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Ricardo Stuckert/Fotos PúblicasForam 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério, que mataram 272 pessoas e soterraram sonhos e memórias. Passados seis anos do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho (MG), um estudo conjunto da Fiocruz e da UFRJ mostra que a população local ainda convive com as marcas da tragédia, agora traduzida em graves problemas de saúde. Entre as descobertas, o estudo divulgado no último dia 24 detectou a presença de metais pesados, entre os quais o arsênio e o mercúrio, em 100% das amostras de urina de crianças de zero a seis anos analisadas na cidade mineira.
O estudo avalia desde 2021 os efeitos do desastre na saúde dos habitantes de quatro localidades de Brumadinho. Os dados divulgados se referem ao trabalho de campo feito em 2023 e revelam que, entre as crianças de zero a seis anos, havia a presença de pelo menos um dos cinco metais monitorados (cádmio, arsênio, mercúrio, chumbo e manganês) em todas as amostras de urina analisadas. O arsênio, elemento químico que pode ser fatal a humanos em doses altas, é o que mais preocupa: entre 2021 e 2023, o número de crianças com níveis acima do valor de referência passou de 42% para 57%, em média.
Os percentuais de arsênio são ainda mais expressivos em localidades próximas à área do desastre ou da mineração ativa no município. No povoado de Aranha, distante dez quilômetros do epicentro do desastre, os índices do metal nas amostras acima do valor de referência mantiveram-se entre 50% e 52%. Já nas duas localidades mais próximas — Córrego do Feijão e Parque da Cachoeira — e na qual há mineração ativa — Tejuco —, os percentuais de 2023 sobem de forma significativa, se comparados aos de 2021. No Parque da Cachoeira e no Córrego do Feijão saltam de 29%, em 2021, para 54% e 62,5%, respectivamente, em 2023. Em Tejuco, quase dobram: vão de 37,5% a 72%.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em observação destacada no estudo, os metais arsênio, cádmio, chumbo e mercúrio estão entre as dez substâncias tóxicas de maior preocupação para a saúde pública.
SINAL DE ALERTA
O estudo faz parte do Programa de Ações Integradas em Saúde de Brumadinho, financiado pelo Ministério da Saúde. Ele é dividido em duas frentes. O projeto Saúde Brumadinho é voltado para adultos e adolescentes. Já o projeto Bruminha tem foco nas crianças de zero a seis anos. Em 2023, o programa monitorou 130 crianças, 175 adolescentes e 2.520 adultos.
“Acho que os resultados da exposição das crianças aos metais ligam um sinal de alerta. Nosso organismo não produz arsênio, chumbo ou mercúrio, eles sempre vêm do ambiente. Se eu tenho uma população vivendo numa região de mineração, e existe uma exposição dessa população nessa faixa etária, isso é preocupante. É o momento de maior crescimento na vida humana. Você vê um bebê que não levanta a cabecinha e um ano depois está começando a andar. São células se dividindo e se multiplicando, suscetíveis à penetração de qualquer substância tóxica”, avalia a professora Carmen Fróes Asmus (IESC/UFRJ), coordenadora do projeto Bruminha.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados demonstram uma exposição aos metais, e não uma intoxicação, que só pode ser assim considerada após avaliação clínica e exames para definir o diagnóstico. “Intoxicação é um quadro clínico, um conjunto de sinais e sintomas. O que detectamos é uma exposição disseminada das crianças aos resíduos desses metais. O que não deixa de ser preocupante. Uma coisa é você ou eu termos uma exposição a chumbo ou mercúrio, outra coisa é um bebê de dois meses. É um organismo que está num processo tão grande de construção que um agente tóxico vai ter um potencial de ação lesiva muito mais forte, em doses menores, do que se fosse com você ou comigo”, explica a docente.
Um dos maiores especialistas do país em saúde pública, o professor emérito Volney Câmara, também do IESC, partilha da mesma visão. “Os metais podem causar muitos efeitos crônicos, que podem não estar visíveis neste momento. São efeitos insidiosos. É fundamental o acompanhamento dessas pessoas, notadamente as crianças, pelo SUS. As crianças são mais expostas a estes poluentes porque as estruturas do corpo ainda não estão completas, e o pior, pelos mesmos motivos, apresentam efeitos mais graves que nos os adultos”, diz Câmara, que é consultor do programa do Programa de Ações Integradas em Saúde de Brumadinho.
A professora Carmen acrescenta que é preciso uma maior vigilância do ambiente em Brumadinho. “Temos que ter uma maior frequência de coleta de amostras da água, do solo, da poeira e uma troca de informações entre as secretarias de Ambiente e Saúde do município e do estado. E precisamos de equipes de saúde melhor capacitadas. Infelizmente nessa área da saúde ambiental, mais especificamente da toxicologia, a formação dos profissionais de saúde não é a desejável. Em uma área de mineração, o profissional de saúde tem que fazer avaliações dos níveis de chumbo no sangue de uma gestante, ou de arsênio na urina de uma criança”.
SAÚDE ABALADA
Coordenador-geral do programa e responsável pelo projeto Saúde Brumadinho, o professor Sérgio Peixoto (UFMG), pesquisador da Fiocruz Minas, observa que a percepção da população local em relação à sua própria saúde é um componente relevante para aferir os desdobramentos do desastre de 2019. “Na autoavaliação de saúde entre adultos, o que a gente percebe entre 2021 e 2023 é a manutenção de percentuais elevados de relatos de saúde ruim ou muito ruim. Chegam de 10% a 12%, enquanto na população brasileira esse percentual é de 5,8%. Essa é uma variável importante e está associada a diversos riscos como desenvolvimento de doenças crônicas, adoecimento e até mortalidade”, diz ele.
A pesquisa investigou a presença de sintomas nos 30 dias anteriores à entrevista. Em 2021, os adultos relataram principalmente irritação nasal (31,8%), dormências ou cãibras (25,2%) e tosse seca (23,5%). Em 2023, houve um aumento na frequência das duas primeiras condições para 40,3% e 34,4% e uma pequena diminuição (21,5%), na terceira. O grupo de doenças que inclui enfisema, bronquite crônica ou doença pulmonar obstrutiva crônica registrou aumento de 2,7%, em 2021, para 10,7%, em 2023.
De acordo com o pesquisador, o estudo mostra que, entre os adolescentes, houve um aumento de doenças respiratórias. “Doenças pulmonares crônicas, com enfisema e bronquite, tiveram um aumento muito grande na maioria das regiões. A asma teve pouca variação, mas permaneceu num percentual alto. Isso se repete quando a gente avalia a população adulta. Os percentuais são duas ou até três vezes maiores do que o que observamos na população brasileira. Sintomas como chiado, falta de ar, irritação e tosse são muito frequentes em Brumadinho. Isso pode estar associado aos problemas ambientais, ao processo produtivo e à produção de poeira na região. É uma preocupação constante. Vamos checar se isso se mantém com os dados de 2024”.
O estudo também avaliou aspectos de saúde mental. O diagnóstico de ansiedade ou problemas do sono foi reportado por 32,8% dos entrevistados adultos, em 2021, e por 32,7%, em 2023. “O diagnóstico de depressão se mantém em torno de 20% entre os adultos, o dobro da população do país. Usamos algumas escalas que nos permitem fazer triagens. Tanto em adultos quanto em adolescentes há um aumento no percentual de depressão e de ansiedade. Em algumas comunidades, o percentual ultrapassa 40%, um valor muito elevado. As questões de saúde mental perduram por muito tempo após uma grande tragédia. Nossa pesquisa foi feita após a pandemia, então ela se sobrepôs ao rompimento da barragem em Brumadinho. É uma dupla carga para a população”, avalia Peixoto.
PRÓXIMOS PASSOS
A análise dos dados coletados em campo em 2024 está adiantada. A equipe do programa vai voltar a Brumadinho em março para levar à população os resultados compilados de 2021 a 2023. “Esse é um compromisso do programa, temos que dar suporte às famílias. Ficamos lá na unidade de saúde à disposição delas, tiramos dúvidas”, diz Carmen. A primeira etapa do programa cobre a coleta e a análise de dados até 2025. “Mas já vamos iniciar uma negociação com o Ministério da Saúde para prosseguir por mais alguns anos, com mais tempo de acompanhamento”, adianta Peixoto.
No sábado passado (25), para marcar os seis anos do desastre, a Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho (Avabrum) organizou um ato com apoio do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). As duas entidades reivindicam um protocolo de saúde específico para atendimento às famílias de Brumadinho.
“Estamos muito preocupados porque cada vez o nível de contaminação aumenta no sangue das pessoas, nos animais, em todas as plantas. Tudo isso traz problemas sérios de saúde. Exigimos um protocolo específico e que a Vale arque com essa situação. Essa lama tóxica tem se espalhado, criado consequências. A gente vê pessoas doentes em toda a bacia do Rio Paraopeba. O mesmo acontece na Bacia do Rio Doce, atingida em 2015 pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana”, disse, no ato do dia 25, uma das coordenadoras do MAB, Joceli Andrioli.
Questionada pelo Jornal da AdUFRJ, a Vale esclareceu que “segue empenhada e comprometida com o propósito de reparar os impactos causados às pessoas, às comunidades e ao meio ambiente em Brumadinho”. Sobre o estudo conjunto da UFRJ e da Fiocruz, a mineradora informou que irá avaliar detalhadamente os resultados divulgados para se posicionar. A empresa divulgou ainda que “no âmbito do Acordo Judicial de Reparação Integral há projetos com foco no fortalecimento dos serviços de saúde que vão desde aquisição de equipamentos médico/hospitalares, custeio de serviços até reformas/construção de unidades de saúde”. Segundo a Vale, 17 mil pessoas já firmaram acordos de indenização com a empresa, entre cíveis e trabalhistas.
NA ROTINA DOS PESQUISADORES, ACOLHIDA, AFLIÇÕES E INCERTEZAS
Foto: Arquivo PessoalIr a campo, coletar dados, conviver com as famílias, ver as crianças crescerem, ouvir queixas e lamentos, vivenciar angústias e dar colo. Os quatro anos de convívio com o sofrimento da população de Brumadinho transformaram a vida da professora Maíra Mazoto, pós-doutoranda do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC/UFRJ). Ela se emociona ao falar do contato constante com as famílias atingidas pelo desastre da mina Córrego do Feijão, em 25 de janeiro de 2019.
“De longe, a gente não tem a mínima ideia do tamanho da coisa. É uma população que está sofrendo até hoje, seis anos depois do desastre, e que ainda está em busca de respostas. Uma população marcada, com perda de familiares, ruptura social como um todo, formas de socialização que foram perdidas, que jamais vão retornar ao que era antes”, relata Maíra, que é a coordenadora-executiva do Projeto Bruminha, e responsável pela logística do trabalho de campo.
Professora da Escola de Nutrição da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Maíra fez mestrado e doutorado no IESC/UFRJ, onde desenvolve tese de pós-doutorado sobre a violação do direito humano à alimentação e nutrição adequadas em situações de desastre e injustiça ambiental.
“Brumadinho é também meu campo de estudos. Trabalhamos em quatro comunidades rurais, onde as pessoas costumavam plantar e criar animais. Muitas desenvolveram traumas, não conseguem mais fazer isso. Elas têm medo, não sabem se o solo está contaminado, se a água está contaminada, falam que os alimentos não crescem mais como cresciam antes”, diz ela.
Para fazer o trabalho de campo, Maíra e os outros pesquisadores do Bruminha contam com o apoio de agentes comunitários de saúde, pessoas que também foram atingidas e moram nas comunidades. “Agora em março vamos voltar lá para levar os resultados do estudo às famílias. Os agentes avisam de nossa chegada, preparam o terreno, são fundamentais. Fazemos um informe de saúde para cada família, onde relatamos os resultados das análises. No caso das crianças, mostramos desde a evolução de peso e altura ao desenvolvimento neuropsicomotor. É o momento de acolhida, onde sentimos as aflições e incertezas das famílias”.
Segundo Maíra, os encontros são uma mescla de consulta médica com sessão de terapia. “Vamos eu e uma pediatra do projeto e ficamos lá uma manhã ou uma tarde inteira atendendo as famílias. A gente abre o laudo junto com elas, explica o que aquilo quer dizer, o impacto, o que precisa ser feito. Sempre que crianças apresentam alguma alteração que mereça mais atenção, nós encaminhamos para o serviço de saúde local”.
De 2021 para cá, Maíra confirma que a angústia é um sentimento que perdura na esteira do desastre de 2019. “Sentimos isso nas mães, esse sofrimento prolongado. Elas relatam episódios de violência que antes não havia na região, casos de depressão, até de suicídio. É como se fosse um trauma silencioso que permanece na região. As pessoas ficam mais receosas, desconfiadas. Se ouvem um barulho diferente já podem achar que é outro rompimento de barragem. É um cenário muito sensível”.
Em 25 de janeiro, foi inaugurado o Memorial Brumadinho, no Córrego do Feijão, por iniciativa das famílias das vítimas. Ele é cercado por um bosque com 272 ipês-amarelos, e é todo em tons de marrom, para lembrar a lama que mudou para sempre a vida do lugar.
Principal instância de deliberação do movimento docente, o 43° Congresso do Andes acontece até sexta-feira (31) em Vitória (ES). O evento reúne 467 delegados, 127 observadores e 34 diretores do Andes. Além dos professores, há oito acompanhantes e 13 crianças. Vinte e dois jornalistas trabalham na cobertura das atividades. A AdUFRJ participa com 22 representantes, entre delegados e observadores.
Neste segundo dia do Congresso, os docentes se dividem em grupos mistos de trabalho para debater temas relacionados à política que será conduzida pelo Sindicato Nacional em 2025, tanto no plano de lutas geral, como no plano específico para os setores municipais, estaduais e federal. A carreira docente federal é um dos temas da programação.
A reunião de Vitória terá a inscrição de chapas que irão concorrer às eleições para a diretoria do Andes, em maio. Em paralelo às discussões das plenárias, os grupos políticos que disputam a direção nacional do sindicato vão se articular para a corrida eleitoral.
Confira alguns registros do Congresso feitos pela enviada especial Silvana Sá.



Na próxima semana, entre os dias 27 e 31 de janeiro, a cidade de Vitória (ES) receberá o 43º Congresso do Andes. O Sindicato Nacional prevê a participação de 600 a 650 professores de universidades federais, estaduais, municipais e CEFETs de todo o país. Os números consolidados do encontro serão conhecidos apenas ao final do primeiro dia de atividades, quando será encerrado o credenciamento das delegações.
O Congresso deste ano terá a inscrição de chapas que irão concorrer às eleições para a diretoria do Andes, em maio. Em paralelo às discussões das plenárias, os grupos políticos que disputam as forças da direção nacional do sindicato vão se articular para a corrida eleitoral.
Ao menos três grupos têm condições de apresentar chapas: o Andes de Luta e Pela Base, que atualmente dirige o Sindicato Nacional e é composto por professores ligados a correntes políticas do PSOL e PCB; o Fórum Renova Andes, até o momento o principal grupo de oposição à diretoria nacional, que reúne docentes ligados ao PT, PSOL, PDT e PCdoB; e o Coletivo Rosa Luxemburgo, responsável por articular a votação para a entrada em greve ainda no início do ano passado (vencendo a posição da diretoria nacional em plenário), cujos integrantes são alinhados com setores mais à esquerda do PSOL, PCB e PSTU.
Luis Acosta, professor da UFRJ e 2º vice-presidente nacional, acredita que o tema central do encontro será o modelo de carreira de professor federal. “O congresso eleitoral ‘esquenta’ as discussões, mas acredito que o principal tópico será a carreira única”, diz. A conjuntura nacional e internacional é outro ponto de preocupação. “Também acho que haverá centralidade no debate sobre o novo governo dos Estados Unidos e como ele vai direcionar as ações da ultradireita no mundo, inclusive aqui no Brasil”, aponta o dirigente.
O docente prevê, ainda, que as discussões em torno do reajuste salarial deste ano, fruto de acordo firmado em 2024 e ainda não efetivado em folha, trará mais tensão aos debates. “Há um mal-estar na categoria, porque o início do pagamento foi adiado até que se aprove a Lei Orçamentária Anual”, avalia. “Ainda que haja um certo compromisso do governo nessa efetivação do acordo, esse processo acontece de forma muito lenta”. acredita. “É um governo que está sendo muito atacado pelo setor financeiro e se mostra vulnerável e fraco do ponto de vista político nessas disputas ante o mercado”, considera. “Essas questões certamente atravessarão os debates”.
Ricardo Medronho, professor emérito da UFRJ e um dos eleitos pela assembleia para compor a delegação, também concorda com Acosta sobre o assunto central do congresso. “Um tema que considero relevante e acredito que poderá ser a tônica do encontro é a carreira docente”, avalia.
“É um tema sobre o qual o Andes vem se debruçando, mas a proposta que eles lançam não é bem aceita pela maioria dos professores com quem eu tenho conversado”, avalia Medronho, que já foi diretor da AdUFRJ entre 2021 e 2023.
A proposta do Andes prevê uma carreira única, que deixe de separar o Magistério Superior do Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico. Além disso, indica a possibilidade de progressão e promoção na carreira por tempo de serviço e sem avaliações recorrentes por pares. “O problema não é a carreira única, mas a possibilidade de um docente chegar ao nível de titular sem doutorado, por exemplo. A maioria dos professores da UFRJ não concorda com isso”, afirma. “A gente quer que os docentes sejam avaliados para que a universidade siga como produtora de conhecimento, referência nas pesquisas. Se essa produção mínima não for cobrada dos docentes, não teremos mais pesquisa, nem produção do conhecimento”.
Presidenta da AdUFRJ e delegada indicada pela diretoria ao Congresso, a professora Mayra Goulart também destaca a conjuntura política como ponto sensível dos debates. “Esse congresso acontece num momento de recrudescimento e regozijo da extrema direita global, que é muito forte também no Brasil”, aponta. Ela faz um alerta.“Infelizmente, ainda há certo solipsismo no debate, que ignora esse contexto e só enxerga a categoria e o governo como atores que estão em oposição”, conclui.
VEJA QUAL É A DELEGAÇÃO ELEITA AO 43º CONGRESSO
A delegação da AdUFRJ ao 43º Congresso foi votada em assembleia geral presencial, no dia 16 de dezembro. Foram eleitos 12 delegados e 11 observadores. Presidenta da AdUFRJ, a professora Mayra Goulart é a delegada indicada da diretoria e por isso não foi votada na assembleia. Veja quem são os delegados e os observadores.
Delegados
1. Mayra Goulart (diretoria)
2. Nedir do Espirito Santo
3. Antonio Mateo Solé Cava
4. Verônica Miranda
Damasceno
5. Rodrigo Nunes da Fonseca
6. Marcio Marques Silva
7. Carlos Augusto
Domingues Zarro
8. Cláudia Rocha Mourthé
9. Eleonora Ziller
Camenietzki
10. Jorge Ricardo Santos Gonçalves
11. Renata Baptista Flores
12. Fernanda Maria
da Costa Vieira
13.Alessandra Nicodemos
Observadores
1. Claudia Figueiredo
2. Bruno Reys
3. Tatiana Oliveira Ribeiro
4. Maria Fernanda Elbert
Guimarães
5. Ricardo Medronho
6. Maria Tereza Leopardi
7. Maria Auxiliadora
Santa Cruz
8. Alice Coutinho da Trindade
9. Leonardo D’Angelo
10. Cláudio Ribeiro
11. Aline Caldeira
EVENTO VOLTA AO ESPÍRITO SANTO APÓS 40 ANOS
O 43º Congresso será realizado em Vitória. A anfitriã será a Adufes, a Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo. As plenárias acontecerão no Campus Goiabeiras. O congresso volta à capital capixaba depois de 40 anos.
“É uma grande alegria ter conosco mais uma vez as delegações de todo o país para realizar o mais importante evento deliberativo da nossa categoria”, comemora a professora Ana Carolina Galvão, presidenta da Adufes. “Estamos colocando todo nosso empenho para fazer um grande Congresso”, garante.
A organização do evento começou ainda no primeiro semestre do ano passado e envolve as diretorias da Adufes e do Andes, além de dezenas de profissionais de diversas áreas. “É um evento grande.Tudo foi preparado com muita atenção, profissionalismo e carinho. Cada detalhe, desde os materiais gráficos e informativos, até as instalações e demais estruturas. Está tudo sendo cuidado para oferecer o melhor Congresso que podemos fazer”, afirma. “Estamos ansiosos e ainda temos muito trabalho nos próximos dias!”.
A ciência brasileira deu mais um importante passo na busca de diagnósticos mais precisos, rápidos e simples para o Alzheimer. Pesquisadores da UFRJ descobriram uma ligação entre a perda de uma substância chamada carnitina no sangue de mulheres e a identificação da doença. O achado foi publicado em 7 de janeiro na revista Molecular Psychiatry, do grupo Nature, e abre caminho para a popularização de exames menos invasivos na população de risco para a demência. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 35 milhões de pessoas vivem com Alzheimer. No Brasil, estima-se que 1,2 milhão de pessoas convivam com a doença. Setenta por cento dos pacientes são mulheres.
Nos achados dos pesquisadores brasileiros, a reduzida quantidade de carnitina – molécula que participa do transporte de gordura – no sangue tornou o diagnóstico para o Alzheimer mais preciso em pacientes mulheres. Líder da pesquisa na UFRJ, o professor Mychael Lourenço, do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo De Meis (IBqM), explica que os cientistas buscam descobrir o que torna as pessoas vulneráveis à demência. “Tentamos avançar nessas respostas. Nossa pesquisa mais recente traz dois apontamentos principais. Primeiro: a perda da carnitina. Percebemos essa molécula reduzida principalmente no sangue de mulheres com Alzheimer”, conta. “Segundo: quando nós juntamos este achado com outros parâmetros já conhecidos, o diagnóstico ficou muito mais preciso”, explica.
Mychael Lourenço é professor do Laboratório de Neurociência Molecular do IBqM e líder do estudo na UFRJ - Foto: acervo pessoal
A descoberta abre a possibilidade para a popularização de diagnósticos menos invasivos e mais rápidos. “Já temos marcadores que mostram maior precisão no diagnóstico da doença e a carnitina pode ser mais um deles. Hoje temos exames muito caros, só feitos em laboratórios muito específicos. Então, são diagnósticos ainda pouco acessíveis à população”, afirma. “Creio que, num futuro próximo, as pesquisas tornarão esses exames mais democratizados e mais acessíveis”.
A pesquisa foi feita com 125 pessoas do Brasil e dos Estados Unidos, numa cooperação entre a UFRJ e a Universidade de Nova York (NYU). Houve, ainda, participação do Instituto D’Or e da Universidade da Califórnia no recrutamento de pacientes. A maioria formada por mulheres. Esse é um outro diferencial da investigação. “Muitos estudos nessa área são feitos com populações europeias ou norte-americana, que são muito diferentes da nossa população. Além disso, muitos estudos não dão ênfase às mulheres, que são as maiores vítimas da doença”, explica o docente.
A próxima fase da pesquisa pretende ampliar o número de pessoas investigadas para tentar compreender a exata relação da carnitina com a demência. “Precisamos saber por que a baixa carnitina está associada com a perda de memória. Pode ser que a carnitina atue como fator de proteção para mulheres e sua queda, a partir da menopausa, torne essas mulheres mais suscetíveis ao Alzheimer”, aponta o pesquisador.
A queda da molécula na menopausa abre outra possibilidade para a ciência, segundo Mychael Lourenço. “Talvez tenhamos que ter intervenções mais personalizadas. A medicina já está avançando para esse campo, a chamada medicina de precisão. É preciso um olhar diferente para homens e mulheres em vulnerabilidade à demência”, defende.
Algumas ações já são conhecidas e valem tanto para homens quanto para mulheres evitarem ou minimizarem os riscos de desenvolver demência. “Realizar treinamentos cognitivos, reverter eventuais perdas auditivas com auxílio de aparelhos, realizar atividades físicas e controlar a pressão estão entre ações preventivas ao Alzheimer”, orienta o pesquisador.
RELEVÂNCIA INTERNACIONAL
Ricardo Lima Filho é pós-doutorando do Laboratório de Neurociência Molecular - Foto: acervo pessoalA pesquisa liderada pelo professor contou também com intenso trabalho do pós-doutorando Ricardo Lima Filho, do Laboratório de Neurociência Molecular, orientando de Mychael. “É muito gratificante achar novos indicativos de uma molécula ainda tão pouco estudada numa pesquisa com relevância internacional”, orgulha-se. “Comecei a trabalhar nesse projeto ainda no doutorado. Já havíamos investigado, junto com a professora Carla Nasca, da NYU, a carnitina no diagnóstico de depressão em mulheres. Resolvemos, então, seguir a investigação para o Alzheimer”, conta. “Foi tão interessante ver essa relação acontecendo e os resultados serem tão alinhados entre os pacientes brasileiros e os norte-americanos! Ficamos muito felizes em ver essa amostragem tão semelhante em um público tão diferente. Deu mais segurança para seguirmos com as pesquisas”, diz Ricardo.
O pesquisador conta que a equipe notou a relevância dos achados logo no início do estudo. “Ficamos bastante confiantes que conseguiríamos ter uma validação com o segundo grupo de pacientes e que poderíamos publicar a descoberta numa revista de grande visibilidade”, afirma. “É um processo longo, demorado, feito com muito cuidado, criterioso. A resposta da revista foi muito positiva no sentido de confirmar que os resultados eram confiáveis. É realmente muito gratificante”.
ORGULHO DE SER UFRJ
Diretor do IBqM, o professor Robson de Queiroz Monteiro não esconde o orgulho dos colegas, do trabalho publicado e das descobertas sobre uma doença que afeta tantos brasileiros. “Além de ser o atual diretor do instituto, eu coordenei o programa de pós-graduação em Química Biológica por sete anos. Os professores que lideram esses estudos são meus parceiros”, conta. É uma satisfação em triplo! Primeiro porque sou cria da UFRJ, fiz minha graduação, mestrado, doutorado aqui. Depois, por ter como colegas professores tão gabaritados. E por ser amigo deles!”.
O diretor é só elogios ao amigo, professor Mychael Lourenço. “O professor Mychael é uma prata da casa. Brilhante desde quando era estudante. Ele faz parte de um grupo muito atuante de professores que lideram pesquisas extremamente relevantes para doenças neurodegenerativas. É um imenso orgulho para nosso instituto e para a universidade termos professores tão brilhantes e que levam o nome do instituto e da UFRJ para o mundo”, afirma. “Tive a honra de conviver com o professor Leopoldo de Meis, que dá nome ao nosso instituto. Ele certamente também estaria muito feliz com o sucesso desses estudos”.
Segundo Monteiro, a descoberta também mostra o potencial da pesquisa brasileira. “O estudo mostra a importância da pesquisa feita na universidade pública brasileira e pode até impactar nos índices de ranqueamento internacionais”, sugere. Mas ele faz um alerta. “Se queremos manter esse índice de qualidade, precisamos ter atenção com a nossa infraestrutura. Não basta vencermos um edital de fomento para um equipamento superespecífico, se nossa estrutura é passível de quedas de energia, de perda de dados”, afirma. “A gente quer ter pequenos centros de excelência e grandes áreas depreciadas?”, questiona. “O governo precisa se debruçar sobre essa questão. Precisamos de financiamento para dar conta de nossa infraestrutura”.
Iniciar um detalhado levantamento energético em todos os prédios da universidade e fomentar a introdução de disciplinas ligadas ao tema da sustentabilidade nos cursos de graduação são duas ações imediatas da recém-criada Política de Sustentabilidade e Educação Regenerativa (SER/UFRJ), aprovada em dezembro pelo Conselho Universitário. Mais do que buscar formas de reduzir o consumo e os gastos com energia elétrica e água — uma demanda urgente da reitoria —, a nova política tem como foco uma mudança de comportamento em todo o corpo social da UFRJ, com a pretensão de que essa mudança se espalhe pela sociedade.
“É um desafio muito grande? Sim, é uma utopia. Mas é viável e ela tem que ser perseguida. Não temos outra opção. Se não reduzirmos a emissão de gases de efeito estufa e encontrarmos formas de sequestrar o carbono da atmosfera, nós vamos ter catástrofes num futuro próximo. Fortes ondas de calor, enchentes e queimadas, por exemplo. Temos que nos reeducar. A educação é o motor dessa transformação. Nosso foco é uma mudança de comportamento na UFRJ, por meio da sensibilização, e daí para a sociedade”, acredita o professor Francisco Esteves (Nupem/CCS), coordenador da SER/UFRJ.
LEVANTAMENTO
Vinculada diretamente à reitoria, a coordenação da SER/UFRJ vai atuar com o apoio de seis câmaras técnicas (veja abaixo), que vão gerar conteúdos e recomendações relacionados às ações de sustentabilidade e educação regenerativa. Uma delas, sob a coordenação da professora Susanne Hoffmann (EQ/CT), é a Câmara Técnica de Planejamento e Gestão Ambiental. Caberá a ela a elaboração de um diagnóstico sobre as condições de uso de energia elétrica em toda a UFRJ.
AFINADOS Susanne e Francisco integram a equipe da SER/UFRJ e querem sensibilizar para a mudança - Foto: Alexandre Medeiros
É um trabalho e tanto, mas experiência não falta. A professora Susanne vem trabalhando há muitos anos no Plano de Logística Sustentável (PLS), um programa governamental criado em 2012 e obrigatório para órgãos federais. “Quem estava com essa incumbência aqui na UFRJ era um grupo pequeno na prefeitura, sem estrutura e pessoal suficiente para essa tarefa. Cheguei à equipe da SER/UFRJ por conta desse histórico e do diagnóstico que temos do consumo de água e energia elétrica, ainda bem inicial”, diz a professora.
De acordo com as informações mais recentes levantadas no âmbito do PLS, a UFRJ tem acentuadas desigualdades no consumo de energia elétrica entre suas unidades. Se o Restaurante Universitário Central, pelo uso intensivo, tem alto consumo, prédios como o IFCS e o JMM têm baixo consumo. “Esses prédios estão em situação precária, não têm climatização e até iluminação adequadas. Nesses lugares é preciso aumentar o consumo para garantir um bom ambiente para o estudo. Por outro lado, temos prédios onde há excessos ou desperdício, onde é preciso cortar. Temos que equilibrar isso, ter um olhar mais cuidadoso. Deixar um ar-condicionado ligado, por exemplo, pode passar despercebido aqui, jamais passaria em uma residência”, exemplifica Susanne.
Segundo a docente, a inspeção energética pode identificar gargalos e apontar soluções, algumas simples e de baixo custo. “Esse levantamento pode ser feito com equipes também compostas por alunos, estagiários, bolsistas. No CT, por exemplo, há várias salas com somente um interruptor para diferentes gabinetes. Era uma sala grande que foi dividida. Às vezes uma só pessoa trabalha com vários gabinetes com a luz ligada, algo simples de ser corrigido, e barato. A inspeção pode detectar isso e sugerir correções”.
Susanne Hoffmann sustenta que o consumo de energia elétrica na UFRJ não pode ser considerado “exagerado”. “A conta parece muito alta, mas quando a gente olha a conta per capita, a quantidade de alunos que atendemos, essa conta não é muito além do que se espera para uma universidade do nosso tamanho. Isso precisa ser desmistificado. Temos problemas internos, sim. Temos que aumentar nossa rede de medidores de energia. Temos 70 mil pessoas para 65 medidores, aproximadamente. Não é possível mensurar quem exagera ou não no consumo. Precisamos fazer análises mais detalhadas dentro dos prédios, identificar onde é possível usar a energia elétrica de forma mais inteligente. Não vamos reduzir pela metade a conta de energia da UFRJ, pois há lugares em que o consumo precisa subir para garantir condições adequadas, e outros onde ele vai diminuir. Mas talvez consigamos reduzir em 10% ou até 20%”.
No ano passado, os gastos da UFRJ com energia elétrica e água bateram R$ 136 milhões e as concessionárias chegaram a suspender o fornecimento por falta de pagamento. Em 7 de janeiro, o reitor Roberto Medronho reuniu-se com integrantes da coordenação da SER/UFRJ, além do ETU e da Prefeitura Universitária, para definir ações de uso racional da energia elétrica e da água. A inspeção energética foi uma das ações propostas no encontro.
MODELO
Ao mesmo tempo em que uma inspeção pode indicar soluções para o uso racional de energia elétrica nos campi, a SER/UFRJ vai trabalhar nas instâncias de decisão da universidade para introduzir disciplinas ligadas à sustentabilidade e à educação regenerativa nas grades curriculares. “O reitor Roberto Medronho procurou o Instituto de Biologia com o intuito de montar um grupo de trabalho para propor uma política para a UFRJ, uma das poucas universidades brasileiras que não tinha uma diretriz estabelecida nesse tema. Fizemos um levantamento e percebemos que as políticas de sustentabilidade de muitas universidades tinham como foco a gestão dos recursos, mas que não tinham um componente que nós incorporamos na nossa política: a educação”, contra o professor Francisco Esteves.
O coordenador da SER/UFRJ acredita que a universidade poderá quebrar paradigmas com mudanças curriculares. “Fizemos apresentações em todos os centros. No CT, um professor da Escola Politécnica veio me procurar após a apresentação e disse assim: ‘A ideia é fantástica. Mas aqui formamos engenheiros que não têm ideia do que é isso. Temos várias disciplinas de Cálculo e nenhuma de Sustentabilidade’. Esse é o desafio. O currículo precisa ser mudado. Vamos induzir essa discussão e mostrar que há necessidade de introduzir a Sustentabilidade em todas as áreas do conhecimento, mudando as grades curriculares, algumas mantidas como eram nas décadas de 60 e 70 do século passado. Temos que mostrar aos alunos, ao longo da graduação e da pós-graduação, que o homem se afastou da natureza e que tem que se reconectar com ela”, defende Esteves.
Na visão da SER/UFRJ, a Ilha do Fundão, maior campus da universidade, tem tudo para se tornar um modelo de sustentabilidade. “Temos aqui um potencial enorme. O Fundão é um lugar maravilhoso para ser um campus sustentável. Temos grandes áreas verdes, interface com o mar. Poderíamos ter um grande pátio de compostagem aqui para aproveitamento de resíduos. Temos a Ilha do Catalão, um espaço incrível. Podemos tornar o Fundão um modelo de sustentabilidade”, vislumbra Susanne Hoffmann.
POR DENTRO DA SER/UFRJ: ESTRUTURA, RECURSOS E EQUIPE
A nova Política de Sustentabilidade e Educação Regenerativa deu seu pontapé inicial em outubro de 2023, quando a reitoria reuniu especialistas no tema e instituiu um grupo de trabalho para definir os parâmetros da diretriz. A partir de oficinas ampliadas, esse grupo chegou ao modelo da política aprovada pelo Consuni em 12 de dezembro do ano passado, em que a educação está no centro da gestão ambiental da universidade.
A SER/UFRJ prevê que os conceitos e práticas voltados para a sustentabilidade e para a educação regenerativa devem ser integrados às atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação, gestão, governança, planejamento e gerenciamento de projetos e obras da UFRJ. Além da Coordenação Geral, pilotada pelo professor Francisco Esteves, a SER/UFRJ tem um Comitê Executivo, um Fórum e seis câmeras técnicas.
O Comitê Executivo é composto por um representante docente de cada centro e por dois alunos indicados pelo DCE Mário Prata e pela Associação de Pós-Graduandos (APG), além da Coordenação Geral. Já o Fórum é um órgão consultivo que reúne a Coordenação Geral, o Comitê Executivo e as câmaras técnicas.
As seis câmaras temáticas vão municiar a Coordenação da SER/UFRJ com propostas em várias áreas. “Estamos abertos para receber adesões de alunos, técnicos e professores para nos ajudar na execução da política”, convoca o professor Francisco Esteves. São elas:
Ambientalização Curricular e de Pesquisa: será dela a tarefa de propor mudanças curriculares na graduação e também na pós-graduação e extensão.
Planejamento e Gestão Ambiental: ficará com a missão de fazer a inspeção energética e sugerir planos de ação para mitigar e evitar passivos ambientais, além de contribuir para a elaboração do Plano Diretor e do Plano de Logística Sustentável.
Transição e Futuros Sustentáveis: tem a missão de fomentar uma cultura de sustentabilidade nos campi e unidades externas da UFRJ, inclusive estimulando a formação de parcerias.
Comunicação, Escuta Socioambiental e Cultural: vai trabalhar para fortalecer os laços de comunicação, participação e integração dentro da comunidade universitária, contribuindo para a construção de uma universidade mais democrática, sustentável, inclusiva e diversa.
Prevenção e Enfrentamento de Desastres Naturais e Emergências Ambientais e Sanitária: vai auxiliar na elaboração de metas e planos de adaptação e mitigação frente às mudanças climáticas, assim como no enfrentamento de situações de desastres.
Estratégia de Implementação da Política SER/UFRJ: vai coordenar a elaboração do plano de implementação da política.
A SER/UFRJ terá uma estrutura de apoio para captação de recursos por meio de editais de fomento como os do Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), do Ministério de Minas e Energia.
EDUCAÇÃO REGENERATIVA É DIFERENCIAL DA NOVA POLÍTICA
A inserção da Educação Regenerativa na SER/UFRJ é um “pulo do gato” em relação a diretrizes da mesma temática de outras universidades brasileiras e mesmo do exterior. Um amplo levantamento feito pela equipe da SER/UFRJ mostrou que esse é um diferencial, já que as políticas existentes têm foco na gestão dos recursos.
“A articulação entre ensino, pesquisa, extensão e inovação será prioritária para que a Educação Regenerativa passe a vigorar nos currículos, no pensamento e na ação da comunidade universitária”, defende Francisco Esteves.
Foi fundamental para a conceituação de Educação Regenerativa o estudo feito pelo professor Guto Nóbrega (EBA), vice-decano do CLA, a partir do qual ficou evidente a necessidade de introduzir a temática da Sustentabilidade nos currículos da UFRJ.
“Ao pensarmos no ambiente da UFRJ devemos considerar a sua força motriz, que é a produção de conhecimento. Estamos falando de práticas educacionais que muitas das vezes são operadas por uma lógica de pesquisa pautada na produtividade e a eficiência. São valores que talvez mereçam ser parametrizados por uma outra temporalidade, menos quantitativa e maquínica, mas mais próxima da natureza e seus ciclos. Para tal feito necessitamos reorientar nossos currículos”, sustenta Guto Nóbrega.
ROMPER BARREIRAS
O professor da EBA argumenta que os saberes tradicionais, como os dos povos originários, devem ser incorporados à lógica da academia. “Temos o saber científico, mas também os saberes locais, tradicionais, ancestrais. É papel de uma educação regenerativa e sustentável resgatar tais saberes e reintegrá-los ao lugar de fala da produção de conhecimento”.
Guto Nóbrega sabe que não será fácil incorporar essa visão aos rígidos padrões da academia, mas acredita que a SER/UFRJ possa romper barreiras. “O que é imperativo é uma nova filosofia que promova a mudança necessária no indivíduo, para que possamos a partir nosso lugar de ação transformar nosso ambiente comum. São pequenas mudanças que, somadas pouco a pouco, podem desencadear a transformação comportamental que desejamos para benefício da planeta. Isso se dá no domínio da educação, uma educação regenerativa”.
O professor Francisco Esteves reforça a crença. “Nosso objetivo é efetivamente fortalecer o legado da UFRJ na sociedade com nossas ações e, para tanto, a formação de nossos estudantes, da educação básica à pós-graduação, precisa ter como cerne a sustentabilidade”, diz ele.
Além de Francisco Esteves, Susanne Hoffmann e Guto Nóbrega, integram a equipe de coordenação da Política SER/UFRJ os professores Laísa Freire (IB/CCS), Thiago Gomes (Instituto Politécnico/UFRJ-Macaé), Andrea Borde (FAU/CLA), Jussara Lopes (IQ/CCMN), Fátima Bruno (FACC/CCJE) e Marcelo Côrtes (CAp/CFCH).