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Ótima notícia para os professores. Em decisão unânime na tarde de quarta-feira (26), o Conselho de Curadores da UFRJ aprovou o processo para construção da nova sede da AdUFRJ, em espaço localizado entre o Horto da Prefeitura universitária e a sede do Sintufrj.
A proposta da nova sede foi anunciada durante a posse da diretoria do sindicato, em outubro.
Foto: Fernando Souza/Arquivo AdUFRJ
Repercutiu no Conselho Universitário desta quinta-feira o impacto da operação policial da véspera, na Maré: além da violência na comunidade, balas atingiram salas de aula na ilha do Fundão. Até mesmo um helicóptero da PM precisou pousar no gramado próximo ao edifício Jorge Machado Moreira (antiga reitoria) para resfriamento do motor, informou a prefeitura universitária.
Representantes estudantis cobraram da administração central a discussão e aprovação urgente de um protocolo de segurança para orientar a comunidade universitária nesse tipo de situação.
"Todo mundo viu as fotos (de ontem). Vão esperar uma bala atingir um estudante para aprovar o protocolo?", questionou o conselheiro discente Henderson Ramon.
Integrante da Comissão de Legislação e Normas do colegiado, o professor Antônio Solé (representante dos titulares do CCS) afirmou que o assunto precisa ser discutido com calma. Fruto de um grupo de trabalho sobre segurança, uma proposta de resolução já está sob análise da comissão.
"A proposta de resolução tem 16 páginas, mas se refere a documento de 169 páginas, que foi apresentado à CLN, para essa análise, no início deste mês. O regime de urgência impediria a análise detalhada da minuta pela relatoria. Na minha opinião, é irresponsável tentar dispensar essa análise", disse.
A solicitação de urgência entrou em votação e foi rejeitada. Como contraproposta, a administração central se comprometeu a incluir o tema na pauta da primeira reunião de fevereiro, após o recesso de fim de ano do colegiado.
 
? Kelvin Melo

WhatsApp Image 2025 11 25 at 19.17.12Orgulhosos rostos pretos vão compor uma galeria permanente na UFRJ. No mês da Consciência Negra, em que se destaca a figura mítica de Zumbi dos Palmares, a exposição “Memórias Negras” pretende aquilombar trajetórias de docentes e técnicos negros que construíram e constroem a história da universidade. O projeto foi concebido pelo Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH). Com imagens de 55 professores e 24 técnicos, a exposição será lançada no próximo dia 27, às 17h, no auditório Professor Manoel Mauricio Albuquerque, na Praia Vermelha.

“O foco é tornar visíveis imagens de técnicos e docentes negros da UFRJ, num recorte do CFCH. Há um histórico de pessoas negras tanto na área técnica quanto na área docente, mas essas pessoas são invisibilizadas. Vamos juntar pessoas com muito tempo na universidade e pessoas jovens e recém-chegadas, como um jogo da memória”, explica o professor Vantuil Pereira, decano do CFCH e idealizador do projeto. A exposição permanente ficará no Espaço Jessie Jane Vieira de Souza, do CFCH, mas terá mostras itinerantes para o Colégio de Aplicação e para o IFCS/IH.WhatsApp Image 2025 11 25 at 19.17.13 4Erika Marins e Vantuil Pereira

Erika Fernanda Marins de Carvalho, assistente social e técnica-administrativa do Centro de Referência de Mulheres da Maré — projeto do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH) —, é uma das fotografadas para a exposição. “Esse projeto relembra e resgata minha trajetória na UFRJ. Fui aluna do Serviço Social e passei no concurso para ser servidora, realizando um sonho. As pessoas pretas são merecedoras de estarem nesses lugares. A universidade pública ainda tem um pensamento colonial, nós enfrentamos dificuldades de acesso ao ensino superior, e somos minoria no corpo social, como docentes e técnicos. Dar visibilidade ao nosso povo dentro da universidade é de extrema importância. O projeto faz isso: nós estamos aqui, nós construímos essa universidade”.

O decano Vantuil Pereira espera que o projeto incentive outras áreas da UFRJ a dar mais visibilidade aos servidores pretos: “O CFCH tem hoje, em termos proporcionais, o maior número de docentes negros da UFRJ. Salvo engano, o número total de autodeclarados negros na universidade está em torno de 400. O projeto traz isso à tona também. Essas imagens, juntas, produzem uma força. O projeto quer colocar em relevo essa força negra. Esperamos que essa exposição crie um impacto na instituição, que ela se replique por outros centros, que seja uma inspiração”.

 

ARTIGO | Paulo Baía, sociólogo, cientista político, ensaísta e professor aposentado da UFRJ

Como professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, manifesto aqui minha sincera emoção, gratidão e compromisso com a história que vivi e continuo a viver ao lado de tantos companheiros e companheiras de jornada

WhatsApp Image 2025 11 25 at 19.17.13 3A presença de docentes pretos e pardos na UFRJ sempre foi minoritária. Essa minoria revela, de forma dolorosa e persistente, a força do racismo estrutural que, há séculos, exclui moradores de favelas, trabalhadores, suburbanos e habitantes das periferias do acesso pleno à educação. Essa exclusão começa no ensino fundamental, atravessa o ensino médio e, ainda hoje, marca profundamente o ensino superior.

Sou um homem de 74 anos. Tive o privilégio de realizar duas graduações, em Estatística e em Ciências Sociais. Iniciei a minha trajetória como professor da UFRJ em 1977 e me aposentei em 2018. Durante todo esse percurso, fui um corpo diferente entre meus colegas. Um corpo que destoava, mas que nunca deixou de encontrar respeito, parceria e boas amizades ao longo do caminho.

Por isso, quando o professor Vantuil, decano do CFCH, me convidou para participar da sessão de fotos de professores pretos e pardos da UFRJ, aceitei de imediato. Não apenas por mim, mas por todos que caminharam antes de mim e por todos os que ainda chegarão. A iniciativa é poderosa. Ela ilumina trajetórias que fizeram e fazem a UFRJ ser o que é. Trajetórias que contam a história da instituição a partir de corpos que tantas vezes foram silenciados, invisibilizados ou esquecidos.

Hoje, vejo uma universidade diferente. As políticas de ações afirmativas transformaram o cotidiano da UFRJ. A universidade está mais colorida, mais preta, mais mestiça. A presença dos jovens das favelas, das periferias e dos subúrbios começa a ocupar espaços que sempre lhes pertenceram. Os números ainda não refletem a proporção real da população brasileira revelada pelo Censo Demográfico de 2022 do IBGE, mas representam um avanço irreversível e profundamente simbólico.

Esta exposição é uma luta contra o apagamento. Um gesto de memória, justiça e reparação. É um chamado para que os próximos cem anos da UFRJ sejam construídos com mais igualdade, mais diversidade e mais coragem.

Agradeço, com enorme admiração, ao professor Vantuil, cuja dedicação incansável combate o racismo, enfrenta os racistas e afirma diariamente os direitos fundamentais do povo preto e pardo no Brasil e no Rio de Janeiro. Sua iniciativa não apenas acolhe. Ela devolve dignidade, orgulho e pertencimento.

Assino esta declaração com o coração cheio, honrado por fazer parte dessa história e esperançoso pelas histórias que ainda virão.

WhatsApp Image 2025 11 25 at 19.17.12 4Pretos e pardos são a maioria da população brasileira. Eles correspondem a 55% dos brasileiros. No estado do Rio, o percentual alcança 58%, ficando atrás apenas da Bahia. Esses números, no entanto, não se traduzem em “democracia racial” ou igualdade de condições de vida e de oportunidades. A população carcerária brasileira corresponde a mais de 400 mil pessoas e é formada em 70% por pessoas negras.

Também entre negros estão os índices mais baixos de educação formal. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PND) do IBGE, publicada em julho, revelou que 63,4% das pessoas brancas do país tinham completado a educação básica até 2024. Entre pessoas negras, o percentual era de 50%. Também são pessoas negras as que mais sofrem com o analfabetismo. A taxa, entre pretos e pardos, é de 7,1% de analfabetos, e de 3,2% entre pessoas brancas.

A violência é outra faceta cruel do racismo estrutural brasileiro. Pessoas negras morrem mais por homicídio. A taxa de óbitos por morte violenta é de 76%. A juventude negra é a mais vulnerável. A maioria das vítimas são homens jovens, entre 15 e 29 anos. Segundo o Atlas da Violência, o risco de uma criança ou adolescente negra ser assassinada é 3,3 vezes maior do que de crianças e adolescentes brancas.

Graças a políticas de ações afirmativas, como a lei de cotas, as universidades federais já possuem 51% do seu quadro estudantil formado por pretos e pardos. Para Denise Góes, da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade da UFRJ (SGAADA), a conquista é um marco importante, mas não é suficiente. “Dar o acesso é fundamental, mas é tão importante quanto manter esse estudante na universidade. São realidades atravessadas não só pelo racismo, mas por muitas outras questões estruturais que podem fazer com que ele desista da graduação”, aponta.

Necessidade de ajudar no sustento familiar, violência urbana, lacunas acadêmicas e falta de suporte emocional e acadêmico estão entre os principais fatores que podem contribuir para a evasão, analisa a superintendente. “Essa vulnerabilidade vem de um processo de não-escolarização, por conta da escravização o que, consequentemente, implicou na negação do acesso ao ensino superior”, pontua. “É uma dívida histórica muito longe de ser liquidada”.

O professor Papa Matar Ndiaye, da Escola de Química, concorda. “A política de permanência apresentou melhorias, mas continua insuficiente. Precisamos dos meios adequados para garantir a formação desses estudantes negros”, afirma. “O processo de formação e elitização da sociedade levam ao quadro de sub-representação de pessoas negras, que não é uma questão só da universidade, mas da sociedade brasileira”.

CARREIRA DOCENTE DESIGUAL
No caso do acesso à carreira docente, pessoas negras enfrentam ainda mais barreiras. Na UFRJ, por exemplo, dos 3.959 docentes do Magistério Superior, apenas 129 (3,26%) se autodeclaram pretos e 523 (13,21%), pardos. Mais de 80% de autodeclaram brancos e 1,74% não informou sua origem étnica. Já entre os 92 professores efetivos do EBTT, 76% se autodeclaram brancos, 4,35% pretos e 17,39% pardos. Os dados são do Painel Estatístico da PR-4.

As cotas na pós são realidade recente na academia e ainda reverberam pouco nos concursos, como avalia a pró-reitora de Pessoal, Neuza Luzia Pinto. “As políticas de ações afirmativas para a população negra aconteceram neste século, cerca de uma década atrás, para acesso aos concursos públicos”, aponta. Um marco muito recente, se comparado aos séculos de escravidão aos quais essa população foi submetida. “Eu vejo que o quadro começará a mudar a médio prazo, na medida em que mais negros acessam a graduação, a pós-graduação. Essa formação mais completa aumenta a possibilidade de mais negras e negros entrarem em nossos quadros de docência”, analisa.

Além disso, as vagas ofertadas muitas vezes não alcançam o que estipula a lei. No caso da UFRJ, ocorreu uma mudança significativa a partir de 2022. “A UFRJ ainda tem muito o que avançar na aprovaçãoem seus concursos. Entre 2014 e 2021, houve uma sub-oferta das vagas para cotistas, fato que é compartilhado por praticamente toda a rede de Universidades Federais”, avalia o professor Alexandre Brasil, Titular do Instituto Nutes e diretor da Secretaria-Executiva do Ministério da Educação.

O docente era pró-reitor da UFRJ, quando ocorreu o primeiro concurso docente após a aprovação da Resolução 15/2020, do Consuni. “Tive o privilégio de estar à frente da PR-4 nos concursos retomados em 2022. Como resultado, 23,6% dos novos docentes que ingressaram em 2022 se declararam de cor preta ou parda”, conta o docente. “Até a aprovação da lei, em 2014, esse percentual era de 13%. Já entre 2015 e 2021 chegou a 18,8%, ainda abaixo dos 20% previstos na lei de cotas, sendo que a maioria destes não ingressaram por meio das vagas reservadas”, afirma Brasil.

O ex-pró-reitor revela que a universidade possui um déficit de 129 vagas que deveriam ter sido ofertadas para docentes cotistas nos concursos entre 2014 e 2021. Vagas que não foram oferecidas por uma leitura mais restritiva da lei de cotas. “Seis universidades adotaram, a partir de 2024, percentuais maiores, de 30% a 40%, de vagas reservadas visando a reposição da quantidade não ofertada. conta o docente. “Ter uma universidade com a maior presença de docentes negros precisa ser um objetivo assumido por todos”.

Temos a honra de convidar para uma Palestra Magna com o renomado historiador Professor Omer Bartov, da Brown University, uma das maiores autoridades mundiais em Estudos do Holocausto e Genocídio.
O Professor Bartov é amplamente reconhecido por suas pesquisas que examinam as relações entre a guerra total e o genocídio, com foco especial no papel da Wehrmacht (Exército Alemão) na Segunda Guerra Mundial. Nos últimos anos tem se debruçado sobre a ascensão e fortalecimento do pensamento de extrema-direita nos EUA e no mundo inteiro.

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 09/12/2025                                                                                10/12/2025

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