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Na próxima edição, vamos publicar retratos da comunidade universitária sendo vacinada. Podem enviar fotos tanto os profissionais da educação superior, com idade entre 18 e 42 anos, que recebem a imunização no próximo dia 16, quarta-feira, quanto quem tem 43 ou mais e já foi vacinado. Participe de nossa próxima edição celebrando a Ciência contra o negacionismo.

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Fora, Bolsonaro! Pela vida, por vacina, por auxílio digno para quem tem fome e contra os cortes na educação. Esta foi a mensagem que milhares de pessoas levaram às ruas de todo o país no sábado, 29 de maio. No Rio de Janeiro, a manifestação começou na avenida Presidente Vargas, na altura do monumento a Zumbi dos Palmares, e seguiu até a Cinelândia. A AdUFRJ marcou presença.
Confira alguns registros do protesto feitos pelo fotógrafo Fernando Souza.
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WhatsApp Image 2021 06 04 at 19.24.33Foto: Fernando SouzaO Brasil foi às ruas no 29M. Centenas de milhares de pessoas protestaram contra o governo Bolsonaro em todas as regiões do país, com destaque para as capitais e o Distrito Federal. Foram registrados atos contra o governo federal em mais de 200 cidades. No Rio de Janeiro, os manifestantes se concentraram no Monumento a Zumbi dos Palmares, no Centro, e partiram em passeata em direção à Candelária, e dali até a Cinelândia, palco de históricos atos pela democracia. E não vai parar por aí. A campanha “Fora, Bolsonaro!”, que reúne organizações como a Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular, convocou novos atos de rua para o dia 19 de junho.
O desafio agora é fazer com que os atos do próximo dia 19 sejam maiores, ou pelo menos iguais, aos do 29M. Para Iago Montalvão, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e representante da Frente Brasil Popular, o caminho é atrair outros segmentos da sociedade para os atos. “Vamos continuar trabalhando a comunicação em redes, mas também vamos ampliar as plenárias locais, para aumentar a mobilização pela base”, explicou Iago. “Nós, da UNE, pretendemos fazer uma plenária unificada da Educação, para discutir os cortes nas universidades, uma pauta que tem muito potencial para levar as pessoas para a rua”, contou.
O dirigente estudantil acredita que o momento político é positivo para um novo ato. “Desde o 29M percebemos um clima muito forte de mobilização das pessoas, uma indignação. Com o impacto positivo das manifestações, o sentimento é que ele tem que continuar e vindo em uma crescente. Os movimentos acharam importante ter mais uma data este mês, para levar essa indignação para as ruas”, disse Iago.
Segundo o presidente da UNE, agora é hora de construir pontes e atrair outros setores da sociedade para ampliar as manifestações. “O movimento Acredito, ligado ao campo do centro, já se somou ao dia 19”, contou Iago. “Temos que ampliar. Não deve ser um ato só da esquerda, mas em conjunto com todos os movimentos que querem fazer oposição a Bolsonaro, defender a vacina e a Educação”, defendeu.WhatsApp Image 2021 06 04 at 18.54.08Foto: Mídia Ninja
Para o cientista político Josué Medeiros, diretor da AdUFRJ, os atos do dia 29 de maio mudaram o cenário político. “Do ponto de vista social e coletivo, o bolsonarismo parou de jogar sozinho”, analisou Josué. “O campo progressista ficou preso no debate sobre o isolamento social. Erramos em não perceber que a maioria da população já não está em isolamento. Setores da esquerda estavam defendendo uma política que já não estava mais colocada, e o bolsonarismo seguiu agindo sozinho”, explicou o professor. Na sua opinião, agora as ruas estão em disputa.
A AdUFRJ marcou presença no 29M do Rio com a sua base e com seus diretores. As principais palavras de ordem foram pela vida, por vacina, pelo auxílio emergencial digno e contra os cortes na Educação, demandas que, segundo Josué, estavam resumidas em uma sentença, “Fora, Bolsonaro!”.
Os atos do 29M tiveram o diferencial de seguir protocolos de segurança igonorados pelas manifestações de extrema-direita em apoio a Bolsonaro. “Todo mundo usava máscara. Não houve nenhum momento de incômodo de ter que interagir com alguém que não estivesse usando máscara”, confirmou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller, que esteve no ato. “Foi maravilhoso. Um momento muito importante de reencontro com as pessoas que estão mobilizadas, preparadas e organizadas para enfrentar os avanços autoritários e os desastres da Presidência da República”, avaliou a dirigente.
Eleonora disse que a AdUFRJ vai participar do 19 de junho. “A decisão da assembleia foi de que vamos integrar o calendário unificado nacional de luta”, contou. Eleonora ainda tratou do papel do Formas, o fórum que une as entidades representativas da UFRJ, para a próxima manifestação. “Os cortes no orçamento serviram como um alerta dos nossos maiores temores, que de fato a universidade corre risco com esse governo”, explicou. A professora ressaltou que o Formas vai atuar em conjunto na preparação do dia 19. “Vamos fazer uma campanha para mobilizar as bases”.
Natália Trindade, da Associação de Pós-Graduandos da UFRJ, também aposta na ação coletiva do Formas. “O Formas é um espaço importante porque constrói essa unidade entre as categorias, então é fundamental que todas as entidades construam a nossa participação enquanto comunidade da UFRJ”, explicou. Para Natália, não faltam motivos para os membros da comunidade acadêmica voltarem às ruas. “Não podemos deixar morrer o debate. A situação de todas as universidades federais é grave. Fomos os primeiros, e a situação da UFRJ ainda não foi resolvida”, ressaltou.

CENAS DA RETOMADA

Milhares de pessoas foram às ruas do Centro do Rio de Janeiro, no sábado (29), para dizer ao genocida Jair Bolsonaro que seu governo de destruição está com os dias contados. Seguindo protocolos de segurança ignorados pelos atos bolsonaristas — como o uso de máscaras e de álcool em gel, além do distanciamento social —,  os manifestantes mostraram que a retomada das ruas é um movimento irreversível. As denúncias das nefastas ações e omissões do governo federal no combate à pandemia de covid-19 , dos cortes de verbas das universidades públicas e do projeto de desmonte do Serviço Público Federal com a reforma administrativa se somaram aos gritos de vacina já e para todos e por auxílio emergencial digno.

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bandeira adufrjDiretoria da AdUFRJ

O governo Bolsonaro tem nos colocado desafios que até pouco tempo consideraríamos inimagináveis dentro de parâmetros mínimos de civilidade. As instituições do país parecem imobilizadas diante de uma sucessão de provocações e rupturas legais. Sua equipe de ministros e ex-ministros se julga inimputável ou inalcançável, podendo falar as atrocidades que lhe vier em mente. Nesse espetáculo de horrores, muitos ainda se perguntam quais forças o sustentam e por que ainda não se admitiu ao menos um, das dezenas de pedidos de impeachment. O impasse está posto no lado de cá do problema. Há mais de um ano sem uma autoridade sanitária a nível nacional capaz de dar diretrizes minimamente seguras para o controle da pandemia, temos assumido a difícil tarefa de contenção da disseminação do vírus, defendendo o distanciamento social e evitando aglomerações. Com isso saímos das ruas, da pressão viva e direta sobre os poderes públicos. Não só pelas passeatas e manifestações, mas pela vida mesma, pulsando nas instituições, nas empresas, nos restaurantes, nas praças. A vida empobrece, fica reduzida, a energia se dissipa, e muitos estão ocupados em sobreviver ou enterrar seus mortos. Essa é uma guerra de quase 500.000 mortos. No inventário de perdas e danos, o custo já nos parece alto demais. Olhamos para os lados e vemos que em outros lugares o desfecho foi diferente. A começar pelos EUA, mais recentemente o Chile e a Colômbia: o povo foi às ruas para forçar uma transformação social urgente e necessária.
Nessa semana que passou realizamos uma assembleia da UFRJ convocada pelas entidades, com a participação da reitoria. Tivemos toda a sorte de dificuldade, em ambiente virtual, tendo que ajustar para um único evento práticas políticas tão diversas. O tempo foi curto, a divulgação foi dificultada pelo trabalho remoto, muita gente teve dificuldade de entender a dinâmica. Não foi possível organizar uma votação, mas consideramos ter iniciado um processo muito virtuoso de encontros, trocas e debates. Apesar do tom diferenciado, das histórias pessoais tão diversas, dos enfoques matizados pelas escolhas políticas, a percepção dos problemas que enfrentamos e da gravidade da crise que se avizinha foi sempre um ponto de convergência. Já não se trata de disputar um projeto ou uma proposta, mas de garantir a nossa existência, com os valores que nos justificam e nos sustentam.
A movimentação que se criou em torno do artigo assinado pela reitora e pelo vice-reitor é um termômetro para nos dar referenciais importantes. Há um limite que a sociedade parece estar disposta a suportar. O anúncio de que corríamos o risco de termos nosso trabalho inviabilizado pelos cortes orçamentários trouxe uma mobilização de amplos espectros da sociedade, que em outras épocas não se manifestaram com tanto vigor, mesmo estando a universidade sofrendo grandes restrições orçamentárias. Parece que desta vez, levando em conta todos os ataques que sofremos desde a posse desse governo, entenderam os grandes jornais que a instituição corre perigo de fato. Os cortes orçamentários, somados a uma agenda autoritária e à asfixia provocada também nas agências de fomento, associados ainda a discursos negacionistas e de desrespeito às orientações técnicas forjadas no rigor científico, tudo isso acrescenta cores bem realistas quanto aos interesses que não se disfarçam.
A cada dia se percebe que as chamadas forças bolsonaristas são minoritárias na sociedade. Mas também está cada vez mais evidente que elas estão se preparando para uma batalha, com soldados dispostos a tudo. E a primeira tática usada para que se imponham pela força é a intimidação. Esse é o ponto do qual não podemos recuar. As instituições precisam funcionar, as multas precisam ser aplicadas, a CPI precisa indicar e responsabilizar aqueles que nos impuseram um quadro absolutamente dramático de mortes por covid-19. Mas elas não funcionarão sozinhas. É preciso uma movimentação grandiosa, que torne explícito e indiscutível que o compromisso da sociedade brasileira é com a defesa do Estado Democrático de Direito e o respeito à Constituição. Dia 29 de maio podemos dar o primeiro e vigoroso passo para que isso se torne realidade. Não poupemos esforços nesse sentido. Quem puder, deve estar às 10 horas em frente ao Monumento a Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas. Ali há espaço e podemos manter algum distanciamento. Máscaras e álcool em gel completam o kit de proteção. Quem não puder ir, quem precisar ficar em casa, não abandone as redes sociais, multiplique nosso grito, antes que seja tarde.

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