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08WEB menor1139O autoritarismo cresce cada vez mais no governo Bolsonaro. O Ministério da Justiça e Segurança Pública criou um dossiê com os nomes e, em alguns casos, fotografias e endereços das redes sociais de 579 servidores federais e estaduais de segurança identificados como “integrantes do movimento antifascista”. Três professores universitários também são citados no documento, produzido em junho pela Secretaria de Operações Integradas (Seopi).
Os professores universitários na mira do governo são: Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário nacional de Direitos Humanos no governo FHC e ex-integrante da Comissão da Verdade; Luiz Eduardo Soares, cientista político e ex-secretário nacional de Segurança Pública no governo Lula; e Ricardo Balestreri, secretário estadual de Articulação da Cidadania do governo do Pará e ex-presidente da Anistia Internacional no Brasil.
“É particularmente grave que um dos alvos desse monitoramento seja o professor Paulo Sérgio Pinheiro, que foi ministro, membro da Comissão Nacional da Verdade e atualmente tem posições importantíssimas no âmbito da ONU”, apontou Lucas Pedretti, doutorando no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ. “É uma pessoa que tem uma trajetória inequívoca de defesa dos direitos humanos”, completou o pesquisador.
Além de uma “relação de servidores da área de segurança pública identificados como mais atuantes”, montada a partir das assinaturas de dois manifestos policiais em defesa da democracia, o relatório da Seopi também inclui cópias em PDF do livro “Antifa – o manual antifascista”, do professor de história Mark Bray, e de um “manual de terrorismo BR”.
“A gente tem visto uma escalada autoritária do governo. Acontece na área ambiental, nas periferias, e atinge também a nós nas Universidades”, disse o cientista político Josué Medeiros, diretor da AdUFRJ. Segundo o professor, o dossiê é apenas mais um capítulo deste movimento. “Essa é a característica principal desse governo, a tentativa de silenciar, ou mesmo destruir, todo mundo que pensa diferente”, completou.
Pedretti entende que o foco do dossiê é revelador. “Sinaliza que o governo tem muito interesse em manter certo controle ideológico sobre as forças de segurança pública”, disse. “Bolsonaro acredita que pode controlar e mobilizar essas bases armadas em um eventual momento em que deseje avançar na direção de uma ruptura institucional”.
O dossiê foi endereçado a diversas instituições, como a Polícia Federal, o Centro de Inteligência do Exército, a Polícia Rodoviária Federal, a Casa Civil da Presidência da República, a Agência Brasileira de Inteligência e a Força Nacional.
Há o receio de que essa disseminação das informações possa desencadear perseguições políticas e retaliações dentro dos órgãos públicos. “Muitos podem considerar esse monitoramento inofensivo, mas a gente sabe que antes do golpe de 64 houve uma série de iniciativas de montagem de dossiês”, lembrou Pedretti. Para ele, os indícios dessa mentalidade autoritária são muito perigosos, e devem ser combatidos e repudiados. “A gente nunca sabe aonde esses dossiês vão dar”, alertou.
Dirigida por um delegado da Polícia Civil do Distrito Federal, nomeado em maio pelo ministro André Mendonça, a Seopi tentou contornar a Lei de Acesso à Informação carimbando os documentos como de “acesso restrito”. Esse critério adotado pela secretaria prevê que, somente em um prazo de cem anos, o dossiê poderia ser acessado pelos agentes públicos legalmente autorizados e pelas pessoas a que se referir. Mas o Portal UOL conseguiu acessar o material e noticiou o fato no dia 24.
Maria Paula Araújo, professora do Instituto de História, destaca a incongruência na ação do governo. “É como se os direitos humanos fossem inimigos, e a defesa deles vista como uma prática condenável, que torna uma pessoa perigosa”, disse. Ela critica o uso de instrumentos de Estado pelo governo para perseguição de seus inimigos políticos e ideológicos. “Remete às práticas da ditadura”, finalizou.
Em nota à imprensa, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, da qual Paulo Sérgio Pinheiro foi o primeiro presidente, repudiou a ação secreta por agentes de Estado, e exigiu resposta do ministro da Justiça, André Mendonça.

07WEB menor1139Presidente da AdUFRJ, a professora Eleonora Ziller conta como foi o Conselho Nacional de Associações Docentes (Conad), primeiro grande evento virtual do Andes, entre os dias 30 e 31. Eleonora foi a delegada da AdUFRJ (com direito a voz e voto) ao evento. Também participaram os professores Luis Acosta, da Escola de Serviço Social, e Marinalva Oliveira, da Faculdade de Educação, como observadores (com direito a voz). O Conad reuniu 64 delegados, 133 observadores e 7 convidados, totalizando 204 participantes.

O que ficou decidido?
O texto de resolução 10, que prorroga o mandato da atual diretoria por até 90 dias, foi aprovado integralmente. Ao final desse período, um novo Conad reavalia a situação, podendo prorrogar a gestão por até mais 90 dias. Por 28 a 23, foi aprovado o entendimento de que não poderia haver alterações nos textos dos TRs, dificultando o surgimento de um texto unitário.

Qual a importância da realização do Conad?
É muito importante que não percamos o funcionamento das entidades sindicais, ainda que remotamente, como temos feito na AdUFRJ. O Conad deu a legitimidade política para o Sindicato Nacional continuar existindo.

05aWEB menor1139As aulas remotas estão tirando o sono de muita gente e deixando alunos ansiosos. Pensando nisso, Danielle Ramires (foto), estudante da Faculdade de Letras, resolveu elaborar um tutorial para partilhar com seus colegas os aprendizados que obteve no seu curso particular de línguas e na pós-graduação da Letras, que assistia como ouvinte. Ambos migraram totalmente para o ambiente virtual. O resultado foi um material com um bate-papo sério, mas com linguagem simples e muitos memes. “Meus colegas se mostraram preocupados, nervosos mesmo, com o início das aulas remotas. Então pensei em usar a minha experiência pra tentar ajudá-los a passar por esse processo”, explicou a estudante de 22 anos. “Eles estão tão desesperados quanto eu fiquei, no início”, contou.
O material é um livreto, em formato PDF, que explica o que é o período de aulas remotas, apresenta o calendário completo da graduação, com os períodos de inscrição e trancamento de disciplinas, dá dicas de como organizar a rotina de estudos, sugere critérios para que os alunos escolham melhor suas aulas, entre outros conselhos. “As informações oficiais estavam pulverizadas, as pessoas estavam com dificuldade de encontrar um conjunto seguro de informações. Então tive a ideia de reuni-las”, contou. “Além de tentar conscientizar de que a inscrição de disciplinas neste período requer responsabilidade e uma atitude mais coletiva, já que são poucas vagas e muitos formandos acabaram prejudicados porque não entraram nos critérios exigidos”, destacou a estudante.
O texto foca nas aulas remotas, mas a estudante fala também sobre a importância de separar momentos para a realização de atividades que deem prazer aos estudantes. “Estamos em casa para cuidar da nossa saúde. A nossa saúde mental também faz parte deste processo. Se você não cuidar da sua saúde mental, a sua saúde física fica prejudicada”.
O guia já é um sucesso. “Se a gente pudesse resumir em poucas palavras, eu diria que é leve, claro e objetivo”, elogiou Sara Raquel Araujo da Silva, também estudante da Faculdade de Letras. “Ele leva em consideração a nossa rotina, até em relação ao tempo de leitura do documento, que dura menos de cinco minutos. Com certeza é para ser lido e compartilhado”, defendeu. “O material da Danielle está aprovadíssimo! Já passei para todos os meus alunos”, contou a professora Juliana Esposito Marins, da Faculdade de Letras. “Ela mostra uma preocupação em ajudar as pessoas, que é algo muito relevante, sobretudo neste momento”, avaliou a docente. Para a professora, o tutorial elaborado pela estudante casa com as preocupações do corpo docente, sobre como melhorar suas práticas pedagógicas no Período Letivo Excepcional. “Temos discutido a linguagem, como nos aproximarmos mais dos nossos alunos, como restabelecer o vínculo afetivo tão fragilizado neste momento conturbado e o texto dela vai exatamente nesse sentido. É nota mil”.

06WEB menor1139“Como aproveitar esse momento para introduzir algumas modificações a partir de uma reflexão sobre a pedagogia no ensino superior?”, indagou Ana Lucia Fernandes, professora da Faculdade de Educação no “Tamo Junto”. O bate-papo virtual, promovido todas as sextas-feiras pela AdUFRJ, discutiu o ensino remoto e a educação no pós-pandemia, no último dia 24.
Ana Lucia exibiu aos participantes do encontro a gravura francesa de uma sala de aula, pintada ao final do século XIX. “A configuração de aula é igual”, apontou. “Como professores, nós deixamos de estar de um lado da sala e passamos a estar no outro. Mas as práticas tendem a ser as mesmas”, completou.
As circunstâncias da pandemia, de acordo com a a docente, impõem uma necessidade de se repensar essas práticas de ensino. “O quadro de giz foi a grande tecnologia de aprendizagem da escola. Foi ele que configurou o ensino na forma como a gente tem até hoje”, afirmou. Ana acredita que o ensino remoto pode modificar isso. “Não se trata de uma mera soma de ensino remoto com ensino presencial, mas pode se tratar de uma nova forma de trabalhar”, declarou a docente.
Segundo ela, só essas reflexões poderão solucionar problemas como a alta taxa de evasão de alguns cursos. “Aquilo que chamamos de didática no ensino superior está muito mais ligada a como o professor pode mediar o processo de construção do conhecimento do aluno”, disse Ana.
“Porém, todas essas mudanças só podem acontecer de forma coletiva. A questão é pensar como, na nossa instituição, nós podemos ter outro tipo de aula e de ensino-aprendizagem”, finalizou Ana Lucia.
A presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller, vê caminhos possíveis para as mudanças dentro da UFRJ. “O Complexo de Formação de Professores podia ser um lugar em que a gente começasse a transformar essa discussão”, disse, em referência à política institucional de organização da formação inicial e continuada de professores da educação básica.

04aWEB menor1139A UFRJ elaborou um guia para orientar a comunidade acadêmica no período de aulas virtuais. O documento, de 53 páginas, foi criado por uma comissão formada por 19 professores, 5 técnicos e 4 estudantes coordenados pelo vice-reitor, professor Carlos Frederico Leão Rocha. A publicação apresenta um diagnóstico dos desafios e impactos do ensino remoto, como, por exemplo, a manutenção da interação entre a complexa rede necessária à formação de professores, nos 39 cursos de licenciaturas da universidade, enquanto durar a necessidade de distanciamento social.
“Quando a reitoria montou a comissão, identificamos dois grandes gargalos: a inclusão digital de todos os estudantes e a capacitação dos docentes e técnicos para uso das plataformas de ensino”, lembrou o professor Bruno Souza de Paula, um dos integrantes do grupo. “Com o tempo, surgiu a necessidade também de elaborar um guia que fosse resultado do trabalho da comissão, que pudesse orientar a comunidade acadêmica em relação ao ensino remoto, reunir tutoriais, mas que também indicasse algumas diretrizes para a etapa posterior, de retorno gradual das atividades presenciais”, explicou.
Além do diagnóstico, o guia apresenta tutoriais e links de apoio para atividades remotas, com orientações que incluem condições de inclusão digital dos estudantes, treinamento de professores e formação também para os técnicos-administrativos atuarem nos ambientes virtuais. “Neste momento, em que o distanciamento social é medida necessária para o controle da pandemia e para a segurança do nosso corpo social, propomos a utilização de ferramentas que já são adotadas no cotidiano de alguns professores e estudantes”, explica trecho da apresentação do documento.
Para salas de aulas virtuais, a universidade treinou professores e técnicos nas plataformas AVA@UFRJ e Google ClassRoom. Cerca de 300 docentes e técnicos-administrativos foram treinados pelas equipes da TIC e do NCE para servirem como multiplicadores dos conteúdos apreendidos. “Houve duas rodadas de treinamento para atender a representantes de todas as unidades. A última sessão foi gravada para servir de material de consulta”, informou o professor Bruno, que é Coordenador do Núcleo de Ensino a Distância da PR-1. Os links desses tutoriais fazem parte do documento elaborado pela comissão.
Para  a  utilização  dos  recursos  do  Google  Meet,  Google  Classroom  e  Google  Drive,  pelos  docentes, a TIC irá criar uma conta temporária no domínio @eremoto.ufrj.br para aqueles que ainda não têm acesso à plataforma.  Os  docentes  que  já  possuem  acesso  aos  recursos  do  G-Suite Educacional deverão contatar o administrador de sua unidade e realizar a atualização de seus dados.  
Há também um conjunto de recomendações e normas de biossegurança para o retorno gradual da universidade. O grupo orienta que a administração central monte um Comitê de Biossegurança para Covid-19 para acompanhar a implementação das ações propostas pelo Grupo de Trabalho Pós-Pandemia da UFRJ. “É sempre importante reforçar que estas diretrizes, bem como o ensino remoto emergencial, não são coisas permanentes e não são EaD. É uma outra modalidade de ensino, para lidarmos com o momento da pandemia”, reforçou o professor Bruno.

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