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WhatsApp Image 2020 12 12 at 14.49.03 2A cena de uma senhorinha de 90 anos recebendo a primeira dose da vacina contra o coronavírus em um hospital de Coventry, região central da Inglaterra, na terça-feira (8), encheu o mundo de esperança. Margaret Keenan, que fará 91 anos na próxima semana, foi a primeira cidadã do Reino Unido a ser imunizada, e expressou um desejo tão simples quanto sublime:  “Sinto-me muito privilegiada por ser a primeira pessoa vacinada contra a covid-19. É o melhor presente de aniversário antecipado que eu poderia desejar”.

WhatsApp Image 2020 12 12 at 14.49.04Os assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes completaram mil dias na terça-feira (8). Acusados como executores, o policial militar da reserva Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz aguardam julgamento em um presídio em Rondônia. Seguem sem resposta duas perguntas. Quem mandou matar Marielle? E por quê? Uma coisa é certa: a morte da vereadora amplificou a luta pelos direitos humanos no Brasil.
E isso os algozes de Marielle não poderão calar.

cgu 600x320Ofício da CGU foi motivo de reunião entre PR4 e unidades no dia 11A Pró-reitoria de pessoal chega a dezembro despertando mais uma insatisfação nos servidores. Em documento enviado aos diretores de unidade no dia 4 de dezembro, a PR-4 solicitou informações sobre servidores que receberam o auxíliotransporte, adicionais ocupacionais e/ou serviço extraordinário, nos meses de maio e junho de 2020.
O pedido atende ao ofício nº 11316/2020, da Controladoria Geral da União (CGU), que exigiu a apuração imediata dos casos. O documento contém a relação de 2.650 servidores divididos por 86 setores/Unidades, e pede justificativas para o lançamento de frequência regular nos meses citados, mediante o preenchimento de uma planilha e a apresentação de documentação comprobatória.
O ofício da CGU data de 14 de julho, e demandava a resposta da UFRJ até o dia 7 de agosto. No entanto, o documento foi extraviado. Após duas prorrogações, a PR-4 aguardará pelas respostas das unidades até o dia 18 de dezembro. Em nota, a direção do Sintufrj cobrou explicações da pró-reitoria. “A nossa expectativa é que a PR-4 dê uma orientação unificada e institucional, para que as respostas sejam dadas na linha da resolução do Consuni, que deliberou a organização do trabalho remoto ao longo da pandemia”, ponderou Neuza Luzia, coordenadora geral do sindicato.
Com o objetivo de esclarecer o tema, a PR-4 debateu o assunto em uma reunião no dia 11 com os diretores, decanos e chefes de DP, mas o clima foi tenso. “O documento original por algum motivo foi extraviado, e no dia 30 de novembro nós recebemos a reiteração da solicitação por e-mail, com o mesmo ofício”, explicou Luzia Araújo, pró-reitora da PR-4. Ela descreveu a origem do processo.
“A CGU observou a persistência das referidas rubricas de frequência nos meses de maio e junho, o que significa que as nossas folhas de frequência já têm sido auditadas há algum tempo”.
Muitos questionaram por que não foi dada uma resposta unificada por parte da administração central. “O que a PR-4 entende como pagamento indevido, uma vez que nos baseamos todos na decisão do Consuni?”, perguntou uma professora pelo chat da reunião.
“A PR-4 não tem condição de dizer se um determinado lançamento de frequência foi por um erro, ou se a pessoa realmente estava em frequência integral. Esses erros de lançamento são comuns, e nós não temos outra maneira de identificá-los”, afirmou Maria Tereza Ramos, superintendente administrativa da PR-4.
Outra reunião será marcada ainda antes do dia 18, para dar continuidade ao debate e esclarecer eventuais dúvidas relativas ao envio das respostas.
“Em conversa com a CGU, foi solicitado que esse encaminhamento das respostas aconteça tão logo elas sejam produzidas, sem a necessidade de aguardar por todas”, afirmou a pró-reitora Luzia Araújo.

WhatsApp Image 2020 12 12 at 14.49.03No Tamo Junto que encerrou o ciclo 2020, o professor Josué Medeiros, cientista político e diretor da AdUFRJ, puxou a conversa para falar de eleições. Coordenador do Núcleo de Estudos Sobre a Democracia Brasileira, Josué analisou o cenário político nacional, a partir não só do resultado das urnas no último dia 29, mas projetando as eleições de 2022. E não foi bom o cenário desenhado pelo professor. “Eu não queria, mas estou pessimista”, disse Josué no começo da conversa.
Segundo ele, o resultado das eleições municipais não foi uma derrota de Bolsonaro, porque o presidente não entrou efetivamente na disputa. O voto de direita continua forte, embora tenha se dispersado para 2020. Contudo, Bolsonaro, com máquina federal, tem todas as condições de manter a sua base para 2022. As disputas deste ano servem de alerta para a esquerda, que em muitas cidades ficou disputando entre si, enquanto viu candidatos da direita tradicional irem ao segundo turno. Para Josué, a esquerda tem uma base de 40% dos votos, patamar histórico, e não consegue ir além disso atualmente. “As pessoas perderam a crença de que o campo progressista pode governar”, disse.
Dentro desse cenário, é possível até que a esquerda se una em 2022, e chegue ao segundo turno, mas, se não expandir sua base de eleitores, provavelmente vai ser derrotada por Bolsonaro, que agregará os votos da direita moderada. “As eleições confirmaram esse quadro”, resumiu.
E o cenário pode piorar. “O esgarçamento do nosso tecido social continua. A inflação dos alimentos é muito forte na base, e o fim do auxílio emergencial vai piorar a situação do ponto de vista social”, falou. A saída não parece tão simples. Josué usou como exemplo as eleições norte-americanas. “O que venceu Trump não foi só o Biden, mas também um enorme movimento civil, que começou com o Black Lives Matter”, explicou. “Precisamos produzir algo de baixo pra cima se quisermos mesmo derrotar o bolsonarismo.”
Antes de começar a conversa, a simples presença da professora Ligia Bahia foi o suficiente para um papo sobre as possíveis vacinas contra a covid-19. Especialista em saúde pública, Ligia explicou que a vacina é muito importante, mas a erradicação de algumas doenças depende de uma mudança social. “A sociedade tem que mudar. Erradicamos a varíola, mas foi necessário um enorme esforço para isso”, disse a professora. “Doenças como a tuberculose e o sarampo foram combatidas também com combate à pobreza”.

semana nacional ciencia tecnologia mcamgo abr 081220201818 16Miinistro da Educação, Milton Ribeiro - Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilO Ministério da Educação recuou duas vezes em cinco dias. Em 7 dezembro, após diversas manifestações de repúdio da comunidade acadêmica, o ministro Milton Ribeiro adiou a data de retorno das aulas presenciais nas universidades do dia 4 de janeiro para 1º de março. Quarenta e oito horas depois, O MEC também homologou uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE), que autoriza as atividades remotas em escolas e universidades por tempo indeterminado. A flexibilização atende ao pedido de representantes das instituições de ensino do setor público e privado, que se reuniram com o ministro no dia 4 para debater a questão.
“Essa nova portaria é uma tentativa de não passar vexame, porque a primeira foi fortemente rechaçada pelo conjunto da universidade de forma muito firme e ágil”, descreve Eleonora Ziller, presidente da AdUFRJ. A professora reforça que já existe um estudo em desenvolvimento sobre como e quando realizar esse retorno, e que cabe ao MEC responder às questões orçamentárias de realização desse processo. “O MEC, covardemente, não apenas deixa de responder isso, como também se esconde atrás de um projeto de lei orçamentária vergonhoso, que leva as universidades ao estrangulamento e à paralisia das suas atividades”, critica.
Carlos Frederico Leão Rocha, vice-reitor da UFRJ, destaca que a portaria anterior previa o uso de recursos digitais e tecnológicos apenas de forma “complementar”, palavra que foi omitida no novo texto. “Isso é bastante relevante, porque de acordo com a outra portaria nós só poderíamos usar as formas de ensino a distância de uma maneira excepcional, mas a atual situação sanitária do Rio de Janeiro deve ser entendida como tal”, comenta.
Na nova portaria, o MEC autoriza o uso das ferramentas de ensino remoto de forma integral nos casos de suspensão das atividades presenciais por determinação das autoridades locais, ou de condições sanitárias que tragam riscos à saúde. “Nós temos salas de aula em subsolos, com condições de ventilação precárias, apenas com ar-condicionado”, lembra o vice-reitor. “E já foi verificado que, nessas condições, a existência de indivíduos infectados pode gerar um surto entre os participantes da aula. Então, mesmo com taxas baixas de contaminação, essas salas não poderão ser usadas”, completa. Segundo ele, é compreensível a ansiedade da população e do governo para o retorno presencial, mas é preciso uma análise criteriosa das condições.
“O retorno presencial é vinculado com critérios técnico-científicos. Quando nós tivermos uma transmissão de baixo risco da doença, esse retorno pode ser pensado”, aponta a professora Fátima Bruno, integrante do GT Pós-Pandemia da UFRJ. Superintendente de Planejamento Institucional, ela relata o mapeamento que está sendo realizado dos espaços da universidade, para que sejam feitas as respectivas classificações e indicações de EPI necessários. “Ainda estamos esperando o retorno de todos os centros e campi com essas informações. Qualquer decisão que a reitoria tomar levará em consideração as condições sanitárias e, principalmente, o avanço da ciência”.

FRENTE PARLAMENTAR
A deputada federal Margarida Salomão, coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Federais, entende a nova portaria como um ato de ignorância do governo. “Em termos formais, ela não tem impacto nenhum, porque se os Conselhos Universitários deliberarem por uma outra alternativa, a portaria é simplesmente vazia de efeitos”, aponta. Prefeita eleita em Juiz de Fora, Margarida ressalta que as universidades devem proceder com autonomia para essa tomada de decisão, em conformidade com a ciência. “Os dados que nós temos no mundo mostram que o retorno presencial sem vacina sempre acarreta uma aceleração da pandemia”.

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