade.
Fundada por valentes professores no outono do arbítrio militar, em 26 de abril de 1979, a AdUFRJ enfrenta hoje, de novo, o recrudescimento de pesadelos ditatoriais protagonizados por um presidente da República perverso, incompetente e que odeia a matéria mais cara a todo docente – o conhecimento.
Mas a história das coincidências também tem suas boas travessuras. Este ano, as bodas do sindicato caíram exatamente na mesma semana do 1º de maio, efeméride que homenageia o sonho e o suor de bilhões de trabalhadoras e trabalhadores em todo o mundo. Parabéns acumulados, portanto.
Em mais de quatro décadas, o jeito de fazer movimento sindical mudou junto com o Brasil.
A AdUFRJ também se transformou, como ensinam os 17 professores que assinam textos nesta edição especial. Foram convidados todos os ex-presidentes da Associação dos Docentes da UFRJ, de todas as épocas e matizes políticos. Quase todos toparam e escreveram sobre os desafios de cada gestão. Essa entusiasmada adesão é uma honra para a equipe de Comunicação porque mostra que a imprensa sindical não é um instrumento panfletário de propaganda, e sim um respeitado espaço jornalístico de circulação de informação de qualidade.
Em comum a todos os textos, há as digitais de professores entranhadamente comprometidos com a universidade, com a produção livre e libertária do saber científico, cultural, artístico e político.
Vida Longa à AdUFRJ!
Boa Leitura!
Ana Beatriz Magno, André Hippertt, Alexandre Medeiros, Kelvin Melo, Silvana Sá, Kim Queiroz e Liz Mota Almeida
Foto: Fernando Souza/Arquivo AdUFRJProfissionais que atuam na UFRJ, com idade entre 45 e 59 anos, começam a ser vacinados contra a covid-19 a partir da próxima segunda-feira, dia 26. Esta fase do calendário está prevista para acontecer até 29 de maio. Todas as categorias – professores, técnico-administrativos, terceirizados e contratados – estão incluídas no cronograma. A Secretaria Municipal de Saúde, no entanto, alerta que o calendário pode atrasar por falta de doses. Só há estoque suficiente até sábado, 24. Para não paralisar a imunização, um novo lote de doses precisa ser entregue à cidade ainda nesta semana.
A vacinação dos profissionais da UFRJ pode ser realizada em qualquer posto de saúde da prefeitura do Rio. Todos os servidores devem apresentar os três últimos contracheques. Aqueles que trabalham para empresas prestadoras de serviço deverão apresentar uma declaração da universidade como forma de comprovação de vínculo com a UFRJ. É o caso dos profissionais de limpeza, segurança, manutenção dos campi e contratados de outros setores. A declaração funcional estará disponível nas unidades em que os terceirizados e contratados trabalham.
Na faixa etária, de 45 a 59 anos, a universidade tem 1.743 professores do ensino superior, 33 professores do Colégio de Aplicação e 3.257 técnicos. A reitoria ainda faz o levantamento de quantos terceirizados e contratados poderão ser beneficiados nesta etapa da imunização.
Desde o começo da semana, as empresas terceirizadas, unidades acadêmicas e decanias estão repassando à administração central as listagens com os nomes completos, documentação e data de nascimento dos seus profissionais. O procedimento permite à reitoria fazer a triagem de quais trabalhadores terceirizados estão na faixa etária indicada para a imunização. As declarações são feitas pelo gabinete da reitora e enviadas aos locais de trabalho.
SEM AGLOMERAR
A universidade não vai montar postos extras de vacinação. A imunização continua sendo coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde. Para evitar grandes deslocamentos e aglomeração em transportes coletivos, todos os profissionais – efetivos e terceirizados – deverão buscar as unidades de saúde mais próximas de suas casas. Apenas os postos drive-thru da UFRJ seguirão em funcionamento, sempre aos sábados, a partir das 8h.
MACAÉ
Professores, técnicos e contratados que atuam no campus Macaé e no Nupem e moram na região, devem seguir o calendário de vacinação da prefeitura local. Lá, por enquanto, a vacinação alcança a segunda dose em idosos de 68 e 69 anos e a primeira dose em idosos de 62 anos. É preciso realizar um cadastro no site da prefeitura e aguardar o cronograma. Na data estipulada, a pessoa precisa apresentar o QR code gerado e um comprovante de residência.
EDUCAÇÃO BÁSICA
Os professores do Colégio de Aplicação tiveram a vacinação adiantada pela Secretaria Municipal de Saúde. No sábado passado (17), aqueles com 55 anos ou mais puderam comparecer a um posto de saúde para tomar a primeira dose da vacina. No dia 24, será a vez dos de 50 anos ou mais. “Muita ansiedade e muita vontade de tomar a vacina”. Este é o sentimento do professor Fábio Garcez Carvalho, do CAp. Ele dá aulas de história e revela que além do desejo de fazer parte de uma comunidade escolar imunizada, ele também anseia pela vacina porque adoeceu no ano passado.
“Passei cerca de um mês internado, em maio do ano passado. Passei 15 dias no CTI e outras duas semanas para me recuperar de uma segunda infecção. Em casa, demorei mais um mês para me recuperar”, relata. “Precisei fazer fisioterapia, tinha dificuldade de locomoção e um cansaço muito anormal”, lembra o professor. “Foi um período muito difícil. Vi e vivi um cenário de guerra no CTI, porque fiquei o tempo todo consciente”. Ele lembra. “Eu me vacino exatamente 11 meses depois da minha internação. Tenho muito o que comemorar”.
O calendário engloba todos os profissionais da educação básica, mas apenas os da rede pública. A diferenciação gerou revolta dos trabalhadores da iniciativa privada. O Sinpro-Rio, sindicato dos professores da rede privada carioca, declarou que os profissionais estão “chocados, estarrecidos e indignados”. “Esses são os sentimentos dos professores e professoras do setor privado do Rio de Janeiro, diante da recusa da prefeitura em dar início à vacinação dos profissionais da iniciativa privada”. Em nota, o sindicato ainda lembra que os professores da rede privada estão em atividade presencial desde outubro passado e que muitos faleceram em decorrência da covid-19.
VEJA O CALENDÁRIO COMPLETO
| DIA | PÚBLICO |
| 26 de abril | Mulheres com 59 anos |
| 27 de abril | Homens com 59 anos |
| 28 de abril | Mulheres com 58 anos |
| 29 de abril | Homens com 58 anos |
| 30 de abril | Mulheres com 57 anos |
| 01 de maio | Homens com 57 anos |
| 03 de maio | Mulheres com 56 anos |
| 04 de maio | Homens com 56 anos |
| 05 de maio | Mulheres com 55 anos |
| 06 de maio | Homens com 55 anos |
| 07 de maio | Mulheres com 54 anos |
| 08 de maio | Homens com 54 anos |
| 10 de maio | Mulheres com 53 anos |
| 11 de maio | Homens com 53 anos |
| 12 de maio | Mulheres com 52 anos |
| 13 de maio | Homens com 52 anos |
| 14 de maio | Mulheres com 51 anos |
| 15 de maio | Homens com 51 anos |
| 17 de maio | Mulheres com 50 anos |
| 18 de maio | Homens com 50 anos |
| 19 de maio | Mulheres com 49 anos |
| 20 de maio | Homens com 49 anos |
| 21 de maio | Mulheres com 48 anos |
| 22 de maio | Homens com 48 anos |
| 24 de maio | Mulheres com 47 anos |
| 25 de maio | Homens com 47 anos |
| 26 de maio | Mulheres com 46 anos |
| 27 de maio | Homens com 46 anos |
| 28 de maio | Mulheres com 45 anos |
| 29 de maio | Homens com 45 anos |